Medo de ser feliz

De onde vem a sensação de que a nossa felicidade pode ser destruída a qualquer momento?

autossabotagem1Ivan Martins, na Época

Por uma razão ou outra, a gente vive com medo. A sensação de que as coisas podem repentinamente dar errado faz parte da nossa essência, eu acho. Alguns a têm mais forte; outros, mais fraca. Mas a ansiedade essencial em relação ao futuro está lá, em todos nós – mesmo quando estamos apaixonados e contentes. Ou, sobretudo, quando apaixonados e contentes.

Lembro de uma amiga me dizendo, anos atrás: “Eu tenho um cara que me ama, estou feliz com o meu trabalho, adoro a minha família. A pergunta que eu me faço, todos os dias, é ‘quando vai dar merda’”? No caso dela, que eu saiba, nunca deu. Mas ela sentia que era apenas questão de tempo. Cedo ou tarde aconteceria.

Você pode rir – como eu ria – desses sentimentos extremados da amiga, mas eles não são piada. Já vi pessoas ficarem com tanto medo do futuro que detonam o presente. É uma espécie de pânico em câmera lenta. O sentimento de desastre iminente é tão forte, a sensação de insegurança é tão grande, que a pessoa conclui (mesmo de maneira inconsciente) que é melhor chutar logo o pau da barraca e sair correndo, em qualquer direção – deixando para trás o relacionamento, o emprego, o futuro e tudo o mais que estava dando certo e por isso mesmo parecia estar sob ameaça. É uma piração, claro, mas gente normal faz essas coisas todos os dias.

Existe uma coisa chamada medo de ser feliz.

Não estou falando daquele clichê sobre as pessoas terem medo de se entregar ao sentimento do amor e por isso não darem bola ao que sentimos por ela. Em geral, essa situação esconde um equívoco: a pessoa em questão não sente nada relevante por nós, mas preferimos acreditar que ela tem “medo de amar”. É uma ficção que protege a nossa autoestima e rende uma boa história para contar aos amigos. Mas quase nunca é verdade.

Existem, porém, pessoas tocadas por dores tão intensas, por experiências tão sofridas, que não conseguem evitar a sensação de que tudo de mau vai se repetir, de uma forma ou de outra, mais cedo ou mais tarde. Esse sentimento é ainda mais forte quando tudo vai bem e existe algo importante a ser perdido. Apaixonada e feliz, a pessoa começa a ser perseguida por seus medos. Sonha que vai ser abandonada, imagina que algo de errado vai acontecer com a pessoa que ama, sente, de maneira inexplicável, que aquilo de bom que ela tem está sob ameaça, e que não vai durar.

Esse é o medo causado pela felicidade.

Em alguns, ele está à flor da pele. Em outros, esconde-se sob outros sentimentos e se manifesta de forma subterrânea. Mas, como eu disse no início, acho que ninguém está livre da sensação secreta de desastre. Todos têm traumas. Todos passaram por momentos difíceis na infância, quando não éramos capazes de entender e de nos proteger. Muitos de nós, menos afortunados, sofreram perdas terríveis, precoces, que deixaram uma profunda sensação de desamparo. Essas coisas provocam marcas que se refletem na forma como lidamos com o amor e com a sensação de felicidade. Alguns, de forma leve e otimista. Outros, de maneira pesada e pessimista. É um traço de personalidade, uma consequência da história de cada um. A gente ama como vive, cada um à sua maneira.

Isso não quer dizer que as coisas não mudem e não possam se tornar melhores e mais fáceis.

A gente se acostuma com tudo, até com a sensação de felicidade. No início ela nos apavora e desperta todos os medos e pressentimentos. Depois, a gente vai se habituando. Percebe que o Fulano não vai sumir de uma hora para outra. Que as pessoas no trabalho não nos acham uma fraude. Que a família, os amigos, as relações sociais que construímos são sólidas e não irão desmoronar de uma hora para outra.

Com o tempo, enfim, a gente relaxa e a maldita sensação de precariedade enfraquece. De alguma forma, a gente se acostuma a estar feliz e a se sentir seguro. Amado também, o que é muito, muito importante. Em algum momento, a gente começa a desfrutar da nossa existência e os medos recuam para segundo ou terceiro plano. Então um dia, numa manhã qualquer, diante da cafeteira fumegante, a gente talvez seja capaz de perceber – quem diria – que não está com tanto medo assim de ser feliz. Grande dia esse na história da nossa vida.

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Dez atitudes ajudam você a esquecer dos problemas e relaxar

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Publicado no UOL

Do momento em que você acorda até a hora que volta para a cama é preciso tomar decisões o tempo todo. Salvo as escolhas simples, como qual roupa vestir ou o que fazer para o jantar, muitas decisões exigem certo nível de reflexão, já que as consequências delas terão impacto na sua vida e até na vida das pessoas com as quais você convive. No entanto, segundo os especialistas, quanto mais nos concentramos em um determinado problema, mais complicado é resolvê-lo.

“Quando não paramos de pensar em uma questão, a tendência é perdemos a objetividade e o discernimento mental que são necessários para solucioná-la”, explica a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da Isma-BR (International Stress Management Association no Brasil), associação voltada à pesquisa e ao desenvolvimento da prevenção e do tratamento do estresse.

A afirmação da especialista vai ao encontro dos resultados do estudo conduzido pela University College London, no Reino Unido, divulgado em 2010. A pesquisa apontou que refletir demais sobre uma situação pode ser extremamente prejudicial, levando a lapsos de memória e até à depressão.

“Quem não se desliga dos problemas não vive bem, porque desenvolve sintomas de estresse, como insônia, taquicardia e ansiedade. Sem contar que, quando nos preocupamos, produzimos menos”, diz o médico Marcelo Dratcu, especialista em medicina comportamental pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e autor do livro “Por Que Não Me Disseram Isso Antes!?” (Editora Saraiva).

Assim, mesmo estando imersos em problemas –financeiros, amorosos, profissionais e familiares– vale a pena tomar distância da situação e deixar a cabeça pensar livremente, antes de decidir por qual caminho seguir. E se você acha difícil fazer isso, confira dez dicas para desacelerar a mente e relaxar, mesmo diante de uma adversidade.

1. Mude a sua forma de enxergar as coisas
O ângulo pelo qual você enxerga uma situação é capaz de aumentar ou diminuir um problema. Se olhar só o lado negativo, ficará difícil avaliar se o aborrecimento é realmente grave. “Uma maneira de descobrir se está dando importância demais a um problema é pensar a longo prazo”, diz a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da Isma-BR (International Stress Management Association no Brasil). “Quando algo acontecer, reflita: isso terá impacto na minha vida daqui a duas semanas ou em um prazo ainda maior? Se a resposta for positiva, o problema merece atenção. Caso contrário, não vale a pena colocar tanta energia nele”, diz.

2. Anote o que lhe incomoda
Se a sua cabeça está cheia de problemas e questionamentos, tente transferi-los para o papel. Dessa maneira, fica mais fácil enxergar as prioridades do momento e identificar o que não é essencial resolver naquela hora. Essa é uma forma de dar uma folga para a mente, de acordo com os especialistas. Isso porque, sabendo que o que é importante está anotado, você não precisará se esforçar para se lembrar constantemente dos problemas e das ações que está pensando em tomar para resolvê-los.

3. Aceite os contratempos
Problemas e dificuldades sempre vão existir e você terá de encontrar a melhor maneira de resolvê-los, sem sofrer tanto. E quanto antes você admitir isso, melhor. Penar para digerir um problema que já se estabeleceu só aumenta a ansiedade e o nível de tensão no corpo e, como consequência, diminui o bem-estar, a capacidade de gerenciar crises e a clareza mental.

4. Tenha uma válvula de escape
Direcionar a atenção para algo que vai afastá-lo, pelo menos temporariamente, dos pensamentos negativos ainda é a melhor estratégia para se desligar dos problemas, de acordo com o médico Marcelo Dratcu. “Ter um hobby e praticar esportes são atitudes que ajudam muito”, afirma. A capacidade de tocar outras atividades, mesmo diante de situações complicadas, prova que você controla os próprios pensamentos e não é controlado por eles.

5. Resolva um problema por vez
O nosso ritmo interno não deve acelerar de acordo com as demandas do mundo contemporâneo, que está cada vez mais agitado. Por mais eficiente que uma pessoa seja, inclusive para lidar com várias tarefas, ainda é mais fácil resolver cada problema individualmente. Assim, diante de muitos aborrecimentos, liste aqueles que têm mais urgência de serem resolvidos e só quando concluir um, parta para o outro.

6. Nunca se esqueça de respirar corretamente
É mais fácil acalmar a mente diante do imprevisível quando respiramos corretamente, de maneira profunda e tranquila. A respiração que mais ajuda no relaxamento é a abdominal, que movimenta o diafragma. Para praticá-la, basta inspirar empurrando o abdômen para fora e expirar encolhendo a barriga. “Essa é a melhor técnica de relaxamento, porque pode ser feita em qualquer lugar”, diz Ana Maria.

7. Acredite em algo maior
Você pode ter fé em uma religião, em algo espiritual ou até mesmo material, como a ciência. “Crenças positivas, no geral, ajudam a se desligar dos problemas”, diz o médico Marcelo Dratcu. Isso porque acreditar em algo maior que a própria existência traz conforto e ajuda a dar significado às crises. Como consequência, fica mais fácil controlar a ansiedade e a tristeza.

8. Durma bem
Ter uma rotina saudável de sono, ou seja, dormir as horas suficientes para o seu corpo se sentir renovado, ajuda a disciplinar a mente. “O sono é reparador e faz com que a gente acorde bem disposto. Então, fica mais fácil encontrar uma nova perspectiva para uma situação que, antes, parecia sem saída”, diz Marcelo Dratcu. A psicóloga Ana Maria Rossi concorda. “Quando dormimos bem, a tendência é lidarmos com as situações de um modo mais produtivo e decidirmos mais rápido e com mais objetividade”, afirma.

9. Distraia-se com música
Emoções positivas são despertadas sempre que ouvimos músicas das quais gostamos. Ao escutar uma boa trilha, as áreas cerebrais envolvidas com as sensações de prazer e recompensa são ativadas, o que não só nos distrai temporariamente dos problemas, como diminui o nível do hormônio de estresse no organismo, reduzindo a ansiedade. Na dúvida do que ouvir, invista em músicas instrumentais, já que a ausência de letra deixa a mente mais leve.

10. Concentre-se no presente
Viver com a cabeça no passado causa tristeza, assim como pensar demais no futuro traz ansiedade. A saída, então, é pensar no hoje, mas sem se cobrar demais. É preciso ter em mente que, embora muitas coisas não saiam conforme o planejado, nós sempre buscamos resolver os problemas de acordo com os recursos disponíveis no momento e o conhecimento adquirido até então. Por isso, não vale se crucificar demais diante de um dilema. E quando necessário, dê-se ao direito de pedir ajuda.

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Ter fé na ciência pode ser tão bom quanto acreditar em Deus

Já existe um movimento que prega a união do conhecimento com a crença (foto: Getty Images)
Já existe um movimento que prega a união do conhecimento com a crença (foto: Getty Images)

Marina Oliveira e Rita Trevisan, no UOL Mulher

No meio científico, o preconceito com a religião ficou no passado. Atualmente, há milhares de estudos que avaliam a influência da religiosidade no bem-estar físico e mental. E a conclusão é sempre a mesma: a de que os religiosos, ao darem significado ao que é caótico e aparentemente incontrolável, não só lidam melhor com os momentos de crise, como sofrem menos de ansiedade, depressão e estresse, assim como são menos vulneráveis a doenças diversas, a exemplo das cardíacas.

Há também quem defenda que não é preciso seguir uma religião para colher esses benefícios, mas apenas vivenciar a espiritualidade. E é desse movimento, que prega a união do conhecimento com a crença, que nasceu uma nova corrente de estudos, a que investiga a fé na ciência.

Deriva dessa vertente o estudo divulgado em 2013, conduzido pelo Departamento de Psicologia Experimental da Universidade de Oxford, nos Estados Unidos, que apontou que os mesmos benefícios encontrados pelos religiosos nos cultos ou na vivência da espiritualidade também podem ser usufruídos por aqueles que acreditam na ciência, no poder explicativo e revelador da soma dos conhecimentos humanos.

Endeusamento da ciência

De acordo com o pesquisador Miguel Farias, líder desse grupo de estudos, a crença na ciência pode ajudar as pessoas não-religiosas a lidarem com a adversidade, oferecendo conforto e tranquilidade.

Para o especialista Ricardo Monezi, do Centro de Estudos em Medicina Comportamental da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), o estudo condiz com a realidade. “Hoje em dia, temos uma pluralidade de religiões. Você tem até a liberdade de não ter uma, se não quiser”, diz. Isso possibilita que um agnóstico enxergue na medicina uma base onde pode depositar sua confiança. “Ao acreditar na ciência, o cérebro faz uma construção, entende o conhecimento como algo maior, que pode ajudar”, afirma.

Segundo Monezi, os avanços tecnológicos propiciaram, inclusive, um “endeusamento” da ciência, que passou a ser vista como algo que pode salvar o ser. “Quando alguém pergunta a um religioso o que dá segurança a ele, a resposta provável será ‘Deus’. Já para o ateu, o importante é saber que a medicina está tão avançada que poderá socorrê-lo em um momento complicado”, explica. “Os benefícios nas dimensões biológica, psicológica e social do indivíduo estão presentes em qualquer dessas situações, porque o que faz a diferença é acreditar”, diz.

A escolha de cada um

Ser religioso ou espiritualizado tem a ver com as experiências pessoais e individuais. Quem cresceu em uma família na qual a religião faz parte da tradição, por exemplo, poderá se influenciar por essa experiência. Da mesma forma, há pessoas que, por terem passado por vivências traumáticas, adotaram as práticas espirituais.

“Já quem não teve experiências dessa ordem, tende a crer mais no âmbito material das ocorrências, em algo que converse com métodos de investigação”, explica o psicólogo Julio Fernando Prieto Peres, que realizou o seu pós-doutorado no Centro de Espiritualidade e Mente da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos.

O estudo de Oxford também abre uma nova perspectiva para a discussão sobre a separação entre a ciência e a religião, até então vistas como duas áreas que sempre estiveram em conflito. “Ao longo da própria história, há momentos de integração entre as duas. Os criadores da ciência moderna, como Isaac Newton e Galileu, tinham uma forte formação espiritual e religiosa”, declara o psiquiatra Alexander Moreira-Almeida, coordenador do Núcleo de Pesquisas em Espiritualidade e Saúde da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora).

O importante é ter fé

Nesse sentido, acreditar em uma determinada religião não implica em deixar de crer na ciência. E vice-versa. “Não é mais verdade que se você crê em Deus, não pode acreditar na ciência. Essa união pode ser saudável e complementar”, afirma Peres. Para o psicólogo, essa é, inclusive, uma condição para chegar a um ponto de equilíbrio. “Talvez a única regra para colher benefícios seja tornar-se flexível para transitar por vários campos. Quem se apega demais a um lado só, vai ganhar menos do que aquele que une os dois conhecimentos”, diz.

Religiosa, espiritual ou científica, o importante mesmo é a crença colaborar para o aprimoramento pessoal. “Ajudar no amadurecimento, na busca da plenitude e na conquista da serenidade”, diz Moreira-Almeida. E para quem ainda não sabe por onde iniciar a busca por algo que traga conforto emocional e psicológico, a dica é procurar em si mesmo. “O primeiro passo é trabalhar a crença em você, nas suas potencialidades. Entender que os seus atos podem transformar o mundo”, diz Monezi.

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14 sinais de que o seu perfeccionismo está exagerado demais

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Carolyn Gregoire, no Brasil Post

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e você já chorou alguma vez sobre tirar uma nota 8,5 ou ficar em segundo lugar em uma competição, é bem provável que você seja um perfeccionista.

A tendência vigente em nossa cultura é recompensar os perfeccionistas por sua insistência em estabelecer padrões altos e pela busca incessante de alcançar esses padrões. E de fato, os perfeccionistas muitas vezes têm alto desempenho – mas o preço desse sucesso pode ser a infelicidade e insatisfação crônicas.

“Ao tentar alcançar as estrelas, os perfeccionistas podem acabar apenas correndo atrás do vento”, alertou o psicólogo David Burns em um ensaio na revista Psychology Today em 1980. “[Os perfeccionistas] são especialmente propensos a terem relacionamentos conturbados e transtornos de humor”.

O perfeccionismo nem precisa chegar no nível Cisne Negro para detonar a sua vida e saúde. Mesmo aqueles perfeccionistas casuais (que talvez nem se julguem perfeccionistas) podem experimentar os efeitos colaterais negativos da demanda pessoal por excelência.

1. Você sempre tentou agradar os outros.

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Muitas vezes o perfeccionismo começa na infância. Desde cedo somos desafiados a tentar alcançar o céu – os pais e professores encorajam seus filhos a terem um alto desempenho escolar e recompensam o trabalho bem feito com aquelas estrelinhas douradas (ou em alguns casos, com uma punição se não alcançam o resultado esperado). Os perfeccionistas aprendem muito cedo a viver de acordo com as palavras “Eu realizo, logo eu sou” – e nada lhes dá maior satisfação do que impressionar os outros (ou a si mesmos) com o seu desempenho.

Infelizmente, viver sempre correndo atrás da nota 10 – seja na escola, no trabalho ou na vida – pode resultar em uma vida de constante frustração e auto-questionamento.

“A busca pela perfeição pode ser dolorosa porque muitas vezes ela é motivada tanto pelo desejo de ter um bom desempenho e também o medo das consequências de ter um desempenho insatisfatório”, diz a psicóloga Monica Ramirez Basco. “Essa é a faca de dois gumes do perfeccionismo”.

2. Você sabe que a busca pelo perfeccionismo está te prejudicando, mas você acha que isso é apenas o preço que precisa pagar para ter sucesso.

O protótipo do perfeccionista é alguém que fará de tudo (e muitas vezes fará coisas nada saudáveis) para evitar ser comum ou medíocre. É a pessoa que tem uma mentalidade “sem dor, sem conquistas” na busca pela grandeza. Apesar de nem sempre os perfeccionistas terem alto desempenho, o perfeccionismo está frequentemente ligado ao excesso de trabalho, aquelas pessoas denominadas de workaholics.

“O perfeccionista reconhece que os seus padrões altíssimos causam estresse e são pouco razoáveis, mas ele acredtia que eles os motivam a atingir níveis de excelência e produtividade que de outra forma ele nunca atingiria”, escreve Burns.

3. Você é um grande procrastinador.

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A grande ironia do perfeccionismo é que apesar da característica de grande motivação para alcançar o sucesso, ele pode ser justamente o que impede a pessoa de ter sucesso. O perfeccionismo está fortemente ligado ao medo de errar (o que geralmente não é um bom motivador) e a comportamentos de auto-sabotagem, como a procrastinação excessiva.

Pesquisas mostram que o perfeccionismo voltado para o outro (uma forma distorcida do perfeccionismo motivada pelo desejo da aprovação social), está ligado à tendência de postergar o cumprimento de tarefas. Para esse tipo de perfeccionista, a procrastinação parece ter origem principalmente no temor da desaprovação vinda de outras pessoas, segundo pesquisadores da York University. Por outro lado, os ‘perfeccionistas adaptivos’ estão menos propensos à procrastinação.

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Sete coisas que você não deve dizer a alguém com ansiedade

Publicado no Brasil Post

Se você já sofreu de ansiedade grave, provavelmente conhece muito bem o modo como ela pode controlar sua vida.

Os transtornos de ansiedade e pânico podem causar sensações intermináveis de medo e incerteza — e esse sofrimento muitas vezes provoca comentários que são mais prejudiciais que úteis. Segundo o psicólogo clínico Scott Bea, professor-assistente de medicina na Clínica Cleveland, embora geralmente venha de pessoas amadas, a incompreensão dos outros pode tornar incrivelmente desafiador superar uma crise de pânico.

“Por isso, muitas coisas que você poderia dizer acabam tendo um efeito paradoxal e agravam a ansiedade”, diz Bea a The Huffington Post. “A ansiedade pode ser como areia movediça — quanto mais você tenta resolver a situação imediatamente, mais você afunda. Dizer às pessoas coisas como ‘fique calmo’ pode realmente aumentar sua sensação de pânico.”

Apesar de tudo, existem maneiras de ainda dar apoio sem causar mais perturbação. Aqui estão sete comentários que você deve evitar fazer para alguém que sofre de transtorno de ansiedade — e como você pode realmente ajudar essa pessoa.

1. “Não dê importância a essa bobagem.”

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A verdade é que o que você considera bobagem pode não ser tão insignificante no mundo de outra pessoa. Embora você tente projetar uma luz positiva sobre uma situação tensa, pode querer reduzir algo que é muito maior para outra pessoa.

“Você precisa entrar no sistema de crença da pessoa”, aconselha Bea. “Para [alguém com ansiedade], tudo é importante.” Para ajudar, tente aproximar-se dela com uma perspectiva de incentivo, em vez de implicar que ela “surtou” por causa de algo sem importância. Lembrar à pessoa que ela já superou esse pânico antes pode ajudar a confirmar que sua dor é real e ajudá-la a empurrar para longe os sentimentos arrasadores, diz Bea.

2. “Acalme-se.”

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O problema debilitante dos transtornos de ansiedade e pânico é que você simplesmente não consegue se acalmar. Encontrar a capacidade de relaxar — especialmente por ordem de alguém — não é fácil para a maioria das pessoas, e certamente pode ser mais difícil para alguém que sofre de ansiedade.

Em um blog em “Psychology Today”, o psicólogo Sean Smith escreveu uma carta aberta para uma pessoa amada do ponto de vista de alguém com ansiedade, afirmando que, mesmo que haja boas intenções, dizer para a pessoa se acalmar provavelmente terá o efeito contrário:

“Vamos reconhecer o óbvio: se eu pudesse conter minha ansiedade, já o teria feito. Isso pode ser difícil de entender, já que provavelmente parece que eu escolhi [entrar em pânico, me coçar, acumular coisas, andar de um lado para outro, me esconder, ruminar, verificar, limpar, etc.]. Não. No meu mundo, fazer essas coisas é apenas ligeiramente menos doloroso do que não as fazer. É difícil explicar, mas a ansiedade coloca uma pessoa nessa posição.”

Segundo Keith Humphreys, professor de psiquiatria na Universidade Stanford, suas palavras não precisam ser seu método mais poderoso — oferecer para fazer algo com a pessoa talvez seja a melhor maneira de ajudar a aliviar seus sintomas. Humphreys diz que atividades como meditação, dar um passeio ou fazer exercícios são maneiras positivas de ajudar.

3. “Apenas faça isso.”
Quando alguém com ansiedade enfrenta seus medos, um pouco de “amor duro” pode não ter o efeito que você espera. Dependendo do tipo de fobia ou transtorno que a pessoa enfrenta, o pânico pode atacar a qualquer momento– ao embarcar em um avião, falar a um grupo de pessoas –, ou mesmo surgir do nada. “Obviamente, se elas pudessem superar isto o fariam, porque seria mais agradável”, diz Humphreys. “Ninguém escolhe ter ansiedade. Usar [estas frases] as faz sentir-se na defensiva e sem apoio.”

Em vez de dizer a alguém para “aguentar”, praticar empatia é o segredo. Humphreys aconselha a trocar a linguagem incentivadora de time esportivo por frases como “É horrível sentir isso” ou “Que pena que você se sinta assim”.

“O paradoxo é que [uma frase empática] ajuda a acalmá-las porque elas não sentem que têm de lutar por sua ansiedade”, diz Humphreys. “Demonstra certa compreensão.”

4. “Tudo vai dar certo.”
Embora seja de modo geral um apoio, Bea diz que as pessoas com ansiedade não vão reagir de fato a palavras reconfortantes da maneira que você gostaria. “Infelizmente, dizer a alguém [que está enfrentando ansiedade] que tudo vai dar certo não ajudará muito, porque a pessoa não vai acreditar”, ele explica. “A tranquilização às vezes pode ser um método ruim. Ela as faz sentir-se melhor durante 20 segundos e depois a dúvida pode retornar.”

Bea sugere que se continue encorajando, sem usar declarações vagas que podem não ter valor naquela situação. Às vezes, diz ele, até permitir que a pessoa abrace sua preocupação — em vez de tentar afastá-la — pode ser a única maneira de ajudar. “Ela sempre pode aceitar a condição”, disse Bea. “Encorajá-la dizendo que é bom sentir o que ela está sentindo — também pode ser um bom remédio.”

5. “Também estou estressado.”

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Semelhante a “Acalme-se” e “Não dê importância a essa bobagem”. Você pode estar acidentalmente banalizando a luta de alguém ao criar uma comparação. No entanto, se você estiver estressado ou sofrendo de um transtorno leve de ansiedade ou pânico, Humphreys adverte que a camaradagem depois de certo ponto pode ser perigosa. “É importante não ficar obcecados um pelo outro”, aconselha. “Se você tem duas pessoas ansiosas, elas podem se alimentar mutuamente. Se as pessoas têm dificuldade para controlar sua própria ansiedade, tente não se envolver nessa atividade mesmo que você pense que pode ajudar.”

Pesquisas demonstraram que o estresse é uma emoção contagiosa, e um estudo recente da Universidade da Califórnia em São Francisco descobriu que até os bebês podem captar esses sentimentos negativos de suas mães. Para promover pensamentos mais saudáveis, Humphreys aconselha que se tente reorientar a narrativa, em vez de lamentar-se juntos.

6. “Tome uma bebida — vai distrair sua mente.” 

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Esse coquetel pode diminuir a tensão, mas quando lidar com transtornos de ansiedade existe um problema maior para se preocupar, diz Humphreys. Médicos e tratamentos prescritos são mais adequados quando se trata de lidar com os problemas que causam o pânico. “A maioria das pessoas supõe que se alguém tomar alguns drinques sua ansiedade desaparecerá”, disse ele. “Em curto prazo, sim, talvez desapareça, mas em longo prazo pode ser um caminho para a dependência. É perigoso em longo prazo porque essas substâncias podem reforçar a ansiedade.”

7. “Eu fiz alguma coisa errada?”
Pode ser difícil quando uma pessoa amada está constantemente sofrendo e às vezes pode até parecer que seus atos de alguma forma estão provocando isso. Humphreys diz que é importante lembrar que os transtornos de pânico e ansiedade derivam de algo maior do que apenas uma instância particular. “Aceite que você não pode controlar as emoções da outra pessoa”, ele explica. “Se você tentar isso, se sentirá frustrado, a pessoa que você ama e que está sofrendo pode se sentir rejeitada e vocês dois se ressentirão. É importante não levar a ansiedade do outro para o plano pessoal.”

Humphreys diz que também é crucial deixar a pessoa amada saber que há uma maneira de superar qualquer transtorno de ansiedade ou pânico — e que você está lá para ajudar. “Há maneiras de ser mais feliz e mais funcional”, diz ele. “Existe com certeza uma razão para ter esperança.”

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