Campanha incentiva mulheres com câncer a não desistirem de se casar

Mariana Leone, que fez ensaio vestida de noiva para incentivar pacientes de câncer a não desistirem de dizer sim (foto: Beto Bocchino\Divulgação)
Mariana Leone, que fez ensaio vestida de noiva para incentivar pacientes de câncer a não desistirem de dizer sim (foto: Beto Bocchino\Divulgação)

Chico Felitti, no UOL

Mariana Leone, 39, está caracterizada de noiva por uma causa.

A catarinense fez um ensaio vestida de branco para incentivar mulheres que, como ela, perderam os cabelos com o tratamento contra o câncer. Mas que não perderam a vontade de serem felizes.

Ela criou um blog chamado Câncer com Alegria, em que compartilha seu cotidiano e dá dicas de beleza e de auto-estima, e vai veicular nele a campanha de incentivo.

“Tenho encontrado muita gente que quer casar e não está se sentindo bem porque recebeu o diagnóstico de câncer”, diz ela, que  já se casou, mas  que “casaria mais uma vez assim, careca”.

“Quero mostrar para a mulher que ela é bonita, charmosa e tem seus encantos. E que a vida não acabou, que ela consegue se casar e ficar linda mesmo careca.”

foto: Beto Bocchino\Divulgação
foto: Beto Bocchino\Divulgação
foto: Beto Bocchino\Divulgação
foto: Beto Bocchino\Divulgação

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O amor Universal

Renato e Cristiane Cardoso no lançamento de ‘Casamento Blindado’, em 2012 (foto: Greg Salibian/Folhapress)
Renato e Cristiane Cardoso no lançamento de ‘Casamento Blindado’, em 2012 (foto: Greg Salibian/Folhapress)

Anna Virginia Balloussier, no Religiosamente

Não vai ter Copa, mas vai dar casamento.

O casal Cristiane e Renato Cardoso, filha e genro do bispo Edir Macedo, irão liderar um casório coletivo na Igreja Universal do Reino de Deus da avenida João Dias, na zona sul de São Paulo. A reunião, marcada para o Dia dos Namorados, 12 de junho, coincide com a abertura do Mundial.

“Vai ser excelente para mostrar onde está sua fidelidade: ao futebol ou à sua esposa”, disse o bispo Renato.

O desafio foi feito durante culto na quinta passada (29). Na ocasião, ele e a mulher davam dicas de “como se tornar uma pessoa atraente”, conforme prometido no convite postado por Cristiane no Instagram, com marca de batom vermelho.

O evento está em sintonia com o “Jejum de Jesus”, lançado na mesma semana por um barbado bispo Macedo.

A proposta: fiéis devem abstrair por 40 dias da “secularidade das informações”. Só está liberado, segundo o regulamento, “alimentar-se espiritualmente de conteúdos de fé” postados no site da igreja.

Adeus, “rádio, televisão, distrações”. Adeus, Fred passando a bola para Neymar nos jogos exibidos com exclusividade pela Rede Globo.

O “Jejum” começa a dois dias da Copa e a 40 dias da inauguração do Templo de Salomão, complexo de 74 mil m² que replicará no Brás o monumento destruído pela Babilônia no século 6º a.C..

Em 2013, Macedo prometeu deixar as barbas de molho até que o projeto fosse concluído (a inauguração será em 31 de julho, com presença da presidente Dilma). Há mais de um ano não apara os fios da face.

Reproduz em seu blog texto que diz: “Na Copa, ganham os jogadores. No Jejum, ganha VOCÊ. Para assistir à Copa tem que pagar. O Jejum é GRÁTIS”.

A igreja se adianta a eventuais críticas sobre o “timing” da iniciativa.

O bispo é dono da Record. Por um lado, a emissora já criticou a Fifa por não abrir licitação para os direitos de transmissão das Copas de 2018 e 2022 (mais uma vez garantidos à Globo). Por outro, acabou de estrear “Vitória”, sua nova novela das nove.

“A Universal não toma decisões espirituais baseadas na audiência de qualquer canal de televisão”, diz nota no portal da igreja.

Fiéis oram em ‘Terapia do Amor’ da Universal (foto: Anna Virginia Balloussier/Folhapress)
Fiéis oram em ‘Terapia do Amor’ da Universal (foto: Anna Virginia Balloussier/Folhapress)

VAI DAR NAMORO?

Com ou sem jejum, Katilyn quer perder peso. Na consciência e na silhueta. Vendedora de loja com 27 anos “e quase isso de quilinhos a mais” (exagero puro), a morena de cabelos aloirados usa uma legging jeans, jaqueta de couro sintético marrom e camiseta onde se lê “keep calm and trust God”.

Está na Universal pela segunda vez, “trazida pela tia Sandra”, ela conta enquanto sorve uma Coca-Cola Zero e bebe da fonte do casal Cardoso.

Cristiane e Renato, aposta, vão ajudá-la a encontrar seu “hómi”, que precisa ser “bonitão, fiel e não beber muito”.

Os dois são especialistas em relacionamento. Coassinam livros como “Casamento Blindado” (prefácio de Oscar Schmidt) e “120 Minutos para Blindar seu Casamento” (prefácio de Ana Hickmann), ambos vendidos a R$ 20 no culto. Na Record, apresentam “The Love School”, programa com orientações para a vida conjugal.

Em breve, serão 23 anos desde que disseram “sim” um ao outro. Completam bodas de palha, segundo a sabedoria popular.

Já a vida a dois, insistem sr. e sra. Cardoso, não pode ser fogo de palha –é preciso lutar pela cara metade. Katilyn está justamente trás de alguém que queira se comprometer.

Ela joga a latinha de refrigerante no lixo e entra no banheiro do templo, com mensagens do tipo “Jesus is everything!” e “only God can judge us!!!” talhadas a estilete na porta das cabines.

Diz-se animada com o culto que começará em poucos minutos. Logo, o telão da igreja exibe a imagem de um imã em forma de ferradura para ilustrar a pergunta: “Como ser atraente?”.

Cristiane e Renato vão te contar.

TERAPIA DO AMOR

O discurso do casal é magnético, e os fiéis respondem com entusiasmo às dicas de como não agir numa relação.

Não se faça de vítima. Amém! Não seja nem uma matraca nem fechado dentro de si mesmo. Aleluia! Não fale mal dos outros. É isso aí!

Cristiane pede cautela à  mulher disposta a ir para a cama de primeira. “Que que ele vai ganhar em casar com você agora? Você botou seu preço para baixo. A pessoa se desvaloriza.”

Renato sugere cuidado com o físico. “Não existe pessoa feia. Existe pessoa preguiçosa. Se você é tão bom por dentro, por que a embalagem é esculhambada?”

Estão pondo em prática a “Terapia do Amor”. Alguns casais que já passaram pelo divã espiritual dão seu testemunho.

Como Elisângela e Maurício, que brigavam muito antes de entrar para o projeto da igreja, há 17 anos. Ele tinha um vício, explica-se sem jeito. O bispo Renato indaga.

- Que vício?

- Bebia muito.

- Todo dia?

- A ponto de cair.

Com ajuda de Deus, ele conta que aprendeu a ser um “homem forte” e “deixar de ter ciúme”.

Renato questiona: “Então homem forte não é para bater mais forte nela, não?”.

Maurício responde que não.

- Deixou a bebida?

- Sim, senhor.

Com paletó aberto e sem gravata, o “senhor” Renato, 42 anos, tem ar jovial e, ao contrário de seu sogro, barba bem aparada.

Autora dos best-sellers “A Mulher V” (“moderna, à moda antiga”) e “Melhor do que Comprar Sapatos”, Cristiane, 40 anos, é um ícone da moda para o público feminino.

Com cabelos loiros e lisos presos num coque, brincões e sobretudo metade preto, metade de oncinha, ela defende que mulheres recuperam sua “graciosidade” (o casal, em selfie no elevador).

MELHOR REMÉDIO

O culto dura duas horas. Na primeira metade, o bispo chama os fiéis para a frente do púlpito: Deus, instrui, é a melhor solução para sua vida amorosa.

Ele lidera uma oração coletiva para afastar o “maligno” que muitas vezes impediria uma pessoa de encontrar a paz no relacionamento.

Nesta hora, várias vozes pedindo blindagem divina se sobrepõem. Alguns gritam “aleluia!”, outros choram, uma senhora ao meu lado faz ambos numa só tacada.

À minha direita, uma jovem se joga no chão aos berros. Ela veste jaqueta de nylon verde com capuz estampado de oncinha, calça jeans e sapatilha de plástico dourado, tipo Melissa. Atrás de sua orelha direita, coberta pelos cabelos tingidos de vermelho, uma tatuagem com estrelas.

Ela dá chutes no ar quase acertando minha canela, e por pouco quem não vê estrelinhas sou eu. O topo de sua cabeça é carinhosamente segurado por um obreiro (espécie de auxiliar do líder evangélico), uniformizado como outros membros da equipe Universal –camisa branca toda abotoada, calça social azul-marinho e gravata com o logo da igreja, o coração vermelho com uma pomba branca no centro.

“Xô!”, o rapaz ordena para os demônios que acredita estarem dentro dela. Parece funcionar. Emocionada, a garota –supostamente possuída segundos atrás– agradece baixinho.

A “sessão de descarrego” já foi. Agora, homens e mulheres como ela, evangélicos atrás da solução amorosa citada pelo bispo Renato, querem partir para a prática.

No dia 12 de junho, as duplas com certidão de casamento civil ganharão a bênção de Deus, o “autor do amor”.

Mas os solteiros em busca da “trilogia perfeita” (namoro, noivado e casamento) também terão vez.

Na ocasião, além do matrimônio em massa, Cristiane e Renato promovem a “Noite do Encontro”, uma palestra para quem ainda não achou seu par. Keep calm, trust God e imagina na Copa.

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A mulher ‘promíscua’

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Publicado no O Globo

O Papa Francisco convocou, para outubro, o Sínodo da Família. Dom Damasceno, cardeal arcebispo de Aparecida (SP), será um dos presidentes da reunião destinada a atualizar a pastoral da Igreja Católica em relação ao tema.

A família, tal como a conhecemos hoje, é uma instituição recente, filha da modernidade. Hoje, novas formas de união conjugal e a frequência de recasamentos obrigam a Igreja a rever conceitos e atitudes.

A argentina Jaquelina Lisbona, há 19 anos casada com um divorciado, foi proibida de comungar no dia da crisma de suas filhas, na cidade de São Lorenzo, porque o marido, Julio Sabetta, já havia sido casado anteriormente. O pároco disse que, por mais que ela se confessasse, ao retornar à casa estaria de novo em pecado…

Jaquelina, em setembro de 2013, enviou carta ao papa Francisco. Perguntou o que fazer, já que, para ela, não faz sentido participar da missa sem receber a eucaristia. Não tinha a menor esperança de merecer uma resposta.

Em abril, o telefone tocou na casa de Jaquelina; do outro lado da linha, a voz se identificou: “aqui fala o padre Bergoglio”. Após se desculpar pela demora em lhe responder, o Papa disse que ela “está livre de pecado” e deve comungar “tranquilamente” em outra paróquia, para não causar atrito com o padre que lhe negou o sacramento.

“Há padres mais papistas que o Papa”, disse Francisco. E acrescentou que também Julio, seu marido, poderia comungar: “O divorciado que comunga não está fazendo nada de mau.”

Há tempos, na TV alemã, o entrevistador perguntou a um bispo se daria comunhão a um divorciado. O prelado disse que não. Indagou, em seguida, se o faria a uma mulher que tivesse trocado cinco vezes de marido e, agora, vivesse com um sexto homem que não era seu marido.

O bispo, com uma expressão indignada, frisou que tal mulher procedia de modo contrário à vontade de Deus e às leis da Igreja. “Uma promíscua não tem o direito de se aproximar da eucaristia”, exclamou.

O entrevistador sorriu qual pescador que vê o cardume cair na rede e comentou: “Esta ‘promíscua’, que o senhor exclui da salvação, é a samaritana que Jesus encontrou à beira do poço de Jacó, de acordo com o capítulo 4 do Evangelho de João.” Pego no laço, o bispo se retirou da entrevista.

Uma das características da espiritualidade de Jesus é o antimoralismo. Em nenhum momento ele acusou a samaritana, cuja má fama conhecia, de devassa ou a aconselhou a pôr fim à sua rotatividade conjugal. Ao contrário, percebeu ali um coração sedento de amor e a elogiou por dizer a verdade. E a ela se revelou como o Messias.

A samaritana, embevecida, voltou à cidade para anunciar que encontrara Aquele que era o esperado. O que significa que ela foi, de fato, a primeira apóstola.

O Sínodo da Família deverá debater questões candentes, como divórcio e união entre pessoas do mesmo sexo. E comprovar que a Igreja é mãe, e não a bruxa retratada em histórias para crianças.

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Americano encontra mulher com quem sonhou por anos

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(Divulgação)

Chico Felitti, no Digo Sim

Título original: Darrell e Rosângela: dois sonhos em uma realidade

Darrell sempre sonhou com Rosângela . Rosângela sempre sonhou com Darrell.  Só que de jeitos bem diferentes.

O americano tinha 12 anos quando viu uma cena enquanto dormia. Estava numa festa em um casarão com uma mulher que nunca havia visto, mas que amava. A garoa da noite fazia o cabelo da moça ficar úmido, ele sentia na pele. E acordava.

Já Rosângela sonhava desde os 12 anos em sair da cidadezinha onde morava, no sul de Minas Gerais, e ir para os Estados Unidos. “Ainda criança, eu queria me casar com um americano!”

O sonho dele se repetiu, sempre à noite, “umas 30, 40 vezes” em 13 anos (dos 12 aos 25).

O sonho dela se repetia dia e noite na sua cabeça. “Eu via os filmes americanos e queria aquela vida para mim. Não sei exatamente o que era, mas queria.”

O sonho dele se transcorria dentro da casa da avó paterna em Salt Lake City, nos EUA.  “Era o amor da minha vida.”

O sonho dela levou-a a se mudar. Foi para Santos fazer faculdade e trabalhar, com uma ideia fixa. “Eu ia guardar dinheiro para ir para os Estados Unidos.”

O sonho dele levou-o a escolher uma especialização diferente da sua graduação, de antropólogo. “Descobri que havia um mestrado sobre sonhos e fui fazer.” Nas aulas, chegaram até a encenar a miragem que se repetia em muitas noites.

Sonho2 O casal, que hoje mora em Santos (ela desistiu de se mudar para os EUA) (Divulgação)

Rosângela não desistiu do sonho. Em 1989, ela decidiu que partiria assim que o ano virasse. Até comprou um apartamento para impressionar como profissional de sucesso na entrevista para o visto americano.

Darrell, sim, desistiu. “Na época eu gostaria de ter expurgado o sonho, porque ele não significava nada.” O último sonho que ele teve foi o único diferente de toda a vida. “Nele, essa pessoa estava na janela do apartamento onde eu morava, na avenida 9 de Julho, e não na casa da minha avó.” Nessa época, o americano já havia se mudado para São Paulo e trabalhava na editoria Internacional desta Folha.

Por sugestão de um amigo, ele, que terminara um namoro e estava desiludido, mandou uma carta para a seção de encontros amorosos da revista “Contigo”.  “Era um currículo, literalmente. Dizia o que eu tinha estudado e feito da vida.”

Enquanto isso, em Santos, uma colega de trabalho entrou na sala de Rosângela com uma revista “Contigo” na mão. Ela e as amigas brincaram que estavam encalhadas e que cada uma mandaria uma carta. Só ela mandou de fato. Dizia no papel “Quero me corresponder para fazer novos amigos”.

Ela recebeu umas 300 cartas. “Gente do Brasil inteiro, brasileiros que trabalhavam no Oriente Médio, enfim.”  Eram tantas missivas que até seu chefe ajudava a ler.

Mas ela respondeu uma só, a de Darrell. “Era um currículo, ele dizia os países que conhecia, o que tinha estudado, as línguas que falava. E ele era americano, né?”

Três dias depois, recebeu a resposta dele. Com uma foto. Na véspera do Natal, ele ligou para ela. Na do Ano-Novo, ela para ele.

Sonho3Ele só contou a ela dos sonhos recorrentes com seu rosto depois do casamento (Divulgação)

Em 13 de janeiro de 1990 marcaram de se ver, na estação Paraíso do Metrô. Ele a esperava na plataforma (“O casamento sempre começa no Paraíso!”). E esperou, e esperou. “Ela atrasou mais de duas horas.”

“Teve um congestionamento subindo a serra. Foi muito tempo de atraso”, confessa ela, que chegou na estação achando que ele não estaria mais ali.

Quando ele estava para ir embora, olhou para trás. “Virei e vi aquela mulher saindo do trem. Era ela. Foi bater o olho na orelha e no joelho dela e eu sabia. Eu queria falar aquilo, que ela era a mulher da minha vida, mas não podia, ela ia achar estranho.”

Três meses depois estavam casados.  O pedido formal nunca existiu. A decisão veio de uma frase proferida pelos dois. “Minha mãe não está muito contente de a gente estar morando juntos sem se casar.”

O encontro faz parte de uma palestra dele sobre sonhos e um livro sobre o mesmo assunto. Já narrou a história nos programas de Marcia Goldschmidt e de Olga Bongiovanni.

Rosângela Champlin, 56, e Darrell Champlin, 49, estão casados há 25 anos e vivem em Santos. “Depois dela, nunca tive outro sonho recorrente.”

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