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Tim vence licitação e será fornecedora exclusiva de celulares para presídios

foto: Última Notícia

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Caio Miranda Krawczuk e Vinícius Antunes, impagavelmente no Sensacionalista

Depois de um polêmico processo de licitação, a empresa italiana ganhou exclusividade no fornecimento de celulares para presídios de todo o Brasil. O Governo Federal declarou que a escolha foi estratégica e que, a partir de agora, poderá economizar em aparelhos que bloqueavam chamadas de dentro dos presídios:  “Os celulares não têm sinal, não será necessário os bloqueadores de chamadas. Assim a gente engana a bandidagem. E ainda deixamos bem claro que aqui não poderá ter nada de Tim Liberty”

Porém a decisão ainda gera muitas controvérsias: defensores dos Direitos Humanos dizem que ninguém deveria ser punido tentando usar a TIM para fazer uma ligação, nem presos de alta periculosidade. Vitoriosa, a TIM pensa em lançar uma nova campanha de marketing e assim como a Claro tem o Ronaldo, ela pensa em contratar o goleiro Bruno como garoto propaganda.

ps: ao contrário da ~notícia~, a foto é de verdade. veja aqui.

“O Brasil andou para trás nos últimos 30 anos”, diz Marcelo Tas

Marcelo Tas e Fernando Meirelles falam sobre Ernesto Varela para a revista "Trip" (foto: Daniel Malva/Divulgação/Revista Trip)

Marcelo Tas e Fernando Meirelles falam sobre Ernesto Varela para a revista “Trip” (foto: Daniel Malva/Divulgação/Revista Trip)

Publicado originalmente no F5

Marcelo Tas, 53, ficou conhecido na televisão com seu personagem Ernesto Varela, um repórter fictício que ironizava personalidades e fazia perguntas desconcertantes, 30 anos atrás.

Atualmente no ar à frente da bancada do programa “CQC”, o apresentador acha que o país regrediu nesse período.

“Fui pouco processado como Varela e hoje eu sou muito mais por causa do ‘CQC’. Os processos hoje são por razões muito mais ridículas. Nesse sentido, o Brasil andou para trás nos últimos 30 anos”, refletiu Marcelo em entrevista para a revista “Trip”.

O diretor Fernando Meirelles, também criador de Ernesto Varela, diz que eles eram mais ousados antigamente.

“Na época do Varela, a gente chutava a canela sem medo. Éramos sempre respeitosos, nunca xingamos ninguém, mas era possível ser contundente e não tinha nenhum advogado ligando no dia seguinte. Hoje é tudo mais cerceado. Se tivesse que pagar todos os direitos autorais, a gente não teria feito nada”

Marcelo Tas vê no humor uma forma de reflexão: “A gente tem que perceber que todos nós somos seres humanos precários, fingindo que não somos mais macacos. O humor é o momento em que você ri dessa precariedade. E nós temos que estar abertos para isso: rir dos outros e de nós mesmos.”

Costa brasileira pode abrigar continente submerso

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publicado na INFO

Rio de Janeiro – Uma expedição inédita ao fundo do Atlântico Sul descobriu rochas continentais em uma montanha submersa que era tida como de origem vulcânica, o que abre a possibilidade de haver um continente submerso a cerca de 1.500 quilômetros do litoral brasileiro, informaram nesta segunda-feira cientistas do Brasil e Japão.

A expedição, a primeira realizada em águas profundas do Atlântico Sul com a ajuda do único submarino tripulado do mundo capaz de descer a até 6.500 metros de profundidade, recolheu amostras de rocha na montanha submersa conhecida como Elevação do Rio Grande.

“A Elevação do Rio Grande sempre foi considerada uma montanha submersa de origem vulcânica semelhante às que há em frente à costa da África, mas vimos agora que suas rochas não são vulcânicas mas continentais”, afirmou o presidente da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) do Brasil, Roberto Ventura, em entrevista à imprensa no Rio de Janeiro.

“É como se um continente tivesse afundado na época em que a América do Sul se separou da África. Não sei o que isso envolve juridicamente, mas do ponto de vista cientista e técnico, encontrar um continente perdido é uma grande novidade”, acrescentou.

Segundo os geólogos, como consequência de movimentos tectônicos, uma massa de terra pode ter afundado durante a separação da chamada Pangeia, como era conhecida a gigantesca massa continental que existiu no final da era Paleozoica e cuja divisão formou os continentes hoje conhecidos.

A expedição oceânica foi fruto de uma associação entre Japão e Brasil e contou com a participação de um geólogo da CPRM, que pôde realizar uma viagem de oito horas no submarino, até uma profundidade de 4.200 metros, no qual viu as rochas continentais e recolheu amostras.

As sete viagens até agora realizadas ao Atlântico Sul a bordo do minisubmarino japonês Shinkai 6.500, com capacidade para três tripulantes (dois pilotos e um cientista) e equipado com braços mecânicos e câmeras de alta resolução, permitiram observar pela primeira vez as costas da Elevação do Rio Grande.

Trata-se do mais importante complexo de montanhas submersas no Atlântico Sul, com alturas que chegam a 3.200 metros desde o leito do oceano e que, juridicamente em águas internacionais, separa a margem continental brasileira das grandes profundidades oceânicas.

Ventura anunciou que a CPRM lançará ainda este ano uma licitação para selecionar uma empresa de perfuração que possa coletar mais amostras de rochas na Elevação do Rio Grande que confirmem sua possível origem continental, assim como o potencial mineral na região.

A montanha submersa foi inspecionada como parte da expedição Iata-Piuna, realizada a bordo do navio de pesquisa oceanográfica japonês Yokosuka, que reúne cientistas do Brasil e Japão, e cujo objetivo é explorar a margem continental brasileira e a parte adjacente do oceano, incluindo a Elevação do Rio Grande e o Dorsal de São Paulo.

A expedição faz parte de um projeto ainda maior, batizado de “Busca pelos Limites da Vida” (Quelle 2013) e com o qual a Agência Japonesa de Ciência e Tecnologia da Terra e do Mar (Jamstec) se propõe a explorar em 2013 parte dos ambientes mais profundos de todo o mundo, principalmente no hemisfério sul.

A embarcação japonesa já passou pela zona central do Oceano Índico e, após sua expedição pelo Atlântico Sul, se dirigirá ao Mar do Caribe e ao Oceano Pacífico na região de Tonga.

Na viagem pelo Atlântico Sul, que começou em 13 de abril e se estenderá até 27 de maio, foram convidados quatro cientistas brasileiros, assim como um geólogo da CPRM e outro da Petrobras.

Site da “Agência Nacional de Autorregulação da Internet” entra no ar e sobram dúvidas

Esta semana finalmente entrou no ar o site de uma instituição que vem causando muita curiosidade da internet: a ANARNET, Agência Nacional da Autorregulação da Internet. 

foto: internet

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Publicado no You Pix

Esta semana finalmente entrou no ar o site de uma instituição que vem causando muita curiosidade da internet: a ANARNET, Agência Nacional da Autorregulação da Internet. Infelizmente, pouca coisa foi explicada. Pior, o pouco que foi revelado só gerou mais dúvidas.

Há duas semanas, notícias sobre essa “agência” renderam muitas opiniões negativas, de desconfiança e suspeita. Repercutiu bastante a crítica de que a ANARNET #NãoNosRepresenta. Quem pegou mais leve disse que ela até era uma boa ideia, mas que parecia ambiciosa e poderia se perder na pretensão. Em uma pesquisa olhada em quase duas mil pessoas no Twitter, não encontrei ninguém batendo palmas.

Mas o que afinal de contas será essa ANARNET? Com o site oficial, era de se esperar que fossem dadas algumas respostas. Só que não.

O primeiro problema surge com o nome. Agência reguladora é um conceito de direito administrativo bem específico. No Brasil, todas agências foram criadas por lei e compõem o Estado. Daí que soa bem mal usar esse nome para uma associação privada.

A impressão é de uma usurpação marota (“se colar, colou”) ou de um total desconhecimento (“foi mal, não sabia”). Com boa vontade, pode-se até admitir que seria um caso de criatividade brasileira, de quem quer ajudar o país a resolver pela sociedade um problema que o governo está patinando para enfrentar com o Marco Civil da Internet.

Mas aí vem outro problema: quem é a ~sociedade~ que vai “autorregular” a internet?
Sim, porque a ~rede mundial de computadores~ não vai se autorregular. Regulação é para as pessoas que usam a Internet. E como são muitos os usos possíveis, as tretas são inevitáveis. A ideia da ANARNET seria resolver esses debates ali mesmo entre os envolvidos, sem recorrer ao Estado, sem leis, sem decisões judiciais.

Para isso ela iria produzir normas de autorregulamentação, que “poderão se materializar em contratos, convênios, eventos e parcerias” (XVIII) e que elas “vincularão apenas seus associados e aderentes” (XII). Quem é que vai produzir? Os associados, pelos associados e para os associados.

Então, se apenas associados precisam seguir as normas da ANARNET, e precisa pagar para participar, qual seria então a utilidade de se filiar a ANARNET, seja uma empresa ou uma pessoa? Permitir que, agindo como o CONAR, ela possa remover meus vídeos? Com que poder, se não está ligada ao Estado? Vai ter sanção econômica?

Está dito também que essas normas internas não representarão “qualquer direito de responsabilização civil ou criminal” (XIV). Como assim, Bial?! E se uma parceria entre associados violar direitos de um consumidor não associado? Não vale reclamar na Justiça? Pois a ANARNET se declara “imune a qualquer interferência estatal”. De novo: como assim!? Como ela pode se dizer IMUNE ao Estado? Se tiver desvio de verba, a polícia não poderia agir? Se houve uma lei sobre o assunto, ela não se aplica? Um decisão judicial não valeria?

Parece picuinha, mas se é pra confiar, não dá pra deixar passar barato. Ainda mais se o projeto é promover e executar a “regulação de todas as áreas e extensões em que a internet se operacionaliza”. Lendo assim, parece que eles vão cuidar até de regular o tamanho padrão dos rage faces. Desculpe, mas “todas as áreas” são muitas áreas quando o assunto é internet. E na verdade, o que não falta são autoridades para lidar com a regulação da web: CGI, ICANN, W3C, ITU. Onde entra a ANARNET nessa sopa (opa!) de letrinhas?

Fato é que o site está no ar. A missão e a visão que eles assumem parecem inofensivas e fazem algum sentido. Mas tem muito tempo que eu aprendi a não confiar em site em que não tem NENHUM NOME de pessoa física. A seção “quem somos” não diz quem eles são. A página da Diretoria não revela os diretores. O mesmo para o conselho superior e o conselho fiscal.

A conclusão é que tudo que sei sobre a ANARNET continua suspeito demais e secreto demais para merecer confiança. Se fosse um email na minha caixa de entrada, ia ficar junto com os convites para aumentar meu pênis e ajudar banqueiro nigeriano.

Lobão e João Barone: roqueiros historiadores

Lobão e João Barone lançam livros em que revisam a história do Brasil. Será que eles têm credenciais para isso?

Luís Antônio Giron, na Época

Qualquer pessoa pode escreve o que quiser da forma que puder. Não me 42109234espanta que dois dos mais representativos músicos do rock brasileiro dos anos 80 estejam lançando livros. E que os livros tratem de momentos da história do Brasil. São eles João Barone, baterista da banda Paralamas do Sucesso, e o cantor e compositor Lobão. Barone lança 1942 – O Brasil e sua guerra quase desconhecida (Nova Fronteira, 288 páginas, R$ 35,90), um compêndio que conta a história e analisa a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial. Lobão envereda pelo ensaísmo cultural em Manifesto do nada na Terra do Nunca (Nova Fronteira, 248 páginas, R$ 39,90). Os dois chegaram à maturidade, estão com 50 anos, e agora podem tentar uma segunda carreira, ainda que tardia, na área cultural. Devem estar cansados de fazer as músicas de sempre. Conseguirão?

Minha dúvida é se Lobão e Barone possuem de fato credenciais para tratar dos respectivos assuntos a que se dedicam. Estarão eles cultural e intelectualmente preparados para isso? Entre os avatares do passado tropicalista, Caetano Veloso realizou o sonho de ser crítico cultural, lançou um ensaio importante – Verdade tropical – e ganhou um coluna semanal no jornal O Globo. Ora, virar intelectual é possível. Até mesmo os roqueiros coetâneos de Barone e Lobão já partiram para a literatura. É o caso de Tony Bellotto, que redige romances policiais de relativo êxito há mais de uma década. Bellotto tem pelo menos o consolo de ser um escritor péssimo, mas não pior do que sua atuação como integrante da banda Titãs. Contrariamente a Bellotto, Barone e Lobão são músicos de boa qualidade. O problema é que a comparação entre suas obras musicais e suas empreitadas analíticas pode ser desvantajosa para estas últimas.

Examinemos a obra “reflexiva” dos dois. Barone tornou-se fanático em Segunda Guerra Mundial por devoção ao tema e amor ao pai, que foi pracinha. Lobão dedica-se a praticar a difícil arte de polemizar a qualquer custo – e tem obtido sucesso em brigar com Deus e o mundo.

Barone revela-se dócil, domesticado. Ele se debruça sobre a participação dos pracinhas com interesse. Mas não se sai bem, já que não tira todas as consequências da pesquisa que realizou. Entre suas teses, a mais curiosa é a que afirma que cidadãos nascidos no Brasil lutaram dos dois lados da Guerra.. Mas ele não vai fundo. Em um tom de enciclopédia estudantil, passeia pelos fatos, arrola dados, apresenta caixas com informações pitorescas. E não sai disso. Conclui seu estudo afirmando que os pracinhas, “caboclos brasileiros”, foram bravos e deixaram boas lembranças entre a população do Sul da Itália. Uma conclusão sem graça. Sua obra é a de um louco louco pelo assunto. O livro poderia ter sido sobre a saga da bateria, o instrumento que Barone conhece como poucos. Talvez tivesse sido mais útil – e menos divertido para ele.

42110391Lobão merece atenção mais demorada pela pretensão e a destemperança que exibe. Adota o tom apocalíptico desde o prólogo versificado. O início parece promissor. Com a intenção de “mergulhar na alma do brasileiro”, define o Brasil como “pocilga” e manifesta o seu ódio à intelligentsia nacional. Em seguida, porém, descamba. Ao modo de um velho polemista à direita de Átila, o Huno – Olavo de Carvalho -, Lobão exala todo seu rancor para fenômenos como o da música popular brasleira dos anos 60 e 70. Diz ele que Gonzaguinha é, ao lado de Edu Lobo, “uma das figuras mais insuportáveis da nossa MPB. Talvez o ser mais emblematicamente MPBístico que já habitou este país, músicas politicamente engajadas, uma certa alteridade sexual e alguns sambões maníaco-depressivos. Música para se ouvir comendo linguiça com cachaça”. Os brasileiros não passam de “um bando de frouxos”.

A única coisa interessante produzida no Brasil, segundo Lobão, foi o modernismo, e, ainda assim, “terminou por se fixar como a doutrina dominante”. O ponto máximo do livor é o diálogo que ele trava com o escritor Oswald de Andrade (1890-1954), por quem ele nutre “carinho e admiração”, a fim de entender por que ele foi banido e “por que a gente é assim”. O diálogo resultante só podia ser de surdos egocêntricos: Oswald vomita seus manifestos para Lobão revomitá-los com constatações do tipo: “você ficaria apavorado ao testemunhar a asfixia intelectual, cultural e ideológica, o ufanismo vagabundo, descabido e paralisante, a morte da complexidade, da vontade, da ousadia, da excelência, da memória em detrimento do simplório”. Em Lobão, não há análise, apenas erupções de ódio com o Brasil No final, Lobão convida Oswald para beber no centro de São Paulo. Assim, Lobão nos presenteia com mais uma manifestação de frouxidão intelectual. Ele tem punch, mas não argumentos. Lamento muito. Teria dado um ótimo polemista.

Ainda que Barone e Lobão pareçam ter preparo intelectual para qualquer tipo de reflexão, nem um nem outro se mostra intérprete confiável dos universos que aborda. Eles são a prova de que envelhecer não traz sabedoria nem prudência a ninguém. Em vez de oferecer uma interpretação sobre o passado brasileiro, apresentam não mais que preconceitos e esboços mal delineados de ideias ligeiras sobre os assuntos. Por isso, vale fazer uma última pergunta: por que editoras de grande porte estão lançando esses títulos, ao mesmo tempo que refugam obras fundamentais de história ou romances importantes?

A resposta é pueril: as editoras creem que a mera menção de nomes de ídolos do rock é capaz de vender livros. E pode ser que os livros da dupla vendam como sucessos do iTunes. É menos pelo conteúdo das obras do que pelo sucesso popular de seus autores. Ou seja, Lobão e Barone poderiam se dedicar tanto a publicar livros como a vender cebolas, ou tomates, com suas marcas. Fariam sucesso de qualquer maneira.

Barone e Lobão me surpreenderam, embora negativamente. Cada um à sua maneira, mostram fragilidade e falta de formação. O fato de ser famosos credenciou-os a publicar suas obras. No entanto, não possuem pré-requisitos mínimos para lançar ensaios estéticos e historiográficos nem para se arvorar em intérpretes do Brasil. Barone é um historiador ruim. Lobão prega no vazio, o que o desautoriza como o autor controverso que gostaria de ser. Os dois produziram textos amadores. Agiram como fãs – logo eles que têm tantos fãs e não precisam passar para o lado de lá e muito menos cometer pecadilhos literários. Não se trata de menosprezar um e outro, e sim de reclamar da leviandade dos editores. Para usar o chavão, o leitor é que perde – o leitor desavisado, bem entendido.