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Site dos EUA se assusta com preços da Apple no Brasil: “impensáveis”

Em nova reportagem, Business Insider diz que valores de produtos da empresa no país são “insanamente altos” e tenta encontrar motivos para isso.

publicado no Macworld

Depois da Bloomberg, agora é a vez de outro respeitado veículo dos EUA se espantar com os altos preços praticados pela Apple no Brasil. Em reportagem publicada na última quinta-feira, 10/4, o site de economia e negócios Business Insider afirma que os valores dos produtos da “maçã” em nosso país são “impensáveis” e “insanamente altos”.

Como exemplo, a BI cita o iPhone 5S, cujo modelo de 64GB sai por 3.600 reais por aqui, sendo o mais caro do mundo. Nos EUA, o produto desbloqueado sai por 849 dólares, cerca de metade do preço no Brasil.

Para fazer a reportagem, a Business Insider diz ter visitado uma loja iPlace localizada no Shopping Bourbon, em São Paulo, notando que ninguém comprou um iPhone ou iMac enquanto a reportagem esteve no local, mas destaca que “a loja parece receber bastante movimento de consumidores”.

Entre as supostas razões para preços tão altos da Apple no Brasil, o site destaca algumas, como políticas protecionistas, histórico de alta inflação, moeda supervalorizda, e sistema de impostos disfuncional.

Ao final da reportagem, a BI cita diversos outros exemplos de produtos da Apple que custam cerca de duas vezes mais no Brasil em relação aos EUA – a lista inclui iMac, Apple TV, iPad Mini e até os fonos de ouvido Earbuds.

 

 

Crime e preconceito: mães e filhos de santo são expulsos de favelas por traficantes evangélicos

A filha de santo foi expulsa do Lins porque deixou suas roupas brancas no varal Foto: Urbano Erbiste / Extra

A filha de santo foi expulsa do Lins porque deixou suas roupas brancas no varal Foto: Urbano Erbiste / Extra

Publicado no Extra

A roupa branca no varal era o único indício da religião da filha de santo, que, até 2010, morava no Morro do Amor, no Complexo do Lins. Iniciada no candomblé em 2005, ela logo soube que deveria esconder sua fé: os traficantes da favela, frequentadores de igrejas evangélicas, não toleravam a “macumba”. Terreiros, roupas brancas e adereços que denunciassem a crença já haviam sido proibidos, há pelo menos cinco anos, em todo o morro. Por isso, ela saía da favela rumo a seu terreiro, na Zona Oeste, sempre com roupas comuns. O vestido branco ia na bolsa. Um dia, por descuido, deixou a “roupa de santo” no varal. Na semana seguinte, saía da favela, expulsa pelos bandidos, para não mais voltar.

- Não dava mais para suportar as ameaças. Lá, ser do candomblé é proibido. Não existem mais terreiros e quem pratica a religião, o faz de modo clandestino – conta a filha de santo, que se mudou para a Zona Oeste.

A situação da mulher não é um ponto fora da curva: já há registros na Associação de Proteção dos Amigos e Adeptos do Culto Afro Brasileiro e Espírita de pelo menos 40 pais e mães de santo expulsos de favelas da Zona Norte pelo tráfico. Em alguns locais, como no Lins e na Serrinha, em Madureira, além do fechamento dos terreiros também foi determinada a proibição do uso de colares afro e roupas brancas. De acordo com quatro pais de santo ouvidos pelo EXTRA, que passaram pela situação, o motivo das expulsões é o mesmo: a conversão dos chefes do tráfico a denominações evangélicas.

Mãe de santo teve terreiro fechado na Pavuna pelo "exército de Jesus" Foto: Urbano Erbiste / Extra

Mãe de santo teve terreiro fechado na Pavuna pelo “exército de Jesus” Foto: Urbano Erbiste / Extra

Atabaques proibidos na Pavuna

A intolerância religiosa não é exclusividade de uma facção criminosa. Distante 13km do Lins e ocupada por um grupo rival, o Parque Colúmbia, na Pavuna, convive com a mesma realidade: a expulsão dos terreiros, acompanhados de perto pelo crescimento de igrejas evangélicas. Desinformada sobre as “regras locais”, uma mãe de santo tentou fundar, ali, seu terreiro. Logo, recebeu a visita do presidente da associação de moradores que a alertou: atabaques e despachos eram proibidos ali.

-Tive que sair fugida, porque tentei permanecer, só com consultas. Eles não gostaram — afirma.

A situação já é do conhecimento de pelo menos um órgão do governo: o Conselho Estadual de Direitos do Negro (Cedine), empossado pelo próprio governador. O presidente do órgão, Roberto dos Santos, admite que já foram encaminhadas denúncias ao Cedine:

- Já temos informações desse tipo. Mas a intolerância armada só pode ser vencida com a chegada do estado a esses locais, com as UPPs.

O deputado estadual Átila Nunes (PSL) fez um pedido formal, na última sexta-feira, para que a Secretaria de Segurança investigue os casos.

- Não se trata de disputa religiosa mas, sim, econômica. Líderes evangélicos não querem perder parte de seus rebanhos para outras religiões, e fazem a cabeça dos bandidos — afirma.

Nas favelas, os ‘guerreiros de Deus’

Fernando Gomes de Freitas, o Fernandinho Guarabu, chefe do tráfico no Morro do Dendê, ostenta, no antebraço direito, a tatuagem com o nome de Jesus Cristo. Pela casa, Bíblias por todos os lados. Já em seus domínios, reina o preconceito: enquanto os muros da favela foram preenchidos por dizeres bíblicos, os dez terreiros que funcionavam no local deixaram de existir.

Guarabu passou a frequentar a Assembleia de Deus Ministério Monte Sinai em 2006 e se converteu. A partir daí, quem andasse de branco pela favela era “convidado a sair”. Os pais de santo que ainda vivem no local não praticam mais a religião.

A situação se repete na Serrinha, ocupada pela mesma facção. No último dia 22, bandidos passaram a madrugada cobrindo imagens de santos nos muros da favela. Sobre a tinta fresca, agora lê-se: “Só Jesus salva”.

O babalaô Ivanir dos Santos, representante da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), criada justamente após casos de intolerância contra religiões afro-brasileiras em 2006, afirma que os casos serão discutido pelo grupo, que vai pressionar o governo e o Ministério Público para que a segurança do locais seja garantida e os responsáveis pelo ato sejam punidos. “Essas pessoas são criminosas e devem ser punidas. Cercear a fé é crime”, diz o pai de santo.

Mãe de santo: proibida de circular na favela com as "roupas do demônio" Foto: Urbano Erbiste / Extra

Mãe de santo: proibida de circular na favela com as “roupas do demônio” Foto: Urbano Erbiste / Extra

Lei mais severa

Desde novembro de 2008, a Polícia Civil considera como crimes inafiançáveis invasões a templos e agressões a religiosos de qualquer credo a Lei Caó. A partir de então, passou a vigorar no sistema das delegacias do estado a Lei 7.716/89, que determina que crimes de intolerância religiosa passem a ser respondidos em Varas Criminais e não mais nos Juizados Especiais. Atualmente, o crime não prescreve e a pena vai de um a três anos de detenção.

Filha de santo, que foi expulsa do Lins: ‘Não suportava mais fingir ser o que não era’.

- Me iniciei no candomblé em 2005. A partir de minha iniciação, comecei a ter problemas com os traficantes do Complexo do Lins. Quando cheguei à favela de cabeça raspada, por conta da iniciação, eles viravam o rosto quando eu passava. Com o tempo, as demostrações de intolerância aumentaram. Quando saía da favela vestida de branco, para ir ao terreiro que frequento, eles reclamavam. Um dia, um deles veio até a minha casa e disse que eu estava proibida de circular pela favela com aquelas “roupas do demônio”. As ameaças chegaram ao ponto de proibirem que eu pendurasse as roupas brancas no varal. Se eu desrespeitasse, seria expulsa de lá. No fim de 2010, dei um basta nisso. Não suportava mais fingir ser o que eu não era e saí de lá.

Mãe de santo há 30 anos, expulsa da Pavuna: ‘Disseram que quem mandava ali era o ‘Exército de Jesus”.

- Comprei, em 2009, um terreno no Parque Colúmbia, na Pavuna. No local, não havia nada. Mas eu queria fundar um terreiro ali e comecei a construir. No início, só fazia consulta, jogava búzios e recebia pessoas. Não fazia festas nem sessões. Não andava de branco pelas ruas nem tocava atabaque, para não chamar a atenção. Um dia, o presidente da associação de moradores foi até o local e disse que o tráfico havia ordenado que eu parasse com a “macumba”. Ali, quem mandava na época era a facção de Acari. Já era mais de santo há 30 anos e não acreditei naquilo. Fui até a boca de fumo tentar argumentar. Dei de cara com vários bandidos com fuzis, que disseram que ali quem mandava era o “Exército de Jesus”. Disse que tinha acabado de comprar o terreno e que não iria incomodar ninguém. Dias depois, cheguei ao terreiro e vi uma placa escrito “Vende-se” na porta — eles tomaram o terreno e o puseram a venda. Não podia fazer nada. Vendi o terreno o mais rapidamente possível por R$ 2 mil e fui arrumar outro lugar.

dica do Igor Bonan e do Alexandre Melo Franco Bahia

‘A intenção era chocar’, diz mulher ao tatuar olhos de preto como o marido

Body piercing de São Carlos aplicou método conhecido como ‘eyeball tattoo’.
Procedimento invasivo pode causar inflamação interna, dizem especialistas.

Leticia decidiu pintar os olhos de preto assim como fez o marido há seis meses (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Leticia decidiu pintar os olhos de preto assim como fez o marido há seis meses (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Fabio Rodrigues, no G1

Seis meses após o marido inovar e pintar os olhos de preto, a moradora de São Carlos (SP) Letícia Dias de Carvalho, de 35 anos, resolveu fazer o mesmo. Na última segunda-feira (2), ela se submeteu ao procedimento conhecido como “eyeball tattoo”, que consiste em injetar tinta na camada de proteção dos olhos. O sonho era pintar de vermelho, mas uma alergia ao mercúrio a fez mudar de opinião. “Achei que iria ficar mais assustador, a minha intenção era chocar, mas fiquei com medo de dar problemas”, disse a body piercing que também optou pela cor preta. Para a Sociedade Brasileira de Oftalmologia, o procedimento invasivo é desaconselhável e pode causar inflamação interna, levando à perda da visão.

Mesmo sabendo dos riscos, Leticia decidiu ‘pagar para ver’ e investiu R$ 1 mil para escurecer o branco dos olhos. O procedimento difundido nos Estados Unidos foi realizado em Jundiaí (SP) pelo tatuador Rafael Leão Dias. Foi ele quem também fez a transformação no marido dela, Rodrigo Fernando dos Santos, conhecido em São Carlos como Musquito, que chorou tinta por dois dias.

O profissional explicou que a tinta usada para esse tipo de arte é importada e não é a mesma das tatuagens convencionais. Há também uma agulha especial utilizada como se fosse uma seringa. Para colorir os olhos, são necessárias três aplicações em cada um. Segundo ele, não há perfuração. A aplicação é feita entre a camada conjuntiva e a esclera, que protege o olho.

“Antes eu estava tranquila, mas na hora do procedimento não, porque é meio tenso. Dependia muito de mim, não pode mexer o olho de jeito nenhum porque se não pode rasgar, já que a agulha está lá dentro. É preciso ter muita confiança no profissional”, relatou Leticia, que disse ser a sexta mulher no Estado de São Paulo a passar pelo processo irreversível.

Leticia relatou que o procedimento durou uma hora e que se sentiu um pouco incomodada. “A hora que injeta a tinta fica tudo preto. Como foi sem anestesia, dá para sentir a agulha entrando e saindo. É uma dor esquisita, diferente de todas as outras, mas é suportável. Acho que é pior para quem está vendo, dá aflição”, contou.

Leticia investiu R$ 1 mil para realizar procedimento irreversível nos olhos (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Leticia investiu R$ 1 mil para realizar procedimento irreversível nos olhos (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Perigo
O oftalmologista Antonio Carlos Baldin não recomenda o procedimento e alerta para os riscos que podem surgir a médio e longo prazo. “Quem se candidata a isso está correndo o risco de uma reação contra a substância que é infundida, porque a gente não tem a menor ideia do que uma tinta como essa pode provocar no olho”, falou

“Ali há células responsáveis pela substituição de células mortas na superfície do olho e também por parte da produção lacrimal. Também nessa região tem uma rica quantidade incontável de vasos sanguíneos e toda a musculatura que rege a movimentação do olho”, completou Baldin.

Para o especialista João Alberto Holanda de Freitas, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, o método é inteiramente nocivo e não adequado. “Isso pode dar alguma complicação, como uma uveíte (inflamação interna) e a pessoa perder a visão. A recomendação é não fazer. O consenso da oftalmologia brasileira é para que não se faça isso”, ressaltou o médico.

Leticia antes e após realizar o procedimento para mudar a cor dos olhos (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Leticia antes e após realizar o procedimento para mudar a cor dos olhos (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Família
Leticia, que trabalha com body piercing há seis anos, é mãe de três filhos (Évora, de 2 anos, Lucas, de 8, e Maria Eduarda, de 11). Questionada sobre o impacto que a mudança visual tanto dela quanto do marido causa nas crianças, ela disse acreditar que está formando pessoas menos preconceituosas. Segundo Leticia, os filhos acharam normal, bem como a avó.

“Fiz como uma modificação corporal. Não vendi minha alma, não sou demoníaca, não sou satânica”, explicou ela que, assim como o marido, adora tatuagens e fez a primeira aos 22 anos. O desenho de um sol nas costas deu lugar seis anos depois a um dragão. Depois ela pintou as mãos, os braços e as pernas. A meta, disse, é cobrir 90% do corpo.

“Daqui a alguns anos, imagine dois velhinhos com olho preto e todo tatuado. Quero ficar velha logo só para ver como vai ser, acho que vai chocar mais. Já pensou na fila do banco esperando para receber a aposentadoria?”, brincou Leticia, que é seguidora da filosofia budista, mas afirmou não acreditar nem em Deus, nem no diabo.

dica do Rodrigo Cavalcanti

Logo subliminar da Pepsi em lata de Coca-Cola faz sucesso na internet

A montagem é possível de fazer em versões da lata de Coca-Cola para a Copa das Confederações no Brasil

publicado no Administradores

Uma foto divulgada por um publicitário no Facebook está fazendo sucesso. A imagem mostra uma suposta logo subliminar da Pepsi em uma lata da Coca-Cola. Terá sido intencional ou uma simples coincidência?

Com um recorte em forma de círculo em um papel branco sobreposto à lata, o publicitário reproduziu na própria embalagem da Coca-Cola, com fidelidade, a logomarca da concorrente. A imagem já teve mais de dois mil compartilhamentos na rede social.

A montagem é possível de fazer em versões da lata de Coca-Cola para a Copa das Confederações no Brasil.

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Dom Odilo Scherer, um ‘papável’ com iPhone e contra ofensiva evangélica

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Esteban Israel, na Reuters [via Estadão]

O cardeal brasileiro Odilo Scherer viajou esta semana para Roma para o conclave que elegerá o sucessor do papa Bento 16. E seus fiéis rezam para que não volte.

No Brasil, país com o maior número de católicos do mundo, muitos sonham em ver no próximo mês o arcebispo de São Paulo surgir de branco no balcão da Basílica de São Pedro, como o primeiro papa latino-americano.

O cardeal de 63 anos que fala de política e conta piadas em sua conta no Twitter é, dizem seus fiéis, um candidato ideal para tirar a Igreja Católica da crise e renová-la.

“Que ninguém espere coisas espetaculares”, advertiu no domingo, em sua última missa antes de embarcar para Roma. “Não imaginemos que a eleição do papa seja uma questão de políticas humanas”, acrescentou.

Mas, como pastor de um dos maiores rebanhos católicos do mundo, vários analistas colocam Scherer entre os candidatos para suceder Bento 16, que deixa o pontificado nesta quinta-feira por razões de idade depois de um período abalado por intrigas e escândalos.

“Seria muito bom para o Brasil”, disse Ruth de Souza, de 67 anos, na saída da Catedral da Sé, no centro de São Paulo. “Nós, católicos, estamos sendo muito pressionados pelas igrejas evangélicas”, acrescentou.

As igrejas na América Latina, historicamente um bastião do catolicismo, foram se esvaziando durante os últimos anos à medida que mais e mais fiéis desertaram para os cultos evangélicos.

E o Brasil é um dos principais campos de batalha na disputa por almas, que, junto com os escândalos de abusos sexuais, será um dos maiores desafios do próximo papa.

A população católica do país minguou de 73,6 por cento em 2000 para 64,6 por cento, segundo o censo de 2010. Na mesma década, a porcentagem de evangélicos cresceu de 15,4 para 22 por cento.

Scherer sabe disso. Sua exortação para redobrar a fé retumbou no domingo em uma catedral com a metade dos bancos vazios e a outra ocupada na maioria por mulheres e idosos.

“Um papa brasileiro ajudaria muito a evangelização da América Latina”, disse Valeriano Costa, diretor da Faculdade de Teologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. “Daria à Igreja uma visão juvenil, outra mentalidade”, disse.

“Scherer tem a capacidade de assumir um pontificado. Mas não sei se os cardeais estão maduros para tomar essa decisão”, acrescentou.

A matemática, pelo menos, está contra ele: apesar de ter 50 por cento dos católicos do planeta, a América Latina contará apenas com 19 cardeais com direito a voto no conclave, ou cerca de 16 por cento do total.

Cerca de 52 por cento dos cardeais que se fecharão no próximo mês na Capela Sistina para escolher o próximo papa são europeus, que nos últimos 15 séculos passaram elegendo o papa entre eles.

DIFÍCIL DE ROTULAR

Os analistas têm dificuldades para rotular Scherer, um homem que escuta Beethoven, mas também Chico Buarque.

Conservador em assuntos como a união de pessoas do mesmo sexo, o aborto ou as investigações com células-tronco, o cardeal brasileiro é visto como um religioso moderno e conectado com a realidade social do Brasil.

Scherer, que costuma andar de metrô e usa um iPhone 4S, ainda tem senso de humor. Preso recentemente em um dos congestionamentos que martirizam diariamente seus fiéis, tuitou em sua conta @DomOdiloScherer: “Espero que o caminho para o céu esteja ainda mais congestionado que o de São Paulo”.

O cardeal defende a participação dos católicos na política e não se esquiva de polêmica.

Filho de imigrantes alemães radicados no sul do Brasil, Scherer teve uma carreira meteórica dentro da Igreja, até chegar a cardeal em 2007 com 58 anos, um dos mais jovens da história moderna da Igreja.

Seus assessores dizem que é pragmático e articulador de consensos, algo que poderia ajudá-lo a colocar ordem na Igreja fustigada por escândalos e traições.

Além disso, conhece os meandros da Cúria Romana, onde trabalhou durante anos na Congregação para os Bispos e – dizem – conserva amigos influentes.

Um sinal de que está destinado a coisas grandes, segundo observadores do Vaticano, é que foi designado por Bento 16 para integrar dois grupos de elite: um novo conselho para promover a evangelização e uma comissão para supervisionar o Instituto para as Obras Religiosas, o banco do Vaticano sob suspeitas de irregularidades financeiras.

Seus colaboradores dizem que “há expectativas” em torno do cardeal. Mas Scherer mantém a bola no chão.

“Seria muito pretensioso que um cardeal dissesse: ‘estou preparado’”, disse a jornalistas após a renúncia de Bento 16 no início de fevereiro. “Ninguém vai dizer: ‘sou candidato’”.

foto: Veja

dica do Hernan Pimenta e do Marcos Mattos