“O Brasil vai passar vergonha”, diz Rivaldo sobre a Copa do Mundo

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Publicado no no UOL

Com a autoridade de quem já ganhou um mundial pelo Brasil em 2002, o meia-atacante Rivaldo, do Mogi Mirim, falou sobre a preparação do país para a Copa do Mundo de 2014. E o veterano não tem previsões nada otimistas.

“Nós já sabíamos que isso aconteceria, mas não quero mais dar minha opinião sobre isso. Falei outras vezes que o Brasil não tem condições de fazer a Copa do Mundo. Vai ser difícil, o Brasil vai passar vergonha”, declarou para a rádio Jovem Pan após a goleada sofrida pelo seu time contra o São Paulo, por 4 a 0, pela segunda rodada do Paulistão.

Não é a primeira vez que Rivaldo manifesta uma opinião contrária à realização de mais uma edição da Copa do Mundo no Brasil. O meia-atacante já havia criticado o Mundial-2014 em junho do ano passado, época que os protestos se intensificaram na realização da Copa das Confederações.

“É uma vergonha estar gastando tanto dinheiro para esta Copa do Mundo e deixar os hospitais e escolas em condições precárias”, falou Rivaldo na época, assumidamente em tom de desabafo.

“Precisava desabafar, pois já fui pobre e senti na pele a dificuldade de estudar em escola pública e não ter um bom serviço de saúde”, justificou.

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Morar no Brasil é ‘sonho’ internacional

País está entre os 12 mais cobiçados para se mudar em pesquisa feita com 65 e foi citado em dois terços das nacionalidades estudadas

Lucas de Abreu Maia e Rodrigo Burgarelli no Estadão

O Brasil é um dos 12 países mais cobiçados para se morar, segundo uma série de pesquisas feitas em 65 nações pelo WIN – coletivo dos principais institutos de pesquisa do mundo – e tabulada pelo Estadão Dados. O crescimento econômico na última década, aliado à boa imagem cultural do País no exterior, fizeram com que o Brasil fosse citado como destino dos sonhos por moradores de dois em cada três países onde foi feito o estudo.

Bruna Almeida/Estadão Brasil é o único da América Latina, o único Bric e a única nação ocidental em desenvolvimento
Bruna Almeida/Estadão
Brasil é o único da América Latina, o único Bric e a única nação ocidental em desenvolvimento

Na lista dos destinos mais cobiçados por quem não está feliz na terra natal, o Brasil é o único da América Latina, o único Bric (grupo formado por Brasil, Rússia, China e Índia) e a única nação ocidental em desenvolvimento. As pesquisas foram feitas no fim do ano passado e ouviram mais de 66 mil pessoas ao redor do globo. Elas foram questionadas se gostariam de morar no exterior se, hipoteticamente, não tivessem problemas como mudanças ou vistos e qual local elas escolheriam. Por isso, os resultados dizem mais sobre a imagem dos destinos mencionados do que com imigrantes em potencial.

Se esse desejo virasse realidade, o Brasil receberia em torno de 78 milhões de imigrantes nesse cenário hipotético. Mas, em um mundo sem fronteiras, a população do País diminuiria – 94 milhões de brasileiros se mudariam para outras nações, se pudessem. Ainda assim, 53% dos brasileiros não desejam emigrar, porcentual acima da media mundial.

Quem mais tem vontade de vir para o Brasil são os argentinos: 6% se mudariam para cá se tivessem a chance. O Brasil também está entre os cinco mais cobiçados por peruanos e mexicanos. Mas não são apenas latinos que gostariam de viver aqui. Os portugueses acham o Brasil mais atrativo do que a Alemanha, os italianos o preferem à França, os australianos o consideram o segundo país mais desejável, os libaneses o colocam em posição tão alta quanto a Suíça e até no longínquo Azerbaijão o Brasil aparece entre os quatro destinos mais sonhados, na frente até dos Estados Unidos.

Liderança. Os EUA são, previsivelmente, o destino mais desejado por quem quer imigrar no mundo. O ranking segue com outros países ricos, como Canadá, Austrália e nações da Europa ocidental. Quebram a hegemonia das grandes potências apenas Brasil, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos – os dois últimos, não por acaso, países de renda alta por causa do petróleo e destino desejado principalmente por muçulmanos. De todos esses países, o único que não tem histórico recente de imigração considerável é justamente o Brasil.

Para Alberto Pfeifer, professor de Relações Internacionais da Universidade de São Paulo (USP), os entrevistados possivelmente deram respostas utópicas. “Em um mundo em que não houver barreiras, lógico que muita gente gostaria de morar na zona sul do Rio.” Ainda assim, ele defende que o crescimento econômico dos anos 2000 foi crucial para “colocar o País no mapa da imigração”.

A diplomata Liliam Chagas de Moura estuda o chamado “soft power” brasileiro – a capacidade de um país de exercer influência por meio de sua cultura e hábitos políticos. “Temos uma cultura diversa e riquíssima, somos uma democracia e somos reconhecidos em nossa política externa por ser um país pacífico”, diz, acrescentando que essas características definem a “marca Brasil” no exterior. “Já morei em diversos países e, ao nos apresentarmos como brasileiros, recebemos uma empatia imediata.”

Foi essa empatia que atraiu a portuguesa Sara Mendonça, de 26 anos. Ela é gerente de marcas e se identificou com o País ao fazer intercâmbio no Rio. Há seis meses, ela se mudou definitivamente para Campinas.

“No momento, aqui tem muito mais oportunidades do que a Europa. Ganha-se melhor”, diz Sara, que antes morava na Espanha. Ela conta que perdeu um pouco da qualidade de vida, mas pensa em ficar alguns anos mais. “Não penso em ficar para sempre. Quero ficar até a situação na Europa melhorar ou a do Brasil piorar.”

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Os filhos da classe C mudarão a cara do Brasil

55% dos jovens brasileiros são filhos da internet, menos conservadores e menos religiosos que seus pais. Também representam uma força eleitoral decisiva

Manifestantes durante protesto em Brasília, em junho de 2013. / Evaristo Sá (AFP)
Manifestantes durante protesto em Brasília, em junho de 2013. / Evaristo Sá (AFP)

Juan Arias, no El País

A classe C é hoje protagonista na sociedade brasileira. São 40 milhões que, saídos da pobreza, constituíram um estrato que está influenciando na própria identidade do país. Os filhos dessas famílias constituídas pelos trabalhadores de mais baixo nível profissional, em sua maioria analfabetos ou quase, são uma novidade tão importante que, segundo Renato Meirelles, diretor do Instituto Data Popular, podem chegar a “mudar a cara do Brasil”.

Ao contrário de seus pais, que não estudaram, estes jovens já frequentam a escola e sabem mais do que eles. Querem, além disso, continuar sua formação para poder dar um salto social. Serão adultos muito diferentes de seus progenitores, segundo o perfil apresentado no estudo Geração C, feito pelo Data Popular, sobre esses 23 milhões de jovens entre 18 e 30 anos, que recebem salários de até 1.020 reais por mês, e representam 55% dos brasileiros dessa idade.

Esses jovens são os novos formadores de opinião dentro de suas famílias: estão muito mais informados do que seus pais, são menos conservadores do que eles (sobretudo em questões sexuais e religiosas) e começam a ter uma grande força eleitoral.

De fato, são os setores políticos e religiosos os que estão mais preocupados e interessados em saber por onde se movem esses milhões de jovens que dentro de uns anos serão fundamentais para determinar os rumos do país.

Uma pequena mostra da inquietude desses jovens — que contrasta com certa resignação atávica de seus pais, que se entregavam passivamente às mãos do Estado benfeitor – foi sua atitude nos protestos de junho passado. Muitos desses jovens que cunharam slogans criativos e subversivos provinham da periferia das grandes cidades e são filhos dessa classe C que já exigem mais do que os pais. São também os filhos da internet, da comunicação global e têm ideias próprias sobre a política e a sociedade.

Em alguns casos são eles que estão ajudando seus pais (sobretudo as mães, com pouco ou nenhum estudo) a usar o computador para que possam ter uma conta no Facebook ou enviar e-mails aos amigos.

Um fenômeno novo é que os pais desses jovens, com um salário melhor do que tinham quando viviam na pobreza, estão muitas vezes se sacrificando para que a filha, por exemplo, faça um curso de alguma coisa e “não tenha que limpar casas a vida toda”, ou para que o filho não precise ser “peão de obra” como seu pai, e sim técnico de internet e, se possível, médico ou advogado. De fato, muitos dos filhos já estão ganhando mais do que seus pais como empregados no mundo do comércio, na administração de empresas ou empreendendo seu pequeno negócio, como um salão de cabeleireiro ou uma pequena loja.

Esses jovens logo serão maioria no Brasil, e a eles terão de prestar contas o mundo político, o econômico e até o religioso. Segundo muitos estudos em andamento, esses jovens já pensam de forma diferente dos seus pais, são mais críticos com o poder e mais exigentes com as ações do governo. No campo religioso, eles também representam uma grande interrogação que começa a preocupar as diferentes religiões, sobretudo a Igreja Católica e as evangélicas. Segundo André Singer, um dos analistas mais agudos da sociedade brasileira, os pais dessa classe C pertenciam em 90% às igrejas evangélicas nas quais hoje se encontra fundamentalmente o universo mais pobre do país, enquanto a Igreja Católica tem maior influência entre as classes mais cultas e com renda maior.

No que crerão esses jovens? Essa é uma das incógnitas, objeto de estudo e preocupação do mundo religioso. Houve 35.000 respostas diferentes à pergunta feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).

O que começa a parecer, de momento, é que muitos deles já estão desertando das igrejas evangélicas, cujos ensinamentos consideram conservadores demais. Em alguns casos, convenceram também os pais a deixar de frequentarem ditos templos.

Os católicos se beneficiarão desse distanciamento? Parece que não, já que os católicos, que constituíam 90% da população, estão perdendo fiéis a cada ano. Até ontem, para os evangélicos. A partir de agora, é difícil de profetizar.

As primeiras sondagens apontam que esses rapazes se inclinam mais em direção a uma “religiosidade sem Igreja”; a uma “secularização latente” que se afasta cada vez mais das igrejas tradicionais, tanto a católica como a evangélica. Continuam acreditando em Deus, como seus pais, mas rejeitam com mais facilidade as instituições religiosas oficiais.

Esses jovens são pós-industriais, pós-guerra fria; filhos dos movimentos ambientalistas, da cultura líquida e do processo imparável de secularização. São os que forjarão a identidade do Brasil no futuro imediato. Ou melhor, já estão forjando, embora, para muitos, isso ainda passe despercebido. E começam a ser maioria.

dica da Judith Almeida

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As 10 profissões que estarão em alta no Brasil em 2014

As áreas de marketing e infraestrutura são os principais destaques

Silvia Balieiro na Época Negócios

Carreira: marketing e infraestrutura em alta (Foto: Shutterstock)
Carreira: marketing e infraestrutura em alta (Foto: Shutterstock)

Este ano promete. Teremos carnaval no mês de março, Copa do Mundo em junho e eleições em outubro. Todos esses eventos mexerão bastante com a agenda das empresas. “Este conjunto de questões atrapalha qualquer previsão sobre como será o ano e assusta um pouco”, diz João Nunes, diretor da Michael Page, empresa de recrutamento de altos executivos.

Mas mesmo com as incertezas, é fato que as empresas precisarão buscar novas estratégias para garantir o crescimento, já que 2013 não foi um ano de grandes resultados. Será preciso ganhar posicionamento sem aumentar muito os investimentos. Em outras palavras, as companhias precisarão dar um tiro certeiro em vez de atirar para todos os lados e aguardar o retorno.

É aí que aparece a necessidade de um profissional capaz de analisar uma grande quantidade de dados, o chamado Big Data. “As empresas precisarão de uma pessoa com viés analítico, que consiga entender o padrão de consumo do brasileiro, para tomar atitudes certas e ganhar mercado”, diz Nunes.

Com o aumento do comércio eletrônico e do uso das redes sociais, as empresas demandarão cada vez mais desenvolver o marketing digital e precisarão de um profissional com habilidades nesse segmento.

Também ganharão importância carreiras ligadas a áreas de infraestrutura. “Ano de eleição aquece o mercado de obras e isso aumentará a demanda por engenheiros de orçamento e engenheiros de segurança”, afirma o diretor da Michael Page.

Confira abaixo as dez profissões que estarão em alta este ano e o porquê de elas terem uma demanda aquecida.

Profissão Motivos para a alta demanda
1 Marketing Digital Não há mais dúvidas que o digital é uma realidade dentro do mercado e que as empresas estão cada vez mais vendo a importância de possuir um foco nisto.
Devido à conectividade e a maior presença dos consumidores no ambiente online, é possível hoje mapear e focar a comunicação no seu público-alvo. Com isso, a tendência é fugir dos meios massificados, tendo além de um saving de budget, um posicionamento muito mais assertivo junto ao target.
2 Go to market ou Planejamento Comercial 2013 foi um ano muito apertado para a indústria de bens de consumo e as projeções para 2014 são de um mercado muito mais competitivo e com uma margem de lucro cada vez menor para conseguir ganhar posicionamento, isso inevitavelmente desenvolve a necessidade de criarem cadeiras com foco mais estratégico nas ações das áreas comerciais e cadeiras com viés analítico que acompanham a implementação dessas estratégias diretamente no ponto de venda.
3 Marketing e Vendas Gerente de Acesso Público / Privado – Mudança no perfil e tipo de fonte pagadora, cada vez mais governo, hospitais e operadoras embasam suas decisões em necessidades especificas e em nos conceitos de Healtheconomics, é fundamental que os fornecedores estejam preparados para entender e atender as demandas destes mercados.
4 Engenheiro de orçamento Necessidade de maior controle sobre o retorno financeiro das obras (margens menores) e a uma expectativa de maior volume de obras de infraestrutura.
5 Geocientistas (geofísico, geólogos) Expectativa da indústria de petróleo ter um melhor ano em 2014.
6 Engenheiros de Segurança do Trabalho Maior preocupação das empresas e sociedade sobre a saúde do trabalho e expectativa de maior volume de obras de infraestrutura.
7 Atuário Expectativa de crescimento devido ao bom momento do mercado de seguros e resseguros em 2013.
8 Cientista de dados (formação em ciência da computação ou análise de sistemas) Estará em alta devido às oportunidades do aumento da aplicação das tecnologias do big data, conceito fundamental no armazenamento de dados e maior velocidades dos sistemas.
9 Direito/Ciências Contábeis Devido à complexidade fiscal brasileira que continuará demandando posições com essa formação. O perfil exige excelente base técnica fiscal e destaque para os que possuem boa visão de negócios.
10 Engenharia/Economia Profissional comum em posições de modelagem financeira e viabilidade de novos negócios/projetos (mercado de infraestrutura deverá estar aquecido).
Executivo com excelente visão analítica, base financeira e visão holística.
Fonte: Michael Page

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Removidos pela Copa fazem Natal diferente em Pernambuco

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Publicado no Terra

Nesta segunda-feira, a partir das 19h, nos escombros de casas demolidas para construção do Ramal da Copa, nas proximidades do Terminal Integrado da cidade da Região Metropolitana do Recife, removidos pelas obras da Copa do Mundo que receberam ou não suas indenizações prometem se reunir para um Natal diferente. A festa reunirá famílias que moravam no Loteamento São Francisco (Camaragibe) e em outras comunidades atingidas pela Arena Pernambuco e por obras de mobilidade que estão sendo construídas para o Mundial de 2014 em Pernambuco.

No Estado, mais de 2.000 famílias foram ou serão removidas por obras do Mundial de 2014. Além dos removidos em Camaragibe, onde 129 residências estão sendo demolidas para as obras do Terminal Integrado da cidade e do Ramal da Copa, devem participar também representantes de outras comunidades como Cosme e Damião, São Lourenço da Mata e do Coque.

No Brasil, entre 170 mil e 250 mil pessoas estão sendo obrigadas a sair de suas casas para dar espaço a obras realizadas para o Mundial de 2014, segundo estudo da Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa. No Loteamento São Francisco, em Camaragibe, apesar de estarem confraternizando, as famílias fazem questão de lembrar que as insatisfações são muitas, só que diante de tantas mudanças alguns querem se despedir do seu bairro, outros abraçar os amigos/vizinhos e ainda assim fazer um ato para contar o sofrimento principalmente de quem já foi removido e corre o risco de passar o fim de ano sem receber suas indenizações.

Na última terça-feira, famílias do Loteamento São Francisco queimaram pneus para chamar a atenção do Governo do Estado. O poder público diz ter feito audiências públicas, explica que as famílias não receberam por não ter conseguido vencer a burocracia para comprovar a posse, mas em recente visita ao Estado a relatora da ONU para o Direito à Moradia, Raquel Rolnik, chegou a afirmar que a Copa do Mundo cria dezenas de sem teto a poucos quilômetros da Arena Pernambuco.

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