Em clima de ‘já virou’, Dilma e Lula fazem ato com artistas e intelectuais

O ex-presidente Lula à frente de Dilma no auditório do Tuca, em São Paulo (foto: Marcelo Mora/G1)
O ex-presidente Lula à frente de Dilma no auditório do Tuca, em São Paulo (foto: Marcelo Mora/G1)

Anna Virginia Balloussier e Ligia Mesquita, na Folha de S.Paulo

Um clima de “já virou” tomou conta do ato de intelectuais, artistas e juristas pró- Dilma Rousseff nesta segunda (20), no teatro Tuca, em São Paulo.

Ao longo da noite, convidados colaram nos tucanos rótulos como “retrocesso” e “neoliberalismo”, reforçando a mensagem de “nós contra eles”. A confessa polarização foi resumida por Lula, que contrapôs “a estrela do PT” e o “bico tucano deste país”.

“Dilma apanha mais do que eu”, disse Lula. Candidato contra Collor e FHC, o ex-presidente criticou o “ódio disseminado” contra o PT, que leva militantes do partido a sofrerem agressões verbais e físicas nas ruas.

O “neto do Tancredo Neves” seria um dos propagadores de tanto ódio, segundo ele. “Este rapaz [Aécio] deve ter um problema. Eu jamais teria a petulância de chamá-la de leviana”.

Citando a crise da falta de água em São Paulo, Dilma afirmou ser um problema sério de incapacidade de gestão de um grupo político que pretende dirigir o país. “Pretende, porque nós não vamos deixar voltar esse tipo de política que olha pro país de forma irresponsável”, declarou.

DIANTEIRA

Antes do primeiro discurso da noite, a cargo do filósofo Mario Sergio Cortela, o presidente do PT, Rui Falcão, pediu o microfone para anunciar o resultado da pesquisa Datafolha, que trouxe Dilma pela primeira vez numericamente à frente de Aécio neste segundo turno, com 52%, contra 48% do tucano, o que significa um empate técnico no limite da margem de erro. Aos gritos de “virou!”, a plateia levantou e começou a cantar “olê, olê, olá, Dilma, Dilma”.

No palco, além da presidente e do vice, Michel Temer, e de Lula, estavam o prefeito Fernando Haddad, os ministros Marta Suplicy e José Eduardo Cardozo, o senador Eduardo Suplicy, os ex-ministros Alexandre Padilha e Marcio Thomaz Bastos, a deputada Leci Brandão, os escritores Raduan Nassar e Fernando Morais, os atores Celso Frateschi e Sergio Mamberti, o músico Antonio Nóbrega, o diretor José Celso Martinez Correa, Alfredo Bosi e os rappers Thaíde e Dexter, entre outros.

Titular da pasta da Justiça, Cardozo disse que o sorriso está no rosto “porque estamos na frente nas pesquisas”, mas que ainda faltam seis dias”. E eles [PSDB] não vão jogar a toalha fácil”. E terminou com um “nunca passarão”.

Duas personalidades não petistas foram muito aclamadas: Roberto Amaral, ex-presidente do PSB, e Luiz Carlos Bresser Pereira, um dos fundadores do PSDB.

Amaral foi aplaudido de pé aos gritos de “Arraes presente, Dilma presidente”. Ao tomar a palavra, o pessebista, cujo partido optou por apoiar Aécio, respondeu “Arraes está presente aqui, mas ausente do meu partido”.

Para Bresser, ex-ministro de FHC, o pleito de domingo confronta pobres e ricos, desenvolvimentistas e neoliberais. “A presidente Dilma está a um passo de ser reeleita. Os pobres sabem o que Dilma defende e por isso votam nela. Os ricos votam no candidato da direita porque assim defendem seus interesses”, afirmou.

Ao tomar a palavra, Fernando Morais puxou uma cantoria ironizando Aécio Neves: “Ó Minas Gerais, quem te conhece não vota jamais”.

“Essa tucanada não aprende. Quando Aécio anunciou Armínio Fraga, tudo se esclareceu: é voltar ao pior do neoliberalismo, mais um motivo pra votar em Dilma”, afirmou.

Zé Celso criticou os tucanos. “O PS de Bosta tem atitude esnobe com o povo”, disse. E retrucou o discurso do medo de um segundo mandato de Dilma, incensado pela oposição. “Eu não tenho medo de nada. Se eles ganharem, serão postos abaixo, porque representam uma força de 50 anos atrás”.

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TED estreia no Brasil com ideias inovadoras da neurociência ao funk

Rodrigo Ortega, no G1

Espaço para a conferência TED em Copacabana, no RIo (foto: James Duncan Davidson/Divulgação)
Espaço para a conferência TED em Copacabana,
no RIo (foto: James Duncan Davidson/Divulgação)

Novidades da neurociência ao funk carioca serão apresentadas desta segunda-feira (6) até sexta-feira (10) na conferência TED Global, em Copacabana, no Rio. A série de palestras e apresentações de diversas áreas tem a missão de mostrar “ideias que merecem ser espalhadas”, e terá sua primeira edição oficial no Brasil. O nome vem da sigla “tecnologia, entretenimento e design”. Serão 66 nomes entre cientistas, artistas e ativistas de todo o mundo (veja programação abaixo).

Miguel Nicolelis, neurocientista brasileiro que criou o exoesqueleto mostrado na abertura da Copa; Glenn Greenwald, jornalista norte-americano que revelou a espionagem do governo dos EUA; Vincent Moon, diretor francês de vídeos musicais; Melissa Flemming, norte-americana porta-voz da Comissão de Refugiados da ONU; Fabien Cousteau, ambientalista francês neto de Jacques Cousteau; e José Padilha, diretor brasileiro, estão entre os palestrantes. As participações têm no máximo 18 minutos.

TED também vai virar baile funk com a apresentação da Batalha do Passinho, projeto de dançarinos cariocas. Outros números artísticos, selecionados para se intercalar às conversas, vão ser da cantora argentina Juana Molina, da franco-chilena Ana Tijoux e do grupo de cumbia argentino TEDx, que transforma palestras anteriores em canções com o ritmo latino.

O tema do TED Global 2014 é “Sul”, porque esta é uma das raras edições fora do Hemisfério Norte. O foco das conversas não fica só nas ciências exatas e se expande para projetos sociais e ambientais relativos a países em desenvolvimento.

Neurocientista Miguel Nicolelis vai falar no TED, no Rio (foto: José Luiz Somensi/Divulgação)
Neurocientista Miguel Nicolelis vai falar no TED, no
Rio (foto: José Luiz Somensi/Divulgação)

Vídeos na web e telões na cidade
As vagas na plateia são disputadas. O público de mil pessoas, de 69 países diferentes, segundo a organização, passou por uma seleção e pagou taxa de US$ 6 mil (R$ 15 mil). Para o público geral, o TED publica em seu site de graça o vídeo de uma palestra por dia. Aos poucos, as apresentações do Rio serão divulgadas na web. Não há exibição ao vivo na internet – apenas para os assinantes do serviço pago TED Live.

Porém, nesta edição, alguns espaços públicos fora do auditório, como a Biblioteca Parque Estadual, no Centro, a Escola Politécnica da UFRJ e o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, vão exibir as palestras durante a semana em telões.

Outras edições independentes, chamadas TEDx, já aconteceram no Brasil. Mas esta é a primeira conferência oficial no país. O evento surgiu nos EUA em 1984 e tem vários eventos por ano pelo mundo. Bill Gates, Al Gore, Bono e Bill Clinton já fizeram suas “TED Talks”.

Joe Landolina, 21 anos, inventor do gel instantâneo anti-hemorrágico estará no TED (foto: Divulgação)
Joe Landolina, 21 anos, inventor do gel instantâneo
anti-hemorrágico estará no TED (foto: Divulgação)

Primeiro dia: jovens criadores
A segunda-feira (6) será toda dedicada aos TED Fellows, grupo de 20 jovens com ideias promissoras adotadas pela fundação que produz as conferências. O G1 conversou com dois dos jovens que vão mostrar suas invenções e projetos em Copacabana.

Aos 21 anos, o norte-americano Joe Landolina desenvolve um gel que interrompe sangramentos quase instantaneamente. O chamado “Veti-gel” já é liberado nos EUA para uso veterinário. O gel tem substâncias que imitam o material produzido pelo organismo para estancar feridas e se mistura ao tecido da pele. Testes feitos com tecido animal impressionaram acadêmicos e jornalistas dos EUA. Clique para assistir ao vídeo.

O próximo passo é liberar o uso em humanos. “Vamos submeter a aprovação até o meio do ano que vem”, diz Joe. A meta a longo prazo é ousada. “Em dez anos, espero não apenas prover uma solução instantânea para todos os tipos de sangramentos, mas também um produto que trata feridas sem deixar cicatrizes”, conta Joe. “Estou animado para apresentar essa tecnologia no Rio e encontrar aí pessoas para colaborar comigo”.

Um dos brasileiros entre os TED Fellows, o artista Thiago Mundano é criador do Pimp My Carroça. Ele faz ilustrações em carroças de catadores de produtos reciclados nas ruas. O desejo é que a cidade “enxergue” os catadores. “A invisibilidade dos catadores não é exclusiva do Brasil, mas do mundo inteiro. São mais de 20 milhões prestando um serviço importante ao meio ambiente sem terem reconhecimentos, e acredito que o TED é uma boa ferramenta pra espalhar essa ideia”, diz, antes da palestra.

TED Global 2014

De segunda-feira (6) a sexta-feira (10) no Copacabana Palace, no Rio

Segunda-feira
12h a 16h15

Apresentação da equipe de 20 TED Fellows, jovens com projetos promissores adotados pela fundação

Terça-feira
9h às 18h45
Sessão 1 – Histórias

Marie Arana – Biógrafa e crítica literária peruana
Jose Miguel Sokoloff – Publicitário colombiano
Andrés Ruzo – Geólogo peruano
Danay Suárez – Cantora e compositora cubana
Takasha Yawanawá – Chefe do grupo indígena Yawanawá, no Acre

Sessão 2 – Recomeço digital
Zeynep Tufekci – Socióloga turca
Pia Mancini – Cientista política e ativista argentina
Alessandra Orofino – Economista brasileira
Gustavo Ollitta – Artista circense brasileiro
Glenn Greenwald – Advogado e jornalista norte-americano
Andy Yen – Administrador de sistemas norte-americano

Sessão 3 – Cruzando fronteiras
José Padilha – Cineasta brasileiro
Ethan Nadelmann – Ativista norte-americano
Dilip Ratha – Economista indiano
Taiye  Selasi – Escritora e fotógrafa londrina
Grupo TEDx – Banda argentina de cumbia

Quarta-feira
9h às 18h45

Sessão 4 – Trabalho de campo
Oren Yakobovich – Ativista israelense
Severine Autesserre – Cientista política na Columbia University, nos EUA
Doreen Khoury – Ativista libanesa
Charmian  Gooch – Ativista anti-corrupção britânica
Circle of Sound – Duo de world music europeu
Ameenah Gurib-Fakim – Bióloga das Ilhas Maurício

Sessão 5 – Tela urbana
Robert Muggah – Cientista social canadense
Su Yunsheng – Urbanista chinês
Haas&Hahn – Artistas holandeses
Batalha do Passinho – Grupo de dança brasileiro
Grimanesa Amorós – Artista peruana

Sessão 6 – Tecnologia que dá poder
Rodrigo Baggio –  Ativista da inclusão digital brasileiro
Bruno Torturra – Jornalista brasileiro
Steve Song – Empreendedor norte-americano
Syed Karim – Fundador da empresa americana Outernet
Ana Tijoux – Cantora franco-chilena
Miguel Nicolelis – Neurocientista brasileiro
Sessão 7 – Projetos
Tasso Azevedo – Engenheiro florestal brasileiro
Ilona Szabó de Carvalho – Especialista em segurança brasileira
Melissa Fleming – Executiva norte-americana
Michael Green – Economista e escritor britânico
Casuarina – Banda carioca

Quinta-feira
9h às 18h45
Sessão 8 – Lentes

Wendy Freedman – Astrônoma canadense
Jorge Soto – Engenheiro mexicano
Vincent Moon – Diretor francês
Naná Vasconcelos – Músico brasileiro
Elizabeth Pisani – Epidemiologista e jornalista norte-americana
Jimmy Nelson – Fotógrafo britânico
Sessão 9 – Necessidades básicas
Sipho Moyo – Ativista africana
Teresa Corção – Chef brasileira
Isabel Hoffmann – Empresária portuguesa
Juliana D’Agostini – Pianista brasileira
Joe Madiath – Empreendedor social indiano
Navi Radjou – Administrador indiano

Sessão 10 – Ação lateral
Khalida Brohi – Ativista feminista paquistanesa
Vik Muniz – Artista plástico brasileiro
Alejandro Aravena – Arquiteto e urbanista chileno
Misha Glenny – Jornalista britânico
Ricardo Semler – Empresário brasileiro
Juana Molina – Cantora e atriz argentina

Sexta-feira
9h às 13h
Sessão 11 – Espaços poderosos
Fabien Cousteau – Ambientalista francês
Mark Plotkin – Especialista em etnobotânica norte-americano
Robert Swan – Ambientalista britânico
Matthieu Ricard – Monge budista francês
Aakash Odedra – Coreógrafo britânico

Sessão 12 – Lutadores
Kimberley Motley – Advogada norte-americana
Omoyele Sowore – Editor nigeriano
Fred Swaniker – Educador ganês
Ruslana – Cantora ucraniana

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Record intima artistas a inaugurar templo da Universal e cria mal-estar

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ANTONIO CHAHESTIAN/TV RECORD

Publicado no Notícias da TV

A Record está convidando apresentadores, atores e jornalistas para a inauguração do templo de Salomão, projeto faraônico da Igreja Universal do Reino de Deus, no próximo dia 31, em São Paulo. Os convites, no entanto, estão sendo interpretados como intimação, porque a Universal é liderada pelo bispo Edir Macedo, dono da Record. “Não se recusa convite do dono da empresa”, justifica um jornalista, que pede para não ser identificado.

A iniciativa da Record gerou constrangimentos nos bastidores da emissora. Elenco e executivos contrários à convocação argumentam que não se deve misturar religião com trabalho. Profissionais temem se “queimar” no mercado se aparecerem em fotos e reportagens sobre a inauguração do templo, que deverá contar com a presença da presidente Dilma Rousseff, contrariando conselhos de assessores do PT. Alguns artistas já estão providenciando viagens e compromissos fora de São Paulo no dia 31 para terem uma boa desculpa para a ausência.

Todos os apresentadores, os principais jornalistas e algumas dezenas de atores já foram ou serão convocados para irem à inauguração da igreja, que terá lugar para 10 mil pessoas sentadas. Vários nomes de peso já são dados como certos no evento, entre eles os apresentadores Rodrigo Faro, Ana Hickmann e Edu Guedes e os jornalistas Celso Freitas e Adriana Araújo, do Jornal da Record.

Em construção desde 2010, o templo é uma réplica ampliada da lendária igreja construída pelo bíblico rei Salomão em Jerusalém, há mais de 2.500 anos, com o interior e o altar cobertos de ouro. O templo de Edir Macedo está sendo erguido no bairro do Brás, na zona leste de São Paulo. Com 74 mil metros quadrados de área construída e 56 metros de altura, o equivalente a um prédio de 18 andares.

O projeto da igreja segue “orientações bíblicas” e incorpora elementos para “resgatar a atmosfera da época vivida por Salomão”, como madeira, pedra e cobre, que “serão usados em larga escala na área da nave”. Edir Macedo decidiu não revestir seu templo com ouro, mas importou pedras de Israel.

O templo terá duas inaugurações. uma no dia 31, com autoridades e elenco da Record, e outra no dia 14, com todos os pastores da Universal no Brasil e representantes da igreja no mundo todo.

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Marcha para Jesus reúne ao menos 250 mil

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Publicado no Estadão

Vestindo camisetas personalizadas da seleção brasileira, pelo menos 250 mil pessoas estiveram presentes ontem na 22.ª edição da Marcha para Jesus, em São Paulo. O número, informado às 15h30, foi dado pela Polícia Militar, mas os organizadores do evento falaram em “milhões de participantes” no site oficial. O uniforme com as inscrições do evento trouxe o número 33 nas costas, que representa a idade da morte de Cristo. O tema de 2014 foi “Conquistando Para Cristo”.

Organizada e presidida pelo apóstolo Estevam Hernandes, da Igreja Renascer, a marcha reuniu igrejas cristãs de várias denominações. Ela percorreu quatro quilômetros pela Avenida Tiradentes, da Praça da Luz, no centro, até a Praça Heróis da Força Expedicionária Brasileira, na zona norte. No percurso, oito carros de som variaram pregações, escola de samba, grupos de rap e cantores gospel.

O evento ainda contou com bandas evangélicas como Eyshila, Renascer Praise e a cantora Ana Paula Valadão, organizadas em um palco na praça Campo de Bagatelle, na zona norte. A marcha teve início às 10h. Em alguns pontos, foram vistas faixas de cunho político, de defensores da ditadura militar a jovens pedindo mais ética na política. “Ela (a marcha) representa nosso desejo de expressar essa fé e declarar a bênção do Senhor sobre nosso país!”, afirma Hernandes.

A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) organizou uma operação especial para o evento em 47 pontos do percurso, mas houve congestionamento nas zonas norte e oeste da cidade.

A fonoaudióloga Priscila Agostinho, de 29 anos, participou da Marcha pela 15.ª vez. Desde os 14 anos ela vem ao evento. Trouxe o namorado Júlio César Alves pela segunda vez na caminhada. “Eu era católico e ela me trouxe pela segunda vez. Me senti muito bem”, disse Alves. “Você é abençoado, é um dia que tira para Jesus”, disse Priscila. Segundo o casal, este ano a edição foi especial por ser época da Copa. “A alegria e a animação são maiores”, contou Priscila, que saiu cedo de Piracicaba (no interior de São Paulo) com o namorado para prestigiar a Marcha.

O produtor gráfico Marcelo Caetano, de 38 anos, está presente na marcha há 11 anos. Ontem, ele levou os filhos Juan, de 10, e Lorena, de 2. “Está sendo ótimo. Aqui não tem confusão. Está sendo uma bênção”, disse.

Insistência. Pela terceiro ano seguido, o manobrista Daniel Francisco da Silva perdeu o evento por causa do trabalho. Aos sábados, a churrascaria em que trabalha costuma estar lotada. Desta vez, ao menos, ele esteve próximo e pode sentir a “vibração” do movimento: a empresa fica na Avenida Olavo Fontoura, primeira via de saída do palco em que as bandas se apresentaram. Era até possível ouvir as músicas. “Gosto da marcha porque todos estão unidos em um só pensamento. São pessoas de denominações diferentes, mas todos demonstram uma forma de expressar amor a deus”, argumenta. Nas edições de 2013 e 2012, Silva trabalhou como garçom. Ele é evangélico desde os 11, por influência do pai. “Meu pai parou de beber e sair muito graças a igreja e eu segui o caminho dele”, explica. Souza diz que não é frequentador assíduo de festas e, nos dias de folga, costuma ir ao shopping com a mulher e à igreja. Para 2015, uma promessa: “vou fazer de tudo para estar lá”.

Bebidas. Diferentemente de outras festas de rua, não há uma cerveja sequer na Marcha.  Quem busca bebida encontra sucos industrializados e refrigerantes. O vendedor Alex Cairos, 34, explica: “está escrito na Bíblia que você pode beber, mas não se embriagar. Ou seja, nada de álcool.  Um vinho, no máximo,  que é o sangue de Cristo”. Alex era católico e se converteu há dois anos, depois de um período em que considerou estar sem propósito na vida. “O queco mundo me oferecia era apenas momentâneo”, relata. Segundo Cairos, depois de entrar para a denominação “Sara nossa Terra”, de uma igreja evangélica da Saúde,  zona sul, sua vida mudou. “Consegui casamento, carro próprio e deixei a casa da minha sogra. Hoje moro em casa alugada e logo compro a minha”, contou. Os 70 reais obtidos por Cairo com a venda dos sucos serão revertidos, segundo ele, para um projeto social de sua comunidade, o Parceiro de Deus, que trabalha com alcoolatras e dependente s químicos.

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Universal manda artistas da Record apoiarem bispo

formigoniKeila Jimenez, na Folha de S.Paulo

Artistas da Record estão indignados com as imposições da Iurd (Igreja Universal do Reino de Deus) na emissora.

A mais nova iniciativa da entidade religiosa envolve todo o casting de apresentadores da emissora, que foi convocado a gravar depoimentos a favor da “Campanha contra os Vícios”, do bispo Rogério Formigoni (foto), da Universal.

Formigoni é conhecido por promover sessões em que promete curar viciados de crack e outras drogas. Sem ao menos serem consultados, os apresentadores foram recrutados a gravarem vídeos apoiando a campanha do bispo, que serão utilizados em cultos religiosos e em programas da Universal na TV.

Alguns apresentadores chegaram a questionar se era mesmo necessário emprestar a imagem à causa e receberam ordens expressas da Record para gravar os vídeos sem gerar conflitos, seguindo um roteiro de depoimentos já escrito pela igreja.

Os textos traziam mensagens como: “Sou aliado de Formigoni nessa jornada por um Brasil melhor”.

Embora não pertença à Iurd, e sim ao líder religioso da entidade, Edir Macedo, a Record tem em seu alto comando pastores e bispos.

Procurada, a emissora diz que a iniciativa foi apenas um convite aos artistas. A Igreja Universal não se pronunciou sobre o assunto.

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