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Igreja Anglicana permite que clérigos gays se tornem bispos

Publicado originalmente na CartaCapital

Foto: Jim Linwood/Flickr

Foto: Jim Linwood/Flickr

A Igreja Anglicana abandonou a proibição para clérigos gays se tornarem bispos após decisão da Câmara dos Bispos, uma das três casas da instituição. Agora, pastores em união civil podem assumir o cargo, desde que adotem o celibatarismo. A decisão, no entanto, não foi bem recebida pelos evangélicos conservadores, que prometeram resistir firmemente no Sínodo Geral, a assembleia da Igreja.

O assunto divide a igreja desde 2003, quando o clérigo gay Jeffrey John foi eleito bispo de Reading. Entretanto, ele foi forçado a deixar o posto após protestos de tradicionalistas. Sete anos depois, John foi candidato a outro posto de bispo, mas teria sido rejeitado por sua opção sexual.

Segundo a BBC, grupos evangélicos mais conservadores disseram estar dispostos a trazer bispos de outros países para não servirem a bispos gays.

A Igreja Anglicana já havia permitido que pessoas em união civil fossem clérigos, desde que prometessem ser celibatários e se arrependessem de atividades homossexuais no passado.

Esta não é a primeira iniciativa de tratamento mais igualitário a homossexuais dentro de instituições religiosas. Em 2010, a Igreja Evangélica Luterana da América autorizou a ordenação de pastores gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros, desde que mantivessem relacionamentos estáveis, sem a necessidade de celibato.

A Igreja Luterana na Alemanha também adotou essa decisão, além de permitir que pastores homossexuais possam viver com seus parceiros na casa pastoral.

Em 2011, Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos recebeu de volta um pastor que precisou renunciar ao cargo por ser gay. Depois de 20 anos do ocorrido, Scott Anderson foi reordenado no estado de Wisconsin.

dica do João Marcos

Papa diz que aborto, eutanásia e casamento gay afetam a paz mundial

Reportagem da AFP publicada na CartaCapital

O Papa Bento XVI ataca o aborto, o casamento gay e a eutanásia na mensagem que será lida no primeiro dia do ano por ocasião da Jornada Mundial da Paz. O texto, divulgado com antecedência pelo Vaticano, afirma que estes atos colocam em perigo a paz mundial.

“Os que trabalham pela paz são os que amam, defendem e promovem a vida em sua integridade. Aqueles que não apreciam suficientemente o valor da vida humana e, em consequência, defendem por exemplo a liberação do aborto, talvez não percebam que, deste modo, propõem a busca de uma paz ilusória. A morte de um ser inerme e inocente nunca poderá trazer felicidade ou paz”, escreveu o Papa na mensagem.

Segundo o pontífice, quem deseja a paz não pode tolerar “atentados e delitos contra a vida”. “Como é possível pretender conseguir a paz, o desenvolvimento integral dos povos ou a própria salvaguarda do ambiente, sem que seja tutelado o direito à vida dos mais frágeis, começando pelos que ainda não nasceram?.”

“Tampouco é justo codificar de maneira sub-reptícia falsos direitos ou liberdades, que, baseados em uma visão reducionista e relativista do ser humano, e por meio do uso hábil de expressões ambíguas encaminhadas a favorecer um suposto direito ao aborto e à eutanásia, ameaçam o direito fundamental à vida”, adverte.

Na mensagem, o Papa elogia os “artesãos da paz” e pede a construção da paz “por meio de um novo modelo de desenvolvimento e de economia”.

Bento XVI afirma que “para sair da atual crise financeira e econômica, que tem como efeito um aumento das desigualdades, são necessárias pessoas, grupos e instituições que promovam a vida, favorecendo a criatividade humana para aproveitar inclusive a crise como uma oportunidade de discernimento e um novo modelo econômico”.

Ele convida os católicos a “atender a crise alimentar, muito mais grave que a financeira” e a apoiar os agricultores para que desenvolvam sua atividade “de modo digno e sustentável”.

O Papa reitera na mensagem que “a paz não é um sonho, não é uma utopia: é possível”.

Um terço dos americanos acredita que os desastres naturais estão relacionados com o Apocalipse descrito no Novo Testamento

Área devastada em Breezy Point após a passagem do furacão Sandy em 31 de outubro. Foto: Mehdi Taamallah/AFP

Reportagem da AFP MÓVEL publicada na CartaCapital

Título original:  Um terço dos americanos culpa Apocalipse por desastres naturais

Um terço dos americanos acredita que a intensidade dos desastres naturais recentes está relacionada com o Apocalipse descrito no Novo Testamento, segundo pesquisa publicada na quinta-feira 13.

No entanto, muitos outros cidadãos culparam o aquecimento global pelo fenômeno, acrescentou a consulta.

Tentando explicar as inundações, o extremo calor e as ondas de frio, 36% dos americanos e 66% dos cristãos evangélicos se referiram ao fim do mundo, segundo o levantamento realizado pelo Instituto Público de Pesquisa Religiosa.

No entanto, 63% dos entrevistados culparam as mudanças no clima e 67% afirmaram que o governo deveria fazer mais para enfrentar este problema.

Por outro lado, cerca de 15% dos entrevistados disseram pensar que o mundo acabará durante seu tempo de vida e só 2% consideraram que o fim do mundo ocorrerá no próximo 21 de dezembro, como muitos acreditam que os maias previram.

Um total de 1.018 adultos participaram da pesquisa, realizada entre 5 e 9 de dezembro com margem de erro de 3,2%.

Ayaan Hirsi Ali: ‘Cultura cristã é superior à islâmica’

Texto de Gabriel Bonis publicado originalmente na CartaCapital

Em 1992, Ayaan Hirsi Ali foi para a Holanda fugindo de um casamento arranjado pelo pai. No pequeno país europeu, onde viveu como refugiada e depois cidadã, a somali viu seus valores islâmicos entrarem em colapso. Passou de militante da Irmandade Muçulmana à agnóstica, parlamentar e crítica ao Islã.

Na Holanda, despertou a ira dos muçulmanos ao produzir o curta Submissão (2004), no qual uma muçulmana aparece vestida com uma burca parcialmente transparente, enquanto reza e critica o Islã. O vídeo resultou no assassinato de Theo van Gogh, diretor holandês do filme, por um extremista religioso.

Mutilada genitalmente na infância, a autora do best seller de memórias Infiel virou alvo de extremistas religiosos. Atualmente vive sob escolta nos EUA, de onde conversou com o site de CartaCapital, por telefone, sobre seu novo livro, Nômade  (Companhia das Letras, 392 págs., R$ 46,00).

O trabalho traz uma postura polêmica da autora: o Ocidente precisa enxergar o perigo do Islã. Ali sugere também que o cristianismo conquiste os muçulmanos para conter os extremistas.

Na íntegra da entrevista abaixo, a somali fala, entre outros tópicos, sobre os valores que enxerga no cristianismo, a proibição do uso de trajes cobrindo o rosto em diversos países europeus e do sexo para as muçulmanas no Ocidente.

CartaCapital – No livro Nômade, a sra. afirma que o Ocidente precisa reconhecer a ameaça do Islã e sugere uma aproximação da Igreja Católica para converter imigrantes muçulmanos. Sua justifica é de que o cristianismo tem melhores valores que o Islã. Quais seriam esses valores?
Ayaan Hirsi Ali –
Como analistas, podemos olhar para diversas religiões e culturas e dizer qual é melhor. Para os politicamente corretos, analisando a perspectiva do multiculturalismo, não há como compará-las, não se deve fazer isso. Contudo, creio que é um desperdício de oportunidade não fazê-lo devido aos desafios do Islã. Olho a cultura islâmica e a cristã e vejo que a cristã passou por um longo período de esclarecimento. As pessoas aceitaram a separação entre a religião, Estado e assuntos de sexualidade, embora isso não se aplique a todos os cristãos. Muitos deles são incapazes de fazer essa separação, mas em geral na cultura cristã ocidental essa separação foi reconhecida e aplicada. Neste sentido, creio que essa nova cultura cristã, que passou por uma reforma e esclarecimento, é superior à cultura islâmica, isenta desse processo. No Ocidente, a Igreja não é a legisladora, a lei é feita de forma independente no Parlamento e no Congresso. As pessoas que as produzem são eleitas por outras pessoas, o presidente dos EUA não é eleito por Deus. Isso é um grande progresso em termos de humanidade se compararmos o cristianismo ao islamismo, um progresso que os muçulmanos ainda não enfrentaram por completo.

CartaCapital – Mas esses itens apontados não estão relacionados apenas com o cristianismo, há aí valores da Revolução Francesa, por exemplo…
AHA –
Na história do cristianismo quando a Igreja legislava, as pessoas se revoltaram e quiseram melhorar esse aspecto. Disseram que Deus não poderia legislar, porque quem fala por Deus? Se olharmos a propaganda islâmica e sua agenda, o que estão dizendo é que as pessoas têm que viver pela lei da Sharia, a lei divina. É claro que há lei secular e questões de liberdade e governos que não têm nada a ver com religião. Porém, é possível ter uma discussão e uma opinião diferente sobre os seculistas e problemas como governo e sexualidade, mas tradicionalmente o principal problema tem sido entre pessoas que querem a religião no centro da moralidade e do governo e as outras que dizem ‘não, a religião deveria ser pessoal’. Continue lendo