Templo de Salomão muda a rotina do Brás

Publicado no Estadão

Bairro de tradição operária e de imigrantes, onde há quase três décadas se formou o maior polo de venda de roupas do País, o Brás, na região central de São Paulo, vai ganhando nova paisagem. A região vive um boom sem precedentes do turismo religioso e do mercado da fé. Inaugurado na semana passada, o Templo de Salomão, da Igreja Universal, já recebe, por dia, o dobro de visitantes do Cristo Redentor, no Rio, o ponto turístico mais famoso do Brasil.

Até o fim de agosto, cerca de 400 mil pessoas devem passar pelo megatemplo da Universal, para ver os cultos ou só para visitá-lo, numa média de 13.300 pessoas por dia. Só como comparação, o Cristo recebeu seu melhor público neste ano em janeiro, com 282.625 visitantes. Entre fevereiro e maio, o público mensal nunca ultrapassou 200 mil pessoas. Em 2013, o cartão-postal carioca recebeu 1,5 milhão de visitantes, média de 125 mil por mês, ou 4.200 pessoas por dia. Já o Pão de Açúcar, outra grande atração carioca, recebe, em média, de 3 mil a 4 mil visitantes na baixa temporada, e de 8 mil a 9 mil nos períodos de férias, segundo a prefeitura do Rio.

Longas filas para conhecer o local
Longas filas para conhecer o local

Concorrentes. A nova casa do bispo Edir Macedo tem vizinhos concorrentes de sobra. Num raio inferior a quatro quilômetros, o Brás concentra 6 megatemplos evangélicos e 14 igrejas. Só num trecho de 300 metros da Avenida Celso Garcia, são três templos, onde cabem cerca de 22 mil fiéis – dois da Universal e um da Assembleia de Deus.

O Templo de Salomão, o maior deles, erguido num terreno de 100 mil metros quadrados, no primeiro mês está aberto somente para convidados e fiéis em caravanas. São cerca de 10 mil fiéis/dia a visitar, desde a inauguração, o maior espaço religioso do País. Eles aguardam em filas enormes, que começam de madrugada nas calçadas da Celso Garcia. Outras centenas de curiosos e de turistas se aglomeram do lado de fora, para observar a grandiosidade da construção, com colunas de mais de dez metros de altura. Quase não dá para andar ou atravessar as faixas de pedestres no entorno da igreja. Até motoristas de ônibus reduzem a velocidade e tentam fazer fotos com o celular.
A transformação nas ruas da região tem sido rápida. Lojas de artigos religiosos e novos restaurantes não param de abrir as portas. Alguns desses estabelecimentos estão ocupando imóveis antes fechados ou que vendiam retalhos de tecidos.

As ruas ali vivem engarrafadas, com ônibus de caravanas. O movimento começa às 5 horas e se estende até as 23 horas. “Eu abri aqui no mesmo dia do templo. Vou deixar meu escritório um pouco de lado a partir de agora. Aqui o movimento não para, é fila o dia todo”, afirma a advogada Danielle Amaral, de 27 anos, que abriu uma casa de coxinhas e sucos na frente do templo. Ao lado da lanchonete, a fila para entrar no restaurante por quilo Skina do Templo tinha mais de 40 pessoas.

Aparecida. O Templo de Salomão receberá neste mês quase a metade dos 830 mil visitantes mensais de Aparecida, onde está a Basílica Nacional, da Igreja Católica. A cidade do Vale do Paraíba, a 130 quilômetros da capital, tem o maior movimento de turismo religioso da América Latina. A tendência também é de que o número de visitantes e de turistas caia no megatemplo da Universal após os três primeiros meses da inauguração.

De qualquer forma, a nova igreja tem como vizinhos outros grandes templos de igrejas evangélicas, que devem manter impulsionado o mercado da fé no Brás. Aos domingos, esses seis megatemplos vão receber, durante todo o dia, uma média de 100 mil pessoas. Pela Times Square de Nova York, ponto turístico mais visitado dos EUA, passam cerca de 98 mil pessoas por dia. Na capital paulista o Parque do Ibirapuera, na zona sul, local mais visitado da cidade, recebe diariamente, em média, 75 mil pessoas.

Nos últimos dias, os fiéis com Bíblias na mão já estavam em maior número do que os sacoleiros que normalmente lotam as ruas do Brás e do Pari. Camelôs trocaram as bugigangas eletrônicas por tudo o que lembre o templo: pano de prato, casaco, cachecol, camisa, roupa de bebê, todos com a estampa da igreja da Universal. Cabos eleitorais de pastores candidatos nas eleições de outubro ficam nas esquinas da Celso Garcia distribuindo santinhos para quem entra nos templos.

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‘Obra de Deus’, megatemplo aumenta segurança e comércio no Brás


Publicado por TV UOL

O entorno do Templo de Salomão, inaugurado nesta quinta (31) pela Igreja Universal na zona leste de São Paulo, aproveita da movimentação que gera a obra. O bairro do Brás, que já foi industrial, é hoje uma área de comércio popular e concentra muitas igrejas de várias denominações.

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Fiel a pé não terá acesso a templo da Universal

Templo Salomão, da Universal
Templo Salomão, da Universal

Diego Zanchetta, em O Estado de S. Paulo

Após quatro anos de obras que custaram R$ 680 milhões, o Templo de Salomão, construído no bairro do Brás, região central de São Paulo, pela Igreja Universal do Reino de Deus, vai ser inaugurado no dia 31 somente para convidados e autoridades. O espaço de 100 mil metros quadrados também não tem data para ser aberto aos fiéis – quem quiser assistir aos cultos terá de pagar a passagem para a empresa de fretamento contratada pela Universal, ao valor de R$ 45 por pessoa, para quem mora na capital.

Nesta quinta-feira, 24, a cúpula da igreja promoveu uma entrevista coletiva em Santo Amaro, na zona sul, para explicar detalhes sobre o templo, o maior espaço religioso do País, quatro vezes maior do que o Santuário Nacional de Aparecida. O local acomodará um público de 10 mil pessoas, sentadas. O ambiente é suntuoso, com mármore rosa italiano, 10 mil lâmpadas de LED e oliveiras importadas de Israel.

Autoridades. Para a inauguração do dia 31, autoridades como a presidente Dilma Rousseff, o seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, o governador Geraldo Alckmin e o prefeito Fernando Haddad são aguardadas para o evento. “Teremos centenas de autoridades. Não temos um balanço dos nomes, mas a Dilma já se antecipou e declarou publicamente que estará presente”, disse Renato Parente, jornalista que apresentou os detalhes do templo.

Parente disse que nenhuma pessoa poderá entrar no templo por conta própria. Quem quiser, vai precisar contratar o serviço de fretamento feito por ônibus. Para pessoas de outras cidades e Estados o valor da passagem ainda não foi estimado pela mesma empresa de ônibus, cujo nome não foi revelado. “É um preço que será cobrado pela empresa de fretamento, não é da igreja. Não é um ônibus de linha normal, é turístico”, disse Parente. O templo também vai ter um telão com 20 metros de comprimento (maior do que os telões dos estádios da Copa do Mundo) e 60 apartamentos para pastores convidados, além da residência oficial do pastor Edir Macedo, fundador da Universal.

A igreja também divulgou regras para o uso de roupas. Mulheres devem evitar o uso de minissaias e roupas curtas. Para os homens, está vetado o uso de bermudas e de uniformes de clubes esportivos. Chinelos, camiseta regata, boné e óculos escuros também foram proibidos.

Contrapartidas. A autorização para o funcionamento do local foi emitida pela Prefeitura no dia 10, por meio da certidão de diretrizes da CET, documento que atesta que o empreendedor cumpriu as contrapartidas pelo fato de ser um polo gerador de tráfego. Entre as obras que a igreja teve de realizar, estão a instalação de cinco semáforos em cruzamentos da região e o plantio de 25 mudas de árvores. Outra contrapartida foi a exigência do rebaixamento de guias de cinco cruzamentos. O certificado de conclusão de obra ainda deverá ser solicitado.

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Igrejas vizinhas temem trânsito após abertura do Templo de Salomão, em SP

14164762Vanessa Correa, na Folha de S.Paulo

Três gigantes da fé se encaram no cruzamento da avenida Celso Garcia com rua José Monteiro, no Brás: a sede da Assembleia de Deus, a centenária igreja de São João Batista e a futura sede da Iurd (Igreja Universal do Reino de Deus), em final de obra.

Quando a “reconstrução” do original templo de Salomão, da Iurd, estiver pronta, pode atrair até 10 mil fieis em dia de culto cheio. Somados aos 5.500 da Assembleia e aos 400 da igreja de São João, serão quase 16 mil pessoas circulando.

Essas três igrejas podem ser as maiores e mais vistosas, mas não são as únicas da avenida da zona leste.

A reportagem encontrou 11 templos na via -a maioria, evangélicos (veja mapa). Com a inauguração da sede da Iurd, prevista para 31 de julho, a avenida deve se consagrar definitivamente como a via da fé em São Paulo. Há expectativa de que se torne até lugar de peregrinação.

Essa concentração religiosa na via e em suas imediações não é obra divina. Tem uma lógica simples, explica o urbanista Renato Cymbalista.

“A região do Brás é local de convergência de imensos sistemas de circulação: trem, metrô, Radial Leste, av. do Estado. Em dias úteis, milhões de pessoas passam por ali. Aos domingos, esse sistema fica disponível para levar as pessoas para as igrejas.”

Além disso, diz Cymbalista, a região era uma área industrial, com grandes lotes, o que veio a calhar com a demanda por grandes templos. “Quase todos estão em terrenos de antigas fábricas.”

Com a proximidade da inauguração do templo de Salomão, o maior temor das igrejas vizinhas é a piora no trânsito. “Acho que terá um grande impacto. Quando temos culto aqui, a rua de trás já fica bem complicada”, diz Ana Lopes, 37, assessora da Assembleia de Deus no Brás, instalada em grande edifício espelhado de visual e porte comparáveis aos de um shopping center.

Logo ao lado, na paróquia de São João Batista, o temor é semelhante: “gente demais para a infraestrutura viária do bairro”, diz Mônica Chagas, 48, que trabalha na secretaria e loja da igreja, construída há 105 anos. “Nos finais de semana, há filas de ônibus, por vários quarteirões.”

E a presença de uma nova e gigantesca igreja, com sua fachada revestida de pedras importadas de Israel, altar folheado a ouro, não incomoda?

Para Ana Lopes, não há medo de ovelhas se desgarrarem. “A Assembleia tem mais de cem anos, é a pentecostal mais antiga do Brasil. Não vai ter impacto com os fiéis.”

Segundo Mônica, da paróquia de São João Batista, há católicos que ficam um pouco incomodados com a ostentação logo em frente à igreja. Mas o que ela reclama mais é da “afronta” de alguns evangélicos. “Já entraram aqui para falar que a gente é de Baal, deus do dinheiro, como pode? Mas você já viu o tamanho da menorá [tipo de castiçal judeu] no jardim deles?”

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Veja SP: Detalhes exclusivos do Templo de Salomão, nova sede da Igreja Universal

O bispo Edir Macedo investiu 685 milhões de reais e comprou quarenta imóveis no Brás para pôr de pé a igreja que terá capacidade para 10 000 pessoas e área construída quatro vezes maior que a do Santuário de Aparecida

João Batista Jr., na Veja SP

Em 1977, o pastor Edir Macedo começou sua carreira de pregador em cima de um coreto no subúrbio do Rio de Janeiro. Só algum tempo depois conseguiu dinheiro suficiente para alugar o primeiro imóvel da Universal do Reino de Deus, um ponto vago deixado por uma funerária, com capacidade para apenas 100 pessoas. Passadas quase quatro décadas desde esse início modesto, o autointitulado bispo, dono de uma fortuna pessoal estimada em 1,1 bilhão de dólares, segundo a revista americana Forbes, controla a maior igreja evangélica neopentecostal do país, com 6 500 endereços no Brasil (1 010 dos quais no Estado de São Paulo e 246 na capital), além de outros negócios, a exemplo da TV Record e de uma participação de 49% no Banco Renner. O grande símbolo desse crescimento vem sendo erguido desde 2010 em um trecho da Avenida Celso Garcia, no Brás. Trata-se do Templo de Salomão, concebido nos mínimos detalhes para ser um novo cartão-postal religioso.

Imagem aérea do suntuoso templo do bispo Edir Macedo (foto: Mario Rodrigues)
Imagem aérea do suntuoso templo do bispo Edir Macedo
(foto: Mario Rodrigues)

Estima-se que a obra tenha consumido 685 milhões de reais em investimentos. Ela possui 100 000 metros quadrados de área construída e é quatro vezes maior que o Santuário Nacional de Aparecida, que perderá nesse quesito o posto de maior espaço religioso do país para a nova sede da Universal. Os detalhes de acabamento do templo incluem cadeiras trazidas da Espanha para acomodar um público de 10 000 pessoas, mármore rosa italiano e oliveiras importadas de Israel, sem falar da tecnologia embutida. Entre outras engenhocas, o local terá uma esteira rolante destinada a carregar o dízimo dos fiéis do altar direto para uma sala-cofre, um telão de mais de 20 metros de comprimento e 10 000 lâmpadas de LED instaladas no teto do salão principal, que tem pé-direito de 18 metros. Quando estiverem funcionando, as luzes formarão desenhos variados, como estrelas. De tão potentes, elas conseguirão iluminar a Bíblia de cada um dos visitantes. As paredes são decoradas por imensas menorás, candelabros de sete braços comuns em sinagogas.

(foto: Mario Rodrigues)
(foto: Mario Rodrigues)

O projeto, que já contou com cerca de 1 800 operários no auge da construção, encontra-se em fase de acabamento. A área construída tem espaço ainda para mais de cinquenta apartamentos, que serão ocupados por pastores, incluindo o que foi preparado para ser a nova residência de Edir Macedo. O bispo fez no ano passado a promessa de só cortar a barba quando tudo estiver pronto, em 31 de julho, data em que ocorrerá a festa de inauguração com a presença da presidente Dilma Rousseff, do seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva, do governador Geraldo Alckmin e do prefeito Fernando Haddad, entre outras autoridades. Até lá, a política é manter o maior segredo possível. Nos últimos meses, funcionários da Universal circulavam pelo local usando capacete com o logo da igreja, a fim de fiscalizar qualquer tentativa de vazamento de informações. Os mais de cinquenta fornecedores de materiais e serviços da construção assinaram um contrato de confidencialidade. Nele consta que o acordo seria rompido em caso de divulgação de detalhes do interior do projeto. “Conheço gente que postou foto numa rede social e foi demitida”, conta um dos empresários envolvidos no trabalho. Apesar de todos os cuidados, alguns registros acabaram circulando, como os reproduzidos nesta reportagem.

(foto: Reprodução)
(foto: Reprodução)

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