Cão fica 11 dias sem comer deitado na cova do dono na Índia, diz socorrista

Tommy, deitado sobre a cova do dono, Bhaskar Shri, 18, morto em acidente de carro (Reprodução/NY Daily News)
Tommy, deitado sobre a cova do dono, Bhaskar Shri, 18, morto em acidente de carro (Reprodução/NY Daily News)

Publicado no UOL

Um cachorro mostrou sua lealdade em Chennai, no sul da Índia, mesmo após a morte do dono, um adolescente de 18 anos. O cão passou 11 dias junto à cova dele, sem comida ou água, segundo relato de uma mulher que o resgatou.

Bhaskar Shri, 18, morreu no último dia 2 de agosto em um acidente de carro. Shri, funcionário na construção civil, tinha adotado o cachorro, que batizou de Tommy, há dois anos, e o levava diariamente ao trabalho.

Tommy foi salvo por Dawn Williams, que trabalha na Cruz Azul, ONG que resgata animais. “Eu vi o cão marrom deitado em uma cova recente em uma tarde enquanto caminhava, isso na primeira semana de agosto. Naquela época, eu não fiz nada”, conta Dawn.

“Mas em 13 de agosto, estava no local de novo em uma missão de resgate diferente e o vi. Ele estava sentado no mesmo local e na mesma posição. É como se ele não tivesse se mexido durante semanas.”

Dawn encontrou o cão em péssimas condições. “Ele estava faminto e estou certa de que tinha lágrimas nos olhos. Dei a ele água e biscoitos, mas ele nem se mexia. Então, com meus colegas, passei pela vizinhança e perguntei se alguém conhecia o cão. Foi quando me disseram que se chamava Tommy e guardava o túmulo do dono”, lembra.

A funcionária da Cruz Azul encontrou a mãe de Bhaskar. Assim que viu a mulher, Tommy correu em sua direção. Ela contou que o cão havia desaparecido desde a morte do filho e ficou feliz em poder levá-lo para casa. “Ela disse que o cão era um amigo leal e que cuidaria dele para lembrar de seu próprio filho”, disse Dawn. (Com NY Daily News)

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Com o que os animais sonham?

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Publicado no Hype Science

Eu mesma sempre me perguntei com o que os animais sonham. Quem tem um, sabe que não é raro eles se mexerem e fazerem algumas caretas engraçadas enquanto dormem.
Mas se os animais sonham como nós, como exatamente são esses sonhos? Felizmente, eu não fui a única que perdeu o sono de tanta curiosidade.

Nós certamente não podemos perguntar aos animais com o que eles estavam sonhando, mas a ciência foi mais a fundo nessa questão e chegou a duas maneiras de descobrir a resposta. Uma delas é olhando para o comportamento físico durante as várias fases do ciclo de sono. A segunda é ver se a atividade cerebral dos animais enquanto dormem é semelhante à nossa.

Com o que os animais sonham?

A história de como a ciência começou a estudar os animais dormindo começou na década de 1960. Naquela época, relatos dispersos começaram a aparecer em revistas médicas que descreviam o comportamento de pessoas e seus movimentos enquanto estavam sonhando – o que foi curioso, porque durante o chamado sono REM (movimento rápido dos olhos), nossos músculos ficam normalmente paralisados.
Os pesquisadores perceberam, então, que induzir um estado semelhante em animais poderia permitir-lhes entender de uma vez por todas com o que os animais sonham. Em 1965, os cientistas franceses Michel Jouvet e J.F. Delorme descobriram, por exemplo, que a remoção de uma parte do tronco cerebral do cérebro de um gato impedia que o animal ficasse paralisado durante o sono REM. Os pesquisadores chamaram isso de “REM sem atonia” (ou REM-A). Em vez de ficarem deitados e paradinhos, os gatos ficaram agitados e passaram a se comportar de forma agressiva.

Isso deu a entender que eles estavam sonhando com coisas que faziam enquanto estavam acordados. Outros estudos realizados desde então revelaram um comportamento semelhante. De acordo com o neurologista veterinário Adrian Morrison, os gatos no REM-A movem suas cabeças seguindo estímulos. Alguns gatos também apresentam um comportamento idêntico aos ataques predatórios, como se eles estivessem perseguindo ratos em seus sonhos. Nos cachorros, eles observaram o mesmo tipo de comportamento durante o sono.

O mesmo acontece em alguns seres humanos também. Sabe quando você vê uma pessoa se mexendo enquanto dorme, quase que atuando? Bom, essas pessoas sofrem de uma condição chamada de distúrbio comportamental do sono REM. Socos, pontapés, saltos e outros movimentos bruscos na cama são algumas das coisas que acontecem com quem tem esse distúrbio.
Mas o movimento físico não é a única maneira de saber com o que alguém está sonhando. Pesquisadores agora podem humanamente perscrutar as atividades elétricas e químicas das células cerebrais nos animais enquanto eles dormem.

Em 2007, os cientistas do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, nos Estados Unidos) Kenway Louise e Matthew Wilson registraram a atividade dos neurônios em uma parte do cérebro dos ratos chamada de hipocampo – uma estrutura conhecida por estar envolvida na formação e codificação das memórias.

Eles primeiro registraram a atividade dessas células do cérebro enquanto os animais corriam em seus labirintos, e depois olharam para a atividade dos mesmos neurônios enquanto eles dormiam. Assim, Louise e Wilson descobriram padrões idênticos de disparo durante a corrida e durante o sono REM. Em outras palavras, era como se os ratos estivessem correndo pelo labirinto em suas mentes enquanto estavam cochilando. Os resultados foram tão claros que os pesquisadores puderam concluir a localização precisa dos ratos dentro de seus labirintos de sonhos mentais e mapeá-los em lugares reais dentro do labirinto real.

Os biólogos Amish Dave e Daniel Margoliash, da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, perceberam que a atividade cerebral das aves também segue esse padrão. Os sonhos parecem ser uma simulação da vida real – tanto para humanos quanto para os animais. [BBC]

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Fotógrafo mostra a ‘verdadeira’ carne dos fast food

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publicado no Catraca Livre

As imagens do fotógrafo texano Peter Augustus nos faz pensar duas vezes antes de cedermos às tentações do fast food. No seu mais recente trabalho, ele confronta a desconexão das pessoas com relação à origem dos alimentos que compõe alguns pratos tradicionais.

A ideia surgiu durante o intercâmbio de dois anos que Peter fez em Hong Kong, na China. Lá, os ‘mercadões’ e açougues exibem e vendem as peças de carne nas vitrines do mesmo jeito que os animais foram abatidos.

Com os tradicionais cortes e limpeza das peças nos supermercados, o relacionamento que os países ocidentais têm com a origem da carne, é bem diferente da realidade no Oriente. E é exatamente esta dissociação que o fotógrafo texano pretende mostrar no ensaio “Mystery Meat” (Carne Misteriosa, em português).

As imagens não têm a intenção de provocar repulsa, mas simplesmente mostrar como é a produção de alimentos nos Estados Unidos e outros países.

 

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O cérebro dos elefantes em números

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Publicado no Hype Science

O elefante é um animal bastante inteligente. É capaz de utilizar de ferramentas, por exemplo, usar um galho para coçar onde a tromba não alcança, atravessar uma cerca eletrificada e proteger uma fonte de água para si.
Mas quando se compara isto com o que o homem faz, com um cérebro que é um terço do que o do elefante, a gente se pergunta: “por que tão pouco?” Por que a capacidade cognitiva do elefante não é o triplo da nossa?

Para tentar entender porque temos esta capacidade cognitiva tão desenvolvida em relação a animais com cérebro maior, com mais circunvoluções, é que a Dra. Suzana Herculano-Houzel e outros pesquisadores estão estudando o cérebro humano e também o do elefante.

O cérebro

O cérebro pode ser dividido em várias partes: o cerebelo, o córtex, que está dividido em dois hemisférios, e o corpo caloso, que une os dois hemisférios. O córtex tem a superfície cheia de “rugas”, as circunvoluções. Existem mais divisões, mas vamos ficar nessas.

O cerebelo está associado à neuromotricidade, a capacidade de controlar o corpo, obter informações dele e coordenar seus movimentos, entre outras coisas. Já o córtex está associado à cognição propriamente dita, ou seja, a compreensão das informações fornecidas pelos sentidos e a tomada de decisões.
Para explicar as diferenças cognitivas entre homens e outros mamíferos, várias hipóteses foram criadas. Para alguns, o número de circunvoluções indicaria a capacidade intelectual, para outros, a relação entre o corpo e o cérebro – animais com relação maior entre cérebro e corpo seriam mais inteligentes.

A Dra. Suzana Herculano-Houzel recentemente ganhou destaque com a nova técnica que criou para contar os neurônios de um cérebro, o “fracionador isotrópico”, também conhecido como “sopa de cérebro”.
O método pode ser descrito de maneira simples: as células do cérebro são destruídas de forma a liberar o núcleo com o DNA. A seguir, o núcleo é marcado com uma substâncias luminescentes e o número de núcleos é contado, uma técnica que pode demorar um mês no caso do cérebro humano.

O cérebro do elefante

Utilizando esta técnica, a Dra. Suzana analisou o cérebro do elefante e chegou a alguns números interessantes. O cérebro do elefante, três vezes maior que o humano, tem 257 bilhões de neurônios, praticamente o triplo de neurônios que o ser humano tem, que é
85 bilhões.
Mas estes neurônios estão distribuídos de forma surpreendente: 251 bilhões estão concentrados no cerebelo, o que torna o elefante único. Sobram para o córtex meros 5,6 bilhões de neurônios, um terço do que o ser humano tem em seu córtex, que tem metade da massa do córtex do elefante.

Dentro do córtex, o hipocampo do elefante tem 24,42 gramas e possui um volume levemente maior que o humano, mas possui apenas 36,63 milhões de neurônios bilateralmente, comparados com os aproximadamente 250 milhões de neurônios na estrutura que reúne o hipocampo e a amígdala no ser humano.
O resto das estruturas cerebrais, excluindo o córtex cerebral e o cerebelo, tem o mesmo número de neurônios em seres humanos e elefantes, 0,7 bilhões, apesar de ser 4 vezes maior no cérebro do elefante. A grande maioria dos neurônios do cérebro do elefante africano, 97,5%, está localizada no cerebelo.

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Uma discrepância tão grande no número de neurônios no córtex pode ser a explicação para a diferença na capacidade cognitiva entre o elefante e o ser humano. No nosso cérebro, há muito mais neurônios e eles estão muito mais próximos, compactando-se em um cérebro menor.
O novo mistério que surgiu a partir dos dados é a razão por que o elefante tem tantos neurônios no cerebelo. Em outros mamíferos, para cada neurônio no córtex, há 4 no cerebelo, mas no elefante esta razão é de 45 neurônios no cerebelo para cada neurônio no córtex.

A resposta para esta diferença pode estar na cara. Do elefante, é claro. A tromba é um órgão fantástico nas suas capacidades motoras e sensoras e, com seu tamanho e quantidade de músculos, deve ser a razão pela qual o cerebelo do elefante é tão carregado de neurônios. [Frontiers in Neuroanatomy, Brainwaves, Nature (2001), Intelligence.org]

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