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Marido registra a batalha de sua mulher contra o câncer em fotos emocionantes

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Vicente Carvalho, no Hypeness

“É ela” – é assim que Ângelo descreve a sensação que teve ao conhecer Jennifer, a mesma que seu pai teve quando conheceu a sua mãe. Eles então casaram, mas apenas 5 meses depois ela descobriu estar com câncer de mama, e de súbito falou: “Nós estamos juntos, vai ficar tudo bem”.

Ângelo resolveu registrar a luta de sua esposa durante os 5 anos que ela bravamente enfrentou a doença, no site “A luta da minha esposa com câncer de mama” (My wife with breast cancer).  Seu objetivo foi fazer com que as pessoas conhecessem mais sobre a doença, fizessem um exercício de empatia e, mais do que tudo, ele queria mostrar que o apoio e a vontade de viver do paciente é fundamental.

Se valeu a pena? E ele afirma que não trocaria os 5 anos que viveu com ela por nada no mundo. Vejam as fotos:

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A dor e a dor de Chorão

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Mônica El Bayeh, no Mulher 7×7

A morte do Chorão caiu dura e seca em mim como caem as mortes jovens.  A morte nunca nos cai bem.  Mas, em alguns casos, ela espeta com mais força e a gente sangra por dentro. Sangrei por dentro com a morte do Chorão pelo que ele simbolizou em vida, sim.  Mais ainda, pelo que ele simbolizou em morte.

Chorão nos ensinou em morte que as dores da alma matam.  Não adianta fugir, elas correm atrás, perseguem sua presa.  ¨Quando a casa cai, não dá para fraquejar.  Quem é guerreiro tá ligado, quem é guerreiro é assim¨.  Mas alguns guerreiros acham que a luta é contra a dor. E é aí que perdem a batalha.

A dor maltrata.  Mas não é nossa inimiga.  Dor é sintoma, é alerta.  Tem que ser escutada.  Dor é luz de óleo de carro quando acende.  Não é contra a luz que se tem que lutar.  Precisa escutar a mensagem que ela traz.  Ou você toma providência ou bate o motor.  Quando a dor foi maior do que ele conseguia suportar, na ilusão de buscar a fuga, Chorão caiu na boca do predador.  Foi engolido pela própria dor.

Todos temos nossas dores.  Na minha opinião, elas se dividem em grandes e pequenas.  Grandes, sempre as nossas.  Pequenas, as dos outros.
Nossas dores são sempre as piores, porque são as que nos tocam, nos cortam, nos ferem.  As dos outros podemos imaginar – e dar muitos palpites.  Porque nos outros tudo sempre parece de muito mais fácil solução.

Dor é cano estourado, é insuportável, é urgência.  Tem que resolver, estancar.  Isso é só o que se pensa na hora do desespero.  Todos já passamos por isso.  Cada um estanca como pode, nem sempre da melhor forma, apenas da forma possível.  Sobreviver já é lucro.

Não cabe aqui nenhum juízo de valor, nenhum julgamento.  Cada um conserta seu cano como pode no momento.  Só que, se eu tampo com chiclete, com toalha, num remendo mal ajeitado, tenho que saber que vai vazar e agravar muito o meu problema mais à frente.

Porque a dor é como a água, procura seu curso.  Ou a gente para, enxerga ,tenta resolver e dar passagem para que ela nos conte a que veio, ou ela infiltra e se esgueira por outras direções.

Há pessoas que sentem pelo corpo:  têm enxaquecas, dores de barriga, de estomago, de coluna, pedras nos rins.  É a dor buscando seu curso.  A dor busca expressão.  É a forma que ela tem para mostrar que precisa ser cuidada.  O sintoma é um pedido de socorro sempre.
Uns dormem para esquecer. Outros  não dormem, porque não conseguem esquecer. Noites e noites em claro.

Há os que falam sem parar, e os que se calam completamente.  Os que fumam muito, bebem muito ou mergulham de cabeça numa panela de brigadeiro e os que param de comer.  Tem os que se drogam com remédios ou drogas não oficiais.  Em todos eles podemos ler o pedido de socorro estampado no olhar.  Em todos eles o grito mudo da dor.  A vida lhes dói, corta a carne por dentro e eles não sabem remendar esse cano para resolver e estancar de vez.  Nos olham perdidos, molhados de dor no meio da inundação.

Aflitos, muitas vezes tentamos ajudar.  Aí entra a questão da solidão.  Vida é solidão, sim.  Não quero dizer com isso que seja ruim, triste nem solitário.  Mas, como disse o próprio Chorão, ¨nascemos sozinhos e morremos sozinhos¨.

Nesse meio tempo, as decisões também são só nossas, por mais que tenhamos família, amigos, parceiros, ¨uma palavra amiga , uma notícia boa¨.  Por mais que larguemos ou deleguemos, a decisão sempre será nossa.  Na hora de ir ou ficar, na hora de começar ou separar, na hora do vamos ver, a decisão é só nossa.  Ninguém no seu lugar.  Isso é que é solitário.

Sempre tive horror de hospitais e cirurgias.  No meu primeiro parto, escutava o barulho da maca no corredor vindo me buscar.  Pagaria todo o meu ouro, que nem é tanto assim, para quem quisesse trocar comigo.  Poucas vezes na vida me vi tão só.  Era eu, não servia mais ninguém. Isso é a solidão.  O quarto estava cheio.  Fez diferença?  Nenhuma.  A barriga da vez era a minha, ninguém podia ir no meu lugar.  Então eu fui, com medo e tudo. Porque quando a vida não dá saída, a saída é ir.

Essa sensação de que não-tem-jeito-tem-que-ir é levemente aterrorizante.  ¨Mas também quero te mostrar que existe um lado bom nessa história¨.  A coragem de se lançar, mesmo com medo – e nem é pouco – deixa um gosto de vitória que compensa, ao final. Se fingirmos não ver nossas dores, nossas questões mais doídas, largamos de mão e não tomamos posição, essa já é uma posição.  Pesado, ruim?  Não penso assim.

É complicado no início tomar posse da sua vida, segurar no volante e definir a direção.  ¨Mas o tempo é rei, a vida é uma lição.  E um dia a gente cresce, conhece a essência, ganha a experiência e aprende o que é raiz, então cria a consciência¨.

Um leme bem manuseado impede que o barco fique à deriva, ou bata em tudo e acabe por naufragar.  Assumir o lema da própria vida é difícil.  À primeira vista, parece que não vamos conseguir.  Mas “para quem tem pensamento forte, impossível é só questão de opinião.  E disso os loucos sabem.

Somos solitários desde sempre.  Mas, a loucura de quem aposta na vida e tenta buscar socorro às vezes é única sanidade possível.  Saímos vitoriosos quando aprendemos a lidar com a dor.  E ¨quanto mais a gente rala, mais a gente cresce¨.

A morte do Chorão, um rapaz novo, talentoso ¨com habilidade de fazer histórias tristes virarem melodia¨, que cantava esperança para todos nós, caiu como uma bigorna daquelas de história em quadrinhos, que deixa o personagem achatado e sem forma por um tempo.  Ainda me sinto achatada e grudada no chão.

Chorão somos todos nós, com nossas dores e nossa solidão.  Com ¨nossas histórias, dias de luta e dias de glória¨.  Chorão, te devemos mais essa.  Que sua morte caia em nós como um grito de guerra pela vida.  Vamos continuar tentando ¨viver e cantar não importa qual seja o dia.  Vamos viver, vadiar, o que importa é nossa alegria¨.

Chorão, ¨você deixou saudade¨.

Pastor Marco Feliciano chama religiosos à ‘batalha’ contra gays

A ‘maior das batalhas’: família e igrejas X  gays, lésbicas, bissexuais e travestis

A ‘maior das batalhas’: família e igrejas X gays, lésbicas, bissexuais e travestis

Josias de Souza, no Blog do Josias

Sob críticas desde que foi escolhido para presidir a Comissão de Direitos Humanos da Câmara, o deputado-pastor Marco Feliciano (PSC-SP) tenta converter a polêmica numa cruzada religiosa. Em panfleto veiculada no Facebook, ele convocou líderes evangélicos e católicos da cidade de Ribeirão Preto e arredores para uma reunião nesta segunda-feira (11).

Valendo-se de linguagem bélica, anotou que o alvo de seus antagonistas não é ele: “Estamos vivenciando a maior de todas as batalhas contra a família brasileira.” Sustenta que é a igreja que “está sendo bombardeada”. Identifica a munição e aponta o inimigo: são “mentiras insinuadas por grupo de bandeira LGTB (gays, lésbicas, bissexuais e travestis)”.

Feliciano chama pastores e padres para a reunião em que se discutirá “o futuro de nossas igrejas diante deste grande embate”. Parece interessado em exibir sua infantaria: “Toda a imprensa estará presente, precisamos mostrar nossa união”, realça o panfleto.

No Twitter, Feliciano divulgou neste sábado (9) uma espécie de resposta à apresentadora Xuxa. Ela o havia chamado de “monstro” numa nota pendurada no Facebook na véspera. “Gente!!!! Socorro! Vamos fazer alguma coisa!”, escrevera Xuxa (repare abaixo). “Esse deputado disse que negros, aidéticos e homossexuais não têm alma. Existem crianças com Aids. Para este senhor, elas não têm alma? […] Esse homem não é um religioso, é um monstro. Em nome de Deus ele não pode ter poder.”

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“Deus te abençoe, Xuxa”, respondeu o deputado-pastor no Twitter. Ele anotou que, por ironia, falara de Xuxa em seu programa televisivo de domingo passado. Ofereceu aos seus seguidores um link que conduz a um vídeo. A peça foi ao ar na emissora CNT. Mostra uma entrevista de Feliciano com uma fiel que diz ter tomado gosto pela música ouvindo, em criança, a rainha dos baixinhos.

“Minha inspiração era a Xuxa”, ela diz. Feliciano intervém para contar que conhecera o autor da canção Ilariê, um dos maiores sucessos de Xuxa. Chama-se Cid Guerreiro. Virou cantor gospel. “Eu vi tanta gente falar besteira sobre essa música”, diz Feliciano no vídeo. “Falaram que a música era do diabo, que o Ilariê ali era o erê do terreiro de Umbanda.” Algo que o autor, agora “um servo de Deus”, desmentiu. “Isso é para desmistificar, porque tem muita mãe que vê a Xuxa cantar Ilariê e faz até o sinal da cruz”, encerra o deputado-pastor (assista abaixo).

Alvo de manifestações de rua convocadas pelas redes sociais, Feliciano serviu-se da mesma trincheira, a internet, para reagir. Numa das frases que o fizeram polêmico, o pastor escrevera no ano passado que “os africanos descendem de ancestral amaldiçoado por Noé.” Daí, segundo ele, as doenças e os flagelos que se abatem sobre a África.

FelicianoMaePadrastoDivulgacaoNeste sábado, numa tentativa de exorcizar a pecha de racista, os assessores escreveram na sua conta no Twitter: “Pastor Feliciano com a mamãe e o padrasto.” Segue-se um link que leva à foto ao lado. Na imagem, uma mãe morena com um comanheiro negro. Noutro front, seu site pessoal, o novo mandachuva dos Direitos Humanos da Câmara tentou imunizar-se contra outro veneno que o alcançou na web.

Na semana passada, escalou a rede um vídeo no qual Feliciano aparece comandando uma coleta de dízimos. Ele aceita de tudo –dinheiro, cheque, moto… A certa altura, exibe um cartão. E queixa-se do doador: “É a última vez que eu falo. Samuel de Souza doou o cartão, mas não doou a senha. Aí não vale. Depois vai pedir o milagre pra Deus e Deus não vai dar. E vai falar que Deus é ruim” (reveja aqui).

Pois bem. Em nota veiculada no seu site, o pastor difunde uma entrevista supostamente concedida pelo dono do cartão. Fez isso para desmentir manchetes de “jornais tendenciosos”, publicadas sob influência de “ativistas do grupo LGBT”. Diz o texto que, ao pedir a senha do cartão, Feliciano “estava brincando”. Hã?!? Queria, em verdade, “devolver o cartão” que poderia ter chegado à sacolinha de ofertas “por engano”.

Samuel de Souza, por sua vez, declara que nem tinha mais dinheiro para oferecer à igreja. Por que diabos seu cartão foi parar no balaio? “[…] Resolvi fazer um ato profético de consagrar simbolicamente a minha conta corrente. Coloquei meu cartão nas salvas de oferta e, com fé, acreditei que isso abençoaria minhas finanças.”

E funcionou? “[…] Em um ano, minha vida deu uma reviravolta. Conheci uma pessoa maravilhosa, nos casamos, tenho uma linda casa toda mobiliada, não pago aluguel e consegui emprego como inspetor de manutenção elétrica. Na época, era apenas obreiro. Hoje, sou diácono e sonho um dia ser um pastor usado como o pastor Marco Feliciano, para pregar a palavra de Deus…” Aleleuia!

A exemplo de sua ovelha, também o pastor é um ser abençoado. Ex-vendedor de picolé e ex-engraxate, Feliciano fundou em 2008 a igreja Assembléia de Deus do Templo do Avivamento. Abriu o santo negócio na cidade paulista de Orlândia, com 39 mil habitants. Hoje, controla outros 13 templos na região.

O repórter Sérgio Roxo foi até Orlândia. Em visita ao templo do Avivamento, deparou-se com um painel no qual anotaram-se 11 razões para o pagamento do dízimo. Lê-se numa das linhas: “Porque não quero que Deus me chame de ladrão”. Na sala que serve de escritório para o pastor Feliciano, avista-se cofre de um metro de altura –evidência da fidelidade do rebanho e de que o Padre Eterno não é o único a preocupar-se com os ladrões.

O passado de privações deu lugar a uma vida faustosa. Feliciano mora numa mansão. Guarda na garagem uma coleção de carros importados. “Você tem que considerar que numa cidade pequena as coisas são muito mais baratas do que numa cidade grande”, afirma o humano direito que passou a presidir a Comissão de Direitos Humanos.

Feliciano diz que amealhou patrimônio graças a palestras. Quanto cobra? “As igrejas, em geral, me fazem uma oferta, mas isso muda muito”, ele desconversa. Ele jura que não belisca os dízimos. Dinheiro que recolhe de fronte alta. “Não me envergonho da oferta. O dízimo está na Bíblia. O PT também cobra dízimo dos seus filiados”, compara.

Admirador do messias do petismo — “O Lula foi um dos maiores estadistas do século”—, o deputado-pastor, investigado no STF por estelionato e homophobia, defende-se atacando o PT. “Não tem nada contra mim. Não roubei. Não sou envolvido com mensalão. Sou um brasileiro e como tal um sobrevivente.”

O deputado-pastor Marco Feliciano ainda não se deu conta, mas a vitrine da Comissão de Direitos Humanos tornou-o um personagem de alta visibilidade. Antes, tinha sobre si um telhado de vidro. Hoje, tem camisa de vidro, gravata de vidro, paletó de vidro…

Justiça condena TV Bandeirantes após considerar preconceituosos comentários de Datena contra ateus

Foto: Flávio Florido/UOL

Foto: Flávio Florido/UOL

Rogério Barbosa, no UOL

A TV Bandeirantes terá que dedicar 50 minutos de sua programação, durante o programa “Brasil Urgente”, à veiculação de esclarecimentos à população sobre liberdade de consciência e de crença. A decisão é da Justiça Federal de São Paulo que considerou preconceituosos os comentários que o apresentador José Luiz Datena fez em relação aos ateus, em um programa exibido em 2010.

Embora a Justiça não tenha marcado a data para exibição do conteúdo, que será fornecido pelo Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP), a veiculação deverá ocorrer assim que a TV Bandeirantes for notificada da decisão, o que ainda não ocorreu. Caso descumpra a determinação judicial, a emissora pagará uma multa de R$ 10 mil por cada dia de descumprimento.

O polêmico programa que gerou a batalha na Justiça foi ao ar no dia 27 de julho de 2010. Datena teria relacionado a execução de um jovem à “ausência de Deus”. “Um sujeito que é ateu não tem limites, e é por isso que a gente vê esses crimes aí”, afirmou o apresentador.

A reportagem sobre a morte do garoto ficou no ar por 50 minutos, e durante a matéria, Datena, que dialogava com o repórter Márcio Campo, fez vários comentários em que fez referências a pessoas que não creem em Deus. “Esse é o garoto que foi fuzilado. Então, Márcio Campos, é inadmissível; você também que é muito católico, não é possível, isso é ausência de Deus, porque nada justifica um crime como esse, não Márcio?”

Repercussão

Após a exibição do programa, o MPF-SP entrou com uma ação civil pública contra a TV Bandeirantes. Para o procurador que atuou no processo, Jefferson Aparecido Dias, “a emissora prestou um desserviço para a comunicação social, uma vez que se portou de forma a encorajar a atuação de grupos radicais de perseguição a minorias, podendo, inclusive, aumentar a intolerância e a violência contra os ateus”.

Para o procurador, “em todo o tempo em que a matéria ficou no ar, Datena associava aos ateus a ideia de que só quem não acreditava em Deus poderia ser capaz de cometer tais crimes”.

Além disso, o MPF-SP alegou que Datena atribuiu os males do mundo aos “descrentes”, ao dizer que “é por isso que o mundo está essa porcaria. Guerra, peste, fome e tudo mais, entendeu? São os caras do mau. Se bem que tem ateu que não é do mau, mas, é …, o sujeito que não respeita os limites de Deus, é porque, não sei, não respeita limite nenhum.”

Defesa

Na Justiça, a TV Bandeirantes alegou que “em hipótese alguma a emissora ou o apresentador cometeu preconceito de qualquer espécie contra os ateus”. Ressaltou que Datena foi incisivo ao ratificar que a sua crítica não era generalizada, uma vez que, no seu entendimento, “determinados indivíduos, ainda que não temente a Deus, jamais seriam capazes de operar qualquer conduta criminosa e que são pessoas do bem”.

Procurada por meio da assessoria de imprensa, a Band preferiu não comentar o assunto. Apenas informou que ainda não foi notificada da decisão mas, quando for, irá recorrer.

Condenação

Para o juiz federal Paulo Cezar Neves Junior, “a emissora agiu no trilho da discriminação específica e direcionada quando o apresentador José Luiz Datena afirmou expressamente que ‘quem não acredita em Deus não precisa lhe assistir’”. Ainda de acordo com Neves Junior, Datena ratificou este posicionamento socialmente excludente no momento em que disse não fazer “questão nenhuma que ateu assista seu programa”.

Ponderou o juiz que não há quaisquer dados científicos ou estudos que demonstrem que os ateus estejam consideravelmente atrelados à prática de crimes e demais barbáries vistas em nossa sociedade, como a colocada como referência no programa.

Concluiu Neves Junior que, embora o apresentador tenha feito certa ressalva em algum momento de seus apontamentos negativos, seus comentários “não se restringiram à mera crítica ou manifestação de opinião sobre determinado tema”, o que teria ficado evidenciado no trecho do programa em que diz: “Ah Datena, Mas tem pessoas que não acreditam em Deus e são sérias. Até tem, Atém tem, mas eu costumo dizer que quem não acredita em Deus não costuma respeitar os limites, porque se acham o próprio Deus”.

Como seria estar por trás dos olhos de um autista?

Gustavo Serrate, no Obvious

“O autismo me prendeu dentro de um corpo que eu não posso controlar” – conheça a história de Carly Fleischmann, uma adolescente que aprendeu a controlar o autismo para se comunicar através de palavras escritas em um computador após 11 anos de enclausuramento dentro de si mesma, e assista também o video interativo “Carly’s Café”, no qual você poderá vivenciar alguns minutos da experiência de um autista por trás dos olhos de um.

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Lê se na tela de um computador: “Meu nome é Carly Fleischmann e desde que me lembro, sou diagnosticada com autismo”, a digitação é lenta, a idéia não é concluída sem algumas interrupções, é assim que Carly trava contato com o mundo. Carly é uma adolescente de Toronto, Canadá, e atravessou uma batalha na vida. Ajudada pelos pais, ela conseguiu superar a barreira máxima do isolamento humano.

“Quando dizem que sua filha tem um atraso mental e que, no máximo atingirá o desenvolvimento de uma criança de seis anos, é como se você levasse um chute no estômago”, diz o pai de Carly. Ela tem uma irmã gêmea que se desenvolvia naturalmente, e aos dois anos, ficou claro que havia algo de errado. Ela estava imersa no oceano de dados sensoriais bombardeando seu cérebro constantemente. Apesar dos esforços dos pais, pagando profissionais, realizando tratamentos, ela continuava impossibilitada de se comunicar e de ter uma vida normal. O pai de Carly explica que ela não era capaz de andar, de sentar, e todos doutores recomendavam: “Você é o pai. Você deve fazer o que julgar necessário para esta criança”.

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Eram cerca de 3 ou 4 terapeutas trabalhando 46 horas por semana. Os terapeutas acreditavam que Carly fosse mentalmente retardada, portanto, sem esperanças de algum dia sair daquele estado. Amigos recomendavam que os pais parassem o tratamento, pois os custos eram muito altos. O pai de Carly, no entanto, acreditava que sua criança estava ali, perdida atrás daqueles olhos: “Eu não poderia desistir da minha filha”.

Subitamente aos 11 anos algo marcante aconteceu. Ela caminhou até o computador, colocou as mãos sobre o teclado e digitou lentamente as letras: H U R T – e um pouco depois digitou – H E L P. Hurt, do inglês “Dor”, e Help significa “Socorro”. Carly nunca havia escrito nada na vida, nem muito menos foi ensinada, no entanto, foi capaz de silenciosamente assimilar conhecimento ao longo dos anos para se comunicar, usando a palavra pela primeira vez, em um momento de necessidade extrema. Em seguida, Carly correu do computador e vomitou no chão. Apesar do susto, ela estava bem. “Inicialmente nós não acreditamos. Conhecendo Carly por 10 anos, é claro que eu estaria cético”, disse o pai.

Os terapeutas estavam ansiosos para ver provas e os pais incentivavam Carly ao máximo para que ela se comunicasse novamente. O comportamento histérico de Carly permanecia exatamente como antes e ela se recusava a digitar. Para força-la a digitar, impuseram a necessidade. Se ela quisesse algo, teria que digitar o pedido. Se ela quisesse ir a algum lugar, pegar algo, ou que dissessem algo, ela teria que digitar. Vários meses se passaram e ela percebeu que ao se comunicar, ela tinha poder sobre o ambiente. E as primeiras coisas que Carly disse aos terapeutas foi “Eu tenho autismo, mas isso não é quem eu sou. Gaste um tempo para me conhecer antes de me julgar”.

A partir dai, como dizem os pais, Carly “encontrou sua voz” e abriu as portas de sua mente para o mundo. Ela começou a revelar alguns mistérios por trás do seu comportamento de balançar os braços violentamente, e de bater a cabeça nas coisas, ou de querer arrancar as roupas: “Se eu não fizer isso, parece que meu corpo vai explodir. Se eu pudesse parar eu pararia, mas não tem como desligar. Eu sei o que é certo e errado, mas é como se eu estivesse travando uma luta contra o meu cérebro”. Continue lendo