Blogueira é condenada por criticar restaurante em post

Segundo juiz, o texto tinha grande relevância nas buscas do Google e prejudicava o estabelecimento

taca-vinho-porto-size-598Publicado na Veja on-line

A blogueira francesa Caroline Doudet tem razões a mais para não visitar o restaurante Il Giardino, em Cap-Ferret, na França. A crítica que ela fez do local, que falava mal do estabelecimento, foi considerada ofensiva pela justiça francesa. Segundo o veredicto de um juiz de Bordeaux, o post da blogueira tinha grande relevância nas buscas do Google e, por isso, prejudicava o estabelecimento. Caroline foi condenada a mudar o título de seu review e a pagar uma indenização ao restaurante.

O título em questão, “O lugar para evitar em Cap-Ferret: Il Giardino”, não agradou o dono do restaurante, que procurou a justiça francesa. Segundo o processo, o texto aparecia em quarto lugar no Google quando um usuário fazia uma pesquisa pelo nome do estabelecimento. Para o proprietário, o review prejudicava o seu negócio injustamente. Carolina discorda. De acordo com a blogueira, o serviço do local, bem como o atendimento do proprietário, foram ruins e não mereciam elogios.

A popularidade de Caroline nas redes sociais influenciou a decisão do juiz. A blogueira, que escreve sobre moda, literatura e gastronomia, tem mais de 2.000 seguidores no Twitter e uma comunidade de leitores bastante ativa. A justiça determinou que ela não use a construção “lugar para evitar” no título do post e pague o valor de 1.500 euros (4.578 reais) para o restaurante. A blogueira acabou tirando o texto do ar.

Crime — Para Caroline, a decisão transformou em disparate aparecer bem nas buscas do Google. A blogueira reclamou: “Esta decisão cria um novo crime: o de ter uma influência muito grande na internet”, disse a crítica para a rede britânica BBC. Para um site local, o proprietário do restaurante se manifestou: “As pessoas podem criticar, mas com respeito”. A blogueira disse que não vai recorrer da decisão.

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Depressão é principal doença da adolescência

Jovem de 16 anos que luta contra a depressão Fabio Seixo
Jovem de 16 anos que luta contra a depressão Fabio Seixo

Muitos jovens ficam sem diagnóstico, pois sinais se parecem com problemas típicos da idade, dizem especialistas

Flavia Milhorance, em O Globo

“Fico muito triste de repente. Para aliviar essa tristeza, cortava a pele, me queimava, me mordia. Fiz isso várias vezes”. O relato é de uma jovem de 16 anos, a caçula da família. Ela vive uma rotina difícil, com pai alcoólatra, além de mãe e irmã mais velha dependentes de drogas. No colégio, a delicada situação familiar serve de motivo para o bullying, o que a levou a se isolar na biblioteca durante o recreio. Diz não ter amigos. Passa o intervalo lendo, gosta de romances como os de John Green, mas não consegue se concentrar, e seu rendimento escolar caiu.

O psiquiatra que a atende na Santa Casa de Misericórdia do Rio, Gabriel Landsberg, conta que ela sofre de depressão e ansiedade. Embora seu ambiente desestruturado colabore, as crises depressivas são comuns nesta fase. Um novo relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS) revela que esta é a principal causa de doença entre jovens de 10 a 19 anos. O tratamento precoce é a melhor forma de prevenir problemas graves no futuro, não apenas de adolescente, mas de adultos, e por isso foi tema de mais uma edição da série Encontros O GLOBO Saúde e Bem-Estar, na Casa do Saber O GLOBO.

- A automutilação não ocorreu para chamar atenção nem foi, de fato, uma tentativa de suicídio. É que a dor física era mais suportável do que a emocional – explica Landsberg ao falar sobre a menina. – Há muitos adolescentes sem diagnóstico porque não pedem ajuda. Os pais acham que os sinais são típicos da idade.

Uma dor que permanece oculta

Isolamento, irritabilidade, rebeldia, melancolia. Características consideradas típicas da adolescência podem ser indícios de uma depressão. A psicanalista Sara Kislanov, palestrante dos Encontros, acrescenta que o jovem passa por modificações hormonais, está em busca de uma identidade e tem a perda de idealizações, por exemplo do corpo ideal, que podem se transformar em conflitos mais sérios.

- É um momento muito sofrido, de muitas perdas, que provavelmente contribui para o aumento do índice de depressão – afirma.

Há pouco mais de um ano, Vinícius Brandão teve a doença. Mudou-se de cidade, ficou desempregado, tinha saudade da vida anterior. Sentia-se sozinho e isolava-se cada vez mais. Conseguiu sair desse ciclo vicioso com a ajuda médica.

- Na terapia acabei descobrindo que tive depressão desde bem novo. Era tímido, gordinho, me sentia excluído, sofria muito bullying – comenta o jovem, que hoje planeja realizar um documentário sobre a doença. – Descobri que há muita desinformação sobre o tema, muitos acham que é uma frescura.

Chefe da psiquiatria infantil da Santa Casa, Fábio Barbirato destaca que 12% dos jovens de 12 a 18 anos sofrem de depressão, enquanto esse índice não chega a 10% entre adultos. Além disso, 77% dos adultos com depressão tinham histórico de sintomas também na infância ou adolescência.

- Há riscos graves de uma depressão não tratada, entre eles, evasão escolar, abuso de álcool e até suicídio, a terceira maior causa de morte entre adolescentes – exemplificou o psiquiatra que está reestruturando o ambulatório da Santa Casa para receber até 80 crianças e jovens com depressão. – A doença pode ser grave, mas às vezes é vista como um mal menor.

No Brasil, 21% dos jovens entre14 e 25 anos têm sintomas indicativos de depressão. Entre as mulheres, a proporção é de 28%, segundo dados do 2º Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

- Notamos ainda que o álcool estava relacionado ou ocorria ao mesmo tempo em que o jovem contava que se sentia deprimido ou pensava em atos suicidas – ressalta Ilana Pinsky, professora da Unifesp e uma das coordenadoras do estudo, que ainda explica: – O álcool é um depressor do sistema nervoso central, além de estimular atos impulsivos.

Além do abuso do álcool, outro fator que preocupa quando o tema é depressão ou ansiedade é o uso de medicamentos. Não à toa, a FDA (agência de remédios nos EUA) e o Instituto de Saúde Mental do país pedem maior cuidado na prescrição de adolescentes. Na verdade, o alerta deve ser geral, defendem especialistas. O uso de antidepressivos e ansiolíticos é recomendado para casos específicos e pode causar dependência. Mesmo assim, uma legião de pessoas parece não se importar com os riscos.

Medicamento para quem precisa

Para se ter uma ideia, na comparação entre abril de 2010 e abril de 2014, a venda do popular ansiolítico Rivotril cresceu 25% (de 40,3 mil unidades para 50,3 mil), segundo levantamento feito pelo IMS Health a pedido do GLOBO. Isso torna o país o segundo maior consumidor desse medicamento no mundo. Além disso, a venda de antidepressivos cresceu 7% na comparação entre abril deste ano e de 2013; e atingiu o montante de R$ 2,2 bilhões só em abril passado.

- O tratamento da depressão não se restringe à prescrição de remédios. Eles têm efeitos colaterais sérios, e digo sempre que a cura não pode ser pior que a doença – afirmou o psiquiatra Marco Antonio Alves Brasil, palestrante dos Encontros.

O psiquiatra, assim como Ilana Pinsky, admite que há casos em que os remédios de fato ajudam. É o que também busca lembrar Karen Terahata, de 38 anos, diagnosticada com depressão e síndrome do pânico. Ela hoje mantém o blog “Sem Transtorno” para esclarecer “pontos negros” sobre essas doenças. E o uso de medicamentos é um dos principais:

- Um dos meus objetivos com o blog é quebrar preconceitos, entre eles o da medicação. Claro que nem todos devem usá-la, mas eu mesma resistia ao uso pelos medos criados na sociedade: de que causam dependência, são a falsa pílula da felicidade, e por aí vai. Hoje tenho uma qualidade de vida que não tinha.

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“Soluço é quando o coração está tossindo”: blog reúne pérolas ditas por crianças

Alysson Villalba, no Caos Bravo

Conversando com o Pedro sobre as notas escolares:
- Então, mãe… eu tirei 8 em matemática outra vez. Isso é bom?
- É bom sim, mas pra ficar melhor tem que tirar 10, né? Faz tempo que você não recebe um 10. Estude um pouquinho mais, que você consegue. Você é inteligente!
- Sabe, mãe, eu queria que existisse a nota 12. Daí, com certeza eu conseguiria um 10. (Pedro, 6 anos)

Essa e outras inúmeras pérolas estão reunidas no blog “Frases de Crianças”. Colaborativo, o blog recebe inúmeras frases, perguntas e “piadas” feitas por crianças.

- Quem segura o garfo com a mão esquerda é garfanhoto. (Giovanna, 4 anos)

- Vivi, vem escovar os dentes!
- Eu já escovei!
- Escovou nada!
- Escovei sim…
- Ah é? Quando você escovou?
- Eu escovei dia 8… (Victória, 2 anos)

- Soluço é quando o coração está tossindo. (Ricardo, 3 anos)

- André, você sabia todas as perguntas da prova?
- Não mãe, só sabia as respostas! (André, 8 anos)

- Vó, amor selvagem é muito perigoso? (João Henrique, 7 anos)

- A mãe não falou que a gente não deve aceitar coisas de estranhos?
- Sim, Dudu.
- Mas e o leite?
- O que tem o leite?
- Você conhece essa vaca, que deu o leite? (Eduardo, 11 anos)

Confira mais frases e contribua com o blog acessando “Frases de Crianças“.

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‘Feminismo não é uma guerra entre homens e mulheres’

Naomi

Nana Queiroz, no BrasilPost

Naomi Wolf é uma das maiores pensadoras vivas da terceira onda do feminismo. No sábado, tive um delicioso (e polêmico) encontro com ela, no qual ela me falou de uma visão de feminismo em que cabem homens e mulheres. Vejam a nossa conversa.

Você acredita que existam roupas vulgares?
Nós vivemos em um mundo mergulhado na pornografia e em que o corpo da mulher está em todo canto. Mas ninguém tolera que as mulheres ganhem o poder sobre o próprio corpo e digam: “Meu corpo não é erótico, ele é o que eu quiser que ele seja!”

Sou uma libertária, cresci em São Francisco! Era muito comum que homens gays andassem com calças de couro e furos atrás que deixavam seus bumbuns totalmente expostos. Não era nenhum fator de desestabilização social, eles não incomodavam ninguém, apenas expressavam sua moda. Ninguém nunca disse que isso era uma desculpa para abusar sexualmente deles. As pessoas deviam ser livres para se vestir como quisessem. Claro, há limites, como não fazer sexo na frente de crianças ou ver pornografia com elas. Mas, com o mínimo de bom-senso, é possível ter uma liberdade imensa ao se vestir.

Você acredita na existência de homens feministas?
Claro, fui criada por um e casei com outro. Como não poderia haver homens feministas? Se acredita no tipo de feminismo em que acredito — que é apenas uma extensão lógica da democracia, ou seja, todos merecem os mesmos direitos –, não é uma coisa de gênero, só inclui prestar atenção à situação especial da mulher e se importar com seu bem-estar e equidade.

Você tem algumas críticas à segunda onda do feminismo…
Primeiro, tenho que celebrá-las. A segunda onda do feminismo foi a que mais trouxe conquistas para as mulheres na história de nossa espécie – e em muito pouco tempo. Só temos mulheres presidentes hoje graças a elas.

Mas já criticou a visão que elas têm dos homens.
Sim. Todo movimento precisa de críticas para crescer, principalmente, porque os tempos mudam. As feministas da segunda onda acreditavam que o feminismo era uma oposição aos homens. Eu rejeito isso. Feminismo é uma questão humana, não é uma guerra entre homens e mulheres. Às vezes, também criam imagens de mulheres como anjos inocentes e homens como bestas predadoras. Essa ideologia foi inventada no século 19 e é muito perigosa. Essa visão vitimiza as mulheres e está afastando os homens; eles sentem que não há um lugar para eles nessa luta.

É possível ser de direita e ser feminista?
Sim. Você pode ser militar e ser feminista, pode ser a favor do livre mercado ou empresária e ser feminista. A mídia quer que acreditemos que o feminismo é uma linda festa de verão em que todas temos que ser grandes amigas. Feminismo não é uma festa. O feminismo também não dita regras sobre suas visões políticas. Temos que amadurecer e entender o que é “afiliação parcial”. Isso é uma estratégia para trabalhar o que o grupo tem em comum e deixar de fora questões que não cabem ao tema. Depois, fora do grupo, podem brigar à vontade sobre as outras questões.

 

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Assédio sexual em vagão vira fetiche em Tóquio e dá prisão em NY

Tóquio tem metrô com vagão exclusivo para mulheres nos horários de pico (foto: Kenji Suzuki-Sankei/Reuters)
Tóquio tem metrô com vagão exclusivo para mulheres nos horários de pico (foto: Kenji Suzuki-Sankei/Reuters)

Alexandre Porto, Isabel Fleck, Leandro Colon e Lígia Mesquita, na Folha de S.Paulo

O assédio sexual a passageiros ocorre em São Paulo e repete-se nos vagões de outras metrópoles. Em Tóquio, o ato é comum e virou fetiche. Há motéis com suítes que imitam o ambiente do metrô.

Em Nova York, um decisão da Justiça estabeleceu prisão de até um ano para “encoxadores”. Já em Londres, há operações para detê-los. Em Buenos Aires, os assediadores trocavam “dicas” num blog para cometer o crime e, no Rio, o público masculino insiste em desrespeitar o vagão exclusivo para mulheres.

Saiba mais sobre cada metrópole abaixo.

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Tóquio

Fetiche do metrô

No metrô de Tóquio, assédio sexual é comum. Segundo as autoridades, dois terços das passageiras entre 20 e 30 anos já foram vítimas. O chikan —como é conhecido no Japão— ocorre mais frequentemente pela manhã, em linhas com grandes distâncias entre as paradas. Cartazes de advertência contra o abuso estão em todas as estações e há vagões exclusivos para mulheres nos horários de pico.

A cultura machista japonesa, no entanto, procura transformar abuso em fetiche. Em alguns motéis, há suítes temáticas com a aparência de um vagão de metrô, para a prática do chikan como fantasia sexual.

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Nova York

Prisão para abuso

Uma decisão tomada em fevereiro pela mais alta corte do Estado de Nova York estabeleceu que “encoxadores” em metrôs poderão ser acusados criminalmente e receber penas de até um ano de prisão.

A decisão se refere a um caso de 2009, em que um homem foi preso após esfregar seu órgão genital em um rapaz numa estação de metrô de Nova York. A medida foi considerada uma vitória por grupos que defendem punições mais rigorosas para esse tipo de abuso. O Departamento de Polícia de Nova York registrou, em 2012, cerca de mil denúncias de contatos forçados ou exposição pública.

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Londres

Guardião do trem

Criado há um ano, o “Guardian”, programa de prevenção e combate ao assédio sexual no transporte público em Londres, dá resultados práticos. Numa operação no mês passado, 16 homens foram detidos sob suspeita de praticar algum tipo de assédio. O projeto foi criado depois de uma pesquisa mostrar que 15% das mulheres sofreram algum tipo de abordagem sexual em meios de transporte. Mas 90% delas nunca haviam informado as autoridades. A polícia de Londres diz que o combate ao assédio sexual é importante por ter “efeito desproporcional na confiança das pessoas em viajar, sobretudo as mulheres”.

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Buenos Aires

Blog do assédio

O Programa das Vítimas contra as Violências do Ministério da Justiça registrou 1.139 denúncias em 2012. Desse total, 6% (68 casos) ocorreram em ônibus, metrô, trens e táxis. Entre janeiro e maio de 2013, 18 dos 418 casos se deram em meios de transporte.

Em Buenos Aires, onde o metrô costuma estar lotado, não há vagão exclusivo para as mulheres. A Agência Nacional de Notícias Jurídicas do país denunciou, em 2013, um blog no qual homens que assediavam mulheres em trens e ônibus da capital trocavam “dicas” para cometer o crime. A página foi retirada do ar.

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Rio de Janeiro

Vagão para elas

O vagão exclusivo para mulheres nos trens e no metrô do Rio de Janeiro completa neste mês oito anos de existência. De segunda a sexta, das 6h às 9h e entre 17h e 20h, sempre há o espaço destinado para elas. A medida, aprovada em lei, surgiu para evitar que homens se aproveitassem da superlotação para assediar as passageiras.

Hoje, alguns homens ainda ignoram a regra. Segundo a SuperVia, que administra os trens, a lei não dá autonomia para que agentes possam expulsá-los. Na manhã da última terça-feira, um dos infratores ejaculou num dos vagões femininos. Ele acabou preso por violação sexual.

Justiça do Estado de Nova York definiu pena de até um ano para "encoxadores" (foto: AFP)
Justiça do Estado de Nova York definiu pena de até um ano para “encoxadores” (foto: AFP)

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