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Muita fé debaixo do viaduto no Rio de Janeiro

Igreja Batista Alfa e Ômega realiza cultos sob elevado da Linha Amarela na Cidade de Deus

 A Bíblia é colocada sobre um latão vazio de óleo, enquanto a pastora faz a pregação para os fiéis, que usam cadeiras de plástico (foto:  Uanderson Fernandes / Agência O Dia)


A Bíblia é colocada sobre um latão vazio de óleo, enquanto a pastora faz a pregação para os fiéis, que usam cadeiras de plástico (foto: Uanderson Fernandes / Agência O Dia)

Flavio Araújo, em O Dia

Rio – A Bíblia repousa em um púlpito improvisado sobre um latão vazio de óleo. Ao lado, um valão tomado pelo mato exala cheiro de esgoto. Os cânticos religiosos só não são abafados pelos motores que passam a toda velocidade por causa do uso de microfone e amplificadores. No chão de terra batida, as cadeiras de plástico dão um pouco de conforto a cerca de 50 almas aflitas. Esta é a sede da Igreja Batista Alfa e Ômega, que funciona sob o viaduto da Linha Amarela, na Cidade de Deus.

“Estamos há 14 anos na comunidade e, desde 2007, funcionamos como igreja. Usávamos um galpão, mas com o fim do contrato, o proprietário aumentou o aluguel, de forma que não pudemos pagar, já que a chegada da UPP valorizou os imóveis. Então, a Administração Regional, da prefeitura, nos deixou usar esse espaço, que era reduto de usuários de drogas. Conseguimos trazer alguns deles para a igreja, mas muitos sumiram”, relembra o pastor Leandro Campos, de 34 anos.

Ele divide as pregações, às quintas e domingos — dia em que o público sobe para cerca de 300 pessoas — com a mulher, Cláudia Cristina dos Santos, 35. “Aproximadamente 90% dos nossos fiéis são jovens que lutam por oportunidades melhores de vida”, explica a pastora. Problemas com álcool e drogas na família, falta de trabalho e de atendimento médico convivem com a esperança de dias melhores: para quem reza e para a igreja.

Em alguns momentos da celebração, enquanto hinos são tocados ao violão, os fiéis dão as mãos, em duplas ou quartetos, e oram livremente. Durante a pregação, Cláudia Cristina reconhece que a igreja vem sofrendo com a perda de seguidores. “Quem aqui está sentindo falta de um irmão, que não está mais vindo, levanta a mão?” Quase todos acenam.

“Importa de verdade a questão espiritual. Vir aqui me faz bem, mas é claro que é desconfortável. Mas a mensagem é o mais importante. E a mensagem passada aqui é de alegria e esperança”, diz o comerciário Gérson Moraes, 28.

No fim do culto, pouco dinheiro é depositado nas caixas de oferendas. O valor quase não paga o lanche oferecido às crianças que ficam em um espaço mais iluminado brincando sob supervisão de adultos da igreja.

O pastor Leandro acredita que sua igreja é a única no Rio que funciona embaixo de um viaduto. “Ouvi falar de outra em Bangu, mas nunca vi”, diz, como São Tomé.

Fiel sai de Santa Cruz para rezar

“Venho aqui para acalmar meu coração, que anda muito aflito. Deus levou meu filho e tenho certeza que, em breve, vai me levar para junto dele”, afirma, com um sorriso no rosto, a aposentada Aurília Maria Benícia, 62.

Moradora da Cidade de Deus por mais de 50 anos, ela se mudou para um apartamento em Santa Cruz por causa de obras viárias que passaram pelo pequeno sítio em que vivia.

Para rezar junto com seus amigos e conhecidos pelo filho Anderson, que aos 35 anos foi morto em um assalto, Aurília enfrenta cerca de 60 quilômetros de viagem.

“Essa igreja é uma bênção para mim”.

dica do Ailsom Heringer

Políticos frequentam drive-thru de oração em Brasília, diz pastor

drive1Fernando Moreira, no Page Not Found

O músico Júlio Duarte de Souza, de 30 anos, enviou ao PAGE NOT FOUND o relato abaixo. O morador de Brasília registrou com câmera a atividade em um drive-thru de oração na capital federal. Ele chegou até a entrevistar um pastor no local:

“Que sanduíche, que nada! A moda agora na nossa capital federal é o Drive-Thru de oração. Tudo porque a Igreja Universal do Reino de Deus de Brasília resolveu inovar nos serviços prestados aos fiéis. Desde o início do mês, quem passa de carro pela EQS 212/213, Área Especial, na Asa Sul do Distrito Federal, pode receber bênçãos ali mesmo, sem sair do veículo. É coisa rápida: você para o carro, o pastor se aproxima, pede pra você colocar a cabeça pra fora da janela, ele te benze, te entrega um papel com umas orações e você segue o seu caminho. Tudo isso sem pagar nada!”

“De acordo com um pastor que não quis se identificar, a tenda do Drive Thru de Orações funciona das 8h às 20h, de domingo a domingo, atende a mais de 400 motoristas por dia e por enquanto o serviço ainda não é cobrado. ‘É uma promoção para os fiéis’, disse ele. Ainda segundo informações do pastor, em horário de pico rolam até uns engarrafamentos. Vários parlamentares já foram vistos no local recebendo suas bênçãos, mas o tal pastor achou melhor não citar o nome de nenhum”.

fotos: Júlio Duarte de Souza

fotos: Júlio Duarte de Souza

Cantora Perlla ministra em culto evangélico em igreja no RJ

Perlla posta foto no Twitter durante culto evangélico no Rio de Janeiro. Foto: Reprodução/Twitter
Perlla posta foto no Twitter durante culto evangélico no Rio de Janeiro

Publicado originalmente no Terra

Perlla postou uma foto em seu perfil no Twitter, na última terça-feira, (20) na qual aparece ministrando culto evangélico na igreja Advec de Vilar dos Teles, no Rio de Janeiro. “Uma benção” [sic], dizia a legenda da imagem.

A cantora deixou de cantar funk e se converteu à religião evangélica no início deste ano. A decisão aconteceu depois do relacionamento com Cássio Castilhol, pai de Pérola, primeira filha do casal.

Foto: Reprodução/Twitter

Mr Catra: “Não existe a palavra dinheiro na minha casa, existe prosperidade e bênção”

Família de Mr. Catra (Foto: Marcos Serra Lima / EGO)
Mr. Catra reúne parte de sua prole para o especial de Dia dos Pais do EGO (Foto: Marcos Serra Lima/EGO)

Patrícia Teixeira, no EGO

Se um é pouco, dois é bom e três é demais… Imagina 21? Sim, Mr. Catra é pai de 21 filhos (com 14 mulheres diferentes) e, se depender dele, essa conta não vai parar no número ímpar. Para o especial do Dia dos Pais do EGO, o cantor tentou reunir parte de sua prole em sua casa de Vargem Grande, na Zona Oeste do Rio, e contou sobre sua rotina com os filhos.

Se você acha que ele consegue lembrar o nome de todos, se engana. “Você consegue falar a escalação do seu time? Eu não. Tenho uma ‘colinha’ no carro que me ajuda muito”, brincou o cantor, logo no início da entrevista. Apesar do entra e sai que acontecia no local, Catra conseguiu mostrar o carinho que tem por cada um. Tem filho engraçado, talentoso, tranquilão, mas o que Catra festeja é que todos os homens de seu clã são garanhões: “Cada um tem seu estilo, um é mais neurótico, outro mais playboy, mas graças a Deus todos são garanhões. Vai gostar de mulher assim lá longe. As mulheres são mais tranquilas, não são periguetes. Uma já é casada, outra está na igreja”.

Entre os valores que tenta passar para toda a sua cria estão a humildade e o amor: “Por mais que pareça difícil, o certo é sempre mais fácil de passar. O certo é aquilo que você sente dentro do seu coração. Todo mundo nasce bom, todo mundo nasce puro. Receio que meus filhos dêem muito ouvido à cultura ocidental. Que deixem de ser sagrados, que deixem de acreditar no verdadeiro para acreditar no ilusório. Isso significa que na nossa sociedade, todo mundo vive de sensação, não vive de realidade. Sensação de segurança, de poder. Sensação não é nada”, explicou o cantor.

Pé da galinha não mata o pinto

Amável com as crianças, ele afirma que não gosta de bater nos filhos e que sempre prefere conversar: “Sou mais do diálogo. Mas o pé da galinha não mata o pinto”, disse sobre o fato de, vez em quando, dar uns tapinhas neles.

“Eu acho melhor ver a plantação que seu filho está fazendo para depois poder mostrar a colheita. A plantação é livre, mas a colheita é obrigatória. Se você colocar isso na mente dos seus filhos, eles não vão plantar coisas erradas porque, certamente, vão querer colher coisas boas”, ensinou.

Aos 43 anos, Catra, que teve seu primeiro filho aos 21, ainda não está certo de que quer fechar a fábrica.  “Ainda tenho disposição e é essa disposição que me dá virilidade. Só paro de fazer filho se o pessoal aqui me der o direito de defesa”, divertiu-se o cantor, apontando para sua mulher Silvia, de 33 anos.

Paixão por joias: herança de Catra

Quando pronunciada a palavra dinheiro, Catra rapidamente trata de substituí-la pela palavra benção. E ele garantiu que sua relação com toda grana que juntou, nada tem a ver com soberba e extravagância: “Não existe a palavra dinheiro na minha casa, existe prosperidade e benção. Porque você tem que separar o que é dinheiro de benção e o de maldição. Dinheiro bom compra coisa boa, dinheiro ruim compra coisa ruim. Por mais que você vá a uma loja de marca ou compre um Porshe Panamera, um boing ou um iate, se for com dinheiro ruim, tudo isso é ruim também”.

Apesar de tanta humildade, Catra não dispensa os ouros que carrega nos dedos, no pulso e no pescoço. Questionado se os filhos também gostam de joias, ele foi direto: “Todos! Joia e tatuagem são coisas espirituais. Se você tem, elas precisam significar alguma coisa que venha lhe proteger ou lhe lembrar da presença de Deus. Tenho um cordão que nos elos está escrita a frase: “família sagrada família”, em hebraico. No outro, eu tenho uma estrela de Davi que representa a união dos povos. Eu mesmo que desenho e mando confeccionar. Sou sócio de um joalheiro em Minas Gerais. Quando meus filhos me pedem algo, faço o que posso. Me viro nos 30. Mas também digo que tudo tem seu limite e sua idade. Não vou dar um carro para um menino de 11 anos. Apesar de que meu pai fez tudo para mim antes do tempo”. Continue lendo