Igreja, cemitério da lucidez

Moisés Gomes, no blog  Mera palavra

Quando olhamos para a história da civilização, nos deparamos com mitos que foram cridos, vivenciados e expirados com o tempo por ferir e vitimar seres vivos, seja animais ou humanos. Sacrifícios, ofertas e inimigos foram mortos por uma crença de tradição mística, baseada numa religião ou apenas numa cultura.

O tempo passa, a evolução da consciência desponta, mas a cadeia que engrena o mito>obediência>barbárie, é o carro-chefe do pensamento, não importa o nível de informação e tecnologia que se irrompe e que pode servir para o bem do Homem.

Organizamos-nos com neuroses e dispostos a nos encabrestar. Somos obcecados por tudo que aplaque nossa psicopatia gerada pela ausência de felicidade, que por sua vez, esta sensação de infelicidade, é gerada pelo modo de vida que vivemos na sociedade. Submetemos-nos a qualquer formato social que possa oferecer entorpecimento e isso se dá através do abuso do intelecto frágil de pessoas que não são estimuladas a pensar com lógica.

A igreja cristã, com raras exceções, é o maior exemplo desta conexão alienante. Não precisa ir muito longe para se deparar com uma igreja onde o ambiente é desconexo da realidade, perfilando um lugar quase alienígena e irracional. Os jovens, totalmente devotos e entorpecidos por aquele ambiente, renegam a lógica e a lucidez até o seu atrofio. Tornam-se os bobos-da-corte, se contentando com a mais esquisita rotina e com cultos de linguagens irracionais, ilógicas e não poucas vezes, cômicas.

É constatável que a ambiência é nutrida pelo tipo de povo que freqüenta, que por sua vez, desistiu ou nunca teve chance de ventilar a coerência, assim, a maior bizarrice dita no púlpito é correspondida com améns sem questionamentos óbvios e balizamentos simples. Por conseguinte, não nos deixa dúvida, que tais lugares, são as maiores congregações de alienados e possuem um poder enorme de adoecer pessoas, privando-as do mundo real, dando-lhes entorpecimentos que os fazem tocar os seus barcos e ao mesmo tempo, sustentando e alimentando a congregação insana.

Ao dizer isso, eu não digo que tais pessoas são infelizes, muito pelo contrário, elas se sentem bem e defendem o servilismo com força. Hasteiam bandeiras e se orgulham do submundo infantil, porém doentil. Aplacam as nuvens turvas da vida real, com um mundo de ficção. Um mundo de mentira, escravismo, capachismo e infantilismo. Não poucas vezes, temos a sensação de estarmos entrando num hospício, onde seus anárquicos pacientes mantêm o controle da situação, nus, rodando no alto, suas camisas de força.

Eles riem e aplaudem o vergonhoso, dizem amém para a mentira descarada, que existe para atingir, perversamente, determinados fins e arregaçam as mangas por declararem falência de seus intelectos a fim de serem direcionados como marionetes na terra da bênção encantada.

Alguns se confinam em ambientes hostis pela propaganda enganosa e se deixam fustigar pelos apaches da fé. Nem de longe se pode comparar com os anseios repercutidos por Jesus Cristo, pois, apesar da nossa necessidade de forjar muletas, Cristo nunca se fez valer de uma conexão doentia para lidar com o Homem.

A busca de uma resposta que satisfaça ao Homem através da fé não passa por engrenagens que prendem pessoas num ambiente paralelo, provido de jargões, atrativos, gincanas, e estratégias bizarras. Nesses ambientes, o interlocutor é o mais alienígena. Misturam suor, esbravejos, ameaças, tom de inteligência e uma latente preocupação de “incendiar a igreja” com seus esforços, descomunalmente, esquisitos.

Toda essa engrenagem, que se torna o “carro-chefe do pensamento”, não é nova, mas encantam e arrebatam milhares todos os dias. É duro ter de conviver com isso, ainda que seja de longe, no outro lado da calçada; de fora e dissociado até da mínima linha que possa interligar.

A igreja evangélica no Brasil (com raras exceções) faz o bem à altura que faz o mal. Ela pode fazer com que o ladrão do morro pare de roubar, mas o prende num mundo sinistro que o tornará um ser do bem, cheio de doenças que não afetam a sociedade, apenas o torna esquisito e alienado.

Para nós brasileiros, é isso que vale, não é?

Se não pode libertar, entorpeça com qualquer coisa que o neutralize. Ofereça uma liberdade condicionada a loucura e autentique com o emblema “liberdade em Cristo”.

É incrível como existem pessoas que respeitam esse tipo de fórceps que extrai a lucidez. Uma coisa é respeitar o direito de eles existirem e praticarem suas aberrações, outra, é dizer que isso serve, pois “o importante é que a igreja está cheia de gente ouvindo a palavra”. Valha-me Deus. Dizer que a má fé que extorque o dinheiro e a lucidez do ser humano serve a boa fé é um grande erro.

“O verdadeiro trabalho cristão e aquilo que no mundo dá os maiores frutos, consistem em ações negativas: não fazer o que é contrário a Deus e à consciência”  (Leon Tolstói, anarquista russo).

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