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“Não quero ser um dos que reclamam a vida a toda e, quando tem a oportunidade de fazer algo, cruza os braços”

marchapaulista

Moisés Lourenço, especial para o Pavablog

7 km é exatamente a extensão do tamanho ‘grupo’ que eu fiz parte na manifestação de ontem (17/6). Um oceano de gente assustador. Nem contei com a Avenida Paulista. Com certeza a TV só ‘contou’ os 2,5 km da Avenida Paulista. Vi coisas impressionantes. Enquanto alguns pichavam agências bancárias, outro grupo de manifestantes chegava com pano e água para limpar. Enquanto um engraçadinho tentava praticar um ato exagerado, os manifestantes o repreendiam.

Esta manifestação que está se espalhando pelo Brasil revela o nível da injustiça, corrupção, descaso e impunidade que explode com fúria e força. Veja bem, eu disse que “explode”, porém, esta explosão precisa virar uma conscientização que molde o caráter político das pessoas, tanto no que tange a esfera partidária, quanto nas reivindicações e interesse pelo debate público. É de suma importância que a causa, ou melhor, as causas, superem o movimento Passe Livre. Que vire uma onda que não passa e que não se desintegra.

Em relação aos que estão definitivamente contra as manifestações e que são do contra mesmo, a despeito dos atos isolados, pontuais e infelizes de vandalismo, me façam um favor: não tenham filhos; vai que seus filhos nasçam medíocres, néscios e covardes como vocês… Temos que tomar cuidados com essas probabilidades de maldição familiar educacional e o BR não quer que essas crianças sejam você amanhã. Essa corja nem classe média é. É tudo pobre que subiu um degrau na vida e se sente indiferente aos anseios de enfrentamento dos problemas do BR ou sofreu lavagem cerebral em seus contextos de trabalho, casa, ambiente religioso ou fotinha com frase de Reinaldo Azevedo, Raquel Sherazade ou Datena.

Toda manifestação, ainda que pacífica, gera transtorno. Ambulâncias ficam paradas, o povo que depende do ônibus ou que utiliza o seu carro, não chega em casa. Por isso, manifestação desse tipo não é a “coisa mais linda do mundo”. Quem dera não precisássemos protestar nas ruas e não gerar transtornos a ninguém. Mas esses Atos públicos são o mal necessário que podem mudar o país. Se vai mudar, eu não sei, mas é o único jeito de tentar mudar. Eu não quero ser um desses que reclamam a vida a toda e quando tem a oportunidade de fazer algo, cruza os braços e ainda se volta contra. Isso se chama “ativismo da covardia”, onde eu faço apologia à covardia com bravura e com pseudo senso crítico.

Que estejamos juntos na tragédia com solidariedade e ação. Que estejamos juntos nas manifestações com conscientização e perseverança. Que estejamos juntos no respeito ao próximo como práxis individual e verdadeira.

Um “pedala Robinho” para você.

manifestacaosp

20 centavos e o preço das manifestações

Foto: Rafael Lira

Foto: Rafael Lira

Isaac Palma, no Blog do Fale

Invariavelmente, não foram os 20 centavos que nos levaram as ruas de São Paulo, apesar de existirem razões cabíveis para protestar por esses 20 centavos. Definitivamente não são apenas os valores das passagens que tem levado pessoas as ruas, não só em São Paulo, mas em várias cidades do Brasil. Existe algo simbólico em todo levante popular, não significa que o que o Estado fez nunca foi feito, mas que chegou ao nível de ser intolerável, não saímos as ruas por esse último aumento, mas por todos os que tiveram até agora e em um tipo de esperança de que eles não sejam mais uma realidade entre nós, graças a uma indignação constante.

Existe uma distância astronômica, para aqueles que foram as ruas por esses dias pedir pela redução do valor da passagem, entre o valor anterior e esse que o Estado nos presenteou. Se enganam aqueles que acham que esses protestos são sobre transporte público ou mobilidade urbana, eles passam inevitavelmente por isso, mas não são sobre isso. Existe um tanto de revolta não só com o Estado, mas também com toda a Sociedade, e isso obviamente nos inclui, não estamos ali somente pelo que está posto agora, estamos também por todas as nossas omissões anteriores. Estamos ali porque não aguentamos mais ficar parados dizendo que ninguém faz nada, ou que os políticos são corruptos e nada pode mudar isto.

Isaac (esquerda) e Rafael  - Falantes marcando presença nas manifestações. (Foto: Rafael Lira)

Isaac (esquerda) e Rafael – Falantes marcando presença nas
manifestações. (Foto: Rafael Lira)

Entre a Avenida Paulista e a Consolação, nos poucos centímetros quetransformam uma em outra, pisei em 2013 como se pisasse em meados das décadas de 80, época em que os sonhos não descansavam, e que sonhar não era só possível como era necessário. Era como se num lapso de tempo pudesse viver aqueles anos que não vivi como ser humano mas inevitavelmente vivi como Brasileiro. Abandonar nossas distopias cotidianas talvez ainda nos leve tempo, trocar por velhas e (por que não?) novas utopias nos custe esforços que não estamos ainda dispostos. Ver aqueles sonhos de uma nação mais justa serem transformados em ensaios tecnocratas de mentiras mal contadas, talvez tenha sido um baque por demais doloroso em nós, e por isso esse silencio sepulcral, talvez por isso nossas omissões anteriores.

Recordo-me que a mesma cena se repete diversas vezes na história, como o estopim de uma coisa aparentemente insignificante pode se transformar num levante que muda os rumos de países, cidades ou bairros. Relembro a história do Cristo indignado, com os exploradores do povo, dos profetas que não quiseram nem puderam se calar com a hipocrisia daqueles que exploravam os oprimidos. Me identifico com esses sonhadores que vislumbraram outro mundo sobre os escombros daquele que estava a sua frente.

Por fim não podemos ser ingênuos a ponto de acreditar que mudaremos o Brasil de uma hora pra outra, ou que todos temos o mesmo sentimento, que todos os que foram as ruas acreditam nas mesmas coisas, esses movimentos aglutinam forças opostas dentro de si, e isso deve ser ressaltado, mas é justamente na contradição que emana a beleza dessa luta, somos sim contraditórios e múltiplos: plurais. Existem brigas e divisões, mas em comum decidimos Sonhar.

*Isaac Palma é articulador da Rede FALE SP e escreveu esse texto reflexivo a partir da experiência na marcha acontecida no dia 11/06/2013, que uniu mais de 10 mil pessoas nas ruas de São Paulo.

Integrantes do Femen mostraram os seios a pastores durante protesto hoje em SP

Tropa de Choque da Polícia Militar entra em confronto com manifestantes na rua do Carmo, na Sé, durante protesto contra o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo (foto: Juca Varella/Folhapress)

Tropa de Choque da Polícia Militar entra em confronto com manifestantes na rua do Carmo, na Sé, durante protesto contra o aumento das tarifas do transporte público em São Paulo (foto: Juca Varella/Folhapress)

título original: Manifestantes entram em confronto com a PM no 3º protesto contra a alta na tarifa de ônibus em SP

Publicado no Estadão Urgente

20h23 -Integrantes do movimento feminista Femen mostraram os seios a pastores ao passar pela Rua Conde de Sarzedas, conhecida por reunir diversas igrejas evangélicas. Os religiosos  pararam o culto para ver  a manifestação e foram surpreendidos pelas ativistas. A segunda parte dos manifestantes segue para a Avenida Paulista pela Avenida Brigadeiro Luís Antônio. A Paulista foi palco de diversos conflitos e atos de vandalismo nos demais protestos.

20h08 – Depois de sentarem-se na Praça da Sé, uma das frentes da marcha decidiu retornar para a Avenida Paulista. O grupo está bastante reduzido em relação ao bloco inicial.  A Tropa de Choque  investiu novamente contra os manifestantes para dispersar os participantes. A situação é bastante tensa. Na Rua Senador Feijó, manisfestantes fazem barricadas ateando fogo em lixo. Uma agência do Bradesco foi depredada. O comércio local fechou as portas.

Agência do banco Bradesco na rua Tabatinguera, no centro da capital paulista, destruída durante protesto contra o aumento da tarifa de ônibus para R$3,20 (foto: Nelson Antoine/Fotoarena/Estadão Conteúdo)

Agência do banco Bradesco na rua Tabatinguera, no centro da capital paulista, destruída durante protesto contra o aumento da tarifa de ônibus para R$3,20 (foto: Nelson Antoine/Fotoarena/Estadão Conteúdo)

dica do Fabio Martelozzo Mendes

Empresário de Sorocaba doa prótese para ciclista atropelado em São Paulo

Especialistas devem visitar rapaz para avaliar o nível de amputação.
Rapaz de 21 anos perdeu o braço em um atropelamento na Av. Paulista.

Ciclista teve o braço amputado após ser atropelado na Avenida Paulista (Foto: Reprodução Globo News)

Ciclista teve o braço amputado após ser atropelado na Avenida Paulista (Foto: Reprodução Globo News)

Luana Eid, no G1

Um empresário de Sorocaba (SP) vai doar uma prótese para o limpador de vidros David Santos de Souza, de 21 anos, que teve o braço direito amputado depois de ser atropelado na Avenida Paulista, na manhã do último domingo (10).

O caso, que teve repercussão nacional, comoveu Nelson Nolé, que tem uma empresa especializada em próteses ortopédicas há 46 anos na cidade. “Para mim, é o absurdo dos absurdos. O que eu puder fazer para ajudar, vou fazer”.

O empresário diz que irá até o hospital para avaliar que tipo de prótese será usada. “Temos que analisar quais foram os danos causados e o que restou do braço dele, para então saber qual sistema vamos utilizar”, explica o Nelson.

Especialistas da empresa devem visitar o ciclista ainda nesta quinta-feira (14), para que o processo de avaliação seja realizado.

Nelson conta que 30% do que produz é doado. “Nós escolhemos pessoas que não têm condições de pagar pelas próteses. Neste caso, não poderia ser diferente, já que foi uma brutalidade”, afirma o empresário, que diz ter recebido centenas de ligações de pessoas que gostariam de ajudar o rapaz.

Avaliação

Prótese elétrica é uma das opções do ciclista (Foto: Luana Eid / G1)

Prótese elétrica é uma das opções do ciclista
(Foto: Luana Eid / G1)

Segundo Nelson, as análises para a escolha da prótese são ortopédicas e também psicológicas. Só depois de entender o quadro clínico do paciente será possível concluir se todos os movimentos serão recuperados.

“Nós ainda temos pouca informação sobre o nível da amputação. A partir disso, saberemos qual será a melhor prótese para o jovem”, explica Nelson. Entre os sistemas desenvolvidos pela empresa estão o biônico, com comando cerebral, e o eletrônico.

Entenda o caso
O ciclista David Santos de Souza foi atropelado no início da manhã deste domingo (10), na Avenida Paulista, região central da cidade. De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), o acidente ocorreu por volta das 5h30, no sentido Paraíso, próximo ao Metrô Brigadeiro. Com o acidente, o braço direito do ciclista foi amputado.

O estudante de psicologia Alex Siwek, que atropelou David e jogou seu braço em um córrego, está detido no Centro de Detenção Provisória 2 do Belém, na Zona Leste. Um pedido de liberdade provisória do motorista foi enviado à Justiça na segunda-feira (11). Na terça-feira (12), porém, o juiz Alberto Anderson Filho emitiu parecer em que diz que o jovem não deve responder por tentativa de homicídio doloso por estar dirigindo sob influência de álcool.

De acordo com o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), o pedido de liberdade provisória para o motorista não chegou a ser analisado pelo juiz do Tribunal do Júri, que considerou que o caso não era de sua competência. O pedido será redistribuído pelo Departamento de Inquéritos Policias (Dipo) a um juiz comum.

Motorista que atropelou ciclista na av. Paulista tinha bebido e dirigia em zigue-zague, dizem testemunhas

O motorista Alex Siwek, 22, que atropelou um ciclista na manhã deste domingo (10) na avenida Paulista, chega ao 78º DP, nos Jardins, na zona oeste da capital. O ciclista teve o braço amputado pelo veículo que o atropelou Mais Nelson Antoine/Fotoarena/Estadão Conteúdo

O motorista Alex Siwek, 22, que atropelou um ciclista na manhã deste domingo (10) na avenida Paulista, chega ao 78º DP, nos Jardins, na zona oeste da capital. O ciclista teve o braço amputado pelo veículo que o atropelou Mais Nelson Antoine/Fotoarena/Estadão Conteúdo

Débora Melo, no UOL

O motorista que atropelou um ciclista na avenida Paulista, região central de São Paulo, na manhã deste domingo (10), tinha ingerido bebida alcoólica e trafegava em velocidade incompatível com a via, dirigindo em zigue-zague, segundo testemunhas.

O cliclista David Santos de Souza, 21, teve o braço decepado no acidente. O motorista, o estudante de psicologia Alex Siwek, 22, fugiu sem prestar socorro e, depois, jogou o braço da vítima em um córrego da zona sul.

De acordo com Luis Francisco Segantin Junior, delegado-assistente do 78º DP (Jardins), que investiga o caso, um amigo do motorista –que estava no carro– contou que eles tinham ido à casa noturna Josephine, no Itaim Bibi (zona sul), onde beberam.

“O consumo de bebida alcoólica foi confirmado pela pessoa que estava com ele. Mas não posso dizer que ele estava embriagado.” Segundo o delegado, Siwek se recusou a fazer o teste do bafômetro.

“Todas as pessoas que tiveram contato com o autor dos fatos, inclusive PMs que atenderam a ocorrência, disseram que ele aparentava embriaguez”, completou Segantin Junior.

“Testemunhas também disseram que ele fazia zigue-zague pela Paulista. Ele entrava e saía da faixa reservada para os ciclistas, que já estava separada por cones, e chegou a derrubar alguns.” De acordo com o delegado, imagens de vídeo já foram solicitadas à CET (Companhia de Engenharia de Tráfego).

A faixa de lazer exclusiva para ciclistas da av. Paulista funciona aos domingos e feriados, das 7h às 16h. Segundo a polícia, no momento do acidente o ciclista andava na faixa, que não estava operando, mas que já estava separada por cones das demais.

Em depoimento, Siwek disse à polícia que só depois notou a presença do braço da vítima em seu carro. Médicos do HC (Hospital das Clínicas), onde Souza está internado, informaram à polícia que o braço da vítima poderia ter sido reimplantado caso fosse encontrado a tempo. De acordo com a assessoria de imprensa do HC, o quadro de saúde de Souza é “estável”. O braço, porém, não poderá ser reimplantado mesmo que seja encontrado.

O ciclista, que estava a caminho do trabalho no momento do acidente, costumava fazer o trajeto de bicicleta, segundo a polícia.

Motorista deve ser indiciado por quatro crimes

Alex Siwek foi encaminhado na noite deste domingo ao 2º DP (Bom Retiro), na região central da capital. De acordo com o delegado Segantin Junior, a manutenção da prisão depende “de manifestação judicial”.

Siwek deverá ser indiciado por quatro crimes: tentativa de homicídio doloso (por ter assumido o risco de matar), omissão de socorro, embriaguez ao volante e fraude processual (porque tentou se desfazer do braço da vítima).

“[O motorista] se recusou a fazer o teste de dosagem alcoólica [bafômetro] e de sangue e urina, mas fez o exame clínico de embriaguez. Estamos aguardando o resultado desse exame, que deve sair amanhã”, disse Segantin.

Um dos advogados de Siwek, Pablo Naves Testoni, disse que o motorista se reservou o direito de ficar calado e só vai se manifestar em juízo. Segundo ele, Siwek está “chocado” com o acidente.

“Muita prova que for produzida irá constar nos autos: eventual embriaguez, eventual velocidade”, disse. “Algumas testemunhas disseram que ele estava em velocidade incompatível e que fazia zigue-zague. Outras disseram que ele não estava em velocidade incompatível. E ele mesmo diz que teve que fazer uma manobra brusca quando aconteceu o acidente.”

O acidente

O acidente ocorreu na altura da estação Brigadeiro do metrô, na faixa sentido Paraíso da avenida Paulista, por volta das 5h30 deste domingo (10).

Nesse horário, a ciclofaixa de lazer da avenida ainda está desativada –o horário de funcionamento da faixa exclusiva para ciclistas é das 7h às 16h, aos domingos e feriados.

O motorista fugiu do local levando o braço da vítima no veículo. Posteriormente, jogou o membro no córrego da rua Ricardo Jafet, na zona sul da cidade. À polícia o motorista disse que o braço da vítima caiu dentro do carro, mas que só percebeu a presença do membro mais tarde.

Depois, Siwek se apresentou ao 3º batalhão da PM, na Saúde. Na tentativa de encontrar o braço do ciclista, os policiais refizeram, com Siwek, o trajeto realizado pelo motorista.

Protestos

Em protestos, ciclistas deitaram-se na avenida Paulista na noite deste domingo (10), interditando três faixas da via no sentido da Vila Mariana.

Na noite de sábado (9), a avenida Paulista foi palco de outro protesto: o “Naked Bike Ride” (passeio de bicicleta pelado), no qual dezenas de manifestantes nus pedalaram pela via reivindicando mais respeito pelos direitos dos ciclistas.

Alex Siwek, 22, estudante de psicologia, acusado de atropelar um ciclista na avenida Paulista na manhã deste domingo (10), é transferido para o 2º DP Bom Retiro, na região central de São Paulo Mais Reinaldo Canato/UOL

Alex Siwek, 22, estudante de psicologia, acusado de atropelar um ciclista na avenida Paulista na manhã deste domingo (10), é transferido para o 2º DP Bom Retiro, na região central de São Paulo Mais Reinaldo Canato/UOL