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Vídeo mostra tentativa de assassinato de político na Bulgária

Imagem mostra Ahmed Dogan com a arma apontada para sua cabeça. Foto: Reprodução

Imagem mostra Ahmed Dogan com a arma apontada para sua cabeça. Foto: Reprodução

Publicado originalmente na CartaCapital

O vídeo abaixo mostra a tentativa de assassinato de Ahmet Dogan, líder do Movimento para Direitos e Liberdades (HOH, na sigla em búlgaro), partido dos turcos étnicos na Bulgária. Em congresso do partido neste sábado 19 em Sofia, capital da Bulgária, Dogan deveria, segundo o jornal Today’s Zaman, passar a liderança da sigla para seu vice, Lütfi Mestan. Em vez disso, um homem identificado como Oktay Hasanov Yenimehmedov invadiu o palco, apontou uma pistola para sua cabeça e, aparentemente por uma falha em sua arma, não atirou.

Após ser dominado Yenimehmedov foi duramente espancado pelos segurança do HOH, como também mostram as imagens abaixo.

Mestan, o vice do HOH, atribuiu o ataque à extrema-direita búlgara, segundo o Zaman. “Não importa quem realizou o ataque, o motivo são as declarações de ódio contra nosso partido. Graças a Deus, a tentativa não teve sucesso, mas gostaríamos mais uma vez de sublinhar que a democracia está sob ameaça na Bulgária. Alguns círculos estão tentando demonizar nossos partidos”, disse.

Além dos turcos étnicos, o partido HOH, liberal, representa, de acordo com a agência Reuters, os outros muçulmanos da Bulgária, cerca de 12% da população do país.

dica do Moisés Gomes

Filho de pastor e mais três são assassinados na Baixada Fluminense

Soldados do Corpo de Bombeiros removem um dos corpos das vítimas da chacina
Soldados do Corpo de Bombeiros removem um dos corpos das vítimas da chacina

Wilson Mendes, no Extra

A luz vermelha, acesa desde o dia anterior em um dos cômodos de uma casa abandonada na Rua C, na Chacrinha, bairro de Japeri, na Baixada Fluminense, ressaltou as manchas de sangue pelo chão da cena de uma chacina. Entre 23h e 0h de sábado, quatro pessoas — um homem, uma mulher e dois adolescentes — foram executadas com tiros na testa.

A polícia ainda não tem pistas de quem ou quantos são os criminosos, mas a hipótese levantada pelos policiais militares é de que houve execução ligada ao tráfico de drogas. A casa, segundo os PMs do 24º BPM (Queimados), era utilizada como boca de fumo.

— Encontramos 58 papelotes de cocaína, escondidos no sofá, além de uma cápsula de munição calibre 38 — revelou o sargento de Souza.


Até o fim da tarde de ontem, dois adolescentes haviam sido identificados: Kelverton Pimentel Dias, de 15 anos, e Luciano Magno dos Santos Júnior, de 16.

Moradores do bairro revelaram que Kelverton é filho de um pastor evangélico, que prega na Assembleia de Deus local. Identificado apenas como pastor Ailton, o homem esteve cedo no local. Entregou uma carteira de identidade aos policiais, para o reconhecimento do filho, mas não voltou para acompanhar a remoção do corpo, apesar de a igreja ficar a uma quadra da suposta boca de fumo

O Sargento de Souza contou que Kelverton teria tentado, há pouco tempo, assaltar a igreja do pai.

Carro do Corpo de Bombeiros recolheu os corpos das vítimas da chacina
Carro do Corpo de Bombeiros recolheu os corpos das vítimas da chacina

Fotos: Paula Giolito / O Globo

“Neste país é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que pobre ter justiça”

Renato Dobelin foi morto em 2008 e o caso foi arquivado. Foto: Rose Mary de Souza/Especial para Terra
Rose Mary de Souza, no Terra

Outdoors espalhados em Sumaré e Hortolândia (ambos SP) chamam atenção para um assassinato ocorrido há quatro anos que segue sem solução. Um curto diálogo resume o que sente a família do aposentado Leobino Dobelin, que perdeu o filho Renato, 34 anos, em um latrocínio após sair do trabalho. “Pai, já prenderam os bandidos que me assassinaram?”, pergunta o técnico de informática no outdoor. “Não, meu filho. Aqui neste país é mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que pobre ter justiça”, responde Leobino. O titulo é “quatro anos sem Renato, sem justiça e muita revolta. Mais um caso sem solução pelas autoridades públicas”.

Segundo os familiares, na tarde de 20 de janeiro de 2008 o rapaz saiu do trabalho em Sumaré e seguia com sua moto Honda Twister para Hortolândia, onde morava com a família, quando foi rendido por dois homens. Um atirou em sua nuca e ele morreu na hora. Como a polícia não encontrou pistas dos suspeitos, o caso foi arquivado. O cartaz mostra à esquerda a imagem de um jovem sorridente, forte e bonito. Logo a abaixo, em letras miúdas, as datas de nascimento, 27 de janeiro de1973, e morte, 20 de janeiro 2008. A foto do pai é pálida, séria, triste e em preto e branco.

“Eu ia quase todas as semanas na delegacia. Depois de um certo tempo, o delegado telefona e avisa que vai arquivar o processo porque não encontrou nada, não tem provas”, disse o pai, que defendeu que as investigações não podem parar. Além da dor da perda por um tiro disparado por desconhecidos, Leobino sofre ao não se conformar que ninguém foi responsabilizado. “Um menino inteligente, alegre, com a vida peal frente. Eu não me conformo, tem que haver uma solução, o criminoso precisa pagar pelo seu crime”, afirmou.

Falta de pistas
Essa não é a primeira vez que o pai instala os outdoors. Em 2009, quando completou um ano da morte, a mensagem dos cartazes chegou ao gabinete do secretário de Segurança Pública do Estado, que determinou, segundo Dobelin, a transferência do processo do 2º Distrito Policial de Sumaré à Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Americana. “Ficamos esperançosos, mas mesmo assim a polícia não encontrou nada”, disse.

Segundo a DIG, os investigadores realizaram novas apurações, mas não encontraram fato que contribuísse à investigação. Segundo a polícia, o inquérito pode ser reaberto se surgirem novas evidências. Inclusive, não desprezam informações que chegarem através do disque denúncia.

Dados da Secretaria de Segurança apontam que a região de Sumaré registrou 13 latrocínios em 2008. A Delegacia Seccional de Americana, responsável por nove cidades da região, esclareceu 27% dos latrocínios registrados entre 2008 a 2011.

Steve Jobs e Steve Biko

Novo modelo do iMac, lançado pela Apple

Ricardo Alvarez, no Controvérsia

Por uma das coincidências da vida exibi aos meus alunos um vídeo com uma fala de Steve Jobs para uma turma de formandos da Universidade de Stanford, pois a sua recente morte havia ocupado suas cabeças. Ao mesmo tempo o assunto em aula seriam os conflitos no continente africano, em especial a questão do apartheid na África do Sul. Para dar conta do debate exibi “Um Grito de Liberdade”, que narra a luta de Steve Biko contra o regime e seu assassinato.

Os dois Steve’s foram, inevitavelmente, comparados.

Jobs foi ovacionado pela mídia mundial como um oráculo dos produtos de comunicação, informática, criação gráfica, enfim, um gênio por sua capacidade criativa. A Apple, empresa que o expulsara e depois o recontratara, publicou em seu site: “A Apple perdeu um visionário e gênio criativo, e o mundo perdeu um ser humano incrível.” Na mesma linha ainda exaltou sua personalidade e importância social: “O brilho de Steve, sua paixão e força foram as fontes de inúmeras inovações que enriquecem e melhoram todas as nossas vidas. O mundo é incomensuravelmente melhor por causa de Steve.”

É absolutamente evidente que a sua criatividade para gerar aparelhos que encantassem as massas de consumidores era muito grande. Seus produtos foram sendo aperfeiçoados a cada lançamento e em velocidade acelerada.

Mas Jobs traz a marca da evolução dentro da lógica do próprio sistema dominante. Produzir mercadorias no capitalismo é seu cerne, vendê-las sua necessidade, e tudo isto se faz tanto melhor se acoplado à criatividade, que lhe sobrava. Daí a louvação à sua pessoa, sua história e sua luta contra a doença. Ele não foi o primeiro e nem será o último. O destaque ao óbito decorrem desta condição.

Mas sua trajetória carrega outras marcas não tão elogiosas, mas compreensíveis num contexto de funcionalidade globalizada da reprodução do capital.

A utilização de trabalho infantil pela Apple na Ásia é uma frequente. De acordo com a Revista INFO Exame em 02 de março de 2010(1) “…a Apple é acusada de explorar o trabalho de ao menos 11 jovens com idade de até 15 anos que trabalham em três diferentes fábricas na Ásia.” Pode-se dizer que 11 jovens não podem acabar com a reputação de uma empresa de grande porte. Mas não para por ai.

No site FIBRA(2) uma matéria dá conta de que “No relatório anual acerca dos fornecedores da Apple, a empresa identificou 91 casos de trabalho infantil. O número agora avançado é nove vezes superior ao do ano anterior.” Em outras palavras, a típica reincidência.

No jornal Folha.com(3) em 02 de março de 2010 publicou-se que “A empresa (Apple) vem sendo criticada pelo uso de fábricas que abusam de trabalhadores em regiões de pobreza. Durante a semana passada, 62 trabalhadores de uma fábrica que produz suprimentos para a Apple e Nokia foram envenenados por n-hexano, químico tóxico que causa degeneração muscular e visão obscurecida. Na ocasião, a Apple não comentou o problema.” Há, portanto, contaminação de trabalhadores em suas fábricas na Ásia.

No site UNDER-LINUX(4) se pode ler “Recentemente a Apple foi duramente criticada por contratar fábricas que utilizam trabalho infantil ou abusam de seus trabalhadores, mantendo-os em condições de trabalho próximas de regime de escravidão. No ano passado, foram encontradas pelo menos 15 crianças trabalhando nessa companhias, que fabricam os produtos state-of-the-art da Apple. São menores de idade trabalhando em condições sub-humanas para a produção de seus produtos preferidos, como o iPod, o iPhone, e até mesmo os Macbooks e iMacs. Das três fábricas apontadas por terem utilizado mão-de-obra infantil, a empresa de Steve Jobs não informou o nome de nenhuma delas, mas sabe-se que a maioria de seus produtos são montados na China.”

Mas além do trabalho infantil e da contaminação há também outros sérios problemas envolvendo seus trabalhadores diretos ou indiretos. O primeiro diz respeito à superexploração da força de trabalho, como se pode ler no site da Revista INFO na matéria acima citada: “Esta não é a primeira vez que a Apple é citada em acusações que envolvem a superexploração de trabalhadores na Ásia. Há dois anos, a companhia foi denunciada por contratar integradores que mantinham operários trabalhando mais de 70 horas por semana. Na China, a jornada de trabalho legal é de 60 horas por semana.”

Os trabalhadores chineses são forçados a uma longa jornada de trabalho (60 horas por semana, no Brasil é de 44 horas) e no caso da Apple ainda são submetidos a uma acréscimo de 10 horas por semana. 70 horas de trabalho significam trabalhar os sete dias da semana numa jornada de 10 horas, ou de aproximadamente 11h30 em seis dias.

Como decorrência do esgotamento físico e mental e das pressões por produção, os suicídios completam o caos. Muitos trabalhadores nestas empresas, em decorrência das longas jornadas de trabalho, dormem na própria fábrica. Os tablets que consumimos felizes carregam histórias de vida e de morte nada aprazíveis.

Como resposta aos suicídios os gerentes pretendem separar os trabalhadores em grupos de 50 para reduzir o contato, além de instalar redes circundando as torres de produção nos andares mais baixos para evitar os saltos, conforme publica o jornal Estadao.com.br em 28 de maio de 2010(5). Nada de reduzir a jornada, apenas paliativos.

Evidentemente que este lado mau patrão não foi publicado na morte de Steve Jobs. Ao contrário a exaltação tomou conta do noticiário. A Apple é uma empresa moderna: mantém seu setor de pesquisa e desenvolvimento de produtos, administração, marketing, dentre outros importantes nos EUA e desloca sua produção física para a Ásia, em busca de trabalhadores superexplorados e baratos, reduzindo custos, maximizando lucros.

Mas outro Steve veio à tona no momento. Steve Biko não teve a mesma sorte de Steve Jobs, pois morreu aos 30 anos torturado pela polícia racista do governo sulafricano, branco e autoritário. Apesar das riquezas nacionais, como ouro, prata e diamantes, a imensa maioria de população negra era governada e reprimida pelos africaners (aristocracia branca) que impunha a cultura dominante.

As revoltas eram grandes contra o governo e seu ápice se deu com o massacre de estudantes em Soweto, em meados de 1976. Mais de 500 mortos numa chacina promovida pelo governo do apartheid diante de uma manifestação pública, pacífica e predominantemente de jovens.

Biko havia sido banido em sua própria terra, o que significava que não podia realizar encontros, organizar seu povo e lutar contra o regime. Tentativa de intimidá-lo que não funcionou, pois o recurso da tortura seguida de morte, que precipitou a queda do regime, colocou os fundamentalistas de plantão em choque direto com a comunidade internacional, já ressabiada diante do ocorrido em Soweto no ano anterior.

A queda do regime racista seria uma questão de tempo, diante do quadro de lutas internas dos negros oprimidos combinado com a retardada pressão internacional dos governos dos países ricos, que mantiveram boas relações com a África do Sul até poucos anos antes.

A morte de Biko provocou um pequeno relaxamento na legislação anti-negros em 1980, mas que não trouxe a acomodação da resistência de oposição. Novas jornadas de lutas ao longo dos anos 80, até que em 1990 iniciaram-se negociações que culminariam nas eleições de 1994, vencidas por Nelson Mandela, preso político por 28 anos (1962 a 1990).

Duas histórias, duas vidas. Contemporâneos, mas em busca de ideais diferentes. Um travou forte batalha pelos direitos sociais, organizou seu povo, era um líder respeitado e morreu por uma causa. Nadou contra a corrente e tonificou seus músculos.

Outro, nadou a favor da corrente, ganhou muito dinheiro produzindo sonhos e vendendo eletrônicos, foi um nome do sistema produtor de mercadorias, daí a idolatria em torno de sua pessoa. Não se poderia esperar nada de diferente de uma mídia mundial louvadora do capitalismo e defensora das leis de mercado.

Escrevo estes poucos parágrafos para resgatar a memória de um lutador social, mostrar que há gente neste mundo que se doa em nome de uma causa justa e necessária, que fez da política um espaço de contestação e organização popular. Entre os Steves fiz a minha opção. E você?

fotos: Estadão e MovE Brasil

Pais matam filha adotiva ao tentar corrigi-la “segundo a Bíblia”

Agência Pavanews, com  informações da CNN e KHSL

O casal americano Kevin e Elizabeth Schatz foi preso e condenado pelo assassinato da filha Lydia Schatz, de 7 anos, e pela tortura e agressões à sua irmã, Zeriah, de 11 anos. Eles adotaram as duas meninas em um orfanato na Libéria, para viver com seus outros seis filhos.

A garota Lydia Shatz foi espancada durante sete horas e, de acordo com os médicos, os ferimentos que a levaram à morte são parecidos com o que sofrem as vítimas de terremotos ou bombardeios. O episódio aconteceu durante uma sessão de estudos na residência dos Schatz. O casal confessou o crime e Kevin foi condenado a prisão perpétua enquanto Elisabeth pegou 13 anos de cadeia. Os filhos estão sob cuidado do governo.

As agressões eram baseadas em uma doutrina fundamentalista cristã que pregava que, para criar filhos felizes e obedientes, eles devem ser espancados com determinada frequência. O livro usado como justificativa chama-se “To Train Up a Child” (parte da versão em português pode ser lida aqui). A obra foi publicada em 1994 e faz referência a passagens da Bíblia que falam da educação e de punições para as crianças. O casal usava para as agressões um cinto ou uma mangueira sempre que uma das crianças cometia um erro.