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A IBM lança cinco previsões para cinco anos

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Publicado no El País

A IBM lançou seu já tradicional Five to Five, as cinco previsões sobre o que ocorrerá no nosso entorno nos próximos cinco anos, ou seja, até 2018. Se no ano passado a empresa prognosticava computadores capazes de ouvir e cheirar e papilas gustativas digitais, para os próximos cinco anos ela prevê que não serão os alunos que aprenderão nas salas de aula, e sim as salas de aula que aprenderão com os alunos, para aplicar o ensino sob medida conforme cada momento. É a oitava edição dessa clássica publicação do gigante azul, que em geral tem conseguido acertar nas suas visões.

O fim da cara de paisagem. Acabou a história de enganar o professor dizendo que entendeu tudo ou fazendo cara de paisagem. A carteira, as paredes e a lousa captarão que você estava babando ou que não sacou nada do teorema do Pitágoras. E que o seu colega ao lado entendeu tudo. A aula não será mais a mesma para todos, e sim personalizada. “A rápida digitalização das instituições educativas permitirá a instrumentação sem precedentes do processo de aprendizagem. A computação cognitiva ajudará a calcular como cada aluno aprende, para em seguida criar um sistema flexível que se adapte continuamente ao aluno; ajustar as aulas a esse aluno e comprovar a resposta cotidiana do aluno”.

“Diga 33″, nunca mais. Os médicos não levarão mais estetoscópio no bolso, e sim o DNA do paciente. Não é ficção, de fato isso já é possível, por 99 dólares e no prazo de uma semana, como demonstrou a empresa 23andMe, entre outras. Depois os médicos deverão interpretar os elos frágeis da cadeia do paciente. “Hoje em dia, os exames de DNA para ajudar a tomar decisões de tratamento ainda são escassos”, diz a IBM. “Mas a tecnologia fará desse exame a principal corrente de tratamento. Será mais rápido, mais barato e feito com frequência muito maior. Além dos exames de DNA para tipos de câncer, haverá opções de tratamento personalizado para condições como apoplexia e doença cardíaca.”

Polícia da caixa postal. A invasão de contas pessoais acabará, e a perda e esquecimento de senhas deixará de ser uma tortura. Haverá uma polícia pessoal on-line para detectar qualquer atuação estranha. Já existe algo assim. Alguns usuários do Google possivelmente já observaram que, quando viajam a um país não habitual, recebem uma mensagem sobre a entrada em seu Gmail pessoal de um lugar estranho. E precisam, então, confirmar suas senhas. É um primeiro passo na boa aplicação do conhecimento (e dos dados sobre privacidade) que essas grandes empresas possuem sobre as atitudes dos seus clientes. “Esse tutor”, diz a IBM, “vigiará, aprenderá e responderá em função de seu contexto e do comportamento do usuário em seus diferentes aparelhos. Terá a capacidade de assimilar grandes quantidades de dados e tirará deduções do que é a atividade normal ou razoável e o que não é. Depois intervirá em nome do usuário – com sua permissão – para impedir o uso fraudulento”. Recentemente, o signatário recebeu uma comunicação do Google perguntando se era verdade que eu queria abrir a minha conta na Bulgária. Ao responder que não, o Google bloqueou o acesso.

A cidade como eu quero. O tema da cidade inteligente é recorrente, mas o fato é que há avanços. E que há luzes que se acendem quando um transeunte se aproxima, ou cestos de lixo com sensores que avisam quando eles enchem. O smartphone será o instrumento básico para se deslocar pela cidade. “As pessoas podem com ele ter informação sobre tudo o que está acontecendo”, diz a IBM. “Como o sistema cognitivo está interagindo com os cidadãos de forma contínua, ele sabe do que eles gostam e pode apresentar as opções mais adequadas.” Do que eles gostam e quais são seus costumes; por exemplo, prevê os congestionamentos em função do dia, da chuva, da hora e dos hábitos das pessoas. O smartphone avisará para que se saia de casa dez minutos antes em função desses parâmetros.

Volta a lojinha de bairro. Nada desaparece, mas tudo muda, e a loja da esquina também. Voltaremos para ela, mas conectada à internet e ao nosso celular. Assim saberemos das ofertas do dia, e ela conhecerá os nossos gostos. “No futuro, os varejistas aumentarão os níveis de participação e personalização na compra. Será a fusão do melhor da loja física – o tocar e levar o produto – com a riqueza de informação – as oferta instantâneas, os gostos do comprador – das compras pela internet.”

Em 2006, a primeira edição lançada pela IBM previu para um prazo de cinco anos, ou seja, até 2011, o desenvolvimento da telemedicina, da geolocalização nos celulares, a tradução simultânea por reconhecimento de voz, o impulso da nanotecnologia e a implantação de tecnologias 3D. Tudo isso, em maior ou menor grau, é uma realidade, embora se destaque a implantação de tecnologias ligadas aos smartphones, como a geolocalização e os tradutores por voz.

Silicone nos seios explode após chinesa jogar 4 horas no celular

Mulher ficou deitada de bruços até que próteses estouraram. Médicos afirmam que nunca atenderam caso parecido.

Próteses de chinesa teriam explodido após a mulher passar 4 horas deitada jogando no celular (Foto ilustrativa. Divulgação/ Lifesil)

Próteses de chinesa teriam explodido após a mulher
passar 4 horas deitada jogando no celular
(Foto ilustrativa. Divulgação/ Lifesil)

publicado no G1

Em Pequim, na China, uma mulher precisou ser levada às pressas ao hospital e ficar internada depois que seus implantes de silicone nos seios explodiram, depois que a chinesa passou mais de quatro horas deitada jogando em seu smartphone.

De acordo com a agência de notícias “Xinhua News”, a mulher, identificada como “Xiao Ai”, havia feito a cirurgia de aumento dos seios há cinco anos, e estava em casa de bruços jogando seu iPhone. A mulher teria sentido muita dor após cerca de quatro horas, e foi levada ao hospital, onde descobriu que os implantes haviam rompido.

Os médicos disseram que o acidente ocorreu devido à grande quantidade de pressão exercida nas bolsas de silicone, mas que a mulher não corre risco de morrer. A equipe médica disse ainda que nunca havia atendido um caso parecido, e que desconfia da qualidade dos implantes.

Bolsa Família enfraquece o coronelismo e rompe cultura da resignação, diz socióloga

Walquiria Leão Rego, uma das autoras do livro sobre o Bolsa Família (foto: Karime Xavier/Folhapress)

Walquiria Leão Rego, uma das autoras do livro sobre o Bolsa Família (foto: Karime Xavier/Folhapress)

Eleonora de Lucena, na Folha de S.Paulo

Dez anos após sua implantação, o Bolsa Família mudou a vida nos rincões mais pobres do país: o tradicional coronelismo perde força e a arraigada cultura da resignação está sendo abalada.

A conclusão é da socióloga Walquiria Leão Rego, 67, que escreveu, com o filósofo italiano Alessandro Pinzani, “Vozes do Bolsa Família” (Editora Unesp, 248 págs., R$ 36). O livro será lançado hoje, às 19h, na Livraria da Vila do shopping Pátio Higienópolis. No local, haverá um debate mediado por Jézio Gutierre com a participação do cientista político André Singer e da socióloga Amélia Cohn.

Durante cinco anos, entre 2006 e 2011, a dupla realizou entrevistas com os beneficiários do Bolsa Família e percorreu lugares como o Vale do Jequitinhonha (MG), o sertão alagoano, o interior do Maranhão, Piauí e Recife. Queriam investigar o “poder liberatório do dinheiro” provocado pelo programa.

Aproveitando férias e folgas, eles pagaram do próprio bolso os custos das viagens. Sem se preocupar com estatística, a pesquisa foi qualitativa e baseada em entrevistas abertas.

Professora de teoria da cidadania na Unicamp, Rego defende que o Bolsa Família “é o início de uma democratização real” do país. Nesta entrevista, ela fala dos boatos que sacudiram o programa recentemente e dos preconceitos que cercam a iniciativa: “Nossa elite é muito cruel”, afirma.

Folha – Como explicar o pânico recente no Bolsa Família? Qual o impacto do programa nas regiões onde a sra. pesquisou?
Walquiria Leão Rego - Enorme. Basta ver que um boato fez correr um milhão de pessoas. Isso se espalha pelos radialistas de interior. Elas [as pessoas] são muito frágeis. Certamente entraram em absoluto desespero. Poderia ter gerado coisas até mais violentas. Foi de uma crueldade desmesurada. Foi espalhado o pânico entre pessoas que não têm defesa. Uma coisa foi a medida administrativa da CEF (Caixa Econômica Federal). Outra coisa é o que a policia tem que descobrir: onde começou o boato. Fiquei estupefata. Quem fez isso não tem nem compaixão. Nossa elite é muito cruel. Não estou dizendo que foi a elite, porque seria uma leviandade.

Como assim?
Tem uma crueldade no modo como as pessoas falam dos pobres. Daí aparecem os adolescentes que esfaqueiam mendigos e queimam índios. Há uma crueldade social, uma sociedade com desigualdades tão profundas e tão antigas. Não se olha o outro como um concidadão, mas como se fosse uma espécie de sub-humanidade. Certamente essa crueldade vem da escravidão. Nenhum país tem mais de três séculos de escravidão impunemente.

Qual o impacto do Bolsa Família nas relações familiares?
Ocorreram transformações nelas mesmas. De repente se ganha uma certa dignidade na vida, algo que nunca se teve, que é a regularidade de uma renda. Se ganha uma segurança maior e respeitabilidade. Houve também um impacto econômico e comercial muito grande. Elas são boas pagadoras e aprenderam a gerir o dinheiro após dez anos de experiência. Não acho que resolveu o problema. Mas é o início de uma democratização real, da democratização da democracia brasileira. É inaceitável uma pessoa se considerar um democrata e achar que não tenha nada a ver com um concidadão que esteja ali caído na rua. Essa é uma questão pública da maior importância.

O Bolsa Família deveria entrar na Constituição?
A constitucionalização do Bolsa Família precisava ser feita urgentemente. E a renda tem que ser maior. Esse é um programa barato, 0,5% do PIB. Acho, também, que as pessoas têm direito à renda básica. Tem que ser uma política de Estado, que nenhum governo possa dizer que não tem mais recurso. Mas qualquer política distributiva mexe com interesses poderosos.

A sra. poderia explicar melhor?
Isso é histórico. A elite brasileira acha que o Estado é para ela, que não pode ter esse negócio de dar dinheiro para pobre. Além de o Bolsa Família entrar na Constituição, é preciso ter outras políticas complementares, políticas culturais específicas. É preciso ter uma escola pensada para aquela população. É preciso ter outra televisão, pois essa é a pior possível, não ajuda a desfazer preconceitos. É preciso organizar um conjunto de políticas articuladas para formar cidadãos.

A sra. quer dizer que a ascensão é só de consumidores?
As pessoas quando saem desse nível de pobreza não se transformam só em consumidores. A gente se engana. Uma pesquisadora sobre o programa Luz para Todos, no Vale do Jequitinhonha, perguntou para um senhor o que mais o tinha impactado com a chegada da luz. A pesquisadora, com seu preconceito de classe média, já estava pronta para escrever: fui comprar uma televisão. Mas o senhor disse: ‘A coisa que mais me impactou foi ver pela primeira vez o rosto dos meus filhos dormindo; eu nunca tinha visto’. Essa delicadeza… a gente se surpreende muito.

O que a surpreendeu na sua pesquisa?
Quando vi a alegria que sentiam de poder partilhar uma comida que era deles, que não tinha sido pedida. Não tinham passado pela humilhação de pedi-la; foram lá e compraram. Crianças que comeram macarrão com salsicha pela primeira vez. É muito preconceituoso dizer que só querem consumir. A distância entre nós é tão grande que a gente não pode imaginar. A carência lá é tão absurda. Aprendi que pode ser uma grande experiência tomar água gelada.

Li que a sra. teria apurado que o Bolsa Família, ao tornar as mulheres mais independentes, estava provocando separações, uma revolução feminina. Mas não encontrei isso no livro. O que é fato?
É só conhecer um pouco o país para saber que não poderia haver entre essas mulheres uma revolução feminista. É difícil para elas mudar as relações conjugais. Elas são mais autônomas com a Bolsa? São. Elas nunca tiveram dinheiro e passaram a ter, são titulares do cartão, têm a senha. Elas têm uma moralidade muito forte: compram primeiro a comida para as crianças. Depois, se sobrar, compram colchão, televisão. É ainda muito difícil falar da vida pessoal. Uma ou outra me disse que tinha vontade de se separar. Há o problema de alcoolismo. Esses processos no Brasil são muito longos. Em São Paulo é comum a separação; no sertão é incomum. A família em muitos lugares é ampliada, com sogra, mãe, cunhado vivendo muito próximos. Essa realidade não se desfaz.

Mas há indícios de mudança?
Indícios, sim. Certamente elas estão falando mais nesse assunto. Em 2006, não queriam falar de sentimentos privados. Em 2011, num povoado no sertão de Alagoas, me disseram que tinha havido cinco casos de separação. Perguntei as razões. Uma me disse: ‘Aquela se apaixonou pelo marido da vizinha’. Perguntei para outra. Ela disse: ‘Pensando bem, acho que a bolsa nos dá mais coragem’. Disso daí deduzir que há um movimento feminista, meu deus do céu, é quase cruel. Não sei se dá para fazer essa relação tão automática do Bolsa com a transformação delas em mulheres mais independentes. Certamente são mais independentes, como qualquer pessoa que não tinha nada e passa a ter uma renda. Um homem também. Mas há censuras internas, tem a religião. As coisas são muito mais espessas do que a gente imagina.

O machismo é muito forte?
Sim. E também dentro delas. Se o machismo é muito percebido em São Paulo, imagina quando no chamado Brasil profundo. Lá, os padrões familiares são muito rígidos. É comum se ouvir que a mulher saiu da escola porque o pai disse que ela não precisava aprender. Elas se casam muito cedo. Agora, como prevê a sociologia do dinheiro, elas estão muito contentes pela regularidade, pela estabilidade, pelo fato de poderem planejar minimamente a vida. Mas eu não avançaria numa hipótese de revolução sexual.

O Bolsa Família mexeu com o coronelismo?
Sim, enfraqueceu o coronelismo. O dinheiro vem no nome dela, com uma senha dela e é ela que vai ao banco; não tem que pedir para ninguém. É muito diferente se o governo entregasse o dinheiro ao prefeito. Num programa que envolve 54 milhões de pessoas, alguma coisa de vez em quando [acontece]. Mas a fraude é quase zero. O cadastro único é muito bem feito. Foi uma ação de Estado que enfraqueceu o coronelismo. Elas aprenderam a usar o 0800 e vão para o telefone público ligar para reclamar. Essa ideia de que é uma massa passiva de imbecis que não reagem é preconceito puro.

E a questão eleitoral?
O coronel perdeu peso porque ela adquiriu uma liberdade que não tinha. Não precisa ir ao prefeito. Pode pedir uma rua melhor, mas não comida, que era por ai que o coronelismo funcionava. Há resíduos culturais. Ela pode votar no prefeito da família tal, mas para presidente da República, não.

Esses votos são do Lula?
São. Até 2011, quando terminei a pesquisa, eram. Quando me perguntam por que Lula tem essa força, respondo: nunca paramos para estudar o peso da fala testemunhal. Todos sabem que ele passou fome, que é um homem do povo e que sabe o que é pobreza. A figura dele é muito forte. O lado ruim é que seja muito personalizado. Mas, também, existe uma identidade partidária, uma capilaridade do PT.

Há um argumento que diz que o Bolsa Família é como uma droga que torna o lulismo imbatível nas urnas. O que a sra. acha?
Isso é preconceito. A elite brasileira ignora o seu país e vai ficando dura, insensível. Sente aquele povo como sendo uma sub-humanidade. Imaginam que essas pessoas são idiotas. Por R$ 5 por mês eles compram uma parabólica usada. Cheguei uma vez numa casa e eles estavam vendo TV Senado. Perguntei o motivo. A resposta: ‘A gente gosta porque tem alguma coisa para aprender’.

No livro a sra. cita muitos casos de mulheres que fizeram laqueadura. Como é isso?
O SUS (Sistema Único de Saúde) está fazendo a pedido delas. É o sonho maior. Aliás, outro preconceito é dizer que elas vão se encher de filhos para aumentar o Bolsa Família. É supor que sejam imbecis. O grande sonho é tomar a pílula ou fazer laqueadura.

A sra. afirma que é preconceito dizer que as pessoas vão para o Bolsa Família para não trabalhar. Por quê?
Nessas regiões não há emprego. Eles são chamados ocasionalmente para, por exemplo, colher feijão. É um trabalho sem nenhum direito e ganham menos que no Bolsa Família. Não há fábricas; só se vê terra cercada, com muitos eucaliptos. Os homens do Vale do Jequitinhonha vêm trabalhar aqui por salários aviltantes. Um fazendeiro disse para o meu marido que não conseguia mais homens para trabalhar por causa do Bolsa Família. Mas ele pagava R$ 20 por semana! O cara quer escravo. Paga uma miséria por um trabalho duro de 12, 16 horas, não assina carteira, é autoritário, e acha que as pessoas têm que se submeter a isso. E dizem que receber dinheiro do Estado é uma vergonha.

Há vontade de deixar o Bolsa Família?
Elas gostariam de ter emprego, salário, carteira assinada, férias, direitos. Há também uma pressão social. Ouvem dizer que estão acomodadas. Uma pesquisa feita em Itaboraí, no Rio de Janeiro, diz que lá elas têm vergonha de ter o cartão. São vistas como pobres coitadas que dependem do governo para viver, que são incapazes, vagabundas. Como em “Ralé”, de Máximo Gorki, os pobres repetem a ideologia da elite. A miséria é muito dura.

A sra. escreve que o Bolsa Família é o inicio da superação da cultura de resignação? Será?
A cultura da resignação foi muito estudada e é tema da literatura: Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto, José Lins do Rego. Ela tem componente religioso: ‘Deus quis assim’. E mescla elementos culturais: a espera da chuva, as promessas. Essa cultura da resignação foi rompida pelo Bolsa Família: a vida pode ser diferente, não é uma repetição. É a hipótese que eu levanto. Aparece uma coisa nova: é possível e é bom ter uma renda regular. É possível ter outra vida, não preciso ver meus filhos morrerem de fome, como minha mãe e minha vó viam. Esse sentimento de que o Brasil está vivendo uma coisa nova é muito real. Hoje se encontram negras médicas, dentistas, por causa do ProUni (Universidade para Todos). Depois de dez anos, o Bolsa Família tem mostrado que é possível melhorar de vida, aprender coisas novas. Não tem mais o ‘Fabiano’ [personagem de "Vidas Secas"], a vida não é tão seca mais.

RS: demissão de professor expõe limite entre ensino e doutrina religiosa

Professor de história em uma escola de Porto Alegre (RS) foi demitido, segundo ele, por se recusar a abordar conteúdos religiosos nas aulas

Publicado originalmente no Terra

Giovanni Biazzetto dava aulas no colégio La Salle Pão dos Pobres, em Porto Alegre, há cinco anos (Foto: Arquivo pessoal / Divulgação)

Giovanni Biazzetto dava aulas no colégio La Salle Pão dos Pobres, em Porto Alegre, há cinco anos (Foto: Arquivo pessoal / Divulgação)

A demissão de um professor de história do colégio particular La Salle Pão dos Pobres, em Porto Alegre (RS), ocorrida no dia 17 de maio, provocou protesto dos alunos contra a direção e trouxe à tona dúvidas sobre até que ponto a doutrina religiosa de escolas confessionais (ligadas a uma crença religiosa) pode influenciar o currículo e a rotina da comunidade escolar.

Há quase cinco anos como professor de história na escola confessional de linha cristã, Giovanni Biazzetto foi demitido, segundo sua versão, sem ter recebido uma “explicação plausível”. O professor alega que houve “perseguição religiosa” por parte do novo diretor, o irmão Olir Facchinello – que está no comando da instituição desde janeiro deste ano). O docente conta que, durante as reflexões diárias com que as turmas iniciam a aula, foi exigido que ele abordasse conteúdos de cunho religioso, tarefa que recusava.

“Em nenhum momento me disseram que eu deveria dar uma aula com doutrina religiosa. Agora imagina que coerção é para um professor que não tem aquela crença escutar o diretor dizer: ‘todos vocês têm que falar sobre os dons do Espírito Santo em sala de aula’”, comenta Biazetto. O professor também se defende dizendo que nunca recebeu nenhuma advertência anteriormente. “Minhas aulas sempre foram estruturadas no debate, na leitura e na escrita. Isso sem contar os projetos educacionais que criamos no colégio e que estão em andamento desde 2010”, diz.

Conforme informações divulgadas em nota pela assessoria de comunicação da rede La Salle Porto Alegre, o professor foi demitido devido a “uma questão técnico-pedagógica”. A assessoria não atendeu a solicitação da reportagem para entrevistar a direção da escola ou da rede e não comentou as afirmações do professor demitido.

Ao lado de Biazetto, estão dezenas de alunos e seus pais que protestaram em frente à escola contra a demissão. De acordo com uma mãe que não quis se identificar, o grupo teria recebido ameaças por parte da escola de perder bolsas, por isso, os pais dos alunos envolvidos denunciaram a escola no Conselho Tutelar, que está apurando o caso. Atualmente, o La Salle Pão dos Pobres conta com cerca de 430 alunos, sendo que 70% deles possui bolsa integral e 25% bolsa parcial.

Ensino religioso é facultativo, mas proselitismo é vedado
A postura do novo diretor também é alvo de críticas da professora de filosofia do colégio, Gabriela Bercht, que resolveu pedir demissão depois do ocorrido com o colega. “A escola foi se tornando um lugar mais conservador em todos os sentidos. Nossa autonomia como professor vinha sendo limitada, o que torna nosso trabalho quase impossível”.

Biazzetto conta ainda que, um dia antes de sua demissão, o presidente da mantenedora, irmão Jardelino Menegat, fez um discurso para o grupo de educadores da escola que gerou preocupação no corpo docente. “Ele disse: ‘quem não é cristão não serve para a nossa instituição’. Isso comprova que a escola não está apenas seguindo uma identidade cristã. No plano pastoral do La Salle, diz que é preciso zelar pelos valores e pelos princípios, mas nunca impor para alguém uma doutrina. Tanto é que na rede não existe catequese. E o irmão tenta impor esta questão religiosa”, conta o professor demitido.

De acordo com a Lei de Diretrizes e Base da Educação Nacional (LDB) do Ministério da Educação (MEC), as escolas possuem autonomia quanto à metodologia de ensino adotada, mas devem contemplar conteúdos obrigatórios. A educação religiosa, conforme o artigo 33 da LDB, é facultativa. No caso da escola oferecer a disciplina, seja ela privada ou pública, deve ser assegurado o respeito à diversidade e fica vedada qualquer forma de proselitismo religioso, ou seja, nenhuma doutrina pode ser imposta aos alunos.

A diferença para as escolas privadas confessionais é, segundo o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Privado no Estado do Rio Grande do Sul (Sinepe-RS), que elas têm autonomia para dar mais ênfase à sua religião no projeto pedagógico.

Segundo a assessora educacional da rede em Porto Alegre, Rosemari Fackin, o ensino religioso nas instituições lassalistas segue os parâmetros nacionais da lei e trabalha valores da doutrina sem cunho catequético. “Não temos a ideia de catequisar os alunos. Fazemos reflexões diárias, o que não quer dizer que seja uma reza ou algo doutrinário. Tanto que temos crianças de outras religiões e que assistem à aula de ensino religioso. E se o pais não quiserem, o aluno pode sair da sala”, explica.

Evolucionismo X Criacionismo
A coordenadora do programa de pós-graduação em educação da Universidade Metodista de São Paulo, Roseli Fischmann, afirma que, nas escolas confessionais, os pais devem conhecer previamente qual o tipo de abordagem educacional da instituição. Contudo, deve ser assegurado o ensino dos conteúdos obrigatórios, mesmo aqueles que, como o evolucionismo de Darwin, vão contra ao que ensina a doutrina do colégio.

“Não se pode interferir no conteúdo como se ele fosse algo que muda de escola para escola. Dentro destas três categorias, pública, particular privada e a particular comunitária confessional, as instituições devem oferecer conhecimento científico acumulado pela humanidade”, explica. Roseli reforça que “os professores não podem ser obrigados a ensinar algo que não está correto do ponto de vista pedagógico e da legislação ou que vá ferir a consciência deles enquanto profissionais”.

De acordo com a assessora educacional da rede em Porto Alegre, a contratação dos professores independe de crença, e as escolas lassalistas contemplam os conteúdos obrigatórios. “Por exemplo, eu posso ser cristã e, no entanto, acreditar na evolução de Darwin. Existem as duas teorias, e elas precisam ser explicadas e podem ser debatidas em uma aula de ciências”, diz Rosemari.

Pai fotografa filho autista e cria laços entre os dois

Fotografia mostra universo infantil com sutileza e sensibilidade

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Publicado originalmente no Catraca Livre

O fotógrafo Timothy Archibald começou a fotografar o filho, Elijah, quando ele tinha cinco anos. As fotos colaborativas eram uma maneira de criar algo em comum e uma tentativa de entender um ao outro. Um pouco depois de começarem o projeto, o filho foi diagnosticado com autismo.

Segundo Archibald, o diagnóstico fez com que ele entendesse melhor o filho e surgiu a necessidade de criar uma ponte emocional entre os dois.  As fotos passariam a ter papel importante na relação e resultaram no livro “Echolila: Sometimes I Wonder”.

Na construção das fotos, os dois trabalham juntos, mas Archibald afirma que tenta deixar o filho com todo o processo criativo e o fotógrafo apenas opera a camêra. Depois,  eles redefinem e tentam melhorar as ideias das fotos. Nada é programado e Elijah costuma fazer coisas inesperadas.

Confira galeria abaixo.

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