Pessoas que usam o smartphone enquanto veem TV têm menos massa cinzenta no cérebro, diz estudo

Pessoas que usam o smartphone enquanto veem TV têm menos massa cinzenta no cérebro, diz estudo (foto: Reprodução / Pixabay)
Pessoas que usam o smartphone enquanto veem TV têm menos massa cinzenta no cérebro, diz estudo (foto: Reprodução / Pixabay)

Publicado no Extra

Pessoas que usam o smartphone enquanto assistem televisão podem fazer com que partes de seu cérebro sejam “desperdiçadas”, alertam especialistas. Um novo estudo publicado no jornal científico PLoS One descobriu que quem manipula laptops, telefones celulares e outros dispositivos de mídia, como tablets, ao mesmo tempo tem menos massa cinzenta — parte do cérebro que processa a informação.

A comparação foi feita com pessoas que usam apenas um equipamento por vez ou que só os utiliza de vez em quando. O desgaste da massa cinzenta afeta a concentração e a memória, bem como a capacidade de tomar decisões e definir metas. O problema também pode reduzir as inibições e o autocontrole, levando a comportamentos “inapropriados”.

O chefe da pesquisa, Kepkee Loh, da Universidade de Sussex, no Reino Unido, afirmou que o fato de dispositivos multitarefas estarem se tornando mais prevalentes vem gerando uma crescente preocupação com os impactos deles na cognição e no bem-estar socioemocional das pessoas.

No entanto, ele acrescentou que o estudo não demonstrou relação de causa e efeito entre estar conectado a várias mídias ao mesmo tempo e ter menos massa cinzenta no cérebro. É possível que pessoas com menos massa cinzenta sejam mais propensas a realizar diferentes tarefas simultaneamente em diversos dispositivos, porque elas se distraem mais facilmente e têm frágil autocontrole. Outra possibilidade é a de as multitarefas levarem a mudanças no cérebro que desgastam a massa cinzenta.

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8 motivos para você começar a dormir mais

foto: Getty Images
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Publicado no Terra

Todos sabem que dormir pouco traz inúmeras consequências negativas para nossas vidas, principalmente aquele mau humor no trabalho. O jornal norte-americano Huffington Post fez uma lista com oito motivos para você começar a se preocupar mais com o seu sono a partir de hoje.

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Seu sistema imunológico vai funcionar melhor. Diversos estudos comprovam que nossas defesas naturais se comportam melhor quando temos uma boa noite de sono. Outras pesquisas também apontaram que algumas vacinas contra gripe e hepatite tiveram pouco efeito quando o paciente as recebeu e foi privado de sono.

Sua memória vai melhorar. Já foi comprovado que o período em que dormimos é vital depois que nosso cérebro entra em contato com novas informações.

Você se sentirá emocionalmente melhor. Ter nosso sono privado faz com que nossa ansiedade fique mais alta. A incidência de problemas emocionais, como a depressão, também já foram relacionados com a falta de uma boa noite de sono.

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Seu cérebro estará “mais limpo”. O livro Sleep Soundly Every Night, Feel Fantastic Every Day aponta que o cerébro tem uma capacidade regenerativa durante o sono, onde é capaz de estabelecer novas conexões e caminhos entre os neurônios.

Também é durante o sono quando produzimos mais o hormônio do crescimento. Nas crianças, o momento do sono é crucial para o seu crescimento. Nos adultos, é importante para a criação de tecidos, algo vital para atletas ou qualquer um que faça exercícios. É neste momento que os músculos se reparam.

Ajuda a estabilizar os níveis de açúcar. Pessoas que dormem pouco possuem maior incidência de diabetes. Quem dorme pouco tem mais resistência à insulina.gifsono3

Talvez você perca peso. Algumas pesquisas mostraram que dormir entre sete e oito horas é o ideal. Dormir menos que isso aumenta a produção de um hormônio chamado ghrelin, que aumenta o apetite e impede a produção da leptina, que nos sacia.

É possível que você viva mais. Ter o hábito de dormir menos que sete horas diárias pode nos levar a ter uma vida mais curta. Este tipo de comportamento faz com problemas como pressão alta, AVCs e infartos tenha maior incidência.

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Descubra as mentiras que o seu cérebro conta para você

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publicado na Super Interessante

Você fica cego 4 horas por dia. Já foi enganado por um rótulo nesta semana. Tem preconceitos sobre todos os assuntos (por mais que ache que não). Toma decisões irracionais, que vão contra os seus interesses. Você não está no controle da própria mente. Mas não se preocupe: você é normal. Não é maluco e possui um cérebro perfeito, como o de qualquer outra pessoa. Só que ele inventa coisas para iludir você. Não é por mal. É só uma maneira de economizar energia.

O cérebro humano é o objeto mais complexo do Universo. Tem 100 bilhões de neurônios, que podem formar 100 trilhões de conexões. Se fosse possível criar um computador com o mesmo número de circuitos do cérebro, ele consumiria uma quantidade absurda de eletricidade: 60 milhões de watts por hora, segundo uma estimativa de cientistas da Universidade Stanford. É o equivalente a quatro usinas de Itaipu trabalhando simultaneamente. Mas o cérebro humano gasta pouquíssima energia – 20 watts, menos que uma lâmpada. E mesmo assim consegue fazer coisas extremamente sofisticadas, de que nenhum computador é capaz.

Só que isso tem um preço. O seu cérebro não consegue analisar as situações de forma completamente racional, avaliando todas as variáveis envolvidas em cada caso. Para fazer isso, ele precisaria de ainda mais circuitos – e muito mais energia. Mas, ao longo da evolução, a natureza encontrou uma solução: o cérebro pode mentir para seu dono. Sim, mentir. Descartar informações, manipular raciocínios e até inventar coisas que não existem. Dessa forma, é possível simplificar a realidade – e reduzir drasticamente o nível de processamento exigido dos neurônios. “São efeitos colaterais do funcionamento normal do cérebro”, diz Suzana Herculano-Houzel, neurocientista da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Tudo começa pela visão. Você não percebe, mas o cérebro edita o que você vê. Das 16 horas por dia que uma pessoa passa acordada, em média, 4 horas são preenchidas por imagens “artificiais” – que não foram captadas pelos olhos, e sim criadas pelo cérebro.

O olho humano só capta imagens com clareza em uma pequena parte, a fóvea, que tem 1 milímetro de diâmetro e fica no centro da retina. Então, para compor a linda imagem que você está vendo agora, os seus olhos estão constantemente em movimento. Eles focam determinado ponto e depois pulam para o ponto seguinte. Cada um desses saltos tem duração de 0,2 segundo. Quer comprovar isso na prática? Na próxima vez em que você estiver conversando com uma pessoa, preste atenção nos olhos dela. Você irá perceber que eles se movimentam o tempo todo para escanear vários pontos do seu rosto.

O problema é que a cada pulo desses, enquanto os olhos estão se movendo para a próxima posição, o cérebro deixa de receber informação visual por 0,1 segundo. Durante esse tempo, você está cego. E, como nossos olhos fazem pelo menos 150 mil pulos todos os dias, o resultado são 4 horas diárias de cegueira involuntária. Você não percebe isso porque o cérebro preenche esses momentos com imagens artificiais, que dão a sensação de movimento contínuo. Mas que, na prática, você não viu.

Tem mais: o que você enxerga não é o que está acontecendo – e sim o que vai acontecer no futuro. É sério. Isso acontece porque a informação captada pelos olhos não é processada imediatamente. Ela tem de passar pelo nervo óptico e só depois chega ao cérebro. O processo leva frações de segundo, e você não pode esperar – um atraso na visão pode fazer com que você seja atropelado ao atravessar a rua, por exemplo. Então, o que faz o cérebro? Inventa. Analisa os movimentos de todas as coisas e fabrica uma imagem que não é real, contendo a posição em que cada coisa deverá estar 0,2 segundo no futuro. Você não vê o que está acontecendo agora, e sim uma estimativa do que irá acontecer daqui a 0,2 segundo.

As mentiras invadem a razão
Com R$ 1,10, você pode comprar um café e uma bala. O café custa R$ 1 a mais do que a bala. Quanto custa a bala? Responda rápido. Dez centavos, certo? Errado. Você acaba de ser enganado pelo próprio cérebro. Mas não está sozinho – mais da metade dos estudantes de universidades prestigiadas como Harvard, MIT e Princeton responderam a essa mesma pergunta e também erraram (entre alunos de instituições menos badaladas, o índice de erro é ainda maior, cerca de 80%). Essa charada é um dos exemplos citados no livro Thinking, Fast and Slow (Pensando, Rápido e Devagar, ainda sem versão em português), do psicólogo israelense Daniel Kahneman, que ganhou o Prêmio Nobel de Economia por suas pesquisas sobre o comportamento humano.

Para Kahneman, o cérebro tem dois tipos de pensamento. O primeiro é rápido e intuitivo e confia na experiência, na memória e nos sentimentos para tomar decisões. O segundo é lento e analítico – e serve como uma espécie de guardião do primeiro.

Se estamos decidindo sobre o que comer, podemos ficar em dúvida entre um sanduíche e um prato de feijão. Mas por que essas duas opções, justo elas, surgiram como as alternativas válidas para o momento? Por que você não considerou um bacalhau com batatas? Por que não um sorvete de abacaxi? Porque o seu pensamento intuitivo já estava inclinado para optar pelo sanduba ou pelo feijão e restringiu previamente as escolhas antes mesmo que você se desse conta de que estava chegando a hora de almoçar. Do contrário, passaríamos horas avaliando todas as possíveis opções de refeição – e morreríamos de fome. Se o pensamento intuitivo não existisse, seria extremamente difícil escolher uma roupa ou responder a perguntas banais, do tipo “como você está?” ou “gostou do filme?”. De certa forma, o pensamento intuitivo é o que nos diferencia dos robôs. E é ele que permite ao cérebro processar informações na velocidade necessária. “Ele é mais influente. É o autor secreto de muitas decisões e julgamentos que você faz”, explica Kahneman no livro. Foi o pensamento intuitivo que apontou os dez centavos como resposta para o enigma do café. Só que ele mentiu para você. A resposta certa é R$ 0,05. Se a bala custasse R$ 0,10, o café custaria R$ 1,10 – e o total daria R$ 1,20.

Esse duelo entre os dois tipos de pensamento, o rápido-intuitivo e o lento-analítico, também tem uma explicação evolutiva. O córtex pré-frontal, região do cérebro responsável pelo processamento lógico, surgiu relativamente tarde na evolução da espécie humana – já as emoções e os instintos estavam com nossos ancestrais há muito mais tempo. Por isso elas são tão fortes e nos influenciam tanto. “A filosofia considera o ser humano um animal racional. Mas o que sabemos é que apenas em certas circunstâncias e à custa de muito esforço conseguimos ser racionais”, afirma Vitor Haase, médico e professor de psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O pensamento intuitivo está sempre presente, até nas situações em que a racionalidade é supremamente importante. Um estudo de pesquisadores das universidades de Ben Gurion, em Israel, e Columbia, nos EUA, analisou o comportamento de juízes que deveriam decidir sobre a liberdade condicional de presos (um processo rápido, que leva 6 minutos). Em média, somente 35% dos condenados ganhavam a condicional. Mas os cientistas perceberam que os juízes eram muito mais benevolentes depois de comer. Quando eles tinham acabado de fazer uma refeição, a taxa de aprovação subia para 65%. Com o passar do tempo, a fome vinha chegando, e a concessão de liberdade condicional ia caindo. Minutos antes do próximo lanche, o índice de aprovação era quase zero.

Decidir sobre liberdade condicional e julgar a própria felicidade são tarefas complexas. Para avaliar todas as variáveis envolvidas, muitas delas subjetivas, o cérebro tenderia a ficar sobrecarregado. Por isso, ele usa atalhos. “Os nossos problemas são resolvidos no piloto automático, através de soluções que a cultura já embutiu no nosso cérebro”, diz Haase.

Estudos têm revelado outra distorção: toda pessoa sempre tende ao otimismo, mesmo quando não há motivos para isso. A pesquisadora Tali Sharot, da University College London, gravou a atividade cerebral de voluntários enquanto eles imaginavam situações banais – como tirar uma carteira de identidade. Ela também pediu que os voluntários pensassem em coisas do passado. Os testes mostraram que as mesmas estruturas cerebrais são ativadas para recordar o passado e imaginar o futuro. Só que, ao imaginar o futuro, os voluntários criavam cenários magníficos – era o cérebro tentando colorir os eventos sem graça. “Cerca de 80% das pessoas têm tendência ao otimismo, algumas mais do que outras”, diz ela. Para Tali, autora do livro Optimism Bias (O Viés do Otimismo, ainda sem versão em português), o otimismo é sempre mais comum que o pessimismo – seja qual for a faixa etária ou o grupo socioeconômico da pessoa. Assim, nunca acreditamos que algo vá dar errado – mesmo quando o mais racional seria pensar que sim. “As taxas de divórcio, por exemplo, chegam a 40%, 50%. Mas as pessoas que estão para casar sempre estimam suas chances de separação em o%”, exemplifica Tali. Segundo ela, a inclinação natural ao otimismo também é um dos fatores que levaram à crise econômica global de 2008. “As pessoas achavam que o mercado continuaria subindo cada vez mais e ignoraram as evidências contrárias”, afirma.

Ele está no controle
As manipulações criadas pelo cérebro afetam até a capacidade mais essencial do ser humano: tomar as próprias decisões. Quando você decide alguma coisa, na verdade o cérebro já decidiu – com uma antecedência que pode chegar a 10 segundos. Uma experiência feita no Centro Bernstein de Neurociência Computacional, em Berlim, comprovou que as nossas escolhas são resolvidas pelo cérebro antes mesmo de chegarem à consciência. Voluntários foram colocados em frente a uma tela na qual era exibida uma sequência aleatória de letras. O voluntário tinha que escolher uma das letras e apertar um botão sempre que ela aparecesse. Os cientistas monitoraram o cérebro dos participantes durante o experimento. E chegaram a uma descoberta impressionante: 10 segundos antes de os voluntários escolherem uma letra, sinais elétricos correspondentes a essa decisão já apareciam nos córtices frontopolar e medial, as regiões do cérebro ligadas à tomada de decisões. Cinco segundos antes de o voluntário apertar o botão, o cérebro ativava os córtices motores, que controlam os movimentos do corpo. Isso significa que, 10 segundos antes de você fazer conscientemente uma escolha, o seu cérebro já tomou a decisão para você – e até já começou a mexer a sua mão.

“O indivíduo não é livre para escolher”, afirma Renato Zamora Flores, professor de genética do comportamento da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O cérebro restringe previamente as suas possíveis opções e, pior ainda, escolhe uma delas antes mesmo que você se dê conta. É possível lutar contra isso. Lembra-se daquele outro tipo de pensamento, o lento-analítico? Basta colocá-lo em ação. E isso você consegue tendo calma, refletindo sobre as coisas e duvidando das suas escolhas e opiniões. Os truques do cérebro são poderosos, mas não invencíveis. Agora que você sabe como funcionam, está muito mais preparado para lidar com eles – e se tornar realmente livre para tomar as próprias decisões.

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Cérebro pode ser ‘treinado’ a preferir sempre alimentos saudáveis

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Publicado em O Globo

Sim, é possível gostar só de salada ou produtos “light”. Basta fazer um esforço. Essa é a principal conclusão de um estudo publicado na revista “Nutrition & Diabetes”, que defendeu que nosso cérebro pode ser treinado a preferir comida saudável em detrimento de alimentos de alto teor calórico e gordurosos, desde que a dieta não deixe ninguém passar fome.

Há tempos, tinha-se a impressão que nossas preferências por fast-food como batatas fritas e hambúrgueres eram vícios construídos pela sociedade ocidental. No entanto, cientistas da Universidade de Tufts, nos Estados Unidos, puderam confirmar essa teoria a partir de imagens escaneadas da área cerebral ligada à recompensa e vício.

Ao todo, 13 homens e mulheres classificados como “acima do peso” e “obesos” participaram do experimento, oito dos quais faziam parte de um programa de perda de peso especialmente projetado. Quando seus cérebros foram escaneados usando ressonância magnética no início e no final de um período de seis meses, aqueles que seguiam o programa de emagrecimento demonstraram mudanças no centro de recompensa do cérebro.

Ao longo de seis semanas, imagens escaneadas no centro de recompensa do cérebro mostraram que as preferências alimentares desse grupo mudaram, focando em uma dieta rica em fibras e proteínas e pobre em carboidratos. Não foi permitido de modo algum que os participantes ficassem com fome, já que é nesse momento que os desejos de comida e alimentos não-saudáveis tornam-se mais incontroláveis.

Após a exibição de imagens de diferentes tipos de alimentos aos participantes, foram os alimentos saudáveis e de baixas calorias que produziram um aumento da reação cerebral. Segundo o estudo, isso indicava um aumento da recompensa e prazer da comida saudável. Por outro lado, o centro de recompensa do cérebro também mostrou diminuição da sensibilidade aos alimentos pouco saudáveis e de maior teor calórico.

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