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Projeto de Lei em Fortaleza propõe leitura obrigatória da Bíblia em Escolas Públicas e Privadas

O Vereador Mairton Felix alega que o projeto é para benefício de toda a coletividade, pois as escolas terão desta vez a melhor forma de conhecer a palavra de Deus

Ylena Luna, no JusBrasil

A notícia foi dada pelo próprio Vereador nas redes sociais:

Projeto de Lei em Fortaleza prope leitura obrigatria da Bblia em Escolas Pblicas e Privadas

A nossa Carta Magna determina:

Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais.

§ 1º – O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental.

Como supracitado, a constituição estabelece o ensino religioso como facultativo, respeitando os valores culturais e artísticos, nacionais e regionais.

Entretanto Vossa Senhoria, o Vereador Mairton Felix, tenta descaraterizar a “religiosidade” do seu Projeto de Lei invocando o Inciso VII do Artigo da Constituição Federal:

Projeto de Lei em Fortaleza prope leitura obrigatria da Bblia em Escolas Pblicas e Privadas

O Vereador alega que o Projeto de Lei 0179/2014 tem finalidade educativa e em nada contrapõe o Estado Laico:

Projeto de Lei em Fortaleza prope leitura obrigatria da Bblia em Escolas Pblicas e Privadas

Confira o Projeto de Lei 0179/2014 na íntegra

O mais impressionante é a sinceridade e o orgulho demonstrado pelo Vereador! Se o alegado na justificativa do Projeto de Lei for realmente verdade, como se explicaria o post do Vereador nas redes sociais?

Projeto de Lei em Fortaleza prope leitura obrigatria da Bblia em Escolas Pblicas e Privadas

Talvez eu esteja me precipitando no meu julgamento, entretanto deixo para vocês me dizerem se eu entendi alguma coisa errada. Não sou especialista, sou apenas uma estudante que procura estar ciente dos seus direitos e deveres.

 

Índios deixam costumes tradicionais e viram evangélicos em aldeia, no AP

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Indígena Zila Santos lendo a bíblia durante o culto na aldeia Kumenê (Foto: Abinoan Santiago/G1)

Publicado no G1

A aldeia Kumenê, que fica na reserva Uaçá, em Oiapoque, a 590 quilômetros de Macapá, é uma das mais isoladas comunidades indígenas no extremo norte do país. Para chegar a tribo da etnia Palikuré é necessário navegar ao menos 20 horas por três rios do Amapá. Apesar de localizada em meio a selva amazônica, a aldeia sofreu influência da chamada “cultura do homem branco”, segundo o cacique Azarias Ioio Iaparrá, de 50 anos. Uma delas foi a incorporação do protestantismo. “Somos evangélicos. A maioria da aldeia é crente”, resumiu o líder indígena.

Antes adeptos da cultura em que o Deus era a natureza, os índios da aldeia Kumenê passaram a acreditar em Jesus Cristo. A consolidação da religião protestante na tribo não é recente.

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Momento do culto na aldeia Kumenê, em Oiapoque (Foto: Abinoan Santiago/G1)

Relatos dos indígenas apontam que a “catequização evangélica” iniciou em 1965, quando um casal de missionários norte-americanos iniciou o referido processo que teria durado pouco mais de uma década. Eles teriam usado o argumento de que somente na crença em Jesus poderiam obter salvação divina.

Momento de oração de indígena em culto na aldeia Kumenê (Foto: Abinoan Santiago/G1)

Momento de oração de indígena em culto na aldeia Kumenê (Foto: Abinoan Santiago/G1)

“Os missionários explicaram pra gente que Jesus era o único salvador e que Deus fez o céu e a terra. Primeiro não acreditamos muito, mas depois começamos a aceita a palavra e fomos nos batizando nas águas”, contou o pastor indígena Florêncio Felício, de 55 anos, que desde os 25 anos segue o protestantismo. A aldeia tem apenas uma igreja evangélica, construída em alvenaria por missionários na década de 1990.

Com a incorporação do protestantismo o batizado nas águas era uma forma de demonstração da aceitação de Jesus Cristo. A consagração religiosa implicou em uma série de mudanças no comportamento dos índios em razão da nova doutrina adotada na tribo indígena. O ato de batismo era celebrado à margem direita do rio Urukauá, que banha a aldeia Kumenê.

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Dança em louvor a Jesus Cristo na aldeia Kumenê, em Oiapoque (Foto: Abinoan Santiago/G1)

Uma das primeiras mudanças refletida na tribo tratou do espaço da comunidade. O cacique Iaparrá relata que depois da incorporação da religião protestante, as casas dos índios que antes eram afastadas umas das outras, passaram a ser construídas em distâncias menores entre si.

“Cada família tinha a própria aldeia, mas depois dos missionários passamos a viver mais próximos, como se fosse uma única família”, relatou Iaparrá.

O processo de mudança de cultura dos índios, conforme conta o cacique, teria se efetivado com a alfabetização dos nativos em português a partir da construção da primeira escola dois anos após a chegada dos missionários.

“Aprendemos a falar português porque era a língua dos brancos e assim também poderíamos nos comunicar melhor com os missionários”, acentuou Azarias Ioio Iaparrá.

O cacique acrescentou que apesar de a maioria dos índios saberem o português, a comunicação entre si, incluindo os cultos, é realizada em dialeto nativo, o palikur. Apenas as palavras ‘Jesus’, ‘Aleluia’ e ‘Amém’ não tem tradução para a língua indígena usada na aldeia.

Pastor indígena de Kumenê Florêncio Felício (Foto: Abinoan Santiago/G1)

Pastor indígena de Kumenê Florêncio Felício
(Foto: Abinoan Santiago/G1)

O pastor indígena da tribo lembra que entre as práticas culturais combatidas pela religião protestante, três foram extintas: a circulação de pessoas nuas na aldeia, danças típicas, feitiçaria de pajés e o caxixi, bebida com teor alcoólico a base de mandioca fermentada com saliva. As tradições foram trocadas pelos pastores.

Zila Santos, de 47 anos, foi uma das índias que deixou de realizar os costumes tradicionais. “Eu não bebo e nem fumo mais. Isso melhorou a minha vida porque antes, quando os índios bebiam, tinham muitas brigas na aldeia. Depois da igreja, isso não aconteceu mais”, frisou.

Bíblia escrita em palikur, língua materna da aldeia Kumenê (Foto: Abinoan Santiago/G1)

Bíblia escrita em palikur, língua materna da aldeia Kumenê (Foto: Abinoan Santiago/G1)

Pensamento diferente tem o indígena Fernando Iaparrá, de 37 anos. Ele diz que saiu da igreja devido a mudança cultural que ela provocou nos índios que aderem a religião. “Eu gosto de beber o caxixi. Mesmo não tendo mais na aldeia, sou contra essa proibição. Por isso decidi deixar”, justificou o índio, que disse ter sido evangélico por apenas um ano.

Por causa do processo de mudança cultural, a intenção do cacique Iaparrá lamenta que a tribo tenha perdido os traços culturais característicos indígena: “Eu vi que a gente não deveria deixar a nossa cultura, mas já perdemos muitas coisas. Crianças que não sabem nem dançar, por exemplo”.

Culto
No lugar dos ritos tradicionais, os índios tomaram outra atividade para si. Por três vezes na semana, eles comparecem na única igreja da aldeia para acompanhar o culto evangélico.

A celebração religiosa começa as 20h e tem duração de três horas. Ela tem a mesma dinâmica de cultos realizados fora da tribo, com louvores, leitura de passagens bíblicas e danças com hinos evangélicos. A única diferença da reunião é que todas as atividades são na língua materna, inclusive a leitura da bíblia, que é redigida em palikur.

O sonho do sucesso gospel
Os cultos na igreja em Kumenê têm várias bandas que participam durante a celebração. Uma delas é a Missão de Gideão, formada apenas por indígenas. O grupo existe há 20 anos e é um dos mais antigos na comunidade, segundo um dos membros da banda Sofonias Hipólito, de 39 anos.

Ele conta que o grupo musical é composto por quase dez pessoas, a maioria jovens. Ao longo de duas décadas, mais de 100 músicas gospel foram compostas na língua materna da aldeia, conforme cálculo de Hipólito.

Com tanta música, o integrante da banda revela que o maior sonho do grupo é sair da aldeia para gravar um disco em Macapá. “Temos um material autoral que precisamos colocar em um CD. Mas por causa da dificuldade financeira e distância, ainda não conseguirmos viajar”, disse.

Além das 20 horas navegando da aldeia até Oiapoque, a viagem até Macapá leva mais 12 horas via terrestre com passagem de ônibus ao preço de R$ 90. “Peço todo dia para Deus nos ajudar a sair da aldeia. Temos muitos hinos e queremos mostrar nosso trabalho”, concluiu Sofonias Hipólito.

Kumenê
A aldeia Kumenê está localizada na reserva Uaçá, em Oiapoque, extremos norte do país. Ela é composta por dez vilas às margens do rio Urukauá, que somam 1.963 índios, segundo o cacique Azarias Iapará.

Nas cabeceiras dos rios Oiapoque e Uaçá, a vegetação é de terra firme, mas seguindo em direção à foz do rio Urukauá, a vegetação muda, sendo tomada por campos alagados, com algumas montanhas, que permitem a ocupação humana.

Para chegar na aldeia Kumenê, em Oiapoque, é necessário viajar mais de 20 horas via fluvial (Foto: Abinoan Santiago/G1)

Para chegar na aldeia Kumenê, em Oiapoque, é necessário viajar mais de 20 horas via fluvial (Foto: Abinoan Santiago/G1)

A tribo faz parte da etnia Palikur, que também possui descendentes na Guiana Francesa. Na comunidade brasileira, a língua materna é uma das únicas culturas preservada. Os índios ainda utilizam o dialeto local para se comunicar entre si.

Além do dialeto palikur, muitos falam ou compreendem o patuá, idioma usado por índios das etnias Karipuna e Galibi-Marworno.

Em Kumenê, atualmente há atendimentos da Fundação Nacional do Índio (Funai), com um posto de saúde, e de uma escola estadual com aulas de até o ensino médio.

Cristãos dos EUA criam grupos para estudar a Bíblia bebendo cerveja

Publicado em O Globo

Com mudanças de turno imprevistas e expedientes de sábado às vezes esticados, a vida de comerciários não permitia a um casal de funcionários do bar Silver Cow (Vaca de Prata, em tradução livre), em Jacksonville, na Flória, frequentar a Igreja no domingo de manhã, com seus amigos e conhecidos. Ela imaginou então reunir um grupo, pequeno que fosse, para beber alguns copos de boas cervejas… e conversar sobre a vida sobre os ensinamentos do livro sagrado mais lido do mundo, a Bíblia.

Fã de barleywines assim como este repórter, a dona do Silver Cow, Kelsey Dellinger, contou, em entrevista por e-mail ao Dois Dedos de Colarinho, que a funcionária sugeriu a realização do grupo de estudos bíblicos no bar. Com a ajuda de um blogueiro local, Brian Little, do Beer Apostle (Apóstolo da cerveja), que convocou via Facebook “gente de todas as origens e todas as fés” a conversar a partir da leitura do Evangelho segundo João. 

Kelsey aproveitou para “praticar a caridade” e ofereceu um descontinho de US$ 1 em cada copo que os fiéis secassem.

— O Silver Cow certamente não é único estabelecimento que tem permitido estudo bíblico e encontros de grupos ligados a igrejas. Bold City Brewery, Intuition Ale Works e Seven Bridges Grille and Brewery, todos têm grupos assim que mantêm encontros regulares — enumerou a dona do bar, que é também blogueira (sob o curioso pseudônimo JaxBrewBitch).

encontro narrado pelo repórter Andrew Pantazzi, do Florida Times Union, começou com a leitura do Gênesis. Para acompanhá-la, nada mais adequado do que uma He’Brew Genesis Ale (sim, essa cerveja existe), da cervejaria nova-iorquina Schmaltz.

O retorno do público religioso à cerveja é uma tendência que vem fortalecendo nos últimos anos. São tantos que, recentemente, o blog Belief, da CNN percebeu. No ano passado, o pastor evangélico John Donnelly, lançou o grupo Beer, Bible and Brotherhood. A Irmandade Adath Israel se reúne mensalmente em um restaurante indiano (viva a globalização) para discutir a Torah (ou Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia).476_555-alt-beer-Bible-Florida-times

Em Abilene, no Texas, o Memories Bar abriga, nos domingos de manhã, a Bar Church da Igreja de Cristo de Southern Hill, onde qualquer pessoa – independente de sua história, realizações, falhas ou questões – possam experimentar amizade, aceitação e a graça que vêm por meio de Jesus”. A Valley Church, de Allendale, Michigan, é a sede do grupo “What Would Jesus Brew?”, em que a cerveja é mais do que uma coadjuvante do processo de discussão. 


Seus integrantes declaram como missão “ajudar as pessoas a se conectarem com as outras e com Deus através da apreciação comum da cerveja“. 

Nós acreditamos que as Escrituras e a tradição pós-Bíblica testemunham que o consumo de álcool é tanto permitido quanto uma provisão divina para nossa satisfação, quando tomada com moderação, responsavelmente“, afirma o grupo, que mantém em sua página sobre “Cerveja e Deus” seções detalhadas abordando as citações bíblicas negativas e positivas sobre o consumo do álcool, bem como sobre a embriaguez, amplamente condenada.

Exemplos, definitivamente, não faltam.

Digo “retorno” do público religioso porque até uma recente onda de moralismo (coisa de dois séculos atrás até agora), muitos religiosos cristãos tiveram ligações estreitas com a produção de bebidas fermentadas. Não é a toa que as cervejas da Europa mais cobiçadas por especialistas são produzidas em monastérios católicos. 

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A Igreja Católica tem até um santo patrono dos cervejeiros, Arnulf de Metz, nascido no fim do século VI e morto na metade do século seguinte. Com sua origem germânica, os protestantes não têm muito do que escapar: até Martinho Lutero se referia favoravelmente à cerveja em suas correspondências pessoais.

Diversos autores, entre eles o jornalista inglês Michael Jackson, relatam que uma das traduções luteranas da Bíblia, nas Bodas de Canaã, dizia que Jesus transformou a água em cerveja. A base disto era uma ambiguidade do termo aramaico usado neste trecho, que significaria “bebida forte”.

O vinho, afinal de contas, era a bebida da elite romana. Muito mais lógico que a cerveja, que foi parte indispensável da vida cotidiana na Suméria e no Egito e cujo traço mais antigo conhecido vem do Iraque, fosse preferida pelo povo hebreu. A referência ao vinho teria aparecido nas traduções para o grego e para o latim.

Nada disso, é claro, altera de qualquer maneira o caráter sublime da narrativa do milagre.

dica do Gerson Caceres Martins

Cid Moreira: “Rachel Sheherazade é meio agressiva. Foi a forma que ela achou para falarem dela”

Há 45 anos na Globo, o apresentador do ‘Jornal Nacional’ durante 27 anos, revelou o desejo de constar nos quadros de funcionários da emissora até quando completar 50 anos na casa

Cid Moreira (foto: Cesar Alves)

Cid Moreira (foto: Cesar Alves)

título original: “Só Deus vai me aposentar”, revela Cid Moreira

Thiago Azanha, na Caras

Alô. Bom dia“, a voz grave e inconfundível que durante anos se tornou onipresente na casa de todos os brasileiros está do outro lado da linha. Cid Moreira, o próprio, pergunta meu nome e quer saber em que cidade nasci. Responde que também é do interior de São Paulo — Taubaté — e começamos a divertida conversa que durou mais de uma hora como um aprendiz curioso e seu mestre veterano.

Aos 86 anos, Cid fala abertamente sobre a época gloriosa, segundo ele, em que trabalhou na TV Globo — ele ainda tem contrato em vigor –, elogia as recentes mudanças do Fantástico, critica as opiniões de Rachel Sheherazade no SBT e relembra as curiosidades durante a apresentação do Jornal Nacional.

Veja os principais trechos da entrevista:

Fora das câmeras, qual a rotina do senhor? O que gosta de fazer no dia a dia?

Caminho para os 87 anos, vou fazer aniversário em setembro. Continuo o mesmo com a minha idade. Adotei uma alimentação saudável e estou insistindo nela há mais de meio século. Parei de comer carne vermelha quando tinha 30, 31 anos. Procuro me alimentar bastante com frutas. Pratico meus exercícios diários, bato minha bolinha de vez em quando. Já até joguei com o tenista Fernando Meligene para a gravação de um programa na TV.

Do que mais sente falta de estar na TV?

Não sinto falta nenhuma, já estou beirando os noventa. São fases. Vivi várias fases maravilhosas. Quando deixei o rádio, deixei com tristeza. Aí passei para a fase da TV, maravilhosa. Fiz parte do Canal 100, na fase do cinema, que deu ênfase ao futebol. Era um jornal muito popular e aplaudido. Fui narrador durante doze ou treze anos no Canal 100. Gravava, pelo menos, quarenta a cinquenta jornais editados em todo o Brasil. Também tive a fase gloriosa, comercialmente falando, onde mais gravava. Resumo a minha vida profissional em fases, do rádio, comercial, cinema, inclusive em pontinhas no cinema, em tapes de rádios. Já fui até garoto propaganda.

Nunca surgiu o convite para atuar em novelas na TV?

Claro que surgiu o convite para fazer televisão. Tinha uma boa aparência, era um dos homens mais bonitos do Brasil. Mas optei pelo jornalismo. Na época ganhava mais fazendo comerciais do que fazendo novelas na TV. Preferi investir no que estava dando certo. A fase da TV me garantiu a presença no Livro dos Recordes [Cid ficou 27 anos na bancada do Jornal Nacional]. Agora não sei. Estou na fase gloriosa, investindo não só em mim. Estou gravando as mensagens da Bíblia. Tenho saudade das fases que vivi, das pessoas que conheci e que me conheceram. Sou abençoado.

O senhor ainda tem contrato em vigência com a Globo?

Tenho contrato em vigor. Estou há 45 anos na Globo e quero chegar aos 50 anos lá. Sou um dos mais velhos lá.

Por qual motivo deixou a bancada do Jornal Nacional? Foi em comum acordo com a emissora?

Foi uma coisa normal, natural. O programa, por melhor que seja, estica. Tudo no mundo tem começo, meio e fim. Nada é perpétuo. Uma peça na Broadway pode fazer sucesso, mas um dia acaba. Todo mundo tem direito à sua fase. Vou caminhar, se Deus quiser, aos 50 anos na Globo.

Mantém algum contato com os amigos da época de jornalismo, como o William Bonner, Sérgio Chapelin e outros profissionais da Globo?

O William é meu vizinho tanto aqui na Barra da Tijuca quanto na serra. Tenho um estúdio em Petrópolis, a minha atividade é em casa. Eu gravo bastante lá. Só Deus vai me aposentar. Gosto de trabalhar. Isso me distrai. Continuo aprendendo.

Ainda assiste todos os dias ao Jornal Nacional? Mudou muita coisa em relação à sua época?

Sempre assisto. Não gosto de ver certas notícias enquanto janto, mas é impossível evitar isso hoje em dia. Eu faço minha parte física, começo às 18h. Faço meu alongamento, pilates, minha sauna. Chego para a mesa às 20h, 20h e pouco. Vejo o final da novela das 19h, assisto o Jornal Nacional e depois vou ver um filme.

Não gosta de assistir às novelas?

Novela não é minha praia. Mas vi algumas, para não ser mentiroso. Vi uma parte de Avenida Brasil, gostava de algumas atuações. Não tenho o hábito de ver novelas, mas ver filmes.

O que mais gosta de assistir na TV?

Acompanho os jogos de tênis, quando são compatíveis com os horários do Brasil. Não perco o US Open e o torneio de Roland-Garros. Já o futebol eu não gosto, não assisto.

O que achou das recentes mudanças no Fantástico? Gosta deste novo tipo de apresentação, aliado à tecnologia?

Eu acho que tudo evolui. O Fantástico evoluiu muito. Acho o Tadeu Schmidt muito bom. Está ótimo o programa com este formato.

Já tem alguma participação programada para a Copa do Mundo, como fez em 2010 com o bordão da bola “Jabulaaaani”?

Ainda não sei, mas deve aparecer algo.

O que acha dos jornalistas dando opinião nos telejornais, como a Rachel Sheherazade faz no SBT?

Li algumas coisas nos jornais a respeito. Ela é meio agressiva. O ser humano quer aparecer de qualquer maneira. Foi a forma que ela achou para falarem dela.

De alguma forma, os apresentadores de TV também são artistas?

Eles estão querendo. Tudo evolui. Antes era muito formal. Uma vez, quando espantei uma dessas moscas de frutinha no ar, a Playboy fez uma reportagem de sete páginas! No Jô, quando fui dar uma entrevista, estávamos falando sobre esse acontecimento e a tal da mosca voltou. Ele não perdeu a oportunidade e brincou com a situação.

O senhor sempre foi assediado fora da TV?

Sempre fui assediado dentro e fora do Brasil. Uma vez estava em Londres e minha mulher perdeu o chip da máquina fotográfica. Alguém o encontrou em uma estação e procurou o escritório da Globo na cidade para me mandar aquele negocinho minúsculo. Ela achou uma agulha no palheiro! Aí o pessoal do escritório passou meu endereço e ela postou o chip para minha casa no Brasil.

É verdade que o senhor chegou a usar bermudas para apresentar o Jornal Nacional?

Nas minhas palestras, todo mundo me pergunta isso. Mas foi só uma vez. Sempre frequentei Petrópolis, onde costumava jogar tênis. Uma vez, quando estava voltando para o Rio, peguei um temporal e cheguei atrasado à emissora. Não deu tempo para trocar de roupa. Além de tudo, era Carnaval, até isso me favoreceu. Tinha paletó, camisa e gravata para colocar antes de entrar no ar. Levei uma bronca e nunca mais repeti isso. Depois veio a proibição de algumas roupas. Só as mulheres que podem usar saias. Acho injusto [risos]. Todo mundo lá andava de sandália por causa do calor. Era normal esse ambiente mais despojado.

Que outros causos engraçados se lembra da época em que apresentava o programa?

Foi engraçado, mas resultou no afastamento do cameraman. Em um sábado, dia que não tinha muita movimentação na emissora, um cameraman posicionou o equipamento, chegou na bancada, arregaçou a calça e colocou o bundão na mesa. Tive que me conter, estava ao vivo. Fiquei com muita raiva na hora. Foi o cúmulo das brincadeiras. Depois desse episódio ele acabou sendo afastado. Mas hoje é engraçado contar isso.

Outra vez, parei em um posto para assistir o jornal. Duas senhoras se aproximaram de mim e de cara me deram um fora: “Ô, seu Chapelin [companheiro de bancada de Cid no JN]”. Trocou meu nome e me murchou na hora. E ainda continuou: “Posso te pedir um favor? Leia mais depressa as notícias que eu quero ver a novela”.

Uma das capas mais lembradas da revista CARAS é a qual o senhor aparece em uma banheira com as pernas de fora (dezembro/1993). Acha que o jornalismo ainda precisa desse bom humor, de humanizar os jornalistas?

Houve uma época que terminava o jornal com alguma graça. Por isso que chegou a ganhar popularidade. Fazia alguma gracinha com conotação de algo que aconteceu no dia. Aí começou alguma crítica, pelo jornal ser formal. Essa fase durou pouco, mas com grande sucesso. Hoje o jornal está mais descontraído, comentado, esta ótimo. O jornal tem o seu lado sério, seu drama, precisa passar isso, a seriedade. Mas ao mesmo tempo pode brincar, tem que ser humano. Tudo caminha para a naturalidade. Não tem nada mais difícil para o apresentador passar essa naturalidade.

Sobre a capa na banheira, lembro que foi uma entrevista longa, cansativa. Em determinado momento surgiu a ideia de fazer a foto na banheira. A entrevista estava demorada, aí comecei a me exercitar, tenho mania de fazer exercícios. Chega em determinado momento que você esquece que está dando uma entrevista. O fotógrafo aproveitou o momento enquanto treinava o abdome e começou a tirar as fotos. Lembro que teve um problema com a luz, teve um intervalo longo, e ele não quis perder esse lance. Mas a capa se tornou uma enorme polêmica, quase que fui para a rua. [risos]. Hoje não fico mais na banheira!

Que projetos ainda têm em mente?

Pretendo lançar em breve um site com as mensagens da Bíblia. Quero que seja algo que decole, que não caia no esquecimento.

 

Ator pornô que atuou com Rita Cadillac e se tornou pastor lança livro

Em ‘Luz, câmera, ação e tranformação’, Giuliano Ferreira – estrela de mais de 300 filmes – revela histórias como o envolvimento com uma atriz famosa.

Luciana Tecidio, no EGO

Giuliano Ferreira, ex-ator pornô que agora é pastor

Giuliano Ferreira, ex-ator pornô que agora é pastor

Quem vê o paulistano Giuliano Ferreira, de 35 anos, vestido com um terno, de bíblia embaixo do braço, palestrando sobre Deus, não faz ideia que há dez anos sua identidade era outra. O rapaz era conhecido como Júlio Vidal, ator pornô com cerca de 300 produções no currículo. Seu último trabalho foi há dez anos, atuando ao lado de Rita Cadillac no filme “A primeira vez”. E foi daquele set que ele seguiu para uma consulta médica que iria mudar sua vida  para sempre.

Giuliano conta que estava com forte dor de dente. E mesmo após ter sido medicado por um dentista teve uma séria inflamação, que se espalhou para outros órgãos do corpo e contaminou os rins e os pulmões. O paulistano foi internado e ficou cinco dias em coma.

No hospital, ele diz que teve uma experiência sobrenatural. “Tive um encontro com Deus. Ouvi uma voz falar para mim: ‘Chegou o momento de você fazer a minha vontade’. Assim que me recuperei e deixei o hospital, abandonei a carreira de ator pornô”, lembra Giuliano, que a partir dali tornou-se evangélico.

Toda esta trajetória de vida é contada no livro escrito por ele, “Luz, câmera, ação e transformação”. Na obra, Giuliano revela – sem citar nomes – o seu envolvimento com uma atriz famosa e as propostas que recebeu para subir na vida. “Muitos apresentadores famosos me ofereceram subir na vida de forma fácil, mas nunca aceitei”, garante ele.

Giuliano nasceu em uma família pobre e foi pai aos 18 anos. Depois de ser demitido do emprego de auxiliar de redação de um jornal paulistano, ele resolveu aceitar o convite para ser gogo boy. Para atuar em filmes pornôs foi um pulo. “Precisava de dinheiro para sustentar meu filho, que era criado por mim e pela minha mãe. Passei três anos me dividindo entre a Europa e o Brasil, atuando em filmes ponôs”.

Considerado estrela nesse segmento, Giuliano conta que seu salário girava em torno de R$ 12 mil e era direcionado para a mãe e para o sustento do filho, hoje com 18 anos: “Conseguimos comprar dois terrenos e construir duas casas”.

Quando acordou do coma e resolveu abandonar a indústria pornô, o ator viu sua situação financeira sofrer uma queda vertiginosa. Casado há 12 anos com a ex-secretária da escola de seu filho, Giuliano ganha a vida como representante de livros evangélicos e as suas palestras são gratuitas.

Focado na divulgação do livro, Giuliano  garante que não tem mais o que esconder. “Por causa do meu filho e do meu enteado, hoje com 17 anos, escondi minha história de ator pornô. Para que eles não sofressem bullying na escola. Mas agora é o momento de contar tudo. Com o livro, quero mostrar que a pessoa tem direito a ter a vida que quer e que também pode escolher um novo recomeço”.

Leia um trecho do livro:
“Passei um tempo dançando em uma boate em Moema, São Paulo. Era um grupo de Gogo Boys dançando ao som do DJ Mauro Borges. Um local também daqueles elitizados, onde havia muitos artistas frequentando. Em uma das noites de apresentação, acabei conhecendo uma jovem muito linda, ex-modelo. Na época, trabalhava em uma grande emissora de TV. Um verdadeiro furacão.

Vivemos momentos muito bons de paixão e loucura. Sempre que ia ao Rio de Janeiro, ficava um tempo com ela. Uma pessoa que tinha uma história de vida muito complicada, mas que, no fundo, cativava a gente com seu jeito meigo de ser.”

Capa do livro de Giuliano Ferreira (foto: Divulgação)

Capa do livro de Giuliano Ferreira (foto: Divulgação)