12 cidades que parecem ter parado no tempo

Em Little Woodham vive-se como se estivesse no século XVII
Em Little Woodham vive-se como se estivesse no século XVII

Publicado no El Hombre

No dicionário o verbo viajar aparece sucedido de uma definição singela, no entanto, coerente: “Fazer uma viagem; ir de um lugar para outro ou outros”.

Às vezes, entretanto, uma viagem pode representar muito mais do que um deslocamento no espaço – pode designar um deslocamento temporal.

Sim, sei que parece loucura, mas depois de ler este texto você irá compreender meu raciocínio. Alguns locais, especialmente na Europa, parecem ter congelado no tempo. Uns pelo fato de terem se tornado museus a céu aberto e outros por preservarem uma determinada cultura e história que permanece inalteradas através do tempo.
Bom, antes que você me considere louco, confira 12 destes lugares espalhados pelo mundo:

Den Gamle By — Dinamarca

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Den Gamle By (ou em português “A Cidade Velha”) é um museu a céu aberto instalado na cidade de Aarhus. São edificações históricas construídas entre os séculos XVI e XIX, sendo que a mais antiga delas é um armazém de 1550.
O Den Gamle By foi inaugurado em 1914, sendo o primeiro museu desse tipo no mundo. No total, é composto por 75 construções de todo o país que foram desmontadas e remontadas em Aarhus para evitar que parte da história da nação fosse perdida.

Cidadela de Carcassonne – França

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Localizado no município de Carcassonne, cerca de 80 km de Toulouse, este local constitui um conjunto arquitetônico medieval que, inclusive, foi tombado como Patrimônio Mundial em 1997.
Apesar de terem sido feitas restaurações no final do século XIX, boa parte das construções foi realizada durante o século XI e permanece quase intocada. Chama atenção os três quilômetros de fortificações e as 52 torres que rodeiam o imponente castelo.

Archeon — Holanda

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Archeon é um museu arqueológico situado em Alphen aan den Rijn, na Holanda. Em Archeon é possível realmente viajar no tempo, já que o local traz o passado à vida em vários contextos históricos de várias épocas da história holandesa.
Entre os períodos retratados estão a Idade da Pedra, a época romana e o período medieval. Inaugurada em 1994, já serviu de palco para vários festivais, tal como o Archeon Roman Festival.

Xinye Village — China

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Xinye Village é uma aldeia chinesa, uma cidadezinha histórica situada em Jiande tendo sido fundada na Dinastia Song do Sul. Xinye é reconhecida por sua exuberante e bem preservada arquitetura das dinastias Ming e Qing.

Algumas das edificações mais antigas datam do século XIV, sendo que a vila foi originalmente fundada no século anterior. Hoje, a maioria dos moradores carrega o sobrenome Ye, do fundador Ye Kun. Xinye Village é, para muitos, o maior museu ao ar livre de residências antigas na China.

Almedina de Fez – Marrocos

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Almedina é o nome dado à área histórica de diversas cidades do noroeste da África. Comumente contêm fontes, palácios, mesquitas, dentre diversas edificações e monumentos históricos de inestimável valor cultural.

E dentre as Almedinas, a da cidade de Fez é a maior e mais bem preservada do continente. Boa parte do que está construído por lá data dos séculos XIII e XIV, quando Fez se tornou capital do Império Merínda, substituindo Marrakech. No local você também pode conhecer a universidade mais antiga do mundo ainda em funcionamente segundo o Guinness Book: a Universidade de Karueein, fundada em 859.

Little Woodham – Inglaterra

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Little Woodham Living History Village é um museu vivo dedicado a recriar a vida em uma aldeia rural de meados do século XVII. Os moradores são voluntários que se vestem em trajes e agem como se estivessem no verão de 1642. Estes voluntários realmente encarnam personagens da época e discutem sobre assuntos da vila, sobre Charles I e sobre a iminente guerra entre o rei e o parlamento.

A vila de Little Woodham foi inicialmente criada em 1984 como uma reconstituição temporária da vida na região às vésperas da Guerra Civil Inglesa. Após isso, os próprios moradores da região fundaram uma sociedade e levantaram fundos para manter o projeto vivo até os dias de hoje.

Shikoku Mura — Japão

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Shikoku Mura é um parque dedicado a preservar a arquitetura regional dos séculos XVII a XIX situado em Takamatsu, no Japão. Hoje, o parque abriga mais de vinte edifícios datados desde o período Edo,iniciado em no século XVII.

O parque foi inaugurado em 1976 e ocupa uma área de cerca de cinquenta mil metros quadrados. Muito do que se encontra por lá hoje está relativamente intocado desde o começo do último século.

Kizhi Island — Rússia

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Kizhi é nome dado a uma pequena ilha no Lago Onega, na Rússia. Por lá, você pode encontrar alguns edifícios dos séculos XV ao XVII, entre eles duas igrejas e uma torre de sino conhecida como Kizhi Pogost, construída em 1700.
O que acontece é que durante a década de 1950 edifícios históricos de regiões próximas foram transferidos para a ilha como meio de preservação. Hoje, portanto, todo lugar transformou-se num museu a céu aberto.

Rothenburg ob der Tauber — Alemanha

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O nome “Rothenburg ob der Tauber” significa, em alemão, “fortaleza vermelha acima do Tauber”. A cidade é chamada assim devido à localização em um platô com vista para o rio Tauber e o vermelho é uma referência a cor dos telhados das casas com vista para o rio.

Hoje o lugar se transformou em um destino turístico bastante conhecido pela arquitetura medieval bem preservada. Talvez você até tenha visto imagens desta cidade, pois cenas de Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1 foram filmadas em Rothenburg.

Havana – Cuba

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Cuba, esta pequena ilha caribenha, simplesmente não poderia deixar de contribuir com esta lista. Afinal, após o embargo sofrido durante a Guerra Fria, muito do que se vê por ali parece congelado no tempo.

A capital Havana – especialmente a Velha Havana, no centro da cidade – reúne belas construções arquitetônicas antigas, do período colonial. Os automóveis, todos antigos, também irão te fazer sentir em outro tempo.

Ouro Preto – Brasil

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Ouro Preto, em Minas Gerais, é famosíssima por ser uma cidade histórica que retrata os tempos a era Colonial. Além de ser um museu a céu aberto, a cidade também abriga incontáveis museus em seu território. Por lá encontramos trabalhos de diversos artistas, principalmente do grande escultor e arquiteto brasileiro Aleijadinho.

Lá igualmente é famoso por contar a história da Inconfidência Mineira, homenageando Tiradentes de diversas formas, por abrigar incontáveis igrejas bem antigas e por hospedar a Casa da Ópera (Teatro Municipal de Outro Preto), teatro mais antigo em funcionamento na América Latina.

Pompeia – Itália

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Talvez a cidade que apresente a história mais curiosa dessa lista é Pompeia. Depois de ter sido destruída pela erupção de um vulcão no ano de 79 d.c. o lugar ficou absolutamente soterrado por cinzas. E assim foi por longos 16 séculos.

Somente em 1748 que a humanidade descobriu as ruínas de Pompeia. E a surpresa foi imensa ao observar que a arquitetura permanecia por lá, revelando como era uma cidade no tempo do Império Romano. Outro grande impacto foi ver que os corpos das pessoas que haviam sido atacadas pelas lavas permaneciam por lá na mesma posição em que foram atingidas pela erupção.

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Com tricô e crochê, árvores ficam mais coloridas no Rio

publicado no Catraca Livre

Fazer algo para tornar a vida nas cidades mais agradável não requer planos e ideias mirabolantes. Às vezes, basta apenas unir uma paixão da infância com a vontade de fazer o bem. Nos últimos anos, essa tem sido a rotina de Letícia Matos.

Aos 7 anos, a artista plástica gaúcha aprendeu a usar agulhas de tricô e de crochê com a mãe. Hoje, aos 37, ela aproveita o aprendizado que teve quando era pequena para transformar a paisagem de cidades e, consequentemente, o dia a dia de muitas pessoas.

A ideia teve início em 2012 quando ela dava aulas de tricô e crochê para algumas amigas. Ali, começou a dar vida ao projeto 13 Pompons, com o qual ela enfeita árvores, postes e orelhões de diferentes cidades. Depois de dar novo colorido à paisagem urbana de lugares como São Paulo, Porto Alegre, Goiânia, Paraty, Buenos Aires e Mendoza, a artista enfeitou árvores na praia de Botafogo e na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio.

Com a proposta de dar uma nova cara ao cenário cinzento de cidades como São Paulo, Letícia já fez mais de 150 intervenções. Agora, com o apoio da agência Desafio, a ação da artista plástica tem ganhado cada vez mais repercussão nas redes sociais com a hashtag #euquerocopas, fazendo uma brincadeira com o Mundial disputado no Brasil e pedindo mais atenção para o verde nas cidades e para as copas das árvores “vestidas” por Letícia.

O projeto 13 Pompons também faz parte do Coletivo Feito à Mão, que realiza encontros com quem faz tricô e crochê com o objetivo de fazer intervenções em grupo. Tudo isso em busca de fazer com que as pessoas, no meio da correria diária, consigam parar por alguns instantes e enxergar um pouco de beleza nas cidades.

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Brasil tem 11 das 30 cidades mais violentas do mundo, diz ONU

Maceió está na quinta posição da lista da violência, seguida por Fortaleza, na sétima
Levantamento aponta 437 mil assassinatos em 2012; do total, 36% ocorreram nas Américas

280313cnnMarcelo Remigio, em O Globo

RIO – O Brasil tem 11 das 30 cidades mais violentas do mundo. Levantamento do Escritório sobre Drogas e Crime das Nações Unidas com base em assassinatos ocorridos no ano de 2012 aponta Maceió como a quinta cidade em homicídios por cada 100 mil habitantes. Fortaleza está na sétima posição e João Pessoa, em nono. A América Latina desbancou a África como a região mais violenta. Já Honduras é hoje o país com maior número de assassinatos por 100 mil habitantes. O índice registrado naquele país aponta para o que os pesquisadores chamam de “situação fora de controle”. O segundo país mais violento é a Venezuela, seguido por Belize e El Salvador.

De acordo com a pesquisa da ONU, foram assassinadas 437 mil pessoas em 2012, das quais 36% nas Américas, a maior parte na Central e na do Sul. O Brasil é o país com mais cidades na lista da violência, seguindo pelo México, com seis – ambos são os países mais populosos da América Latina. Venezuela e Colômbia têm três cidades e Honduras e Estados Unidos, duas. Além de Maceió, Fortaleza e João Pessoa, foram listadas pelo levantamento das Nações Unidas Natal (12ª posição); Salvador (13ª); Vitória (14ª); São Luís (15ª); Belém (23ª); Campina Grande (25ª); Goiânia (28ª); e Cuiabá (29ª).

Para os pesquisadores da ONU, o elevado índice de homicídios na América Latina está ligado ao crime organizado e à violência política, que persiste há décadas nos países latinoamericanos. A maior parte das mortes (66%) foram provocadas por armas de fogo. Os cartéis do narcotráfico mexicanos são citados como responsáveis pela violência também em Honduras, El Salvador e Guatemala, países que integram rotas de distribuição de drogas que têm como destino os Estados Unidos. Já na Venezuela, os assassinatos são atribuídos à violência urbana.

Taxas de homicídios acima de 20 por 100 mil habitantes são consideradas pelos especialistas como graves. Em Honduras, são 90,4 homicídios por 100 mil habitantes. Já na Venezuela, a taxa chega a 53,7; em Belize, 44,7; em El Salvador, 41,2; na Guatemala, 39,9; na África do Sul, 31; na Colômbia, 30,8; no Gabão, 28; no Brasil, 25,2; e no México, 21,5. Países em conflitos têm taxas inferiores às da América Latina, como Iraque, no Oriente Médio, onde o índice registrado é de oito para 100 mil habitantes.

As cidades mais violentas do mundo são: San Pedro Sula (Honduras), Caracas (Venezuela), Acapulco (México), Cali (Colômbia), Maceió; Distrito Central (Honduras), Fortaleza; Cidade da Guatemala (Guatemala), João Pessoas, Barquisimeto (Venezuela), Palmira (Colômbia), Natal, Salvador, Vitória, São Luís, Culiacán (México), Guayana (Venezuela), Torreón (México), Kingston (Jamaica), Cidade do Cabo (África do Sul), Chihuahua (México), Victoria (México), Belém, Detroit (Estados Unidos), Campina Grande, Nova Orleans (Estados Unidos), San Salvador (El Salvador), Goiânia, Cuiabá e Nuevo Laredo.

Taxa média de homicídios global é de 6,2 por 100 mil/hab

Segundo o estudo da ONU, cerca de 750 milhões de pessoas vivem em países com as maiores taxas de homicídio do mundo, o que significa que quase metade de todos os homicídios acontece nos países onde moram apenas 11% da população mundial. Europa, Ásia e Oceania, onde estão cerca de 3 bilhões de pessoas, as taxas de homicídios são consideradas relativamente baixas.

A taxa média de homicídios global é de 6,2 por 100 mil habitantes, mas o Sul da África e a América Central registraram mais de quatro vezes esse número, 30 e 26 vítimas por 100 mil habitantes, respectivamente, os números mais altos do mundo. Enquanto isso, com taxas cerca de cinco vezes menores do que a média global, Ásia Oriental, sul da Europa e Europa Ocidental registraram os níveis mais baixos de homicídio em 2012. Ainda de acordo com a pesquisa, os níveis de homicídios no norte da África, na África Oriental e em partes do sul da Ásia estão aumentando em meio à instabilidade social e política. Já a África do Sul apresenta tendência de queda das taxas de homicídio: os assassinatos caíram pela metade, de 64,5 por 100 mil habitantes em 1995 para 31 por 100 mil habitantes em 2012.

Os homicídios ligados ao crime organizado, gangues e facções representam 30% de todos os assassinatos da América, em comparação com menos de 1% na Ásia, Europa e Oceania. Ainda que picos de homicídio estejam muitas vezes ligados a este tipo de violência, a América tem níveis de homicídio cinco a oito vezes maiores do que a Europa e a Ásia desde a década de 1950, aponta a ONU.

Cerca de 80% das vítimas de homicídio são homens, assim como 95% dos autores dos crimes; 15% de todos os assassinatos resultam de violência doméstica e a maioria (70%) das vítimas domésticas são mulheres. Mais da metade das vítimas de homicídios têm menos de 30 anos de idade, com crianças menores de 15 anos de idade representando pouco mais de 8% de todos os homicídios.

ONU confirma dados sobre violência divulgados por ONG mexicana

A pesquisa da ONU confirma dados sobre violência apresentados em levantamento elaborado pela ONG mexicana Conselho Cidadão para Segurança Pública e Justiça Penal AC divulgado em março deste ano. Segundo a pesquisa mexicana, o Brasil é o país com mais municípios no ranking: 16; e Maceió a quinta cidade mais violenta do mundo. O México aparece em segundo, com nove. Apenas sete cidades da lista não estão na América Latina: quatro dos Estados Unidos (Detroit, Nova Orleans, Baltimore e Saint Louis) e três da África do Sul.

O levantamento leva em conta a taxa de homicídios por grupo de 100 mil habitantes no ano passado. De acordo com a ONG, foram levantados dados disponibilizados pelos governos em suas páginas na internet e consideradas só cidades com mais de 300 mil. Essa foi a quarta edição do ranking. Dos 16 municípios do Brasil no ranking das cidades mais violentas do mundo, seis vão receber jogos da Copa do Mundo: Fortaleza, Natal, Salvador, Manaus, Recife e Belo Horizonte.

As brasileiras da lista mexicana

Maceió (5ª colocada) – 79,76 homicídios por 100 mil habitantes; Fortaleza (7ª) – 72,81; João Pessoa (9ª) – 66,92; Natal (12ª) – 57,62; Salvador (13ª) – 57,51; Vitória (14ª) – 57,39; São Luís (15ª) – 57,04; Belém (16ª) – 48,23; Campina Grande (25ª) – 46; Goiânia (28ª) – 44,56; Cuiabá (29ª) – 43,95; Manaus (31ª) – 42,53; Recife (39ª) – 36,82; Macapá (40ª) – 36,59; Belo Horizonte (44ª) – 34,73 e Aracaju (46ª) – 33,36.

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Repórter estrangeiro vem conhecer o Rio – e é assaltado

Episódio foi mencionado em matéria do jornal inglês The Independent. Objetivo da viagem, paga pelo governo brasileiro, era promover imagem positiva do país

Orla de Copacabana, no Rio: a caminhada rápida entre restaurante e hotel de madrugada "provou-se uma má ideia - e talvez ingênua" por parte do grupo de repórteres estrangeiros no Brasil
Orla de Copacabana, no Rio: a caminhada rápida entre restaurante e hotel de madrugada “provou-se uma má ideia – e talvez ingênua” por parte do grupo de repórteres estrangeiros no Brasil

Marco Prates, na Exame

O jornalista inglês Ian Herbert veio ao Brasil para conhecer três cidades sede da Copa do Mundo 2014 e, naturalmente, escrever sobre elas no jornal em que trabalha, The Independent. A ironia é que a viagem, custeada pelo governo brasileiro para melhorar a imagem do país, acabou envolvendo uma desagradável tentativa de assalto na madrugada do Rio de Janeiro.

“A caminhada deste correspondente na praia de Copacabana com outras quatro pessoas às duas horas da manhã provou-se uma má ideia – e talvez ingênua – quando meia dúzia de jovens se materializou exigindo relógios e dinheiro e empunhando armas”, escreveu ele na reportagem, publicada no último domingo.

Apesar do susto, o repórter afirma que o grupo foi embora sem levar “nada”. Em entrevista ao UOL, que descobriu o caso, o jornalista disse que os profissionais gritaram para chamar atenção e que a chegada de um casal acabou dispersando os ladrões.

A viagem, que durou toda a semana passada, foi oferecida pelo governo brasileiro. Chamadas de “press trips”, esses convites são usados rotineiramente pelo poder público e por empresas para apresentar a pessoas da imprensa novos produtos e lugares (e estimular que abordem o assunto em textos jornalísticos, se acharem interessante).

Outros cinco profissionais também vieram ao país. Mas um deles, do jornal The Guardian, não fez referência ao episódio em matéria publicada no último sábado.

A Embratur, órgão que promove o turismo nacional no Brasil e exterior, foi quem bancou a viagem, que incluiu ainda as cidades de Fortaleza e Manaus. O valor gasto não foi divulgado até o momento.

Apesar da tentativa de promoção, o titulo da matéria do The Independent – “É caos no Brasil, mas não entre em pânico” indica que a iniciativa acabou tendo efeito contrário.

Uma leitura atenta, porém, mostra que o jornalista Ian Herbert, apesar de mencionar todos os problemas envolvendo a organização do evento, teve olhos mais benevolentes e contextualizadores que a média do que é publicado lá fora.

“Nada disso significa que a Copa não funcionará”, salienta ele em determinado trecho, completado por uma fala do secretário-executivo do Ministério do Esporte, Luis Fernandes.

“Se as pessoas não tiverem uma visão mais generosa (em relação aos países em desenvolvimento), então esses eventos se tornarão festas de homens ricos”, afirmou o segundo homem na hierarquia do Ministério do Esporte.

O Independent cita também que várias obras não teriam começado sem o Mundial, e que hoje é possível “enviar e-mail com um vídeo de um celular enquanto se navega no rio Amazonas, se você preferir não olhar para os jacarés Cayman”.

“O torneio que está para começar pode ter imperfeições, mas vai viver por muito tempo na memória”, encerra a reportagem do jornalista. E tudo isso apesar do assalto.

dica do Ailsom Heringer

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ONG alerta para explosão da exploração sexual em sedes de Copa

Crianças fora da escola, intenso fluxo de turistas pelo país e fatores socioeconômicos ampliam riscos de aumento da exploração de crianças e mulheres durante o mundial de futebol no Brasil

Campanha da Anistia Internacional contra prostituição infantil (Reprodução)
Campanha da Anistia Internacional contra prostituição infantil (Reprodução)

Bianca Bibiano e Bruna Fasano, na Veja on-line

No dia 12 de junho de 2014, os olhos de milhões de pessoas pelo mundo estarão voltados para a abertura da Copa do Mundo no Brasil, no estádio do Itaquerão, na Zona Leste de São Paulo. Durante um mês, as principais cidades do país viverão uma efervescente e atípica rotina, movimentada pela presença de até um milhão de turistas estrangeiros e do deslocamento de três milhões de brasileiros para acompanhar os jogos do mundial de futebol. Enquanto a administração pública corre contra o relógio para tentar reverter a própria incapacidade de entregar as obras de infraestrutura a tempo, são outros números que despertam a atenção da ONG sueca ChildHood, especializada em proteção à infância.

A instituição elaborou um estudo sobre o aumento de casos de exploração sexual de mulheres e crianças em sedes de grandes eventos esportivos nos últimos anos. O documento foi entregue à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República em fevereiro. Segundo a ONG, na Copa da África do Sul, em 2010, foram registrados 40.000 casos de exploração infantil (aumento de 63%) e 73.000 ocorrências de abusos contra mulheres (83% a mais) nos dois meses entre a chegada das delegações, os jogos e o término do evento. Quatro anos antes, no Mundial da desenvolvida Alemanha, foram contabilizados 20.000 casos contra crianças (aumento de 28%) e 51.000 contra mulheres (49% a mais). Nas Olimpíadas da Grécia, em 2012, foram 33.000 casos contra crianças (87% a mais) e 80.000 casos contra mulheres (78% de acréscimo). Se tomados a dimensão territorial e os fatores socioeconômicos, tudo indica que o retrato não deverá ser diferente no Brasil.

Dados da Secretaria de Direitos Humanos mostram que, no ano passado, foram registrados 33.000 casos de exploração sexual de crianças e adolescentes por meio do disque-denúncia. A cidade de Fortaleza, que ostenta a vergonhosa reputação de capital brasileira do turismo sexual, contabilizou 1.246 em 2013. O perfil das vítimas: meninas com idade entre 8 e 14 anos. Em junho, a cidade abrigará um dos jogos da seleção brasileira, contra o México, na primeira fase da Copa. A expectativa do Ministério do Turismo é que 60.000 turistas desembarquem na capital cearense.

O alerta pela proteção de crianças e adolescentes na Copa também foi feito pela Organização das Nações Unidas (ONU). “São grandes os riscos de meninas e meninos acabarem seduzidos, manipulados por dinheiro ou promessas risonhas. Ter crianças na rua, fora da escola e desocupadas quando o país vai ser visitado por milhões de pessoas, entre as quais pessoas que podem se aproveitar da situação, é um risco”, afirmou a portuguesa Marta Santos Pais, responsável pela área de violência contra crianças da ONU, durante o último Fórum Internacional de Direitos Humanos, realizado no Brasil.

Sem aulas – Em junho e julho, crianças e adolescentes terão as aulas suspensas por recomendação da Fifa. A medida foi determinada pelo Ministério da Educação (MEC) para tentar reduzir o trânsito nas ruas. O MEC autorizou a mudança no calendário escolar e deixou a critério dos governos locais a decisão de manter ou não as escolas abertas durante o mês de julho.

“Esse fator é um dos mais preocupantes, porque a escola é um espaço de proteção da criança. Se ela fechar, essa criança ficará mais exposta durante o evento”, diz Ana Maria Drummond, diretora da ChildHood. “Grandes eventos esportivos agravam a vulnerabilidade: as crianças não estarão na escola e ninguém cuidará delas. Além disso, tem o álcool, as drogas e os ‘amigos’ que dizendo que o sexo com um estrangeiro pode transformar suas vidas.”

O perigo para as crianças não se restringe ao turismo: a ONG descobriu casos de exploração sexual pelos operários que passam quase um ano nos canteiros de obras da Copa e da Olímpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

Lei e impunidade – Em fevereiro, o Senado aprovou um projeto de lei que torna hediondo o crime de exploração sexual de crianças e adolescentes. A proposta seguiu para apreciação da Câmara dos Deputados. Se os deputados chancelarem o projeto, os condenados por esse tipo de crime não terão direito a indulto, não poderão pagar fiança e a pena terá de ser cumprida em regime fechado, com progressão mais lenta.

Pelo Código Penal, a pena para crimes de exploração sexual estipula prisão de quatro a dez anos e multa. Atualmente, o estupro de vulnerável já é considerado crime hediondo. Isso significa que quem tem relações sexuais ou comete ato libidinoso contra menores de 14 anos é punido com pena de oito a quinze anos de prisão.

A punição dos envolvidos em casos de exploração de menores, entretanto, é rara, segundo Karina Figueiredo, secretária-executiva do Comitê Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e Adolescentes, órgão ligado à Secretaria de Direitos Humanos do governo federal. Ela afirma que a maior parte dos casos denunciados levam três anos para serem julgados. “As Varas da Infância no Brasil não julgam o abusador. O caso segue para uma Vara comum e cai nas mãos de juízes que lidam com toda a sorte de crimes.”

Karina diz ainda que muitos juízes também abrandam as punições por preconceito. “Quando é um caso de estupro de menor, todos ficam imediatamente comovidos, mas quando é uma menina se prostituindo na rua, ela é vista como safada. Alguns juízes e promotores têm um pensamento completamente machista perante essa criança. Dizem que a culpa não é do adulto que abusa, mas da menina, que não está na escola porque não quer. Se falarmos de meninos travestis, então, a punição é praticamente inexistente”, afirma.

Combate – O estudo aponta que medidas de repressão contra o uso de hotéis pelos turistas acompanhados por menores de idade forçam os exploradores a usar os motéis. Taxistas, donos de motéis e até a polícia “pertencem a uma máfia que fornece crianças para sexo com estrangeiros”, diz o relatório.

A Secretaria de Direitos Humanos diz que vai investir 47 milhões de reais em ações de proteção à criança – 5 milhões de reais a mais do que no ano passado. O governo afirma ainda que implantará comitês de atendimento especial nas cidades-sede. Outra ação é o lançamento de um aplicativo para celular que localiza equipamentos públicos de proteção à criança, como conselhos tutelares, com base em dados de GPS.

O Ministério do Turismo afirma que realiza uma campanha especial para a Copa com cartazes, folhetos e guias em três idiomas espalhados em aeroportos do país. No mês passado, a presidente Dilma Rousseff escreveu em sua conta no Twitter que o Brasil “está feliz em receber turistas que chegarão para a Copa, mas também está pronto para combater o turismo sexual”.

Apesar das palavras da presidente, a principal ferramenta de combate ao turismo sexual é falha. O site de VEJA testou o serviço do disque-denúncia na última semana. Na quarta-feira, às 15h, a mensagem de que “no momento todos os nossos atendentes estão ocupados” se repetiu 33 vezes em dez minutos. Duas horas depois, o mesmo aviso foi ouvido nove vezes. Além da dificuldade em encontrar um atendente na linha, a burocracia também dificulta a denúncia: como o sistema é nacional, é exigido, por exemplo, o CEP exato do local onde o abuso foi flagrado. Ao final, quem consegue registrar seu caso pelo telefone ainda corre o risco de ficar somente com um número de protocolo – é o próprio denunciante quem tem que correr atrás para saber se a denúncia foi mesmo apurada.

 

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