Arquivo da tag: Ana Paula

Evangélicos “saem do armário” e migram para igreja gay em SP

Publicado no TV UOL

A Igreja Cristã Contemporânea, fundada no Rio de Janeiro em 2006, inaugura oficialmente um templo na capital paulista neste sábado (27). O espaço fica no Tatuapé, zona leste da cidade.

Conhecida por aceitar gays, celebrar uniões entre pessoas do mesmo sexo e defender que a Bíblia não condena a homossexualidade, a igreja vinha há cerca de três meses realizando cultos em um salão de festas improvisado em São Paulo. Neste tempo, de acordo com seus dirigentes, reuniu um público de cerca de cem pessoas.

Contabilizando os seis templos que tem no Rio de Janeiro e um em Belo Horizonte, estima-se que o público total de fieis da igreja seja de cerca de 1.800 pessoas, também conforme os dirigentes. Quem a frequenta é, na maioria, evangélico que teve o primeiro contato com a religião em igrejas conhecidas como mais tradicionais e deixou de frequentá-la em função da homossexualidade.

Reportagem: Ana Paula Rocha
Imagens e edição: Leandro Graça

Bebê se salva de afogamento e vira hit na internet

Técnica ‘anti-afogamento’ do Infant Swimming Resource pode ser ensinada a crianças a partir dos 6 meses de idade 
Ana Paula Andrade, na CARAS

Vídeo mostra menino se salvando de afogamento na piscina e vira hit na internet com mais de 7 milhões de visualizações. A proeza foi possível graças à técnica que pode ser aprendida por bebês de 6 meses de idade. E serve de alerta, pois os afogamentos estão entre as principais causas de morte de crianças.

Nas aulas do ISR, o bebê aprende a se virar sozinho e a boiar, até que seja resgatado

O vídeo de um bebê se salvando de um afogamento na piscina é sucesso na internet com mais de 7 milhões de visualizações no YouTube (são duas versões, confira abaixo). O pequeno Miles – que aparenta ter pouco mais de 1 ano -  cai na água e, sozinho, se vira, começa a boiar e grita para chamar a atenção dos pais. Ele fica nessa posição por mais de 5 minutos, tempo em que um bebê “comum”  já poderia ter morrido afogado.

A proeza foi possível graças ao treinamento do menino na escola americana Infant Swimming Resource (‘técnicas de natação infantil’, em tradução livre), que ensina os pequenos – literalmente – a se virarem sozinhos e a boiar caso caiam acidentalmente na piscina. Se não tivesse sido ensinado, talvez Miles já fizesse parte das tristes estatísticas que colocam o afogamento como a principal causa de morte de crianças menores de 4 anos nos Estados Unidos. No Brasil, os afogamentos são a segunda causa de óbito entre crianças de 1 a 14 anos, de acordo com dados da ONG Criança Segura. Em 2010, 1.184 crianças morreram afogadas, segundo o Ministério da Saúde.
Fundada em 1966 por Harvey Barnett, o ISR dá aulas para bebês a partir dos 6 meses de vida.  No site da escola, o texto diz que “crianças são curiosas, espertas e têm uma incrível capacidade de burlar cercas e portões de piscinas. O ISR aproveita essa habilidade de superar obstáculos para ensinar os bebês a salvarem suas próprias vidas”. O treinamento básico, feito por profissionais certificados, leva cerca de seis semanas, tempo em que o bebê aprende a se virar, boiar e se acalmar até que seja resgatado. Nem é preciso dizer que não se deve tentar fazer o treinamento em casa sem a orientação de um profissional especializado.

O vídeo impressiona e vale como alerta para ressaltar os perigos que rondam a rotina de uma criança. Lembre-se que os bebês precisam de supervisão constante de um adulto, pois podem se envolver em acidentes em questão de segundos. Todo o cuidado é pouco, principalmente quando há uma piscina por perto.

Confira o vídeo que virou hit na web:

E a versão estendida, que mostra parte do treinamento:

Viciados em comida chegam a gastar 60% do salário em restaurantes

A estilista Ana Paula Tieko, 28, no Attimo Foto: Julia Rodrigues/Folhapress

A estilista Ana Paula Tieko, 28, no Attimo Foto: Julia Rodrigues/Folhapress

Bruna Haddad, na Folha de S.Paulo

Rodrigo Saraiva, 29, sempre ouviu do pai que não se deve economizar com comida. “Acho que estou elevando esse conselho para outro patamar”, brinca o diretor de arte de cinema, que gasta cerca de 40% do salário em restaurantes.

Embora sempre tenha gostado de comer, o paranaense intensificou o hábito de frequentar restaurantes há um ano, quando passou a viver em São Paulo. Ao lado do namorado paulistano, sai, em média, cinco vezes por semana atrás de novos lugares.

Rodrigo gosta de comer, conhece lugares caros, gasta dinheiro com isso. Mas não é exatamente um gourmet –segundo o “Houaiss”, aquele “que se regala com finos acepipes e bebidas”.

Quem são os “foodies” paulistanos

Para definir tipos como ele, se popularizou na Inglaterra, nos anos 1980, o termo “foodie”, que descreve aficionados de comida que não escolhem o restaurante pelo preço. Segundo o americano Paul Levy, coautor do livro “The Official Foodie Handbook” (manual oficial do “foodie”), de 1984, o significado se mantém atual. “Gourmets são elitistas e antiquados”, afirmou à sãopaulo.

Em comum, os “foodies” paulistanos têm menos de 30 anos, ganham salários entre R$ 3.500 e R$ 12 mil e não têm filhos. Esse é o perfil dos entrevistados que se assumiram como viciados em comida.

Em vez de gastar com carros, eletrônicos ou arte, “investem” em entradas, pratos principais e sobremesas. Alguns chegam a dedicar até 60% da renda mensal para bancar experiências gastronômicas.

A cidade, famosa pela gastronomia desde o século 19, favorece esse hábito. Hoje, segundo a Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), temos 13 mil restaurantes.

Para Nina Horta, escritora e dona do bufê Ginger, São Paulo é a terra dos “foodies”. “Isso está mudando, mas no Rio, por causa do calor, o forte são os botequins”, afirma a colunista da Folha.

Já para Marcelo Traldi, professor e pesquisador de gastronomia do Senac, a capital tem uma caracterização diferente em termos de comportamento de consumo –aqui, o mercado é muito desenvolvido. “A cidade tem docerias baratas e caras, especializadas em brigadeiro, quindim… O mercado maduro faz com que o consumidor aceite experimentar coisas novas.”

E é o que o ele tem feito. A publicitária Mariana Ferreira, 23, troca balada, cinema e teatro pelo ritual que se desenrola entre o momento em que chega a um restaurante e o instante em que paga a conta. Gosta especialmente de saborear pratos feitos com cuidado e conversar com a pessoa à sua frente. “É um tempo que me escapa no dia a dia”, afirma Mariana, que dedica 40% da renda mensal ao hábito. Quando viaja,
separa 70% para isso.

A estilista e “cool-hunter” Ana Paula Tieko, 28, mora em São Paulo, mas se divide entre temporadas de trabalho em Tóquio, Hong Kong e Xangai. Na semana anterior à conclusão desta reportagem, almoçou no The Gourmet Tea (Pinheiros) na segunda, jantou no Takô (Liberdade) na terça e, na quinta, comeu no Lamen Kazu (Liberdade) e no Suri (Pinheiros).

A estilista evita fins de semana para escapar da espera. Entre os entrevistados, é consenso que os melhores dias são terça, quarta e quinta. No domingo, só com muita disposição.

Atair Trindade, 27, no Epice Foto:  Julia Rodrigues/Folhapress

Atair Trindade, 27, no Epice Foto: Julia Rodrigues/Folhapress

MESA PARA CINCO

Criada pela avó japonesa, Ana Paula passou a respeitar mais os alimentos após suas estadias na Ásia, onde, diz, “as refeições são sagradas”. Além de viagens, é comum a formação gastronômica dos “foodies” vir da família.

Na infância, a administradora e especialista em saquês Ana Toshimi, 29, costumava sair para jantar com os pais e o irmão toda sexta-feira. Até hoje ela se lembra do aniversário de 12 anos, comemorado com a família e as amigas no Baby Beef Rubaiyat, no Paraíso.

Também guarda na memória os momentos em que provou lagosta –”nem sabia por onde começar”–, ovas, “escargot”, sushi de vieira e “crema catalana”, o doce da Catalunha semelhante ao “crème brûlée”.

Hoje, Ana Toshimi, ao lado do marido, sai ao menos uma vez de segunda a sexta e sempre aos fins de semana. “Não que seja bom para o bolso e nem que eu meu orgulhe”, brinca. Quando morava com os pais, chegava a deixar metade do salário em restaurantes. Hoje, a quantia diminuiu –ambos têm cozinhado mais em casa.

O publicitário Atair Trindade, 27, também lembra de experiências gastronômicas de quando era “moleque”, como “polpettone”. “Gosto de comida desde criança”, conta ele, que reserva 40% para suas descobertas gastronômicas mensais. “Sempre que experimento algo novo, penso: ‘Nossa, como pude viver tanto tempo sem isso!’”, afirma.

Vitor Leal, 13, vive um período semelhante. Filho de psicólogos que “trabalham para comer”, o adolescente enumera os quitutes que provou na primeira visita à Feirinha Gastronômica da Vila Madalena, no domingo passado (24) –taco, casquinha de siri, pastel, sanduíche de pastrami, polvo na grelha, uma tortinha de chocolate com paçoca e sorvete.

“Não tínhamos esse acesso”, conclui a mãe, Andrea Leal, que costuma levar o filho a restaurantes como o Famiglia Mancini, na Bela Vista. “Ele adora, experimenta tudo e sempre repara em detalhes do ambiente.”

A CONTA, POR FAVOR

Os “foodies” endossam o coro de que a cidade está cara demais. Mas dizem que os valores são relativos –depende se o restaurante “entrega” o que cobra. “Em qualquer bistrô não deixo menos de R$ 140. Caro, para mim, é mais que R$ 400″, diz Ana Paula, que gasta isso em dias especiais.

Quando a experiência impressiona, o publicitário Marcelo Colmenero, 29, não liga para a conta. “A degustação do Maní não é barata [R$ 310], mas eles são competentes. Dá gosto pagar, é uma forma de, como cliente, dizer que eles estão no caminho certo.”

Delimitar quantias mensais ajuda a evitar a falência. Ana Toshimi fez um orçamento do quanto gasta com comida. Marcelo acompanha as faturas on-line do cartão de crédito. Perdulários, glutões? Ele não se lembra de ter ouvido piadas. “As pessoas veem como eu me empolgo, os olhos brilham, eles sabem que é importante pra mim.”

Uma das diferenças, por definição, entre gourmets e “foodies” é que estes não vão só a estabelecimentos refinados. Parte da graça está em “descobrir”. “Quando descobre um lugar bom e barato, o ‘foodie’ de verdade não vai pensar em status”, define Nina Horta. Casas fora do circuito são alvos de disputas discretas. “Sempre rola um ‘vou te falar um lugar que duvido que você tenha ido’”, brinca Atair.

Ir a casas menos óbvias é uma opção para os que têm baixo orçamento. Outras alternativas são a comida de rua, não regulamentada na capital, e eventos como Chefs na Rua, que atraiu uma multidão na Virada Cultural.

“A gastronomia é voltada para um público mais velho, porque pessoas de 20 e poucos anos não têm grana”, diz Danilo Nakamura, 27, formado na área e colaborador de publicações especializadas. Ele diz visitar restaurantes até sete vezes por semana, pagando do próprio bolso. Já chegou a gastar 60% do salário.

“Ter acesso a um tipo de alimento significa conhecer outros tipos de cultura”, diz Marcelo Traldi, do Senac. Ele reconhece que São Paulo tem um cenário desenvolvido, mas perde para outras metrópoles: “Um nova-iorquino já provou quase tudo porque encostou em carrinhos na rua”. Por “carrinhos”, refere-se aos “food trucks”, restaurantes em caminhões.

Maurício Schuartz, organizador do Chefs na Rua e da Feirinha Gastronômica, ouviu, durante o evento que promoveu na praça Ramos, em janeiro, a frase que para ele melhor define o cenário atual. Observava dois meninos de uns 15 anos na fila de uma barraca do Così quando um disse para o outro: “Mano, curto muito pato”. Eram dois “foodies” em formação.

Espaço dos evangélicos na TV aumenta

Ana Paula Valadão canta no “Encontro dom Fátima Bernardes” (via blog Amigos DT)

Karina Kosicki Bellotti, na Folha de S.Paulo

O final dos anos 1980 e o início dos anos 1990 foram marcados pelo estranhamento em relação aos evangélicos por parte da grande imprensa e das grandes redes abertas –Globo, Manchete, SBT, em especial, após a compra da Rede Record por Edir Macedo, bispo e fundador da Igreja Universal do Reino de Deus.

Muitos se perguntavam quem eram esse grupo e como ele havia alcançado essa visibilidade, num país até então majoritariamente católico.

O sentido das coberturas era em geral ofensivo, de reportagens investigativas, com câmeras escondidas, entrevistas com dissidentes, retratando de forma negativa a relação entre alguns grupos de evangélicos (os chamados neopentecostais) e a arrecadação de dízimos e ofertas.

Reportagens mostrando cultos da Universal em estádios, com sacos de dinheiro sendo abençoados, foram mostrados de forma demonizadora, sendo contrapostas a depoimentos de outros líderes religiosos que condenavam a prática, afirmando que isso não era cristianismo.

O período de 1989 a 1995 foi marcado por uma espécie de “guerra santa”, que culmina com o “chute na santa”, dado por um pastor da Universal no dia de Nossa Senhora Aparecida, em 12 de outubro de 1995. Nesse período, vemos vários veículos de comunicação demonizando os neopentecostais, o que “respinga” em outros grupos evangélicos que não são identificados com esse grupo.

Ressalto a minissérie “Decadência”, veiculada pela Globo em setembro de 1995, escrita por Dias Gomes, em que Edson Celulari interpretava um pastor sem escrúpulos, além da própria cobertura dada pela Globo, uma emissora tradicionalmente simpática ao catolicismo, por conta do chute na santa.

Observamos que, nos últimos cinco anos, a Globo tem se aproximado deste público, porque tem lhe conferido não somente um peso de formação de opinião, mas também de mercado consumidor.

Agora há o Festival Promessas, o selo da Som Livre para música cristã contemporânea -que reúne artistas evangélicos e católicos, que já tocaram no Faustão e tiveram música em trilha sonora de novela.

Da quase ausência de cobertura de eventos evangélicos, como a Marcha para Jesus, para a cobertura no “Jornal Nacional” dos cem anos da Assembleia de Deus (2011), da Marcha para Jesus, e mesmo dos protestos feitos por Silas Malafaia contra o projeto de lei 122/06 (contra a homofobia), vemos uma mudança de atitude significativa.

É importante destacar que a bancada evangélica cresceu no Congresso (e que tem se aproximado do governo desde a administração Lula), cresceu o poder aquisitivo de muitos evangélicos que ocupavam a chamada classe C e aumentou a mobilização de parcelas de evangélicos nas redes sociais, o que dá maior voz e visibilidade para esse grande e heterogêneo conjunto religioso denominado “evangélico”.

Se antes o evangélico era retratado de forma demonizada –no caso das lideranças- ou paternalista -no caso do fiel, retratado como um sujeito vulnerável aos ataques de líderes inescrupulosos-, atualmente vemos um retrato mais positivo, mas ainda longe da sua grande diversidade. São retratados como sujeitos religiosos que merecem respeito, que votam, que consomem e são exigentes na qualidade do que lhe é oferecido.

A aproximação se dá mais pela música, pela figura feminina de artistas como Ana Paula Valadão (que recentemente cantou no “Encontros com Fátima Bernardes”) e Aline Barros, e até por programas como “Sagrado”, que traz diferentes lideranças religiosas para falar sobre diversos assuntos da vida e da morte.

É uma aproximação ainda cuidadosa, que não livra a Globo dos deslizes de chamar os cantores evangélicos de “estrelas da música gospel” (a crença rejeita qualquer alusão a idolatria), mas perto de como era -e não era- antigamente, é um grande avanço, que é comemorado por muitos evangélicos nas redes sociais.

Lembro-me de como a ida de Aline Barros ao “Domingão do Faustão” foi comemorada por blogs e em comunidades evangélicas no Orkut. Como o universo evangélico é muito diversificado, é difícil pontuar que só há desconfiança em relação à iniciativa da Globo em se aproximar deste grupo; a Record procura galvanizar a atenção dos “evangélicos” como um todo, oferecendo programação religiosa, mas não há unanimidade entre os evangélicos em relação ao que essa emissora produz.

Acredito que as redes sociais têm ajudado a conferir maior visibilidade; o próprio uso da mídia feito por grupos evangélicos tem conferido também esta visibilidade, seja em termos de evangelização, seja nas campanhas eleitorais e até nas ameaças de boicote a novelas da Globo, como “Salve Jorge”.

Agora, uma das características ligadas historicamente a uma suposta “identidade evangélica” no Brasil é essa idéia de estar afastado da grande sociedade católica ou secular; essa ideia de “estar no mundo, mas não pertencer a ele”.

O reconhecimento maior que a grande mídia tem oferecido aos evangélicos traz alguns desafios a essa autoimagem evangélica, pois dentro desse grupo heterogêneo destaca-se o desejo de vigiar de perto o que a grande mídia fala sobre ele, tendo em vista todo o histórico de agressões e perseguições empreendidas.

Então, destaca-se essa autoimagem positiva, de povo honesto, trabalhador, que canta, louva, veste-se de forma elegante, mas sem ostentação; que é igual a todo mundo no dia a dia, e que leva sua crença muito a sério, pois enxerga na própria vida um testemunho a ser dado para quem não é evangélico -a ideia de ser “sal da terra, luz do mundo”.

dica da Ana Carolina Ebenau