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Em Americana (SP) condomínio pede “sexo light” a moradores

Foto: Jornal Novo Momento

Foto: Jornal Novo Momento

Por Charles Nisz, no Vi na Internet

Os moradores de um condomínio em Americana, cidade no interior de São Paulo, foram surpreendidos com um pedido de uma das moradoras. Ela pede para que os outros moradores evitem fazer barulho durante o ato sexual depois das 22 horas. No pedido, a carta da síndica pede aos condôminos para serem mais comedidos na hora do “rala e rola”, segundo informações do jornal Novo Momento.

“Caros,
Para que possamos ter uma convivência harmônica com todos, peço que, na hora da relação sexual, atente-se à cama. Ela pode estar batendo na parede (pensando nos vizinhos ao lado), ou no chão (pensando nos vizinhos de baixo), incomodando e acordando pessoas não interessadas na sua atividade sexual.
Todos os moradores devem respeitar a lei do silêncio, que começa às 22 horas.
Acreditando na sua compreensão
Condômina.

Colocado no mural do prédio, o aviso foi comentado pelos moradores, mas não chegou a ser discutido na reunião de condomínio. De forma bem humorada, eles dizem que após às 22 horas entrou em vigor a “lei do silêncio sexual”. A moradora reclamava das vibrações das camas nas paredes e no chão dos apartamentos vizinhos ao dela. Pelo visto, o pessoal está animado, né?

dica do Fabio Martelozzo Mendes

A viagem que nunca termina

malas-retroRicardo Gondim

Por anos Raimundo sonhou que viajava de avião. Na porta, era recebido por uma tripulação sorridente. Ainda em terra, os procedimentos para alçar voo aconteciam sem percalços. O vôo, entretanto, nunca transcorria tranquilo. No sonho, logo após decolar, Raimundo sentia como se estivesse em um filme de ficção científica. Bastavam os primeiros instantes no ar e o piloto começava a fazer manobras arriscadas para não derrubar a aeronave. Precisava desviar de fios elétricos e galhos, passar por entre corredores estreitos de edifícios.

No sonho de Raimundo sempre algum problema forçava um pouso de emergência. Na maioria das vezes, ele se via empacado em um campo, vale ou selva. Impedido de decolar, Raimundo se via obrigado a participar de piqueniques, churrascos, jogos de futebol. Fazia caminhada e explorava mata ao lado de outros passageiros. Não raro, enfrentava bandidos, animais selvagens e labirintos. Acordava antes de terminar a viagem. A viagem nunca prosseguia. Frustrado, Raimundo se levantava da cama sem entender o porquê do inconsciente encenar aquela peça. Fez terapia. Ele buscava decifrar os devaneios recorrentes. Mas a terapia não ajudou, só aumentou a inquietação.

Semana passada, Raimundo e eu conversamos. Sentamos numa praça, virados para o por-do-sol amarelado do outono. Sem compreender os meandros da opereta que o seu inconsciente encena há tantos anos, ele pedia ajuda. Não esqueço os seus olhos. Queria parar de sonhar com as viagens interrompidas. Afinal de contas, a sensação de ficar no meio do caminho nunca é agradável. Com uns quinze minutos de conversa, Raimundo despertou: igual aos sonhos, ele de repente viu que a sua vida acordada também era marcada por projetos inacabados.

– Já abortei muitos planos. Em minha história, amarguei diversas decepções. Apertou o olhar, procurando espremer uma lágrima. Me fitou de soslaio e continuou.  – Engravidei o coração de alucinações. Mas abortei a maioria delas como se fossem fetos indesejados.

Evitei olhar para o lado. Concentrei-me em acompanhar o sol em sua última escorregada para detrás de um barranco. Mas, antes que a noite se alastrasse, repliquei:

– Esse tipo de sonho pode transformar-se em pesadelo. Raimundo, você corre o risco de encurralar-se pela dor.  O sonho é sua alma avisando que não consegue continuar a jornada – e que sua vida rodopia em círculos estéreis. De repente o ID grita. Você se recusa esmorecer, opresso pelo superego. Os Quixotes que povoaram seu ideal juvenil provavelmente pedem para se aposentar. Uma fadiga existencial esvazia de sentido a sua viagem. Sem metas, restam os piqueniques. O superego, todavia, rejeita que você viva um ócio não produtivo. Você se pune, Raimundo. Perder objetivos que uma dia animaram seus ideais custa caro. Você sonha porque está cansado de se cobrar: tenho que me reinventar, não sei como.

O sol por fim se escondeu. Deixou, porém, uma tênue linha resplandecente no horizonte. Continuei a falar: -Os desencantados não cedem espaço para a esperança. Os desiludidos, depois das rupturas, abandonam-se na imobilidade. Marasmos acontecem na esteira da decepção. Paralisações passam a ser inevitáveis. E a alma não aceita que os desenganos levem à melancolia.

Por fim, arrematei:

– Não se inquiete com o seu sonho. Um avião que não chega a lugar nenhum é recurso do inconsciente para lidar com a angústia. A vida é assim: não há porto de desembarque. As estações têm sala de embarque, apenas. Começamos nossa aventura e logo experimentamos  traições, algumas bobas outras sinistras e elas nos roubam de nosso destino. Mesmo rodeados por amigos, sofremos dissabores que nos levam por estradas nunca cogitadas. Nas incompreensões, amargamos atalhos impensados. Vemos trajetórias se esfumaçarem. Nossas biografias estão recheadas de tiros pela culatra, dardos sem rumo, cataventos malucos, pontes inacabadas. Ferimos e somos feridos e ficamos sem sair do lugar. Feito caramujos, fugimos da possibilidade da luta e desperdiçamos a energia que nos empurraria para a maturidade. Imaturos, nos escondemos debaixo de mesas, melindrosos.

Voltei-me, encarei Raimundo e finalizei:

– Amigo, não há como fugir. O avião, não continua a jornada, mas ele se restringe ao sonho. Nós, inevitavelmente, acordamos. Acordados temos que lidar com as interrupções. Podemos aprender que a onipotência de dar um jeito para continuar o voo é mentira. A perfeição de uma viagem em céu de brigadeiro é soberba. Aprenda a lidar com a realidade – dura, muitas vezes, mas a realidade. Reconheça: para os poucos projetos que decolam, a maioria se perde. A vida acontece também nas brincadeiras, no piquenique do pouso forçado de um grande avião. Se nunca chegarmos ao destino que projetamos, basta a alegria dos intervalos.

Soli Deo Gloria

fonte: site do Ricardo Gondim

Mais 10 coisas que podem fazer de você uma pessoa feliz

Se você se identificou com a primeira lista de itens que podem trazer felicidade, confira mais algumas coisas capazes de deixar sua vida mais alegre.

Fabrízia Ribeiro, no Megacurioso

Se você conferiu a primeira parte desse artigo e achou que desenhar comidas pode ser entediante, arrumar a cama não tem nada de divertido e morar na Austrália está fora dos seus planos, talvez essa matéria com mais 10 itens guarde o segredo da sua felicidade.

Confira o restante da lista desenvolvida pelo Businness Insider e veja mais maneiras de ser uma pessoa ainda mais de bem com a vida:

 Fonte da imagem: Reprodução/Shutterstock

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#1 – Ser voluntário

Fazer o bem ao próximo pode ser um grande empurrão para que você tenha uma vida mais feliz, é o que aponta um estudo realizado em 2008 e publicado no periódico Social Science and Medicine. Os pesquisadores descobriram que as pessoas que faziam trabalhos voluntários para grupos e organizações religiosas apresentavam níveis de felicidade maiores do que aqueles que não faziam o mesmo, independente da classe social dos participantes.

Curiosamente, a equipe que liderou a pesquisa notou que outros tipos de boas ações – como dar dinheiro para a caridade ou doar sangue – não têm o mesmo efeito. Por esse motivo, eles acreditam que o voluntariado aumenta a empatia entre as pessoas por torná-las mais conscientes dos problemas dos outros. Em geral, os voluntários costumam valorizar aquilo que têm em vez de se lamentar pelo que não possuem.

Fonte da imagem: Reprodução/Shutterstock

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#2 – Brincar com filhotes

Vai dizer que você consegue resistir a filhotes de gatos, cachorros e outros animais fofinhos sem abrir um sorriso? Pois saiba que esse comportamento foi comprovado pelos cientistas da Birkbeck University, em Londres, na Inglaterra, através de um estudo com 80 pessoas que tiveram suas ondas cerebrais medidas quando submetidas a diferentes atividades.

Embora encontrar uma nota de 10 libras fosse a situação que mais trazia prazer aos participantes, brincar com filhotes de cachorro foi uma das atividades que mais pontuou no índice de felicidade estabelecido pelos pesquisadores. A doutoranda Mervyn Etienne explica que brincar e acariciar animais de estimação aumenta a atividade cerebral na mesma região relacionada à mão esquerda – e isso é um sinal de felicidade.

Outros estudos também já concluíram que ter um animalzinho diminui a ansiedade, a solidão e a depressão por trazer conforto e contato físico.

#3 – Sorrir (mesmo que seja de mentira)

Saiba que mesmo aquele sorriso amarelo, meio sem jeito e sem vontade também pode fazer bem para você. De acordo com uma pesquisa da Clark University, nos Estados Unidos, sorrir traz memórias associadas à felicidade.

O estudo – que foi publicado em 2003 no periódico Cognition and Emotion – dividiu os voluntários em três grupos. O primeiro grupo precisava sorrir, ao segundo foi solicitado que fizessem uma expressão irritada e o terceiro deveria fazer de conta que estava triste. Em seguida, cartões com palavras neutras, como “árvore” ou “casa”, foram mostrados aos três grupos. Notou-se que os sorridentes tinham uma resposta mais positiva aos cartões do que os irritados e os tristes.

“Finja que você está feliz e você se sentirá feliz, finja que você está irritado e você se sentirá irritado”, resumiram os autores da pesquisa.

Fonte da imagem: Reprodução/Shutterstock

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#4 – Viver em temperaturas amenas

Você já parou para imaginar que a temperatura da cidade em que você vive pode influenciar na sua felicidade? Será que é por isso que o Brasil costumam ficar bem colocado no ranking das nações mais felizes do mundo?

Independente disso, um pesquisador da Universidade de Osaka, no Japão, descobriu que a felicidade alcança seu ponto máximo a 13,9° C. Suas descobertas foram publicadas no periódico Weather, Climate and Society.

“Os efeitos de outras ocorrências meteorológicas – umidade, velocidade do vento, precipitações e luz solar – não são significantes”, explica Yoshiro Tsutsui, autor do estudo. De fato, isso explica porque cidades com temperaturas mais baixas, como a Noruega, Suécia e Dinamarca, costumam assumir o topo da lista dos países mais felizes.

#5 – Listar três coisas boas por dia

Que tal tirar um tempinho para pensar nas coisas boas que aconteceram durante o dia? Essa é a sugestão de Martin Seligman, professor da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, que acredita que podemos ser mais felizes ao anotarmos durante uma semana três coisas boas que aconteceram durante o dia junto com uma justificativa.

Em um estudo realizado com cerca de 600 pessoas, o pesquisador descobriu que essa técnica baseada em uma psicologia positivista faz com que a felicidade aumente e os sintomas de depressão diminuam por seis meses.

“As três coisas não precisam ser extremamente importantes (‘Meu marido passou para comprar meu sorvete preferido no caminho do trabalho para casa hoje’), mas podem ser relevantes (‘Minha irmã acabou de dar a luz a um menino saudável’)”, explica Seligman no seu livro Flourish: A Visionary New Understanding of Happiness and Well-being.

Fonte da imagem: Reprodução/Shutterstock

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#6 – Gastar dinheiro com coisas que poupam tempo

Economizar tempo para poder investir em coisas que gostamos é uma dos conselhos da psicóloga Sonja Lyubomirsky, da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Segundo ela, devemos gastar nosso dinheiro em coisas que, em troca, nos deem mais tempo livre para que possamos participar de atividades significativas que nos tragam felicidade – como sair com os amigos, ir a um show ou ser voluntário.

“Se gastarmos dinheiro para ter mais horas livres no dia – reduzindo a jornada de trabalho (porque já ganhamos o suficiente) ou pagando para que alguém assuma as atividades que consomem tempo (como consertar o encanamento, ficar na fila do correio, preencher documentos, ligar para companhias aéreas), podemos gastar nosso tempo curtindo as coisas da vida que nos fazem feliz”, escreve a psicóloga no livro Myths of Happiness.

#7 – Parar de se comparar aos outros

A mesma pesquisadora do item anterior descobriu em um experimento que as pessoas infelizes se sentem ainda mais rebaixadas quando se comparam com os outros.

Nesse sentido, outro estudo conduzido pelas pesquisadoras Enrichetta Ravina e Karen Dynan alerta para o fato de que invejar os ricos – especialmente pessoas de classe média que desejam ser tão bem sucedidas quanto aquelas que estão a sua frente– pode fazer com que os indivíduos acabem se endividando.

Fonte da imagem: Reprodução/Shutterstock

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#8 – Diminuir a distância até o trabalho

Se você também passa mais tempo no trânsito do que gostaria, saiba que esse pode ser um dos fatores que impede a sua felicidade. Estudos já comprovaram que longas jornadas até o trabalho aumentam o stress e o tédio, especialmente se você está dirigindo.

“O caminho até o trabalho não só toma tempo, mas também gera custos extras, causa stress e influencia na relação entre o trabalho e a família”, escreveram os economistas responsáveis pelo estudo realizado em 2008 e publicado no Journal of Economics.

#9 – Fazer exercícios

Inúmeros estudos já mostraram os benefícios que a prática regular de exercícios traz a partir da liberação de uma série de substâncias no organismo, como é o caso da endorfina. No entanto, um estudo realizado na Penn State University, nos Estados Unidos, mostrou que pessoas fisicamente ativas apresentam maiores níveis de entusiasmo em comparação com indivíduos sedentários.

“Você não precisa ser a pessoa que se mantém em forma e prática exercícios todos os dias para sentir os benefícios. É uma questão de tirar um dia de cada vez, de tentar entrar no ritmo, e então você será recompensado com uma sensação boa”, explica David Conroy, pesquisador de cinesiologia.

Fonte da imagem: Reprodução/Shutterstock

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#10 – Escutar músicas animadas

Se você gosta de música, você sabe o quanto as canções têm poder de influenciar o nosso humor. Nesse sentido, uma pesquisa publicada no Journal of Positive Psychology em 2012 apontou que ouvir músicas animadas realmente pode melhorar o seu humor.

Os participantes do estudo que ouviram composições empolgantes de Aaron Copland foram comparados com indivíduos que escutaram às suaves melodias Igor Stravinksy e demonstraram maiores níveis de dopamina – um neurotransmissor de boas sensações – na região do cérebro que é tradicionalmente associada com a recompensa.

Vale notar que os pesquisadores descobriram que esse método funciona apenas com pessoas que estavam conscientemente tentando melhorar seu humor.

fonte: Business Insider

dica do Jarbas Aragão

Se você estuprou alguém, leia. Essa carta pode ser pra você.

triste

Publicado originalmente no Fui Estuprada

Não vou me identificar para que meu pai não saiba dessa história. Quero evitar que sinta a enorme tristeza e indignação que as pessoas que gostam de mim sentiram quando contei o que me passou. Quero protegê-lo de todo o tipo de reação que essa história poderia desencadear nele.

Esse é também um relato a mais para que homens e mulheres possam entender melhor o que acontece na vida e na mente de uma pessoa que foi estuprada. É mais uma narrativa dos efeitos do machismo brasileiro do século XIX.

QUANDO ACONTECEU

Voltando da minha festa de aniversário no ano de 2009, um amigo de faculdade me acompanhou até em casa num dia frio. O convidei para entrar, assim esperaria o taxi dentro de casa, quentinha. Foi uma gentileza a uma pessoa com quem convivi na faculdade por mais de 5 anos. Mas parece que ele entendeu o recado de outra forma. Estávamos bêbados, e eu tinha total confiança nele. Nessa noite ele me estuprou. Por muito tempo não me lembrei do que aconteceu naquela noite. Apenas sentia uma angústia difusa e inexplicada, que pude entender aproximadamente dois anos depois.

QUANDO ENTENDI O QUE ACONTECEU OU QUANDO DEI NOME AOS BOIS

Dois anos depois do ocorrido, me mudei à capital de outro país, depois de um ano de profunda angústia e tristeza na minha cidade natal. Decidi fazer uma pós-graduação fora, ou acabaria me matando se seguisse vivendo aí. Para conhecer mais gente e me envolver em um projeto artístico, me meti em um grupo de teatro, que “coincidentemente” trabalhava com improvisações sobre campos de concentração, cujos trabalhos deram origem a uma peça, meses depois. Durante uma improvisação, em meio a gritos, golpes e estupros simulados, minha memória voltou ao ano de 2009.

Durante esse exercício lembrei desse meu colega, sobre mim, na minha cama, me segurando pelo pescoço e me asfixiando. Me lembrei da luta para escapar daí e de como a cada tentativa de sair dessa relação sexual não consensuada – e com preservativo – , ele me batia mais. Lembrei como achava que ele ia me matar sem nem perceber, ou propositalmente. Me lembrei de como não entendia se a violência dele era dirigida a mim ou se era algo próprio dele. Me lembrei de como não entendia, no momento, sei se ele achava que eu gostava daquilo, ou se era pura maldade.

Nos momentos de consciência (tive momentos em que acredito ter desmaiado) lembro de tentar encontrar algo para golpeá-lo, e não encontrar. Recordei de quando uma professora de história mencionou casos de violência sexual e disse que para o sádico não interessa ver o prazer alheio. Fingi estar gostando, não funcionou. Pensei então que do que ele gostava era da minha submissão e humilhação.

A saída que encontrei foi dizer a ele: “Vai pra casa, não estou no meu melhor dia. Quero passar uma noite incrível com você e já estou cansada… Você é incrível e merece o meu melhor”.

Ele parou. “Entendeu”. Era o melhor que eu poderia dizer a uma pessoa narcisista e psicopata. Ele se convenceu dos elogios, acreditou em mim.

Sua resposta pra isso foi: “Tudo bem! Vem aqui, encosta a cabeça no meu peito. Sabia que eu gosto de você desde o primeiro momento que te vi?” Ele queria demonstrar afeto. Não fui. Permaneci encolhida, nua e protegida por um travesseiro, no outro lado da cama.

Mandei ele embora engolindo o mar de choro dentro de mim. E sorri. O tratei como um Rei que teria sua grande recompensa no futuro. Não lembro como estive depois que ele saiu pela porta, nem dos dias seguintes. Não me lembro do que fiz, se fiz, para onde fui. Apaguei. Sei que deletei meu MSN e desapareci do campo de visão dele, na medida do possível.

AS REAÇÕES DAS PESSOAS PRÓXIMAS

Dias depois fui falar sobre o ocorrido com meu ex-namorado num café, onde chorei muito, sem pudores e sem lenços de papel, a ponto de voltar pra casa com os punhos das mangas e parte da blusa molhada de lágrimas. Eles se conheciam. Saímos algumas vezes junto com o então futuro estuprador e outros amigos mais, todos, enquanto namorávamos. Ele não demonstrou grande empatia e tampouco me apoiou. Disse que eu não podia fazer nada, porque o cara era poderoso e eu era uma defensora da liberdade sexual. A justiça decidiria contra mim e eu acabei considerando que ele tinha razão.

Depois, em algum momento, falei com meu melhor amigo e não sei se ele acreditou em mim. Nessa ocasião comecei a ter dúvidas se houve estupro ou se foi consensual. No mesmo período duas amigas próximas acreditaram, enquanto outras pessoas ignoraram ou fizeram pouco caso. Não era um assunto fino para mencionar em mesa de café ou durante um chá. E bastante incômodo para uma cerveja ou um vinho. Não mencionei o ocorrido por muito tempo e com essa atitude tudo parecia seguir normalmente. Eu achava que o ocorrido não tinha o poder de me afetar diretamente.

Em nenhum momento as pessoas que souberam se prontificaram a me acompanhar para fazer uma denúncia. Pelo contrário, lhes parecia normal que eu seguisse convivendo com a presença dessa pessoa nas salas e corredores da faculdade ou em cada lugar que eu ia para “me divertir”. Por sorte tive amigas que me protegeram de encontrá-lo, me avisando de onde ele estava para que não nos cruzássemos. Com o tempo era mais difícil esconder o nojo e a raiva, e vê-lo simplesmente me deixava deprimida e me fazia sentir muito vulnerável por dias.

ESTUPRO É UMA PALAVRA DIFÍCIL DE PRONUNCIAR

Nos meses seguintes oscilei entre acreditar que houve estupro e que não houve estupro. E as vezes preferia acreditar que a culpa era minha por tê-lo deixado entrar, crer que eu poderia ter passado uma mensagem dúbia pra ele, ou simplesmente busquei. Não sei. Era mais fácil para mim pensar que eu era a responsável. Além disso, o mundo em volta me dizia que eu tinha culpa. O lado mais frágil, a mulher estuprada, ainda que feminista e formada na área de ciências humanas, acredita ou opta por acreditar que foi responsável, eu. Era mais fácil pensar que havia tido uma experiência sexual diferente e violenta do que me classificar como vítima, enfrentar as consequências de uma denúncia e carregar estigmas.

Me surpreendi quando um menino com quem saía – por quem estive perdidamente apaixonada por meses – , e conhecia ao estuprador, me disse, em tom de decepção: “eu sei que você deu pra ele!” (O estuprador tinha espalhado pra todos que tinha “me comido”!) Minha resposta foi: “não, ele praticamente me estuprou”. Praticamente. “Praticamente me estuprou” foi o mais próximo que consegui chegar. Foi a única nomeação possível que não me fazia entrar completamente dentro da categoria de mulher estuprada.

Eu entendia muito pouco do que tinha me passado, mas depois da improvisação teatral, fora do Brasil e do ambiente opressor, passei a entender. E Brasll passou a significar dor. Continue lendo

Sem namorado desde novembro, Mulher Melão faz ensaio de noiva e quer casar: “Estou me guardando”

Renata Frisson sonha em se casar de branco (Foto: Gustavo Azeredo)

Renata Frisson sonha em se casar de branco (Foto: Gustavo Azeredo)

Lídia Azevedo, no Extra

Renata Frisson, a Mulher Melão, é uma nova pessoa! Ao ver a grana diminuir um pouco, e os “amigos” irem embora de fininho na maré baixa, a funkeira decidiu “tomar o rumo certo na vida”, como ela diz. Depois de se mudar para Vila Valqueire e passar a ter uma vida mais simples (fazendo comida, lavando roupa e cuidando das madeixas loiras em casa), Renata agora quer casar.

— Estou num laboratório para ser esposa — decreta Melão, que adorou todos os detalhes das duas produções que fez para este ensaio: — Estou num momento de pensar muito nisso. Já tive a fase de querer só curtir. Sempre tive o sonho de construir uma família, acho que agora é o momento.

E Melão é daquelas que quer casar vestida de branco, entrando de véu e grinalda na igreja, ou numa casa de festas, ou num castelo. E para poucos convidados. Mas uma vez só! Nada de muitos casamentos:

— Casamento é uma vez só na vida. Quero um homem para a vida inteira.

Para conquistar esse homem, Renata Frisson, que revela estar sem namorar e sem sexo desde novembro, diz que pretende se manter casta até o casamento. Se assumindo “quase virgem”, ela entrou de cabeça na personagem do ensaio, revelando que quer ter no máximo dois filhos. E que pretende juntar dinheiro para investir no futuro.— Homem sério é machista, não gosta de mulher fácil, não posso dar o que tenho de mais precioso. O próximo namorado quero que seja para casar, e só vai me levar para a cama no dia da lua de mel — diz a funkeira, para quem não está sendo fácil se manter firme na promessa: — É difícil, mas quando se quer, se consegue. E eu tenho um objetivo. Hoje em dia não deixo qualquer homem se aproximar, estou me guardando, me preservando para o meu futuro marido. Vai ser como um prêmio.

Renata Frisson não faz questão de casar numa igreja, mas quer festa (Foto: Gustavo Azeredo / Agência O Globo)

Renata Frisson não faz questão de casar numa igreja, mas quer festa (Foto: Gustavo Azeredo / Agência O Globo)

Créditos

Beleza: Debora Alves

Roupas: Maison Sandra Magalhães

dica do Leandro Miranda da Gloria