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Acampamento só para meninas tem rock, feminismo e atitude

Sorocaba recebe o Girls Rock Camp pelo segundo ano consecutivo.
Aulas de música, skate e defesa pessoal fazem parte do currículo.

Girls Rock Camp Brasil recebeu 60 meninas durante a semana em Sorocaba (Foto: Babi Góes/G1)

Girls Rock Camp Brasil recebeu 60 meninas durante a semana em Sorocaba (Foto: Babi Góes/G1)

Fernando Cesarotti, no G1

“Não à Barbie! Não à Barbie!” O grito esganiçado sai da garganta de uma menina miúda, que aparenta não ter mais de 10 anos, e ecoa pela sala de aula, mas não se trata de nenhuma revolução punk-infantil: é apenas um momento de ensaio de uma das 10 bandas formadas no Girls Rock Camp Brasil.

É uma espécie de acampamento de verão, que reuniu 60 garotas de 7 a 17 anos para uma semana de música e diversão em Sorocaba (SP). Saídas de vários lugares do Brasil, as meninas se reúnem para aprender música – mas, acima de tudo, para celebrar coisas como a amizade, o trabalho em grupo, a solidariedade e a autoestima.

“Eu adoro o som que ela faz”, diz Alice, de 7 anos, sem parar de tocar a bateria nem na hora em que fala com o repórter. Com a guitarra na mão, Maria Fernanda, de 9 anos, conta que a inspiração veio de casa. “As minhas primas têm uma banda”, diz. “E você também quer ter uma?” “Claro!”

“Nosso foco é o empoderamento feminino. O objetivo não é formar bandas nem revelar talentos, mas mostrar que as meninas podem fazer o que elas quiserem, inclusive ter uma banda de rock. Mostrar que elas são iguais aos meninos e não precisam depender deles para nada”, explica Flavia Biggs, socióloga, guitarrista com mais de uma década de estrada na cena do rock independente e diretora do evento.

Muita atenção na hora de receber noções básicas de guitarra (Foto: Jéssica Ribeiro/Girls Rock Camp)

Muita atenção na hora de receber noções básicas de guitarra (Foto: Jéssica Ribeiro/Girls Rock Camp)

Flavia se inspirou no Girls Rock Camp americano, criado em 2001 e que ela frequentou em três ocasiões. Depois de organizar diversas oficinas específicas de guitarra para meninas, ela organiza um evento de temática feminista óbvia, mas sem explicitar a palavra “feminismo”. “As meninas em geral têm uma formação individualista, de competir umas com as outras, além de passiva, ou seja, de esperar que outra pessoa tome a atitude.” Por isso, explica, a ausência de meninos: “Se eles estivessem aqui, provavelmente tomariam a frente para organizar e liderar tudo. Por isso, para que a gente possa treinar essa atitude independente, é que o evento é feito só de meninas”, completa

Há ainda o componente artístico. Bandas só de mulheres são muito mais raras que bandas de homens – que, eventualmente, aceitam uma mulher como vocalista. “A gente não é incentivada a tentar instrumentos como guitarra, baixo e bateria, acaba muitas vezes relegada a cantar ou tocar teclado, que seria uma coisa mais feminina. Aqui, a gente mostra que esse tipo de escolha não tem nada a ver com o sexo”, diz Patricia Saltara, outra das organizadoras, também ela guitarrista e membro de banda.

As inscrições para o evento se encerraram em apenas quatro dias – e ainda sobrou uma fila de espera com cerca de 40 nomes. No ato, as meninas já tinham que escolher um instrumento, e uma das primeiras atividades do acampamento, aberto na última segunda-feira (13), foi a formação de 10 bandas, cada uma delas com seis integrantes – vocalista, duas guitarristas, baixista, tecladista e baterista -, separadas pela afinidade musical.

Como saber tocar não era condição para participar, as meninas aprendem um pouco de teoria musical, recebem dicas de composição e noções básicas de cada instrumento. Cada grupo tem de compor uma música própria para a apresentação de encerramento, que será neste sábado (18). Mas dizem que rock não é só música, mas atitude – e, por isso, as aulas são intercaladas com oficinas de skate e silk screen, para fazer as camisetas personalizadas das bandas.  “Com isso, elas aprendem a ter responsabilidade, a respeitar a opinião da maioria, a ter uma verdadeira concepção do que é trabalhar em grupo”, diz Flavia.

Também estão no “currículo” aulas de defesa pessoal, para prevenção de situações de assédio e violência. Elas se dividem em grupos e metade representa meninos em posição ofensiva, enquanto outras colocam a mão na frente do rosto para afastar o “oponente” enquanto gritam “não” em voz alta.

Atenta, Alice não larga da bateria nem para dar entrevista (Foto: Fernando Cesarotti/G1)

Atenta, Alice não larga da bateria nem para dar entrevista (Foto: Fernando Cesarotti/G1)

Colaborações
O ambiente colaborativo é uma característica fundamental do evento, bancado em parte pelas inscrições das participantes (50 delas pagaram R$ 75 e dez ganharam bolsa), parte por shows beneficentes realizados no segundo semestre do ano passado e parte por doações. A reportagem do G1 presenciou, por exemplo, a chegada de uma carga de oito caixas de picolé e dezenas de panetones, tudo dado por uma comerciante.

As instrutoras são todas voluntárias e recebem apenas a alimentação e a hospedagem – e muitas delas ainda emprestam seus próprios instrumentos. “É um ambiente que toca muito quem acredita na música como catalisador de transformação social”, discursa Patrícia Saltara.

Palco do evento desde sua primeira edição, no ano passado, a EE Prof. Júlio Bierrenbach de Lima, onde Flavia Biggs já deu aulas de sociologia, também não cobra nada. “Faz parte de nosso papel interagir com a comunidade e colaborar com a valorização do mundo feminino”, discursa a diretora, Maria Helena Vieira de Camargo. E o barulho não incomoda? “Claro que não. A escola deve ser um núcleo de propagação de todo tipo de conhecimento, e a gente dee se renovar, gostar de tudo”, completa.

As aulas e oficinas se encerraram na sexta-feira (17). Neste sábado, o bar Asteroid, que fica na rua Aparecida, 737, no bairro Santa Rosália, recebe o show de encerramento. Pais e parentes já estão empolgados. Os ingressos serão vendidos na hora, e costuma lotar. “No ano passado não coube todo mundo, ficou gente de fora”, relembra Flavia. Quem quiser ir deve chegar cedo. E melhor não levar a Barbie.

O amor pela música não tem idade nem tamanho (Foto: Fernando Cesarotti/G1)

O amor pela música não tem idade nem tamanho (Foto: Fernando Cesarotti/G1)

Poupadores são mais atraentes que gastadores, diz pesquisa

pouparPublicado no UOL

Poupar uma parte do dinheiro que se ganha é uma das chaves do sucesso financeiro, proclamam todos os especialistas em finanças pessoais. Uma pesquisa divulgada recentemente nos Estados Unidos mostra que, além do campo das finanças, essa atitude pode ajudar também em outra área: a dos relacionamentos.

Segundo o estudo, feito pelo professor de marketing Scott Rick e pela estudante de doutorado em marketing Jenny G. Olson, da Universidade de Michigan, pessoas poupadoras são vistas como mais atraentes, até fisicamente, pelos outros.

O estudo “Penny Saved is a Partner Earned: The Romantic Appeal of Savers” (em tradução livre: “Um centavo que se poupa é um parceiro que se ganha: o apelo romântico dos poupadores”) foi feito com a ajuda de voluntários, homens e mulheres. Eles foram convidados a avaliar perfis de potenciais parceiros.

As fotos mostradas aos voluntários eram de um homem e de uma mulher de beleza considerada mediana (para que a aparência física não fosse determinante na avaliação). A cada teste, uma característica era atribuída a eles pelos pesquisadores. Eles eram mostrados como “gastadores”, “equilibrados” ou “poupadores”.

A conclusão foi que as pessoas mostradas como econômicas pareciam mais interessantes quando o assunto era uma relação romântica. Em segundo lugar apareceram os equilibrados e, em último, os gastadores.

Para os pesquisadores, o resultado desmente a ideia de que ostentar bens, como um carro novo ou um imóvel de alto padrão, ajuda a atrair parceiros.

Mais autocontrole e mais compromisso

Para os voluntários, os poupadores eram mais atraentes porque aparentavam ter mais autocontrole e, assim, pareciam ser mais capazes de levar a sério um compromisso.

A característica influenciou, até, na atração física exercida sobre os voluntários. Quem participou do teste considerou que os poupadores tinham mais disciplina para levar dietas adiante e fazer exercícios físicos regularmente. Assim, eles eram, também, fisicamente mais interessantes.

Os poupadores também foram vistos como menos aventureiros, divertidos e emocionantes do que os gastadores. Mas, para os voluntários, ainda assim eles eram mais interessantes.

Os pesquisadores fizeram apenas uma ressalva ao fim do estudo. A pesquisa foi feita num período em que os Estados Unidos enfrentam uma crise financeira. Não é possível saber, segundo os autores, se os poupadores continuariam parecendo tão interessantes em momentos econômicos mais tranquilos.

Como uma atitude positiva pode aumentar sua expectativa de vida

heartrate-monitor-111220-600x499Guilherme de Souza, no HypeScience

Se você tem alguma doença cardíaca e é mal-humorado/estressado/rabugento, é bom mudar de atitude o quanto antes: isso pode salvar sua vida.

Em estudo publicado recentemente na revista Circulation: Cardiovascular Quality and Outcomes, pessoas com atitude positiva tiveram 42% menos chances de morrer em um período de cinco anos (um intervalo que, naturalmente, pode ser ainda maior).

Os pesquisadores analisaram informações de 600 pacientes com doença arterial coronariana (em que ocorre estreitamento das artérias que fornecem sangue aos músculos cardíacos) que foram tratados em um hospital da Dinamarca. Os participantes responderam em 2005 um questionário a respeito de sua (ou da ausência de uma) rotina de exercícios.

Ao longo do estudo, 80 pacientes faleceram, sendo que 30 (5% do total) tinham uma atitude positiva e 50 (8,3%) tinham uma atitude negativa.

Esse aumento na expectativa de vida pode ser explicado em parte porque, de modo geral, os pacientes com atitude positiva eram duas vezes mais propensos a manter uma rotina de exercícios, garantindo um impacto positivo na saúde. Os autores do estudo não souberam responder, contudo, o que veio antes: a atitude positiva ou a rotina de exercícios (uma vez que atividades físicas prazerosas podem melhorar o humor da pessoa).

A cardiologista preventiva Suzanne Steinbaum, do Hospital Lenox Hill (Nova York, EUA), lembra que uma visão de mundo positiva pode reduzir níveis de hormônios de estresse e de substâncias inflamatórias, além de incentivar a pessoa a manter hábitos saudáveis – como ter uma dieta balanceada, ter uma boa rotina de sono e evitar o consumo de tabaco. “Acho que é mais provável que as pessoas positivas cuidem mais de si mesmas e ajudem a si mesmas”. [LiveScienceCirculation: Cardiovascular Quality and Outcomes]

Papa propõe que conventos sirvam de abrigo para refugiados

Algumas das construções foram transformadas em hotéis que geram recursos e críticas para a Igreja
Imigrantes não devem ser temidos, afirma Francisco

Papa Francisco fala aos refugiados no Centro Astalli AP / L'Osservatore Romano

Papa Francisco fala aos refugiados no Centro Astalli AP / L’Osservatore Romano

Publicado por Reuters [via O Globo]

ROMA – Construções da Igreja que não estão sendo utilizadas devem servir de abrigo para refugiados, “que devem ser abraçados e não temidos”, disse o Papa Francisco a pessoas que buscavam asilo, na tarde desta terça-feira, em Roma. A atitude reforçou a ênfase do atual papado nos pobres e no sofrimento dos imigrantes. A queda no número de seminaristas e noviças esvaziou conventos e monastérios, que acabaram sendo transformados em hotéis que garantiram renda extra para a Igreja, mas também atraíram críticas.

- Conventos e monastérios vazios não devem ser convertidos em hotéis pela Igreja para ganhar dinheiro. (As construções) não são nossas, elas são para a carne de Cristo, que é o que os refugiados são – explicou o Pontífice durante uma audiência fechada no Centro Jesuíta Astalli, em Roma.

Francisco encontrou vários imigrantes que procuram asilo na Itália, incluindo alguns da Síria, depois de fazer um apelo pela paz no país árabe no final de semana. Ele também afirmou que cuidar dos pobres não deve ser um trabalho apenas para os “especialistas”, mas sim uma atividade que engaje todos os membros da Igreja, e seja parte da formação dos padres.

- A palavra solidariedade assusta as pessoas no mundo desenvolvido – pontuou o Papa.

Desde que expressou seu desejo por uma “Igreja pobre e para os pobres” pouco depois de sua eleição, em março, o papado de Francisco tem sido marcado pelo seu estilo humilde e pela importância dada aos destituídos.

Em julho, ele visitou a ilha italiana de Lampedusa, onde chegam, anualmente, dezenas de milhares de imigrantes ilegais. Lá, condenou a indiferença aos muitos que morrem tentando atravessar o Mediterrâneo em busca de uma vida melhor.

dica do Ailsom Heringer

Hacker invade página de Zuckerberg para provar falha no Facebook

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Publicado na Folha de S. Paulo

Depois de ser desprezado pela equipe técnica do Facebook quando relatou uma falha na rede social, um hacker resolveu demonstrar o erro na conta do fundador e presidente do site, Mark Zuckerberg.

Khalil Shreateh fez uma postagem no mural de Zuckerberg, o que normalmente seria restrito aos contatos do executivo, apelando para que fosse ouvido.

“Em primeiro lugar, desculpe por invadir sua privacidade e por postar no seu mural –eu não tive escolha”, escreveu, em inglês, e descreveu o que havia passado até então (leia mais abaixo).

A atitude foi considerada “inaceitável” pela rede social, que deixou de pagar a Shreateh uma recompensa que é dada a descobridores de bugs.

Isso porque o hacker violou as condições impostas pela empresa, ao “valer-se de falha para impactar um usuário real”.

O Facebook diz que o erro, que basicamente permitia ao hacker criar postagens no mural de qualquer pessoa sem que ela tivesse autorizado, foi corrigido na quinta-feira.

“DESCULPE, ISSO NÃO É UM ERRO”

Shreateh, que é de Yatta, na Palestina, havia demonstrado o erro anteriormente ao postar no mural de Sarah Goodin, uma colega de faculdade de Zuckerberg que foi a primeira mulher a entrar no Facebook.

Ele enviou, então, a demonstração do erro a um dos engenheiros do Facebook, que não pôde visualizar a postagem por não ser um dos contatos de Goodin na rede e, depois, acabou por desconsiderar a falha.

“Desculpe, isso não é um bug”, disse o funcionário, como mostra um detalhado post no blog de Shreateh.

Foi então que o hacker decidiu usar a conta do presidente-executivo da empresa para mostrar que o erro existia.

Usando como imagem de perfil uma fotografia de Edward Snowden –o responsável pelo vazamento do esquema de espionagem americano Prism–, Shreateh descreveu seu contato com a equipe técnica da rede social.

“Descobri recentemente um sério problema no Facebook que permitia que usuários postassem na linha do tempo de outros sem estar na lista de contatos. Relatei isso duas vezes. Como você pode ver, não sou um contato seu e, ainda assim, posso postar no seu mural”, escreveu.

“Agradeço por ler isto e por pedir para que alguém de sua companhia me contate.”

A mensagem já foi removida do perfil de Zuckerberg.

Em um vídeo, com legendas em inglês e em árabe, o hacker demonstra a falha: