Discussões políticas acabam com amizades nas redes sociais

Discussões políticas nas redes sociais elevam ânimos, mas são vistas de forma positiva (arte: Stefan Pastorek/UOL)
Discussões políticas nas redes sociais elevam ânimos, mas são vistas de forma positiva (arte: Stefan Pastorek/UOL)

James Cimino, no UOL

Em época de eleição, não é só no horário político e nos debates da TV que as divergências políticas ficam mais expostas. Na internet, as redes sociais acabam se tornando espaços antissociais, onde amigos se exaltam, se ofendem e, por fim se bloqueiam.

Que o diga a diretora de mídia mobile, Dede Sendyk, 46, que volta e meia recebe avisos de que será bloqueada.

“Uma vez foi por causa dos protestos do ano passado. uma colega de escola que eu não via havia anos me mandou uma mensagem explicando por que ia me bloquear. Aliás, isso é típico, sempre sou avisada, deve ser um padrão. Recentemente eu declarei meu voto. Fui avisada por um conhecido que odeia o PT que vai me adicionar de novo no futuro porque adora meus posts. Não deu tempo de explicar que ele podia apenas me seguir, nem que eu mudei meu voto uns dias depois. O povo adora meus posts fúteis, mas se incomoda com os engajados. Não é à toa que o Tiririca ganha sempre viu?”, afirmou.

Quem também sofre muito bullying nas redes sociais por suas opiniões é Rui Barbosa, um designer de 33 anos da cidade de Araraquara (SP). Segundo ele, os tópicos mais polêmicos das redes sociais hoje em dia, tanto quanto a campanha eleitoral, são a criminalização da homofobia, legalização da maconha e discussões sobre feminismo.

“Alguns amigos eu simplesmente escondi da minha timeline, mas um em especial eu tive que bloquear mesmo. Posição política de extrema direita realmente me incomodava. É aquele padrão: tudo culpa da Dilma, tudo culpa do PT… Do tipo que acha que bolsa-família é esmola, reclama de manifestação porque não consegue andar de carro… E ainda havia o ‘agravante’ de ele ser empresário. Na visão dele isso elevava ainda mais sua opinião. Agora, o mais engraçado foi ver gente me questionando por eu me chamar Rui Barbosa e ter opiniões de esquerda. Se eu me chamasse Roberto Carlos, eu teria de ser cantor…”, brinca.

Já o diretor de criação Eduardo Viola, 32, acha que os meses de agosto e setembro são um verdadeiro inferno. “O Facebook se transforma em um palanque! É de dar nos nervos!” No entanto, diz que por posições políticas nunca bloqueou ninguém, mas que já tomou um puxão de orelha válido.

“Uma vez fiz um post malcriado, ofensivo e generalizado sobre os crentes, e um colega de profissão, no mais alto da sua elegância e educação me escreveu umas mensagem privada para que eu refletisse sobre as palavras que havia dito. Se eu realmente pensava aquilo tudo etc. E acho que as redes sociais e seus debates políticos servem um pouco pra você trazer alguns assuntos a tona, colocar na mesa, inflamar e, às vezes, refletir ou repensar algumas coisas. É óbvio que sei que isso não é um padrão, mas enxergo que assim seria o melhor uso da ferramenta. É a mesa de bar on line! Infelizmente, sem cerveja!”

O peso da escrita

Um ponto levantado pelo produtor cultural Zeca Bral, 30, é o quanto as palavras escritas parecem mais agressivas do que seriam em uma conversa real. Ele, no entanto, procura não bloquear as pessoas. Apenas para de seguir.

“Acredito na possibilidade de ser mal interpretado nas redes, o que poderia ser evitado numa conversa tête-à-tête que dispõe de mais recursos dialógicos, além do infalível olho-no-olho. O tom de voz, a postura com que se estabelece a comunicação fora da rede muda toda a percepção. Por isso há que se ponderar algumas interpretações, praticar tolerância.”

Mesmo com tantas discussões, bloqueios, demonstrações de intolerância e preconceitos revelados, os entrevistados pela reportagem do UOL ainda acham que as redes sociais trouxeram um aspecto positivo para as relações.

Na opinião do roteirista Leonardo Luz, 34, as redes sociais incutiram nas pessoas uma vontade de emitir opiniões. “Isso obriga as pessoas a pensarem nessas opiniões, coisa que muita gente nao fazia. O problema é ter uma opinião baseada em manchetes ou em ‘o fulano me falou’, sem tentar se aprofundar mais.”

Luz conta que já recebeu diversas reclamações de suas postagens. “Dizem que sou radical demais, que eu sou muito ‘anti-PT’. Me chamam de tucano o tempo todo. Reaça, porque sou totalmente contra as drogas. Mas acho que se perdeu a amizade por causa de política, não devia ser amigo antes.”

O ator curitibano Diego Fortes, 32, também acha que de um modo geral a troca intensa de informações é benéfica.

“Pra quem tem cérebro, acho um instrumento bastante poderoso. Pra quem não tem… Bom, aí, só serve pra desfilar frustrações mesmo. Por isso que eu tiro uns e outros. Mas eu vejo um movimento interessante que é o de alguém comentar algo bem raso e preconceituoso, aí você rebate com argumentos, a pessoa fica naquela por algum tempo e depois termina dizendo que esse não é o lugar praquele tipo de discussão. Discussão que ela começou! (risos)”

Opinião semelhante tem a jornalista Carol Almeida, 36, que consideraria um elogio se a chamassem de partidária. “Nunca fui chamada de ‘partidária’, mas se fosse isso soaria pra mim como elogio. Mesmo porque um país sem partidos, até onde eu conheço da história, é um país em ditadura. Naturalmente, graças aos meus posts, acho que fica muito claro que posição eu tomo politicamente. Ainda sobre o partidarismo, gosto da ideia das pessoas se posicionarem claramente sobre que partido ou partidos elas se identificam.”

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Brasileiros vão entrar com processo para tirar app Secret do ar

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Publicado no Estadão

Menos de três meses após sua estreia oficial no Brasil, o aplicativo Secret, que permite a publicação de fotos e textos de forma anônima, ganhou popularidade nas últimas semanas. O app é hoje o mais baixado da Apple App Store e está nos Trending Topics brasileiro do Twitter. Mas com a fama vieram também as polêmicas. Denúncias de bullying, racismo e ofensas virtuais dentro do app não param de aparecer na rede. Em decorrência disso, um grupo de dez pessoas decidiu processar o Secret para retirá-lo do ar no Brasil.

A iniciativa é do consultor de marketing e promotor de eventos Bruno de Freitas Machado, de 25 anos, que teve fotos íntimas e comentários ofensivos envolvendo o nome dele publicados no app. “Foram publicadas fotos íntimas que eu não sei como foram parar nas mãos de outras pessoas e mensagens com o meu nome e sobrenome dizendo que pratico orgias com amigos e possuo certas doenças”, diz Machado.

Lançado nos Estados Unidos em janeiro por dois ex-funcionários do Google, o aplicativo Secret exige apenas o número do celular para que o usuário crie uma conta na plataforma. A informação é mantida em segredo, de forma que o usuário possa postar qualquer mensagem na rede anonimamente para seus amigos – uma lista baseada nos contatos da agenda do celular, do Facebook ou pessoas próximas, encontradas por geolocalização, que também usam o app. A empresa responsável pelo app já recebeu US$ 36,2 milhões de investidores e tem presença global.

Machado soube das publicações a seu respeito por meio de amigos que enviaram para ele cópias das telas do app e diz não ter ideia de quem possa ser o responsável pelo vazamento das fotos e pelos textos. Na última terça-feira, 5, decidiu procurar com outros amigos que também tiveram o mesmo tipo de problema com o Secret advogados especialistas em direito digital para abrir um processo contra o app. “Eu vejo outras pessoas sendo difamadas, casos de racismo e pedofilia infantil correndo soltos no app. O Secret saiu do controle e chegou a um ponto inaceitável”, afirma.

A advogada Gisele Arantes, do escritório Assis e Mendes Advogados, responsável pelo caso, diz que vai entrar na próxima segunda-feira, 11, com uma ação na justiça contra o Google e Apple para solicitar a retirada do aplicativo das lojas das duas empresas. Também vai solicitar que as operadoras bloqueiem o app no País para que pessoas que já tenham o Secret instalado no celular não consigam mais usá-lo.

O motivo, segundo ela, é que o app viola a Constituição Brasileira e o Marco Civil por incentivar o anonimato e porque os termos de uso e privacidade do app estão em inglês, o que impossibilita o entendimento por usuários que não falam o idioma.

“O Secret nunca poderia ter entrado no ar no Brasil porque fere totalmente a legislação brasileira. Um serviço com a finalidade de manter o anonimato não pode funcionar aqui porque nossa Constituição impede isso” diz Gisele. “Outra questão é que o Marco Civil e o Código de Defesa do Consumidor pregam que todas as informações sobre serviços devem ser passadas de forma clara e compreensível para o usuário, algo que não é possível com os termos em inglês”, afirma.

A expectativa da advogada é conseguir retirar o app do ar já na próxima semana, por meio de uma liminar, já que, segundo ela, casos com essa urgência são avaliados, em média, entre 48 e 72 horas.

Em uma segunda fase, a advogada diz que pretende solicitar à empresa que forneça os dados de quem publicou as fotos e mensagens ofensivas para que o autor seja identificado e processado criminalmente.

O processo, no entanto, deverá ser caro e ter uma tramitação demorada, já que a companhia está nos EUA e, portanto, o caso precisará ser tratado na justiça americana. Machado diz estar disposto a seguir com o processo e pedir indenização de todos os envolvidos – o Secret, Google e Facebook, responsáveis pelas lojas de apps nas quais o Secret está presente, e os autores das mensagens. “O anonimato incentiva as pessoas a agirem de forma subversiva e acho que o app tem potencial para afetar outras pessoas”, afirma Machado.

Em uma consulta ao app e aos posts no Twitter que citam o app Secret, o Link identificou postagens com fotos de adolescentes acompanhadas de elogios à beleza ou críticas a algum aspecto da aparência, além de posts que citam nominalmente outras pessoas. O app já deu origem a um tumblr e a uma fan page no Facebook que reúnem os segredos publicados por outras pessoas.

Monitoramento

Em entrevista ao Link em maio, o cofundador do Secret, David Byttow, disse que o sistema oferece ferramentas para os usuários denunciarem qualquer abuso ou solicitarem a retirada de um conteúdo. Ao publicar um post, o app exibe um alerta contra abusos e destaca que ofensas pessoais a outras pessoas é crime. “O Secret é um lugar onde você compartilha coisas que falaria em uma mesa de jantar com amigos, mas não diria em uma plataforma como o Facebook ou Twitter”, afirmou Byttow.

Chrys Bader e David Byttow, ex-funcionários do Google, lançaram o Secret nos EUA inicio deste ano. FOTO: Divulgação
Chrys Bader e David Byttow, ex-funcionários do Google, lançaram o Secret nos EUA inicio deste ano. FOTO: Divulgação

Procurado pelo Link, o Secret emitiu um comunicado em nome da sua diretora de Marketing, Sarah Jane. “Nós crescemos rapidamente para aplicativo número 1 do Brasil esta semana e vimos um influxo de usuários”, diz a porta-voz. “Nossa equipe está trabalhando para moderar os posts da mesma forma que fazemos em outros países. Nós também damos várias ferramentas para os usuários, incluindo “flag” (na qual o usuário pode descrever algum problema encontrado na plataforma. Para isso, deve arrastar uma postagem para o lado esquerdo da tela do celular e clicar na opção flag), bloquear o autor e remover, para que eles possam alertar nossa equipe de maus usuários na plataforma”, afirma.
Em casos como esses, segundo ela, a equipe age rapidamente, retirando o post do ar ou, em alguns casos, banindo os usuários por violações das regras do app.

Procurado, o Google disse que não comenta casos específicos, mas que ”qualquer pessoa pode denunciar um aplicativo se julgar que o mesmo viola os termos de uso e políticas da Google Play ou a lei brasileira. O Google analisará a denúncia e poderá remover o aplicativo, se detectar alguma violação.” A Apple não comentou o assunto.

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Saiba como bloquear tudo sobre o BBB no Twitter e Facebook

Publicado originalmente no CanalTech [via Exército Universal]

Há treze anos, o Brasil é invadido por uma febre chamada Big Brother Brasil. Se você não faz parte dessa legião de fãs, bloquear esse assunto no Twitter e Facebook é uma ótima opção para usuários do navegador Chrome.

Para isso, basta filtrar o conteúdo relacionado ao programa. Mas como, Bial?
O primeiro passo é criar uma lista de palavras que estejam relacionadas ao reality-show. Termos como BBB, Big Brother Brasil, Big Brother, BigBrother, BBB13, paredão, eliminação, prova do anjo, prova do líder, Big Fone, estalecas, casa de vidro, Pedro Bial, Bial, Boninho e os nomes ou apelidos dos participantes são ótimos para a filtragem fazer efeito.

Mas atenção: incluir o nome “André”, por exemplo, irá bloquear qualquer André. Assim como outros termos que podem estar relacionados a assuntos diversos. Avalie se isso valerá a pena.

1. A extensão Open Tweet Filter faz toda a coisa do Big Brother desaparecer da timeline do Twitter e ainda indica quais usuários foram bloqueados. Vá até o topo da página, do lado direito, clique em “Usar no Chrome”. Uma notificação aparecerá na tela e então você deve aceitar. Assim que instalado, vá até sua conta no Twitter, clique em Configurações > Filters e então acrescente os termos que quer bloquear.

2. Já a extensão No BBB promete bloquear o assunto tanto no Facebook quanto no Twitter. Para instalar, basta fazer o download e ir até o topo da página, do lado direito. Clique em “Usar no Chrome”. Uma notificação aparecerá na tela e então você deve aceitar. Depois de instalado, atualize a página. Um ícone da extensão aparecerá no canto superior direito, logo ao lado das Configurações. Clicando no ícone e depois em “Palavras”, você pode adicionar novos termos ao filtro.

Porém, estas extensões só estão disponíveis para o navegador do Google. O Feed Filter costumava ser o filtro de termos usado no Firefox, mas não está mais disponível na página de Add-ons da Mozilla. Alguns sites de download oferecem filtros, mas quem baixa estes programas corre risco de baixar algum malware.

dica do Ronaldo Gratsch

o site da Universal não informa como bloquear “A Fazenda” e “A Fazenda de Verão”, os genéricos do BBB.

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