Vida efêmera

foto: Hesham Alhumaid
foto: Hesham Alhumaid

Ricardo Gondim

Como um pai tem compaixão de seus filhos, assim o Senhor tem compaixão… pois ele sabe do que somos formados; lembra-se que somos pó”  [Salmos 103.13-14]

Somos limitados. O número de palavras que nos valemos para conversar, escrever, poetizar, criticar, não lota cem páginas. O espectro da nossa audição é menor do que o dos cães. Existem milhões de cores que nossos olhos não conseguem perceber. Intuímos, mas estamos longe de entender o que significa a palavra percepção. Na vastidão do mistério que nos escapa, oscilamos entre a passividade e a angústia. Qualquer altitude nos mete medo. Tratamos uma pequena depressão como vale da sombra da morte. Dizemos que o futuro parece um oceano desconhecido. O medo do infortúnio se torna pior do que o próprio infortúnio – [ditado iídiche]

Somos óbvios. Previsíveis. Não relutamos quando a vida reduz as opções. Se precisamos alçar voo, nos amesquinhamos. Contentes, sequer reparamos o ar viciado da sala povoada com nossos iguais. Não nos envergonhamos de nosso sedentarismo – que atrofia músculos e coração.

Somos efêmeros. As carpas vivem mais do que nós. Os abutres sobrevivem com bem menos. A ursa cuida da prole com mais atenção. Nossa pele enruga com pouco sol. Bastam quatro décadas, e nossos olhos perdem a capacidade de manter a nitidez. Nosso cabelo embranquece e cai sem motivo. Basta um mínimo desequilíbrio no sangue, um leve aumento da temperatura, e convulsionamos. Sacrificamos a boa comida em nome da saúde, mas não driblamos o câncer, a diabetes, a pressão alta. A vida passa e apagamos como fagulha na neblina. Os primeiros anos – da infância – se esconderam no inconsciente e os últimos – da velhice – se perderão na demência. Custamos atinar: não passamos de folha, que amarela e despenca no outono.

Somos carentes. Precisamos de companhia. O outro, por mais impertinente que seja,  é melhor que a solidão. Se fugimos para o deserto, lá choramos de saudade. A irritação do conflito não basta para nos afastar do amor. Suplicamos por abraço, mão estendida, colo. O crepúsculo nos inunda de melancolia. Sentimento de orfandade nos acorda de manhã e passamos o resto do dia à espera da mãe que perdemos.

Bendita precariedade que escancara nossos limites. Por nos sabermos passageiros, conhecemos a peculiaridade do instante. Na especificidade de cada momento vivido, degustamos a eternidade.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

Leia Mais

‘Jesus seria a favor do casamento gay’, diz Elton John

Cantor planeja se casar com seu companheiro, David Furnish, no próximo ano

Elton John e seu companheiro, David Furnish, em foto de 2010 (foto: Evan Agostini / AP)
Elton John e seu companheiro, David Furnish, em foto de 2010 (foto: Evan Agostini / AP)

Publicado em O Globo

Em entrevista para um programa da “Sky News”, o cantor inglês Elton John, de 67 anos, afirmou que Jesus defenderia o casamento gay caso fosse vivo nos dias de hoje.

O músico, que irá se casar em 2015 com seu companheiro, David Furnish, também afirmou que leis como a do celibato para integrantes do clero da Igreja Católica e a que proíbe o casamento de membros gays da Igreja da Inglaterra, eram “velhas e estúpidas”.

— “(Jesus) acreditava no amor, na compaixão, no perdão e na tentativa de unir as pessoas. As igrejas deveriam se preocupar com isso — disse o astro.

Sir Elton John também comentou sobre o atual arcebispo de Canterbury, Justin Welby, líder da igreja da Inglaterra, e o Papa Francisco, a quem chamou de “maravilhoso”.

— Ele resumiu tudo à humildade da fé e disse basicamente que apenas o amor e a inclusão importam. Isto também deve ser encorajado pela Igreja da Inglaterra.

O cantor aproveitou para falar sobre a sua intenção de apresentar membros da comunidade gay a Vladimir Putin, presidente da Rússia, para mostrar o impacto de uma legislação “profundamente divisionista”.

— Não é positivo quando dizem que eu não devo falar com esse tipo de gente. A única maneira de resolver problemas é conversando com as pessoas.

Elton John também afirmou que seu casamento será “bastante discreto”, já que houve uma grande festa quando o casal celebrou sua união civil, em 2005.

dica do Gerson Caceres Martins

Leia Mais

30 coisas muito legais que Jesus faz em um videoclipe

Publicado no Buzzfeed

1. Pula do caminhão de lixo com os garis.

anigif_enhanced-24353-1403644867-28

2. Anda com os garis.

anigif_enhanced-25853-1403644837-7

3. Leva o lixo com os garis.

anigif_enhanced-17216-1403644859-28

4. Joga o lixo no caminhão de lixo com os garis.

anigif_enhanced-13338-1403644897-1

5. Vai embora com os garis.

anigif_enhanced-17205-1403644922-16

6. Observa a faxineira.

anigif_enhanced-20006-1403644787-15

7. Elogia a faxineira.

anigif_enhanced-17226-1403644789-28

8. Observa o parto.

anigif_enhanced-24259-1403644958-13

9. Sorri para o recém-nascido.

anigif_enhanced-19986-1403644945-33

10. Acaricia o cachorro.

anigif_enhanced-10049-1403645177-27

11. Anda com o casal e com o cachorro.

anigif_enhanced-24359-1403644991-15

12. Analisa o ponto da massa do bolo.

anigif_enhanced-17228-1403645122-5

13. Aceita um pedacinho do bolo.

anigif_enhanced-17212-1403645119-41

14. Anda de táxi.

anigif_enhanced-25760-1403645070-59

15. Observa os skatistas.

anigif_enhanced-10053-1403645006-18

16. Socorre o skatista caído.

anigif_enhanced-30399-1403645028-23

17. Vai embora com os skatistas.

anigif_enhanced-19996-1403645053-16

18. Celebra casamento.

anigif_enhanced-13378-1403645171-38

19. Diz coisas bonitas para a moça triste.

anigif_enhanced-19990-1403644779-18

20. Contempla o mundo na chuva com a moça triste.

anigif_enhanced-31860-1403644820-10

21. Corre com a mulher.

anigif_enhanced-31929-1403645220-21

22. Corre com o homem.

anigif_enhanced-17218-1403645219-17

23. Corre com o homem e com a criança.

anigif_enhanced-24029-1403645246-26

24. Empurra a criança no balanço.

anigif_enhanced-13360-1403645121-23

25. Cochicha no ouvido da criança.

anigif_enhanced-30399-1403645292-27

26. Joga Mario Kart com a criança.

anigif_enhanced-19999-1403644906-22

27. Ajuda a criança na escola.

anigif_enhanced-19990-1403645275-23

28. Dá uma ideia na ‘sôra.

anigif_enhanced-10048-1403645301-6

29. Encera o carro.

anigif_enhanced-10065-1403645168-15

30. Vigia o vigia.

anigif_enhanced-19948-1403645064-27

 

Obrigado, Senhor.

Leia Mais

O que o amor significa para crianças de 4 até 8 anos

frases-amor-dia-dos-namorados01

Publicado no Hypeness

Todo mundo fala dele, todo mundo o quer, mas, afinal, o que é o amor? Para o poeta português Luís de Camões, é o fogo que arde sem se ver, já para o sertanejo, amor é o que mexe com a cabeça, é o que faz pensar no outro e esquecer de si. Faz sentido?

Educadores resolveram, então, fazer essa pergunta a um grupo de crianças que tinham de 4 a 8 anos. E as respostas são de deixar poeta, sertanejo, nós e você arrepiados.

Confira algumas delas e, como dizem os muros por aí, mais amor, por favor!

frases-amor-dia-dos-namorados02 frases-amor-dia-dos-namorados03 frases-amor-dia-dos-namorados04 frases-amor-dia-dos-namorados05 frases-amor-dia-dos-namorados06 frases-amor-dia-dos-namorados07 frases-amor-dia-dos-namorados08 frases-amor-dia-dos-namorados09 frases-amor-dia-dos-namorados10 frases-amor-dia-dos-namorados11 frases-amor-dia-dos-namorados12 frases-amor-dia-dos-namorados13 frases-amor-dia-dos-namorados14

A inocência com que as crianças percebem o mundo é um verdadeiro aprendizado para os adultos. Já falamos aqui no Hypeness sobre um projeto pra lá de divertido que reúne coisas que as pessoas achavam quando eram pequenos. Leia mais sobre ele aqui.

Leia Mais

Sobre fé e futebol

Em tempos de Copa do Mundo, não custa lembrar: fanatismos, quaisquer que sejam, são a negação da tolerância

fredfeMagali Cunha, em O Globo

Semanas atrás fui convidada pelo Instituto Cristão de Estudos Contemporâneos, da Igreja Assembleia de Deus Betesda, para participar de um debate sobre fé e futebol. A pergunta era: “existe um lado bom no fanatismo?” Para me preparar, mergulhei numa reflexão instigante. Primeiro: qual é a relação entre fé e futebol?

Nenhum outro esporte mobiliza tanto os brasileiros quanto o futebol, que é, de fato e historicamente, uma paixão nacional. Como a religião também é forte elemento arraigado no jeito de ser brasileiro, não é difícil fazer a conexão futebol-religião.

Assistir a uma partida de futebol no Brasil é testemunhar uma série de expressões religiosas tanto da parte de jogadores e da equipe técnica como dos torcedores: orações de mãos dadas antes e depois das partidas, gestuais como o sinal da cruz, mãos elevadas, figa, sem contar os acessórios como cruzes, medalhas, colares. Algo como um apego de fé para que o divino exerça o seu poder e faça acontecer um resultado positivo.

Tudo isso ganha dimensões mais fortes em períodos de Copa do Mundo. A intensidade emotiva do tema traz fartas expressões no noticiário e na publicidade. Entram em cena os aspectos da fé que são parte da representação do futebol. Quem nunca observou quantas palavras e gestos religiosos estão presentes na publicidade em torno do tema?

Mas… e o lado bom do fanatismo, existe? Qualquer experiência, seja religiosa, seja esportiva, quando envolve paixão e emoção levadas ao extremo, está a um passo do fanatismo. Aqui estamos no mundo do extremismo, e o grande perigo dele está justamente na certeza absoluta e incontestável que o devoto/torcedor tem. Detentor de uma verdade (religiosa ou esportiva), o fanático torna-se intolerante. Não age com a razão quando defrontado com posições diferentes ou questionamentos daquilo que defende. O fanatismo é marcado pela irracionalidade, pelo autoritarismo e pelo agir passional, frequentemente violento. Fanáticos sempre acreditam que o fim, qualquer que seja, justifica os meios.

Somos chamados a prestar atenção em histórias de fanatismo religioso em que a relação entre líderes e seguidores termina sempre em tragédia. O caso mais famoso e controvertido é o do Templo do Povo, de Jim Jones, na Guiana, em 1978. No tempo presente, ações de fanatismo islâmico estão mais em evidência, a despeito do caráter fraternal dessa religião. No Brasil são as religiões de matriz africana as maiores vítimas. Fanáticos católicos, no passado, e, recentemente, evangélicos são protagonistas de ações que chegam a causar mortes. Isso sem falar das ações de lideranças religiosas, presentes na política partidária, baseadas na retórica do terror e no preconceito, em especial nestes tempos eleitorais…

No futebol o fanatismo se manifesta principalmente em torcidas organizadas. Elas levam a devoção ao extremo de agredirem torcedores dos times adversários. Os outros são tratados como inimigos, e as arquibancadas e ruas viram campo de batalha.

Diante disso, não tive dificuldade na resposta à questão do debate: não, não há um lado “bom” no fanatismo. Em qualquer uma de suas justificativas — religiosas, esportivas ou políticas —, não há nada de positivo. Fanatismo é expressão de autoritarismo e intolerância, duas das mais cruéis características da violência humana. O fanatismo nega o diálogo, a diversidade, o direito do outro à diferença. Fanáticos carregam uma cegueira que não lhes permite ver como um igual quem pensa e se comporta diferente deles; pior, consideram inimigos.

Nestes tempos, vale a pena recuperar a orientação da tradição cristã para qualquer experiência que envolva emoção e paixão: “No essencial, unidade; no não essencial, liberdade; em tudo, amor”.

Leia Mais