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Brava gente, a brasileira

foto: Wikimedia

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Elio Gaspari, na Folha de S.Paulo

Atribui-se ao professor San Tiago Dantas (1911-1964) uma frase segundo a qual “a Índia tem uma grande elite e um povo de bosta, o Brasil tem um grande povo e uma elite de bosta”. Nas últimas semanas divulgaram-se duas estatísticas que ilustram o qualificativo que ele deu ao seu povo.

A primeira, revelada pelo repórter Demétrio Weber: Em uma década, o programa Bolsa Família beneficiou 50 milhões de brasileiros que vivem em 13,8 milhões de domicílios com renda inferior a R$ 140 mensais por pessoa. Nesse período, 1,69 milhão de famílias dispensaram espontaneamente o benefício de pelo menos R$ 31 mensais. Isso aconteceu porque passaram a ganhar mais, porque diminuiu o número da familiares, ou sabe-se lá por qual motivo. O fato é que de cada 100 famílias amparadas, 12 foram à prefeitura e informaram que não precisavam mais do dinheiro.

A ideia segundo a qual pobre quer moleza deriva de uma má opinião que se tem dele. É a demofobia. Quando o andar de cima vai ao BNDES pegar dinheiro a juros camaradas, estimulará o progresso. Quando o de baixo vai ao varejão comprar forno de micro-ondas a juros de mercado, estimulará a inadimplência.

Há fraudes no Bolsa Família? Sem dúvida, mas 12% de devoluções voluntárias de cheques da Viúva é um índice capaz de lustrar qualquer sociedade. Isso numa terra onde estima-se que a sonegação de impostos chegue a R$ 261 bilhões, ou 9% do PIB. O Bolsa Família custa R$ 21 bilhões, ou 0,49% do produto interno.

A segunda estatística foi revelada pela repórter Érica Fraga: Um estudo dos pesquisadores Fábio Waltenberg e Márcia de Carvalho, da Universidade Federal Fluminense, mostrou que num universo de 168 mil alunos que concluíram treze cursos em 2008, as notas dos jovens beneficiados pela política de cotas ficaram, na média, 10% abaixo daquelas obtidas pelos não cotistas. Ou seja, o não cotista terminou o curso com 6 e o outro, com 5,4. Atire a primeira pedra quem acha que seu filho fracassou porque foi aprovado com uma nota 10% inferior à da média da turma. Olhando-se para o desempenho de 2008 de todos os alunos de quatro cursos de engenharia de grandes universidades públicas, encontra-se uma variação de 8% entre a primeira e a quarta.

Para uma política demonizada como um fator de diluição do mérito no ensino universitário, esse resultado comprova seu êxito. Sobretudo porque dava-se de barato que muitos cotistas sequer conseguiriam se diplomar. Pior: abandonariam os cursos. Outra pesquisa apurou que a evasão dos cotistas é inferior à dos não cotistas. Segundo o MEC, nos números do desempenho de 2011, não existe diferença estatística na evasão e a distância do desempenho caiu para 3%. Nesse caso, um jovem diplomou-se com 6 e o outro, com 5,7, mas deixa pra lá.

As cotas estimulariam o ódio racial. Dez anos depois, ele continua onde sempre esteve. Assim como a abolição da escravatura levaria os negros ao ócio e ao vício, o Bolsa Família levaria os pobres à vadiagem e à dependência. Não aconteceu nem uma coisa nem outra.

Admita-se que a frase atribuída a San Tiago Diante é apócrifa. Em 1985, Tancredo Neves morreu sem fazer seu memorável discurso de posse. Vale lembrá-lo: “Nosso progresso político deveu-se mais à força reivindicadora dos homens do povo do que à consciência das elites. Elas, quase sempre, foram empurradas”.

Protestos nas redes sociais vão parar na Justiça

Intervenção na frente do prédio. Foto: Facebook/O Outro lado do Muro

Intervenção na frente do prédio. Foto: Facebook/O Outro lado do Muro (via CartaCapital)

Ana Carolina Papp, no Estadão

Na quarta-feira, 15, o Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu manter a proibição do engenheiro agrônomo Ricardo Fraga Oliveira, de 49 anos, de se manifestar nas redes sociais contra um empreendimento imobiliário na Vila Mariana, zona sul de São Paulo. Oliveira foi proibido de mencionar o assunto em suas páginas online e de circular no quarteirão da obra. Seu perfil no Facebook segue fora do ar. A determinação levanta, mais uma vez, a discussão sobre liberdade de expressão na internet no Brasil.

Em junho de 2011, Oliveira iniciou o movimento O Outro Lado do Muro para questionar o uso de uma área de 10 mil metros quadrados para a construção do Ibirapuera Boulevard. No muro do terreno, ele colocou uma escada para que as pessoas olhassem por cima e opinassem sobre o uso do espaço. “Nossa ideia não era parar obra nenhuma, era fazer uma reflexão sobre a ocupação do espaço urbano”, diz Oliveira.

A construtora Mofarrej afirma que as manifestações afugentavam clientes e as publicações no Facebook eram ofensivas e caluniosas. “O direito de expressão tem um limite, pois há o direito da empresa de livre iniciativa”, afirma Daniel Sanfins, advogado da empresa. O caso retorna agora à primeira instância. “Essa decisão pode abrir um precedente perigoso para a liberdade de expressão, pois a limita de forma muito forte”, diz Renato Silviano, advogado de Oliveira.

Decisões envolvendo a retirada de conteúdo online são recorrentes no País, mas proibir um cidadão de se manifestar na internet ainda é um campo novo. No mês passado, o advogado Cassius Haddad, de Limeira (SP), processado por ofender o promotor Luiz Bevilacqua e fazer críticas ao Ministério Público no Facebook, foi proibido de acessar redes sociais, sob pena de prisão preventiva. Após duas semanas, foi liberado a usar a internet, mas ainda não pode mencionar o Ministério Público nem o nome de Bevilacqua.

Lei

Não há legislação específica para tratar da liberdade de expressão na internet no País, o que faz com que os critérios de decisão pareçam, por vezes, nebulosos. O Marco Civil da Internet, projeto de lei que surgiu há três anos com o objetivo de regular temas como liberdade de expressão online e privacidade, está parado no Congresso.

No Brasil, a Justiça tem entendido que provedores como Google e Facebook precisam remover o conteúdo ao serem notificados. As decisões judiciais, de maneira geral, dizem que é responsabilidade das empresas avaliar as reclamações.

No ano passado, o Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso do Sul ordenou a prisão do diretor de operações do Google no Brasil, Fabio Coelho, por não retirar do ar vídeos do YouTube que atacavam o candidato a prefeito de Campo Grande Alcides Bernal (PP). A área eleitoral é um dos pontos mais críticos. No segundo semestre de 2012, o Brasil fez ao Google 697 pedidos de remoção de conteúdo. Quase metade (316) se baseava no Código Eleitoral.

“Muitas vezes a Justiça censura opiniões pois entende que ofendem a reputação de alguém e, com isso, abafam críticas de relevância social. Mas opiniões e críticas são protegidas no Direito Internacional”, diz a advogada Camila Marques, da ONG Artigo 19, que defende a liberdade de expressão.

Bruno Magrani, pesquisador do Centro de Tecnologia e Sociedade da FGV-Rio, diz que o problema não é a falta de legislação. “O problema é a forma com que o Judiciário interpreta a liberdade de expressão no Brasil. Existe um entendimento de que ela é um valor menor.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Aposentadoria faz mal à saúde, diz estudo

A aposentadoria pode gerar prejuízos para a saúde física e mental, revelou uma nova pesquisa.

foto: Internet

foto: Internet

Publicado originalmente por BBC Brasil

O estudo, publicado pelo centro de estudos Institute of Economics Affairs (IEA) com sede em Londres, descobriu que a aposentadoria leva a um “drástico declínio da saúde” no médio e longo prazos.

Segundo a IEA, a pesquisa sugere que as pessoas devem trabalhar por mais tempo por razões de saúde e também financeiras.

O estudo, realizado em parceria com a entidade beneficente Age Endeavour Fellowship, comparou aposentados com pessoas que continuaram a trabalhar mesmo após terem alcançado a idade mínima para a aposentadoria e também levou em conta possíveis fatores

Philip Booth, diretor da IEA, disse que os governos deveriam desregular os mercados e permitir que as pessoas trabalhassem por mais tempo.

“Trabalhar mais não será apenas uma necessidade econômica, mas também ajudará as pessoas a viverem vidas mais saudáveis”, disse ele.

Edward Datnow, president da Age Endeavour Fellowship, acrescentou: “Não deveria haver uma idade ‘normal’ para a aposentadoria no futuro”.

Na Grã-Bretanha, o governo já planeja elevar a idade mínima para a aposentadoria.

“Mais empresários precisam pensar sobre como podem capitalizar em cima da população mais velha e aqueles que querem se aposentador devem refletir duas vezes sobre essa questão”.

O estudo, focado na relação entre atividade econômica, saúde e política pública de saúde na Grã-Bretanha, sugere que há uma pequena melhora na saúde imediatamente depois da aposentadoria, mas constata um declínio significativo no organismo desses indivíduos no longo prazo.

Segundo a pesquisa, a aposentadoria pode elevar em 40% as chances de desenvolver depressão, enquanto aumenta em 60% a possibilidade do aparecimento de um problema físico.

O efeito é o mesmo em homens e mulheres. Já as chances de ficar doente parecem aumentar com a duração da aposentadoria.

Fabio Porchat: ‘Humor é ferir a moral e os bons costumes’

Criador do Porta dos Fundos critica tentativa de censura de vídeo no YouTube; pedido é ‘fugir da responsabilidade’

foto: Época Negócios

foto: Época Negócios

Fábio Porchat, no Estadão

Nesta semana, uma pessoa entrou com uma ação para retirar do ar um vídeo do YouTube do canal de humor Porta dos Fundos do qual, por acaso, eu sou sócio-fundador. O vídeo se chama Rola. O nome, apenas a título de explicação, não é a conjugação do verbo rolar. Tivemos o ganho de causa dado pelo MP, porém, me preocupa saber que alguém, ainda hoje, queira proibir alguma coisa.

Justamente no Brasil, onde vivemos um período de censura tão marcante e profundo. O que o requerente diz é que o vídeo fere a moral e os bons costumes. A moral de quem? Os bons costumes de quem? O vídeo tem seis milhões de acessos. Ninguém é obrigado a gostar do esquete, mas impedi-lo de existir? Eu te confesso que, pra mim, a definição de humor é ferir a moral e os bons costumes. Sempre. Repare, não é humilhar, difamar, ofender, mas sim, pegar a sua moral e os seus bons costumes e colocá-los em uma corda bamba, para que você tropece em cima dos seus preconceitos, para que você se coloque em xeque! O humor te expõe!

Acho muito forte alguém querer proibir as outras pessoas de verem um vídeo porque se ofendeu. Ninguém é obrigado a ver, vê quem quer. Se eu me ofendo, parto do pressuposto de que todo o povo brasileiro (e mundial, afinal internet é global) também está ofendido? Não seria melhor deixar a maioria decidir? Será que essa uma tem o direito, por exemplo, de proibir seis milhões? E olha que não estamos falando de televisão aberta. Quando eu ligo a minha TV, imediatamente pulam imagens e vozes saídas da tela.

Na internet, não é só ligar o computador. Preciso acessar uma rede, digitar um endereço virtual, acessar um site, clicar num vídeo, para aí sim, as tais imagens e vozes pularem pra dentro da minha casa. Acho bem diferente. Pruma criança assistir a um vídeo, ela precisa passar pelos mesmos caminhos. Eu não tenho filhos, mas perguntei a alguns amigos pais e todos eles me dizem que não deixam os filhos entrarem na internet sem a supervisão deles, para não verem pornografia, não correrem riscos com desconhecidos em chats, não assistirem a materiais impróprio pras suas idades…

Por isso mesmo é que existem vários mecanismos que geram senhas para bloquear o acesso para um menor de idade no seu computador. Proibir a existência de um vídeo na internet me parece querer jogar a culpa no outro, fugir da sua responsabilidade. Eu não quero que exista um tipo de conteúdo, para não ter que me preocupar. Mas você tem que se preocupar! Sempre! Tenho certeza de que, pior que um vídeo de comédia que fale palavrão, é uma pessoa sendo decapitada, pessoas sendo baleadas, políticos falando, qualquer coisa, porradaria em estádio, cenas que estão disponíveis na internet e na TV aberta, inclusive.

A pessoa alega que seus filhos não precisam ver aquilo. Não precisam mesmo. Por isso mesmo que você, pai ou mãe, não vai deixar. Você é o censor do seu filho. Não da sociedade. Fique tranquilo que cada um sabe de si. Então vamos tirar do ar o site da Playboy, vai que seu filho entra lá. Vamos tirar do ar a globo.com que reproduz seus telejornais com as notícias mais escabrosas que aconteceram no mundo. Ou qualquer vídeo do ex-governador do Rio de Janeiro, Garotinho, falando qualquer coisa. Vamos tirar do ar os vídeos do Feliciano pregando em sua igreja, porque isso sim ofende a minha moral e os meus bons costumes. Acho que as pessoas têm de começar a se preocupar e se ofender com coisas mais relevantes. O dia em que todo mundo começar a se sentir ferido com quem prometeu e não despoluiu o Tietê ou com quem superfaturou a Água Espraiada, aí sim eu topo ir no MP. Enquanto isso, divirta-se: www.portadosfundos.com.br.

 

Em parceria com a Marvel, Audi cria webcomic interativa do “Homem de Ferro”

Leitor poderá definir o destino do super-herói na campanha

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publicado no Administradores

Uma campanha da Audi em parceria com a Marvel Entertainment LCC irá lançar uma série especial os quadrinhos do Homem de Ferro: Steer the Story (“assuma o volante da história”, em tradução livre). Na ação cruzada, Tony Stark e Pepper Potts passam dirigem um veículo Audi R8.

A HQ pode ser lida na web, em um storyline vertical. Alguns dos elementos ganham movimento quando o cursos do mouse passa por cima e têm um leve efeito 3D – como estilhaços saltando da tela, por exemplo. Mas a maior sacada é a interatividade: ao final de cada ‘capítulo’, o leitor decide o que o herói vai fazer ou como ele vai reagir. Com isso ele decide o destino do Homem de Ferro.

Para decidir, o leitor deve votar em uma das duas decisões através de uma ferramenta de redes sociais. Com isso, a coisa vai sendo publicada no Facebook, G+ e Twitter. Até o momento, apenas 2 capítulos estão no ar; o próximo deve ser publicado em dois dias.

O que você achou da ação?