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Marina Silva, a ~conservadora~

O "ato" da Rede no evento gospel.

O “ato” da Rede no evento gospel.

Sérgio Pavarini

Na última quarta-feira foi publicado no blog do Fernando Rodrigues um texto intitulado “Rede, de Marina, coleta assinaturas em passeata anti-gay“.

Assinada por Bruno Lupion, a pretensa reportagem informava que o “o partido de Marina Silva, Rede Sustentabilidade, aproveitou a multidão reunida em ato evangélico para coletar assinaturas”. O texto mencionava a participação de Malafaia, Feliciano e Bolsonaro no evento, além das aspas de um jovem evangélico “que mostrava discurso afinado contra o projeto que criminaliza a homofobia”. Somente no último parágrafo apareceu o desmentido da assessoria da Rede afirmando que não organizou a tal coleta.

Escaldado com a lambança recente de um jornal sobre a palestra de Marina Silva no Recife, me chamou a atenção que a foto e o texto mostravam apenas UM militante. Mesmo assim, o post recebeu + de 5 mil curtidas e ~inspirou~ outro texto no Estado de Minas, na mesma vibe do outro.

Hoje voltei ao post e, surpresa, o militante fotografado registrou alguns esclarecimentos na área de comentários: “Meu ato foi individual! Desconheço as lideranças dessa macha! (…) O blogueiro Bruno Lupion, responsável pela matéria agiu de má fé ao escrever comentários maliciosos e mentirosos. Em nenhum momento conversei c/ esse cidadão mal intencionado”. Em outro comentário, ele finaliza: “se fiz algo de errado, peço desculpas aos integrantes da #rede”.

Há algum tempo a ombudsman da Folha de S.Paulo, Suzana Singer, colocou o dedo na ferida: “Não há dúvida de que existe na grande imprensa brasileira uma visão estereotipada e preconceituosa dos evangélicos”. #bingo

Forçar a barra para tentar rotular Marina e a Rede como megaconservadores não é exatamente bom exercício de jornalismo. Há inúmeros cristãos que não compactuam com a liderança personalista, interesseira e, sim, anticristã, de alguns personagens citados na matéria. O mesmo senso crítico usado para analisar as bobagens mensagens proferidas por eles nos púlpitos (e fora deles) também é usado para perscrutar cada linha e, principalmente, as entrelinhas.

PS: De manhã recebi a foto abaixo, postada no Flickr da Rede. Será tema de post no nobilíssimo blog do Fernando Rodrigues?

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dica do Sidnei Carvalho de Souza

Matrimônio arranjado é melhor do que casar por amor, diz professor de Stanford

Procurar o amor de sua vida é um grande erro. A solução mais eficiente é pedir a ajuda da família para encontrar um bom casamento, afirma professor indiano Baba Shiv (ilustração: Bruno Oliveira Santos)

Procurar o amor de sua vida é um grande erro. A solução mais eficiente é pedir a ajuda da família para encontrar um bom casamento, afirma professor indiano Baba Shiv (ilustração: Bruno Oliveira Santos)

Adriana Garcia Martínez, na Serafina

O amor é cego, diz o ditado popular. Encontrar alguém, apaixonar-se e casar, a opção mais natural para a maioria das pessoas, é uma equação arriscada. Como evitar o arrependimento? Pense nos princípios do casamento arranjado, defende o professor indiano Baba Shiv, 52, guru do marketing na universidade Stanford, na Califórnia, uma das mais importantes dos EUA.

O professor é especialista em neuroeconomia, campo de pesquisa que une os estudos de neurociências, economia e psicologia para identificar o papel das emoções nas decisões que tomamos.

Ele acredita que qualquer escolha que fazemos em que conhecemos as opções uma depois da outra tende a trazer mais insatisfação do que aquelas nas quais você tem as opções todas na mesa ao mesmo tempo. Ou seja, é mais complicado escolher um marido tendo um namorado por vez do que namorando vários candidatos ao mesmo tempo.

O professor Shiv não ensina isso na faculdade, mas percebeu, um pouco pela prática, um pouco por seus estudos, que o casamento arranjado, à indiana, pode ser uma boa solução. Não defende a prática por respeito à tradição de seu país, mas sim por acreditar que a fórmula traz menos chances de erro.

Ele mesmo, apesar de ter nascido em uma família tida como liberal na Índia, optou por um casamento arranjado. Aos 27 anos, depois de tentar por conta própria arrumar uma namorada, sem sucesso, pediu ajuda à mãe para encontrar pretendentes.

“As famílias selecionam três ou quatro candidatos dentro de critérios estipulados pelo filho, como idade, classe social e passatempos”, diz. “E são os filhos que decidem se aceitam os pretendentes ou não. O processo dura cerca de um mês”, explica à Serafina em seu escritório, em Stanford, sede de um dos cursos de MBA mais famosos do mundo.

Os encontros não duram mais de 20 minutos. Ele, por exemplo, rejeitou sua primeira candidata simplesmente porque não foi com a cara dela. Mas se encantou com a segunda e foi correspondido. Reva é sua mulher há quase 25 anos. Mudaram-se para os Estados Unidos na década de 1990, para que ele continuasse os estudos, tiveram um casal de filhos e se dizem muito felizes.

Sem nunca ter ficado ou namorado, passado pela primeira briga ou pela primeira viagem, como isso pode dar certo? Como abrir mão da possibilidade de dar de cara com um grande amor?

O maior problema da escolha amorosa como a conhecemos, diz o professor, é exatamente o fato de que há apenas um candidato por vez –a “escolha sequencial ou por amor”, como ele chama–, o que levanta a suspeita de que talvez o próximo seja mais interessante.

“Na escolha por amor, tendemos a acreditar que pode haver coisa melhor no futuro”, diz. “Aí, cada pequeno problema que surge na relação gera uma insatisfação enorme, e você começa a duvidar da opção que fez.”

O casamento arranjado pode ter vários problemas, mas esse não é um deles. “A decisão simultânea, na qual há vários candidatos e um é escolhido, traz menos dúvidas,” afirma. “Você, que optou por uma entre três mulheres, e não por uma entre todas as mulheres do mundo, sabe o que deixou para trás. Então a aceita e vai em frente.”

Apesar da defesa do professor, o casamento arranjado está caindo em desuso na Índia. Cada vez mais, as novas gerações indianas adotam costumes ocidentais. Elas ainda pedem ajuda aos pais para achar candidatos, mas preferem namorar antes de casar.

Mas Baba adverte: com o passar do tempo, os casamentos arranjados tendem a funcionar melhor. “Todos os relacionamentos têm altos e baixos. Mas, no casamento arranjado, a família trabalha pelo sucesso da união, porque foi envolvida desde o começo.”

Segundo o professor indiano, o tempo traz outras complicações ao matrimônio: “Chegam os filhos, as pessoas envelhecem, têm problemas no trabalho. Aí, os atributos que fizeram a pessoa tomar a decisão de se casar com aquele parceiro, como compatibilidade sexual e companheirismo, podem ser afetados”.

Para não cair nas mesmas armadilhas que os casais ocidentais, que têm índices de divórcios muito mais altos que os indianos, Baba Shiv tem sugestões.

A ideia é combinar a tradição indiana com o casamento ocidental. “Precisamos criar critérios para a seleção do parceiro, assim podemos aumentar a segurança da nossa decisão e, consequentemente, a satisfação do casamento.”

É O QUE TEMOS

O truque, segundo ele, é não procurar uma pessoa ideal, mas uma pessoa possível. E a melhor base para a comparação são os ex-namorados ou namoradas (já que será complicado convencer os outros de que você precisa namorar várias pessoas ao mesmo tempo).

O que você classifica como defeitos e qualidades dos seus ex são as mesmas coisas que deve evitar ou procurar.

O professor alerta: “Nas sociedades ocidentais, tudo é muito focado no indivíduo. Até o sucesso de um casamento é uma decisão individual”.

Envolver a sogra na briga com sua mulher ou seu marido, acredita o indiano, pode ser a melhor solução.

O terror da ambivalência

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Luiz Felipe Pondé, na Folha de S.Paulo

Você esconderia judeus em sua casa durante a França ocupada pelos nazistas? Não, não precisa responder em voz alta.

Melhor assim, para não passarmos a vergonha de ouvirmos nossas mentiras quando na realidade a janta, o bom emprego e a normalidade do cotidiano sempre valeram mais do que qualquer vida humana. Passado o terror, todos viramos corajosos e éticos.

Anos atrás, enquanto eu esperava um trem na estação de Lille, na França, para voltar para Paris, onde morava na época -ainda bem que tinha minha família comigo porque Paris é uma cidade hostil-, li a resenha de um livro inesquecível na revista “Nouvel Observateur”.

Nunca li esse livro, nem lembro seu nome, mas a resenha era promissora. Entrevistas com filhos e filhas de pessoas que esconderam judeus em casa durante a Segunda Guerra davam depoimentos de como se sentiram quando crianças diante dos atos de coragem de seus pais e suas mães.

A verdade é que essas crianças detestavam o ato de bravura de seus pais. Sentiam (com razão?) que não eram amados pelos pais, que preferiam pôr em risco a vida deles a protegê-los, recusando-se a obedecer a ordem: quem salvar judeus morre com eles.

Podemos “desculpar” as crianças dizendo que eram crianças. Nem tanto. Adolescentes também sentiam o mesmo abandono por parte dos pais corajosos. Cônjuges idem.

Está justificada a covardia em nome do amor familiar? Nem tanto, mas deve-se escolher um estranho em detrimento de um filho assustado?

Tampouco dizer que os covardes também seriam vítimas vale, porque o que caracteriza a coragem é exatamente não se deixar fazer de vítima -coisa hoje na moda, isto é, se fazer de vítima.

Não foi muito diferente aqui no Brasil durante a ditadura, guardando-se, claro, as diferenças de dimensão do massacre.

No entanto, não me interessa hoje essa questão da falsa ética quando o risco já passou -a moral de bravatas. Mas sim a ambivalência insuportável que uma situação como essa desvela, na sua forma mais aguda.

Ou meu pai me ama ou ama o judeu escondido em minha casa, ou, ele me ama, mas não consegue dormir com a ideia de que não salvou alguém que considerava vítima de uma injustiça, e por isso me põe em risco. Eis a razão mais comum dada por esses pais, quando indagados, da razão de pôr em risco sua vida e família: “Não conseguia fazer diferente”. Mas a ambivalência da vida não se resume a casos agudos como esses.

Freud descreveu os sentimentos ambivalentes da criança para com o pai no complexo de Édipo: amo meu pai, mas quero também me livrar dele, e também sinto culpa por sentir vontade de me livrar dele.

Independente de crer ou não em Freud plenamente (sou bastante freudiano no modo de ver o mundo, e Freud foi o primeiro objeto de estudo sistemático em minha vida), a ambivalência aí descrita serve como matriz para o resto da vida.

Os pais amam os filhos (nem sempre), mas ao mesmo tempo ter filhos limita a vida num tanto de coisas (e hoje em dia muita mulher deixa para ser mãe aos 40 por conta deste medo, o que é péssimo porque a mulher biologicamente deve ser mãe antes dos 35). Apesar dos gastos intermináveis, no horizonte jaz o possível abandono na velhice por parte destes mesmos filhos “tão” amados.

Mas, ao mesmo tempo, não ter filhos pode ser uma chance enorme para você envelhecer como um adulto infantil que tem toda sua vida ao redor de suas pequenas misérias narcísicas.

Casamento é a melhor forma de deixar de querer transar com alguém devido ao esmagamento do desejo pela lista infinita de obrigações que assola homens e mulheres, dissolvendo a libido nos cálculos da previdência privada.

Mas, ao mesmo tempo, a liberdade deliciosa de transar com quem quiser (ficar solteiro), com o tempo, facilmente fará de você uma paquita velha ridícula sozinha que confunde pagar por sexo com um homem mais jovem com emancipação feminina. E, no caso do homem, o tiozão babão espreita a porta.

E, também, terá razão quem disser que mesmo casando você poderá vir a ser uma paquita velha ou um tiozão babão.

Quantas ambivalências espera você nessa semana?

Carta ao meu filho que virá um dia

Pai caminhando com o filho

Claudio Figueiredo, no Blog do Cláudio Busu

Amado filho, seu Pai te ama. É com essas palavras que inicio essa mensagem.

Hoje estava lendo um debate sobre família, valores, ética e resolvi escrever esta pequena mensagem para que um dia possa ler.

Saiba que o mundo que você virá não será fácil, porém Papai estará sempre ao seu lado e enquanto eu estiver vivo estarei lutando para tornar esse lugar melhor.

Infelizmente algumas pessoas aqui irão tentar te fazer chorar, porém sempre haverá alguém bom para consolar.

Busque sempre em você a força para superar os desafios, porque tudo que você precisa Deus te deu.

Um dia eu escutei uma gravação de um Pastor Americano que mudou minha maneira de pensar. Ele disse: “Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo de seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!”.

Tudo começou porque suas filhas não podiam estudar na mesma escola que crianças brancas.

Tempos depois ele foi morto, porém o seu sonho sempre ficou vivo e sua luta conseguiu gerar resultados.

Acredita meu filho, que até certo tempo atrás era impossível o EUA aceitar um negro ser presidente? Chegaram inclusive a enforcá-los em árvores e queimar cruzes para comemorar.

Eu vi o primeiro e o nome dele é Barack Obama. Tudo começou com o sonho deste Pastor Americano que era negro e se chamava Martin Luther King.
As pessoas no mundo de hoje estão brigando porque um outro Pastor está na mídia.

Só que esse é branco, brasileiro e ao invés de lutar pela conquista de direitos para sua gente, ele batalha contra a luta que outras pessoas fazem por seus direitos.

Seu nome é Marco Feliciano, ele luta contra a União Homoafetiva e o seu reconhecimento pelo Estado.

Meu amado filho, não quero doutriná-lo, muito ao menos direcionar seu pensamento.

Porém deixo apenas os seguintes ensinamentos.

Seu Pai é um cristão Católico Apostólico Romano com muito orgulho e por isso faz questão de seguir a palavra de Jesus como seu supremo professor e Mestre.

Ele veio para esse mundo não por causa dos Doutores, intelectuais, ricos ou poderosos, mas pelas pessoas humildes e os pecadores humilhados.

Esse mundo meu filho amado é muito injusto. Aqui você será julgado pela sua cor, suas escolhas, seu local de morada, sua profissão, pela sua fé e pela sua opção sexual.

Para isso usarão as mais diversificadas doutrinas. Citarão intelectuais, autores e inclusive a Bíblia Sagrada.

Porém meu filho aprenda que Jesus veio para reescrever a nossa história, sendo que certa vez ele nos ensinou:

“Aproximou-se dele um dos escribas que os tinha ouvido disputar, e sabendo que lhes tinha respondido bem, perguntou-lhe: Qual é o primeiro de todos os mandamentos? E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor.
Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento.
E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes” (Marcos 12:28-31).

Então meu filho, jamais julgue alguém ou aponte o dedo. Se não concordares com uma atitude, ame aquela pessoa dobrado. Viva sua vida na caridade, justiça e amor.

Nunca acredite nas verdades do homem, mas sim em tudo aquilo que Deus tocar seu coração. Leia a bíblia, principalmente o Novo Testamento. Extraia dali o sentido da palavra e não trate os textos bíblicos como um manual de instrução.

Pensar que a Bíblia é um manual de instrução, significa enxergar Deus apenas como um Senhor barbudo sentado em um trono de ouro, brincando de Governar.

Não caia nesse erro. A família de Deus é como os dedos de uma mão. Todos são diferentes, porém o que seria do forte polegar, sem o pequeno mindinho para auxiliá-lo?

Por fim apenas ame as pessoas, respeite-as e siga o seu caminho. Não se preocupe com o outro, porque somente Deus tem a autoridade para julgar uma alma pecadora.