Fé e fofoca

A fofoca é a base da tese da “cura gay”: maléfica, preconceituosa, com o poder de destruir vidas

Fantine (Anne Hathaway), no filme dirigido por Tom Hooper
Fantine (Anne Hathaway), no filme dirigido por Tom Hooper

Walcyr Carrasco, na Época

Um dos meus livros prediletos é Os miseráveis, de Victor Hugo, do século XIX. Creio que um dos trabalhos mais apaixonantes da minha vida foi traduzi-lo e adaptá-lo para jovens. Uma das passagens mais marcantes, descrita em detalhes no original, fala do poder da fofoca.

Fantine é mãe solteira e deixou sua filha, a menina Cosette, aos cuidados de um casal, a certa distância da cidade onde se fixou. Trabalha como operária e envia quase tudo o que ganha para o sustento da menina. Só que não sabe ler e escrever. Recorre a um profissional para redigir suas cartas e ouvir as respostas. As colegas de trabalho desconfiam. Para quem tantas cartas, afinal? Convencem o homem que as escreve não a revelar seu conteúdo – ele é discreto –, mas a fornecer o endereço para onde são enviadas. Uma delas, então, viaja às próprias custas para apurar a história. Volta com a satisfação de “saber de tudo”. Conta o que sabe para todas.

Estigmatizada numa época em que ser mãe solteira era uma desonra, Fantine briga com as outras. É demitida por moralismo. Acaba nas ruas como prostituta. Quem leu o livro, viu algum dos filmes ou versões teatrais inspirados na obra sabe que ela vende os dentes e cabelos para depois morrer tragicamente. Onde começou toda a sua via-crúcis? Na curiosidade sobre a vida alheia.

Acredito que a fofoca é maléfica. É fundamentada no preconceito. Tem o poder de destruir vidas. Em sua primeira peça de teatro, em 1934, a escritora americana Lilian Hellman (1905-1984) aborda o tema. A peça, The children’s hour, foi sucesso na Broadway e ganhou versão cinematográfica com as estrelas da época, Audrey Hepburn e Shirley MacLaine.

Aqui no Brasil, o filme ganhou o título de Infâmia. (Procurem, vale a pena ver.) Narra a história de duas mulheres, sócias fundadoras de uma escola infantil nos Estados Unidos. Uma aluna as acusa de ter uma relação homossexual. Não têm, de fato. Mas a avó da garota espalha a fofoca na comunidade. Perdem os alunos, quebram financeiramente e, finalmente, uma delas se suicida.

Histórias como essa são frequentes. No mundo artístico, encontro jovens que deixaram a cidade distante onde viviam, porque não suportavam mais os falatórios. Certa vez, em visita à pequena Bernardino de Campos, interior de São Paulo, onde nasci, conversei com um rapaz de cabelos pintados de verde, num estilo meio punk, cuja família se mudara para lá. Fazia faculdade, mas queria voltar a São Paulo, onde trabalhava como motorista. Eu me espantei:

– Prefere o trânsito de São Paulo a terminar um curso universitário, ter uma carreira?
– Aqui, meu cabelo virou até notícia na rádio – respondeu ele.

Por que falo sobre tudo isso?

Sim, sei que a proposta de “cura gay”, do deputado Marco Feliciano, já foi muito comentada. Seria chover no molhado dizer quanto isso nos ridiculariza internacionalmente, já que a Organização Mundial da Saúde não classifica a homoafetividade como doença e, portanto, não se trata de algo a curar. Mas quero olhar a questão por outro ângulo. Todo esse movimento liderado por Feliciano, entre os evangélicos, e pela deputada Myrian Rios, como católica carismática, entre outros, não pode ser confundido com fé. É uma enorme curiosidade pela vida alheia. Como fofoca transformada em questão política.

Convivo com esse tipo de comportamento não é de hoje. Tenho uma tia que frequenta a igreja Assembleia de Deus. Nunca corta os cabelos, devido a uma interpretação do Velho Testamento, em que eles são descritos como “véu da mulher” – embora nada proíba Feliciano de depilar as sobrancelhas. Adolescente, eu morava em Marília, interior de São Paulo. Uma jovem evangélica da Assembleia deixou de ser virgem. A fofoca se espalhou no templo. A moça foi expulsa publicamente da igreja. Não é o primeiro preceito cristão acolher os pecadores?

Normatizar a vida dos fiéis é exercer poder sobre eles. Esse poder é exercido pela fofoca entre os membros da comunidade religiosa, que passam a controlar o comportamento uns dos outros. Trazer esse tema, da igreja, para a política, é um acinte para a sociedade. Quanto mais se fala em “cura gay”, mais cresce o preconceito. E o preconceito estimula a fofoca, o controle sobre o comportamento alheio. É um risco para quem acredita nas liberdades individuais. Inevitavelmente surgirão novas vítimas, como a Fantine de Victor Hugo.

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77 milhões de meninas sonham em ir à escola

título original: Meryl Streep, Selena Gomez e Anne Hathaway participam de filme em prol da educação de meninas

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Publicado originalmente em O Fuxico

Um time de pessoas notáveis se engajou em importante campanha que visa acabar com o drama de meninas ao redor do mundo que lutam pelo direito de estudar. Capitaneados por Anne Hathaway, nomes como Cate Blanchett, Selena Gomez, Liam Neeson, Priyanka Chopra, Chloë Moretz, Freida Pinto, Salma Hayek, Meryl Streep, Alicia Keys, e Kerry Washington emprestaram suas vozes e apoio. Trata-se do filme da Girl Rising, que visa apoiar mais de 66 milhões de meninas que sonham com o direito de ir à escola.

Trata-se de uma ação global, que se chama10X10, pela educação de meninas. A primeira grande iniciativa é o filme Girl Rising (Crescimento da menina).  A campanha foi criada por um grupo de jornalistas que, motivados pela causa, chegaram à simples conclusão de que educando meninas é possível mudar o mundo.

O lançamento aconteceu em 11 de outubro de 2012 quando foi celebrado o primeiro ano do Dia Mundial das Meninas, instituído pela Assembléia Geral da ONU.

O Filme

A ideia do filme Girl Rising surgiu após o triste episódio envolvendo a garota paquistanesa Malala Yousufzai, de 15 anos, que em  9 de outubro de 2012 foi baleada na cabeça e no pescoço pelo Talibã. Ela estava a bordo de um ônibus, no trajeto de casa para a escola. Malala e sua família se transformaram em alvo do Talibã devido ao seu trabalho defendendo a educação feminina em seu país.

Girl Rising conta histórias extraordinárias de meninas de todo o mundo lutando para superar a impossibilidade de estudar e será lançado mundialmente em 7 de março de 2013, véspera do Dia Internacional da Mulher.  Ao redor do mundo, milhões de meninas enfrentam barreiras para estudar e, muitas vezes, sofrem graves consequências por insistirem nesse sonho. O mesmo não acontece com meninos.

Vale lembrar que quando uma garota se educa, ela consegue o feito de quebrar ciclos de pobreza que assombram sua família, em apenas uma geração. Entre as histórias relatadas estão as de duas meninas de projetos da Visão Mundial na Índia e Etiópia.

A proposta de Girl Rising é chamar a atenção para o tema, aumentar a consciência mundial e estimular, tanto a ação, quanto o financiamento para projetos relativos ao problema.

Entre os parceiros que apoiam a iniciativa está a rede de TV CNN, que exibirá o filme Girl Rising para milhões expectadores ao redor do mundo.

Em relação às doações, a campanha propõe que cada pessoa doe US$ 50 para contribuir com a educação de uma menina durante um ano inteiro.

Como ajudar?

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Posters revelam a verdade por trás dos filmes indicados ao Oscar

Publicado por AdNews

A verdade por trás dos indicados / FOTO: Reprodução
A verdade por trás dos indicados / FOTO: Reprodução

Já é tradição. Todo ano, o site britânico TheShiznit reúne os indicados a melhor filme e produz os posters que, segundo a publicação, revelam a verdade por trás das películas.

Com muito bom humor, o site mostra, por meio de uma mudança nos títulos das obras, a verdadeira intenção de seus idealizadores.

O Adnews separa as melhores abaixo.

Confira:

A Vida de Pi = O CGI do Tigre é Demaaaaaais (Brincadeira em referência à tecnologia utilizada para produzir o animal que é co-protagonista do filme)
Indicado para: Melhor Filme, Melhor diretor (Ang Lee), Melhor Roteiro Adaptado

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Lincoln = A Escravidão é uma merd* – Edição Séria
Indicado para: Melhor Filme, Melhor diretor (Steven Spielberg), Melhor ator (Daniel Day-Lewis), Melhor ator coadjuvante (Tommy Lee Jones), Melhor atriz coadjuvante (Sally Field), Melhor roteiro adaptado

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Django Livre = A Escravidão é uma merd* – Edição divertida
Indicado para: Melhor filme, Melhor ator coadjuvante (Christoph Waltz), Melhor roteiro original

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Os Miseráveis = ‘I Dreamed A Dream ‘ é a única música que você conhece (Uma clara referência à Susan Boyle)
Indicado para: Melhor Filme, Melhor Ator (Hugh Jackman), Melhor atriz coadjuvante (Anne Hathaway)

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Argo = Fod*-se o Canadá (O Filme detalha o resgate de cidadãos norte-americanos do Irã. Fato que outrora fora creditado ao Canadá)
Indicado para: Melhor Filme, Melhor ator coadjuvante (Alan Arkin), Melhor roteiro adaptado

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Conheça 50 filmes que você não pode perder em 2013

A volta de alguns super-heróis, incluindo a estreia de um novo Superman, remakes polêmicos, sequências de franquias já consagradas e muito mais. Entre comédias, policiais, ficções científicas e terrores, 2013 deve levar aos cinemas fãs de todos os gêneros.

publicado no virgula

Django Livre – Com direção de Quentin Tarantino, o filme conta a história de Django (Jamie Foxx), que faz tudo para resgatar sua mulher, Broomhilda (Kerry Washington), que foi parar nas mãos de um cruel proprietário de terras, Calvin Candle (Leonardo DiCaprio), depois de um jogo de cartas. Django conta a com a ajuda de um ex-dentista e atual caçador de recompensas alemão, King Schultz (Christoph Waltz), que o compra, liberta e ensina a ele alguns truques de sua nova profissão. Estreia no dia 18 de janeiro.

A Hora Mais Escura – Kathryn Bigelow, ganhadora do Oscar por Guerra ao Terror, apresenta sua visão da caçada a Osama Bin Laden. Jessica Chastain é a protagonista Maya, inspirada em uma agente da CIA que na vida real passou dez anos trabalhando no caso. Estreia no dia 18 de janeiro.

O Mestre – Polêmico por sua suposta inspiração na Cientologia, o filme é ambientado no pós-Segunda Guerra e mostra Lancaster Dodd’s (Philip Seymour Hoffman) como um militar que retorna aos Estados Unidos e decide formar um culto para acabar com as lembranças dos horrores vividos por soldados durante o conflito. O orador ganha fiéis rapidamente, e acaba se tornando uma espécie de mestre para Freddie Quell (Joaquin Phoenix), um soldado violento e alcoólatra. Estreia no dia 25 de janeiro.

Os Miseráveis – Tom Hooper, vencedor do Oscar de 2011 por O Discurso do Rei, colocou Hugh Jackman, Russell Crowe e Anne Hathaway, entre outros, para cantar em um grandioso musical baseado no romance homônimo de Victor Hugo, de 1862, que conta uma história que se passa na França do século 19 entre duas grandes batalhas: a Batalha de Waterloo (1815) e os motins de junho de 1832. Estreia no dia 1 de fevereiro.

Meu Namorado é Um Zumbi – Antes chamada Sangue Quente, a comédia é baseada no livro Warm Bodies, de Isaac Marion, e mostra o zumbi R (Nicholas Hoult) resgatando a jovem Julie (Teresa Palmer), a quem protege de outros zumbis e também dos Boneys, a encarnação seguinte dos mortos vivos. Se comunicando cada vez melhor e se recusando a comer carne humana, R recupera progressivamente sua humanidade. Estreia no dia 1 de fevereiro.

Caça aos Gângsteres – A história do filme acontece em 1949, quando Mickey Cohen (Sean Penn), o chefão da máfia no Brooklyn, controla todo o tráfico de armas e drogas e a prostituição no oeste de Chicago, com a ajuda de vários políticos e policiais corruptos. No entanto, uma equipe de agentes do Departamento de Polícia de Los Angeles, comandada pelo sargento John O’Mara (Josh Brolin) e por Jerry Wooters (Ryan Gosling), decide se unir para colocar um fim ao império do criminoso. Estreia no dia 1 de fevereiro. (mais…)

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