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Deus é brincalhão

Camilo Irineu Quartarollo, em A Tribuna

Neste século globalizado não podemos escrever só para um tipo de leitor. Temos de ser meio bíblicos, ter umas quatro tradições interdependentes num texto, com quatro mãos herméticas – a bíblia tem um tom jocoso nas palavras e frases e antíteses bem feitas. Veio primeiro pela oralidade, contada de pai para filho, de uma forma “cantada” para que facilitasse a fixação do dito na memória do ouvinte e o papel ou papiro não era acessível como hoje.

Pelo tom sagrado que tem esse livro grosso, antigo e de muitas interpretações, ninguém parece notar que a bíblia tem humor nas suas linhas, inclusive nos próprios livros do Evangelho. Como se coloca Deus como figura central o tempo todo, pegam-se os textos como absolutas manifestações divinas e não se vê a perenidade do fluxo de consciência dentro deles. Não se percebe a ironia aos discípulos totalmente perdidos, que não entendem, quase sempre, o que diz o mestre (diz que só o entenderam depois da ressurreição). Essa sisudez religiosa talvez se deva ao passado do ocidente cristão, sisudez muito bem criticada no livro de Umberto Eco, O Nome da Rosa. Numa passagem do livro uma personagem chega a afirmar “que Deus não ri”. O físico Albert Einstein, um dos precursores da física moderna, diz que Deus é brincalhão. Não vejo uma imagem mais linda para Deus, afinal, quem gosta de um pai ou mãe sisudos? O humor, o riso, é a superação, a transcendência.

Numa passagem, Jesus depois de muito falar em tom profético sobre o reino de paz ouve dos discípulos que “já” têm uma espada, ao que grita Ele um chega (não entenderam bulhufas). No jardim das oliveiras, em meio aos soldados, Pedro lança mão de uma espada. Trazia consigo? Talvez fosse ele o que se manifestara que tinha a dita cuja e sempre falando como líder do grupo… e corta a orelha de um guarda.

Talvez em alguns meios religiosos, onde se cultiva a fantasia religiosa da concentração mental e evite-se no máximo a dispersão, certas observações são temerosas e tudo fica um tanto solene demais, mesmo na descontração de um lanche. Jogar com a ironia e o cômico é um jogo de mestre, de jogar com o descontínuo, com o entremeio, com o contraponto, com o bizarro, mas por que não rir? Em lugar nenhum da bíblia está escrito que Deus ri, mas também não está escrito que não ri, discutem o venerável Jorge e frei Willian (personagens de O nome da rosa). Eu, como Einstein, acho que ri.

A vida a Deus pertence. O humor é a transcendência, as regras são para o bem viver, não para escravizar, se não fosse assim, o livre arbítrio seria só para fazer o mal? Quem disse que o bom arbítrio são as regras?

Camilo Irineu Quartarollo é escrevente técnico judiciário, autor de As Ciladas do Androide. Site: www.camilocronicas.blogspot.com.

dica da Cristina Danuta

Inscrição em pedra é projeto da Torre de Babel, diz pesquisador

Escrito por Reinaldo José Lopes na Folha.com

Especialistas que analisaram uma inscrição de 2.600 anos dizem que ela é uma espécie de placa comemorativa da inauguração da Torre de Babel, com detalhes do projeto celebrizado pela Bíblia.

A conclusão está num novo livro de título indigesto, “Cuneiform Royal Inscriptions and Related Texts in the Schoyen Collection” (“Inscrições Reais em Cuneiforme e Textos Relacionados da Coleção Schoyen”).

Martin Schoyen é um empresário norueguês, dono de uma coleção de antiguidades que inclui, entre outras coisas, inscrições em cuneiforme (difícil sistema de escrita do antigo Oriente Médio) feitas a mando dos reis da Mesopotâmia, no atual Iraque.

Entre essas inscrições está a estela –essencialmente um poste de pedra– erigida quando Nabucodonosor 2º governava a Babilônia, entre 605 a.C. e 562 a.C. Coberta com textos e desenhos, a estela relata a construção de uma obra que, se fosse egípcia, teria porte faraônico.

A forma original da estela, uma espécie de pedra comemorativa com inscrições, do reinado de Nabucodonosor

TERRA E CÉU

Seu nome era Etemenanki. Em sumério, idioma que já era arcaico nos tempos de Nabucodonosor 2º, a palavra significa “templo das fundações da terra e do céu”. E o rei da Babilônia carrega nas tintas propagandísticas ao descrever como construiu a estrutura, cuja altura, segundo relatos posteriores, chegava a mais de 90 m.

“[Para construí-la] mobilizei todos em todo lugar, cada um dos governantes que alcançaram a grandeza entre todos os povos do mundo. Preenchi a base para fazer um terraço elevado. As estruturas construí com betume e tijolo. Completei-a erguendo seu topo até o céu, fazendo-a brilhar como o Sol”, diz a inscrição na pedra.

O templo era dedicado ao deus Marduk, patrono da dinastia de Nabucodonosor.

ZIGURATE

A estrutura, que lembra um pouco uma pirâmide com degraus, encaixa-se na categoria dos zigurates, comum na arquitetura dos templos da antiga Mesopotâmia.

A equipe liderada por Andrew George, especialista em babilônio do University College de Londres, publicou pela primeira vez a descrição detalhada da estela no livro.

Para eles, a probabilidade de que o zigurate gigante tenha sido a inspiração para o relato bíblico da Torre de Babel é considerável. Para começar, já se sabia que “Babel” (“A Porta do Deus”) é apenas o nome dado pelos antigos hebreus à Babilônia.

Em segundo lugar, foi Nabucodonosor 2º o responsável por destruir o último reino israelita independente, o de Judá, arrasando o templo de Jerusalém e deportando milhares de pessoas da terra de Israel para a Babilônia no ano 586 a.C.

Os deportados israelitas, portanto, teriam tido a chance de ver de perto a maior das obras de seu opressor, justamente no período em que, segundo a maior parte dos estudiosos atuais, o texto da Bíblia estava sendo editado e consolidado no exílio.

A inspiração para a história do rei que tentou construir uma torre até o céu, portanto, teria vindo nessa época.

Se a hipótese de George e seus colegas estiver correta, a imagem na estela é a mais antiga representação da Torre de Babel, que acabaria inspirando inúmeros artistas da Idade Média até hoje. Uma identificação definitiva, contudo, é difícil de provar sem evidências mais diretas.

Alguém superior a você

Stephen Kanitz, no site dele

Viajei uma vez de classe executiva, e ao meu lado um senhor de terno, cara de executivo, lendo a Bíblia.

Achei que fosse um destes bispos de igrejas que visam o lucro viajando com todo o conforto do mundo, mas era na realidade um Vice Presidente de uma empresa subsidiária da Alcoa.

Perguntei porque ele estava lendo a Bíblia.

“Como Vice Presidente de uma grande empresa eu tenho muita influência e poder sobre a vida de milhares de pessoas. Se eu não tomar cuidado, este poder pode subir à minha cabeça, o que causaria muita infelicidade.

Por isto, acho importante ir todo domingo à Igreja, para relembrar que existe uma pessoa mais poderosa e muito mais sábia do que eu.”

Eu já ouvi muitas razões para se ir todo domingo à Igreja, mas esta era uma ideia nova.

Achei uma razão muito interessante para ir até uma Igreja toda semana, não para pedir perdão ou pedir ajuda.

Mas como uma forma para que aqueles que comandam o poder tenham o bom senso de baixar a bola, perceber todo domingo o limite da prepotência, fazer semanalmente um ato de humildade e ficar de joelhos como todos nós.

A classe dominante de ontem ainda acreditava em Deus, mas nestes últimos 50 anos foi substituída por outra classe que já não acredita em algo superior a História, que não vai à Igreja mostrar humildade, nem jogar um balde de água fria na arrogância.

A nova classe dominante das universidades, da mídia, dos líderes dos movimentos sociais, dos políticos e da maioria dos intelectuais passaram a acreditar que não há ninguém superior a eles, que eles sabem tudo, que mudarão o mundo sem ter que prestar contas a mais ninguém. Os fins justificam os meios.

Intelectuais mandam cada vez mais nas nossas vidas, achando que são os czares da economia, altruístas da Sociologia, protagonistas da História, endividando países ao seu bel prazer, congelando preços e salários, sequestrando nossa poupança, destruindo o capital social deste país, retirando 38% da renda de seus legítimos donos, e assim por diante.

Como eles sabem tudo, os fins justificam os meios, afinal eles são superiores.

Para os social democratas, como o PSDB, bastava colocar 100 intelectuais em postos chaves, as melhores cabeças deste país, e tudo ficaria resolvido.

Mal sabem que hoje em dia não basta uma centena de intelectuais para administrar um país.

O número mais próximo seria no mínimo os 12 milhões de membros da chamada classe média, que está sendo deliberadamente destruída pelos intelectuais que não querem competição.

Se você intelectual, que não acredita em Deus, e por isto não quer ir para a Igreja uma vez por semana, para não mostrar aos seus correligionários que acredita que existe algo superior à sua ciência, pelo menos seja humilde como o Vice Presidente da Alcoa.

O sofrido povo do Brasil agradece.

Alice Cooper quer dar bíblia para Lady Gaga e Lego para Justin Bieber no Natal

Publicado originalmente no Vagalume

Depois de tê-la encontrado várias vezes, Cooper considera a diva do pop uma boa amiga. O artista conheceu Gaga pessoalmente e revelou o que lhe daria de presente de Natal.

O rockstar de 63 anos acredita que itens domésticos certamente seriam úteis à nada doméstica cantora pop.

“Conheço muito bem a Lady Gaga e a entendo. Daria a ela um livro de receitas da Betty Crocker. Isso e uma assinatura da Good Housekeeping (revista mensal feminina), porque essas são as duas coisas que sei que ela não tem”, disse à revista NME.

“Se gosto das músicas dela? Ela criou uma personagem chamada Gaga. Eu criei uma personagem chamada Alice Cooper, que interpreto. Não sou Alice agora, mas serei hoje à noite. Ela escreve músicas para a personagem dela, eu escrevo para Alice. Na verdade, parecemo-nos muito mais um com o outro do que eu com Rob Zombie. Acho que ela é ótima. Talvez eu também lhe dê uma bíblia, na verdade…”

Alice também refletiu sobre o que comprar para o astro teen canadense Justin Bieber.

“Conheço o Bieber. Garoto legal. Conheci-o no Grammy. Eu e a Katy Perry estávamos esperando para entregar um prêmio e lá estava ele nervoso nos bastidores. Eu lhe disse: ‘Justin, venha cá. O que está acontecendo?’ E ele respondeu: ‘Eu, eu, eu nunca fiz isso antes. Nunca fui mestre de cerimônias…’”, lembrou Cooper.

“Então eu disse a ele: ‘Você sabe ler? É só isso que tem de fazer, você só tem de ler!’ Ele é um garotinho, então vou lhe dar um Lego. Assim, quando for fazer turnê, ele terá algo com que brincar”.

Pastor faz abaixo-assinado contra Jô Soares por sugerir que Bíblia serve para fumar maconha

Publicado originalmente no Estadão

Um abaixo-assinado na internet, com 13 mil assinaturas, pede que Jô Soares se desculpe por ter feito piada com a Bíblia no programa de 17 de novembro.

Na ocasião, foi exibido um documentário no qual um entrevistado disse que o grupo Novos Baianos utilizava as páginas da Bíblia para fazer cigarros de maconha. Jô comentou que a Bíblia tem “mil e uma utilidades”.

O pastor Renê de Araújo Terra Nova, do Ministério Internacional da Restauração, é o autor do abaixo-assinado. “Repudiamos as declarações apresentadas no Programa do Jô, veiculado no dia 17 de Novembro de 2011, sobre o fato de fumar maconha com as páginas da Bíblia”, diz o documento.

A Folha procurou a Globo: “Evidentemente, não foi um comentário ofensivo, mas é assustadora toda iniciativa contra a liberdade de expressão”, disse a assessoria da emissora.


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dica do Walter Mendes Dos Santos

como sempre, a área de comentários mostra o qto está incinerado o filme dos evangélicos por conta de episódios como esse. afinal, a ignorância entorpece + que qq droga.