Papa quer que Igreja estude união homossexual

2014-695922170-20140309084007173rts.jpg_20140309Publicado em O Globo

O Papa Francisco quer estudar as uniões homossexuais para entender por que alguns países optaram por sua legalização, afirmou neste domingo o cardeal de Nova York, Timothy Dolan, em mais um movimento de abertura em relação a um tema tabu para a Igreja. Em entrevista ao programa “Meet the Press”, da emissora americana NBC, o cardeal ressalvou que o Pontífice não disse ser a favor do matrimônio gay, mas que “a Igreja deve buscar e ver as razões que levaram alguns Estados a aprovar uniões civis entre pessoas do mesmo sexo em vez de condená-las”.

Para Dolan, o casamento entre um homem e uma mulher não é algo que se refere somente à religião e ao sacramento, mas representa “um elemento de construção da sociedade e da cultura”.

- E se retirarmos o significado sagrado do casamento, temo que não só a Igreja sofra, temo que a cultura e a sociedade também sofram – pontuou.

Na semana passada, o Papa Francisco disse em uma entrevista ao jornal “Corriere della Sera” que é preciso analisar caso a caso as uniões civis para casais homossexuais, mas reiterou que “o casamento é entre um homem e uma mulher”.

Em outro comentário sobre o assunto que divide clérigos, o Pontífice argentino afirmou, no ano passado, que a Igreja tem o direito de manifestar as suas opiniões, mas não pode interferir espiritualmente nas vidas de gays e lésbicas. Ele criticou religiosos cada vez mais obcecados em pregar sobre o aborto, casamento gay e contracepção – e disse que escolheu não falar sobre isso.

Na viagem de volta à Itália, após a Jornada Mundial da Juventude no Brasil, em julho, Francisco saiu em defesa dos homossexuais, dizendo que “eles não devem ser discriminados e devem ser integrados na sociedade”.

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Igrejas pronunciam-se sobre temas morais, mas deixam de lado questões sociais

Publicado em Instituto Humanista Unisinos

Detentoras de projetos políticos diversificados, as igrejas brasileiras tendem a pronunciar um problemático discurso equânime ao tratar de questões de ordem moral como sexualidade, casamento homossexual ou aborto, mas não em relação a outras questões vitais para a sociedade, disse o professor Rudolf von Sinner.

A reportagem é de Micael Vier B. e publicada pela Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação (ALC), 13-09-2012.

Englobando mais de 60% da população brasileira, a Igreja Católica tem demonstrado uma atuação vigorosa na sociedade civil através das suas pastorais. “A igreja Católica é socialmente forte e progressista, mas moralmente conservadora”, afirmou o professor falar, hoje, no Congresso Internacional da Faculdades EST, reunido em São Leopoldo até a sexta-feira, 14.

A cidadania, destacou, corresponde à realização democrática na medida em que define como as pessoas interagem no espaço público, não podendo, pois, reduzi-se ao mero cumprimento de direitos e deveres.

A exposição do professor da EST e coordenador do Congresso esteve centrada nas teses defendidas em seu último livro, resultado de anos de pesquisa desenvolvida tanto em São Leopoldo quanto no Centro de Investigação Teológica (CTI), em Princeton, nos EUA.

Intitulado The Churches and Democracy in Brazil: Towards a Public Theology Focused on Citizenship (Eugene/OR: Wipf & Stock, 2012, 406p.), a obra consiste num encorpado estudo sobre as igrejas e a democracia no Brasil após a transição democrática.

Como elementos fundantes para o estabelecimento de uma teologia da cidadania, o palestrante ressaltou que as pessoas precisam se sentir detentoras de direitos e ter efetivo acesso a eles, bem como confiar nas instituições que compõem a arena pública.

“Não existe confiança generalizada entre as pessoas, muito menos em relação aos políticos, mas a família, os bombeiros e as igrejas são detentores de grande confiabilidade, o que lhes outorga especial responsabilidade”, pontuou.

Conferencista ao lado de von Sinner, o professor sul-africano Clint Le Bruyns trouxe ao público reunido no Auditório da EST o resultado de um extenso estudo de caso sobre Igreja, democracia e cidadania realizado junto a líderes, ministros e estudantes africanos.

“Ministros, estudantes e trabalhadores concordam sobre o significado de democracia política, embora demonstrem sentimentos negativos sobre a vida política”, disse Le Bruyns.

A pesquisa revelou que as pessoas, de modo geral, sentem-se convocadas a participar da vida pública, mas que efetivamente essa participação fica reduzida ao período eleitoral.

Também foi consenso entre os participantes da pesquisa o reconhecimento de que a Bíblia tem importante papel a desempenhar na transformação social, tanto no sentido de questionar a ordem estabelecida quanto de preservação do status quo.

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A bancada dos evangélicos governistas decidiu que ladroagem não é pecado

Augusto Nunes, na Veja on-line

A bancada evangélica no Congresso não perde chance de mostrar que é muito mais temente a Deus que qualquer papa. No momento, com o ânimo beligerante de quem se alistou nas hostes do Senhor antes de deixar o berçário, senadores e deputados federais combatem o consumo de bebida alcoólica durante os jogos da Copa de 2014.

Simultaneamente, mantêm sob intenso bombardeio a legalização do aborto, os jogos de azar, os símbolos religiosos e outros sintomas de idolatria, os comerciais de cigarro, o kit gay, o casamento homossexual, o adultério, os decotes ousados e outras perfídias tramadas por Satanás.

A extensa lista de pecados só não inclui os cometidos de meia em meia hora pelos congressistas associados ao poder central. O assalto aos cofres públicos, a corrupção institucionalizada e impune, a gula das quadrilhas federais, a compra e venda de votos, os contratos de aluguel, as coalizões cafajestes e outras delinquências de que até Deus duvida são contemplados pelos evangélicos governistas com a tolerância dos cúmplices por ação ou omissão.

Não é por falta de tempo que jamais combateram a ladroagem. O que falta é vergonha.

dica do Israel Anderson

charge: Alpino

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Qual a diferença entre Bento 16 e Silas Malafaia?

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Leonardo Sakamoto, no Blog do Sakamoto

Em uma declaração feita para diplomatas, o papa Bento 16 condenou a união de pessoas do mesmo sexo, afirmando que ela põe a humanidade em risco. Disse que a educação das crianças precisa de ambientes adequados e que o lugar de honra cabe à família, baseada no casamento de um homem com uma mulher. Também afirmou que “essa não é uma simples convenção social e sim a célula fundamental de cada sociedade”. E deu um recado aos governantes liberais: “políticas que afetam a família ameaçam a dignidade humana e o próprio futuro da humanidade”.

Líderes religiosos têm o direito de expressarem as posições de sua crença para os seus fiéis. Mesmo que ele tivesse feito algo totalmente nonsense – como condenar uma pessoa de seu rebanho por dar fim à própria vida devido a um estágio terminal e insuportavelmente doloroso de uma doença (coisa que um humanista nunca faria…) – ele teria o direito a isso. Pois foi eleito para guiar espiritualmente um grupo, independentemente do que esse grupo acredite.

Agora, o problema é quando um líder atua para que outras pessoas, que não o elegeram nem para síndico de prédio, deixem de viver, morrer ou amar como bem quiserem. Não vou ser ingênuo de ignorar que esse tem sido o roteiro da raça humana, uma sequência de imposições de vontades e de crenças, do mais forte ao mais fraco, ao longo da história. Cristãos já foram mortos pelo que acreditavam. Depois, passaram a matar em nome de sua fé.

Qual a diferença entre Bento 16 e Silas Malafaia? Com todo o respeito e sem medo de ser linchado, eu diria que, nesses casos, nenhuma. O polêmico líder da Igreja Vitória em Cristo é conhecido por declarações contundentes na defesa de uma visão conservadora e seus discursos, não raras vezes, confundem liberdade religiosa e de expressão com uma guerra contra a diversidade. Somos mais coniventes com o ex-cardeal Ratzinger por conta do tamanho da Igreja Católica e sua influência na formação da nossa sociedade ocidental, mas o conteúdo contra direitos dos homossexuais está presente nas falas de ambos.

De tempos em tempos, homossexuais são vítimas de preconceito nas ruas só porque ousaram andar de mãos dadas. Enquanto isso, seguidores de uma pretensa verdade divina taxam o comportamento alheio de pecado e condenam os diferentes a uma vida de inferno aqui na Terra.

Como já disse aqui, líderes religiosos dizem que não incitam a violência. Mas não são suas mãos que seguram a faca, o revólver ou a lâmpada fluorescente, mas é a sobreposicão de seus argumentos ao longo do tempo que distorce a visão de mundo dos fiéis e torna o ato de esfaquear, atirar e atacar banais. Ou, melhor dizendo, “necessários”, quase um pedido do céu. São ações como a de Bento 16 e de Silas Malafaia que alimentam lentamente a intolerância, que depois será consumida pelos malucos que fazem o serviço sujo.

Afinal de contas, fundamentalismo não é monopólio de determinada religião.

dica do Alex Zerbinatti

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