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Bonde das matemáticas


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O bonde é um meio de transporte público tradicional em grandes cidades da Europa, mas aqui o Bonde é pesadão e vem te ensinando matemática. :-)

Direção e fotografia: Edu Pereira
Letra: Cezar Maracuja e Rafael Procópio
Edição: Cezar Maracuja e Edu Pereira
Operador de Câmera: Bruno Rocha
Som direto: Isaú Junior
Maquiagem: Letícia Stephanny
Produção: Todo mundo
Base musical: Gui Toledo

Fotógrafo retrata crianças respondendo: “O que quer ser quando crescer?”

Ho Quang quis despertar consciências e representar as crianças em cenas que, por enquanto, são apenas sonhos.

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Por Jaque Barbosa, no Hypeness

“O que quer ser quando crescer?”. Esta é uma das perguntas mais repetidas a todas as crianças do mundo. Ho Quang, fotógrafo vietnamita, também a fez, mas com um objetivo singular: retratar crianças pobres do seu país nos cenários dos seus sonhos.

Nem tudo são rosas no recente crescimento econômico no Vietnã. A crescente urbanização provocou desemprego e obrigou uma série de famílias a procurar uma vida melhor nas cidades. Com isso, muitas crianças vivem no limiar da pobreza.

Ho Quang quis despertar consciências e representar as crianças em cenas que, por enquanto, são apenas sonhos. Dentre as 10 representadas, há sonhos como continuar estudando, ser professor ou médico. O vídeo abaixo mostra o processo de um dos casos, o de Uyen, de 10 anos, fotografada numa biblioteca, representando a continuidade nos estudo.  Tudo pra ver a mãe feliz.

hoquang1hoquang2hoquang3hoquang4hoquang5hoquang6hoquang7hoquang8hoquang9Dica do William Campos da Cruz

 

Por que tudo custa tão caro no Brasil

Alexandre Verignassi, no Crash

Perguntaram ao ganhador do Big Brother:

- E aí? O que você vai fazer com o seu milhão?

- Vou comprar um apartamento em Brasília.

- E com o resto?

- O resto eu financio pela Caixa!

Essa piada já rola há um tempo em Brasília. Mas serve em qualquer lugar. De 2008 para cá, só em São Paulo, os imóveis subiram 163%. R$ 1 milhão é o novo R$ 380 mil no Banco Imobiliário da vida real. O metro quadrado na capital paulista e no Rio já está entre os mais altos do mundo. Nos bairros ricos, então, haja Big Brother: um apartamento de 100 m² no Leblon custa a mesma coisa que um em Paris – R$ 2 milhões. E já começam a aparecer nos classificados coberturas de R$ 20, R$ 30 milhões.

Aqui embaixo, as leis não são diferentes. O Big Mac brasileiro é o quinto mais caro do mundo. Enquanto os moradores de Tóquio pagam R$ 7 por ele, nós gastamos R$ 11,25 – e olha que o Japão não é exatamente um país conhecido pelo baixo custo de vida. Em Paris, que também não está na lista das cidades mais baratas da Terra, você paga R$ 25 por uma coxa de pato. Isso no Chartier, um restaurante badalado do bairro mais fofo da cidade, Montmartre. Na nem tão fofa assim São Paulo, o mesmo pedaço de pato pode custar até R$ 70 – e não consta que o dono do restaurante pague ao pato para que ele venha voando de Montmartre até a Vila Madalena.

dinheiro

Com o frango é diferente: ele vai voando, sim. Boiando, na verdade – congelado dentro de um cargueiro, mas vai. Daqui até a Europa. O Brasil tem de frango quase o que a China tem de gente (1,26 bilhão, segundo o IBGE). É o maior exportador do mundo. Parte desse efetivo galináceo vai para a Alemanha após a morte. E alguns desses penados possivelmente acabam no Görlitzer Park, onde os berlinenses fazem fila para comprar pratinhos de halbHähnchen (meio frango). Custa R$ 9,50 lá, com batata frita. No Brasil é quase R$ 20. Sem batata frita.

E não é só frango que a gente manda ao mar e que é vendido mais barato lá fora. Mandamos carros. O Gol sai da fábrica em São Bernardo do Campo (SP) e desliza de cargueiro até o México. O modelo básico lá é o 1.6 quatro portas, com ar-condicionado. Aqui, um Gol assim sai por R$ 37 mil. Lá, Dona Florinda e Professor Girafales podem pagar R$ 23 mil pelo mesmo “Nuevo Gol”. Se o Quico fizer birra e quiser um carro mais vistoso, dá até dá para pensar num Camaro. Lá custa R$ 65 mil. Aqui, R$ 190 mil. Com a diferença, dá para pagar um ano e quatro meses de diárias no Las Brisas Acapulco, um dos melhores hotéis do balneário mexicano.

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Agora, quando o carro é caro mesmo, a diferença fica épica. Sigam-me os bons: o conversível mais invocado da história deve chegar ao Brasil em 2013. É o Lamborghini Aventador LP 700-4 Roadster. Aqui, ele vai ter uma etiqueta de preço tão grande quanto o nome: R$ 3 milhões. E pelo menos três brasileiros já reservaram os deles. Mas então, Eike: se você deixar para gastar esses R$ 3 milhões nos Estados Unidos, pode comprar um helicóptero, um apartamento em Manhattan e mais o mesmo Lamborghini! Olha só: lá ele custa R$ 890 mil. Com os R$ 2,1 milhões de diferença dá para comprar o apartamento (R$ 1,2 milhão) e o helicóptero (R$ 920 mil).

E um apartamento nos Jardins então, à venda por R$ 30 milhões? Cinco suítes, oito vagas na garagem… Uau. Mas com essa grana você compra um palácio na França (R$ 14,4 mi), uma vila em Portugal (R$ 8,6 mi), uma fazenda na Itália (R$ 3,4 mi), uma cobertura no litoral da Espanha (R$ 2,2 mi) e mais um chalé nos Alpes (R$ 1,4 mi). E ainda sobra um troco para o lanche. Se for um Big Mac, melhor ainda. Ele é mais barato em todos esses países.

E é isso que os brasileiros vêm fazendo, por sinal: deixar para comprar em outros países. Você sabe: iPad, enxoval de bebê, maquiagem… Todo mundo volta carregado. O português das vendedoras de Miami já está melhor que o nosso. E tinha de estar mesmo: o gasto de brasileiros no exterior é o que mais cresce no país. O PIB travou, mas a quantidade de dólares que gastamos lá fora sobe que é uma beleza. Eram US$ 10,9 bilhões em 2009. Hoje são US$ 22 bi. Dá um crescimento de 19,5% ao ano. O do PIB, no mesmo período, subiu só 2,7% por ano. Ou seja: estamos consumindo o PIB dos outros, já que o nosso está caro demais. Por que está caro demais?  Porque o Brasil ganhou na Mega-Sena. E está gastando tudo no bar.

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Favelas desaparecem de busca no Google Maps

As modificações atenderam a um pedido da própria Prefeitura do Rio, feito há cerca de quatro anos por meio da Riotur (Empresa de Turismo do Município).

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Por Heloisa Aruth Sturm, no Estadão

A Favela Sumaré e a Favela Morro do Chacrinha, em Rio Comprido, zona norte do Rio de Janeiro, não existem mais. Mas só no Google Maps. Na mais recente atualização do aplicativo, o termo “favela” foi suprimido na localização de diversas comunidades da capital carioca. As modificações atenderam a um pedido da própria Prefeitura do Rio, feito há cerca de quatro anos por meio da Riotur (Empresa de Turismo do Município). Duas imagens comparando os mapas do Google de 2011 e de 2013 foram publicadas no blog Cidades Possíveis, no dia 6 de abril, e rapidamente se difundiram em outros blogs e nas redes sociais.

As alterações dividiram opiniões entre os internautas. “Eu concordo com o que a prefeitura está fazendo. Essa atitude evita certos preconceitos contra moradores de locais estigmatizados como favela”, escreveu Fabio Nobre. “Concordo com a retirada. Áreas enormes denominadas favelas, levei um susto quando vi o mapa de onde moro, assim como de outros bairros que conheço bem”, disse Margarida Avelar, moradora de Cascadura, zona norte.

Os internautas que se manifestaram contra as alterações disseram temer pela segurança caso se perdessem na cidade. “Querendo mascarar a realidade, e expondo a vida de turistas em risco!”, disse Ricardo Novaes. “E eu que confio no Google Maps para programar meus itinerários, vou acabar passando por um local perigoso porque a prefeitura achou legal esconder a informação de que é um lugar perigoso. Se eles querem que não apareça a palavra favela. Que detonem a favela e construam um bairro de verdade no lugar”, escreveu Paulo Pontes.

A polêmica remonta ao ano de 2009, quando foi solicitada oficialmente ao Google a inclusão de pontos turísticos e a diferenciação de favelas e bairros. A alegação era de que o aplicativo omitia bairros e pontos turísticos, ao mesmo tempo em que dava destaque a favelas com pequeno número de habitantes. Dois anos depois, a empresa norte-americana afirmou que iria aumentar a qualificação das informações nos mapas do Rio, em um prazo de seis a 12 meses.

A atual supressão do termo ”favela” não atinge todas as comunidades. Na Maré (zona norte) e no Vidigal (zona sul), por exemplo, ele permanece. Mas na Rocinha e no Cantagalo, também na zona sul, não. Em algumas regiões, o termo ”favela” foi substituído por ”morro” – mas a supressão não foi total, como pode ser visto na “Favela do Morro dos Cabritos”, localizada pelo Google próxima ao morro homônimo, na região da Lagoa Rodrigo de Freitas (zona sul). Em outras comunidades, localizadas em áreas planas, o termo simplesmente foi suprimido.

O Google foi procurado pela reportagem para explicar a forma de hierarquização dos dados no mapa e quais são as fontes de fornecimento para o Google das nomenclaturas da cidade. Por meio de nota, a empresa afirmou que “não divulga as particularidades das negociações com os parceiros”.

Grupo ‘sem religião’ cresce especialmente entre jovens e se torna desafio a igreja

imangem: Facebook

imagem: Facebook

Reinaldo José Lopes, na Folha de S.Paulo

Quando desembarcar no Rio de Janeiro em julho deste ano para participar da Jornada Mundial da Juventude, principal evento internacional da Igreja Católica voltado para o público jovem, o papa Francisco talvez se sinta um tanto deslocado. E não apenas pela forte presença de evangélicos no Rio (uns 25% da população do Estado), mas também porque a periferia carioca é um dos lugares do país onde há mais gente que diz não ter religião.

As periferias de cidades como Recife, Salvador e São Paulo também abrigam um contingente de não religiosos superior à média nacional, de acordo com estudo da FGV (Fundação Getulio Vargas).

A orientação não religiosa está se tornando cada vez mais comum entre os jovens, o que leva especialistas a apontar o fato como um desafio tão ou mais importante que o avanço evangélico para o catolicismo.

“O movimento mais preocupante para a igreja não é o de quem muda de religião, mas o de quem simplesmente não se interessa por ela”, diz Dario Rivera, professor da Universidade Metodista de São Paulo que coordena o grupo de pesquisa Religião e Periferia na América Latina.

“O que nós estamos vendo é que, nos mesmos bairros de baixa renda onde há uma proliferação de igrejas pentecostais [evangélicas], uma quase colada na outra, há muita gente que diz não ter religião”, conta.

São lugares aparentemente improváveis, como bairros rurais de Juiz de Fora (MG), a favela do Areião, em São Bernardo do Campo, e os pontos mais pobres do bairro de Perus, na capital paulista.

Improváveis, isto é, quando se assume a equação entre baixa renda e alta religiosidade.

“A verdade é que essa é uma hipótese consensual que nunca foi testada”, declara Rivera. Para o pesquisador, essas comunidades de baixa renda têm uma relação muito pragmática com a religião, escolhendo a igreja que lhes oferece assistência ou, no caso das mulheres, o culto onde podem achar um marido “direito”, por exemplo. Resolvidos esses problemas, a frequência religiosa não é mais necessária.

“TOTALFLEX”

Desse ponto de vista, a flexibilidade das igrejas evangélicas acaba fazendo com que elas abocanhem mais ovelhas desgarradas do rebanho católico, diz André Ricardo de Souza, professor do Departamento de Sociologia da UFScar (Universidade Federal de São Carlos).

“Além do discurso mais objetivo, como o uso de slogans do tipo ‘aqui o milagre acontece’, essas igrejas estão abertas todos os dias da semana, praticamente o dia todo. Você entra e resolve seu problema, enquanto a igreja católica da paróquia passa a maior parte do tempo fechada”, afirma o pesquisador.

Segundo Rivera, os sem religião nas comunidades pobres também se explicam pela revolução nos costumes: grande liberdade sexual, uniões provisórias e outros elementos que não batem com a moralidade religiosa tradicional.

A situação do Brasil é única por combinar um grande avanço dos evangélicos com o dos sem religião. No caso dos evangélicos, o fenômeno também é importante no Chile e na Guatemala, mas em menor grau, diz Rivera. Já os não religiosos têm representação expressiva na Argentina (11%) e no Chile (8,3%).

A questão levantada por quase todo mundo, claro, é que diferença um papa latino-americano pode fazer nesse cenário. “É claro que um papa latino-americano tem um impacto. Não digo que reverta o aumento dos evangélicos, mas talvez faça o ritmo diminuir”, afirma Souza.

Rivera é mais pessimista. “Podem até acontecer mudanças na liturgia [nos rituais]. Mas o problema é que nada no perfil do papa Francisco indica que ele mudará a relação da igreja com a modernidade, e esse que é o grande problema.”