Cliente diz que foi chamado de ‘idiota’ em SMS enviado pela operadora Oi

Ele conta que recebeu mensagem após solicitar suporte técnico para celular.
Companhia afirma que vai apurar o caso e tomar as devidas providências.

Cliente promete entrar na Justiça por danos morais devido a ofensa (foto: Arquivo pessoal)
Cliente promete entrar na Justiça por danos morais devido a ofensa (foto: Arquivo pessoal)

Silvio Túlio, no G1

O analista judiciário Valdemir Gomes Soares, de 53 anos, afirma que foi chamado de ‘idiota’ e ‘imbecil’ após buscar suporte técnico para seu celular na Oi. Ele conta que ligou para a central de atendimento, na última segunda-feira (24), na tentativa de resolver um problema que ele acreditava ter em sua linha telefônica, mas recebeu em seguida a mensagem de SMS ofensiva da operadora (veja imagem acima).

A Oi afirmou ao G1, por meio de nota, que vai  apurar as informações e tomar as devidas providências pelo ocorrido. A empresa diz ainda que “o caso apresentado está totalmente fora dos padrões de qualidade e atendimento nas operações da companhia”.

Valdemir diz que ligou para a operadora, pois precisava de ajuda porque, quando tentava fazer uma ligação, ouvia uma mensagem de outra operadora informando que aquele número não existia. “No fim das contas, depois que já tinha encerrado a ligação, vi que eu mesmo estava digitando o número errado. Mas isso não justifica a ofensa”, afirmou ao G1.

Ele lembra que, em determinado momento da ligação para a central, a atendente que tentava resolver seu problema questionou se ele estava falando do mesmo telefone para o qual queria atendimento. O analista confirmou a informação e, minutos depois, encerrou a chamada.

Logo em seguida, antes de receber a mensagem ofensiva, recebeu um SMS informando o número de protocolo do atendimento. Depois, recorda-se, veio o xingamento também por meio de mensagem, alegando que o cliente não estava com problema, pois ele estava usando o aparelho para falar com a central de atendimento.

Valdemir adianta que já pediu o arquivo contendo a gravação da conversa e que a empresa se comprometeu a enviar o material em até dez dias, prazo estipulado por lei. Ele diz pretende entrar com ação na Justiça por danos morais.

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Papa Francisco já enfrenta resistência no Vaticano

Ala tradicionalista da Igreja condena abertamente mudanças promovidas pelo Pontífice

O Papa Francisco acena para a multidão durante cerimônia do Angelus na Praça de São Pedro: Pontífice demonstrou uma maior abertura às transformações das sociedades modernas, o que está lhe rendendo ataques de conservadores STEFANO RELLANDINI / Reuters/STEFANO RELLANDINI
O Papa Francisco acena para a multidão durante cerimônia do Angelus na Praça de São Pedro: Pontífice demonstrou uma maior abertura às transformações das sociedades modernas, o que está lhe rendendo ataques de conservadores STEFANO RELLANDINI / Reuters/STEFANO RELLANDINI

Publicado no O Globo

Não é raro o Papa Francisco deixar sua sala de trabalho na Residência de Santa Marta, na Cidade do Vaticano, tirar uma moeda do bolso e se servir de um café expresso na máquina instalada no corredor. Em mais de seis meses de pontificado, o sucessor de Bento XVI manteve seus austeros hábitos de cardeal franciscano, renunciou aos aposentos papais no Palácio Apostólico e a tradicionais símbolos do vestuário do cargo, como os sapatos vermelhos ou a cruz de ouro (ele usa uma de prata).

No discurso, o novo Pontífice demonstrou uma maior abertura às transformações das sociedades modernas, na rejeição de uma ingerência espiritual na vida pessoal, e criticou a “obsessão” da Igreja por temas como o casamento homossexual, o aborto ou os contraceptivos. A Igreja “dos pobres e para os pobres” do Papa Francisco tem suscitado entusiasmo entre fiéis, mas também desaprovação e severas críticas por parte de setores católicos conservadores.

Para o italiano Marco Politi, um dos mais respeitados vaticanistas, está em curso “uma verdadeira revolução”, num processo gradual de “desmontagem de uma Igreja imperial” em que o Papa era o monarca absoluto e a Cúria romana, o centro de dominação. O analista aponta uma firme intenção de Francisco em impor o “princípio de colegialidade” pela implementação de um mecanismo de consulta com os bispos para decidir sobre as mudanças necessárias à Igreja.

— Por isso que já ocorre uma resistência das forças conservadoras, não somente na Cúria, mas na Igreja. Mas até este momento, no escalão superior, os cardeais e bispos conservadores não falam abertamente contra o Papa, deixam as críticas mais furiosas aos sites na internet. Vemos em diferentes partes do mundo sites muito agressivos contra o Papa, acusando-o de populista, demagógico, pauperista, de não querer exercer o primado absoluto de Pontífice romano — nota Politi.

‘Enganador em turnês demagógicas’

O blog “Messainlatino.it”, que prega a renovação da Igreja “na esteira da tradição”, denunciou uma “real e verdadeira crise de identidade” do Pontífice por causa de uma de suas notórias declarações no voo de retorno à Itália da viagem ao Rio de Janeiro, onde participou da Jornada Mundial da Juventude (JMJ): “Se uma pessoa é gay, busca Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgá-la?”, disse Francisco. O site tradicionalista diagnosticou como “um sinal tangível de um extravio existencial que faz literalmente tremer os nervos e o corações dos fiéis”, e indagou de forma irônica: “Perdoe o atrevimento, vós não sois, talvez, o ‘Papa’? Não tendes, talvez, as chaves para abrir e fechar o Reino dos Céus?”.

Conservadores americanos reunidos no “Tradition in Action”, site baseado em Los Angeles que defende as “tradições católicas”, acusaram Francisco de ser um “enganador” que organiza “turnês demagógicas” em “estilo miserabilista”. Para o “Tradition in Action”, o Pontífice procura “dessacralizar os símbolos do papado a fim de aboli-los”. O site criticou seu gesto de retirar o solidéu para colocá-lo sobre a cabeça de uma menina: “Deste modo, quer parecer como um velho vovô que brinca com a sua netinha e, ao mesmo tempo, demonstrar que os símbolos do papado são inúteis”.

Bertone fora do caminho

Para o “Corrispondenza Romana”, setores da Igreja estão sendo controlados por “uma minoria de frades rebeldes de orientação progressista”. O site “Una Fides” censurou missas celebradas no Brasil em que sacerdotes distribuíram a eucaristia em copos de plástico: “O Senhor, um dia, pedirá contas pelos inumeráveis sacrilégios cometidos por milhões de crentes, milhares de sacerdotes, centenas de bispos, dezenas de cardeais e talvez até por alguns Papas.” Já a publicação americana “National Catholic Register” definiu a eleição de Jorge Mario Bergoglio como Papa como “mais um acréscimo à pilha das recentes novidades e mediocridades católicas”.

Para Marco Politi, haverá mais oposição entre bispos e cardeais no mundo do que dentro da Cúria, onde grande parte de seus integrantes estava decepcionada com a ineficácia administrativa de Bento XVI e com o autoritarismo do cardeal Tarcisio Bertone, secretário de Estado do Vaticano.

— Não podemos saber como tudo vai evoluir, mas é certo que à medida que o Papa avançar em suas reformas, o movimento de resistência por parte dos conservadores será cada vez mais forte — avalia.

Para o posto de Bertone, o segundo na hierarquia da Santa Sé, foi nomeado o arcebispo Pietro Parolin, “um homem de grande experiência, que não tem uma atitude ideológica, mas de atenção para a realidade contemporânea”, diz Politi. O vaticanista lista, ainda, algumas mudanças importantes já feitas ou sinalizadas pelo Papa: o saneamento do Banco do Vaticano, com tolerância zero para as contas opacas; a criação do grupo de trabalho constituído de oito cardeais para refletir e elaborar propostas de reformas na Cúria, a comunhão para os divorciados recasados ou a ascensão de mulheres a postos de decisão na hierarquia da Igreja.

— Uma de suas decisões que provocaram bastante ruído em Roma foi a demissão do prefeito da Congregação do Clero, o cardeal Mauro Piacenza (substituído por Beniamo Stella), responsável pelas centenas de milhares de padres no mundo — acrescenta Politi. — Era muito conservador, e contra qualquer mudança na lei do celibato. Esta troca é um sinal claro de que o Papa não quer um conservador num posto-chave como este.

‘A instituição irá se defender’

Para o sociólogo francês Olivier Bobineau, especialista em religiões no Instituto de Ciências Políticas de Paris (Sciences-Po) e autor de “O império dos Papas — uma sociologia do poder na Igreja”, haverá um limite para as reformas de Francisco. Na sua opinião, o Pontífice já deu sinais de abertura, simplificou o protocolo hierárquico e poderá alterar o “clima e o ambiente” na Igreja, mas terá enormes dificuldades se desejar promover transformações mais profundas.

— A primeira coisa que ele teria de fazer é mexer no edifício hierárquico. Mas nem João XXIII conseguiu fazê-lo. A instituição irá se defender. Há padres e bispos que amam este poder hierárquico, e vão tentar conservá-lo por todos os meios. Não se pode sair de uma estrutura católica que remonta ao século V. Há 1.500 anos é assim. Um só homem não pode mudar isto.

Bobineau acredita que o Papa centrará seu Pontificado nas mensagens de amor e pelos pobres e em mudanças de estilo:

— Em sua recente entrevista à revista dos jesuítas, ele disse que as reformas estruturais e organizacionais são secundárias. Ele sabe. Seria necessário explodir tudo. Ele está no topo de uma estrutura hierárquica que em algum momento vai lhe impor limites. Quanto mais ele empurrar no sentido de mudanças, mais sofrerá resistências dos conservadores — prevê.

Entre 1º e 3 de outubro, o Conselho de oito cardeais se reunirá com o Papa para preparar um documento de trabalho com propostas de reformas na Cúria. No dia 4, Francisco visitará, pela primeira vez como Papa, Assis, a cidade do santo que inspirou o nome de seu pontificado.

— A expectativa é de que fará um discurso bastante forte sobre a pobreza na Igreja — arrisca Politi.

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A nostalgia do burro inteiro

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Publicado por David Butter

Milito pelo antiontem. Vejo na nostalgia um mal a ser combatido. Tento escapar dela, nem que nessa rejeição gaste um pouco do meu futuro. Se tenho uma nostalgia, uma só na expressão de um mal a ser praticado “socialmente”, essa nostalgia é a nostalgia do burro inteiro. A nostalgia do burro inteiro é a minha cerveja.

Talvez seja o destroço de sinapses antigas, memórias dos meus dias de burro em flor, mas sinto falta autêntica do seguinte personagem: o burro inteiriço, o burro que é mármore da própria burrice, o burro que baixa o pescoço e coloca um vintém no altar da complexidade.

O burro inteiro é humilde: pede licença até para ser burro. O burro inteiro está instalado em si: rubrica um “ciente” nos recibos de sua própria limitação. Mas os burros inteiros quase sumiram. Caíram pela falta de espírito de corpo e pelo excesso de placidez – falhas mortais em tempos de velocidade e de cerco a tudo de certo e fixo (a burrice incluída). No lugar desses burros de ofício, avançam hoje os meio-burros.

O meio-burro é aquele burro que resolve, de uma tirada, grandes questões, grandes investigações. É o detetive-minuto nos grandes crimes, o analista-instantâneo nas grandes crises do poder, o crítico-de-microondas dos grandes movimentos da cultura. O meio-burro sabe sobre muito, mesmo que pouco ou apenas o suficiente para montar sentinela em sua guarita de concreto. Da guarita, o meio-burro guarda a pequena planície do que conhece e, protegido, até se arrisca a mirar outras terras, que não entende.

Para o meio-burro, tudo é simples e a Esfinge não passa de uma carinha sorridente. O meio-burro quer ver nas coisas a simplicidade que nega a si mesmo (o meio-burro é, afinal, um perito). Escolado em cabeçalhos, apressado em concluir e generalizar, o meio-burro é o maior inimigo da complexidade.

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Dirão alguns observadores, com um ranço de decadência na boca, que a explosão nas tecnologias de informação abriu terreno para esse tipo de burro novo. A internet seria, sob esse ponto de vista, uma facilitadora do meio-burro.

O fato, entretanto, é que a expansão das formas de comunicação coloca mais conhecimento na praça. Isoladas outras circunstâncias, essa expansão de oferta tende a favorecer, no lugar de desencorajar, a apreensão da complexidade.

(Ainda que concentrada de forma um tanto artificial nas grandes realizações do espírito, a história do conhecimento é inseparável da história da besteira.)

O que faz o meio-burro prosperar nestes dias é, antes, o aproveitamento de uma oportunidade aberta a todos. Com as novas tecnologias, pode o meio-burro estabelecer redes de apoio, de reforço mútuo de certezas e cegueiras. O meio-burro é o mais gregário dos burros, um burro de cooperativa.

A cooperativa dos meio-burros, um fato de dimensão política, é sólida em sua singeleza, e se assenta num pequeno conjunto de suposições.

A primeira dessas suposições é a de que meio-burro, como todo homem, pode mudar o mundo a partir de sua garagem. O sucesso de gênios solitários ou quase solitários nas últimas três décadas iluminou o céu dos meio-burros, como um raio de esperança. O meio-burro se crê um Napoleão de garagem, um self-made man pronto ou em potência.

Derivada da primeira, vem a segunda: a de que todo código pode ser “quebrado”, que qualquer verdade pode ser revelada ao homem de boa poltrona. É a arrogância do homem que não se move: a certeza de que, ao não se misturar, ao não descer à arena, ele mesmo, o meio-burro, se aprimora numa forma de ascese intelectual. (mais…)

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Vigésimo país mais conhecido do mundo, Brasil é visto como ‘decorativo, mas não útil’, segundo pesquisa global

Publicado originalmente no Terra

O analista político britânico Simon Anholt
O analista político britânico Simon Anholt

O Brasil é o 20º país mais conhecido do mundo, e é visto pelo resto do planeta como “decorativo, mas não muito útil”, segundo dados de uma pesquisa global realizada anualmente desde 2005.

A informação faz parte do Índice britânico Anholt-GfK Roper de Nation Brands, que criou um método de avaliação semelhante ao que marketing usa para estudar a imagem que marcas têm no mercado, o chamado “top of mind”. Nele, as nações são consideradas marcas, e milhares de pessoas são entrevistadas em todo o planeta para darem opinião livre sobre o que pensam de cada uma dessas “marcas-países”, criando um retrato de qual a imagem do país pelos olhos do resto do mundo.

Apesar da clara sensação de que o Brasil vem melhorando sua imagem internacional, e de que recebe mais atenção no mundo, isso não muda imediatamente a forma como o país é visto no resto do planeta, segundo Simon Anholt, assessor de política britânico e criador da pesquisa.

“O Brasil é considerado atraente, mas não é levado muito a sério pela população em geral”, explicou Anholt, em entrevista concedido ao blog “Brazil no Radar”, do Terra. “As pessoas não mudam suas opiniões sobre outros países muito frequentemente ou muito rapidamente.”

Segundo ele, essa imagem decorativa não precisa ser um problema para o país. “É uma grande ajuda para o turismo e as exportações de produtos leves e serviços como moda, música, e assim por diante. Mas, se o Brasil quer exportar mais produtos industriais e tecnológicos e serviços, e para exercer maior influência política e econômica, então a sua reputação de competência e confiabilidade precisa melhorar”, explicou.

O trabalho é de longo prazo, ele explica, e o Brasil está caminhando a passos muito lentos. Além disso, o país corre sérios riscos de piorar sua imagem durante a realização da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, segundo o pesquisador britânico.

Leia abaixo a entrevista completa concedida por Anholt

Pergunta – Os brasileiros gostam de dizer que o Brasil tornou-se “moda” no mundo, e que está mais famoso internacionalmente. Concorda que as pessoas sabem mais sobre o Brasil no resto do mundo?

Simon Anholt – Apesar de haver a sensação de que o Brasil está recebendo um tratamento mais frequente e positivo na mídia hoje em dia, isso não teve um impacto mensurável sobre a massa percepções globais sobre o País.

Desde 2005 eu venho publicando o índice Anholt-GfK Roper de Nation Brands, o estudo mais original e significativo sobre imagens nacionais. Já compilamos mais de 164 bilhões de pontos de dados sobre “como o mundo vê o mundo”. O ranking global de imagens de países no Índice (no ranking geral é uma média do que mais de 60% da população do mundo pensa sobre todos os aspectos dos 50 países da lista) é bastante estável, pois as pessoas não mudam suas opiniões sobre outros países muito frequentemente ou muito rapidamente.

O Brasil é um dos poucos países que mostra uma tendência geral de melhora, mas estamos falando apenas frações percentuais em cada ano, não o suficiente para afetar a sua classificação geral, que permanece mais ou menos fixa em 20º lugar.

Você costuma dizer que a Marca Brasil é de um país “decorativo, mas não útil”. A crise global ajudou o Brasil a melhorar sua imagem em economia? Como a imagem do Brasil evoluiu?

Anholt - Realmente, o perfil não tem evoluído muito, e quatro anos [desde o início da crise global, em 2008] é um tempo muito curto na vida de uma nação. O Brasil ainda é considerado atraente, mas não é levado muito a sério pela população em geral.

Entre as elites (por exemplo, políticos, diplomatas, jornalistas sérios, investidores) o quadro tende a ser mais complexo, mais positivo e mais volátil. Suspeito que, como resultado de conceitos como os países do BRIC, a opinião da elite, geralmente é mais positiva sobre o Brasil, mas pode-se demorar gerações para que isso se reflita na opinião pública.

A ausência de Lula no cenário internacional provavelmente já fez mais para diminuir o perfil do Brasil do que qualquer outro fator. (mais…)

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Mulher acima do peso se demite do trabalho e culpa ‘bullying’ dos colegas

Analista de RH revela sofrer bullying na empresa (Foto: Anna Gabriela Ribeiro/G1)
Analista de RH revela ter sofrido bullying na antiga empresa (Foto: Anna Gabriela Ribeiro/G1)

Anna Gabriela Ribeiro, no G1

Uma mulher de Cubatão (SP) resolveu tomar uma medida radical e pedir demissão após ser alvo constante de brincadeiras entre os colegas de trabalho. Anna Flávia Gomes, de 28 anos, afirma ter sofrido diversas formas de bullying e, por isso, optou por sair da empresa para tentar melhorar a auto-estima, destruída pelos colegas.

Anna Flávia, que trabalhava como analista de Recursos Humanos, conta que era alvo constante das ‘brincadeiras’ dos colegas. “Comecei a ficar cada fez mais estressada. Por estar acima do peso, ouvi muitas coisas ruins. Tive que me afastar de muita gente por causa dessas coisas. Algumas pessoas entravam na minha sala só para perguntar se eu tinha alguma comida. No começo não levava as coisas na malícia. O problema é que começaram a me rotular de ‘comilona’ só porque eu estava acima do peso. Com o tempo as coisas foram piorando e até passavam meu serviço adiante falando que as outras pessoas andavam mais rápido do que eu”, reclama.

As cada vez mais constantes brincadeiras fizeram com que com que Anna Flávia começasse a se isolar cada vez mais dentro da empresa. “Eu me sentia desmotivada. Procurei outra empresa para trabalhar. Em determinado momento nem ia mais almoçar no restaurante. Era comum as pessoas fazerem piadas relacionadas ao quanto eu comia. Comecei a comer lanches e engordei cada vez mais, só para comer sozinha. Nas festas de final de ano era outro problema. Sempre alguém vinha e comentava o quanto eu tinha engordado de um ano pro outro. O meu lado social ficou bastante abalado por causa disso.

Antes de se demitir, Anna Flávia tentou reverter a situação e se matriculou em uma academia de ginástica, mas também sentiu o preconceito no local. “Cheguei a entrar na academia com a minha irmã que é mais nova e mais obesa do que eu, mas no horário que a gente ia só tinha nós duas acima do peso. E não tinha um tratamento como as outras pessoas. As pessoas estão na academia para ganhar corpo. Às vezes a gente fica mais ofegante, precisa de mais um incentivo, igual ao que o instrutor está dando para outra pessoa. Só para eu e minha irmã ele não dava atenção igual. Ao invés de me ofender, eu me culpei. Fiquei pensando que se eu fosse magra o tratamento seria diferente”, afirma Anna.

Além das brincadeiras de mau gosto, a analista de RH lamenta pelos prejuízos profissionais. ”Eu procuro não sofrer. Na escola era pior, mas no serviço, se eu sofrer por isso não vou conseguir ir trabalhar. No serviço, por mais que você saiba que as pessoas vão comentar, ou vão rir, ou vão por apelido, você tem que ir, motivado ou não. Tem que levantar e ir trabalhar. Isso é o mais difícil. Pelo que eu estudei, se eu tivesse outro porte físico eu poderia estar melhor. Eu já fui em entrevistas que você percebe que está sendo analisado pela sua fisionomia. Você vai ter que representar a empresa na matriz e eles querem uma pessoa modelo”, finaliza.

Pedir demissão não resolve o problema
De acordo com a psicóloga e pedagoga Flávia Henriques, o caso de Anna Flávia é clássico, típico em pessoas que sofrem por não conseguirem enfrentar as situações. Flávia explica que os colegas de trabalho devem ter percebido a fraqueza da vítima e, por isso, acabaram fazendo esse tipo de agressão. “Ninguém tem o direito de agredir outra pessoa, nem verbal, nem fisicamente. A agressão verbal é mais difícil de provar. O que a pessoa agredida pode fazer é denunciar a agressão, ou falando com o próprio agressor, ou, no caso de bullying no trabalho, passando o caso para o superior”, explica.

A psicóloga conta também que a pessoa agredida deve se impor e enfrentar a situação. “Assim como as crianças saem da escola e pessoas abandonam famílias, a vítima de bullying pode acreditar que abandonar o emprego resolva seu problema, mas não é assim. Sem enfrentar, ela sempre vai ser vítima”. Flávia lembra que o agressor também costuma ter problemas. “Os problemas dos agressores, às vezes, são mais sérios do que os apontados pelas vítimas”, finaliza.

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