Fugitivo que deixou bilhete irônico em delegacia baiana é preso curtindo folia

Presos fugiram e deixaram bilhete para a polícia da BA (Foto: Lay Amorim/Brumado Notícias)
Presos fugiram e deixaram bilhete para a polícia da
BA (Foto: Lay Amorim/Brumado Notícias)

Polícia informa que ele foi reconhecido assistindo carnaval em Salvador. Secretaria de Segurança registrou 815 ocorrências na folia até o momento.

Publicado originalmente no G1

Um fugitivo que deixou um bilhete ironizando o isolamento dos presos da delegacia de Brumado, na região sudoeste da Bahia, foi reconhecido e preso pela polícia em pleno carnaval de Salvador. A prisão foi deflagrada no circuito Dodô, entre a Barra e a Ondina, na festa do domingo (10).

Segundo as informações da polícia, o rapaz curtia o carnaval quando foi reconhecido por policiais que faziam a segurança da folia. Ele foi encaminhado à Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes,  onde ficará à disposição da Justiça.

815 ocorrências
Segundo as informações da Secretaria de Segurança Pública (SSP-BA), entre quinta-feira (7) e 7h de segunda-feira (11), foram presas em flagrante 97 pessoas durante o carnaval. Segundo a SSP-BA, os flagrantes aumentaram 136% em relação ao ano passado, quando foram realizadas 41. Além disso, a polícia apreendeu 18 armas brancas. No total, 576 pessoas foram conduzidas à delegacia até segunda-feira, contra 233 em 2012, representando aumento de 158%, de acordo com dados da SSP.

A SSP computou, ainda, um homicídio, duas tentativas de homicídio e uma lesão corporal com morte durante o carnaval. Foram 163 lesões corporais, 579 furtos e 65 roubos, totalizando 815 ocorrências até o momento, segundo que a maior parte, 633, foram registradas entre a Barra e a Ondina, trajeto que forma o circuito Dodô. Mais 170 casos de violência foram registrados no Centro e outros 12 no Pelourinho. Deste total, quase 300 ocorrências são dos dois primeiros dias de carnaval.

Fuga
Quatorze presos fugiram da delegacia de Brumado no dia 11 de dezembro de 2011. Os homens serraram uma das celas, arrombaram cadeados e abriram um buraco em uma das paredes com o auxílio de uma barra de ferro, quando pularam um muro e conseguiram fugir, informou a delegacia.

Na saída, eles deixaram um bilhete pedindo que as celas sejam reforçadas na unidade. “Isso é para que se veja o que passamos aqui com esses presos. Fazemos o concurso para policial, mas trabalhamos como agentes de carceragem”, desabafou um dos policiais, que preferiu não ser identificado. A delegacia tem quatro celas e capacidade para 16 homens, mas 35 detentos estavam custodiados no local no momento da fuga.

Polícia fez diligências à procura dos foragidos (Foto: Lay Amorim/Brumado Notícias)
Polícia fez diligências à procura dos foragidos (Foto: Lay Amorim/Brumado Notícias)

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Para presidente do Olodum, Bahia virou a terra de Ivete Sangalo

João Jorge, presidente do Olodum, diz que divisão desigual de recursos no Carnaval empobrece a Bahia
João Jorge, presidente do Olodum, diz que divisão desigual de recursos no Carnaval empobrece a Bahia

Nelson Barros Neto, na Folha de S.Paulo

É Carnaval em Salvador, e João Jorge Rodrigues, 57, presidente do Olodum, crava: há um monopólio na divisão de recursos na folia da Bahia, que é “terra de uma artista só” -Ivete Sangalo.

Na força da cantora, o líder do “bloco mais aclamado e conhecido no planeta”, em suas palavras, vê um caráter étnico: ela é branca.

A vinda a Salvador de atrações como o sul-coreano Psy, diz, é mais um retrato de uma Bahia que não valoriza seus artistas, sua negritude.

João Jorge falou à Folha na sede do Olodum, em um belo sobrado encravado no Pelourinho. Em seguida, tinha outra entrevista: com o americano Spike Lee, 55, que filma “Go Brazil Go!”, documentário sobre a ascensão econômica do país, que também vai abordar o Brasil da perspectiva racial.

Sobre isso, ele sentencia: a capital baiana “é campeã mundial de apartheid”. Sobretudo nos dias de folia.

Mestre em direito público pela Universidade de Brasília (UnB), João Jorge vai na contramão do discurso dominante entre os envolvidos no Carnaval de Salvador.

Folha – Enquanto cresce a participação popular em blocos de rua no Sudeste, o Carnaval é criticado na academia e por referências do samba e do próprio axé.

João Jorge – O Carnaval do país é um retrato do Brasil atual. Ele é um Carnaval discriminatório, segregado, com mecanismos que reproduzem o capitalismo brasileiro: a grande exclusão da maioria em beneficio de uma minoria.

Seria ingenuidade esperar que no Carnaval de Salvador, de São Paulo, do Recife ou do Rio nós tivéssemos democracia, oportunidade, igualdade. Você passa 359 dias no ano praticando toda forma de violência institucional, de racismo institucional, e você quer que em seis dias o Carnaval seja democrático?

A situação é pior na Bahia?

Aqui, ainda mais. Você tem um segmento que tem os melhores patrocínios, maior visibilidade, todos os recursos. Há cordas separando os blocos do povo.

Estamos falando da possibilidade de o Carnaval ser mais generoso. Além de ser uma festa da alegria, proporcionar também àqueles que fazem cultura ter apoios tão generosos quanto o de quatro grupos. Mas é ilusão achar que isso mudará em curto prazo. Os atores que podiam brigar por isso estão às vezes mais preocupados em fazer parte do jogo.

*O chamado ‘Afródromo’ ajuda ou atrapalha o cenário? [a iniciativa de Carlinhos Brown e outras seis entidades de criar um novo circuito, exclusivo para os blocos afro, estrearia neste ano, mas foi adiada pela nova gestão na prefeitura] *

O Olodum tem brigado muito para sair mais cedo e poder ser visto pela televisão. Para que empresas patrocinem de forma equitativa os blocos afros.

Ao mesmo tempo, eles resolveram fazer algo separado. O que a sociedade mais quer é que os negros escolham um gueto para ir e se afastem da disputa com eles. É como se soubéssemos o lugar em que deveríamos ficar, em vez de aparecermos na Barra, no Campo Grande.

Mais ainda: obriga o poder público a ter gastos com outro circuito, quando os recursos poderiam ser distribuídos de uma forma melhor.

Até que ponto o monopólio afeta a festa, a música local?

A diversidade, que antes era a riqueza do Carnaval, foi diminuindo, e hoje o Ilê Aiyê, o Filhos de Gandhy, a Timbalada e o Olodum correm um pouco no meio disso.

Mas nos demais lugares você não tem novidades. A Bahia virou a terra de uma artista só. Parece que os outros estão todos mortos.

Isso mata os artistas emergentes, mata os que estão trabalhando e, em vez de fortalecer essa própria artista, a fulmina, porque é a galinha dos ovos de ouro aberta para pegar ovos. A festa faz de conta que está enriquecendo uma pessoa, mas na verdade está empobrecendo uma cidade, um Estado.

A pessoa é Ivete Sangalo?

Sim, ela.

E como o senhor vê a vinda de celebridades como o sul-coreano Psy, para ações publicitárias, com o discurso de prestigiar o Carnaval?

Essa mudança, de a gente precisar de elementos como esses, é uma coisa recente, tem 20 anos. Antes, as pessoas vinham para participar, para conhecer o Carnaval de Salvador. Com o tempo, passou a ser: ‘Eu quero que você venha para você ser importante para o Carnaval’. Inverteu. O Carnaval é que era importante para essas pessoas.

O pessoal pergunta: qual é a atração deste ano do Olodum? É a banda Olodum. A banda mais internacional da Bahia: 37 países, quatro Copas do Mundo, tocou com os últimos 30 grandes nomes da música mundial. Na visão de outros grupos, outros artistas, eles não são atrações no Carnaval de Salvador, atração é o coreano, é a atriz da Globo.

A novidade do Olodum é o samba-reggae, é a força biológica da música que a gente tem, a música de protesto…

E existem novas músicas do Olodum assim?

Tem, e atuais. Agora, qual rádio que toca pagode, sertanejo e funk vai tocar música de protesto? Vou dar um exemplo bem simples: ninguém consegue mudar a ordem do desfile de Salvador, porque foi imposta pelo capital. A ordem é: quem tem mais dinheiro.

Mas qual prefeito ou governador vai dizer: “A gente banca o Carnaval, dá segurança, saúde, infraestrutura, gasta R$ 84 milhões, e todos terão de cumprir a seguinte diretriz -será um desfile alternativo, com um bloco afro, depois um afoxé e um bloco de trio. Um bloco travestido e um trio independente. Em horários que todos possam aparecer na TV”. Quero ver qual autoridade da Bahia vai fazer isso.

E Claudia Leitte? Parte do público e da crítica diz que ela tenta repetir Ivete, que não teria identidade…

Não posso falar disso, porque esse é um problema dessas cantoras, desse tipo de personalidade cuja força é o caráter étnico. A força delas é que são cantoras brancas. Se elas se imitam ou não, não posso dizer nada, é o mercado que elas escolheram. De serem cantoras brancas, que dominam todo o mercado de publicidade, todo o mercado de shows, e que uma compete com a outra.

Recentemente, uma delas colocou o filho para subir no palco, e a outra fez o mesmo.

E tem a gravidez de cada uma, tudo que é feito para gerar noticia. Estou preocupado inclusive com Spike Lee, para ele não engravidar ninguém aqui nesse período [risos], para criar notícia, entendeu?

Agora, um fato é importante: elas exercem um papel importante na música brasileira e souberam dar um ar profissional a isso que é uma resposta também às demandas da própria comunidade negra. Você, com ótimas cantoras negras aqui, numa cidade de maioria negra, não capitalizar isso é um erro estratégico. Para você ver a força do racismo e da alienação. As cantoras negras da Bahia seriam milionárias nos EUA.

E os desfiles das escolas de samba no Rio e em São Paulo?

Olha, eles foram importantes nos anos 10 e 20 do século passado para formar uma cultura do samba. Depois, foram engessados pelo modelo de desfile, pelo sambódromo e continuam sendo um espetáculo maravilhoso… De ver. Mas sem participação ampla, e isso difere do Recife, de Olinda e de Salvador.

Por isso o Rio está tendo essa explosão de blocos de rua, mostrando que as pessoas cansaram desse modelo da fantasia, das alas, da batida, de 90 minutos de desfile. Sem falar da guerra publicitária, dos enredos patrocinados.

Em algum momento o Carnaval foi uma festa popular?

Nunca, ainda não é e talvez não seja. É uma festa de multidões, mas que tem uma repressão muito grande sobre tudo. O Carnaval é extremamente limitado, onde se desfila, se bate foto, é preciso pagar taxas. E não é isso que é vendido para o mundo.

Veja, um dos fenômenos mais interessantes do Carnaval é a visibilidade da homossexualidade. Mas é também no Carnaval em que os homossexuais são mais agredidos. Ao mesmo tempo em que parece que a cidade fica liberal, receptiva ao outro, ela é extremamente conservadora.

O Carnaval está migrando para ter os bailes de novo, os camarotes, uma estrutura mais apartada ainda do que se conseguiu ter nos blocos de trio nos horários de desfile.

Mas o Olodum segue nela…

O Carnaval não é a salvação, não é o fim do mundo. É algo importante para a civilidade que precisa emergir, mas não se resolvem os problemas das cidades sem o confronto. O Carnaval é a cara da sociedade. Só em um momento o brasileiro se mostra como ele é. É no Carnaval.

foto: Márcio Lima/Folhapress

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Claudia Leitte se emociona ao ser ‘entrevistada’ por Baby do Brasil

Ida Sandes, no G1

‘Anos 70′ é o tema da artista para carnaval de Salvador deste ano.
Cantora do extinto grupo Novos Baianos fez perguntas a Claudinha.

Símbolos marcantes da década de 1970, como o Tropicalismo, a Disco Music e a Copa do Mundo,  vão inspirar o figurino da cantora Claudia Leitte no carnaval deste ano, além da decoração do camarote e do hotel temático da artista.

Na passagem de Baby do Brasil por Salvador, em dezembro do ano passado, o G1 BA convidou a ex-integrante dos Novos Baianos, grupo emblemático da década de 70, para perguntar qual a influência do período na vida de Claudia.

Apesar de ter nascido em 1980, ela conta como a década de 1970 serviu de inspiração e revela que Baby foi uma das suas principais referências para a folia em 2013. “A palavra que melhor define o período de 70 é a liberdade. Tem ainda as referências dos Mutantes, Caetano, Gil, mas você [Baby], tem sido destaque. Você [Baby] tem sido alvo e fonte de inspiração da maior parte das minhas pesquisas para esse carnaval. Você define exatamente isso que eu usei para definir o movimento como um todo: liberdade. Liberdade de expressão, liberdade para fazer música em qualquer lugar, sem muita preocupação com nada e é isso que a gente busca. O resgate para o nosso trio, todos os dias, todos os anos”, afirmou.

Com vestido branco, Claudia Leitte comandou a festa com milhares de pessoas em Copacabana (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)
Com vestido branco, Claudia Leitte comandou a festa com milhares de pessoas em Copacabana (Foto: Rodrigo Gorosito/G1)

Claudia Leitte conta também uma história curiosa sobre o dia do seu nascimento, no Rio de Janeiro, após a pergunta de Baby, natural da cidade de Niterói. “No último mês de gestação a minha mãe queria voltar para a Bahia, porque ela é baiana e o meu pai é do carioca. A bolsa da minha mãe rompeu na vinda dela para Salvador, meu pai acionou a família inteira no aeroporte e eles foram buscar a minha mãe e o meu pai lá. A descida do avião no Rio de Janeiro foi forçada, e meu tio tem uma clínica em São Gonçalo foi buscar a gente. Meu pai atravessava a ponte Rio-Niterói, a minha mãe em trabalho de parto, mas disse que não sentia nada, que só tinha a ruptura da bolsa. No meio do caminho os policiais pararam o meu pai porque ele estava em alta velocidade, e aí colocaram dois batedores na frente, dois batedores atrás e eu fui nascer em São Gonçalo, em grande estilo. E com cinco dias de nascida a minha mãe decidiu vir para a Bahia e desde então eu moro na Bahia”, contou Claudia.

Emocionada, ela não poupa elogios a Baby. “Ela é genial, eu amo Baby. Do Brasil não, do mundo”, finaliza.

Assista ao vídeo aqui.

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Neymar ganha fitinha do Bonfim no Carnaval de Salvador

Os jogadores Neymar, do Santos, e Lucas, do São Paulo, em Salvador (BA)

Graciliano Rocha, na Folha.com

O atacante Neymar ganhou uma fitinha de Nosso Senhor do Bonfim de uma fã ao chegar na tarde deste domingo (19) no camarote do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), em Salvador.

Muito assediado pelos foliões, o jogador do Santos assistiu do camarote um trecho do desfile do trio elétrico comandado pela cantora Ivete Sangalo.

Ela se apresenta neste momento no Campo Grande, o mais tradicional circuito do Carnaval soteropolitano.

Ao chegar no camarote, o atacante usava um boné branco para domesticar seu penteado moicano.

O moicano de Neymar fez sucesso no Carnaval baiano.

Perucas imitando o exótico penteado são vendidos por camelôs de Salvador. A cabeleira de Neymar, “made in China”, custa R$ 10.

“É nós! Muito legal, mas não fui eu quem inventou [a peruca].”

Disse Neymar ao ser questionado pela Folha sobre o sucesso de seu penteado.

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