Arquivo da tag: ansiedade

Sete coisas que você não deve dizer a alguém com ansiedade

Publicado no Brasil Post

Se você já sofreu de ansiedade grave, provavelmente conhece muito bem o modo como ela pode controlar sua vida.

Os transtornos de ansiedade e pânico podem causar sensações intermináveis de medo e incerteza — e esse sofrimento muitas vezes provoca comentários que são mais prejudiciais que úteis. Segundo o psicólogo clínico Scott Bea, professor-assistente de medicina na Clínica Cleveland, embora geralmente venha de pessoas amadas, a incompreensão dos outros pode tornar incrivelmente desafiador superar uma crise de pânico.

“Por isso, muitas coisas que você poderia dizer acabam tendo um efeito paradoxal e agravam a ansiedade”, diz Bea a The Huffington Post. “A ansiedade pode ser como areia movediça — quanto mais você tenta resolver a situação imediatamente, mais você afunda. Dizer às pessoas coisas como ‘fique calmo’ pode realmente aumentar sua sensação de pânico.”

Apesar de tudo, existem maneiras de ainda dar apoio sem causar mais perturbação. Aqui estão sete comentários que você deve evitar fazer para alguém que sofre de transtorno de ansiedade — e como você pode realmente ajudar essa pessoa.

1. “Não dê importância a essa bobagem.”

o-ANSIEDADE-COPO-LEITE-DERRAMADO-570

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A verdade é que o que você considera bobagem pode não ser tão insignificante no mundo de outra pessoa. Embora você tente projetar uma luz positiva sobre uma situação tensa, pode querer reduzir algo que é muito maior para outra pessoa.

“Você precisa entrar no sistema de crença da pessoa”, aconselha Bea. “Para [alguém com ansiedade], tudo é importante.” Para ajudar, tente aproximar-se dela com uma perspectiva de incentivo, em vez de implicar que ela “surtou” por causa de algo sem importância. Lembrar à pessoa que ela já superou esse pânico antes pode ajudar a confirmar que sua dor é real e ajudá-la a empurrar para longe os sentimentos arrasadores, diz Bea.

2. “Acalme-se.”

o-ANSIEDADE-570

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O problema debilitante dos transtornos de ansiedade e pânico é que você simplesmente não consegue se acalmar. Encontrar a capacidade de relaxar — especialmente por ordem de alguém — não é fácil para a maioria das pessoas, e certamente pode ser mais difícil para alguém que sofre de ansiedade.

Em um blog em “Psychology Today”, o psicólogo Sean Smith escreveu uma carta aberta para uma pessoa amada do ponto de vista de alguém com ansiedade, afirmando que, mesmo que haja boas intenções, dizer para a pessoa se acalmar provavelmente terá o efeito contrário:

“Vamos reconhecer o óbvio: se eu pudesse conter minha ansiedade, já o teria feito. Isso pode ser difícil de entender, já que provavelmente parece que eu escolhi [entrar em pânico, me coçar, acumular coisas, andar de um lado para outro, me esconder, ruminar, verificar, limpar, etc.]. Não. No meu mundo, fazer essas coisas é apenas ligeiramente menos doloroso do que não as fazer. É difícil explicar, mas a ansiedade coloca uma pessoa nessa posição.”

Segundo Keith Humphreys, professor de psiquiatria na Universidade Stanford, suas palavras não precisam ser seu método mais poderoso — oferecer para fazer algo com a pessoa talvez seja a melhor maneira de ajudar a aliviar seus sintomas. Humphreys diz que atividades como meditação, dar um passeio ou fazer exercícios são maneiras positivas de ajudar.

3. “Apenas faça isso.”
Quando alguém com ansiedade enfrenta seus medos, um pouco de “amor duro” pode não ter o efeito que você espera. Dependendo do tipo de fobia ou transtorno que a pessoa enfrenta, o pânico pode atacar a qualquer momento– ao embarcar em um avião, falar a um grupo de pessoas –, ou mesmo surgir do nada. “Obviamente, se elas pudessem superar isto o fariam, porque seria mais agradável”, diz Humphreys. “Ninguém escolhe ter ansiedade. Usar [estas frases] as faz sentir-se na defensiva e sem apoio.”

Em vez de dizer a alguém para “aguentar”, praticar empatia é o segredo. Humphreys aconselha a trocar a linguagem incentivadora de time esportivo por frases como “É horrível sentir isso” ou “Que pena que você se sinta assim”.

“O paradoxo é que [uma frase empática] ajuda a acalmá-las porque elas não sentem que têm de lutar por sua ansiedade”, diz Humphreys. “Demonstra certa compreensão.”

4. “Tudo vai dar certo.”
Embora seja de modo geral um apoio, Bea diz que as pessoas com ansiedade não vão reagir de fato a palavras reconfortantes da maneira que você gostaria. “Infelizmente, dizer a alguém [que está enfrentando ansiedade] que tudo vai dar certo não ajudará muito, porque a pessoa não vai acreditar”, ele explica. “A tranquilização às vezes pode ser um método ruim. Ela as faz sentir-se melhor durante 20 segundos e depois a dúvida pode retornar.”

Bea sugere que se continue encorajando, sem usar declarações vagas que podem não ter valor naquela situação. Às vezes, diz ele, até permitir que a pessoa abrace sua preocupação — em vez de tentar afastá-la — pode ser a única maneira de ajudar. “Ela sempre pode aceitar a condição”, disse Bea. “Encorajá-la dizendo que é bom sentir o que ela está sentindo — também pode ser um bom remédio.”

5. “Também estou estressado.”

o-ANSIEDADE-570 (1)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Semelhante a “Acalme-se” e “Não dê importância a essa bobagem”. Você pode estar acidentalmente banalizando a luta de alguém ao criar uma comparação. No entanto, se você estiver estressado ou sofrendo de um transtorno leve de ansiedade ou pânico, Humphreys adverte que a camaradagem depois de certo ponto pode ser perigosa. “É importante não ficar obcecados um pelo outro”, aconselha. “Se você tem duas pessoas ansiosas, elas podem se alimentar mutuamente. Se as pessoas têm dificuldade para controlar sua própria ansiedade, tente não se envolver nessa atividade mesmo que você pense que pode ajudar.”

Pesquisas demonstraram que o estresse é uma emoção contagiosa, e um estudo recente da Universidade da Califórnia em São Francisco descobriu que até os bebês podem captar esses sentimentos negativos de suas mães. Para promover pensamentos mais saudáveis, Humphreys aconselha que se tente reorientar a narrativa, em vez de lamentar-se juntos.

6. “Tome uma bebida — vai distrair sua mente.” 

o-CERVEJA-570

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esse coquetel pode diminuir a tensão, mas quando lidar com transtornos de ansiedade existe um problema maior para se preocupar, diz Humphreys. Médicos e tratamentos prescritos são mais adequados quando se trata de lidar com os problemas que causam o pânico. “A maioria das pessoas supõe que se alguém tomar alguns drinques sua ansiedade desaparecerá”, disse ele. “Em curto prazo, sim, talvez desapareça, mas em longo prazo pode ser um caminho para a dependência. É perigoso em longo prazo porque essas substâncias podem reforçar a ansiedade.”

7. “Eu fiz alguma coisa errada?”
Pode ser difícil quando uma pessoa amada está constantemente sofrendo e às vezes pode até parecer que seus atos de alguma forma estão provocando isso. Humphreys diz que é importante lembrar que os transtornos de pânico e ansiedade derivam de algo maior do que apenas uma instância particular. “Aceite que você não pode controlar as emoções da outra pessoa”, ele explica. “Se você tentar isso, se sentirá frustrado, a pessoa que você ama e que está sofrendo pode se sentir rejeitada e vocês dois se ressentirão. É importante não levar a ansiedade do outro para o plano pessoal.”

Humphreys diz que também é crucial deixar a pessoa amada saber que há uma maneira de superar qualquer transtorno de ansiedade ou pânico — e que você está lá para ajudar. “Há maneiras de ser mais feliz e mais funcional”, diz ele. “Existe com certeza uma razão para ter esperança.”

5 coisas para fazer todas as manhãs e ser mais produtivo

O jeito como você encara as primeiras horas do dia pode influenciar seus níveis de stress e produtividade no trabalho; veja como lidar com isso

foto: Getty Images

foto: Getty Images

Talita Abrantes, na Exame

O sucesso do seu expediente começa muito antes da hora que você bate o ponto ou passa o crachá no escritório.

A maneira como você encara o período que se estende entre o primeiro abrir de olhos até o momento em que chega ao trabalho pode ser determinante para a toada que o resto do seu dia seguirá.

Não é por acaso que Chieko Aoki, CEO da Blue Tree Hotels, e Ernesto Haberkorn, fundador da TOTVS, dedicam uma atenção especial às manhãs.

Para ambos, as primeiras horas do dia se revelaram como momentos preciosos para que eles conseguissem fazer a rotina caber na agenda, como revelaram recentemente para EXAME.com.

Este é o mote do livro “What the most successful people do before breakfast” (O que as pessoas mais bem sucedidas fazem antes do café da manhã, em uma tradução livre), lançado em 2012.

Nele, a autora Laura Vanderkan elenca argumentos que provam que a chave para conseguir o que quer está na maneira como você lida com as primeiras horas do dia. ”Este é o tempo que você pode ter para você mesmo, antes da prioridade das outras pessoas”, disse para o Business Insider.

Com isso em mente, elaboramos um guia para seguir todas as manhãs e que pode garantir produtividade, além de leveza, nas horas que estão por vir. Confira.

1 Tire o peso

Antes  de qualquer coisa, calibre seus primeiros pensamentos. Em outros termos, pare de encarar o início de um novo dia com tanta ansiedade, medo e frustração. “Acordar cedo é acordar cedo, não é melhor, nem pior. É só acordar”, afirma Eduardo Shinyashiki, consultor de carreira.

Esforce-se, portanto, para apreciar o que está a sua volta – do sol que entra pela janela até a água que escorre pelo corpo durante o banho.

“Em vez de alimentar a rotina de levantar com pressa, dedique 15 minutos para sentar e olhar as pessoas que dividem a vida com você”, sugere o especialista. E, como ele aconselha, faça de cada manhã uma celebração.

2 Faça uma atividade física 

Uma medida para começar o expediente já prevenido contra o stress é investir em atividade física. “Você deixa o stress na academia, na pista ou na praia”, diz Fernando Camilo, sócio da Kaminarh Consulting, que mora no Rio de Janeiro.

“O exercício aeróbico oxigena o cérebro e diminui o cortisol no sangue”, descreve Luis Fernando Garcia, autor do livro “O cérebro de alta performance” (Editora Gente).

Quando combinada com uma boa noite de sono, a prática de exercícios faz toda a diferença na produtividade, segundo o especialista.

3 Alimente-se

Para encarar o dia, é preciso de energia. Ou seja, café da manhã é indispensável. Afinal, como já diziam sua avó ou mãe, “saco vazio não para em pé”, brinca Garcia. Um cardápio rico em frutas e cereais pode ser uma boa pedida.

4 Coloque coordenadas no dia

Aclamada por especialistas de gestão do tempo, a “ingênua” lista de tarefas do dia é uma “poderosa” ferramenta da neurociência para que seu cérebro não surte no meio do expediente.

“O ser humano não funciona se não visualizar uma saída”, afirma Garcia. “Quando você materializa no papel tudo o que precisa fazer, em vez de circuitos desencontrados, você reduz a ansiedade”.

Em outros termos, a lista de tarefas cumpre o mesmo papel de um mapa recheado de coordenadas para que seu cérebro encontre foco para as horas que estão por vir.

“Quando você sistematiza o dia, o cérebro cria um caminho para como o dia vai funcionar”, diz o especialista.

Não é preciso muito para traçar este roteiro. Liste as atividades que devem ser feitas no dia usando verbos de ação no infinitivo e coloque um parâmetro de tempo para cada atividade. Por exemplo, fazer 10 ligações em 45 minutos.

Depois, eleja uma ou duas tarefas que “farão seu dia” caso as concretize. “Quando a gente conclui uma coisa importante, temos uma leve sensação de satisfação”, afirma Garcia.

Cuidado para não enumerar tudo – ou cair na tentação de fazer de todas as tarefas uma prioridade. Do contrário, seu mapa do dia pode desembocar em mais ansiedade e frustração.

5 Adiante os ponteiros 

Agora, se você, de fato, quer começar a labuta com o pé direito, trate de rumar para o trabalho alguns minutos mais cedo. “Deus ajuda quem cedo madruga”, brinca Fernando. “Se você sai com antecedência, já sai tranquilo”.

Lembre-se: “Trabalho não deve ser agonia. Deve ser satisfação, um local de realizações”, diz o especialista.

Esqueça um pouco do celular e melhore suas relações

Está cada vez mais difícil perceber se a frequência do uso está passando dos limites (foto: Getty Images)

Está cada vez mais difícil perceber se a frequência do uso está passando dos limites (foto: Getty Images)

Marina Oliveira e Rita Trevisan, no UOL

Em 2013, um restaurante em Jerusalém criou uma promoção interessante: os donos do estabelecimento resolveram conceder descontos de 50% aos clientes que se dispusessem a desligar os celulares durante a permanência no local. O objetivo era permitir aos frequentadores uma experiência de degustação mais tranquila e prazerosa, sem interrupções.

No Brasil, alguns estabelecimentos têm adotado medidas semelhantes. Em São Paulo, um bar tradicional desenvolveu o copo off-line, que só fica de pé na mesa se estiver apoiado sobre um celular. Todas essas iniciativas vêm responder a novas necessidades, típicas de uma sociedade conectada, em que o número de pessoas que só saem de casa com o telefone móvel não para de crescer.

Para se ter uma ideia, fechamos o ano de 2013 com 271,10 milhões de linhas ativas de celular, segundo dados da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). “Desde 1998, quando ocorreu a privatização da antiga Telebrás, mais de 100 milhões de pessoas passaram a ter uma linha de telefone celular. O acesso se democratizou e ocorreu um processo importante de inclusão digital”, explica a antropóloga Sandra Rúbia da Silva, da UFSM (Universidade Federal de Santa Maria).

O aparelho, que antes tinha como única função ampliar e agilizar a comunicação, hoje é, também, um computador de bolso. “O mundo da tecnologia se parece com um parque de diversões para adultos”, declara a psicóloga Rosa Maria Farah, coordenadora do NPPI (Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática) da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). “Por conta dos aplicativos, os smartphones têm funções lúdicas, que carregam um aspecto de novidade e despertam a criança que vive dentro do usuário”, diz.

E quem se deixa envolver por tanta sedução dificilmente é capaz de perceber se a frequência do uso está passando dos limites e, mais ainda, de distinguir se aquela espiadinha no celular, que muitas vezes interrompe outras atividades importantes, acrescenta algo de relevante na vida pessoal. “O aparelho que tinha a função de aproximar as pessoas pode fazer com que o indivíduo diminua suas habilidades sociais”, explica a psicóloga Dora Sampaio Góes, do grupo de dependências tecnológicas do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP (Universidade de São Paulo).

Além de ter dificuldade de viver o aqui e o agora, as pessoas que não desgrudam do smartphone se tornam menos disponíveis para interações. “Elas deixam de conversar com quem está do lado e até mesmo de conhecer pessoas novas. Podem nem notar direito quem é o garçom que as atende em um restaurante, por exemplo”, diz Dora.

Estar sozinho com os próprios pensamentos também se tornou um desafio. “Fala-se muito que a tecnologia interfere na relação com o outro, mas ela também influencia na relação do indivíduo consigo mesmo”, afirma Rosa Maria. “O tempo dedicado para se perder nas próprias ideias, sentimentos, refletir sobre o cotidiano está cada vez menor. E isso interfere no desenvolvimento pessoal, já que não encontramos espaço para avaliar ideias, posturas, valores e as expectativas de vida”, explica.

Ansiedade a mil

Por conta da alta velocidade que a tecnologia imprimiu na vida das pessoas, também não são raros os usuários que se tornam mais ansiosos, à medida que se apegam mais e mais aos seus celulares. “Você envia uma mensagem e espera que o outro responda na mesma hora. Se ele não responde, quer saber o motivo. Ou seja, além de agravar a ansiedade, esses contatos também podem aumentar a insegurança”, diz Dora.

O grande risco é acreditar que a vida externa precisa seguir o nosso ritmo interno, acelerado e instantâneo, assim como acontece com os aplicativos do celular. E, em decorrência disso, desenvolver a intolerância com a espera ou uma cobrança exagerada em relação a si mesmo. “A tentativa de atender a todas as demandas diminui o poder da nossa concentração. Então, não conseguimos mais nos concentrar em uma atividade por muito tempo”, afirma a psicóloga.

Assumindo o controle

Colocar a culpa na tecnologia “é uma bobagem”, diz Rosa Maria. Já que somos nós que temos que aprender a utilizar esses aparelhos, inerentes à vida contemporânea, com equilíbrio. “O problema não está em carregar o celular o tempo todo com você, mas, sim, em querer responder no mesmo momento a todas as demandas que ele lhe traz”, declara a especialista.

O mais importante, segundo Rosa, é dar atenção às prioridades. Quando se está na companhia de amigos, familiares ou parceiros, toda atenção deve ser dada às pessoas. O mesmo vale para momentos íntimos, quando se está no meio de uma refeição, no chuveiro ou tentando dormir.

Quem possui celular corporativo também precisa estabelecer seus próprios limites. “Se eu já trabalhei durante o dia, e estou em casa, tenho o direito de não responder a uma demanda profissional que não considero urgente. O segredo é ser capaz de avaliar o que é realmente importante em cada momento da vida”, diz a coordenadora do NPPI.

Há, ainda, outras boas estratégias que podem ajudar quem já está condicionado a mexer no aparelho o tempo todo. “O primeiro treino é, ao se envolver em uma atividade, como ler, estudar ou assistir a um filme, deixar o celular no silencioso e virado para baixo”, ensina Dora Sampaio Góes. Ela também explica que, ao adotarmos esse hábito regularmente, a ansiedade pode diminuir.

Também ajuda desabilitar todas as notificações de aplicativos, para não atiçar a curiosidade de olhar. “É você quem escolhe como utilizar o celular, e não o contrário”, diz a psicóloga.

‘Detox digital’ começa a ganhar adeptos no mundo

Viciados em tecnologia procuram programas para se desconectar e desintoxicar

 Larissa, de 23 anos, raramente desgruda os olhos do celular. Ela usa o aplicativo Whatsapp para conversar com amigos, ver vídeos, ler e o utilizou até para dar entrevista (foto:  João Laet / Agência O Dia)


Larissa, de 23 anos, raramente desgruda os olhos do celular. Ela usa o aplicativo Whatsapp para conversar com amigos, ver vídeos, ler e o utilizou até para dar entrevista
(foto: João Laet / Agência O Dia)

Beatriz Salomão, em O Dia

Desintoxicar o organismo é função associada, normalmente, a dietas que pretendem eliminar substâncias nocivas ingeridas. Recentemente, porém, o termo ganhou outra aplicação. Trata-se do ‘detox digital’, programa em que o paciente se desconecta do mundo virtual e abandona qualquer tipo de tecnologia: celular, carregador e até relógio.

Hotéis e campings de países como Estados Unidos, Irlanda e Ilhas Cayman já contam com diárias de desintoxicação digital. No Renaissance de Pittsburgh (Pennsylvania), por exemplo, na hora do check in o ‘hóspede detox’ deixa todos os eletrônicos na recepção, incluindo carregadores. No quarto, não há internet, TV, nem relógio, e o telefone só liga para a recepção.

Também nos Estados Unidos, existem os retiros ‘detox digital’: desconectar para reconectar’, organizados por Levi Felix, inventor do movimento. “Ajudamos pessoas a terem uma relação equilibrada com a tecnologia. Pessoas de oito países além dos americanos participam dos retiros”, conta o americano. No Brasil, serviço semelhante será oferecido no Hotel Le Canton, em Teresópolis, no próximo final de semana. As mulheres serão convidadas a desligar celulares e aparelhos eletrônicos, para que possam relaxar e aproveitar atividades como yoga e curso de maquiagem

A psicóloga Sylvia van Enck, do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo (USP), explica que o excesso de informações e estímulos típico da rede geram estresse, ansiedade, cansaço, além de dificuldade de concentração. “Chega um momento em que a pessoa não assimila, nem memoriza o que está lendo. Acostumadas com coisas instantâneas, as pessoas perdem a capacidade de concentração”.

A estudante Larissa Ferreira, 23 anos, está sempre conectada ao Iphone, especialmente ao Whatsapp — ela fez questão inclusive de dar entrevista ao DIA através do aplicativo. A jovem já cogita baixar um outro aplicativo, do Unicef, que força as pessoas a ficarem longe do celular. A cada dez minutos sem tocar no aparelho, uma empresa doa água a crianças pobres.

“Acho que pode me ajudar a fazer minha monografia. Converso com muitos amigos, vejo vídeos, blogs e às vezes passo da hora de dormir”, conta, acrescemtnando que teria dificuldade em participar de um Detox. Para a psicóloga, o ‘detox digital’ pode ser o primeiro passo para estabelecer uma relação mais saudável com a tecnologia. “É bom para perceber que é possível viver desconectado, mas é preciso dar continuidade depois”.

 Danny: seis meses trancado (foto:  Reprodução)


Danny: seis meses trancado
(foto: Reprodução)

Obssessão pelo selfie perfeito

A busca pelo ‘selfie perfeito’ e o vício em tirar autorretratos quase levaram o jovem Danny Bowman, 19 anos, à morte, em março. Obcecado por postar retratos em rede social, ele chegou a passar mais de dez horas tentando capturar a imagem ideal, fazendo mais de 200 ‘selfies’.

Danny perdeu quase 30 quilos, abandonou a escola e não saiu de casa por seis meses para tentar encontrar a foto perfeita. Frustrado com suas tentativas, o britânico tentou o suicídio, mas foi salvo pela mãe. “Estava constantemente em busca do selfie perfeito. Quando percebi que não podia, queria morrer. Perdi meus amigos, minha educação, minha saúde e quase minha vida”, disse ao jornal ‘Daily Mirror’.

Danny iniciou terapia para controlar o vício em tecnologia e para tratar o Transtorno Dismórfico Corporal, um tipo de ansiedade excessiva com a aparência pessoal. Na Espanha, o problema foi com o Whatsapp. Uma gestante de 34 anos foi a primeira mulher diagnosticada com ‘WhatsAppitis’, lesão no dedão e no punho devido ao uso excessivo do aplicativo.

A mulher passou cerca de seis horas digitando no celular. O tratamento incluiu abstinência do aparelho. No teste do site ( http://bit.ly/QMKiIs ) é possível saber se a pessoa é dependente digital.

Suicídio: fique atento a estes sinais

sad-man-stigma-110603-838x558Natasha Romanzoti, no HypeScience

O suicídio é um grande problema no globo todo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a cada ano, um milhão de pessoas tiram a própria vida – ou seja, uma morte a cada 40 segundos, que poderia ter sido evitada.

A média brasileira fica entre 25 e 26 suicídios por dia, número só inferior ao de mortes no trânsito e homicídios. Ainda segundo dados da OMS, ao longo da vida, 17,1% dos brasileiros pensam seriamente em se matar, 4,8% chegam a elaborar um plano para tanto, e 2,8% efetivamente tentam o suicídio.

Já de acordo com dados do Ministério da Saúde brasileiro, de 2006 a 2010, o país teve uma média de 4,8 suicídios a cada 100.000 habitantes, sendo que o estado do Rio Grande do Sul liderou essa estatística, com 10,2 casos a cada 100 mil habitantes, o que é próximo de países com taxas altas de suicídio, como Suécia e Noruega.

O que fazer para abrandar esses números, que já aumentaram 30% nos últimos 25 anos no Brasil, e devem dobrar no mundo todo até 2020?

Especialistas em prevenção de suicídio sugerem que uma pessoa com pensamento suicida geralmente exibe sinais de alerta, que os parentes e amigos próximos podem perceber.

Confira os indícios para os quais se deve ficar atento, alguns mais óbvios, outros menos esclarecedores, de acordo com a Fundação Americana para a Prevenção do Suicídio:

  • Falar ou discutir sobre o desejo de morrer;
  • Pesquisar maneiras de se matar;
  • Fazer referências à desesperança ou ao sentimento de que a vida não tem nenhum propósito;
  • Exibir sentimentos de estar preso ou de dor insuportável;
  • Exibir sentimentos de ser um fardo para os outros;
  • Aumento do uso de álcool ou drogas;
  • Alterações do sono, como sono excessivo ou insônia;
  • Isolamento e retirada social;
  • Manifestação de raiva ou desejo de vingança;
  • Exibir ansiedade, agitação ou agir com imprudência;
  • Ter oscilações extremas de humor.

Para ajudar pessoas com esses sinais, você deve se certificar de que elas não sejam deixadas sozinhas, remover quaisquer objetos perigosos ou drogas que poderiam ser usados em uma tentativa de suicídio e procurar ajuda médica imediata.

Caso seja você quem precise de ajuda, fale anonimamente com o CVV pelo telefone 141 ou qualquer um dos seus canais. [LiveScience, Folha 1 e 2]