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Sobre a natureza da retórica

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Publicado por Sóstenes Lima

Todo brasileiro é contra corrupção e contra a baixa qualidade dos serviços públicos em geral. Todos querem protestar contra isso. Todos querem escrever um cartaz no qual conste alguma mensagem contra a corrupção. Mas esse parece não ser o melhor caminho para se exigir um Brasil melhor.

Corremos risco de transformar os protestos em meros porta-vozes da agenda da revista Veja, o que seria um erro terrível, incontornável. Reivindicações vagas e vazias do tipo “Chega de corrupção”, “Quero uma educação melhor”, “Quero hospital, não estádio”, “Muda Brasil” tendem a favorecer ainda mais os grupos conservadores, que contam com o apoio irrestrito da grande-mídia-burra.

Essa besta, a grande-mídia-burra, tentará de todas as formas canalizar (ou canibalizar?) politicamente nossa honesta e valiosa revolta contra o que o Brasil é para os seus próprios interesses. Tentará transformar vilões fascistas (e oportunistas) em mocinhos salvadores da pátria.

Não permitamos que isso aconteça; não permitamos que os protestos sejam sorrateiramente pautados. Caso a grande-mídia-burra consiga emplacar a pauta das reivindicações, já sabemos o que virá depois. A história nos mostra que todo golpe midiático tem um preço. Alguém se lembra das eleições presidenciais de 1989? A fatura foi alta.

É por essa razão que os protestos devem continuar com pautas pontuais e específicas, como se deu no início. Reduzir a tarifa do transporte público é algo que pode ser feito com ações políticas pontuais. Agora, me diz o que pode ser feito se a reivindicação é “Quero um Brasil melhor”?

Devemos protestar contra a PEC 37, contra a atual legislação eleitoral (exigindo mudanças pontuais), contra as alíquotas do Imposto de Renda, contra a eleição de Marco Feliciano ao cargo de presidente da comissão de direitos humanos, entre tantos outros exemplos. São questões específicas como essas que nos movem em direção a questões mais abrangentes, como “Um Brasil melhor”, “Um Brasil sem corrupção”, “Um Brasil com educação de qualidade” etc., e não o contrário.

Para quem acha que não existem questões pontuais pelas quais vale a pena protestar, aqui vão duas sugestões, especialmente para quem mora em Goiás:

Protesto contra a alíquota de ICMS na conta de luz, que em nosso Estado é de 29%. Isso mesmo, 29%. Isso é ou não é aviltante? Isso merece ou não merece uma boa manifestação?

Protesto contra sucateamento da UEG, que está em greve há mais de 40 dias e sem qualquer resposta consistente do governador de Goiás.

Muda-se um País, um Estado, uma Cidade exigindo ações específicas, concretas. Exigências gerais e vagas costumam resultar em respostas igualmente gerais e vagas. Uma pergunta geral e sem foco abre espaço para uma resposta retoricamente impecável, mas completamente vazia. É da natureza da retórica ser geral e vaga.

Seria interessante ver, nas próximas manifestações, diversos cartazes com os seguintes dizeres:

“EU QUERO UMA CONTA DE LUZ COM ICMS ZERADO”.

“GOVERNADOR, EU QUERO FIM DA GREVE NA UEG. ISSO SÓ DEPENDE DE VOCÊ”.

O gigante acordou: Latino ameaça compor música-tema para a reforma política brasileira

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Via You Pix

Olha lá o que aconteceu: depois de uma semana turbulenta de protestos, violência, balas de borracha e depredação, Latino saiu de seu silêncio e resolveu botar ordem na casa. E como? Da forma que ele sabe melhor: fazendo uma música a respeito. É sério e temos como provar:

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Mas calma! Ele já avisou ali em cima que esta música não será versão de música alguma (viu!!!), ele mesmo vai compor no fim de semana (MEDO). E ainda avisou que é uma canção “sem compromisso”, bem como dizem os artistas mambembes quando te oferecem pra olhar uma pulseirinha de durepox. Ou seja, você não precisa se envolver com o movimento do “L”. Ninguém vai te julgar se você não se manifestar a favor dessa causa, prometemos.

O cantor foi rápido em cumprir sua promessa. Aqui está a canção de protesto: http://www.kboing.com.br/latino/1-1154630/

Atualização: a música divulgada pelo cantor já havia sido lançada em 2012 como tema para a Copa de 2014, no DVD “Live in Copacabana”. Informação do G1

Inglaterra se oferece para a Copa de 2014

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Publicado no Brasil 247

A Fifa, comandada por Joseph Blatter, tem uma carta na manga, caso o Brasil se mostre incapaz de garantir padrões mínimos de segurança para as seleções internacionais e seus torcedores. A Inglaterra, que tentou ser sede da Copa de 2018, e perdeu a disputa para a Rússia, se ofereceu como “plano B” para o Mundial de 2014. A proposta foi feita a Blatter, que, dias atrás, antes de sair prematuramente do Brasil, antes do fim da Copa das Confederações, lembrou que não foi a Fifa quem pediu ao Brasil para realizar a Copa – mas exatamente o contrário.

As imagens de violência e depredação de espaços públicos que se espalham pelo mundo, com ataques a prefeituras, ao Congresso, ao Itamaraty e cerco até ao Palácio do Planalto, correm o mundo, sinalizando um poder acuado e incapaz de responder aos desafios do momento – numa primeira reação, a presidente Dilma Rousseff convocou, para as 9h desta sexta-feira, uma reunião de emergência com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

A proposta da Inglaterra, que é tratada confidencialmente, pode ganhar força se novas cenas de violência comprometerem o sucesso da Copa das Confederações. Até agora, já houve vários incidentes, como a tentativa de cerco ao Castelão, em Fortaleza, onde o Brasil enfrentou o México, os furtos à seleção espanhola, no hotel do Recife, e a depredação de um ônibus da seleção brasileira, em Salvador, ontem à noite. A situação é tão grave que a Fifa já ameaçou suspender a etapa final da Copa das Confederações.

Perder a Copa, no entanto, depois de gastos de R$ 30 bilhões gastos na construção das arenas e em outros investimentos para o torneio, teria impacto devastador no mundo político. Seria uma demonstração de fracasso coletivo do Brasil como nação. Mais grave ainda seria a transferência para a Inglaterra, cuja imprensa tem feito campanha sistemática contra a condução da política econômica no País.

O risco é real. E cabe à presidente Dilma evitar que se materialize.

Fifa ameaça cancelar a Copa das Confederações

Policiais atiram contra os manifestantes durante confronto em Salvador, próximo à Arena Fonte Nova (foto: Fernando Llano/AP)

Policiais atiram contra os manifestantes durante confronto em Salvador, próximo à Arena Fonte Nova (foto: Fernando Llano/AP)

Vinícius Segalla, no UOL

A Fifa deu um ultimato ao governo brasileiro: ou as autoridades nacionais garantem a segurança da Copa das Confederações, dos jogadores, comitivas e membros da imprensa internacional que estão no Brasil, ou irá cancelar a realização do evento.

O UOL Esporte apurou que a cúpula da entidade que controla o futebol mundial levou à presidente Dilma Rousseff o seguinte recado: se mais algum membro da Fifa, das seleções que participam da Copa das Confederações ou da imprensa internacional sofrer algum tipo de violência advinda dos protestos que tomaram conta do país, a Copa das Confederações será cancelada.

Oficialmente, a entidade e o Comitê Organizador Local negam qualquer tipo de reclamação ao Governo Brasileiro ou a possibilidade de suspensão da Copa das Confederações. A área de comunicação ligada à Presidência afirma desconhecer o assunto.

Também em virtude desta situação, a presidente da República marcou uma reunião ministerial de emergência para a manhã desta sexta-feira. Um dos objetivos do encontro é encontrar subsídios para convencer a Fifa de que é possível realizar os torneios mundiais no país em segurança.

Delegações já pedem cancelamento

Um dos motivos para que Fifa e Governo comecem a discutir medidas drásticas em relação aos eventos esportivos é o clima de insegurança que passou, a partir desta quinta-feira, a atingir as delegações que estão participando da Copa das Confederações. Os problemas mais graves ocorreram em Salvador.

Nas manifestações realizadas na capital baiana, após confrontos com a polícia nos arredores da Fonte Nova, o protesto migrou para a região do hotel onde membros da Fifa estão hospedados. Alguns manifestantes jogaram pedras sobre dois ônibus oficiais da entidade. Houve também uma tentativa de invasão ao hotel, contida pelo Batalhão de Choque.

A violência já causou uma mudança oficial de comportamento na Fifa. Desde a última quinta-feira, todos os membros da entidade devem ir e voltar juntos ao estádio, sempre com escolta da polícia, independentemente do horário de trabalho dos profissionais.

Além disso, Juca Kfouri, blogueiro do UOL, informou que uma das seleções já teria manifestado a intenção de deixar o Brasil, em razão da insegurança. Segundo ele, “uma delegação, que a Fifa não quer mencionar, mas cujos jogadores trouxeram famílias, está pressionando seu comando para ir embora. Eles dizem que não querem jogar futebol em uma praça de guerra”. Essa seleção seria a Itália, ainda de acordo com Kfouri. Oficialmente, a delegação italiana nega a reclamação.

Órgãos de segurança já discutem como conter violência

Na última quinta-feira, a Abin (Agência Brasileira de Inteligência), o Exército Brasileiro e a Secretaria Extraordinária para Grandes Eventos (subordinada ao Ministério da Justiça) debateram o assunto em duas reuniões, em Brasília e Belo Horizonte.

Na capital mineira, a reunião aconteceu na Sala de Situação e Gerenciamento de Crises e Grandes Eventos, no Centro Integrado de Comando e Controle (CICC), que centraliza informações e operações de segurança durante a Copa das Confederações.

De acordo com o coronel Messeder, chefe de comunicação da 4ª Região do Exército Brasileiro, há 1.600 homens prontos para agir em Minas Gerais para garantir a segurança do Estado durante o evento. “Basta que o governador Antonio Anastasia solicite. Estamos prontos”, diz o capitão.

Lei da Copa prevê Fifa indenizada pelo governo

Caso a medida extrema seja adotada e a Fifa, realmente, cancele o evento, a Lei Geral da Copa prevê que o Governo Brasileiro pague eventuais prejuízos da entidade. O capítulo V da Lei, sancionada em 2012, fala sobre o assunto.

O artigo 22 diz que “A União responderá pelos danos que causar, por ação ou omissão, à FIFA, seus representantes legais, empregados ou consultores”. O artigo 23 fala que “A União assumirá os efeitos da responsabilidade civil perante a FIFA, seus representantes legais, empregados ou consultores por todo e qualquer dano resultante ou que tenha surgido em função de qualquer incidente ou acidente de segurança relacionado aos Eventos, exceto se e na medida em que a FIFA ou a vítima houver concorrido para a ocorrência do dano”.

Além da agressão aos ônibus da delegação de Salvador, a entidade internacional já está lidando, há alguns dias, direta ou indiretamente, com problemas graves decorridos dos protestos. No Rio de Janeiro, a Fifa blindou o centro de distribuição de ingressos. Placas da Copa das Confederações foram destruídas no centro da cidade e, durante um evento paralelo aos jogos, na Avenida Presidente Vargas, tendas foram depredadas.

Patrocinadores da Copa também viraram alvo dos manifestantes. Em São Paulo, um painel da Coca-Cola, que ficava na Avenida Paulista, foi queimado durante um dos protestos. No Rio, a loja da marca ao lado do Maracanã foi fechada, com medo de depredação.

* Com colaboração de Daniel Tozzi Ricardo Perrone e Rodrigo Mattos.

dica do Sidnei Carvalho de Souza