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Igrejas vizinhas temem trânsito após abertura do Templo de Salomão, em SP

14164762Vanessa Correa, na Folha de S.Paulo

Três gigantes da fé se encaram no cruzamento da avenida Celso Garcia com rua José Monteiro, no Brás: a sede da Assembleia de Deus, a centenária igreja de São João Batista e a futura sede da Iurd (Igreja Universal do Reino de Deus), em final de obra.

Quando a “reconstrução” do original templo de Salomão, da Iurd, estiver pronta, pode atrair até 10 mil fieis em dia de culto cheio. Somados aos 5.500 da Assembleia e aos 400 da igreja de São João, serão quase 16 mil pessoas circulando.

Essas três igrejas podem ser as maiores e mais vistosas, mas não são as únicas da avenida da zona leste.

A reportagem encontrou 11 templos na via -a maioria, evangélicos (veja mapa). Com a inauguração da sede da Iurd, prevista para 31 de julho, a avenida deve se consagrar definitivamente como a via da fé em São Paulo. Há expectativa de que se torne até lugar de peregrinação.

Essa concentração religiosa na via e em suas imediações não é obra divina. Tem uma lógica simples, explica o urbanista Renato Cymbalista.

“A região do Brás é local de convergência de imensos sistemas de circulação: trem, metrô, Radial Leste, av. do Estado. Em dias úteis, milhões de pessoas passam por ali. Aos domingos, esse sistema fica disponível para levar as pessoas para as igrejas.”

Além disso, diz Cymbalista, a região era uma área industrial, com grandes lotes, o que veio a calhar com a demanda por grandes templos. “Quase todos estão em terrenos de antigas fábricas.”

Com a proximidade da inauguração do templo de Salomão, o maior temor das igrejas vizinhas é a piora no trânsito. “Acho que terá um grande impacto. Quando temos culto aqui, a rua de trás já fica bem complicada”, diz Ana Lopes, 37, assessora da Assembleia de Deus no Brás, instalada em grande edifício espelhado de visual e porte comparáveis aos de um shopping center.

Logo ao lado, na paróquia de São João Batista, o temor é semelhante: “gente demais para a infraestrutura viária do bairro”, diz Mônica Chagas, 48, que trabalha na secretaria e loja da igreja, construída há 105 anos. “Nos finais de semana, há filas de ônibus, por vários quarteirões.”

E a presença de uma nova e gigantesca igreja, com sua fachada revestida de pedras importadas de Israel, altar folheado a ouro, não incomoda?

Para Ana Lopes, não há medo de ovelhas se desgarrarem. “A Assembleia tem mais de cem anos, é a pentecostal mais antiga do Brasil. Não vai ter impacto com os fiéis.”

Segundo Mônica, da paróquia de São João Batista, há católicos que ficam um pouco incomodados com a ostentação logo em frente à igreja. Mas o que ela reclama mais é da “afronta” de alguns evangélicos. “Já entraram aqui para falar que a gente é de Baal, deus do dinheiro, como pode? Mas você já viu o tamanho da menorá [tipo de castiçal judeu] no jardim deles?”

Veja SP: Detalhes exclusivos do Templo de Salomão, nova sede da Igreja Universal

O bispo Edir Macedo investiu 685 milhões de reais e comprou quarenta imóveis no Brás para pôr de pé a igreja que terá capacidade para 10 000 pessoas e área construída quatro vezes maior que a do Santuário de Aparecida

João Batista Jr., na Veja SP

Em 1977, o pastor Edir Macedo começou sua carreira de pregador em cima de um coreto no subúrbio do Rio de Janeiro. Só algum tempo depois conseguiu dinheiro suficiente para alugar o primeiro imóvel da Universal do Reino de Deus, um ponto vago deixado por uma funerária, com capacidade para apenas 100 pessoas. Passadas quase quatro décadas desde esse início modesto, o autointitulado bispo, dono de uma fortuna pessoal estimada em 1,1 bilhão de dólares, segundo a revista americana Forbes, controla a maior igreja evangélica neopentecostal do país, com 6 500 endereços no Brasil (1 010 dos quais no Estado de São Paulo e 246 na capital), além de outros negócios, a exemplo da TV Record e de uma participação de 49% no Banco Renner. O grande símbolo desse crescimento vem sendo erguido desde 2010 em um trecho da Avenida Celso Garcia, no Brás. Trata-se do Templo de Salomão, concebido nos mínimos detalhes para ser um novo cartão-postal religioso.

Imagem aérea do suntuoso templo do bispo Edir Macedo (foto: Mario Rodrigues)

Imagem aérea do suntuoso templo do bispo Edir Macedo
(foto: Mario Rodrigues)

Estima-se que a obra tenha consumido 685 milhões de reais em investimentos. Ela possui 100 000 metros quadrados de área construída e é quatro vezes maior que o Santuário Nacional de Aparecida, que perderá nesse quesito o posto de maior espaço religioso do país para a nova sede da Universal. Os detalhes de acabamento do templo incluem cadeiras trazidas da Espanha para acomodar um público de 10 000 pessoas, mármore rosa italiano e oliveiras importadas de Israel, sem falar da tecnologia embutida. Entre outras engenhocas, o local terá uma esteira rolante destinada a carregar o dízimo dos fiéis do altar direto para uma sala-cofre, um telão de mais de 20 metros de comprimento e 10 000 lâmpadas de LED instaladas no teto do salão principal, que tem pé-direito de 18 metros. Quando estiverem funcionando, as luzes formarão desenhos variados, como estrelas. De tão potentes, elas conseguirão iluminar a Bíblia de cada um dos visitantes. As paredes são decoradas por imensas menorás, candelabros de sete braços comuns em sinagogas.

(foto: Mario Rodrigues)

(foto: Mario Rodrigues)

O projeto, que já contou com cerca de 1 800 operários no auge da construção, encontra-se em fase de acabamento. A área construída tem espaço ainda para mais de cinquenta apartamentos, que serão ocupados por pastores, incluindo o que foi preparado para ser a nova residência de Edir Macedo. O bispo fez no ano passado a promessa de só cortar a barba quando tudo estiver pronto, em 31 de julho, data em que ocorrerá a festa de inauguração com a presença da presidente Dilma Rousseff, do seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, do governador Geraldo Alckmin e do prefeito Fernando Haddad, entre outras autoridades. Até lá, a política é manter o maior segredo possível. Nos últimos meses, funcionários da Universal circulavam pelo local usando capacete com o logo da igreja, a fim de fiscalizar qualquer tentativa de vazamento de informações. Os mais de cinquenta fornecedores de materiais e serviços da construção assinaram um contrato de confidencialidade. Nele consta que o acordo seria rompido em caso de divulgação de detalhes do interior do projeto. “Conheço gente que postou foto numa rede social e foi demitida”, conta um dos empresários envolvidos no trabalho. Apesar de todos os cuidados, alguns registros acabaram circulando, como os reproduzidos nesta reportagem.

(foto: Reprodução)

(foto: Reprodução)

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Com ajuda da web, ateus ganham força no Brasil

Encontro teve palestras de antropologia evolutiva e apresentações de comédia

Encontro teve palestras de antropologia evolutiva e apresentações de comédia

Camilla Costa, no BBC Brasil

Para fazer frente ao que chamam de influência de grupos religiosos na política, organizações de ateus brasileiros aumentam cada vez mais seu alcance usando a mobilização pelas redes sociais e eventos temáticos em todo o país.

Os ateus ainda são uma minoria de cerca de 615 mil pessoas no Brasil, segundo dados do Censo de 2010. Na categoria “sem religião”, que também inclui agnósticos, o número ultrapassa os 15 milhões, segundo o IBGE.

Nos últimos anos, novas associações têm sido criadas para reunir os não crentes em torno de questões como o combate ao preconceito e a defesa da laicidade do Estado brasileiro.

No mês de fevereiro, o 2º Encontro Nacional de Ateus, organizado por parceria entre as principais associações do país, reuniu ateus e agnósticos simultaneamente em 28 cidades de 25 Estados brasileiros, incluindo o Distrito Federal, com transmissões ao vivo de palestras e discussões. Em São Paulo, a edição de 2013 teve 750 pessoas, mais que o dobro do ano anterior.

Na capital paulista, o encontro teve palestras sobre assuntos como o ateísmo na filosofia francesa e sobre o Estado laico, este com o procurador regional dos direitos do cidadão de São Paulo, Jefferson Dias. Entre os palestrantes também estava um comediante que ganhou popularidade na internet satirizando pastores evangélicos.

Na página do evento no Facebook, cerca de 1.700 pessoas confirmavam a presença, mas o número menor de participantes reais não decepcionou os organizadores. “Quando a gente organiza eventos no Facebook, sabe que vem entre 40 e 60% (das pessoas). A gente ainda está anestesiado porque não pensava que poderia realizar isso e ter sucesso”, disse Washington Alan, diretor jurídico da Sociedade Racionalista, organizadora do encontro, à BBC Brasil.

Ateísmo digital

    Muitos ateus são visceralmente contra o proselitismo. Eu não entendo." Daniel Sottomaior, presidente da Atea

Muitos ateus são visceralmente contra o proselitismo. Eu não entendo.”
Daniel Sottomaior, presidente da Atea

O presidente da Sociedade Racionalista, Diego Lakatos, diz que o encontro começou como uma tentativa de confraternização entre ateus de todo o país. “Num primeiro momento, não estávamos tão interessados em promover discussões mais profundas. Foi uma coisa bem mais informal, no Parque Ibirapuera.”

“Mas ao longo desse ano, alguns temas surgiram com mais força e se tornaram mais relevantes, como a defesa do Estado laico. Vemos a bancada evangélica tentando barrar discussões importantes na nossa sociedade de um ponto de vista religioso e achamos que isso é perigoso”, afirma.

O primeiro encontro deu um impulso no número de adesões à Sociedade Racionalista pelo site, de acordo com Lakatos. Agora, cerca de 60 pessoas se filiam a cada mês. Este mesmo número também era o máximo arrebanhado pela Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos (Atea), a maior do país, até sua entrada no Facebook, em 2010.

De acordo com o engenheiro Daniel Sottomaior, fundador da Atea, a criação de uma página no site mais do que dobrou o número de adesões – que já chega a 200 novos membros por mês. A Atea já tem cerca de 7.800 membros filiados e 230 mil fãs no Facebook – cerca de um terço do que corresponderia ao número de ateus calculado pelo IBGE.

“Ganhamos um impulso nas associações com a chegada do Face. Eu sempre fui contra porque a nossa associação é de ativismo no mundo real. Na minha longa experiência de ativismo online percebi que especialmente entre ateus as discussões tendem a gerar mais calor do que luz”, diz Sottomaior.

Sottomaior diz que o objetivo da Atea é criar indignação em relação à discriminação de ateus e “fazer com que o Brasil, 120 anos depois da proclamação da República, se torne (de fato em) um Estado laico”.

Congregar os ateus em uma organização atuante, no entanto, não é fácil. De acordo com ele, o maior desafio é a “indiferença dos ateus”.

“Grande parte dos ateus tem uma independência intelectual tão forte que acaba sendo contraproducente a eles mesmos. Eu entendo que lutar contra o preconceito e a favor da laicidade deveriam ser causas caras não só aos ateus, mas a toda a sociedade”, diz.

Alianças

Páginas no Facebook também chamam a atenção para causas LGBT

Páginas no Facebook também chamam a atenção para causas LGBT

O proselitismo, segundo Sottomaior, também tem que ficar de fora para conseguir mais mobilização dos associados. “Se nós nos voltássemos para isso teríamos um público menor, porque muitos ateus são visceralmente contra o proselitismo.”

“Eu não entendo. Acho que todo grupo organizado tem não só o direito, mas é até esperado que ele pratique o proselitismo. O Greenpeace faz isso, os partidos políticos também”, defende.

A ênfase nas leis e na discriminação, no entanto, não é o suficiente para que religiosos apoiem a causa, segundo Sottomaior. “Algumas pessoas religiosas entram em contato com a associação, mas é um número pequeno, muito menor do que as pessoas que mandam e-mails de ódio.”

“Desde o começo venho tentando contactar minorias religiosas. Os maiores interessados nisso são os grupos religiosos afro-brasileiros, que também são afetados como nós pela discriminação e pela violação da laicidade. Que também é o caso dos homossexuais. Um dos grandes parceiros nossos sempre foi a ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais)”, diz.

Ao contrário da Atea, a Liga Humanista Secular do Brasil (LiHS), criada em 2010, tem cerca de 3% de religiosos entre seus membros, e pouco mais de 500 filiados que não se declaram ateus. “Temos até mesmo um pastor de uma igreja evangélica inclusiva (a homossexuais) no Rio de Janeiro, que é colaborador”, diz Åsa Dahlström Heuser, de 56 anos, atual presidente da associação.

A adesão de religiosos, segundo Heuser, tem a ver com o fato de que ateísmo é “secundário” na Liga. “Entendemos como benéfica a associação com pessoas religiosas de mente mais aberta. E existem muitas, na verdade. Combatemos as arbitrariedades cometidas por instituições religiosas”, diz ela.

Heuser cita “restrições a homossexuais ou mulheres” impostas por algumas religiões como justificativa para a parceria entre a Liga e o movimento LGBT. “As organizações LGBT são as que têm mais força atualmente para se opor a essa bancada teocrática no Congresso”, explica.

A LiHS tem cerca de 2.800 membros e mais de 17 mil fãs no Facebook, e é, segundo o seu site, voltada para “céticos, agnósticos, ateus, livres pensadores e secularistas”. O fundador da organização, Eli Vieira, é o geneticista que ganhou fama na internet ao responder, com um vídeo no YouTube, à argumentação do pastor evangélico Silas Malafaia contra o homossexualismo.

O aumento da adesão, segundo ela, aconteceu a partir de setembro de 2012, depois da realização do primeiro Congresso Humanista. “A internet ajudou muito, mas os encontros reforçam a ideia de ações sociais. Para que não tenhamos um dia um governo que nos obrigue a fingir que temos uma religião, se a bancada teocrática conseguir impor suas ideias. É isso o que queremos evitar.”

Vigésimo país mais conhecido do mundo, Brasil é visto como ‘decorativo, mas não útil’, segundo pesquisa global

Publicado originalmente no Terra

O analista político britânico Simon Anholt

O analista político britânico Simon Anholt

O Brasil é o 20º país mais conhecido do mundo, e é visto pelo resto do planeta como “decorativo, mas não muito útil”, segundo dados de uma pesquisa global realizada anualmente desde 2005.

A informação faz parte do Índice britânico Anholt-GfK Roper de Nation Brands, que criou um método de avaliação semelhante ao que marketing usa para estudar a imagem que marcas têm no mercado, o chamado “top of mind”. Nele, as nações são consideradas marcas, e milhares de pessoas são entrevistadas em todo o planeta para darem opinião livre sobre o que pensam de cada uma dessas “marcas-países”, criando um retrato de qual a imagem do país pelos olhos do resto do mundo.

Apesar da clara sensação de que o Brasil vem melhorando sua imagem internacional, e de que recebe mais atenção no mundo, isso não muda imediatamente a forma como o país é visto no resto do planeta, segundo Simon Anholt, assessor de política britânico e criador da pesquisa.

“O Brasil é considerado atraente, mas não é levado muito a sério pela população em geral”, explicou Anholt, em entrevista concedido ao blog “Brazil no Radar”, do Terra. “As pessoas não mudam suas opiniões sobre outros países muito frequentemente ou muito rapidamente.”

Segundo ele, essa imagem decorativa não precisa ser um problema para o país. “É uma grande ajuda para o turismo e as exportações de produtos leves e serviços como moda, música, e assim por diante. Mas, se o Brasil quer exportar mais produtos industriais e tecnológicos e serviços, e para exercer maior influência política e econômica, então a sua reputação de competência e confiabilidade precisa melhorar”, explicou.

O trabalho é de longo prazo, ele explica, e o Brasil está caminhando a passos muito lentos. Além disso, o país corre sérios riscos de piorar sua imagem durante a realização da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016, segundo o pesquisador britânico.

Leia abaixo a entrevista completa concedida por Anholt

Pergunta – Os brasileiros gostam de dizer que o Brasil tornou-se “moda” no mundo, e que está mais famoso internacionalmente. Concorda que as pessoas sabem mais sobre o Brasil no resto do mundo?

Simon Anholt – Apesar de haver a sensação de que o Brasil está recebendo um tratamento mais frequente e positivo na mídia hoje em dia, isso não teve um impacto mensurável sobre a massa percepções globais sobre o País.

Desde 2005 eu venho publicando o índice Anholt-GfK Roper de Nation Brands, o estudo mais original e significativo sobre imagens nacionais. Já compilamos mais de 164 bilhões de pontos de dados sobre “como o mundo vê o mundo”. O ranking global de imagens de países no Índice (no ranking geral é uma média do que mais de 60% da população do mundo pensa sobre todos os aspectos dos 50 países da lista) é bastante estável, pois as pessoas não mudam suas opiniões sobre outros países muito frequentemente ou muito rapidamente.

O Brasil é um dos poucos países que mostra uma tendência geral de melhora, mas estamos falando apenas frações percentuais em cada ano, não o suficiente para afetar a sua classificação geral, que permanece mais ou menos fixa em 20º lugar.

Você costuma dizer que a Marca Brasil é de um país “decorativo, mas não útil”. A crise global ajudou o Brasil a melhorar sua imagem em economia? Como a imagem do Brasil evoluiu?

Anholt - Realmente, o perfil não tem evoluído muito, e quatro anos [desde o início da crise global, em 2008] é um tempo muito curto na vida de uma nação. O Brasil ainda é considerado atraente, mas não é levado muito a sério pela população em geral.

Entre as elites (por exemplo, políticos, diplomatas, jornalistas sérios, investidores) o quadro tende a ser mais complexo, mais positivo e mais volátil. Suspeito que, como resultado de conceitos como os países do BRIC, a opinião da elite, geralmente é mais positiva sobre o Brasil, mas pode-se demorar gerações para que isso se reflita na opinião pública.

A ausência de Lula no cenário internacional provavelmente já fez mais para diminuir o perfil do Brasil do que qualquer outro fator. Continue lendo

Feliz Dia da Reforma Protestante – comemorando à moda de Lutero

Postado originalmente em Domingo de Massa

Ontem à noite, enquanto escrevia um artigo sobre o dia 31 de outubro, veio-me uma vontade irresistível de sair pelas ruas de São Paulo afixando teses de conclamação à volta ao Evangelho puro e simples de Jesus. Mas, como fazer isso?

De improviso mesmo. Ligamos para algumas pessoas, e conseguimos a adesão do Josef. Então ele imprimiu a Declaração de Cambridge (que versa sobre as cinco solas: Sola Scriptura, Sola Fide, Solus Christus, Soli Deo Gloria e Sola Gratia) e, por volta da 1:00h da madrugada, saímos ele, o Paulo Siqueirae eu em direção à Moóca e ao Brás, onde se localizam as sedes de alguns ministérios que precisam se voltar ao Evangelho puro e simples.

Nossa primeira parada foi na R. Dr. Almeida Lima, onde se localiza o Renascer Hall. Havia alguns poucos carrões entrando àquela hora, possivelmente uma reunião de pastores ou bispos. As luzes internas estavam ligadas, e temíamos pela presença de seguranças (afinal sabemos dos seus métodos). Enquanto eu filmava, na minha “tecpix menos que genérica”, o Paulo e o Josef colaram as teses. Em seguida, saímos rapidamente.

De lá, fomos ao Brás, na Av. Celso Garcia, onde se localiza a sede da Adbras Ministério Madureira, do Pr. Samuel Ferreira. Colamos as teses no vidro de entrada, atravessamos a rua e fizemos o mesmo na Igreja Universal do Reino de Deus. Logo depois, partimos para a Rua Carneiro Leão, também no Brás, e afixamos as teses na entrada da Igreja Mundial do Poder de Deus. E então fomos embora, pois já era quase 3 da manhã.

Só posso dizer que toda a honra e toda a glória pertencem a Cristo, pois nada foi previamente planejado. Em poucas horas, imprimimos um texto e saímos pelas ruas, no início sem saber bem para onde ir. Mas creio que Deus nos direcionou, e que algumas pessoas puderam ler os textos antes que fossem arrancados. Se bobear, algum ainda deve estar afixado. A Deus toda a honra e toda a glória sempre.

Afixando as teses na Igreja Mundial do Poder de Deus Sede

Teses fixadas na entrada do Renascer Hall

Apesar da garoa, do frio, do medo de sermos pegos, foi uma experiência muito marcante para mim, e fico feliz de ter podido participar. Se hoje há milhares de crianças fantasiadas de bruxos e monstros batendo nas portas e divulgando o “dia das bruxas”, houve alguns cristãos que bateram nas portas das catedrais gospel “pregando” o Evangelho puro e simples de Jesus.