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Biomédica constrói cadeiras de rodas para cães deficientes

Carolina Giovanelli, no Bichos

A baiana Renata Cobo, de 35 anos, é protagonista de uma daquelas histórias de tocar o coração. Moradora de Uberaba, em Minas Gerais, a biomédica acompanhou o caso de Princesa, uma cadela que foi atropelada e levada para o hospital veterinário onde ela trabalha, em abril do ano passado. A mascote sofreu uma lesão na coluna e perdeu o movimento das patas traseiras. Após saber disso, seu dono nunca mais voltou.

A equipe do local decidiu fazer uma vaquinha para comprar uma cadeira de rodas para Princesa, que custava por volta de 500 reais. A partir de um caso que viu na internet, Renata teve então a ideia de construir ela mesma uma cadeira feita de canos de PVC e rodas de carrinhos de feira. Botou a mão na massa junto do marido, Albano, que é administrador, e produziram um modelo muito bem aproveitado pela cadela, que acabou sendo adotada.

Esse foi o pontapé inicial para o belo trabalho de Renata, que agora fabrica gratuitamente cadeirinhas para “cãodeirantes” do Brasil inteiro. “Desde então, já enviei 30 delas para São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília…”, conta.

Recentemente, ela colocou um post no Facebook contando sobre seu serviço voluntário. A iniciativa se espalhou rapidamente. Já teve mais de 22 000 compartilhamentos. Agora, seu telefone não pára de tocar. Pelo menos seis pessoas a procuram todos os dias.

Ela possui 35 pedidos de cadeiras na fila de espera. Cada uma demora cerca de 20 minutos para ficar pronta. “Só posso construí-las em meus momentos de folga, nos finais de semana. Por isso, demoro de quinze a vinte dias para enviar”, diz.

A biomédica manda por e-mail para o interessado um esqueminha de como tirar as medidas do cachorro. Depois, caso haja algum desconforto, explica como fazer reparos a fim do aparato caber melhor no corpo do animal. Renata cobra apenas o material que usa e o frete. Aqui para São Paulo, o custo dos dois fica em aproximadamente 110 reais.

“Faço isso de graça porque amo cães”, afirma ela, que tem dois totós em casa, Dan e Raica. “Se pudesse, dava tudo para eles.”

Os telefones da Renata são:  (34) 9922-8280 e  (34) 9229-2072. Seu e-mail é re.cobo@hotmail.com.

Canos de PVC e rodas de carrinhos de feira: custo de fabricação e envio para São Paulo fica cerca de 110 reais

Valentina: ela hoje pode se locomover melhor graças a uma boa ação (Fotos: Arquivo pessoal)

 

O que nos faz decidir ficar com alguém

Arte de Allen Jones

Arte de Allen Jones

Publicado por Carpinejar

O que nos leva a querer passar a vida inteira com alguém é um mistério.

Você pode fazer a lista infindável do que mais gosta de sua companhia e do que menos gosta, mas nenhuma vai incluir a chave do relacionamento.

É um gesto, uma atitude, uma frase, algo que o toca em particular, que fecha com aquilo que procurava inocentemente desde pequeno.

Meu amigo Felipe se apaixonou pelo jeito que a Fernanda colava o brinco quebrado com bonder, mas ele não desconfia até hoje que foi isso.

Casou com ela depois de vê-la consertando a minúscula joia debaixo do abajur.

Ele briga, discute, discorda da esposa, porém jamais vai se separar. Essa cena despertou uma necessidade incurável da presença dela.

É o motivo do apego irascível. Existiu um quebranto, uma hipnose afetiva, talvez ele tenha se projetado no brinco (ela tentará me salvar quando me quebrar), talvez tenha se enamorado das suas concentradas mordidas de lábios.

O que posso garantir é que Felipe ficou alucinado de ternura: naquele momento decidiu que ela era a mulher de sua vida. Em seu sangue, gravou o rosto da jovem empenhada em salvar o brinco. Com o piscar das pálpebras, tirou a fotografia fundadora do seu amor, um sudário que preservará seu sentimento toda manhã.

Ele mal sabe que o real motivo de sua emoção está no plastimodelismo da infância. É bem capaz de nunca descobrir. Quando enfrentou catapora aos 10 anos, Felipe suportava sua solidão montando aviões. Grudava as pequenas peças de plástico com cuidado para não borrar a cola e estragar o encaixe. O brinco tornou-se mais um de seus aeroplanos.

Já vi gente que se uniu pelo modo de dobrar o guardanapo, pelo modo de morder uma fruta, pelo modo de gritar de susto, pelo modo de amarrar os cadarços.

Uma observação mínima acorda o inconsciente para sempre.

Quanto maior o amor, mais insignificante a origem.

Aceitaremos o cotidiano a dois sem determinar o porquê. Nossa decisão está baseada apenas na intuição. Um movimento nos ofereceu segurança para seguir em frente e aceitar o relacionamento.

Minha namorada tampouco supõe o começo de sua paixão por mim.

Inacreditavelmente, ela me ama pela forma em que tiro a camiseta. Com ambas as mãos, pelas costas, agarrando o tecido pela gola.

Ela acha o gesto protetor, viril, maiúsculo.

As mulheres se despem pela frente, de baixo para cima, levantando a blusa devagar e ritmado.

Como a maior parte dos homens, sou abrupto. Puxo a camiseta com força, livro-me dela, como um animal arrancando a pele.

Chega a ser cômico. E eu pensava que havia conquistado sua afeição com poemas.

Filha de Edir Macedo vai lançar revista mensal, diz Veja

Publicado originalmente no Comunique-se

O mercado editorial deve ganhar mais um título em abril. Coordenado pela filha de Edir Macedo, a apresentadora Cristiane Cardoso, o projeto trata-se de uma revista e tem foco nos casais.

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Revista deve ter o mesmo foco que o programa apresentado na Record (Imagem: Reprodução)

De acordo com o ‘Radar On-line’, coluna editada por Lauro Jardim na Veja.com, a publicação batizada de “A Escola do Amor” será mensal. Com o mesmo nome do programa apresentado por Cristiane na Record, o impresso deve ser lançado com a mesma linha editorial.

Ainda não há informações sobre a equipe, editoriais, páginas e se o título será vendido em banca. No ano passado, Cristiane vendeu mais de meio milhão de cópias do livro Casamento Blindado e a proposta é ter faturamento equivalente ou maior com a revista.

Não seja uma vítima da mulher-vítima

A mulher-vítima não entende que você precisa trabalhar. Ela acha que está sendo renegada, preterida, ignorada, explorada

Tati Bernardi, no site da Alfa

Sua gastrite resolveu atacar de novo e não deu tempo de diminuir no cabeleireiro a juba primata que você carrega acima de seu cérebro, que, hoje, só precisa de descanso, silêncio e alguma bobeira na televisão. Isso deveria ser simples para uma mulher entender. Hoje você não tá afim de dirigir até a casa dela, ouvir sobre como ela odeia tal colega de trabalho e falar coisas que ao mesmo tempo soem dóceis, inteligentes e decididas. Você quer dormir sem tomar banho, jantar salgadinho murcho e dormir torto no sofá babado.

Não significa que você tenha dúvidas a respeito do amor que sente. Não quer dizer que você esteja com uma modelo internacional ou com sua vizinha gordinha, em casa, ambos nus, comemorando essa mentira deslavada que você inventou pra poder pular a cerca. Não é porque você não sente saudades ou desistiu de ser galanteador agora que já ganhou a moça. Você, meu amigo sofredor, tem todo o direito de simplesmente não estar a fim de vez em quando e elas definitivamente não têm o direito de transformar isso em um problema.

Mas a mulher-vítima não trata um homem como um parceiro de vida. Um humano normal com vontades, preguiças, indolências e flatulências. Ela trata o homem como um sádico algoz, pronto para maltratá-la, enganá-la e acabar com sua mísera vida, que é assim desde a época em que seu papai não a elogiava como ela queria. E não importa o que você faça, nunca será o suficiente. Não importa que você equilibre qualidades com defeitos, os defeitos vão sempre sobressair. E então, já que você é esse bosta de ser que só mal lhe faz… por que ela não te larga? Porque ela tem o desejo inconsciente de ser maltratada. Ela idealiza o chicote em suas mãos. Ela precisa sofrer e te escolheu pra essa fantasia. Ela adora pensar que você não presta.

A mulher-vítima não entende que você precisa trabalhar. Ela acha que está sendo renegada, preterida, ignorada, humilhada, abusada, explorada, judiada. Ela não entende que você tem amigos, família e, se bobear, até de seu sono ela vai reclamar: como assim você dorme ao invés de me idolatrar 24 horas por dia?

Por que você fez isso comigo justo no dia tal? Por que você ta me falando isso justo hoje que eu tô num dia tal? Por que você não fez tal coisa justo quando eu mais precisava de tal? Por que você fez isso sabendo que eu tenho trauma de tal coisa? Se todo dia é um péssimo dia para errar e se a sua mulher conjuga cobranças com essas estruturas de frase, você está sendo vítima da mulher-vítima.

No começo, você pode até achar que ela age assim tamanha a segurança: se ele não for perfeito, eu berro; afinal, não me faltam homens querendo saciar todas as minhas vontades. Mas não se engane, trata-se do ser mais inseguro do planeta: ele não me ama e eu não suporto isso; portanto, vou querer provas de seu amor a cada 2 segundos e, como isso é impossível, eu vou me sentir uma completa infeliz e, mais uma vez, vou me provar que nasci para sofrer e, porque sou viciada em ser vítima, essa sensação é a minha cheiradinha ou fumadinha ou picadinha ou pilulazinha diária. Seu “moreco” precisa de um médico, e não de um homem.

Repita comigo: você não tem de salvar uma mulher. Amar não significa virar pai ou médico ou benzedeiro de uma criatura. Você não tem de dizer a coisa certa na hora certa no dia certo com o sol refletindo em seus penetrantes olhos de super-homem. Você não tem de ter lido os livros e visto os filmes e baixado as músicas que ela planejou para não se sentir vítima, mais uma vez, do homem imperfeito. Você não precisa fazê-la gozar loucamente todas as vezes (mas quase todas é bom, isso é verdade). Vamos combinar que ela também não é perfeita (pra começar, ela é bem doida!) e, então, não tá com essa bola toda pra cobrar tanto assim. Vocês vão crescer juntos, com calma e paciência e respeito e equilíbrio, ou ela vai continuar esperando que você venha do céu para resgatá-la do inferno de seu cerebelo inquisidor (este sim o verdadeiro algoz).

Dê o amor que pode do jeito que der e, se ainda assim a vida dela continuar um mar de infortúnios, saiba que seu barquinho não tem nada pra fazer a não ser se arrancar antes de afundar nesse lodo de lágrimas de sangue. Talvez sem nenhum amor ela aprenda a dar valor para o amor possível.