Arquivo da tag: Bíblia

Pastores e impostores são investigados e presos por crimes que vão de estelionato a estupro

Religião é usada para ficar acima de qualquer suspeita

 ‘Missionária’ Maria de Fátima Silva, 58, pegou 16 anos de cadeia (foto:  Diário do Vale / Andressa Paganini)


‘Missionária’ Maria de Fátima Silva, 58, pegou 16 anos de cadeia (foto: Diário do Vale / Andressa Paganini)

Francisco Edson Alves, em O Dia

Lobos em pele de cordeiros. Recentes prisões de pastores ou falsos líderes religiosos alertaram a polícia e as congregações oficiais para criminosos que usam igrejas de diferentes denominações como fachada para cometer crimes. Em sete meses, pelo menos três homens foram presos, acusados de estupro, roubos, receptação e estelionato, usando a Bíblia para acobertar ações no estado. Outros suspeitos são investigados.

O delegado da 93ª DP (Volta Redonda), Antônio da Luz Furtado, diz já ter perdido a conta do número de pessoas que usam esse tipo de artifício. Recentemente, a polícia prendeu Edílson Ferreira de Sá, que comandava o rebanho de fiéis da Igreja Assembleia de Deus do Ministério Casa Família, em Volta Redonda, no Sul Fluminense.

 Pastor Reginaldo Sena dos Santos, condenado a 78 anos de prisão (foto:  Diário do Vale / Andressa Paganini)


Pastor Reginaldo Sena dos Santos, condenado a 78 anos de prisão (foto: Diário do Vale / Andressa Paganini)

No dia seguinte, fiéis acordaram estarrecidos com a notícia: foram encontrados na casa do pastor equipamentos avaliados em R$ 3 milhões, roubados de um estaleiro. O que mais surpreendeu, no entanto, foi a constatação de que o ‘religioso’ tinha uma ficha criminal robusta: 14 passagens pela polícia por crimes diversos, incluindo roubo, receptação e estelionato.

Com experiência na investigação de casos semelhantes, o delegado Antônio Furtado está criando uma cartilha com cuidados que as pessoas devem tomar para evitar cair na lábia de falsos líderes religiosos. “Indivíduos inescrupulosos estudam oratória e até psicologia para ganhar a confiança das vítimas e lesá-las”, ressalta o policial.

 Em meados de 2012, uma força-tarefa da polícia e do Ministério Público prendeu 10 pessoas, entre elas, um pastor de igreja da Zona Oeste (foto:  Osvaldo Praddo / Agência O Dia)


Em meados de 2012, uma força-tarefa da polícia e do Ministério Público prendeu 10 pessoas, entre elas, um pastor de igreja da Zona Oeste (foto: Osvaldo Praddo / Agência O Dia)

As dicas do delegado poderiam ter evitado, por exemplo, o abuso sexual de 14 meninas também em Volta Redonda. Pelo crime, o pastor Reginaldo Sena dos Santos, de 59 anos, conhecido como Ungido, e que estava fundando uma igreja no bairro Retiro, foi condenado a 78 anos de prisão. Para agir, ele contava com a ‘missionária’ Maria de Fátima Costa da Silva, 58 anos, condenada a 16 de cadeia.

No dia 7 de janeiro, o pastor Salvador Moreira, 49, foi preso em São João da Barra, no litoral norte fluminense, por estuprar sua enteada de 7 anos. Na casa dele foram encontrados vídeos pornográficos. Em agosto de 2013, em Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio, outro pastor, de 33 anos, foi para atrás das grades pelo estupro de uma criança de 12 anos na própria igreja. Em todos os casos, os suspeitos negam os crimes.

 Marcos Pereira foi condenado a 15 anos de prisão por estupro. Ele nega acusação (foto:  Alexandre Brum / Agência O Dia)


Marcos Pereira foi condenado a 15 anos de prisão por estupro. Ele nega acusação (foto: Alexandre Brum / Agência O Dia)

Continue lendo

Sorteio de fuzil promovido por igreja batista gera polêmica nos Estados Unidos

rev-john-koletas-raffling-assault-weaponPublicado por EFE [via Folha de S.Paulo]

Uma igreja batista da cidade de Troy, no Estado de Nova York, voltou a acender o debate sobre as armas nos Estados Unidos graças a seu plano de sortear um fuzil entre os fiéis.

A entrega da arma (um AR-15) vai acontecer no dia 23 de março entre os presentes no culto de domingo, anuncia a igreja em seu site.

“O único objetivo é ser uma ajuda, uma bênção e um apoio a todos os proprietários de armas e caçadores que foram atacados com fúria pela imprensa e por políticos socialistas e anticristãos”, alega o pastor John Koletas em carta publicada na página.

A iniciativa rapidamente passou da imprensa local para veículos nacionais e foi duramente criticada por representantes de outras igrejas da região.

Koletas, em uma segunda mensagem publicada no site da igreja, acusa os críticos de serem uma “fraude” e pede que leiam a Bíblia e a história da revolução americana para ver como homens armados defenderam a liberdade.

O polêmico sorteio conta com o apoio do deputado republicano Steve McLaughlin, que deve falar durante o serviço do próximo dia 23.

“É uma arma segura, legal, a que está sendo sorteada. Não vejo controvérsia e não me parece surpreendente em absoluto que se rife um fuzil em uma igreja”, disse McLaughlin em declarações ao jornal local “Times Union”.

O fuzil em questão custa aproximadamente US$ 700 e está adaptado para cumprir a legislação de Nova York, já que os AR-15 comuns são proibidos no Estado.

Uma arma desse tipo foi utilizada em 2012 no massacre da escola Sandy Hook de Newtown, Connecticut (EUA), quando foram mortas 20 crianças de entre 6 e 7 anos de idade e de seis adultos.

Para ficar com o fuzil, o ganhador do sorteio deverá ter pelo menos 18 anos, cumprir com todas as normas de posse de armas e passar por uma verificação de antecedentes criminais.

Bíblia na seção de ficção: pode, Arnaldo?

Reinaldo José Lopes, no blog Darwin e Deus

A personagem-título do livro bíblico de Ester: luxo e fantasia

A personagem-título do livro bíblico de Ester: luxo e fantasia

Recebo do amigo, colega e ex-guitarrista da nossa banda Rafael Garcia (cujo blog “Teoria de Tudo”, se você ainda não conhece, deveria conhecer), uma notícia curiosa: nos EUA, a rede de lojas Costco teve de se desculpar com o público evangélico porque algumas das Bíblias que vendia vinham com a etiqueta “ficção” (leia a notícia em inglês aqui). Pergunta que não quer calar: era o caso de fazer escarcéu por causa disso?

Bem, como quase tudo na vida, a resposta é “depende”. Para começar, como qualquer fiel bem-informado deveria saber, existe uma variedade enorme de materiais dentro das capas das Bíblias modernas. São dezenas de livros diferentes, escritos em épocas diferentes, por autores diferentes, com gêneros literários diferentes. Não é à toa que o nome que usamos para essa coleção de obras da Antiguidade vem do grego “tá biblía”, literalmente “os livros”. Como dizia meu professor de grego, Henrique Murachco, uma particularidade das palavras gregas do gênero neutro, como “biblíon”, o singular de “biblía”, é que o plural delas funciona como coletivo — o que quer dizer que o significado de “Bíblia” está mais para “coleção de livros, biblioteca”. A diversidade está implícita nesse conceito.

Tendo isso em mente, acho que nenhum cristão ou judeu deveria ser considerado herege ou irreverente por se dar conta de que a Bíblia claramente contém ficção. O livro de Ester, por exemplo, é indiscutivelmente ficção histórica, ambientada durante um momento genérico do Império Persa — um império sobre o qual temos abundantes registros históricos, nenhum dos quais menciona uma rainha judia liderando um contra-ataque maciço dos israelitas contra seus inimigos antissemitas. (Fora o fato de que o livro foi deliberadamente escrito em tom de sátira, com um retrato forçado do luxo da corte persa e da burrice do Rei dos Reis, supostamente o mesmo Xerxes que levou uma esfrega dos gregos em 480 a.C.).

Também não há porque achar que o livro de Jó tenha o objetivo de retratar um evento histórico — trata-se de uma espécie de diálogo filosófico, mais ou menos no estilo do escrito pelo grego Platão, com uma moldura narrativa aparentemente mais antiga que o texto principal. E, claro, o próprio Jesus, nos Evangelhos, é relatado como um autor de narrativas de ficção com cunho moral: são as suas célebres parábolas. Quanto aos chamados livros históricos da Bíblia, a diversidade impera, mas o consenso entre estudiosos, inclusive os não religiosos, é que eles apresentam uma mistura de fatos históricos e interpretações teológicas, que precisam ser examinados caso a caso.

Voltando à questão de ordem: do ponto de vista dos gêneros literários, a Bíblia é inclassificável, por representar cerca de um milênio de história cultural — história essa fascinante, complicada e polifônica.

Jovem gay rasga a Bíblia durante aula e é suspenso da escola nos EUA

Publicado no Terra

Em foto de 2012, Isaiah Smith aparece com um cartaz em que pede o fim da homofobia na religião Foto: Reprodução

Em foto de 2012, Isaiah Smith aparece com um cartaz em que pede o fim da homofobia na religião Foto: Reprodução

Um jovem americano foi suspenso da escola onde estuda, no Texas, após ter rasgado a bíblia durante a aula, na semana passada, como forma de protestar contra o bullying anti-gay na instituição. Isaiah Smith, que é gay e cristão, arrancou páginas de Levítico, um trecho da Bíblia que contém proibições contra o homossexualismo, após ouvir declarações de colegas de que “ser gay é pecado”, e que “os gays vão para o inferno”. As informações são do Huffington Post.

Um dia depois de rasgar a Bíblia, o jovem, que defende que o Cristianismo não condena gays, foi chamado na sala do diretor-assistente da Birdville High School, uma escola pública do Texas. O educador o teria repreendido pelo ato e aplicado uma suspensão de três dias.

A Associação Humanista Americana entregou, esta semana, uma queixa contra a escola por violação dos direitos do estudante. A entidade entende que o jovem tem direito de rasgar trechos da Bíblia  e que o mais correto seria proibir textos religiosos nas escolas.

“A única explicação para esse tipo de punição é que foi motivada por questões religiosas, porque (o jovem) expressa crenças diferentes sobre a Bíblia daquelas seguidas pelos funcionários da escola. Não há base legal para esse tipo de reação”, afirmou a Monica Miller, advogada da Associação Humanista.

Uma homenagem aos aleijados do Iraque

Religião e ideologia são os álibis de uma guerra que produziu mais de 3 milhões de mutilados e 100 mil civis mortos no Iraque

Guerra-Iraque-Civis-FugaPedro Valls Feu Rosa, no Congresso em Foco

Você já ouviu falar de Hamza Hameed? Trata-se de um aleijado. Ele perdeu a perna direita e um dedo da mão esquerda durante um bombardeio aéreo. Hameed não estava em armas – ele simplesmente passava por um mercado popular de Bagdá.

Este não foi um caso isolado. Há poucos dias li um chocante relatório divulgado pela Agência Reuters dando conta de que o número de iraquianos aleijados já beira a casa dos 3 milhões, alguma coisa em torno de 10% da população.

Segundo consta, apenas um quarto desses aleijados consegue próteses que suavizem suas vidas, pois a falta de materiais é aguda. Tão aguda como a miséria deles, condenados a viver com uma ajuda mensal equivalente a cerca de R$ 68.

Enquanto isso, segundo dados divulgados pelo serviço Iraq Body Count, já passa de 100 mil o número de civis iraquianos que perderam a vida desde 2003, vítimas de violência. Há também o sofrimento das crianças. Segundo consta, a desnutrição infantil já ultrapassou os índices do Burundi, do Uganda e até do Haiti – basta dizer que se estima em 70% o total de escolas que sequer água potável têm.

Enquanto isso, em 2003, o jornal francês Le Monde noticiava que uma única empresa norte-americana foi agraciada com contratos no valor total de US$ 600 milhões, envolvendo desde exploração de petróleo até obras de reconstrução. Esta não foi uma notícia isolada: no dia 12 de março do ano seguinte o jornal Cape Cod Times denunciou que “muitas das empresas que receberam contratos no valor de US$ 130 milhões ao longo desta semana para realizar obras no Iraque tem fortes conexões em Washington”.

No ano de 2007, essas obras de reconstrução foram assim descritas pelo sério jornal The New York Times: “Inspetores descobriram que em uma amostra de oito projetos que os Estados Unidos declararam sucesso sete não funcionavam. Os Estados Unidos haviam admitido anteriormente, às vezes sob pressão de inspetores federais, que alguns dos projetos de reconstrução haviam sido abandonados, atrasados ou pessimamente executados. As inspeções abrangeram do norte ao sul do Iraque, e cobriram projetos tão variados como uma maternidade, alojamentos para as forças iraquianas e uma estação de força para o aeroporto de Bagdá.

Em 2008, o mesmo jornal divulgou que “gigantes petrolíferas ocidentais estão em fase final de acertos com o Iraque para voltarem a explorar as reservas petrolíferas do país sob contratos firmados sem concorrência”.

Curiosamente, na mesma data em que li estes textos tive acesso a uma outra notícia, publicada pelo jornal USA Today, dando conta de que os rifles utilizados pelas tropas norte-americanas têm gravados neles versículos da Bíblia. Em um deles a reportagem localizou uma referência a João 8:12: “Eu sou a luz do mundo: aquele que me seguir não andará na escuridão, mas terá a luz da vida”.

Diante deste quadro, tenho que nunca foram tão acertadas as palavras de Eugène Ionesco: “Em nome da religião, constroem-se piras. Em nome das ideologias, pessoas são torturadas e mortas. Em nome da justiça, são injustiçadas. Em nome do amor a um país ou uma raça, outros países e raças são desprezados, discriminados ou massacrados. Em nome da igualdade e da fraternidade, praticam-se a perseguição e o ódio. Não há nada em comum entre os meios e os fins. Os meios vão muito mais longe que os fins. Na verdade, religião e ideologia são apenas álibis para esses meios”.