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Caetano Veloso: “As palavras de Ariovaldo Ramos são sobre o gosto da vida nestes tempos”

554920_10152712249940162_1724879106_nNo próximo dia 24 de abril (quarta-feira), vai rolar na Igreja Batista de Água Branca o lançamento de “Pare de conjugar o verbo sofrer”, o novo livro de Ariovaldo Ramos.

O texto preciso e instigante do colunista do Pavablog vem acompanhado de testemunhais dos teólogos Ed René Kivitz e Ricardo Bitun e dos compositores Chico Buarque e Caetano Veloso.

Prestigie o lançamento, compre o livro e desfrute de bons momentos de reflexão. #recomendo

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Candeia, Mano Brown, Eu e Você.

reflexão

Publicado por Marcos Almeida

Aos 41 anos, o sambista carioca Candeia ouviu seu amigo Cartola gravar os seguintes versos: “se alguém por mim perguntar / Diga que eu só vou voltar / Depois que eu me encontrar” (Preciso me encontrar – gravada por Cartola em 1976). Depois da chamada “curva da desesperança” que os psicólogos falam – aquele período de 11 aos 23 anos – é comum vir um tempo de produtividade, de criação e busca por identidade.

Não sei quando Candeia escreveu esses versos, mas é possível dizer que depois dos 23 vem um tempo de intimidade consigo. É nesse período que os compositores começam a escrever sobre este  assunto: “quem sou eu”. Essa preocupação parece nos acompanhar até uma certa idade, quando depois resolvemos falar mais sobre o que nos cerca, narrando o mundo. Nesse caso, é curioso ver um senhor de 41 anos assistindo um amigo de 68 (Cartola) cantando versos tão íntimos.

O cancioneiro popular brasileiro está repleto de confissões que mostram essa busca por identidade. Dos artistas do samba, do rock, passando pelo clube da esquina, tropicália, bossa-nova ou mangue-beat, todos eles deixaram ver nas suas obras esse aspecto da nossa jornada. Agora, pare um pouco para pensar nesta letra:

 

“ Talvez eu seja um sádico
Um anjo
Um mágico
Juiz ou réu
Um bandido do céu
Malandro ou otário
Padre sanguinário
Franco atirador se for necessário
Revolucionário
Insano
Ou marginal
Antigo e moderno
Imortal”     

(Genesis Intro, Racionais Mc’s)

 

Como ouvinte ou leitor sempre podemos escolher sobre qual aspecto da canção vamos colocar nosso foco. É interessante descobrir que a música acaba mandando recados pra gente, não só ao corpo mas à nossa razão, informando, propondo, fazendo pensar, questionando.

Nesse texto apresento para vocês esse tema da identidade que anteriormente só aparecia aqui no blog quando falávamos da brasilidade mais geral, social, de um grupo de brasileiros. Mano Brown, o líder dos Racionais, aos 27 também estava procurando se encontrar, sobrevivendo num mundo que para ele era o inferno. No meio da violência, da covardia, da ausência do Estado, entre pastores, padres e marginais, ele tentava achar uma imagem que o representasse como pessoa; talvez um anjo, um mágico … um revolucionário.

O longo e surpreendente discurso do nosso cancioneiro popular nos ajuda a identificar não apenas as realidades sociais do período específico da obra, como nas canções de protesto do Chico Buarque, Belchior ou do próprio Brown, mas possibilita um diálogo com a nossa intimidade, uma reflexão sobre a natureza humana. Isso porque toda obra de arte só existe por causa do homem e por não ser neutra, impossível ser neutra, ela perigosamente expõe nossa alma. E qual alma nunca quis saber a respeito de si? Candeia e Mano Brown são como eu e você.

Scar Project – O câncer de mama não é uma fita rosa

Jéssica Parizotto, no Obvious

Onde mora a beleza feminina? Há beleza na dor? Quem sabe as respostas possam ser encontradas nos ensaios fotográficos que David Jay faz para o SCAR Project. Um projeto que mostra que o câncer de mama exige mais seriedade que uma fita rosa e que o encanto feminino é superior ao sofrimento.

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© David Jay, Scar Project.

Todo dia ela faz tudo sempre igual. O despertador toca, ela acorda preguiçosamente desarrumada e corre para o banheiro, toma um banho com o sabonete líquido que promete uma pele aveludada, lava o cabelo com o shampoo que reconstrói o que a coloração da moda destruiu, substitui o café da manhã que estava acostumada a tomar na casa de sua mãe por um iogurte que promete deixá-la mais leve, a roupa deve dar a impressão de que ela acorda linda e a maquiagem deve esconder as olheiras causadas pelas noites em busca do príncipe encantado. O cotidiano da música de Chico Buarque é belíssimo. O nosso, nem tanto assim.

David Jay é um fotógrafo que está acostumado a conviver com a feminilidade. Fotógrafo de moda há 15 anos, ele convive diariamente com questões que permeiam o universo da beleza feminina: a busca pelo corpo perfeito, a ditadura da magreza, a efemeridade com que a moda trabalha, enfim, todas essas barreiras pelas quais as mulheres devem passar ao nascer de cada dia.

Mas o projeto de sua autoria que mais chama a atenção nada tem a ver com o mundo da moda, apesar de estar completamente ligado à vida feminina. No SCAR Project nos é apresentada outra visão da beleza feminina: sem idealizações, sem as construções materiais que a moda implica, sem a urgência que nos é imposta.

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© David Jay, Scar Project.

O primeiro contato com as fotografias do projeto pode causar várias reações; haverá aqueles se que se revoltam e argumentam que não há beleza na dor, que isso é exploração. Mas há que se dar a chance de as imagens falarem mais do que o superficial. Há, sim, beleza na dor, mas não a beleza massificada de todos os dias: há o encanto inerente à condição humana, na sua total fragilidade.

Tudo começou quando Jay viu uma amiga de apenas 29 anos ter que passar por uma cirurgia mastectômica, que consiste em retirar completamente a mama e é um dos possíveis tratamentos para o câncer. Segundo David, essa foi a maneira que ele encontrou de confrontar e aceitar a situação. Daí em diante, várias mulheres foram fotografadas pelas suas lentes.

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© David Jay, Scar Project.

De acordo com o fotógrafo, o objetivo do projeto é o mesmo de outras campanhas: o de alertar mulheres para o perigo do câncer de mama. Porém, são dois os grandes diferenciais: o primeiro é o público alvo, que é o de mulheres jovens; o segundo é a honestidade com que ele procura mostrar a doença.

Para Jay, as campanhas de combate ao câncer acabam não alertando para o real perigo, escondidas atrás de laços rosa e propagandas “fofas”. Seu objetivo vem na contramão dessa ideia, nas suas palavras: “Eu não vou mostrar apenas metade da história – que tudo vai ficar bem e essas meninas têm câncer de mama, mas irão continuar com suas vidas – porque esse não é o caso. Eu gostaria que fosse o caso, mas a realidade é que algumas dessas meninas estão morrendo e é importante ter a sua história, mas também porque essa é a realidade da doença.”

Ele ainda argumenta que em uma análise mais demorada é possível perceber que as imagens não são estritamente sobre o câncer de mama, mas sim sobre autoaceitação, compaixão, amor e humanidade. O fotógrafo complementa: “Trata-se de aceitar tudo que a vida nos oferece… toda a beleza… todo o sofrimento também… com graça, coragem, empatia e compreensão. ”

Dizem que a mulher é o sexo frágil. Mas que mentira absurda! Sábias palavras, Erasmo!

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© David Jay, Scar Project.

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© David Jay, Scar Project.

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© David Jay, Scar Project.

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© David Jay, Scar Project.

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© David Jay, Scar Project.

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© David Jay, Scar Project.

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© David Jay, Scar Project.

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© David Jay, Scar Project.

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© David Jay, Scar Project.

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© David Jay, Scar Project.

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© David Jay, Scar Project.

 

50 previsões que darão errado

Ruth de Aquino, na Época6a00d83451b74a69e2017d3e40bf35970c-800wi

1. Lula dirá que sabia de alguma coisa.

2. Serra ganhará uma eleição. De Mister Simpatia. Fará um implante capilar com o hair stylist de Haddad, Celso Kamura.

3. Lula elogiará a imprensa brasileira e dará entrevista coletiva anunciando que não será mais candidato a nada.

4. Dilma viverá lua de mel com a base aliada, em especial com o PT. Será eleita musa dos sindicatos.

5. O PIB crescerá mais que o anunciado por Mantega.

6. Aécio Neves se recusará a ser candidato tucano à Presidência e passará a organizar concursos de misses.

7. O PSDB revelará, enfim, o projeto alternativo da oposição para o Brasil.

8. Fernando Henrique deixará outra pessoa falar pelo PSDB.

9. Rosemary Noronha procurará o cirurgião plástico de Dirceu e cairá na clandestinidade – mas, antes, mudará os óculos.

10. Dirceu será preso sem regalias. Jogará fora o celular e doará as bermudas chiques para Carlinhos Cachoeira.

11. Cachoeira assumirá as têmporas brancas a pedido da namoradinha do Brasil, Andressa.

12. O jogo do bicho acabará.

13. Nenhum policial achacará bicheiros ou traficantes nem armará autos de resistência em ações de extermínio.

14. Vazarão na internet fotos de Nicole Bahls vestida.

15. A gostosa do BBB não posará nua.

16. Clarice Lispector deixará de ser citada nas redes sociais.

17. Ninguém mais postará fotos de comida no Facebook.

18. Arnaldo Jabor acordará feliz.

19. Chico Buarque e Fernando Morais pedirão mais liberdade e democracia em Cuba.

20. Michel Teló desistirá de fazer música chiclete.

21. Acabarão os comerciais com Ivete Sangalo.

22. Luana Piovani não tuitará o marido surfista e ficará invisível.

23. O orçamento das obras para a Copa e a Olimpíada será revisto para baixo, porque sobrou dinheiro.

24. A CBF será uma confederação acima de qualquer suspeita.

25. Meu Botafogo será campeão brasileiro depois que o time aprender holandês com o Seedorf.

26. A reforma tributária sairá e pagaremos menos impostos.

27. Renan Calheiros fará história na presidência do Senado votando projetos importantes para o país.

28. Sarney & Filha doarão parte de sua imensa fortuna ao “Maranhão-esperança”, projeto ambicioso para reduzir o analfabetis­mo, a prostituição infantil e a miséria do Estado.

29. O Congresso aprovará o fim do 14o e do 15o salários para os parlamentares e proibirá notas frias.

30. Deputados e senadores passarão a trabalhar na segunda e na sexta-feira para votar questões proteladas há 12 anos.

31. Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski concordarão.

32. Serão ressuscitados os rios Tietê e Pinheiros.

33. A Baía de Guanabara será enfim despoluída. Quem chega de carro ao Rio de Janeiro deixará de sentir cheiro de podre.

34. A Rocinha acabará com o esgoto a céu aberto, antes de ga­nhar teleférico turístico e obra póstuma de Niemeyer.

35. Os pobres poderão fazer cirurgias de emergência. Nenhuma criança ou velho morrerá por falta de assistência médica.

36. Desabrigados por tempestades e inundações terminarão o ano reassentados em áreas fora de risco.

37. Os celulares de traficantes presos em São Paulo serão bloquea­dos e eles não poderão mais dar ordens para tocar o terror.

38. Nenhum bueiro explodirá no Rio, e os cariocas finalmente saberão o motivo das explosões.

39. O prefeito do Rio, Eduardo Paes, impedirá que a especulação imobiliária acabe com os parques e as reservas ambientais.

40. Não haverá arrastões nos restaurantes de São Paulo e nas praias do Rio.

41. Não haverá apagões.

42. Aeroportos funcionarão direito e acabarão com o táxi-bandalha.

43. Passagens aéreas no Brasil ficarão mais acessíveis, e uma competição saudável no setor beneficiará a população.

44. Operadoras de celular deixarão de extorquir os consumidores, e as contas passarão a ser inteligíveis.

45. Bancos reduzirão as taxas dos correntistas, contribuindo assim para a saúde financeira de quem os sustenta.

46. Empresas, privadas ou estatais, respeitarão o tempo máximo de espera ao telefone e deixarão de enlouquecer quem recorre a seus serviços de atendimento.

47. Não receberemos mais nenhuma chamada de telemarke­ting na hora do jantar e no fim de semana.

48. O lixo – coleta e reciclagem – passará a ser encarado com seriedade pelos governos.

49. Famílias brasileiras deixarão de emporcalhar as praias e os parques. Cada um levará seu saquinho de lixo, ensinando às crianças que quem ama cuida.

50. Feriadões deixarão de ser pretexto para exterminar famílias nas estradas, por culpa de direção irresponsável, ultrapassagens imprudentes e álcool.