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A falácia do argumento de “liberdade de expressão” empregada pelos crentes contra os homossexuais

Bem, vem cá, ó defensor da Bíblia, ó paladino da liberdade de expressão: por que você não reclama que não se pode mais defender a escravidão? O Congresso proibiu, a sociedade recusa, mas a Bíblia manda escravizar e matar cananeus…

igreja batista de westboro

Osvaldo Luiz Ribeiro, no blog Peroratio

Os crentes homofóbicos que querem continuar a tratar a homossexualidade como “a” aberração contra Deus (Deus esse que tolera mataram-no o Filho, alias, ele mesmo mata, o Filho e quem mais lhe aparecer pela frente, mas não tolera o sexo entre duas mulheres e entre dois homens) alegam que têm o direito a dizer deles, homossexuais, e dela, a homossexualidade, o que a Bíblia diz… É a Bíblia que diz, eles berram, é o próprio Deus que o disse, eles palreiam…

Alegam (será consciente, a falácia? – ou é mera estupidez, provocada pelo medo e pelo atordoamento?) que os direitos civis a gays o Congresso já deu, mas amordaçar-lhes a boca de Deus, a boca de Jesus, a boca do Espírito Santo, com o que demonizam e humilham os gays, isso a sociedade não pode fazer! Não podem amordaçar a Bíbnlia, não podem calar o próprio Deus!, eles perdigotam pelas ruas…

Bem, vem cá, ó defensor da Bíblia, ó paladino da liberdade de expressão: por que você não reclama que não se pode mais defender a escravidão? O Congresso proibiu, a sociedade recusa, mas a Bíblia manda escravizar e matar cananeus… Deus mesmo, pessoalmente mandou. E te calas? Traidor!

Por que você não se insurge contra a campanha de não bater em crianças? A Bíblia manda meter a vara (sem trocadilhos!) no menino, porque assim ele aprende, mas a sociedade hoje não quer nem palmada – e você não pragueja pela janela, pragueja? Por que não vejo você nas redes, a resmungas, a reclamar, a encher o saco? Calaram Deus e tu te calas? Blasfemo!

Por que você não se insurge, em praça pública, contra a sociedade que concede direitos civis às mulheres – quando a Bíblia inteira, você sabe, só reconhece um ser, em toda a criação, como detentor de direitos civis e subjetividade – o macho, o “tu” da Lei? Deus pôs a mulher ao lado do jumento e da casa do próximo, objeto dele, tábua escrita com o próprio dedo divino, e tu te calas quando a humanidade vil quer impedir vara e chinelas? Não defendes teu Deus? Apóstata!

Acho você um pouco seletivo. Aliás, acho você muito seletivo. E hipócrita, por conseguinte… Traidor de Deus, blasfemo e apóstata…Mas, na causa gay, vejo-te firme… Firme até demais… Seletivo e firme… Vejo-te em gozos…

Olhe-se no espelho: e pergunte-se por que, realmente, tem tanto problema com a homossexualidade… Não te importas de terem calado Deus em outras questões, mas nessa, na questão da homossexualidade, nessa te importa totalmente que Deus não seja calado…Por quê?

Será o ricochete psicológico de negar ao outro o que o próprio corpo pede e, então, transferir para a sociedade a interdição de você mesmo, para que possa lavar as mãos quanto ao seu próprio destino?

“Tudo o que alcancei na vida”: Lista encontrada na Bíblia da filha ajuda pai a superar dor da tragédia em Santa Maria

Homenagens continuam presas à fachada da boate Kiss, em Santa Maria (RS), quase um mês após o incêndio que deixou 239 mortos no local no dia 27 de janeiro. Um ato em homagem às vítimas está marcado para as 8h desta quarta-feira (27), quando a tragédia completa um mês.

Homenagens continuam presas à fachada da boate Kiss, em Santa Maria (RS), quase um mês após o incêndio que deixou 239 mortos no local no dia 27 de janeiro. Um ato em homagem às vítimas está marcado para as 8h desta quarta-feira (27), quando a tragédia completa um mês.

título original: Um mês após tragédia de Santa Maria (RS), pais de vítimas buscam força ajudando uns aos outros

Thiago Varella, no UOL

“Se me perguntassem há alguns meses como eu reagiria se perdesse um filho, eu diria que iria enlouquecer”, disse Ogier de Vargas Rosado, 51. Há um mês, seu filho, Vinícius Montardo Rosado, 26, morreu na tragédia da boate Kiss, em Santa Maria (RS). Outras 238 pessoas também perderam a vida no incêndio.

Ogier não enlouqueceu. Pelo contrário, o drama pessoal o deixou ainda mais lúcido. Tampouco parecia estar desesperado. O pai precisou aprender a juntar forças para conseguir passar pelo momento mais triste de sua vida.

Já no velório, Ogier começou a se dar conta que seu filho havia morrido tentando ajudar amigos a sair da boate. Saber que o jovem pensou no bem de outras pessoas durante um incêndio tão devastador ajudou o pai a aceitar a morte de Vinícius.

“Se ele tivesse sobrevivido, o corpo dele estaria conosco, mas acho que a alma ficaria na boate”, afirmou Ogier.

Conversar com outros pais de vítimas também auxiliou Ogier. Diante de famílias que perderam dois ou três filhos, ele se deu conta de que sua tragédia, por mais gigantesca que fosse, poderia ter sido ainda pior. Sua filha, Jéssica, 24, também estava na Kiss durante o incêndio, mas conseguiu se salvar.

Compartilhar a dor e, até mesmo, auxiliar quem está tendo dificuldade em lidar com a perda de um filho levou Ogier a colaborar com a recém-criada Associação dos Pais e Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia em Santa Maria. Eleito diretor de Comunicação, ele trabalha para evitar que a história se repita.

“Estamos curando nossa dor, ajudando os outros. Os estudantes vão continuar querendo se divertir em Santa Maria. Preciso lutar para que essa diversão ocorra com total segurança”, disse.

História muito parecida tem o presidente da entidade, Adherbal Alves Jennefer Mendes FerreiraFerreira, 48, que perdeu a filha, Jennefer Mendes Ferreira (foto), 22, no incêndio.

Adherbal ficou arrasado. Sua vida parecia acabada em casa, já que a falta que sentia da sua filha era gigante e também no trabalho, já que a jovem era a gerente da loja da família.

No entanto, no sétimo dia após a tragédia, Adherbal decidiu reagir. No meio de uma missa em homenagem às vítimas, pediu o microfone para o padre e, em suas próprias palavras, “abraçou os outros pais usando o som”. Também sugeriu a criação de uma associação. No último sábado (23), foi eleito presidente da organização .

“Nunca fui membro de nada. Jamais achei que teria um cargo assim”, disse. Adherbal só aceitou assumir a associação porque viu, nas reuniões, que os outros pais estavam se sentindo bem naquele ambiente.

Ele decidiu, então, assumir essa missão como a coisa mais importante a se fazer de agora em diante. Além de ajudar os outros pais e buscar justiça –o que para ele é totalmente diferente de vingança–, quer, de alguma maneira, humanizar mais as pessoas.

Essa é a sua maneira de buscar forças para superar a dor.  Claro que momentos de choro e sofrimento, após apenas um mês, ainda surgem. Todos os dias, antes de dormir, Adherbal espera que consiga sonhar com a filha.

“Quero sonhar com ela todos os dias”, disse. “Para aliviar a saudade, passo um tempão no quarto dela. Virou meu santuário. Vou ali e rezo bastante.”

Há poucos dias, encontrou dentro de uma Bíblia uma lista, escrita por Jennefer, com tudo aquilo que já havia alcançado na vida.

Para cada item, a jovem fez um agradecimento a Deus. Ao ver aquilo, Adherbal sentiu que sua filha estava preparada para morrer em paz. “Aquilo me deu certo alívio. Acho que ela está bem”, desabafou.

Participante do BBB13, Fernanda Keulla é advogada em BH e adora mensagens bíblicas

A advogada Fernanda Keulla, do "BBB13", em foto de sua formatura
A advogada Fernanda Keulla, do “BBB13″, em foto de sua formatura (fonte: Twitter)

Publicado originalmente no UOL

Bastante preocupada com a boa forma, a mineira Fernanda Keulla Vilaça, de 26 anos, é advogada e uma das beldades que estarão na casa do “BBB13″.

Em seu perfil no Twitter, ela se mostra adepta da malhação pesada e adora divulgar mensagens de fé como “Perdi tanto tempo longe desse Deus que só me dá alegrias. Nunca mais irei deixá-lo” e “Breve, Deus te entregará o que você ainda não pode ver!”

Ela também já apareceu na seção “Giro Pela Cidade”, do jornal “O Tempo” de Contagem. Segundo o jornal, ela gosta de ser chamada apenas de Keulla e “provoca suspiros e olhares por onde passa”.


via site da Caras

Deus não é genocida

Imagem: Google

Publicado por Sostenes Lima

Uma boa parte dos cristãos, ancorada numa interpretação ideologizada e equivocada da bíblia, sempre foi simpática, conivente e, em alguns casos, cooperadora com as ações genocidas de Israel, como a que está em curso no momento.

São muitos os cristãos que, sem ativar o menor senso ético, concebem as batalhas de guerra dos hebreus, registradas no Antigo Testamento, em especial nos livros de Josué, Juízes, I e II Samuel, I e II Reis e I e II Crônicas, como sendo ordenadas e sancionadas por Deus. Algumas dessas batalhas, massacres para ser mais preciso, são comumente citadas em sermões, como exemplos do cuidado e provisão de Deus para com aqueles que lhe são fiéis. É muito comum ver pregadores citando as ações militares de Josué (algumas delas com conteúdo claramente impróprio para crianças) sem sentir o menor constrangimento ético.

Invasões e expedições de horror, abertamente genocidas, como as de Josué[1], são normalmente interpretadas, por correntes fundamentalistas, como demonstração do cumprimento da vontade de Deus. Aliás, a ocupação de Canaã como um todo, com a consequente destruição dos povos locais, é vista como o ponto culminante do plano de Deus em instituir para si uma nação: Israel.

Vitórias esmagadoras, com a dizimação de prisioneiros de guerra e civis (em sua maioria mulheres e crianças), são alardeadas por pregadores fundamentalistas como um prêmio que Deus concedia aos hebreus por eles serem o povo escolhido. Triunfos, quando em desvantagem militar, são frequentemente apresentados como exemplos máximos de situações em que Deus pode intervir em favor dos seus escolhidos, providenciando vitórias onde há pouquíssima ou nenhuma possibilidade de acontecer.

Para quem interpreta literalmente a bíblia, a aliança de Deus garantia aos hebreus, caso estivessem em dia com as leis cerimoniais, civis e morais editadas pelo próprio Deus no deserto, sucesso em quaisquer incursões de guerra. Mesmo planos imperialistas eram abonados por Deus.

Falta a muitos cristãos a coragem de fazer uma leitura ética mais radical do Antigo Testamento, levando em conta os princípios defendidos no sermão do monte. Isso implica, certamente, a coragem de instabilizar e, por vezes, devastar algum dogma. Levar o sermão do monte e a mensagem de Jesus às últimas consequências tem efeitos perigosos.

Eu sei que ler as narrativas de guerra do Antigo Testamento a partir de outros pressupostos de éticos, isto é, fora da caixa de conserva da ortodoxia, é opção bastante provocadora. Contudo, penso que, quando amparados por um valor ético superior, não devemos ter medo de enfrentar os dogmas. O princípio ético segundo o qual todo ser humano tem direito à vida sobrepõe qualquer dogma. Então, não me preocupo em tocar no dogma da inerrância e inspiração verbal plena da bíblia. Afinal, busco seguir Jesus, não a bíblia. Ela é para mim o mapa que aponta para o destino, não o destino em si. E, se vista como mapa, a bíblia necessariamente precisa de leitura e interpretação. Continue lendo