Por que a gente não se junta para mudar a educação deste país?

foto: Revista Alfa
foto: Revista Alfa

Isadora Faber

Quantas vezes você já viu um absurdo acontecendo,ficou indignado, mas não fez nada? Pode ter sido por medo, por vergonha, por não saber o que fazer, por não saber que podia fazer alguma coisa a respeito daquilo, ou porque não queria se incomodar com problemas, ou até por outro motivo qualquer. Mas aposto que você chegou em casa, ficou pensando naquilo e teve uma vontade enorme de voltar no tempo e fazer alguma coisa para impedir que aquele absurdo continuasse. Já aconteceu com você?

diariodeclassePois é, comigo já. E foi por isso que eu comecei o Diário de Classe, uma fanpage criada no Facebook, a maior rede social do mundo, para mostrar os absurdos que aconteciam na minha escola. Eu não tinha nenhuma ideia do tamanho que ela ia ficar, nem de quantas pessoas iam curtir – achei que seriam no máximo umas 100 –, mas ela cresceu, chamou a atenção de muita gente, trouxe muitos apoiadores, assim como muitas pessoas que criticaram. Eu sofri agressões, represálias, ameaças de morte, calúnias, processos, perseguições, mas consegui muitos resultados e vivi muitas experiências boas – e outras não tão boas… Enfim, aprendi muito, muito mesmo. Mas eu só comecei porque queria fazer alguma coisa.Não queria de novo voltar pra casa e saber que absurdos aconteciam e eu não fazia nada.

Essa história toda eu vou contar neste livro. Aqui você vai saber com detalhes como tudo aconteceu, como 20 seguidores da página se transformaram em mais de 600 mil, como foi a reação na escola, quais foram as dificuldades e como isso chamou a atenção das autoridades, da mídia nacional e também da estrangeira. Você entenderá por que as pessoas da minha escola ficaram contra mim, mas milhares de desconhecidos ficaram a meu favor. Vai ver por que algumas mudanças aconteceram, mas outras não. E acho que vai conseguir entender um pouco sobre como funciona a educação pública no Brasil, porque é só pensar no que aconteceu na minha escola e multiplicar pelo número de escolas públicas do país (e acrescentar algumas coisas…).

ONG ISADORA FABER.cdrX5Nesse tempo todo do Diário de Classe, minha vida mudou muito, como você já pode adivinhar, pois, de estudante do ensino fundamental de 13 anos, me tornei palestrante de diversos temas, ganhei prêmios, fiquei conhecida e hoje tenho uma ONG que leva meu nome, que criei para continuar o trabalho do Diário de Classe não só para mim, mas para todas as escolas do Brasil.

Mas a coisa mais importante que eu vi depois de tudo o que passei é que o problema da educação no Brasil é algo muito sério. E as pessoas já estão cansadas de ver as autoridades brincando com os assuntos sérios. Se o Brasil não tiver uma boa educação, não vai haver pessoas preparadas para resolver todos os outros problemas sérios do país. Se a gente não tiver educação boa, a gente não vai conhecer nossos direitos e nossos deveres, e vai continuar deixando acontecer absurdos, que começam sempre com a ignorância.

Talvez nem todas as pessoas pensem assim, mas grande parte da sociedade deve pensar, acredito eu. Só que não adianta só ficar pensando e, cansado de assistir aos problemas se repetindo, dizer que a culpa é dos políticos. A gente precisa fazer alguma coisa. Ser cidadão não é apenas morar em uma cidade e aceitar as coisas ruins sem reclamar, se acomodando e se conformando. A gente pode – e deve – cobrar de quem está no comando.

Talvez uma pessoa sozinha não consiga fazer nada, mas eu tenho certeza de que já somos muitos neste país que querem melhorar a educação. Para mim isso é possível, e, se você está lendo isto, tomara que também ache possível, porque, quanto mais pessoas fizerem alguma coisa, mais rápido a gente muda a situação. A gente sentiu isso quando se juntou nas manifestações nas ruas do Brasil. Você não gostou de ver a força de todos juntos? Eu gostei.

Com o Diário de Classe e com todo o apoio que recebo, não tenho mais vergonha nem medo de ver absurdos e não fazer nada. Eu vou, fotografo e divulgo. E eu não preciso de nada além de um celular e de um computador com acesso à internet. Claro, a gente precisa de coragem para vencer as dificuldades, pois elas existem, mas, se formos muitos, um apoia o outro. Não é simples? Então por que você não faz alguma coisa também? É tão boa a sensação de força, e os resultados são tão bons e positivos! Por que a gente não se junta para mudar a educação deste país?

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A “camisa 10″ do Brasil por 11 estilistas

Lilian Pacce, no MSN

O Salão Brazil S/A traz uma exposição que ocorre paralelamente ao Salão Internacional do Móvel de Milão, evento mais importante da área de design. Pra edição desse ano, a mostra “Camisa 10: moda & futebol“ reúne 11 estilistas brasileiros que, usando a Copa do Mundo como tema, expõem a “camisa 10” de forma reinventada e customizada.

Entre os estilistas escolhidos pelo TS Studio, que faz a curadoria da mostra, estão Lucas Magalhães, Patrícia Bonaldi, Camila Faria da Vivaz, Gina Guerra da Gig, Patrícia Motta, Tetê Rezende, Alessa, Helen Rödel, Julian Gallasch da Dudalina, Renan Serrano da Trendt e Thomaz Azulay.

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O Brazil S/A, em Milão, apresenta a mostra “Camisa 10: moda & futebol” com o trabalho de 11 estilistas brasileiros

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Cada estilista deu a sua interpretação pra camisa 10! Essa é a feita pela Camila Faria, da Vivaz

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A de Tetê Rezende é amarela e tem rede que sobrepõe a camisa

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A camisa da Blue Man tem cara tropical!

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Com palmeiras… (mais…)

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‘Desvalorização’ do parto normal torna o Brasil líder mundial de cesáreas

Brasil é líder de cesáreas; no parto normal, bebê vai direto para o colo da mãe (foto: BBC)
Brasil é líder de cesáreas; no parto normal, bebê vai direto para o colo da mãe (foto: BBC)

Publicado por BBC Brasil [via Folha de S.Paulo]

Quando a fotógrafa Daniela Toviansky, de 35 anos, ficou grávida, passou a frequentar aulas de hidroginástica com outras gestantes em estágios próximos de gravidez. Ela lembra que, entre uma aula e outra, todas manifestavam um desejo em comum: ter filhos por parto normal. “Todas acabaram fazendo cesárea”, conta Daniela, que se tornou a exceção. Seu bebê, Sebastião, nasceu após 40 semanas de gestação e da forma como ela queria.

O que aconteceu com as colegas da fotógrafa é uma amostra fiel da situação vivida por muitas grávidas no Brasil hoje, especialmente entre as classes mais altas, em um processo que muitos especialistas vêm chamando de “a indústria da cesárea brasileira”.

Com 52% dos partos feitos por cesarianas – enquanto o índice recomendado pela OMS é de 15% -, o Brasil é o país recordista desse tipo de parto no mundo. Na rede privada, o índice sobe para 83%, chegando a mais de 90% em algumas maternidades. A intervenção deixou de ser um recurso para salvar vidas e passou, na prática, a ser regra.

Um caso extremo chamou a atenção há três semanas, quando a gaúcha Adelir Lemos de Goes, uma mãe de 29 anos de Torres (RS), foi obrigada por liminar da Justiça a ter seu bebê por cesárea. Ela foi levada à força ao hospital quando já estava em trabalho de parto, provocando debates acalorados sobre até onde a mãe o poder de decisão sobre o próprio parto.

O caso também levou centenas de pessoas a saírem às ruas, em cidades do Brasil e do exterior, para protestar na última sexta-feira. A manifestação foi batizada de “Somos Todas Adelir – Meu Corpo, Minhas Regras.”

Mas por que e desde quando o Brasil começou a mergulhar nesta verdadeira epidemia de cesáreas? Falhas profundas na regulamentação do sistema de saúde do país e uma lógica perversa na gestão de profissionais e obstetras que, por questões financeiras, acabaram perdendo o hábito de fazer partos normais são algumas das causas, agravadas principalmente pela falta de informação que cerca o assunto.

DESINFORMAÇÃO

Uma pesquisa feita pela Fiocruz (“Trajetória das mulheres na definição pelo parto cesáreo”) acompanhou 437 mães que deram à luz no Rio, na saúde suplementar. No início do pré-natal, 70% delas não tinham a cesárea como preferência. Mas 90% acabaram tendo seus filhos e filha assim – em 92% dos casos, a cirurgia foi realizada antes de a mulher entrar em trabalho de parto.

O levantamento dá a medida de que, em algum estágio dos nove meses de gestação, algo fez a mulher mudar de ideia. As pesquisas da Fiocruz mostram a “baixa informação recebida pelas mulheres em relação às vantagens e desvantagens dos diferentes tipos de parto e a baixa participação do médico como fonte desta informação”.

O estudo e os profissionais de saúde ouvidos pela BBC apontam que as grávidas, de todas as classes sociais, estão longe de estarem bem informadas.

Poucas mães e futuras mães sabem, por exemplo, que as cesáreas aumentam o risco de um bebê nascer prematuro (com menos de 37 semanas de gestação). Isso porque muitos partos são marcados para essa idade gestacional e, como há possibilidade de erro de até uma semana, o bebê pode ser ainda mais novo. A esmagadora maioria destas intervenções não é feita de forma emergencial, mas, sim, programada.

Além de ser a causa de mais da metade das mortes de crianças no país, a prematuridade pode trazer uma série de riscos para o bebê, especialmente doenças respiratórias e dificuldade de mamar. Eles também não se beneficiam do fato de entrar em contato com hormônios benéficos, liberados apenas em certos estágios do trabalho de parto.

No Brasil, 15 milhões dos bebês nascidos em 2010 eram prematuros, o equivalente a 11,7%, segundo uma pesquisa conjunta feita pelo governo e o Unicef. O índice, que coloca o Brasil na décima posição entre os países com mais prematuridade, é mais alto nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste – justamente as que têm mais cesarianas, o que pode indicar uma relação entre os dois fatores.

Além disso, a falta de informação no pré-natal faz com que não haja espaço para esclarecimentos de como a mulher pode lidar com a dor ou outros aspectos, como o que exatamente vai acontecer no parto e como se preparar.

“Muitas vezes, o médico não explica questões sexuais para a grávida, por exemplo”, conta Etelvino Trindade, presidente da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). “Então elas vão se informar com a vizinha, a avó, a prima… e elas sempre têm uma história sobre o parto normal, seja ela escabrosa ou apenas mentirosa. É bastante arraigada a noção de que o parto normal vai deixar a mulher ‘larga’ e, assim, sexualmente inadequada. A cesárea é uma alternativa à esse medo. Mas isso acontece porque há um tabu em se falar sobre esses temas e porque hoje o médico é muito técnico. É um curador, não um cuidador.”

FALHAS NO SISTEMA DE SAÚDE

Segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil, a “indústria da cesárea” começou a se formar há 40 anos. “A epidemia de cesarianas começa na década de 70, quando ela começou a ser vendida como solução (de cirurgia única) para a esterilização definitiva, a laqueadura das trompas”, explica a obstetriz Ana Cristina Duarte, uma das principais vozes do movimento de humanização do parto no país.

O ginecologista Etelvino Trindade, presidente da Febrasgo, acrescenta outro fator ocorrido naquela época, decorrente da criação de instâncias do INPS (Instituto Nacional de Previdência Social), que passaram a determinar que um médico só recebia se participasse efetivamente do parto.

“Até então, o bebê nascia com a obstetriz e o obstetra supervisionava, entrava se houvesse alguma intercorrência, como acontece em países europeus até hoje”, diz Trindade. “Mas as regras mudaram e ele passou a precisar estar sempre na sala de parto (para receber). E, assim, o quadro começou a mudar.”

Já na década de 80, segundo Ana Cristina, acontece a dicotomização das taxas de cesárea diferenciadas no setor público e privado. “É nessa década que as taxas do setor público aumentam um pouco, porém a do setor privado salta para níveis alarmantes. Nas décadas seguintes, cada vez mais brasileiros têm aderido ao setor privado, fazendo as taxas globais brasileiras saltarem para os níveis atuais.”

Braulio Zorzella, ginecologista defensor do parto normal e pesquisador da área, diz que “a grande vilã, o carro-chefe dos culpados, é a ANS”. A Agência Nacional de Saúde é a reguladora dos planos de saúde do Brasil.

Segundo ele, quando a agência hierarquizou os procedimentos, acabou chancelando uma tabela já em vigor que remunerava de maneira discutível o parto – regras mantidas até hoje.

“Todos os valores foram sendo achatados e, em um determinado momento, não valia mais a pena para um médico fazer parto normal, financeiramente falando.”

Apesar de na rede pública o obstetra ganhar um pouco a mais pela cesárea e, na privada, um pouco a mais pelo parto normal, a diferença de valores é mínima. Ou seja, um profissional recebe quase a mesma coisa para fazer uma cesárea, que dura cerca de 3 horas, e um parto normal, que pode muito bem passar das 12 horas.

“Se você paga R$600 por um parto [na rede privada], o médico prefere fazer uma cesárea e ganhar quase o mesmo do que passar a noite trabalhando”, diz Renato Sá, ginecologista e obstetra, Vice-Presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Estado do Rio de Janeiro (Sgorj).

Para Ana Cristina, o cenário faz com que a cesariana marcada com antecedência seja mais vantajosa, por conta da imprevisibilidade do parto normal. “[Com a cesárea marcada], não só o médico não perde tempo, como ele também não precisa desmarcar compromissos, consultas no consultórios, viagens, etc”.

Questionada duas vezes pela BBC sobre as pequenas diferenças pagas aos médicos em partos normais e cesarianas, a ANS respondeu que “recentemente, ocorreram diversos avanços na política do setor no que diz respeito a esse tema, como, por exemplo, a criação do Comitê de Incentivo às Boas Práticas entre Operadoras e Prestadores.” (mais…)

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As mentiras que eles (e elas) mais contam

Pesquisa mostra quais são as falsidades que costumam embalar os relacionamentos amorosos dos brasileiros

CONQUISTA O dançarino Euler Consolli Gabarita no ranking de mentiras: costuma dizer quase todas
CONQUISTA
O dançarino Euler Consolli Gabarita no ranking de mentiras:
costuma dizer quase todas

Raul Montenegro, na IstoÉ

Numa sexta-feira de 2012, a então universitária Joana Santos, hoje com 23 anos, recebeu do namorado a notícia de que os dois não poderiam se ver naquela noite. “Ele falou que tinha uma coisa séria para resolver. Eu adorei, porque aí poderia cair na balada”, diz a jovem, que trabalha na área de recursos humanos de uma empresa de telefonia. Horas depois, Joana deu de cara com o parceiro na porta de uma festa. “Comecei a brigar e soltei a minha mentira: disse que fui até lá porque me alertaram sobre a escapada dele”, lembra, rindo. Festeira assumida, Joana costuma mentir para os namorados quando quer sair. “Já disse, por exemplo, que ia a um velório. Uma boa opção para justificar a cara de quem passou a noite inteira acordada”, afirma a jovem, sem um pingo de arrependimento.

ESTRATÉGIA Joana Santos nunca diz que mora na periferia, e também já inventou velórios para ir a festas
ESTRATÉGIA
Joana Santos nunca diz que mora na periferia,
e também já inventou velórios para ir a festas

Quem passou por um relacionamento, certamente, já contou e ouviu uma mentira, inocente ou não. Baseado nessa constatação, um dos maiores sites de relacionamentos do País, o Par Perfeito, fez uma pesquisa com milhares de homens e mulheres para descobrir quais as falsidades mais proferidas entre os casais. A partir daí, estabeleceu um ranking com as campeãs de audiência. Entre as mais ditas por elas, a liderança fica com o local de residência. De acordo com o levantamento, 33% delas já enganaram alguém a respeito disso. Joana faz parte dessa estatística. “Sempre minto onde moro. Tenho medo de falar porque homem é meio psicopata. Também sinto vergonha do meu bairro, porque aqui é periferia”, diz ela, que mora no Jardim Ângela, zona sul da capital paulista. Para o psiquiatra especialista em sexualidade Jairo Bouer, essa inverdade serve para as pessoas esconderem quem são e tentarem se preservar fisicamente e emocionalmente. “É uma questão de segurança e também insegurança”, afirma.

FINAL FELIZ Mais novo, engenheiro Raphael Lages mentiu a idade para a companheira - e, graças a isso, se casou com ela
FINAL FELIZ
Mais novo, engenheiro Raphael Lages mentiu a idade
para a companheira – e, graças a isso, se casou com ela

Inventar que não está comprometido é a campeã entre os homens – 24% já usaram esse artifício para se aproximar de uma pretendente. Solteirão convicto, o professor de dança Euler Consoli, 37 anos, de Osasco, na Grande São Paulo, lembra que usou a história cerca de oito vezes em seu último e mais duradouro relacionamento – que acabou há uma década e durou pouco menos de um ano. “Eu não era a pessoa mais fiel do mundo. Mentia que não estava namorando porque é chato dizer a verdade”, diz. Ele prefere não falar em mentiras, mas em “omissões”. Consoli costuma omitir, por exemplo, que fica com amigas em comum, um de seus esportes de conquista prediletos. Mas sua inverdade preferida é sobre o número de aniversários festejados. “A maioria das pessoas diz que eu não aparento a minha idade. Então, sempre pergunto quantos anos a menina acha que eu tenho. A resposta dada sempre será a correta.” Inverdades sobre o tempo de vida ganham a medalha de prata entre mulheres e homens: 30% delas e 23% deles já disseram ser mais novos ou mais velhos do que realmente são.

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O engenheiro Raphael Lages, que trabalha no setor de defesa de uma multinacional brasileira, tinha 21 anos quando conheceu a médica anestesista Alessandra Bittencourt, então com 24. “Não acho uma grande diferença, mas meus amigos começaram a fazer piadas dizendo que eu era muito novo. Por causa desse terrorismo, chegamos à conclusão de que eu teria de mentir minha idade”, afirma Lages. Foram mais de três meses de deboche dos conhecidos. “Eles se divertiam perguntando quantos anos eu tinha na frente dela.” Quando Raphael não aguentou mais esconder e contou, sua então namorada admitiu que o teria dispensado caso soubesse a verdade desde o início. “Graças àquela mentira nós estamos casados, morando na França, e nossa primeira filha, Beatriz, acaba de nascer.”

Segundo estudiosos, inverdades sobre idade e local de moradia são realmente mais fáceis de serem contornadas. Outras, nem tanto. “Se entendemos que aquilo tem mais a ver com as emoções do mentiroso do que conosco, substituímos por pena, compaixão e compreensão. Mas, até passar a raiva, ninguém consegue perdoar”, diz Sergio Senna Pires, doutor em psicologia pela Universidade de Brasília (UnB). Para especialistas, as lorotas acontecem mais no começo dos relacionamentos. “Nessa fase, você quer vender um peixe que não é realmente”, afirma Bouer. Na internet, isso normalmente é potencializado. “Já frequentei muitos sites de namoro na minha adolescência. Lá, eu inventava tudo”, revela Joana. Estudiosos veem a mentira como um lubrificante social, mas alertam para exageros. “Ela entra na nossa vida pela porta dos fundos.”

dica da Karen Souza

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Relatório e guia sobre tráfico de pessoas são lançados em São Paulo

Baixe a versão digital do relatório “Tráfico de pessoas na imprensa brasileira” e do “Guia para jornalistas com referências e informações”

Juliana Armed, Carlos Bezerra Jr., Fernanda dos Anjos, Leonardo Sakamoto, Larissa Beltrami e Gilberto Duarte na mesa de abertura do evento. (foto: Stefano Wrobleski)
Juliana Armed, Carlos Bezerra Jr., Fernanda dos Anjos, Leonardo Sakamoto, Larissa Beltrami e Gilberto Duarte na mesa de abertura do evento. (foto: Stefano Wrobleski)

Daniel Santini, no Repórter Brasil

A Repórter Brasil apresentou na manhã desta sexta-feira, dia 11, duas publicações sobre tráfico de pessoas, desenvolvidas com apoio do Ministério da Justiça e do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). Trata-se de um relatório sobre a cobertura da imprensa e um guia para jornalistas com referências e informações sobre o enfrentamento ao problema. O lançamento foi realizado nesta manhã durante evento realizado no Auditório da Secretaria de Justiça e da Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo, que fica no Pateo do Collegio, no Centro de São Paulo, durante evento que reuniu alguns dos principais especialistas do Brasil sobre o tema.Tráfico-de-Pessoas-publicações

O relatório “Tráfico de pessoas na imprensa brasileira” (versão digital em PDF) teve como base a análise de 655 textos publicados entre 1º de janeiro de 2006, ano de lançamento da Política Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas, e 1º de julho de 2013, ano do II Plano Nacional de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas. O estudo indica que o tema ainda não recebe atenção suficiente por parte da mídia. Em 57% dos textos analisados, o tráfico de pessoas é apenas mencionado, não raro de forma equivocada, misturando conceitos e interpretações. Entre os 43% restantes, a maioria (54%) não trata de causas ou contextualiza a questão e boa parte (44%) é focada apenas no tráfico para fins de exploração sexual.  A cobertura se baseia na agenda governamental ou em ações policiais e em muitos casos limita-se a aspectos criminais, sem os aprofundamentos necessários para tratar de um fenômeno complexo, multifacetado e dinâmico, com diferentes modalidades, causas e consequências.

O “Guia para jornalistas com referências e informações sobre enfrentamento ao tráfico de pessoas” (versão digital em PDF), baseado em entrevistas com mais de 20 especialistas, entre autoridades, acadêmicos e representantes da sociedade civil, reúne recomendações para a cobertura e acompanhamento, incluindo sugestões de fontes, datas importantes e o marco legal, com indicações da legislação e de tratados internacionais ratificados pelo Brasil. A publicação elucida que as definições previstas no Protocolo de Palermo são as mais amplas sobre o problema e destaca que o o Brasil é um país de origem, trânsito e destino de tráfico de pessoas, o que torna a cobertura complexa, delicada e relevante. Aos jornalistas preocupados em acompanhar a questão, o guia recomenda focar direitos humanos, contextualizar acompanhar políticas de prevenção, diversificar fontes, a ter atenção para identificar novas modalidades de tráfico.

Por se tratar de um fenômeno clandestino e de difícil mensuração, a publicação sugere cuidado com números e estatísticas, e com os mitos e estereótipos que ainda são comuns e mais atrapalham do que ajudam no entendimento sobre o tema. Mais do que reforçar a ideia de que o tráfico hoje se limita a redes criminosas internacionais e atinge apenas mulheres, a publicação propõe uma abordagem integral, e destaca que não existe um perfil único de vítimas; em tese, qualquer pessoa pode ser traficada. Ao aprofundar a questão é preciso sensibilidade com vítimas, que não devem ser tratadas como coitadas, inocentes, ignorantes, mas como sujeitos de direitos que merecem respeito. Também vale cuidado redobrado em casos que envolvem crianças e adolescentes, e estar atento a termos inadequados (o guia traz diversos exemplos). Outras recomendações são ter a perspectiva de gênero e lembrar que diferenças sexuais são produtoras de desigualdades sociais; entender migração como um direito humano; e considerar que a prostituição não é crime no Brasil.  Há análises específicas sobre cada um desses pontos na reportagem.

Os trabalhos de pesquisa foram encabeçados pelas jornalistas Raiana Ribeiro e Fernanda Sucupira, com edição de Leonardo Sakamoto, Daniel Santini e Igor Ojeda. A diagramação é de Gustavo Monteiro. Participaram do evento de lançamento Carlos Bezerra Jr, deputado estadual, criador da Lei Paulista de Combate ao Trabalho Escravo; Fernanda dos Anjos, diretora de Justiça, Classificação, Títulos e Qualificação da Secretaria Nacional de Justiça do Ministério da Justiça; José Guerra, secretário executivo da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo; Juliana Armed, da Comissão Estadual pela Erradicação do Trabalho Escravo de São Paulo (Coetrae-SP) e do Núcleo de Enfrentamento ao Tráfico Humano do Estado de São Paulo; Larissa Beltrami, secretária-executiva da Secretaria Municipal de Direitos Humanos; Leonardo Sakamoto, coordenador da Repórter Brasil; Luiz Machado, coordenador do projeto de combate ao trabalho escravo da Organização Internacional do Trabalho- OIT; Maurício Hashizume, jornalista, membro da Repórter Brasil; Nívio Nascimento, oficial de campanhas da UNODC; Renato Bignami, membro do programa de erradicação do trabalho escravo da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego em São Paulo;  e Roque Pattussi, coordenador do Centro de Apoio ao Migrante.

Clique nas imagens para baixar a versão digital em PDF das publicações apresentadas: 

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