Jesus: preso por porte ilegal de arma?

Judas trai Jesus com um beijo em obra do mestre da pintura medieval, o italiano Giotto (Reprodução)
Judas trai Jesus com um beijo em obra do mestre da pintura medieval, o italiano Giotto (Reprodução)

Reinaldo José Lopes, no blog Darwin e Deus

Eu sei que a ideia é chocante, mas foi levantada recentemente num artigo acadêmico sério. Para ser mais preciso, trata-se de um texto na edição de setembro do periódico “Journal for the Study of the New Testament”, assinada por Dale Martin, professor de estudos religiosos da prestigiosa Universidade Yale, nos Estados Unidos. O sugestivo título do artigo é “Jesus em Jerusalém: armado, mas não perigoso”. E aí, é besteira da grossa escrita só para chamar a atenção ou, horror dos horrores, o cara está certo?

Nem uma coisa nem outra, eu diria, mas vamos por partes, porque a discussão é complicadinha.

Pra começar, é bom lembrar que Martin é um estudioso bastante respeitado das origens do cristianismo. Além de seus artigos acadêmicos, o curso introdutório dele sobre o Novo Testamento está disponível para download grátis no site de Yale e no iTunes. Já ouvi algumas vezes, vale a pena para quem sabe inglês. Ah, e não estamos falando de um ateu raivoso. Martin é membro da Igreja Episcopal (como são conhecidos os anglicanos dos EUA).

Passando para a argumentação do pesquisador, a primeira coisa a ter em mente são os relatos sobre a prisão de Jesus nos Evangelhos. Os textos bíblicos afirmam que, quando Judas Iscariotes leva os homens do sumo sacerdote do Templo de Jerusalém para prender o Nazareno, algum dos companheiros de Jesus (que não é identificado com precisão nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas, mas que seria ninguém menos que Pedro, segundo o Evangelho de João) saca sua espada e corta a orelha de um servo do sumo sacerdote (chamado Malco, ainda de acordo com João).

É aqui que começa a complicação. Lembrem-se: apesar de levarem nomes de apóstolos, como “Mateus” e “João”, os textos dos Evangelhos são anônimos (os nomes dos autores foram adicionados mais tarde). Ou seja, nenhum deles foi escrito por testemunhas oculares dos fatos, embora possam incorporar tradições que, obviamente, foram legadas por essas testemunhas. Na verdade, o consenso entre os historiadores atuais é que a maior parte das narrativas sobre a morte de Jesus, incluindo essa parte da prisão, tem como fonte original o Evangelho de Marcos. Os demais Evangelhos ampliaram e modificaram Marcos de acordo com suas próprias tendências teológicas e literárias.

Em detalhe da imagem acima, apóstolo Pedro decepa orelha de servo do sumo sacerdote (Reprodução)
Em detalhe da imagem acima, apóstolo Pedro decepa orelha de servo do sumo sacerdote (Reprodução)

MODIFICAÇÃO PROGRESSIVA

Se isso for verdade, o episódio da espada foi sendo progressivamente modificado pelos evangelistas pós-Marcos, talvez porque pegasse mal para os seguidores de Jesus ficarem associados a esse ato violento. Exemplo: em Mateus, logo depois da espadada, Jesus manda seu discípulo guardar a arma com a célebre frase “Todos os que pegam a espada pela espada perecerão”. (Em João ocorre basicamente a mesma coisa, embora a fala de Cristo não seja tão eloquente.) E Lucas acrescenta o detalhe de que, imediatamente depois de a orelha ser decepada, Jesus cura milagrosamente o servo do sumo sacerdote. Falando em Lucas, ele também esclarece, pouco antes dessa cena, que os discípulos de Jesus estavam carregando “apenas” duas espadas.

Conclusão número 1 de Martin: se tivéssemos apenas o texto de Marcos, não teríamos nem as reprimendas de Jesus ao discípulo espadachim nem a informação sobre o armamento limitado dos seguidores do Nazareno. A maioria deles (ou mesmo todos!) poderia estar armada.

O segundo passo do pesquisador é se perguntar como a presença de um grupo de galileus armados com espadas seria recebida numa cidade com Jerusalém, ainda mais na época da Páscoa, quando a Cidade Santa ficava tensa e cheia de peregrinos. Ele, então, repassa uma série de textos antigos sobre as leis e costumes relativos ao porte de armas dentro de cidades do mundo greco-romano. O resumo da ópera é que, na capital imperial, ou seja, a própria Roma, havia uma lei explícita proibindo carregar espadas ou outras armas usadas para combate dentro dos limites da cidade. E, em outras cidades do Mediterrâneo, era no mínimo algo considerado altamente suspeito carregar armas em território urbano. Em várias rebeliões populares contra abusos de Roma dentro de Jerusalém, os judeus normalmente jogavam pedras nos soldados romanos, em vez de usar armas.

Conclusão número 2 do artigo: se os romanos descobrissem que os seguidores de Jesus estavam carregando armas no entorno de Jerusalém, isso já seria motivo para condená-lo à morte. Lembre-se: estamos falando de um não cidadão que representaria, do ponto de vista de Roma, uma ameaça à paz. O pessoal de Roma era partidário da célebre frase “direitos humanos para humanos direitos”, ou até menos que isso…

OK, mas Jesus não era doido nem burro. Ele muito provavelmente sabia que 12 apóstolos com espadinhas made in Galileia não seriam suficientes para derrotar o poderio de Roma. No entanto, este é o argumento central de Martin, Jesus era um profeta apocalíptico. Ou seja, ele esperava a intervenção definitiva de Deus na história para libertar seu povo e instaurar um reino de paz e justiça.

Trata-se de uma crença comum entre os judeus do século 1º d.C. Os fariseus, parece, tinham crenças apocalípticas (o mais famoso deles acabou virando cristão: é o apóstolo Paulo). E a seita que escreveu os Manuscritos do Mar Morto — talvez sejam os chamados essênios — também acreditava nisso. E mais: achava que haveria uma guerra definitiva do bem contra o mal, ou dos “Filhos da Luz” contra os “Filhos das Trevas”, como eles diziam. Nesse combate, Deus mandaria um exército de anjos à terra, e os membros da seita, os “Filhos da Luz”, lutariam lado a lado com as hostes angélicas contra os romanos e os judeus aliados a eles.

Conclusão número 3 de Martin: Jesus pode ter tido essa visão do fim dos tempos também. Carregar espadas seria apenas um jeito de estar preparado quando os exércitos celestes entrassem em ação — nesse caso, Jesus e seus discípulos estariam prontos para lutar do lado “do bem”.

A morte de Jesus, e a crença na ressurreição dele, teria mudado tudo isso, levando os discípulos a redefinir sua visão do fim dos tempos. Mas a crença original deles teria ficado preservada, em parte, como “fósseis” nas narrativas dos Evangelhos e dos Atos dos Apóstolos.

PROBLEMAS DE MONTÃO

OK, é uma argumentação interessante. E está claro que a pregação de Jesus tinha uma dimensão política que soava ameaçadora tanto para a elite judaica quanto para Roma. Se você prega o Reino de Deus, é porque implicitamente, ao menos, está condenando os reinos da Terra. Mas a maioria dos estudiosos não compra o argumento de Martin, pelos seguintes motivos:

1)A ideia de que a maioria dos discípulos estava armada é plausível, mas simplesmente especulativa; não dá para saber, no fundo, se eles eram mesmo um bando armado até os dentes;

2)A questão da proibição do porte de armas dentro de Jerusalém é controversa: não temos evidências diretas dessa proibição, e pode ser que o costume das cidades romanas e gregas simplesmente não fosse seguido numa metrópole judaica;

3)Igualmente especulativa é a ideia de que Jesus fosse adepto da teoria “temos de ajudar os anjos na batalha apocalíptica final”.

Esse, creio, é o ponto mais importante. Os Manuscritos do Mar Morto defendem essa visão, mas outra corrente muito importante do pensamento apocalíptico judaico da época, representada pelo livro de Daniel, por exemplo, dá a entender que o “serviço de limpeza” do mal será feito totalmente por Deus no fim dos tempos. Ou seja, os judeus fiéis não precisariam se unir como guerreiros às forças celestiais. Bastaria que eles se mantivessem fiéis a Deus.

Considerando a influência importantíssima do livro de Daniel sobre os primeiros cristãos, desconfio que Jesus se inclinasse por essa segunda opção.

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Sarney: Lula já não tem ‘aura de invencibilidade’

foto: Antonio Cruz
foto: Antonio Cruz

Publicado por Josias de Souza

Dono de um olfato que lhe rendeu 58 anos de exercício de mandatos eletivos, José Sarney fareja um 2014 áspero para seus aliados do PT. Começa a enxergar o mundo de ponta-cabeça. Acha que a entrada de Marina Silva na disputa sucessória provocou “um tsunami político”. Avalia que “em torno dela se criou uma frente robusta de combate ao PT e ao governo Dilma, abrindo uma possibilidade antes considerada impossível: derrotá-los.”

“Para fugir da ameaça de derrota, pensaram alguns líderes do PT até mesmo em fazer Lula candidato”, constata o morubixaba do PMDB. O calendário já não permite a troca de candidato. Talvez nem adiantasse, insinua Sarney: Lula “parece também ter sido atingido pelo maremoto e ter perdido a aura da invencibilidade, embora mantenha seu carisma e ainda seja a maior liderança política do país.”

As avaliações de Sarney constam de um artigo pendurado nesta quarta-feira (17) no seu site. Publicado originalmente no diário espanhol El País, há uma semana, o texto passara praticamente despercebido. Chama-se ‘O Brasil em um labirinto’. Ecoa em público um pessimismo que os aliados de Dilma só ousam sussurrar em privado.

Na definição de Sarney, os apoiadores que potencializam as chances eleitorais de Marina “são os mais ecléticos”. Na área política, ele inclui pedaços do próprio conglomerado governista. Menciona “alas descontentes do PT e o incalculável número de grupos dos partidos aliados queixosos do tratamento recebido da presidente Dilma e da direção do PT.”

“A sensação dos aliados”, anotou Sarney, é a de que Dilma e o PT “fizeram de tudo para massacrá-los nos Estados, criando confrontações e arestas, e que agora há oportunidade para reagir.” Com rara sinceridade, o coronel do PMDB incluiu seu próprio partido na banda dos revoltados.

“Muito dividido”, qualificou Sarney, o PMDB “só não vota contra Dilma por causa do vínculo de sua participação na chapa” encabeçada pela candidata do PT. “De simples adereço”, escreveu o senador, “Michel Temer passou a ser decisivo para a vitória.” Fora da política, juntaram-se ao redor de Marina, pelas contas de Sarney, quatro forças:

1. “Os indignados que há pouco mais de um ano provocaram um barulho imenso no país”. Alusão aos protestos que lotaram o asfalto em junho de 2013.

2. “Seus até recentemente frustrados seguidores” da Rede Sustentabilidade.

3. “As fortes correntes e igrejas evangélicas, que a têm como representante”.

4. “As classes conservadoras, descontentes com as políticas econômica, externa, energética, agrícola, portuária e fundiária.”

Marina tem declarado que, se eleita, governará “com os melhores de cada partido”. Diz apreciar o PMDB de Pedro Simon e de Jarbas Vasconcelos. E costuma mencionar José Sarney e Renan Calheiros como protótipos da “velha política”, que gostaria de enviar à oposição.

Aboletado no poder desde a chegada das caravelas de Cabral, Sarney não parece cultivar a pretensão de deslizar o seu grupo de apaniguados políticos para dentro de um hipotético governo Marina. Desde logo, ele retribui a antipatia dela: “Marina Silva é uma figura carismática, mística, dogmática, preconceituosa e intransigente.”

Sarney dá a entender que, na Presidência, a antagonista de Dilma seria um salto no escuro. “Marina Silva é uma incógnita. A figura de hoje nada tem a ver com sua radical história de guerreira dos seringais. Senadora por dezesseis anos — em parte dos quais ocupou o Ministério do Meio Ambiente de Lula —, deixou uma marca de radicalismo, como fundamentalista, de capacidade limitada, preferindo sempre a confrontação ao diálogo, e buscando não o entendimento, mas a conversão.”

Na opinião de Sarney, o histórico religioso de Marina interfere negativamente na atuação política dela. “Sua formação é das Comunidades Eclesiais de Base, mas agora é evangélica ortodoxa, considerando que o mundo se reparte entre os destinados à salvação e os condenados à perdição.”

Na noite de terça-feira (16), num comício de Lobão Filho (PMDB), seu candidato ao governo do Maranhão, Sarney disse mais ou menos a mesma coisa, com outras palavras: “A dona Marina, com essa cara de santinha, mas [não tem] ninguém mais radical, mais raivosa, mais com vontade de ódio do que ela. Quando ela fala em diálogo, o que ela chama de diálogo é converter você.” (divirta-se assistindo ao vídeo lá no rodapé)

Sarney parece enxergar em Marina uma dessas evidências de que a palavra “possível” está contida no vocábulo “impossível”. O coronel maranhense anotou em seu artigo: “Em política há uma lei inexorável: o impossível sempre acontece. No Brasil, várias vezes a tragédia teve consequências drásticas, provocando grandes mudanças.”

O cacique foi aos exemplos: “o suicídio de Getúlio Vargas, que, já praticamente deposto, com a bala no peito atinge os adversários; o derrame cerebral e a morte de Costa e Silva, que levam a um golpe dentro do golpe, desaguando numa Junta Militar e numa nova Constituição outorgada; a morte do Presidente Rodrigues Alves, eleito pela segunda vez, atingido pela gripe espanhola; Tancredo Neves, eleito para fazer a redemocratização, adoece no dia da posse e em seguida morre.”

Para Sarney, Marina Silva encarna um desses momentos que prenunciam grandes mudanças. “Sessenta dias antes da eleição, num desastre aéreo, desaparece o candidato a presidente Eduardo Campos. A comoção toma conta do país, mas não é ela a consequência maior. É a ressurreição de Marina Silva, que na eleição anterior obteve 20 milhões de votos.”

Sarney avalia que “a energia inicial” da onda Marina esgotou-se na produção de dois efeitos. Num, a eleição foi empurrada para o segundo turno, provocando “uma disputa acirrada, em que tudo pode acontecer”. Noutro, o PSDB, “maior partido de oposição”, que tem em Aécio Neves um “excelente e talentoso candidato”, terminou “imprensado pela guerra entre as duas candidatas originárias da esquerda.”

Os elogios a Dilma, por escassos, foram confinados num mísero parágrafo do artigo de Sarney. Nele, lê-se que a presidente, “com seu forte caráter de chefia, já conquistou seu espaço como administradora e não é mulher de jogar a toalha ou aceitar humilhação.”

A despeito do ânimo de Dilma, Sarney revela-se um personagem inusualmente inseguro: “A campanha atingiu um alto grau de violência, com ataques rasteiros”, escreveu, sem dar pseudônimo aos bois violentos. “O quadro é de pesquisas nervosas, esquizofrênicas, que indicam que tudo pode acontecer. As sondagens —e são muitas— sempre mostram uma vantagem de Dilma no primeiro turno e a vitória de Marina no segundo turno, que exige maioria absoluta.”

Traduzindo o sentimento que lhe invade a alma, Sarney sentenciou: “A palavra certa para a atual situação brasileira é perplexidade.” Ao trocar seu raciocínio em miúdos, ele esboçou um cenário que é oposto ao que se verificou em 2010, quando Dilma foi alçada da condição de poste para a poltrona de presidente.

“O Brasil perdeu o otimismo, há um alto aquecimento do censo crítico, desapareceu a sacralidade das políticas sociais.” Como se fosse pouco, Sarney insinuou que o patrono de Dilma já não parece disposto a defendê-la a qualquer custo. “O presidente Lula dá sinais de não desejar engajar-se num pacto de morte e se afasta de um duelo fatal. O quadro é de um labirinto. Mistério e imprevisão.”

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Cartilha eleitoral

Documento da CNBB sobre as eleições examina a conjuntura política do país à luz da doutrina social da Igreja

consequencias

Frei Betto, em O Globo

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lançou este mês o documento “Seu voto tem consequências: um novo mundo, uma nova sociedade”, no intuito de orientar os católicos nas próximas eleições.

Trata-se de um documento apartidário, porém à luz da doutrina social da Igreja e dos documentos papais e episcopais. “As eleições deste ano de 2014 são importantes, não só porque presidente, deputados, senadores e governadores têm uma incidência muito grande na vida da população, mas porque está em jogo também o projeto político, social e econômico para o Brasil”, afirma o texto.

Será que a Igreja Católica, ao emitir o documento, estaria “se metendo em política”, como alardeiam os ingênuos? Primeiro, nós, cristãos, somos todos discípulos de um prisioneiro político. Jesus não morreu doente na cama. Foi preso, torturado e condenado à pena de morte dos romanos (a cruz) por dois poderes políticos!

Segundo, em política ninguém é neutro, seja por omissão, seja por participação. Terceiro, historicamente a Igreja sempre tendeu a fazer a política dos nobres, dos opressores, dos escravocratas e dos poderosos.

A CNBB elenca as conquistas significativas dos governos do PT: “Os dados mostram que, nos últimos dez anos, cerca de 28 milhões de brasileiros deixaram a extrema miséria e a pobreza e passaram a ter uma renda melhor. Este foi um salto significativo na nossa realidade social. Um dos fatores importantes para este resultado foi o aumento real do salário-mínimo — acima da inflação. Outra contribuição veio do programa de transferência de renda para famílias extremamente pobres, o Bolsa-Família. A taxa de desemprego vem caindo regularmente desde 2003 e ficou em 5,4% em 2013. O Brasil foi um dos países onde se registrou maior redução da pobreza nesse período.”

Quanto aos aspectos negativos, diz o documento: “Como apontaram as manifestações, os recursos para a saúde e para a educação — as principais políticas sociais de um país — são bastante limitados e vêm aumentando muito lentamente.”

Quanto aos gastos com a dívida pública: “Se quisermos saber para quem um governo trabalha, temos de examinar para onde estão indo os recursos. Atualmente, eles são destinados, em primeiro lugar, para o pagamento da dívida pública e de seus juros. Em 2013, quase metade do orçamento público (40%) foi destinado para os juros, amortização e rolagem da dívida, enquanto menos de 5% foi para a saúde e menos de 4% para a educação. Este ‘sistema da dívida’ é o grande devorador dos recursos públicos. É o maior gasto do governo, e faz com que faltem recursos para o transporte, a saúde, a educação, o saneamento básico e outras políticas sociais.”

O documento critica ainda a violação dos direitos indígenas e dos quilombolas; a lentidão da reforma agrária; as privatizações; os megaprojetos que afetam as populações mais pobres. E reforça o apoio ao Projeto de Lei de Iniciativa Popular, que recolhe assinaturas em prol da reforma política, e conclama à participação no plebiscito por uma Constituinte exclusiva pela reforma política, que ocorrerá na Semana da Pátria, entre 1 e 7 de setembro.

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Francisco em terreno minado

Na visita à Terra Santa, o papa terá de tratar do delicado caráter religioso de Israel, sendo ele mesmo o chefe de um Estado religioso

foto: R7
foto: R7

Frei Betto, em O Globo

A visita de três dias do papa Francisco ao Oriente Médio, a partir do próximo sábado, visa a comemorar os 50 anos da viagem de Paulo VI à região, em 1964, quando se encontrou com o patriarca de Constantinopla, Athénagoras. A viagem tem muitas implicações políticas. Ocorre em um contexto geopolítico complexo, agravado pela guerra na Síria, que entra em seu terceiro ano consecutivo e provoca forte impacto nos países vizinhos, sobretudo no que se refere à segurança e aos refugiados (1 milhão proveniente da Síria, acampado na Jordânia).

Após voar de Roma a Amã, o papa irá de helicóptero diretamente a Belém, onde será recebido por Mahmoud Abbas, presidente do Estado da Palestina. Será o terceiro chefe de Estado a dispensar Israel como “porta de entrada” nos territórios palestinos. Os dois primeiros foram o rei da Jordânia e o emir do Qatar.

À beira do rio Jordão, onde Jesus foi batizado por seu primo e precursor João Batista, Francisco encontrará refugiados sírios e palestinos. Em Belém, receberá famílias palestinenses e crianças dos campos de refugiados de Dheisheh, Aida e Beit Jibrin. Hóspede de Mahmoud Abbas, o papa dará visibilidade e confirmará reconhecer o Estado da Palestina (reconhecido pelo Brasil desde 2010), o que sem dúvida cria um constrangimento diplomático aos países que ainda não o reconhecem, como Israel, EUA e toda a Europa Ocidental, excetuando Islândia e Malta.

No domingo e na segunda, a agenda de Francisco em Israel prevê encontros com autoridades políticas e religiosas. Acompanhado por dois velhos amigos de Buenos Aires, o rabino Abraham Skorka e o professor muçulmano Omar Abboud, o papa enfatizará a importância do diálogo entre as religiões monoteístas.

O tríduo na Terra Santa, que abrange 20 etapas e 15 pronunciamentos, entre homilias e discursos, ocorre em um momento difícil entre o governo israelense e a Autoridade Palestina, cujas relações estão congeladas desde o acordo entre a OLP (Organização para a Libertação da Palestina) e o Hamas, no mês passado. O discurso papal diante do muro que separa a Cisjordânia está sendo aguardado com expectativa por palestinos e israelenses.

A questão mais delicada que Francisco terá de enfrentar é o caráter religioso de Israel, oficialmente um “Estado judeu e democrático”. Sobretudo porque a Palestina decidiu, há pouco, suprimir da carteira de identidade de seus cidadãos o item de identificação religiosa. A diplomacia vaticana teme que a declaração de uma nação religiosa hebraica incentive países árabes a se proclamarem estados islâmicos, o que poderia favorecer o fundamentalismo e dificultar ainda mais o atribulado caminho da paz no Oriente Médio.

O recomendável seriam estados democráticos, laicos, constituídos sobre a igualdade de direitos e deveres para todos os cidadãos. Ocorre que Francisco se encontra no olho do paradoxo: o Estado do Vaticano também é religioso, e seu chefe de Estado se confunde com o líder de uma determinada confissão religiosa, o catolicismo.

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Pessoas conservadoras comem mais carne, diz estudo

Pesquisa diz que comer carne tem a ver com posição política e necessidade de manter tradições (foto: Getty Images)
Pesquisa diz que comer carne tem a ver com posição política e necessidade de manter tradições (foto: Getty Images)

Publicado no Terra

Parece simples decidir o almoço ou o jantar. Mas, segundo um estudo da Brock University de Ontario, no Canadá, a escolha por comer carne ou salada pode ser muito mais do que uma refeição e, sim, uma evidência de suas ideologias políticas.

Segundo o artigo publicado na revista Personality and Individual Differences, pessoas de tendências mais conservadoras comem mais carne, enquanto aquelas com pensamentos considerados de esquerda costumam escolher mais salada. E, o motivo não é apenas por gostar demais de um churrasco, mas porque a decisão é tomada por um comportamento de se preocupar em manter algumas tradições.

Os pesquisadores fizeram uma série de perguntas para mais de 500 adultos sobre suas preferências políticas, relação com os animais e aprovação do consumo de carne. Assim, as pessoas que disseram comer muita carne tinham visões políticas mais direitistas, enquanto os vegetarianos mostraram maior preocupação com a cultura e em como as pessoas são superiores aos animais.

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