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Cabeça raspada passa imagem de liderança

 Jeffrey Katzenberg, diretor-presidente da DreamWorks Animation, de 61 anos de idade, é um dos adeptos do corte de cabelo bem rente Foto: Arquivo/AP
Jeffrey Katzenberg, diretor-presidente da DreamWorks Animation, de 61 anos de idade, é um dos adeptos do corte de cabelo bem rente

Publicado originalmente em O Globo [com informações do The Wall Street Journal]

Se você é homem e está de olho numa promoção no trabalho, quem sabe não chegou a hora de dar um pulo até o cabelereiro? É que os homens de cabeça raspada são vistos como mais masculinos, mais dominantes e, em alguns casos, com mais potencial de liderança do que os que usam cabelo mais comprido ou que estão ficando calvos. É o que diz um estudo recente feito pela faculdade de administração Wharton, da Universidade da Pensilvânia. Segundo artigo publicado pelo site do The Wall Street Journal, isso talvez explique por que esse visual virou moda entre os líderes empresariais nos últimos anos.

O investidor de risco e fundador da Netscape, Marc Andreessen, de 41 anos, o diretor-presidente da DreamWorks Animation SKG, Jeffrey Katzenberg, de 61, e o diretor-presidente da Amazon.com Inc., Jeffrey Bezos, de 48, são três executivos que exibem variações do corte bem rente.

Alguns executivos dizem que esse corte de cabelo os faz parecer mais jovens — ou, pelo menos, torna sua idade menos óbvia — e lhes dá mais autoconfiança do que disfarçar a calvície penteando o cabelo para frente ou do que deixar uma careca no alto da cabeça, tipo monge.

“Não estou dizendo que raspar a cabeça vai fazer de você um sucesso, mas é algo que passa a mensagem de que você tomou uma iniciativa”, diz o empresário e escritor de tecnologia Seth Godin, de 52 anos, que adotou o visual careca há vinte anos. “Isso mostra que você é uma pessoa que assume o que é, em vez de tentar fingir ser outra coisa.”

Albert Mannes, professor de gestão da Wharton, realizou três experiências para testar a imagem que as pessoas fazem dos homens de cabeça raspada. Em uma delas, ele mostrou a 344 pessoas fotos dos mesmos homens, em duas versões: uma com cabelo e a outra alterada digitalmente de modo que a cabeça parecia raspada. Nos três testes, os participantes julgaram que os homens de cabeça raspada eram mais dominantes que os que tinham cabelo. Em um dos testes, os homens de cabeça raspada foram vistos até mesmo com dois centímetros mais de altura e cerca de 13% mais fortes do que os de cabelo cheio. O artigo, intitulado “Shorn Scalps and Perceptions of Male Dominance” (“Cabeças Raspadas e Imagens de Dominação Masculina”, em português), foi publicado on-line, e sairá na próxima edição da revista Social Psychological and Personality Science.

O estudo concluiu que os homens que estão perdendo cabelo, mas ainda não estão calvos, eram vistos como os menos atraentes e menos poderosos do grupo. Isso confirma outros estudos que mostram que as pessoas consideram os homens com a calvície masculina típica como mais velhos e menos atraentes. Para esses homens, a solução pode ser muito simples e barata: raspar a cabeça.

Mannes, da Wharton, diz que teve a ideia de fazer a pesquisa ao perceber que ele próprio era tratado com mais deferência quando raspava a cabeça, já meio calva. Para ele, a cabeça raspada pode parecer poderosa porque é um visual associado a imagens hipermasculinas, como militares, atletas profissionais e heróis de filmes de ação, como os protagonizados pelo ator Bruce Willis. A calvície masculina típica, que preserva um pouco de cabelo, pelo contrário, faz lembrar George Costanza, o personagem atrapalhado do seriado “Seinfeld”, acrescenta Mannes.

Consultora de imagem aprova o corte ‘careca’

A consultora de imagens Julie Rath, de Nova York, aconselha seus clientes a adotar o corte careca logo que começarem a perder cabelo no alto da cabeça. “Há algo de muito forte, poderoso e autoconfiante em deixar tudo exposto e nu”, diz ela, que descreve o visual meio calvo, ou com um penteado que procura disfarçar a calvície como “meio desmoralizado”.

O visual está pegando. Num estudo de 2010 feito pela fabricante de lâminas de barbear Gillette, uma divisão da Procter & Gamble Co., 13% dos entrevistados disseram que raspam a cabeça, alegando razões variadas, como moda, esportes ou cabelo já em queda, segundo um porta-voz da empresa. A HeadBlade Inc., que vende acessórios para raspar a cabeça, informou que seu faturamento vem crescendo 30% ao ano nos últimos dez anos.

Raspar a cabeça deu a Stephen Carley, de 60 anos, diretor-presidente da rede americana de restaurantes Red Robin Gourmet Burgers Inc., uma alavancada na autoconfiança, numa época em que trabalhou ao lado de rapazes de 20 e poucos anos em firmas de tecnologia, nos anos 1990. Depois de raspar o cabelo, já bem escasso, “parei de me sentir como o vovô da firma”. Ele acrescenta que o novo visual lhe deu “a impressão de que ficou muito mais difícil imaginar a minha idade”.

foto: Arquivo/AP

Skinhead gay luta contra a homofobia pelas ruas de São Paulo

O skinhead Danilo, 29, que quebrou o braço durante confronto com policiais na marcha da maconha

Cristina Moreno de Castro, na Folha.com

Aos 16 anos, Danilo se interessou pela cultura skinhead, de suspensórios, coturnos, tatuagens e cabeças raspadas. Entrar nessa tribo teria sido fácil, não fosse por um detalhe: ele é gay.

“Eu pensava: não dá para eu falar que sou skinhead porque os caras não gostam de gay.” Naquela época, alguns carecas já ocupavam as páginas policiais dos jornais, com seus ataques a negros.

“Mas esses fascistas são minoria”, assegura, apesar de ser alvo deles. Ele diz que a tribo cultural surgiu na Jamaica, nos anos 60, e se disseminou com imigrantes que foram trabalhar como operários na Inglaterra, no mesmo período em que o movimento punk também surgia nos subúrbios britânicos.

Ao explicar por que resolveu entrar para esse grupo, diz simplesmente: “Skinhead é um cara que gosta de ouvir ska, tomar cerveja e jogar futebol com os amigos.”

Hoje, aos 29 anos, ele articula uma das vertentes que ajudou a criar, há dois anos: a Ação Antifascista, que reúne 136 pessoas na rede social Facebook.

O grupo também tem duas lésbicas skinheads, seis punks bissexuais e dois que se definem como assexuados. O restante é heterossexual, mas defende a luta contra a homofobia.

“Somos contra qualquer tipo de preconceito e lutamos pelas liberdades.”

Eles costumam se reunir em botecos, semanalmente, mas agora terão uma sede própria, com direito a eventos para tentar desmistificar a ideia de que todo skinhead e punk é brutamontes.

Desde que foi criado, o grupo já participou de uma marcha contra a homofobia que ocorreu no fim do ano passado (depois que garotos atacaram homossexuais com lâmpadas fluorescentes na avenida Paulista), de marchas contra o aumento do preço do ônibus, a favor da legalização da maconha e, mais recentemente, esteve na Parada Gay.

Pela primeira vez, eles participaram do evento em grupo, empunhando uma faixa que dizia que punks e skinheads estavam juntos –o que já é raro– contra a homofobia –o que foi surpreendente para muita gente, que chegou a aplaudir o grupo durante o desfile.

Até policiais se surpreenderam: os membros da Ação Antifascista chegaram a ser enquadrados minutos antes de começar a Parada e foram detidos quando se reuniam para organizar a participação, na quinta-feira anterior.

Em maio, na marcha da maconha que terminou em confronto com a polícia, Danilo quebrou um braço ao tentar fugir de uma bomba de efeito moral. Ficou uma semana internado e, três dias depois de sair do hospital, foi atacado por uma gangue neonazista chamada Front 88.

Hoje ele evita a Galeria do Rock, a rua Augusta, a Paulista e a Liberdade, onde essas gangues se reúnem, por ser alvo fácil: “É como se eu andasse com uma setinha: aqui, anarquista, skinhead e homossexual, bata nele.”

foto: Marisa Cauduro/Folhapress