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Copa: Brasil bem na foto na visão dos estrangeiros

Pessimismo que predominava na imprensa mundial é substituído pelo brilho da festa

Nas ruas. Multidão comemora gol do Brasil no jogo contra a seleção de Camarões, em frente ao telão da Fifa Fan Fest na Avenida Atlântica, em Copacabana: jornais estrangeiros passaram a considerar um sucesso a Copa no Brasil (foto: Gustavo Stephan)

Nas ruas. Multidão comemora gol do Brasil no jogo contra a seleção de Camarões, em frente ao telão da Fifa Fan Fest na Avenida Atlântica, em Copacabana: jornais estrangeiros passaram a considerar um sucesso a Copa no Brasil (foto: Gustavo Stephan)

Publicado em O Globo

Quando faltava um mês para o início da Copa do Mundo, a revista alemã “Der Spiegel” publicou uma edição que trazia na capa uma Brazuca pegando fogo e cruzando o céu da Baía de Guanabara. Era um alerta explícito sobre os riscos que rondavam o Mundial. Dali em diante, muitas outras publicações — nacionais e internacionais — adotaram a mesma linha pessimista, apontando falhas em estádios, aeroportos e esquemas de segurança.

Agora, duas semanas após o início da competição, o tom mudou. Do pequeno “El Nuevo Día”, jornal que circula na província venezuelana de Falcón, ao gigante “The New York Times”, todos parecem convencidos do sucesso da Copa no Brasil. As matérias sobre problemas deram espaço à cobertura de uma verdadeira festa, exibindo provas de que o país do futebol está realmente sendo capaz de sediar o maior evento esportivo do mundo.

Nas 12 cidades-sede, o clima é de comemoração. Tanto os jornalistas quanto os turistas que nelas estão dão depoimentos nesse sentido, nos textos que seguem abaixo.

A convite do GLOBO, cientistas políticos e sociólogos analisaram o momento. Felipe Borba, professor da Universidade do Rio (UniRio) e pesquisador do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp/Uerj), confirma a sensação de que os medos e as dificuldades alardeados ficaram para trás.

— Não tivemos caos nos aeroportos, os estádios ficaram prontos, os turistas vieram e estão demonstrando satisfação com os serviços. Sequer as manifestações se repetiram — destaca ele. — Os problemas que existem, como falta de comida nos estádios e filas, são culpa da Fifa, que administra esses lugares e é responsável por esses serviços.

Borba ressalta que “é claro” que a mobilidade urbana poderia ser melhor, que o vaivém dos estádios “nem sempre é ideal”, mas não sente que isso tenha comprometido a organização da Copa do Mundo.

Cláudio Couto, professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, diz que o que o país presencia, agora, é a sensação de que o pessimismo em torno do evento foi “exagerado”:

— Ele não se realizou, e essa percepção gerou alívio, sentimento que resulta nesse clima mais relaxado e festivo que se vê agora.

Para Couto, já circula até mesmo um “sentimento de gratificação pelo que foi feito”:

— Sempre há problemas em eventos dessa magnitude, mas parece que a Copa terá um saldo positivo para o país.

BELO HORIZONTE

‘É uma gente amável, hospitaleira e alegre’

Jornalistas e torcedores estrangeiros estão satisfeitos com Belo Horizonte. Apresentador da CN23, em Buenos Aires, Pablo Alonso se diz admirado com a receptividade do brasileiro.

— É uma gente muito amável, hospitaleira e alegre — afirmou Alonso, que só não aprovou os preços cobrados no Mineirão. — Paguei R$ 600 pelo ingresso. Lá , a cerveja custa R$ 10 e o refrigerante, R$ 8. A festa da Fifa é para quem tem dinheiro.

Os torcedores belgas Marc e Stephan Peerans ficaram três dias na capital mineira.

— Antes de vir pra cá, recebemos vários alertas para tomar cuidado com assaltos e violência. Mas até agora está tudo maravilhoso. As pessoas são muito atenciosas e educadas — disse Marc.

Já para Álvaro Ceciliano, da Costa Rica, o maior destaque da cidade foi a organização:

— Consegui me locomover sem problema.

BRASÍLIA

‘O ambiente é maravilhoso, o país para na hora dos jogos’

A capital cujo traçado não privilegia pedestres ganhou um “calçadão” na Copa. Na rota do estádio Mané Garrincha, um shopping center e a praça de alimentação da Torre de TV, atração turística da cidade, viraram ponto de encontro antes e depois dos jogos.

Foi assim anteontem, quando a seleção brasileira goleou a de Camarões. O estudante de engenharia colombiano Mario Rojas recorreu à “arquibancada” dentro do shopping para ver o jogo:

— O ambiente daqui é maravilhoso, porque o país inteiro para na hora dos jogos.

O shopping tornou-se destino até de quem não planejou fazer uma parada técnica lá antes de ir para o Mané Garrincha. Um grupo de paulistas aceitou carona de um brasiliense que ia para o shopping.

— Hospitalidade nota mil dos brasilienses. Se não fosse ele, estaríamos agora debaixo do sol na porta do estádio — afirmou a paulista Maria Inês Moane.

CURITIBA

‘Mundial do Brasil está melhor do que a última Eurocopa’

Há alguns dias, o jornalista venezuelano Oscar Gonzales enviou ao pequeno “El Nuevo Día” uma reportagem em que se mostrava surpreso com a organização da Copa do Brasil.

— Só se falava em violência, em atrasos nas obras, em problemas e protestos. O que vi em São Paulo, Porto Alegre e aqui em Curitiba é uma festa muito alegre e bem organizada.

Vestido de toureiro, o espanhol Pablo Hernandes curte o campeonato ao lado dos amigos Juan Hochorán e Miguel Ibañez, e os três afirmam que o Mundial está “melhor do que a última Eurocopa”, realizada em 2012 por Polônia e Ucrânia.

— Não há estádios inacabados, ruas de terra em volta dos estádios, como na Polônia. Está muito diferente do que ouvíamos na Espanha —– diz Hernandes.

— Fui à Copa de 2006, na Alemanha. É claro que o transporte lá é melhor. Mas a organização do Mundial está excelente. Há um cuidado muito grande com o torcedor — completou Ibañez.

SALVADOR E CUIABÁ

‘Extraordinárias, as pessoas ajudam muito os visitantes’

O Brasil não deve nada aos outros países que serviram como sede da competição. É o que afirma Simon Hart, que acompanha os jogos em Salvador para o jornal inglês “The Independent”.

— Aqui, a experiência tem sido bastante agradável. Tudo me parece organizado, funcionando bem. E a Fonte Nova é linda.

O jornalista colombiano Jorge Ceballos, que escreve de Cuiabá para um site esportivo de Cartagena, concorda:

— Está tudo absolutamente perfeito. A organização é maravilhosa, as pessoas são extraordinárias e ajudam muito os visitantes.

Mais crítico, o fotógrafo Watara Sekita, do jornal “Asahi Shimbun”, de Tóquio, disse que a organização na Copa do Japão e Coreia foi melhor.

— Furtaram a câmera de um colega meu no ônibus da imprensa, em Natal.

MANAUS

‘A organização aqui foi muito boa. As pessoas são cordiais’

Antes de chegar à capital amazonense para cobrir os quatro jogos que ocorreriam na cidade, a jornalista alemã Ulrike Weinrich, da agência de notícias Sports-Information Dienst, estava em Paris, enviando notícias sobre o elegante Aberto de Tênis de Roland Garros, na França. Em 2002, ela foi à Copa da Coreia do Sul e Japão. Diz-se experiente em eventos da Fifa. Agora, sem pestanejar muito, afirma:

— A organização aqui foi muito boa. Aqui no Brasil, as pessoas são cordiais. Não há muitos que falem inglês. Muito menos alemão, mas os brasileiros são cordiais. Tentam ajudar e realmente conseguem, porque põem o coração em tudo que fazem.

Vinda de uma nação em que o futebol também é tido como paixão nacional, Ulrike se impressionou com a forma como o esporte é encarado por aqui.

— No Brasil, futebol é uma religião — resume a jornalista.

SÃO PAULO

‘Nas manifestações, tem outros aproveitando a situação’

Jornalistas estrangeiros que estão no Brasil elogiam a simpatia do povo e a beleza natural do país, mas reclamam da sensação de insegurança, de preços altos e da “esperteza” de alguns brasileiros.

— Acho que não tem muita segurança, e há muita burocracia e preços altos — diz Reza Balapoor, da TV Irã, que passou por São Paulo, Rio, Curitiba, Belo Horizonte e Salvador.

O português Miguel Henriques, do SAPO Desporto, não se preocupou com os protestos:

— Vejo que nas manifestações tem muita gente com razão, mas outros aproveitando a situação.

Mas reclamou de problemas com o carro:

— A locadora me cobrou indevidamente um valor na fatura final, que não constava do contrato. Em Salvador, cheguei ao meu carro e tinha uma pessoa lá dentro, sentada no banco do passageiro. Não roubou nada, talvez porque eu tenha chegado a tempo.

* Participaram desta cobertura André Miranda, Carol Knoploch, Cláudio Nogueira, Cristina Tardáguila, Demétrio Weber, Ezequiel Fagundes, Gabriela Valente, Henrique Gomes Batista, Lauro Neto e Ronaldo D’Ercole.

Religiões usam samba e boy band para converter torcida em jogo do Brasil

Evangelistas carregam cartazes para tentar converter torcedores em jogo do Brasil (foto: Luiza Oliveira/UOL)

Evangelistas carregam cartazes para tentar converter torcedores em jogo do Brasil (foto: Luiza Oliveira/UOL)

Luiza Oliveira, no UOL

O jogo da seleção brasileira em Brasília não foi só palco das estrelas de Felipão que venceram Camarões por 4 a 1 e se classificaram para as oitavas de final da Copa do Mundo. O estádio Mané Garrincha também foi o local escolhido por diversas religiões para tentar converter torcedores.

Antes e durante o jogo do Brasil, o estádio e seus arredores viraram palco de diversos grupos religiosos que queriam angariar novos fiéis. Evangélicos e muçulmanos distribuíram panfletos e usavam cartazes para chamar a atenção de torcedores que iam assistir ao jogo.

As igrejas Presbiteriana e Batista, por exemplo, usaram a dança como forma de chamar a atenção. Na Feira de Artesanato ao lado da arena, uma ‘boy band’ chamada King’s Kids dançava ao ritmo da música gospel ao lado de uma caixa de som poderosa.

“Tivemos tempo para ensaiar”, disse o missionário Rodrigo Fraga Silva. Segundo ele, a intenção era levar os ensinamentos de Jesus para as pessoas, e nada melhor que um lugar com gente do mundo inteiro para passar a mensagem. Bem preparados, eles tinham até um material de divulgação em diversas línguas como português, espanhol, inglês e francês.

“Viemos falar do amor de Deus através dessas mensagens. É uma concentração boa de pessoas, ninguém está aqui de passagem. Algumas pessoas param, especialmente os estrangeiros que se interessam mais pela cultura”, disse.

A receptividade foi considerada boa, mas apenas entre os gringos. “Os estrangeiros são mais interessados. Os brasileiros só querem saber de farra e de tomar cerveja”, lamentou Laura Vieira.

Logo ao lado do grupo de dança, estavam os missionários da Igreja Batista Filadélfia. Eles conversavam com todas as pessoas que passavam e seguravam cartazes com os dizeres: “Quer Jesus na sua vida? Pergunte-me como” e “Salvation for Free”.

“Queremos evangelizar. Aqui tem uma grande aglomeração de pessoas e quanto mais gente, maiores as chances. Queremos falar de Jesus e converter as pessoas. Ainda não conseguimos ninguém, mas acreditamos que podemos plantar ao menos uma semente”, disse a evangelista Lívia Amorim.

Quem usou o mesmo discurso foram os evangélicos de Formosa-GO. Para conseguir converter os torcedores, eles foram para a porta do estádio com um grupo de pandeiro que chamava a atenção. Com o ritmo afinado, cantavam: “Rei, rei, rei, Jesus é nosso rei”. “Nós viemos falar da palavra do senhor, viemos evangelizar o nome do senhor Jesus”, afirmou uma das integrantes.

foto: Luiza Oliveira/UOL

foto: Luiza Oliveira/UOL

No quesito barulho, foram vários os movimentos que se destacaram mesmo no meio de torcedores animados. Um senhor passou quase todo o primeiro tempo da partida circulando pela porta do estádio em uma bicicleta. Com a ajuda de um alto-falante, ele fez diversas orações com a Bíblia na mão e convidava todos ao redor a fazer o mesmo.

Um outro grupo de quase 30 pessoas carregava uma grande faixa com os dizeres ‘Jesus te ama’ e atraía a atenção da imprensa que fazia a cobertura da partida entre Brasil e Camarões.

Até o islamismo, religião que é seguida por uma minoria no Brasil, teve seus representantes. O muçulmano André Lara distribuiu para os torcedores um material de divulgação e um livrinho que explica um pouco mais sobre o islã. Ele disse que a intenção não era converter, mas fazer com que as pessoas aprendam um pouco mais sobre a religião e percam seus preconceitos.

“As pessoas têm uma ideia muito errada sobre o islamismo, confundem com árabes, com países da Arábia Saudita. Não pregamos que mulheres não podem dirigir, por exemplo. A minha esposa vai para a praia de biquíni e para mim tudo bem. Eu não a privo de nada. A gente quer que as pessoas conheçam um pouco mais e percam essas ideias prontas”, disse.

Projeto de Lei em Fortaleza propõe leitura obrigatória da Bíblia em Escolas Públicas e Privadas

O Vereador Mairton Felix alega que o projeto é para benefício de toda a coletividade, pois as escolas terão desta vez a melhor forma de conhecer a palavra de Deus

Ylena Luna, no JusBrasil

A notícia foi dada pelo próprio Vereador nas redes sociais:

Projeto de Lei em Fortaleza prope leitura obrigatria da Bblia em Escolas Pblicas e Privadas

A nossa Carta Magna determina:

Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais.

§ 1º – O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental.

Como supracitado, a constituição estabelece o ensino religioso como facultativo, respeitando os valores culturais e artísticos, nacionais e regionais.

Entretanto Vossa Senhoria, o Vereador Mairton Felix, tenta descaraterizar a “religiosidade” do seu Projeto de Lei invocando o Inciso VII do Artigo da Constituição Federal:

Projeto de Lei em Fortaleza prope leitura obrigatria da Bblia em Escolas Pblicas e Privadas

O Vereador alega que o Projeto de Lei 0179/2014 tem finalidade educativa e em nada contrapõe o Estado Laico:

Projeto de Lei em Fortaleza prope leitura obrigatria da Bblia em Escolas Pblicas e Privadas

Confira o Projeto de Lei 0179/2014 na íntegra

O mais impressionante é a sinceridade e o orgulho demonstrado pelo Vereador! Se o alegado na justificativa do Projeto de Lei for realmente verdade, como se explicaria o post do Vereador nas redes sociais?

Projeto de Lei em Fortaleza prope leitura obrigatria da Bblia em Escolas Pblicas e Privadas

Talvez eu esteja me precipitando no meu julgamento, entretanto deixo para vocês me dizerem se eu entendi alguma coisa errada. Não sou especialista, sou apenas uma estudante que procura estar ciente dos seus direitos e deveres.

 

Incandescentes se apagam de vez

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Publicado no Planeta Sustentável

A invenção mais famosa de Thomas Edison está com os dias contados no Brasil. Comercializada desde 1879 e utilizada até os dias atuais praticamente sem inovações, a velha lâmpada incandescente terão sua fabricação e importação proibidas a partir do dia 1º de julho em nosso país, por determinação do Governo Federal. No comércio, ainda podem ser vendidas por mais um ano, mas acredita-se que os estoques acabarão bem antes. Calcula-se que mais de 300 milhões de incandescentes são vendidas todos os anos no Brasil.

proibição já acontecia com lâmpadas de potência acima de 61 watts. Agora é a vez das mais populares, usadas para iluminar residências. com potência entre 41 e 60 watts. Assim, finalmente termina o ciclo das incandescentes no país. Estados Unidos, União Europeia e até a Argentina se livraram delas faz algum tempo.

Embora não sejam tão perigosas – sob o ponto de vista da contaminação ao meio ambiente – as lâmpadas incandescentes são extremamente ineficientes, se comparadas às fluorescentes e às de LED. De acordo com o Instituto Nacional de Eficiência Energética (Inee), somente 8% da energia elétrica gasta é transformada em luz quando se acende uma lâmpada incandescente.

O restante da energia é transformado em calor. Para efeito de comparação, uma lâmpada fluorescente tem eficiência energética de 32% e a de LED, nada menos que 60%. Então, em tempos de economia de energia as incandescentes são um desperdício altíssimo e perfeitamente evitável.

durabilidade da lâmpada incandescente também deixa a desejar se comparada às fluorescentes e de LED. Sua vida útil é de, em média, mil horas. Já a fluorescente é oito vezes mais durável. A de LED cinqüenta vezes.

Mesmo assim a incandescente já chegou a durar muito mais do que hoje. Lá pelos anos 1920 iluminavam por mais de 2 500 horas. Acontece que a ganância dos empresários deu um jeito de derrubar tanta durabilidade criando a chamada“obsolescência programada”. Os fabricantes perceberam que se cada uma delas durasse menos os consumidores teriam que comprar mais. Assim, a produção e os lucros aumentariam substancialmente.

Enfim, a partir de julho as lâmpadas incandescentes passam a ser apenas peças de museu no Brasil.

Grupo multirreligioso de juristas é criado para combater intolerância

Contra o preconceito. Durante encontro, representantes religiosos decidem pela criação de novo grupo. - Divulgação

Contra o preconceito. Durante encontro, representantes religiosos decidem pela criação de novo grupo. – Divulgação

Advogados irão agir conjuntamente em casos de denúncias de discriminação

Juliana Prado, em O Globo

RIO – Representantes de várias religiões decidiram criar um grupo de juristas para defender fieis das mais variadas matizes de casos de preconceito e intolerância. A decisão foi anunciada por integrantes de Igreja Católica, Umbanda, Candomblé, Budismo, Islamismo e Judaísmo. O grupo foi recebido num templo de candomblé, localizado no Bairro de Bonsucesso, na Zona Norte, nesta segunda-feira. A ideia surgiu depois que o juiz Eugênio Rosa, da Justiça Federal, afirmou, em sentença emitida a um pedido de liminar, que umbanda e candomblé não são religiões.

A polêmica ainda não se encerrou, já que está em andamento um processo em que a Comissão de Combate à Intolerância Religiosa e a Associação Naconal de Mídia Afro pedem a retirada da internet de 16 videos ofensivos à umbanda e ao candomblé. Na última sexta-feira, o grupo teve uma vitória parcial, depois que o desembargador Roy Reis Friede determinou, via liminar, que o Google retire o material do ar sob pena de pagamento de multa de R$ 50 mil diários. No entanto, a decisão final sobre o mérito do processo cabe ao mesmo juiz, que já negou esse pedido no início do processo.

O interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa, Ivanir dos Santos, representante do candomblé, celebrou o caráter “inédito” da criação do grupo de advogados para defender os direitos das manifestações religiosas – tenham elas o cunho que tiverem. Ele conta que a ideia surgiu de uma conversa com representantes da Igreja Católica e começou a ganhar força nas últimas semanas. O grupo também irá acompanhar o desenrolar do atual processo na Justiça Federal.

- Vamos manter a mobilização e nossa ofensiva junto ao Judiciário. Com o grupo, começaremos a monitorar outras agressões e casos de preconceito que possam surgir. Finalmente, poderemos agir de forma unida – afirma Ivanir, emendando, ainda, que a investida de se reunir juristas em torno de várias crenças é inédita “no mundo”.

A tentativa das lideranças é mais ambiciosa e terá um obstáculo pela frente: trazer para o debate sobre intolerância religiosa representantes dos evangélicos, que ainda não sinalizaram positivamente neste sentido. Alguns dos vídeos acusados de desrespeitar umbanda e candomblé – e alvos do processo judicial em curso – têm como cenário, justamente, templos neopentecostais. Ivanir dos Santos declarou que já se abriu uma porta ao diálogo com algumas lideranças, mas ainda não houve avanço em definitivo. Ele sustenta que, com a decisão liminar do desembargador, as esperanças de uma vitória final na justiça aumentam.

- Com a decisão do desembargador uma luz se acendeu. Mesmo com o processo voltando para o mesmo juiz, acreditamos que temos uma chance grande de sairmos vitoriosos. Não somos contra a liberdade de expressão, mas contra o ódio e o preconceito (que seriam expostos nos vídeos).