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Intolerância religiosa termina em morte em Caruaru (PE)

Foto: Blog do Adielson Galvão

Foto: Blog do Adielson Galvão

Publicado originalmente no Diário de Pernambuco

Um caso de intolerância religiosa terminou com uma pessoa morta e outras três feridas no município de Caruaru, no Agreste de Pernambuco. Sem aceitar que a família, a esposa e os filhos, se tornassem evangélicos, um homem identificado como Vicente Henrique de Andrade, de 50 anos, teria iniciado uma discussão com o filho adolescente de 16 anos e o perseguido com um arma pelo bairro de Vila Juriti.

Sogra do pastor  da igreja, Josefa Bezerra foi atingida e morreu.

Sogra do pastor da igreja, Josefa Bezerra foi atingida pelos disparos e faleceu.

O jovem foi se abrigar na igreja evangélica onde outros dois irmãos, Jeferson Henrique Monteiro de Andrade, de 19 anos e Rubens Henrique Monteiro de Andrade, 23, assistiam a um culto. Tentando atingir o filho adolescente, o homem efetuou vários disparos de arma de fogo dentro do templo religioso. O pânico tomou conta do local. As balas atingiram quatro pessoas: dois homens e duas mulheres.

Josefa Bezerra da Silva, de 46 anos, morreu na hora. Os feridos, identificados como Severino Pedro Oliveira da Silva, de 41 anos e Emerson Caetano dos Santos, 32 e  Marilene Nicácio da Silva foram socorridos para o Hospital Regional do Agreste (HRA).

O crime aconteceu por volta das 21h desta terça-feira e está sendo investigado pela polícia. O suspeito continua foragido.

Com informações da TV Clube

Leia mais sobre o caso aqui.

dica do Jénerson Alves e do Paulo Nailson

Direitos humanos e fé cristã

foto: Facebook

foto: Facebook

Márcio Rosa, no Inquietações de um aprendiz

É lamentável que, ainda hoje, não tenhamos evoluído ao ponto de garantir os direitos mais elementares a todas as pessoas. Não basta reconhecer tais direitos, é necessário efetivá-los, sem qualquer distinção. A expressão “direitos humanos” gera reações inexplicáveis em algumas pessoas, que, ao que parece, entendem que nem todos os humanos são destinatários dos tais direitos. Há, nesse ponto de vista, grupos de pessoas que não são merecedoras dos mesmos direitos das pessoas “direitas” e “bem nascidas” (como detesto essa expressão). É claro que tais pessoas são direitas sob o próprio ponto de vista.

Há uma dificuldade enorme de aceitar as diferenças. Somos ainda tão primitivos que há nesse mundo discriminação por conta da cor da pele. Mas, evidentemente, em qualquer pesquisa que se faça, a maioria das pessoas diz que há racismo no Brasil, mas ninguém se reconhece racista. Preconceituoso é sempre o outro.

“É que Narciso acha feio o que não é espelho”, como canta Caetano. Assim, quem não professa a mesma crença é visto com desconfiança. Quem não tem o mesmo comportamento sexual é tido como abominação. Quem não adota o mesmo estilo de vida é torpe. Quem não tem a mesma convicção política é alienado. Quem não repete os mesmos dogmas é herege. O diferente está sempre errado.

Para além do elementar direito à vida e do sagrado direito à liberdade, é necessário avançar para igualdade. Mas a igualdade só será vivenciada quando os diferentes forem acolhidos, quando as diferenças não forem barreiras para a celebração da fraternidade.

Nossa Constituição Federal, em seu artigo 1º, lança como um dos fundamentos da República, o princípio da dignidade da pessoa humana. No artigo 3º, dispõe como objetivos fundamentais do país, “construir uma sociedade livre, justa e solidária”, e ainda “promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”. No tão citado artigo 5º, arremata dispondo que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.

O texto fundante da nossa república afirma a igualdade e repele a discriminação de qualquer natureza. Por isso causa espécie que se queira negar direitos elementares a qualquer grupo de pessoas. Não me parece razoável que uma pessoa tenha negado o direito de constituir uma família por conta de sua orientação sexual, por exemplo, já que todos os brasileiros são iguais e não pode haver distinção de qualquer natureza.

Celebro, também, o fato de o texto fundante do cristianismo afirmar que “Deus não faz distinção de pessoas”. Mas lamento o fato de que muitos de seus seguidores discriminem de maneira tão contundente pessoas que não creem ou não vivem conforme suas crenças. Não preciso ter as mesmas crenças, nem adotar o mesmo comportamento que o outro para que o respeite. Mas não se pode negar direitos humanos fundamentais a quem quer que seja. Reconhecer esses direitos não quer dizer assumir o mesmo estilo de vida, mas apenas respeitá-lo.

Em tempos de celeuma por conta de direitos humanos, nunca é demais lembrar as palavras de um pastor, esse sim, verdadeiramente um defensor desses direitos, Martin Luther King Jr: “Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença – nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos, que os homens são criados iguais”. Aspirou, tal pastor, o dia em que todas as pessoas, brancos e negros, pobres e ricos, judeus e gentios, católicos e protestantes “poderão se sentar junto à mesa da fraternidade”, sem qualquer distinção.

Claudia Leitte se emociona ao ser ‘entrevistada’ por Baby do Brasil

Ida Sandes, no G1

‘Anos 70′ é o tema da artista para carnaval de Salvador deste ano.
Cantora do extinto grupo Novos Baianos fez perguntas a Claudinha.

Símbolos marcantes da década de 1970, como o Tropicalismo, a Disco Music e a Copa do Mundo,  vão inspirar o figurino da cantora Claudia Leitte no carnaval deste ano, além da decoração do camarote e do hotel temático da artista.

Na passagem de Baby do Brasil por Salvador, em dezembro do ano passado, o G1 BA convidou a ex-integrante dos Novos Baianos, grupo emblemático da década de 70, para perguntar qual a influência do período na vida de Claudia.

Apesar de ter nascido em 1980, ela conta como a década de 1970 serviu de inspiração e revela que Baby foi uma das suas principais referências para a folia em 2013. “A palavra que melhor define o período de 70 é a liberdade. Tem ainda as referências dos Mutantes, Caetano, Gil, mas você [Baby], tem sido destaque. Você [Baby] tem sido alvo e fonte de inspiração da maior parte das minhas pesquisas para esse carnaval. Você define exatamente isso que eu usei para definir o movimento como um todo: liberdade. Liberdade de expressão, liberdade para fazer música em qualquer lugar, sem muita preocupação com nada e é isso que a gente busca. O resgate para o nosso trio, todos os dias, todos os anos”, afirmou.

Com vestido branco, Claudia Leitte comandou a festa com milhares de pessoas em Copacabana (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)

Com vestido branco, Claudia Leitte comandou a festa com milhares de pessoas em Copacabana (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)

Claudia Leitte conta também uma história curiosa sobre o dia do seu nascimento, no Rio de Janeiro, após a pergunta de Baby, natural da cidade de Niterói. “No último mês de gestação a minha mãe queria voltar para a Bahia, porque ela é baiana e o meu pai é do carioca. A bolsa da minha mãe rompeu na vinda dela para Salvador, meu pai acionou a família inteira no aeroporte e eles foram buscar a minha mãe e o meu pai lá. A descida do avião no Rio de Janeiro foi forçada, e meu tio tem uma clínica em São Gonçalo foi buscar a gente. Meu pai atravessava a ponte Rio-Niterói, a minha mãe em trabalho de parto, mas disse que não sentia nada, que só tinha a ruptura da bolsa. No meio do caminho os policiais pararam o meu pai porque ele estava em alta velocidade, e aí colocaram dois batedores na frente, dois batedores atrás e eu fui nascer em São Gonçalo, em grande estilo. E com cinco dias de nascida a minha mãe decidiu vir para a Bahia e desde então eu moro na Bahia”, contou Claudia.

Emocionada, ela não poupa elogios a Baby. “Ela é genial, eu amo Baby. Do Brasil não, do mundo”, finaliza.

Assista ao vídeo aqui.

Baby do Brasil ressurge em show dirigido pelo filho

 Baby e Pedro estarão juntos dia 31 num palco montado no Jockey Club Foto: Divulgação/Daniela Dacorso
Baby e Pedro estarão juntos dia 31 num palco montado no Jockey Club

Leonardo Lichote, em O Globo

Bernadete Dinorah fugiu de casa aos 16 anos, saindo de Niterói e caindo em Salvador, onde assistiu ao show “Barra 69”, conheceu Caetano, Gil, Moraes, Pepeu, participou da criação dos Novos Baianos e se tornou Baby Consuelo — nome de uma personagem do filme “Meteorango Kid”, de André Luiz Oliveira. Tempos depois, a roda da vida deu uma volta completa, e foi a vez de seu quarto filho, Pedro Baby, decidir tomar seu rumo e, aos 17, partir sozinho para morar nos Estados Unidos, para tentar construir sua identidade musical por lá.— Quando decidi ir, fui falar com minha mãe, que disse algo de que nunca me esqueci: “Que bom que você não vai precisar fugir, porque eu precisei.” Entendi ali que ela estava me abençoando — diz Pedro. — Não falava uma palavra de inglês. Mas minha mãe sempre me ensinou a lei da ação e reação. É só fazer o bem que ele volta.

Como Baby (e como o pai, Pepeu Gomes, de quem ela se separou no fim dos anos 1980), Pedro amadureceu na estrada. Hoje, aos 34 anos, guitarrista e violonista de artistas como Marisa Monte e Gal Costa, assina a direção musical do show que a mãe faz no dia 31, no Vivo Open Air, no Jockey Club, com participação de Caetano e, sugestivamente, após a exibição de “De volta para o futuro”. O menino que era levado no colo da cantora na capa do disco “Pra enlouquecer”, de 1979, agora procura levar a mãe de volta a um lugar que é o seu — como cantora que afirmou sua originalidade com os Novos Baianos na década de 1970 e emplacou hits ao longo dos anos 1980. Um lugar do qual andava afastada.

— Ela tem uma neta de 21 anos que nunca a viu cantar. Tem uma geração nova que não faz ideia de quem seja Baby do Brasil — explica Pedro, que se inspirou na experiência como músico do show “Recanto”, de Gal, que redimensionou a baiana na música brasileira contemporânea. — Um dia Gal me perguntou se eu já tinha tocado com a minha mãe. E disse: “Deve ser a maior emoção para uma mãe tocar com o filho.” Foi meio um recado, “vai tocar com a sua mãe!”. Já vinha pensando nisso há dois anos, quando Diogo (o empresário Diogo Pires Gonçalves) me sugeriu a ideia. Agora é o momento certo, e um presente para os 60 anos dela.

Sobre Lady Gaga: ‘Oro sempre por ela’

O sumiço de Baby tem a ver com sua conversão à fé evangélica, no fim dos anos 1990 — ela chegou a fundar a própria igreja, Ministério do Espírito Santo de Deus em Nome do Senhor Jesus Cristo. Lançou três CDs gospel desde então, mas pouco atuou fora do nicho religioso.

— Nesse período, além do gospel, só fiz um tributo a Assis Valente e um show com Ademilde Fonseca e Elza Soares — conta, apontando indiretamente duas referências fundamentais (ela também destaca Gal como uma “influência fantástica”). — Nunca fiquei preocupada em dar prosseguimento ao sucesso. A obra está aí e vai ser avaliada. Agora está sendo delicioso ver o olhar de Pedro sobre mim. E lembrar o que fiz, ver no repertório uma lista enorme de sucessos. Construí uma carreira maravilhosa, com arranjos lindos de Pepeu. E tive uma importância grande em termos de comportamento, cantando grávida, falando do homem poder ser feminino sem deixar de ser homem (ela é coautora de “Masculino e feminino”, sucesso de Pepeu). Minha formação foi com os Novos Baianos, nosso único interesse era fazer música… e jogar bola (“Fazendo música, jogando bola” é uma canção sua e de Pepeu). Eu me acostumei a ser expressão da minha criatividade.

Sua liberdade se refletia nas roupas e nas cores do cabelo (“Ela e meu pai foram barrados na Disneylândia por causa das roupas e dos cabelos, ou seja, eles eram ousados até para os Estados Unidos, supostamente mais livres”, diz Pedro, lembrando o episódio que gerou a canção “Barrados na Disneylândia” ). Por seus adereços incomuns (espelho na testa, por exemplo), amigos chamaram a sua atenção sobre Lady Gaga:

— Disseram: “Ela faz o que você fazia lá atrás” — conta Baby. — Mas ela cai para um lado mais grotesco, pesado, que nunca foi a minha. Quando soube, procurei e vi umas imagens dela numa cama cheia de cobras… Fiquei com uma pena danada (risos). Fico preocupada com essa menina, oro sempre por ela. Sério!

A cantora não vê incompatibilidade entre sua devoção ao cristianismo e as canções feitas no período antes da conversão:

— Sempre fui muito espiritual. Quando fui para a Bahia, aos 16 anos, foi um chamado de Deus. E hoje vejo que todas as minhas canções espirituais têm relação com o cristianismo: “Telúrica”, “Sem pecado e sem juízo”. Segui vários caminhos, mas nada me agrada mais do que estar com a diretoria, com Papai. Não quero mais saber de recepcionista — diz a cantora, em ótima forma vocal. — Não bebo, não fumo, me cuido. De tudo que experimentei, a melhor onda é a do Espírito Santo.

O repertório do show do Vivo Open Air — a ideia é que seja o primeiro de uma série — contemplará as chamadas “canções espirituais” pré-gospel. Além das citadas por Baby, estará lá “Minha oração”, gravada em “Ao vivo em Montreux” (1980):

— Uma música que tira todo o ranço de caretice — diz Baby.

A canção é um dos lados B pinçados por Pedro para o show, que incluirá também sucessos, numa panorâmica da carreira da cantora. Panorâmica pessoal, nota o diretor:

— É meu olhar, o que eu gosto, o que eu tenho saudade de ouvi-la cantar. Sucessos como “Menino do Rio” (que Caetano compôs para ela), “Sem pecado e sem juízo”, “Todo dia era dia de índio”, coisas dos Novos Baianos como “Tinindo trincando”, esquecidas que vão soar como inéditas, músicas que ela nunca cantou ao vivo… Quero lembrar a compositora, trazer canções que as pessoas não sabem que são dela, como “Masculino e feminino”, que ela fez para meu pai.

A ideia de Pedro é mostrar as “diversas Babys” (a própria se define como tendo “um lado chique e outro hippie”), num roteiro repleto de memórias:

— Ela sempre foi uma grande incentivadora minha, de minhas irmãs (do trio SNZ), do meu pai. Ela me põe no palco desde os 6, 7 anos, eu ia lá fingindo que tocava. A primeira vez que toquei num palco de verdade foi em 1992, com ela, em “Menino do Rio”. E foi com o dinheiro do show que fiz com ela no carnaval de 1996 que viajei para os Estados Unidos (onde viveu entre 1996 e 2001 e entre 2003 e 2006).

Pedro quis formar uma banda que tivesse o espírito daquela que acompanhou Baby e Pepeu (“Havia um clima família, muito sorriso por trás do som feito por aquela turma que vinha dos Novos Baianos e seguiu com meus pais”, define). Chamou então um grupo de músicos (quase todos de sua geração) como o primo Betão Aguiar, os amigos de temporada em Nova York Renato Brasa e Carlos Darci (ex-Black Rio), Donatinho, Leonardo Reis, Guerrinha e Maico Lopes.

— São todos amigos de longa data, pelo menos dez anos — conta Pedro. — Muita coisa vai ficar bem próxima dos arranjos originais, que eram modernos, tinham ideias superamarradas. Mas, naturalmente, são diferentes na mão de músicos dessa geração.

A cantora — sobre quem o diretor Rafael Saar prepara o documentário “Apopcalipse segundo Baby” — não pensa nos desdobramentos do show:

— Só quero fazer meu melhor sempre, onde entrar.

Sobre a chance de um CD nascer do show, Pedro brinca:

— Só Deus sabe.

foto: Divulgação/Daniela Dacorso