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Homem atira na namorada após discussão sobre série “The Walking Dead”

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publicado no Notícias Bizarras

Discussões acaloradas sobre futebol e religião já terminaram mal, mas uma briga séria envolvendo uma série de TV sobre zumbis é novidade. De acordo com a polícia do condado de Nassau, em Nova York, um morador de Long Island atirou na namorada com um rifle após um debate sobre o programa “The Walking Dead”.

A série, um dos maiores sucessos da TV no momento, é baseada nos quadrinhos criados por Robert Kirkman e conta a história de um grupo de humanos que tenta sobreviver a uma praga que transformou a maior parte da população do planeta em zumbis.

Na noite de domingo (2), Jared Gurman, 26, estava na casa da namorada (a polícia não revelou a identidade dela) assistindo à “The Walking Dead” e, segundo às autoridades, começou a falar que “um acidente militar poderia acontecer de verdade e liberar um vírus semelhante ao da série.”

A namorada desdenhou da teoria e a discussão esquentou ao ponto da mulher levar Gurman para a casa dele. Mas o homem continuou a discussão via mensagens de texto pelo celular. Preocupada com o estado dele, a namorada voltou onde o deixou às 2h30 da manhã.

Gurman recebeu a namorada de quase quatro anos com um rifle de calibre 22 nas mãos. Ela pediu para ele se acalmar e o chamou para subir para o quarto, onde poderiam conversar. Assim que ela se virou, o homem atirou em suas costas, perfurando o pulmão e estraçalhando uma costela da mulher.

O próprio atirador levou a namorada para o hospital. No local, disse às autoridades que foi um disparo acidental. Mas logo depois confessou ter atirado propositalmente. Segundo a rede de TV NBC, Gurman foi preso e a namorada está no hospital e seu estado de saúde requer cuidados.

Bufões no palco da intransigência

foto: "A Noite dos Palhaços Mudos" [via Estadão]

foto: “A Noite dos Palhaços Mudos” [via Estadão]

Ricardo Gondim

Em diferentes ocasiões me vi provocado a entrar em polêmicas; alpinistas, ansiosos por alguma controvérsia que lhes rendesse fama, me desafiaram para a briga. Lamento admitir: caí na armadilha!

Como venho de um meio religioso, povoado de intolerantes que se enxergam separados para defender a ortodoxia, não tive trégua. Senti na pele como alguns se deliciam em ridicularizar os que não se conformam aos seus dogmas. Reconheço, entretanto, que em outros ambientes a realidade é igual.

Paulo aconselhou Timóteo a não entrar em debates infrutíferos. Por que não seguir o seu conselho e aprender a desdenhar de quem desafia para o ringue do bate boca?

Deve ser este o motivo porque me deliciei com o moçambicano Mia Couto em “Estórias Abensonhadas”. A parábola dos Palhaços expõe o ridículo de algumas discussões. Mia Couto, que sobreviveu a uma guerra civil, mostra-se bom conhecedor do fundamentalismo; ele sabe o custo da intolerância. Considero o texto pertinente:

Uma vez dois palhaços se puseram a discutir. As pessoas paravam, divertidas, a vê-los.

- É o que?, perguntavam.
– Ora, são apenas dois palhaços discutindo.

Quem os podia levar a sério? Ridículos, os dois cômicos ripostavam. Os argumentos eram simples disparates, o tema era uma ninharice. E passou-se um inteiro dia.

Na manhã seguinte, os dois permaneciam, excessivos e excedendo-se. Parecia que, entre eles, se azedava a mandioca.

Na via pública, no entanto, os presentes se alegravam com a mascarada. Os bobos foram agravando insultos, em afiadas e afinadas maldades. Acreditando tratar-se de um espetáculo, os transeuntes deixavam moedinhas no passeio.

No terceiro dia, porém, os palhaços chegavam a vias de fato. As chapadas se desajeitavam, os pontapés zumbiam mais no ar que nos corpos. A miudagem se divertia, imitando os golpes dos saltimbancos. E riam-se dos disparatados, os corpos em si mesmos se tropeçando. E os meninos queriam retribuir a gostosa bondade dos palhaços.

-Pai, me dê as moedinhas para eu deitar no passeio.

No quarto dia, os golpes e murros se agravavam. Por baixo das pinturas, o rosto dos bobos começava a sangrar. Alguns meninos se assustaram. Aquilo era verdadeiro sangue?

-Não é a sério, não se aflijam, sossegaram os pais.
Em falha de trajetória houve quem apanhasse um tabefe sem direção. Mas era coisa ligeira, só servindo para aumentar os risos. Mais e mais gente se ia juntando.

- O que se passa?
-Nada. Um ligeiro desajuste de contas. Nem vale a pena separá-los. Eles se cansarão, não passa o caso de uma palhaçada.

No quinto dia, contudo, um dos palhaços se muniu de um pau. E avançando sobre o adversário lhe desfechou um golpe que lhe arrancou a cabeleira postiça. O outro, furioso, se apetrechou de simétrica matraca e respondeu na mesma desmedida.

Os varapaus assobiaram no ar, em tonturas e volteios. Um dos espectadores, inadvertidamente, foi atingido. O homem caiu, esparramorto.

Levantou-se certa confusão. Os ânimos se dividiram. Aos poucos, dois campos de batalha se foram criando. Vários grupos cruzavam pancadarias. Mais uns tantos ficaram caídos.

Entrava-se na segunda semana e os bairros em redor ouviram dizer que uma tonta zaragata se instalara em redor dos dois palhaços. E que a coisa escaramuçara toda a praça. E a vizinhança achou graça.

Alguns foram visitar a praça para confirmar os ditos. Voltavam com contraditórias e acaloradas versões. A vizinhança se foi dividindo, em opostas opiniões. Em alguns bairros se iniciaram conflitos.

No vigésimo dia se começaram a escutar tiros. Ninguém sabia exatamente de onde provinham. Podia ser de qualquer ponto da cidade. Aterrorizados, os habitantes se armaram. Qualquer movimento lhes parecia suspeito. Os disparos se generalizaram.

Corpos de gente morta começaram a se acumular nas ruas. O terror dominava toda cidade. Em breve, começaram os massacres.

No princípio do mês, todos os habitantes da cidade haviam morrido. Todos exceto os dois palhaços. Nessa manhã os cômicos se sentaram cada um em seu canto e se livraram das vestes ridículas. Olharam-se, cansados.

Depois, se levantaram e se abraçaram, rindo-se a bandeiras despregadas. De braço dado, recolheram as moedas nas bermas do passeio. Juntos atravessaram a cidade destruída, cuidando não pisar os cadáveres. E foram à busca de uma outra cidade.

A moral da estória poderia ser: os que discutem para ganhar pelejas ou firmar dogmas acabam se transformando em palhaços?; ou: quando bufões pelejam, pessoas podem morrer?

Assim, reservo-me ao direito de só conversar, tecer sobre o que me inquieta, e até ser confrontado, com pessoas e em ambientes onde noto educação, elegância e respeito. Os demais, que procurem palhaços que saibam representar bem no palco da intransigência.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

Americana agride namorado por ameaçar levar última cerveja embora

Vanessa Robinson, de 28 anos, atacou o parceiro com uma faca. Homem, que comprou a cerveja, disse que iria embora e levaria bebida.

Mulher de 28 atacou o namorado quando o homem
ameaçou levar a cerveja (Foto: Divulgação)

publicado no Planeta Bizarro 

Em Hempfield, no estado americano da Pensilvânia, uma mulher começou uma briga com o namorado e o feriu com uma faca porque o homem teria ameaçado deixar o apartamento com a última cerveja que estava na geladeira.

De acordo com a emissora de TV “WPXI”, Vanessa Robinson, de 28 anos, discutiu com James Gallone, quando o homem, que teria comprado a cerveja, afirmou que deixaria o apartamento levando a bebida. Vanessa teria gritado que o parceiro não deixaria a residência daquela maneira, o que teria iniciado a discussão, seguida de agressões.

A polícia informou que, por causa da briga, a cerveja teria sido derramada no chão e, furiosa, a mulher pegou uma faca e atacou o namorado, ferindo-o superficialmente no braço, costas e barriga, antes que Gallone pudesse desarmar Robinson.

O homem foi levado para o hospital para fazer alguns pontos e passa bem. Já Vanessa foi presa e recebeu três acusações de agressão, uma delas com agravante por ser com uma arma branca.

“Tinha que ser preto mesmo!” e a nossa ignorância diária

Leonardo Sakamoto, no Blog do Sakamoto

Tinha que ser preto mesmo!

Preto quando não faz na entrada faz na saída.

Sabe quando preto toma laranjada? Quando rola briga na feira.

Amor, fecha rápido o vidro que tá vindo um escurinho mal encarado.

Olha, meu filho, não sou preconceituoso, não. Até tenho amigos negros.

Ouviu aquele batuque? É um terreiro de macumba. Logo aqui na nossa rua! Mas o João Vítor vai dar um jeito nisso, ele conhece uma pessoa na subprefeitura que vai tirar essa gente daí. Essas coisas do diabo me dão arrepios.

Eu adoro o Brasil porque é um país onde não existe racismo como nos Estados Unidos. Aqui, brancos e negros vivem em harmonia. Todos com as mesmas oportunidades e desfrutando dos mesmos direitos.

Se eu deixaria minha filha casar-se com um negro? Claro! Se ela conhecer um, poderá sem sombra de dúvida.

Tá tão difícil encontrar uma empregada decente ultimamente. Ainda bem que achei a Maria. Ela é de cor, mas super honesta.

Quilombolas são pessoas indolentes. Erra o governo ao mantê-los naquele estado de selvageria.
 A terra poderia estar sendo usada para produzir algo, sabe? Ainda mais com tanta gente vivendo apertada em favelas! É o Brasil…

Vê se me entende que eu vou explicar uma vez só. A política de cotas é perigosa e ruim para os próprios negros, pois passarão a se sentir discriminados na sociedade – fato que não ocorre hoje.

É aquele ali, ó. Sim, o “moreninho”.

Meu filho não vai fazer um projeto de escola sobre coisas da África. A gente é evangélico e queremos que ele leia a bíblia e não esses satanismos como… como…como era o nome daquele livro mesmo que a professora passou? Sim! Macunaíma.

Cotas ameaçam o princípio de que todos são iguais perante a lei, o que temos conseguido cumprir, apesar das adversidades.

Ele é um exemplo. É negro e, mesmo assim, virou ministro do Supremo Tribunal Federal sem ajuda de ninguém.

No 20 de novembro, quando se rememora a morte de Zumbi dos Palmares, é celebrado o Dia da Consciência Negra em várias cidades do país. Um momento de reflexão e de resistência sobre os frutos da escravidão, de um 13 de maio incompleto (que significou mais uma mudança na metodologia de exploração da força de trabalho do que uma abolição de fato), sentido no dia a dia. Dia que deveria ser aproveitado por todos aqueles que têm seus direitos fundamentais rasgados para uma análise mais profunda do que têm feito para sair da condição de gado.

Alguns vão dizer que o tema é repetido neste blog. Mas era preciso.

Porque a nossa idiotice não tem limites. E a ignorância é um lugar quentinho.

imagem: Grupo Escolar

dica do Sergio Luiz

Minha borboleta

Helena Beatriz Pacitti

Antes que eu completasse um ano de vida … ela chegou! Foi meu primeiro presente de Páscoa, já que nasceu exatamente no domingo da ressurreição, e meu primeiro presente de aniversário – comemorado uma semana depois.

Não houve crises nem reino a dividir: na prática, éramos dois bebês para serem cuidados, alimentados e criados.

Sabe-se lá em que dia, num lampejo de consciência, percebi que era mais velha e ela passou a ser o meu bebê, a minha princesinha, a minha boneca, a minha rainha. Logo eu a chamei de Bel – apelido que valeria para sempre.

Nunca conseguimos contabilizar o número de aventuras e travessuras em que nos metemos. Duas irmãs com diferença de idade tão pequena praticamente aprendem tudo juntas. Às vezes nos chamavam de gêmeas. Outras vezes, por pura conveniência, preferíamos ser a mais velha e a mais nova.

Na escola a defendi muitas vezes. Eu era da turma seguinte, mas no recreio ficava de olho, com quem ela andava, se algum coleguinha lhe tomava o lanche, ela sempre boazinha demais. Eu partia para cima sem nenhuma cerimônia: com licença, ela lhe deu mesmo o lanche? Acho que foi engano.

É verdade, em casa a gente aprontava mesmo. Teve a caixa de chocolates Chokito que sumiu em cinco minutos entre mordidas e cuspidas debaixo da cama. Teve o teste de sobrevivência do peixinho dourado fora do aquário. Teve o episódio do pacote de sabão em pó aberto na janela do supermercado para simular neve tropical na época de final de ano.

Sozinha (ou seja, sem minha ajuda), uma vez ela caiu da bicicleta e cortou o braço em uma cerca com arame farpado. Todo mundo foi para o pronto socorro. De outra, queimou-se com borra de café quente. Todo mundo no pronto socorro. Cortou o pé direito em uma lasca de porcelana que havia quebrado. Todo mundo, de novo, no pronto socorro. É. Devemos muito know how a Bel; e meu pai, minha mãe e eu, respectivamente: a ausência de cabelos, alguns cabelos brancos e um destemor diante de qualquer tipo de ferimento ou sangue – vai que por isso fui parar na Medicina?

Maiorzinhas, me encantava por talentos extraordinários que ela possuía. Ela era a mais criativa, a mais palhaça dos irmãos. Inventava roteiros engraçadissimos para as nossas gravações da Radio Minigente. Desenhava, pintava e escrevia maravilhosamente bem.

As memórias são infinitas. Tornamo-nos adolescentes. A gente teve, claro, aquelas briguinhas de irmãs: você pegou minha roupa! e você usou meus sapatos … mas essa fase não durou muito. Vi, maravilhada, ela terminar a faculdade antes de mim, trabalhar antes, comprar seu primeiro carro. Que orgulho imenso eu tinha dela, sempre destemida, empresária, dona do próprio negócio. Ela também sempre teve mais namorados ( e candidatos!). Era mais bonita e mais habilidosa em falar em público. Não havia competição, só prazer e reconhecimento recíprocos.

Nossos filhos chegaram em tempos diferentes: casei e fui mãe primeiro; ela, a super tia. Aprendemos uma com a outra, já morando em cidades distintas. Por telefone nossas conversas eram cheias de causos, risadas, palpites, combinações e muitas interrupções. Nossas casas eram barulhentas e sempre havia panela no fogo e alguma criança chamando para cortarmos a ligação.

Nos altos e baixos que surgiam, chorávamos, ralhávamos, brigavámos e criticávamos. E como nos abraçamos, nos amamos e nos aceitamos!

Minha irmã – cuja risada me é tão clara na memória – traz lembranças muito mais vívidas e marcantes do que as palavras que ela escreveu em seus últimos dias de vida. Vou lhe explicar melhor o que sinto. Ela viveu 44 anos e 11 meses plenos de vida, alegria, sorrisos, conselhos, surpresas e descobertas. A doença apareceu somente quando ela estava para completar 45 anos. Minha Bebel não foi uma pessoa doente e somente preocupada em acalmar as pessoas assustadas com sua doença. (Como fico feliz em saber que a Bel nunca precisou me dizer que não tivesse medo da sua morte, pois sabíamos que isso não era problema para ela, tampouco para mim). Obviamente ela cresceu com o sofrimento, lapidador de caráter e de prioridades. Mas sua essência nunca mudou: plena, feliz, artística e engraçada. Alguém que amou a Deus criativa e profundamente, e que amou cada momento de vida que lhe era concedido.

Nesses últimos meses tentei dar o melhor de mim. Fui chata com a equipe médica e hospitalar, vigiei os procedimentos e decisões técnicas, discordei quando assim o entendi, busquei vários outros especialistas e opiniões, defendi minha irmã na fila da radioterapia, fiz curativos, fiz sopa e inventei gemadas doidas para que ela pudesse ficar mais forte.

Nas temporadas hospitalares reeditamos nossa brincadeira de infância ’escrava e rainha’ (em resumo: ela mandava, eu obedecia). Molhamos muitos lenços e blusas com lágrimas, nos abraçávamos quando as notícias não eram boas. Censurei-a quando se preocupava em arrumar o armário de roupas das meninas e se esquecia de tomar os remédios; passei maquiagem a seu contragosto só para que ficasse mais bonita quando as filhas chegassem da escola ou o marido do trabalho. Mesmo assim eu sentia que sempre ficava devendo mais amor. Aliás, era o que eu lhe dizia, mãos dadas, quando ela suspirou tranquilamente e partiu.

Meu memorial hoje é o das alegrias leves. A Bel não foi um ser humano perfeito, mas foi a irmã perfeita para mim. Minha princesinha, minha boneca, minha lagartinha saiu daquele casulo apertado e desconfortável, abriu as asas e se libertou, sem mistérios, como uma linda borboleta. A minha borboleta.