Cachorros treinados oferecem conforto a crianças em luto em Newtown


Cachorros são treinados para agradar (Foto: Divulgação/Lutheran Church Charities)

Publicado originalmente no site da Época

Um time de cães viajou quase 1.300 km para levar um pouco de conforto às crianças e pais afetados pelo massacre na escola de Newtown, nos EUA.

Uma organização social vinculada à Igreja Luterana de Chicago enviou cerca de dez golden retrievers à cidade no último sábado (15), segundo o jornal Chicago Tribune. “Os cachorros não julgam. Eles são amáveis. Eles aceitam todos”, disse o presidente do grupo, Tim Hetzner, ao diário.

No domingo, os cachorros foram à Igreja Luterana de Newtown, onde ocorreram os dois primeiros funerais de crianças mortas no massacre. Na última sexta-feira, 20 foram vítimas de um atirador que invadiu a escola Sandy Hook. Sete adultos, inclusive a mãe do autor do ataque, também morreram.Hetzner disse que, na igreja, as pessoas sofrendo com o luto estavam em silêncio. Algumas faziam carinho nos cães e permaneciam quietas.

A iniciativa de treinar cães para dar apoio em momentos trágicos começou em 2008, na Universidade Northern Illinois, depois que um atirador matou cinco estudantes. Atualmente, seis diferentes Estados americanos têm o serviço. Os cachorros costumam visitar pessoas em hospitais, asilos e parques. Cada um deles carrega um cartão de visita, com nome, página de Facebook e Twitter.

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Pastor brasileiro ‘abre portas’ de igreja após massacre nos EUA

Pastor brasileiro Walcir da Silva em sua igreja na cidade de Bethel, que atende a fiéis que têm filhos na escola Sandy Hook
Pastor brasileiro Walcir da Silva em sua igreja na cidade de Bethel, que atende a fiéis que têm filhos na escola Sandy Hook

Pablo Uchoa, na BBC

Do lado de fora da casa onde vive, em Bethel, Connecticut, o pastor evangélico Walcir da Silva podia ver na sexta-feira à noite o estacionamento “quase completamente lotado” da igreja onde trabalha.

Mas não por causa do concerto de Natal marcado para as 7h daquela noite – evento que fora cancelado mais cedo. Em qualquer outro momento, o natural seria que os cerca de 500 lugares disponíveis estivessem praticamente vazios.

“Em uma hora destas, o pessoal encontra nas igrejas um verdadeiro refúgio”, afirma o pastor.

Morando há cerca de um ano e meio na comunidade, distante apenas pouco mais de dez quilômetros da escola de Sandy Hook, Newtown, o pastor se diz “impactado com a reação das pessoas à procura de conforto religioso”.

O efeito da morte de 27 pessoas, entre elas 20 crianças, no vilarejo de Newtown, foi comparável à de um desastre natural de escala muito maior, afirma.

“É uma crise que vai além do social, não é uma crise comum”, disse ele por telefone à BBC Brasil. “É um ato de violência que expõe a fragilidade da sociedade em que vivemos. Uma sociedade em que alguém, de um instante a outro, pode fazer algo assim e causar tanta destruição.”

Vigílias

Depois do massacre, muitas igrejas nas proximidades de Newtown anunciaram vigília de 24 horas para velar pelas vítimas.

O musical que seria apresentado na Igreja Comunitária de Walnut Hill, onde o pastor Walcir se encarrega do ministério da diversidade, fazendo sermões em português, também foi desmarcado.

A igreja atende a cerca de 2.200 fiéis, entre os quais muitas famílias cujos filhos estudam na escola de Sandy Hook. Até o fim da sexta-feira, não havia informações de que nenhuma delas estivesse entre os mortos.

Diferente de Estados como Oklahoma, Tennesse ou Arkansas, onde mais da metade da população se diz evangélica, em Connecticut essa proporção fica em menos de 10%, de acordo com números do centro de pesquisas Pew Religion.

Por isso, para o pastor Walcir, o sentimento religioso despertado de forma tão “rápida” nas pessoas que buscaram as igrejas após a tragédia de Sandy Hook ilustra a grande necessidade espiritual que o massacre criou.

“Já recebi muitas ligações de pessoas aflitas e chocadas”, diz. “Passei o dia à disposição para atender telefones, compartilhar e orar. Nossa igreja está aberta hoje como um lugar de oração.”

A Walnut Hill Community Church tem 21 pastores e ele foi um dos que se voluntariaram para se revezar em acolher os fieis em busca de oração e aconselhamento.

“Este acontecimento tem os ingredientes necessários para que o povo americano faça uma oportuna e necessária reflexão sobre os seus valores relacionados a algumas de suas muitas ‘liberdades’, dentre as quais o ‘direito à posse de armas e munições'”, escreveu o pastor, em um email à BBC Brasil na noite da sexta-feira.

“Minha expectativa é que algum benefício advenha deste grande maleficio.”

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Soldado americano captura, em primeira pessoa, tiroteio no Afeganistão

Gabriel Pinotti, no CND

Já vimos muitos vídeos intensos de esportes radicais e outras cenas que envolvem muita adrenalina gravadas com câmeras no capacete. Sem dúvida, nenhuma dessas cenas é igual a que um soldado americano gravou na província de Kunar, no Afeganistão. O vídeo capturado no estilo primeira pessoa – tradicional POV, ou point-of-view – mostra um intenso tiroteio do soldado e seu grupo contra membros do Taliban.

O soldado é baleado 4 vezes após ter sua posição identificada em uma colina, que tenta várias vezes subir e descer antes de ser atingido. No vídeo podemos ver o pânico de estar no fogo cruzado das metralhadores calibre 7.62, além dos tiros atingirem o soldado. Na página do vídeo, no YouTube, o soldado ainda escreveu:

“Eu levei um total de 4 tiros. Minha câmera no capacete foi atingida e eu logo me deitei no chão da montanha. Também foi atingido no lado do capacete, o que levou meu óculos voar longe e desproteger meus olhos. Estávamos patrulhando uma vila para conseguir informações quando tudo ocorreu. Só não comecei o vídeo antes do tiroteio por razões óbvias. Eu fui logo para perto da montanha disparar apenas para cobrir meu grupo”.

Graças as suas proteções no corpo, o soldado não teve ferimentos graves mas escapou com um vídeo e tanto para mostrar ao mundo e também para seus filhos e netos. Dá só uma olhada:

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