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Pai fotografa filho autista e cria laços entre os dois

Fotografia mostra universo infantil com sutileza e sensibilidade

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Publicado originalmente no Catraca Livre

O fotógrafo Timothy Archibald começou a fotografar o filho, Elijah, quando ele tinha cinco anos. As fotos colaborativas eram uma maneira de criar algo em comum e uma tentativa de entender um ao outro. Um pouco depois de começarem o projeto, o filho foi diagnosticado com autismo.

Segundo Archibald, o diagnóstico fez com que ele entendesse melhor o filho e surgiu a necessidade de criar uma ponte emocional entre os dois.  As fotos passariam a ter papel importante na relação e resultaram no livro “Echolila: Sometimes I Wonder”.

Na construção das fotos, os dois trabalham juntos, mas Archibald afirma que tenta deixar o filho com todo o processo criativo e o fotógrafo apenas opera a camêra. Depois,  eles redefinem e tentam melhorar as ideias das fotos. Nada é programado e Elijah costuma fazer coisas inesperadas.

Confira galeria abaixo.

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Como seria estar por trás dos olhos de um autista?

Gustavo Serrate, no Obvious

“O autismo me prendeu dentro de um corpo que eu não posso controlar” – conheça a história de Carly Fleischmann, uma adolescente que aprendeu a controlar o autismo para se comunicar através de palavras escritas em um computador após 11 anos de enclausuramento dentro de si mesma, e assista também o video interativo “Carly’s Café”, no qual você poderá vivenciar alguns minutos da experiência de um autista por trás dos olhos de um.

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Lê se na tela de um computador: “Meu nome é Carly Fleischmann e desde que me lembro, sou diagnosticada com autismo”, a digitação é lenta, a idéia não é concluída sem algumas interrupções, é assim que Carly trava contato com o mundo. Carly é uma adolescente de Toronto, Canadá, e atravessou uma batalha na vida. Ajudada pelos pais, ela conseguiu superar a barreira máxima do isolamento humano.

“Quando dizem que sua filha tem um atraso mental e que, no máximo atingirá o desenvolvimento de uma criança de seis anos, é como se você levasse um chute no estômago”, diz o pai de Carly. Ela tem uma irmã gêmea que se desenvolvia naturalmente, e aos dois anos, ficou claro que havia algo de errado. Ela estava imersa no oceano de dados sensoriais bombardeando seu cérebro constantemente. Apesar dos esforços dos pais, pagando profissionais, realizando tratamentos, ela continuava impossibilitada de se comunicar e de ter uma vida normal. O pai de Carly explica que ela não era capaz de andar, de sentar, e todos doutores recomendavam: “Você é o pai. Você deve fazer o que julgar necessário para esta criança”.

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Eram cerca de 3 ou 4 terapeutas trabalhando 46 horas por semana. Os terapeutas acreditavam que Carly fosse mentalmente retardada, portanto, sem esperanças de algum dia sair daquele estado. Amigos recomendavam que os pais parassem o tratamento, pois os custos eram muito altos. O pai de Carly, no entanto, acreditava que sua criança estava ali, perdida atrás daqueles olhos: “Eu não poderia desistir da minha filha”.

Subitamente aos 11 anos algo marcante aconteceu. Ela caminhou até o computador, colocou as mãos sobre o teclado e digitou lentamente as letras: H U R T – e um pouco depois digitou – H E L P. Hurt, do inglês “Dor”, e Help significa “Socorro”. Carly nunca havia escrito nada na vida, nem muito menos foi ensinada, no entanto, foi capaz de silenciosamente assimilar conhecimento ao longo dos anos para se comunicar, usando a palavra pela primeira vez, em um momento de necessidade extrema. Em seguida, Carly correu do computador e vomitou no chão. Apesar do susto, ela estava bem. “Inicialmente nós não acreditamos. Conhecendo Carly por 10 anos, é claro que eu estaria cético”, disse o pai.

Os terapeutas estavam ansiosos para ver provas e os pais incentivavam Carly ao máximo para que ela se comunicasse novamente. O comportamento histérico de Carly permanecia exatamente como antes e ela se recusava a digitar. Para força-la a digitar, impuseram a necessidade. Se ela quisesse algo, teria que digitar o pedido. Se ela quisesse ir a algum lugar, pegar algo, ou que dissessem algo, ela teria que digitar. Vários meses se passaram e ela percebeu que ao se comunicar, ela tinha poder sobre o ambiente. E as primeiras coisas que Carly disse aos terapeutas foi “Eu tenho autismo, mas isso não é quem eu sou. Gaste um tempo para me conhecer antes de me julgar”.

A partir dai, como dizem os pais, Carly “encontrou sua voz” e abriu as portas de sua mente para o mundo. Ela começou a revelar alguns mistérios por trás do seu comportamento de balançar os braços violentamente, e de bater a cabeça nas coisas, ou de querer arrancar as roupas: “Se eu não fizer isso, parece que meu corpo vai explodir. Se eu pudesse parar eu pararia, mas não tem como desligar. Eu sei o que é certo e errado, mas é como se eu estivesse travando uma luta contra o meu cérebro”. Continue lendo

Brasileiro concorre ao prêmio de melhor professor dos EUA

Alexandre Lopes foi eleito o melhor entre 180 mil professores da Flórida. Natural de Petrópolis (RJ), ele se especializou em ensinar crianças autistas.

O brasileiro Alexandre Lopes, que dá aula para crianças especiais na Carol City Elementary, na Flórida (Foto: Reprodução/Macys’s)

Ana Carolina Moreno, no G1

Um brasileiro de 43 anos, natural de Petrópolis, no Rio de Janeiro, foi eleito na última quinta-feira (12) o melhor entre os mais de 180 mil professores da rede estadual de ensino da Flórida, nos Estados Unidos. Além de prêmios em dinheiro, um carro, uma viagem a Nova York, um anel de ouro e um treinamento espacial na Nasa, Alexandre Lopes, que emigrou do Brasil em 1995, agora é candidato ao título de melhor professor dos Estados Unidos.

A etapa nacional da disputa fica aos cuidados do Departamento Nacional de Educação do governo federal. Lopes já tem presença garantida no evento de divulgação do resultado, em maio de 2013 na Casa Branca, em Washington, com a presença do presidente americano.

Até lá, ele vai viajar pelo estado onde mora dando palestras para outros professores sobre sua metodologia na sala de aula. Doutorando da Universidade Internacional da Flórida, ele se especializou na educação especial para a primeira infância e, há oito anos, trabalha na escola Carol City Elementary, em Miami.

O brasileiro leciona para dois grupos de 12 e 13 crianças com idades de três a cinco anos, na idade considerada nos Estados Unidos como pré-escolar. Parte dos alunos é autista e, como a Carol City Elementary fica em uma região de baixo poder aquisitivo, a maioria dos estudantes pertence a minorias dentro da sociedade americana. Alguns ainda são filhos de imigrantes e não têm o inglês como idioma nativo.

“É uma inclusão total e irrestrita, da maneira que eu gosto, com alunos deficientes, imigrantes, minorias… Como eu acho que a sociedade deveria ser”, conta. Lopes considera sua abordagem “holística” e afirma que se envolve em todos os aspectos da vida de seus “aluninhos”, como gosta de se referir às crianças que ensina, tanto da parte acadêmica quanto da emocional e da social. Para o brasileiro, isso significa incluir  todos os membros mais próximos da família no processo escolar, muitos deles ainda se adaptando à notícia de que seus filhos são autistas.

Aceitando a diversidade

Na sala de aula do brasileiro, porém, todos são iguais. “Eu não diferencio meus alunos. Procuro ser consistente para fazer com que meus alunos com autismo tenham os outros como modelo, e para fazer com que meus outros alunos aceitem todas as diferenças que existem na nossa sociedade”, explica Alex, como é conhecido pelos alunos e colegas de trabalho. Suas técnicas variam de acordo com o conteúdo das aulas. Segundo ele, música e dança são dois elementos que predominam durante as atividades, mas a adoção da tecnologia também ajuda os pequenos estudantes a se expressarem.

Entre os equipamentos está uma tela que reproduz, ao toque de um botão, mensagens pré-gravadas na voz dele ou de um estudante. O instrumento é usado pelos alunos autistas para que eles possam comunicar o reconhecimento dos símbolos, um processo que, segundo Lopes, acontece nestas crianças de maneira diferente das demais.

Lopes usa tecnologia, instrumentos e música para transmitir conhecimentos a crianças de três a cinco anos (Foto: Reprodução/Macys’s)

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