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Comer muitos vegetais ajuda a melhorar o humor, diz estudo

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Wendy Candido, no Virgula

Quer se manter sempre de bom humor? Então, coma bastante frutas e vegetais para se manter de bem com a vida.De acordo com um estudo feito pela Universidade de Warwick, no Reino Unido, depois de analisar os hábitos alimentares de 80 mil pessoas, quanto maior o consumo de vegetais e frutas, melhor o bom humor e estado de espírito das pessoas.

Isso acontece, principalmente, por conta do ácido fólico, uma vitamina do complexo B que ajuda a elevar os níveis de serotonina do cérebro. Mesmo em pequenas quantidades, a vitamina consegue auxiliar em uma mudança rápida de humor.

Entretanto, é preciso ficar atento na hora de consumir frutas, pois a frutosa, um tipo de açúcar que pode engordar, faz mal quando consumido em excesso. A ideia é fazer uma dieta balanceada e sempre apostar nos legumes.

O peso da noção de pecado nas culturas islâmicas

Rui Luis Rodrigues, no Facebook

Entre as muitas reflexões que o belo filme A Separação (foto), dirigido pelo iraniano Asghar Farhadi (Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2012), despertou em mim, uma tem a ver com a maneira pela qual as culturas islâmicas foram permeadas pela noção de “pecado”. Já se falou e escreveu muito sobre o que representou, para essas sociedades, não terem se beneficiado do fermento crítico da Ilustração (São Voltaire, rogai por todos nós!). Opinião muito eurocêntrica, de fato, e ainda ancorada na ideia antiga e errônea de que os desenvolvimentos da civilização ocidental teriam sido “padrão” e que todas as demais culturas deveriam experimentar seus desdobramentos. Obviamente, não concordo com essa ênfase; mas, como ocidental que sou, não posso deixar de respirar aliviado por ver que, em nossa civilização, os encaminhamentos da história nos conduziram a uma profunda (e benéfica) relativização desse conceito religioso.

O elemento religioso é apresentado no filme com extrema sutileza, como convém a um diretor que trabalha sob as condições específicas de um país onde a voz dos aiatolás é decisiva; não há, portanto, nenhuma crítica direta – mas o expectador atento pode, sem dúvida, lê-la “nas entrelinhas”. No Irã, a religião exerce um peso asfixiante sobre o tecido social.

Boa parte do drama gira em torno do temor que uma das personagens tem de ser “castigada” por fazer algo “pecaminoso”. Para questões cotidianas, ela chega a telefonar a um tipo de aconselhamento especializado em dizer se tal coisa é ou não pecado; a presença dessa casuística mostra como a noção é, naquele contexto, uma construção socialmente densa. (Situação análoga, aliás, à vivida pelo Ocidente a partir da segunda metade do século XVI, quando a ênfase no confessionário – e o trabalho dos jesuítas – geraram toda uma casuística quanto ao “pecado” e um pastoralismo bastante policialesco.)

“Eu tenho medo de que algo aconteça com nossa filha, se eu fizer isso ou aquilo” – é como a personagem do filme expressa, em dado momento, o seu temor. O que não é afirmado, mas se subentende, é o mais grave e triste: o temor dessa fiel que não sai à rua sem seu xador é que Alá mate sua filha (com uma dessas doenças graves que roubam a infância, por exemplo) como represália pelo pecado da mãe.

Como cristão que sou, não posso negar que muitos irmãos de fé relacionam-se com Deus dentro da mesma lógica sombria. Muitos anos atrás li um relato onde um seminarista norte-americano, desesperado, atribuía o tumor cerebral de seu filho de cinco anos ao fato de que ele, pai, era viciado em pornografia. “Deus me puniu”, dizia o pai.

Minha perplexidade talvez seja também a sua: como pode alguém crer que Deus, o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo; o Deus que aparece representado, numa das mais conhecidas parábolas de Jesus, como um pai sempre à espera do retorno de seu filho perdido; como pode alguém crer que esse Deus seja capaz de semelhantes atos? Como pode alguém ter tão distorcida em si a imagem de Deus a ponto de enxergá-lo dessa forma?

Ontem perdi a paciência no Facebook. Alguém postou um desenho infeliz (um “dedo divino” tocando a proa do navio Titanic para fazê-lo afundar) cuja legenda dizia mais ou menos: “É o que acontece com quem zomba de Deus”. Já se falou demais sobre a tal frase, presumidamente dita por ocasião da viagem inaugural do Titanic (“Nem Deus afunda este navio!”). Não sei se essa frase é autêntica; mas sei que tem gente que realmente acredita que o desastre do Titanic, onde centenas de vidas inocentes se perderam, teria sido represália divina por sua “honra” maculada.

Como pode um cristão crer num “deus” orgulhoso, violento e cruel, capaz de tais ações? Como podem as pessoas deixar de perceber que um “deus” que agisse assim agiria contra a própria essência da mensagem do evangelho?

Na fé cristã, felizmente, o peso da noção de “pecado” já foi bem relativizado. Sei que ainda há muitos que, infelizmente, ainda vivem e sentem essa noção na mesma lógica da fiel iraniana do filme. Ainda precisamos crescer muito na compreensão de que o evangelho é libertação, não escravidão; e que Deus, o verdadeiro Deus que se revelou em Jesus Cristo, não coloca tumores na cabeça de crianças para punir as escorregadelas de seus pais.

Conheço pouco a teologia islâmica. Mas creio que, se ainda não começou a experimentar, essa fé irá provar algo como a redescoberta de que “Alá é misericordioso!”; um movimento que, brotando de dentro dessa religião milenar, ajude seus fiéis a perceberem Deus de forma mais humana. Não acredito que o Islã deva ser esticado no leito de Procusto da Ilustração, mas desejo, de todo o coração, que movimentos dessa natureza tornem-no mais afável e acolhedor. Foi o que aconteceu, e ainda está acontecendo, com nossa própria fé cristã; pelo que fico profundamente grato.

dica do Moyses Negrão Monteiro

Análise: Padre Marcelo busca catolicismo de massas, mas menos atento às questões sociais

Ricardo Mariano, na Folha de S.Paulo

A guinada conservadora católica, o acelerado declínio numérico da filial brasileira da Santa Sé e a avalanche pentecostal acirraram a competição entre católicos e evangélicos a partir de 1980. Essa peleja deflagrou uma disputa religiosa pelo espaço público e uma desenfreada ocupação religiosa da mídia e da política partidária.

Desde então tele-evangelistas, padres-celebridades e cantores gospel tornaram-se onipresentes na mídia eletrônica, emissoras de TV pentecostais e católicas brotaram como cogumelos, rebanhos religiosos viram-se tratados como currais eleitorais, igrejas passaram a formar bancadas parlamentares, a expandir seu poder nos legislativos e a controlar partidos, discursos moralistas reacionários de inspiração bíblica tomaram de assalto as eleições.

A ocupação religiosa do espaço público, sobretudo nas capitais e regiões metropolitanas, tornou-se ainda mais monumental, mais espetacular e mais triunfalista. Tudo para causar o maior impacto evangelístico, gerar a maior visibilidade pública e revestir seus líderes e suas organizações religiosas de maior poder, status e legitimidade.

Foi por isso que católicos, liderados por carismáticos e suas comunidades, e neopentecostais, turbinados pela famigerada teologia da prosperidade, trataram de investir pesado em megaeventos, megasshows, megamarchas e megamissas e torrar fortunas na construção de imponentes santuários e catedrais.

Não é à toa que a inauguração do maior templo católico da América Latina ocorra nesse contexto de vigoroso ativismo religioso e de midiatização da religião intensificado por uma concorrência inter-religiosa sem precedentes na história nacional.

Autor do slogan “sou feliz porque sou católico” e líder religioso mais popular do país, padre Marcelo Rossi foi o idealizador do Santuário Theotokos “” Mãe de Deus. A fim de resgatar as ovelhas desgarradas do rebanho e de impedir o “avanço das seitas”, o sacerdote multimídia, multitarefa e workaholic tem trabalhado, em ritmo toyotista anos a fio, como cantor, ator, escritor, radialista e tele-evangelista, militado no Twitter e no Facebook e, de quebra, acolhido romarias de políticos às missas em busca da bênção nas urnas. Em reconhecimento a seus feitos, o papa Bento 16 lhe deu o Prêmio Van Thuân, em 2010.

No novo santuário, Marcelo Rossi ocupará um palco muito maior e mais reluzente para cantar seus louvores e baladas, coreografar a “aeróbica do Senhor”, receber celebridades, agitar, entreter e emocionar as multidões de seguidores, benzer seus objetos pessoais e lançar-lhes baldes de água benta ao fim de cada show-missa.

Assim ele vai contribuindo para configurar um catolicismo de massas alegre, corpóreo, sensorial, emotivo, mágico, midiático, terapêutico, taumatúrgico, moral e teologicamente conservador. Mais popular, mas menos intelectualizado e menos atento aos problemas socioeconômicos.

RICARDO MARIANO, professor da PUC-RS, é autor de “Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil” (Loyola)

foto: Leandro Moraes / UOL