Homem finge que Bíblia é arma, tenta assaltar em frente a delegacia em Niterói (RJ) e acaba preso

Carlos Henrique da Silva Viana tentava assaltar nas mediações da 78ª DP (foto: Fabiano Rocha / Extra)
Carlos Henrique da Silva Viana tentava assaltar nas mediações da 78ª DP (foto: Fabiano Rocha / Extra)

Ricardo Rigel, no Extra

Com uma Bíblia na cintura para fingir estar armado, Carlos Henrique da Silva Viana, de 19 anos, tentou assaltar uma pessoa, na manhã desta sexta-feira, nas proximidades da 78ª DP, no Fonseca, em Niterói, Região Metropolitana do Rio. Ele abordou uma pessoa, deu um soco no rosto dela e tentou roubar sua mochila. Para intimidar a vítima, ele mostrou o volume na cintura. Os policiais da delegacia, porém, viram a cena e conseguiram capturar o rapaz.

Segundo o delegado José William de Medeiros, titular da 78ª DP, Carlos Henrique será será indiciado por tentativa de roubo:

– Ele parece estar sob efeito de drogas. Algumas pessoas estão chegando à delegacia relatando tentativas de assalto semelhantes.

Mais cedo, nas proximidades de outra delegacia, em São Gonçalo, também na Região Metropolitana, dois homens numa moto furtaram o celular de uma professora. Ela, que preferiu não se identificar, ficou indignada com a ação perto da 73ª DP (Neves).

– Estou chocada com isso. O pior é que o aparelho era novinho. Nem paguei a primeira prestação ainda – disse a vítima, de 33 anos.

Bíblia que era usada por Carlos Henrique da Silva Viana para assaltar pedestres (foto: Fabiano Rocha / Extra)
Bíblia que era usada por Carlos Henrique da Silva Viana para assaltar pedestres (foto: Fabiano Rocha / Extra)

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Monte atrai evangélicos em busca de cura na região de Ribeirão Preto

O pastor João Paulo Pinheiro Filho, que frequenta o 'monte da cordinha' desde 94, na região de Ribeirão (foto: Silva Junior/Folhapress)
O pastor João Paulo Pinheiro Filho, que frequenta o ‘monte da cordinha’ desde 94, na região de Ribeirão (foto: Silva Junior/Folhapress)

Camila Turtelli, na Folha de S.Paulo

Bem longe da ostentação do Templo de Salomão –nova e luxuosa sede da Igreja Universal do Reino de Deus inaugurada em julho em São Paulo– o “monte da cordinha”, na região de Ribeirão Preto (313 km de São Paulo), atrai centenas de evangélicos diariamente que buscam “encontrar Deus” no local isolado.

O monte fica no quilômetro 324 da rodovia Candido Portinari e é visitado por religiosos, na maioria pentecostais, para orações, leituras e conversas sobre cristianismo.

Não há nenhum tipo de construção no local, apenas bancos de pedra, madeira e bambu na área que tem cerca de 12 clareiras espalhadas na mata e que são usadas como espaços para cultos.

O apelido dado ao local faz referência a uma corda amarrada em troncos de madeiras que forma um corrimão improvisado e ladeia o caminho que leva ao cume do monte.

A maioria dos fiéis se reúne no alto do monte durante a noite. Além da Bíblia, eles levam colchas e sacos de dormir para se sentarem na mata. Alguns chegam a passar várias noites e dias no local orando.

Eles vão em grupos de até cem pessoas, liderados por pastores, ou mesmo sozinhos.

Para chegar ao cume, é preciso subir com cuidado a trilha estreita e íngreme de cerca de 300 metros. É necessário também fôlego e preparo físico.

Apesar da dificuldade, doentes costumam subir em busca de cura espiritual.

“Quando fui, tinham medo que eu pudesse cair e despencar de lá, mas fui com um propósito e cheguei”, disse a enfermeira Francine de Arruda da Silva, 38.

Ela tinha 28 anos quando foi diagnosticada com síndrome do pânico e passou a tomar medicação controlada, que a deixava com tonturas.

“Não queria ficar viciada em remédio”, disse. “Então, resolvi ir ao monte pedir pela minha saúde e desci curada.”

Segundo Francine, ela deixou de tomar os remédios e suas crises cessaram.

Pastor em Jardinópolis, Givaldo Lima é um dos que costuma levar fiéis ao local. “É abençoado”, afirmou.

O professor de sociologia da teologia da PUC São Paulo Edin Sued Abu Manssur disse que a prática de buscar morros para rezar é comum entre os pentecostais e tem raízes bíblicas.

“Há vários locais desse tipo na região do ABC paulista, por exemplo.”

Apesar de receber uma grande quantidade de visitantes de forma livre, o “monte da cordinha” fica em uma área particular.

A Folha procurou o dono do local, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

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Garotinho critica Crivella e diz que ele não lê a Bíblia

Anthony Garotinho (PR-RJ) respondeu a crítica de Marcelo Crivella (PRB) (foto: André Coelho / André Coelho/01-07-2014)
Anthony Garotinho (PR-RJ) respondeu a crítica de Marcelo Crivella (PRB) (foto: André Coelho / André Coelho/01-07-2014)

título original: Ataques de fé em nome do voto: Garotinho responde a crítica de Crivella

Marcelo Remigio, em O Globo

Com um discurso carregado de referências à Bíblia, o candidato do PR ao governo do Rio, deputado federal Anthony Garotinho, respondeu ontem ao adversário do PRB na disputa, senador Marcelo Crivella, que o acusou de ser culpado pelo aumento da violência em áreas onde há Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Garotinho, que é evangélico, disse que o senador, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), mente e se comporta como “um fariseu” ao defender interesses materiais. Para ele, Crivella deixou de ler a Bíblia e deveria recorrer aos Dez Mandamentos, que proíbem a mentira.

“Crivella, numa linguagem bíblica, está atirando naquele que sempre lhe estendeu a mão e se comportando como um fariseu de olho apenas nos seus interesses materiais”, postou Garotinho em seu blog, numa referência aos fariseus, grupo judaico da época de Cristo citado em pregações, muitas vezes referentes à hipocrisia e ao orgulho. “Embora eu não seja bispo nem pastor, conheço bem a palavra de Deus, e jamais utilizaria os meios que Crivella vêm usando para atingir o poder. Ele tem se comportado como o rei Saul, um homem que, depois de ser abençoado por Deus, tornou-se ambicioso, e descumpriu as ordens estabelecidas pelo Senhor dos Exércitos”, atacou o ex-governador, que, em sua TV on-line, mantém um vídeo em que garante não misturar religião com política.

Para Garotinho, os 12 anos de Crivella no Senado deixaram o adversário sem tempo para ler a Bíblia: “Suas declarações são mentirosas. E falando a linguagem que o bispo da Universal entende, o pai da mentira é o diabo”, disparou no blog.

CRIVELLA LIDERA ENTRE OS EVANGÉLICOS

Garotinho e Crivella estão tecnicamente empatados nas pesquisas de intenções de voto e disputam o eleitorado evangélico. O ex-governador é fiel da Igreja Presbiteriana, que integra o núcleo de igrejas protestantes históricas. Já Crivella é um dos religiosos da Iurd, igreja evangélica neopentecostal, que prega a prosperidade.

Garotinho tem intensificado as críticas a Crivella e tenta evitar o crescimento do adversário entre o rebanho evangélico. Hoje, eleitores de denominações evangélicas respondem por um terço dos votos fluminenses. De acordo com pesquisa recente do Instituto Datafolha, encomendada pela TV Globo e pelo jornal “Folha de S. Paulo” e divulgada no fim de julho (TRE-00009/2014), o candidato do PRB está à frente do ex-governador entre evangélicos. Crivella soma 35% dos votos dos evangélicos pentecostais, enquanto Garotinho tem 30%. Entre os neopentecostais a diferença é maior: 33% para Crivella e 23% para Garotinho. A margem de erro é de 3%.

“Outro dia, numa entrevista dada à (TV) Bandeirantes, o bispo da Universal Marcelo Crivella disse que o homossexualismo é pecado. E a mentira não é? Ele deveria ler os Dez Mandamentos. Um deles é ‘não mentir’. Ao cumprir a tarefa que o PMDB de Sérgio Cabral (ex-governador do Rio) e (Luiz Fernando) Pezão (candidato do PMDB a governador) lhe deu, ou seja, me atacar, ele descumpre outro mandamento bíblico: “Fazei o bem a todos, em especial aos irmãos da fé”, disse ainda Garotinho, em seu blog.

As acusações de Crivella contra Garotinho foram feitas durante sabatina do jornal “Folha de S.Paulo”/UOL/SBT, na última quinta-feira. De acordo com o senador, declarações de Garotinho contrárias às UPPs criam expectativas entre os bandidos e estimulam ataques às unidades: “Esses confrontos aumentaram sobretudo porque o Garotinho disse que ia acabar (com as UPPs), que a UPP era de lata, e isso acaba dando a esperança de que o cara (traficante) vai ser dono do morro. Nesses momentos da política, precisamos estar firmes. Se você hesitar, você já cria expectativas”.

Um dia antes, Garotinho disse, também em sabatina da “Folha de S.Paulo”/UOL/SBT, que pretende consertar o que está errado no modelo de Segurança Pública do atual governo. Segundo ele, “UPP não é sinônimo de pacificação”: “Eu nunca disse que vou acabar, mas a polícia não pode ser o único remédio para combater a criminalidade. Hoje, se vende a ideia de que somente UPP vai resolver o problema. Nós vamos consertar o que está errado na UPP, como esvaziar os batalhões do interior e mandar todo mundo para o Rio de Janeiro. Isso não dá. Vou fazer o batalhão de defesa social, modernizar a UPP. Não vou acabar com UPP nenhuma, vou fazer o batalhão de defesa social, uma evolução da UPP. O batalhão de defesa social é melhor do que a UPP”, afirmou, motivando a crítica de Crivella.

Crivella não comentou as críticas de Garotinho.

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Versão irônica da Bíblia faz sucesso entre religiosos na Comic-Con 2014

Capa do livro "God Is Disappointed in You" ilustrada por Shannon Wheeler, da "New Yorker"
Capa do livro “God Is Disappointed in You” ilustrada por Shannon Wheeler, da “New Yorker”

James Cimino, no UOL

Do lado de fora do pavilhão onde acontece a Comic-Con 2014, em San Diego, religiosos com microfones da Madonna exortam os frequentadores do evento, dizendo que “a punição para o pecado é a morte” e que sua idolatria os levará para o inferno. Do outro lado, em um dos salões internos do evento, um pastor batista elogia uma versão resumida e irônica da Bíblia que acaba de ser lançada.

Escrita pelo autor Mark Russell e ilustrada pelo cartunista Shannon Wheeler, famoso por seus desenhos na revista “The New Yorker”, “God Is Disappointed in You” (“Deus Está Decepcionado Com Você”, em tradução livre) resume todos os livros bíblicos em poucas páginas, “poupando os leitores de genealogias intermináveis e da linguagem rebuscada para explicar apenas o essencial de cada história”, segundo as palavras do autor. Cada livro bíblico também vem acompanhado de um cartoon ilustrativo.

O livro de Jó, por exemplo, que na Bíblia tem cerca de 40 capítulos, fica apenas com uma página, a qual diz que Deus e o Diabo fizeram um “aposta louca” para testar a fé do personagem. “Foi com o livro de Jó que tivemos a ideia do livro. Estávamos em um bar e o Shannon me disse que não entendia essa história. Aí eu expliquei para ele em poucas palavras”, conta Russell ao UOL.

Os autores disseram que esperavam uma péssima repercussão entre religiosos, mas dizem que muitos os têm procurado para comprar cópias para os amigos. Segundo ele, muitas pessoas falam da Bíblia, mas nunca nem sequer leram o livro. “E tem aquelas que usam os versos para apoiar seus pensamentos e para justificar todo tipo de perseguição. O livro ajuda essas pessoas a ir direto ao essencial.”

O ilustrador diz ainda que o livro está agradando até mesmo os hipsters, que criticam o trabalho sem conhecimento sobre o assunto porque “nunca tiveram paciência para lê-lo”. “O importante é que as pessoas entenderam que não estamos ridicularizando as escrituras, mas tornando-as acessíveis para religioso e não religiosos com uma linguagem contemporânea.”

Igreja dos nerds

O pastor batista Mike Parnell, que estava presente ao debate sobre o livro, elogiou a versão abertamente para seus autores. “É um livro que promove o diálogo, e muitos religioso não estão abertos a isso. Eu vejo por meio desse livro o que muitas pessoas se recusam a ver. A igreja tem machucado muita gente ao longo dos anos. E esse não é nosso papel. A igreja é um local de acolhimento e amor. Quando você diz que está certo e que o outro está errado, não há diálogo. Tem gente mais preocupada em impor seu ponto de vista que transformar as pessoas em discípulos de Cristo. Há uma diferença entre ser bom e estar certo”, disse ele ao UOL.

Parnell disse ainda que já frequenta a Comic Con há alguns anos porque reconhece a cultura pop como parte do ser humano. “O que traz as pessoas aqui é o mesmo que leva as pessoas à igreja. O senso de comunidade, de aceitação e de pertencimento. Claro que não concordo com tudo que está no livro do Mark, mas isso não significa que ele esteja errado.”

No livro "God Is Disappointed in You", ilustrada por Shannon Wheeler, da revista "New Yorker", o capítulo com o Novo Testamento traz um desenho com os três Reis Magos e a mensagem: "Deixe-me ver o endereço em meu GPS"
No livro “God Is Disappointed in You”, ilustrada por Shannon Wheeler, da revista “New Yorker”, o capítulo com o Novo Testamento traz um desenho com os três Reis Magos e a mensagem: “Deixe-me ver o endereço em meu GPS”

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Bíblia fracassa em dar respostas, diz ex-pastor

EhrmanPublicado por Livraria da Folha

Bart D. Ehrman, ex-pastor e chefe do departamento de estudos religiosos da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, considera que a Bíblia fracassa em dar respostas para uma questão fundamental: o sofrimento.

A existência do sofrimento no mundo passou a ser um pensamento obsessivo enquanto ele ainda era pastor e comprometido com o cristianismo e com o seu rebanho. Essa obsessão o fez vasculhar a Bíblia.

“Para mim, o problema do sofrimento se tornou o problema da fé”, escreve Ehrman em “O Problema com Deus”. “Algumas pessoas acham que conhecem as respostas. Ou não se incomodam com as perguntas”.

Ehrman aprendeu nas mensagens bíblicas que Deus, por amor, interfere para socorrer seus fiéis em momentos difíceis. Assim, Ele ajudou o povo escolhido a escapar da escravidão no Egito, curou os doentes e alimentou os famintos.

“Onde está esse Deus agora?”, questiona. “Se Deus interferiu para livrar os exércitos de Israel de seus inimigos, por que não interfere agora quando exércitos de tiranos sádicos atacam de forma selvagem e destroem aldeias, cidades e mesmo países inteiros?”

“Por que uma criança –uma simples criança!– morre de fome a cada cinco segundos? A cada cinco segundos.”

No livro, ele analisa as Escrituras e apresenta uma série ensinamentos conflitantes, principalmente na questão do sofrimento, algo que o autor considera uma dos temas mais fascinantes da humanidade e o que o levou a perder a fé.

Abandonar o cristianismo não foi uma tarefa fácil para Ehrman. “Eu fui embora esperneando, querendo desesperadamente me aferrar à fé que conhecia desde a infância e da qual me tornara íntimo a partir da adolescência. Mas eu tinha chegado a um ponto em que não podia mais acreditar”, conta.

“Eu finalmente reconheci a derrota, me dei conta de que já não podia acreditar no Deus da minha tradição e reconheci que era um agnóstico: eu não ‘sei’ se existe um Deus; mas acho que se houver um, ele certamente não é aquele proclamado pela tradição judaico-cristã”.

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