25 anos após disputa entre Lula e Collor, votar no PT é quase secreto

charge: Maringoni
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Fernando Rodrigues, na Folha de S.Paulo

A única certeza sobre a atual corrida presidencial é a volatilidade nesta reta final entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB). Estará dando apenas uma opinião pessoal quem disser ter certeza sobre qual dos dois candidatos sairá vencedor no domingo, dia 26.

Mas, no meio de tanta incerteza, há um dado cristalizado a respeito do maior partido de esquerda do Brasil, o PT. Basta comparar as pesquisas Datafolha de hoje, a poucos dias do segundo turno, com o que se passou nesta mesma época em 1989.

Assim como agora, o candidato a presidente pelo PT há 25 anos, Luiz Inácio Lula da Silva, estava colado ao seu adversário, Fernando Collor de Mello (então no PRN; hoje no PTB). Havia muitas dúvidas sobre quem poderia vencer aquela disputa.

A diferença entre 2014 e 1989 é que um quarto de século atrás quase todos os descolados votavam no PT. Só que esse eleitorado era muito concentrado. Lula estava à frente de Collor com folga apenas em uma região, o Sudeste. O PT perdia feio no Nordeste. Hoje, essa situação se inverteu de forma radical.

Há outro fator curioso instalado na política nacional. Em São Paulo, em 1989, havia um certo orgulho petista ao declarar voto. Era “cool”. Agora, para alguns, é algo quase secreto. Diferentemente do Nordeste, região na qual o petismo adquiriu status próximo ao de uma religião.

Depois de ter governado o país 12 anos, as políticas sociais do PT são ao mesmo tempo o seu maior sucesso e o maior fracasso. É uma vitória porque a sigla chegou ao governo e implantou parte das propostas que defendia desde sempre –de buscar formas de reduzir a assimetria existente entre ricos e pobres no Brasil. Mas trata-se de uma derrota por ter resultado também numa divisão política perversa num país ainda tão longe do desenvolvimento sustentável.

Ganhe quem for, o próximo presidente terá a duríssima missão de unificar um pouco mais a nação.

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Alckmin ataca ONU por crítica sobre falta de água em São Paulo

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Publicado no UOL

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, enviou um duro ofício ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, cobrando que a entidade corrija suas conclusões sobre a crise da água no Estado.

O estopim foi a visita da portuguesa Catarina de Albuquerque, relatora especial para água e saneamento, a São Paulo, em agosto último. Ela afirmou que a crise era responsabilidade do governo estadual e apontou falta de investimentos.

O ofício de Alckmin obtido pelo Blog foi enviado a Ban Ki-moon em 9.set.2014 e ainda não havia sido divulgado. O tucano usa a proximidade da Cúpula do Clima, promovida pela ONU em Nova York em 23.set.2014, para fustigar as conclusões de Catarina. Alckmin diz que a relatora incorreu em “erros factuais” e fez uso político do tema ao conceder entrevistas às vésperas da eleição estadual, violando o código de conduta da ONU.

Ao concluir o texto, o governador adota um tom acima do usual em comunicações diplomáticas. Ele afirma que se a ONU não retificar as informações prestadas por Catarina de Albuquerque, ele ficaria em dúvida sobre a habilidade da organização para realizar a Cúpula do Clima e demonstrar “propriedade, criatividade e liderança” sobre o tema. Dá a entender que não participaria do evento que estava prestes a ser realizado.

Uma semana antes, o secretário da Casa Civil de Alckmin, Saulo de Castro, também enviara uma carta ao Alto Comissário da ONU para Direitos Humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein, reclamando das conclusões da relatora.

Catarina de Albuquerque é professora visitante das universidades de Braga e Coimbra, em Portugal. Os relatores especiais da ONU estão vinculados ao Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, mas têm atuação independente. São nomeados pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU para mandatos de 3 anos, renováveis por igual período.

Quatro pontos da visita de Catarina incomodaram o Palácio dos Bandeirantes: 1) o momento político de disputa eleitoral; 2) a visita ter sido feita em caráter não oficial; 3) o fato de Catarina não ter procurado a Sabesp (a última vez que ela havia feito isso fora em dezembro de 2013); e 4) as acusações de falta de investimento em obras de captação de água.

Alckmin também questionou afirmação feita por Catarina em entrevista de que as perdas de água estavam “quase em 40%” quando, no Estado de São Paulo, a perda é de 31,2%. Ocorre que o jornal já havia publicado uma correção no dia seguinte, informando que, por erro de edição, a entrevista deu a entender que a taxa se referia à média paulista, quando na realidade se referia à média do país.

O governo paulista, por meio de nota, informou que Alckmin de fato não compareceu à Cúpula do Clima, em Nova York, mas sua ausência não teve relação com o entrevero sobre a crise hídrica. Na data da cúpula, Alckmin comandou solenidade no Palácio dos Bandeirantes para assinar um financiamento de R$ 2,3 bilhões para obras em rodovias estaduais. O governo também informa que ainda não recebeu uma resposta oficial de Ban Ki-moon ao ofício.

Eleição presidencial

A crise no fornecimento de água em São Paulo chegou ao epicentro da campanha presidencial na última semana de campanha. A presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição pelo PT, dedicou metade dos 10 minutos de sua propaganda eleitoral de domingo (19.out.2014) ao tema. Em resposta, Aécio Neves, candidato do PSDB ao Planalto, disse na 2ª feira (20.out.2014) que o governo federal não contribuiu para solucionar a questão.

Dilma e sua equipe tentam tirar proveito político da crise. Após o primeiro turno das eleições, as emissoras de TV começaram a cobrir o assunto com mais intensidade e moradores de todos os Estados agora acompanham a falta de água em São Paulo.

No programa de domingo, Dilma não cita Alckmin diretamente, mas diz se solidarizar com os paulistas e critica o “modelo de gestão tucana” que o “adversário [Aécio] defende e representa”.

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Marina

EX-RIVAIS Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) em primeiro evento público após o anúncio do apoio da ex-senadora do tucano no segundo turno, em São Paulo (foto: Andre Penner/AP)
EX-RIVAIS
Aécio Neves (PSDB) e Marina Silva (PSB) em primeiro evento público após o anúncio do apoio da ex-senadora do tucano no segundo turno, em São Paulo (foto: Andre Penner/AP)

 

Eliane Cantanhêde, na Folha de S.Paulo

Marina sonhou salvar o mundo com Chico Mendes, mudar o Brasil com o PT, virar presidente pelo PV, criar a Rede e, enfim, engrossar o desejo de mudança na chapa de Eduardo Campos. Uma sonhática que vive da esperança.

Em 2010, Marina ficou neutra no segundo turno. Em 2014, sem poder e querer apoiar a algoz Dilma, ficou diante de nova neutralidade ou o apoio a Aécio. Optou pela frente de todos os candidatos do primeiro turno –exceto Luciana Genro (PSOL)– a favor da mudança com o tucano.

Apoiar um dos lados não foi uma decisão fácil, já que o projeto da Rede foi construído com o discurso da terceira via, da alternativa à polarização entre PSDB e PT, não mais apenas cansativa, agora sangrenta.

Mas não seria simples também repetir a neutralidade de 2010. O momento é outro e todas as pesquisas indicavam que a maior parte do eleitorado de Marina deslizaria naturalmente para Aécio, independentemente de acertos partidários. E mais: a maioria do PSB e das lideranças consolidadas da Rede optavam claramente pelo tucano.

A cúpula do PSB não deixou margem de dúvida: 21 a favor de Aécio, sete pela neutralidade, um por Dilma. Posição consolidada pelas viúvas de Eduardo Campos e do mítico Miguel Arraes e seguida pelo partido em 23 das 27 unidades da Federação. Ficaram de fora: Bahia, onde não há segundo turno para o governo, Paraíba, Acre e Amapá. Não é um racha maior do que o que existe, por exemplo, no PMDB.

Na Rede, que não é um partido, mas, sim, um movimento, é natural e até saudável que os mais puristas tenham se rebelado contra a decisão de Marina. Rebeldias assim alimentam a utopia, mantêm nutridos os utópicos. Mas Walter Feldman, Neca Setubal, Capobianco… sabem que, na vida real, só se avança negociando, compondo, optando.

Sorte de Aécio. Mais do que votos, Marina Silva agrega valor.

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‘Eles não machucam ninguém’, diz John Grisham sobre quem compartilha pornografia infantil

Escritor americano defende punição mais branda para quem recebe conteúdo sexual de menores

Premiado escritor entrou na polêmica sobre penas para quem recebe e compartilha material pornográfico de menores (foto: Lisa W. Buser / for USA TODAY)
Premiado escritor entrou na polêmica sobre penas para quem recebe e compartilha material pornográfico de menores (foto: Lisa W. Buser / for USA TODAY)

Publicado em O Globo

O premiado escritor americano John Grisham criticou nesta semana as punições para quem assiste pornografia infantil em seu país, alegando que elas são “pesadas demais”. As declarações foram feitas em entrevista ao jornal “The Telegraph”, do Reino Unido.

O autor de thrillers como “O Dossiê Pelicano”, “A Firma” e “Tempo de Matar” argumentou que as penas para quem somente assiste ao material seriam mais severas do que o ato mereceria. Grisham afirmou ainda que, em consequência, o sistema prisional dos Estados Unidos “enlouqueceu”, com cadeias “cheias de caras da meia idade e de cabelos brancos como eu”.

Durante a entrevista, John Grisham contou ainda a história de um amigo seu, estudante de Direito, que foi preso por apenas baixar arquivos com conteúdo de pornografia infantil.

– Estas são as pessoas que não fazem mal a ninguém. Elas merecem algum tipo de punição, seja qual for, mas 10 anos de prisão? – questiona.

Há um amplo consenso nos EUA de que a distribuição e a posse de pornografia infantil é um crime federal que deve ser severamente punido, mas não há controvérsia pelo fato de a pena ser a mesma para ambos os lados, tanto para quem compartilha quanto para quem recebe. A polêmica é ainda maior especialmente em um momento em que materiais pornográficos se espalham por redes sociais e aplicativos como Whatsapp.

Nos últimos 15 anos, de acordo com a organização Families Against Mandatory Minimums, a duração das sentenças federais para pornografia infantil aumentaram 500%. Em 2013, a Comissão de Sentenças dos Estados Unidos começou a rever a política de condenação em torno de pornografia infantil, dada a complexidade da questão na era da Internet.

Nesse contexto, Grisham parou de defender todos os condenados por crimes sexuais, acrescentando que ele “não tem simpatia” por pedófilos.

– Deus, por favor, prender essas pessoas. Mas muitos desses caras não merecem pesadas penas de prisão, mas isso é o que eles recebem – disse.

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Paciente com suspeita de ebola já está no Rio

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Publicado no Extra

O Brasil registrou nesta quinta-feira o primeiro caso suspeito de Ebola, na cidade de Cascavel, Paraná. O Ministério da Saúde informou que se trata de um homem de 47 anos, vindo da Guiné, um dos países africanos mais afetados pela doença. Ele chegou ao Brasil no dia 19 de setembro, tendo feito antes escala em Marrocos. O homem foi mantido em isolamento total até esta sexta-feira, quando chegou ao Rio para ser tratado na Fiocruz. Uma aeronave da Polícia Rodoviária que trouxe o paciente pousou no início desta manhã na Base Aérea do Galeão, de onde será levado para o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chaga, referência nacional para casos de ebola.

Segundo o Ministério da Saúde, outras suspeitas que haviam sido levantadas antes no país eram apenas boatos. Este é o primeiro em que a pasta trata de fato como caso suspeito. De qualquer forma, o caso em Cascavel ainda precisa ser confirmado para ser considerado como o primeiro de um paciente com ebola no Brasil.

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Segundo o ministério, ele relatou que na quarta-feira e na quinta-feira teve febre. Também de acordo com o ministério, até o começo da noite, ele estava subfebril, mas não tinha hemorragias, vômitos ou outros sintomas. Como veio de um país onde há epidemia da doença, e apresentou sintomas em até 21 dias após deixar a África (limite máximo para o período de incubação da doença), foi considerado caso suspeito.

Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura de Casvavel, a unidade de pronto atendimento (UPA) onde o homem com caso suspeito foi atendido, no bairro Brasília, está isolada. Equipes do ministério e do governo estadual estiveram de madrugada na cidade.

A prefeitura informou que os pacientes na unidade que não tiveram contato com o homem não foram impedidos de sair. Mas quem teve contato com ele permanece isolado lá dentro. Além disso, ninguém pode entrar na UPA.

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O Ministério da Saúde informou que, assim que foi comunicado, enviou imediatamente para Cascavel, por meio da Força Aérea Brasileira (FAB), uma equipe que vai coordenar as medidas de atendimento e identificação de pessoas que podem ter tido contato com ele.

Além do ministério, o governo do Paraná mandou equipe de vigilância em saúde para a cidade. Na manhã da sexta-feira, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, e o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, falarão com a imprensa sobre o caso.
Segundo o ministério, o ebola só é transmitido através do contato com o sangue, tecidos ou fluidos corporais de indivíduos doentes, ou pelo contato com superfícies e objetos contaminados. O vírus é transmitido apenas quando surgem os sintomas.

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