Fundação que afirma prever o tempo diz que fez alertas sobre crise hídrica

Fundação Cacique Cobra Coral diz que houve um erro de gestão em SP.
Órgão teria pedido interligação dos reservatórios para minimizar o problema.

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Publicado no G1

A fundação esotérica Cacique Cobra Coral (FCCC), que diz ser capaz de minimizar os impactos dos temporais e outros eventos naturais, informou, por meio de seu porta-voz, Osmar Santos, que desde 2012 vem alertando o governo do estado de São Paulo para a situação crítica dos reservatórios, devido à falta de chuvas. Além disso, na ocasião, a fundação teria, inclusive, solicitado a interligação dos reservatórios de São Paulo, para amenizar o impacto da prolongada estiagem no Sistema Cantareira.

A fundação é comandada pela médium Adelaide Scritori, que afirma incorporar o espírito do cacique Cobra Coral, entidade que seria capaz de influenciar no clima.

Em 2013, a FCCC diz também ter alertado ao Ministério de Minas e Energia que as chuvas de verão daquele ano não tinham sido suficientes para encher os reservatórios das usinas hidroelétricas brasileiras. Segundo a entidade, março terminou com reservatórios na casa dos 52% no sistema Sudeste/Centro-Oeste e 42% no Nordeste. Em 2012, os níveis registrados no mesmo período foram de 78% no centro do país e 82% nas bacias nordestinas.

Segundo o porta-voz da fundação, houve erro de gestão, tanto por parte do governo estadual quanto do federal, que está sendo evidenciado pela crise hídrica. Como consequência, além da falta d’água, o problema afeta diretamente a geração e transmissão de energia elétrica em todo o país.

A solução para São Paulo, no entender da fundação, é estabelecer um cronograma de obras contra a seca, priorizando as de interligação dos reservatórios. Segundo o porta-voz, o objetivo principal é recuperar a bacia do Sul de Minas, principal responsável por fornecer a água para o Sistema Cantareira.

Nesse sentido, representantes da fundação se reuniram na segunda-feira (13) com integrantes de um grupo econômico do setor de energia para encontrar soluções para o problema. A principal seria a criação de um “caminho de umidade”, interligando a Amazônia com o sul de Minas Gerais. Para a fundação, a estiagem “apenas mostrou o que não foi feito nos últimos 20 anos”. Em relação à previsão do clima, a expectativa de chuva seria para depois das eleições, no próximo dia 26.

Convênio
A Prefeitura de São Paulo, na gestão de José Serra, havia firmado um convênio em 2005 com a fundação para a antecipar intempéries climáticas que impactassem na rotina da capital. Como contrapartida, o Executivo municipal deveria realizar uma série de obras contra enchentes. Em setembro de 2009, já com Gilberto Kassab no cargo de prefeito, o convênio foi rompido pela Prefeitura.

O motivo: a fundação alegou ter alertado com antecedência sobre as chuvas que paralisaram a cidade no dia 8 de setembro daquele ano, mas considerou que a Prefeitura nada fez para tentar prevenir os problemas. “A gente não pode ajudar o homem naquilo que ele pode fazer por si. As verbas para obras contra enchentes estão congeladas”, disse Osmar Santos, na ocasião.

De acordo com Santos, houve um contato recente da fundação com o secretário das Subprefeituras, Ricardo Teixeira, na atual gestão, mas a reativação do convênio dependia de um aval do prefeito Fernando Haddad.

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Metade dos brasileiros é favorável à realização da Copa do Mundo, diz Ibope

Apesar disso, 39% dos entrevistados declaram que estão ‘frios’ quando questionados sobre seu envolvimento com o torneio

Moradores de Teresópolis já estão em clima de Copa do Mundo: metade dos brasileiros é favorável a realização do evento (foto: Marcelo Piu / Agência O Globo)
Moradores de Teresópolis já estão em clima de Copa do Mundo: metade dos brasileiros é favorável a realização do evento (foto: Marcelo Piu / Agência O Globo)

Leonardo Guandeline, em O Globo

Pesquisa realizada pelo Ibope divulgada nesta segunda-feira mostra que 51% dos brasileiros são favoráveis à realização da Copa do Mundo no país ante 42% contrários. Em fevereiro, 58% dos entrevistados eram a favor do Mundial no Brasil e 38%, contra.

No levantamento divulgado nesta segunda-feira, 36% acreditam que a Copa tem grandes chances de ser bem-sucedida. Outros 28% creem serem médias as possibilidades de êxito e 31% acham que o Mundial está fadado ao fracasso.

Apesar disso, 71% dos entrevistados dizem torcer para que dê tudo certo e 11%, para que o Mundial seja um fiasco. Os indiferentes somam 14% e os que preferem não responder ou não sabem, 4%.

Quando questionados se os brasileiros, no geral, torcem para que a realização do Mundial dê tudo certo, 59% deram respostas positivas ante 22% que acreditam que a população espera que a Copa dê errado. Outros 12% creem ter a percepção que os brasileiros estão indiferentes nesse aspecto e 7%, não sabem ou preferem não responder.

De acordo com o Ibope, os sentimentos negativos em relação ao torneio prevalecem sobre os positivos. Os mais citados são preocupação (para 30% dos entrevistados) e desperdício (29%). Positivamente, os entrevistados citaram alegria (26%) e esperança (para 18% dos entrevistados).

No levantamento, quando questionados sobre o grau de envolvimento com o torneio, tomando por base um termômetro, 39% declaram que estão ‘frios’ e 18%, ‘gelados’. Outros 30% indicam que estão bastante envolvidos e apontam as temperaturas mais ‘quentes’ no termômetro, mas somente 7% e 5% desses, respectivamente, mencionam ‘fervendo’ e ‘muito quente’. Outros 28% disseram que seu envolvimento com o Mundial é ‘morno’.

O Ibope entrevistou 2.002 eleitores de 16 anos ou mais, em 140 municípios do país, entre os dias 15 e 19 de maio de 2014. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou para menos.

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Festa no Rio de Janeiro toca batidão evangélico e proíbe a saliência

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Publicado no Extra

No sábado à noite a galera se arruma, reúne os amigos e vai para um lugar com luzes e um DJ mandando ver na pista, com batidas de pop, funk e hip hop. À primeira vista parece uma festa qualquer, mas na Gospel Night o público se diverte e louva Deus.

A noitada “100% evangélica” rola hoje, no Mello Tênis Clube, na Vila da Penha, e é indicada até pela cantora Perlla. A festa tem tudo o que as outras têm, menos bebida, cigarro e pegação.

Aliás, para que ninguém perca a linha, não há espaços escuros e ainda tem a Operação Desgrude, para separar aqueles casais mais saidinhos.

— Nem namorado pode ficar se beijando. A Operação Desgrude é um grupo que fica rodando pelo salão para não deixar ninguém se agarrar ou passar do limite dançando. Às vezes a gente usa até um extintor — conta o DJ Marcelo Araújo, o criador e organizador do evento.

Vista de fora, a Gospel Night parece uma festa como as outras. E até engana os desavisados:

— Pensam que é uma loucura, mas é diferente. Mesmo assim curtem.

Na primeira edição, em 1998, não foi ninguém. Hoje é um sucesso que já chegou a outros estados, como Bahia, Minas Gerais e Paraná. No Rio, acontece quatro vezes por ano, juntando até 4 mil pessoas em cada festa.

— Por que não fazer algo tranquilo e com decência? Eu sabia que podia usar o dom que Deus tinha me dado em favor daquilo que eu acreditava — conta o DJ.

A iniciativa conquistou a cantora Perlla, que tocou na última edição da Gospel Night:

— Foi uma satisfação muito grande. O mais especial é que os jovens se alegram, dançam a noite toda sem estar sob o efeito de álcool ou drogas. A presença de Deus já basta para ficarem felizes. É legal!

No palco de 360 graus, uma mega estrutura com luzes e telas de led dão o clima que empolga a galera. Mas tudo é desligado, lá pelo meio da noite, para todos ouvirem a Palavra.

— Tem tido uma média de 50 pessoas por noite que decidem aceitar Jesus — diz o DJ.

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Comandante decide anistiar os atos de indisciplina de toda a PM do RJ

Coronel Erir da Costa Filho, Comandante Geral da PM (foto: Nina Lima)
Coronel Erir da Costa Filho, Comandante Geral da PM (foto: Nina Lima)

Berenice Seara, no Extra

O comandante da PM, Erir Ribeiro da Costa Filho, que assumiu prometendo linha dura com desvios de conduta, foi tocado pelo clima de perdão da Jornada Mundial da Juventude.

Ou, quem sabe, às vésperas de uma provável exoneração, preferiu preparar o terreno para sair bem com seus comandados.

O moço decidiu relevar as punições disciplinares que aplicou à tropa, desde outubro de 2011 — quando tomou posse.

Estão todos liberados, incluindo os que cumprem — ou deveriam cumprir — pena de prisão.

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Os profetas interpretam o presente e antecipam o futuro

Publicado por Leonardo Boff

Profeta Isaías, no detalhe de pintura de Michelangelo na Capela Sistina.
Profeta Isaías, no detalhe de pintura de Michelangelo na Capela Sistina.

Profeta no sentido bíblico não é em primeiro lugar aquele que prevê o futuro. É aquele que analisa o presente, identifica tendências, geralmente, desviantes, faz advertências e até ameaças. Anuncia o juízo de Deus sobre o curso presente da história e faz promessas de liberação das calamidades e aponta um rumo feliz para a história a seguir.

A partir da captação das tendências, faz previsões para o futuro. No fundo afirma: se continuar este tipo de comportamento dos dirigentes e do povo  ocorrerão fatalmente desgraças. Estas são consequências das violações de leis sagradas. E ai e projetam cenários dramáticos que possuem uma função pedagógica: trazer todos à razão e à observância do que é justo e reto diante de Deus e da natureza.

Lendo alguns profetas do Antigo Testamento e mesmo advertências de Jesus sobre a situação dos tempos futuros, quase espontaneamente nos lembramos de nossos dirigentes e de seu comportamento irresponsável face aos dramas que se estão preparando para a Terra, para a biosfera e para o eventual destino de nossa civilização.

Há dias em algumas partes do norte do mundo se rompeu a barreira tida como a linha vermelha que deveria ser respeitada a todo o custo: não permitir que a presença de dióxido de carbono na atmosfera chegasse a 400 partes por um milhão. E lamentavelmente chegou. Atingido este nivel, dificilmente o clima aquecido voltará atrás. Estabilizar-se-á e poderá  tomar um curso de alta. A Terra ficará aquecida por volta de dois graus Celsius ou mais. Muitos organismos vivos não conseguem adaptar-se, não tem como minimizar os efeitos negativos e acabam desaparecendo. A desertificação se acelerará; safras serão perdidas; milhares de pessoas deverão abandonar seus lugares por causa do calor insuportável para poder  sobreviver e garantir sua alimentação.

É num contexto assim que leio  trechos do profeta Isaías. Viveu no século VIIIº a. C. num dos períodos mais conturbados da história. Israel se encontrava exprimida entre duas potências, Egito e Assíria que disputavam a hegemonia. Ora era invadido por uma destas potências ora por outra deixando um rastro de devastação e de morte.

Neste contexto dramático Isaías escreve um inteiro capítulo, o 24º, todo numa linha de devastação ecológica. As descrições  se assemelham ao que pode acontecer conosco se as nações do mundo não se organizarem para deter o aquecimento global, especialmente, aquele abrupto já advertido por notáveis cientistas e que poderá ocorrer antes do final deste século. Se ele efetivamente ocorrer, a espécie humana correrá grande risco de dizimação e de destruição de grande parte da biosfera.

Devemos tomar a sério os profetas. Eles decifram tendências numa perspectiva que vai para além do espaço e do tempo. Por isso também a nossa geração poderá estar incluída em suas ameaças. Transcrevo alguns trechos do capítulo 24 como advertência e material de meditação:
“O mesmo acontecerá ao credor e ao devedor: a Terra será totalmente devastada. Ela foi profanada pelos seus habitantes porque transgrediram as leis, passaram por cima dos preceitos, romperam a aliança eterna. Por esta razão, a maldição devorou  a Terra e são culpados os que nela habitam…A Terra se quebra, é abalada violentamente e é fortemente sacudida. A Terra cambaleia  como um bêbado, é agitada como uma choupana…A lua sera confundida e o sol terá vergonha”.

Jesus, o derradeiro e maior de todos os profetas, adverte:”uma nação se levantará contra outra e um reino contra outro. Haverá fome e peste e terremotos em diversos lugares”(Mateus 24, 7). “Na Terra angústia tomará conta das nações perturbadas pelo bramido do mar e das ondas. As pessoas desmaiarão de medo e de  ansiedade pelo que virá sobre toda a Terra pois as  forças do céu serão abaladas( Lucas 22, 25-27).

Não ocorrem cenas semelhantes nos tsunamis do sudeste da Ásia, em Fukushima no Japão, nos grandes tornados e tufões como o Kathrina e o Sandy nos Estados Unidos e em outros lugares do planeta? As pessoas não são tomadas de pavor ao assistir a devastação  e ao ver os solos cobertos de cadáveres? Estas catástrofes não ocorrem por acaso mas acontecem porque rompemos a aliança sagrada com a Terra e seus ciclos. São sinais e analogias que nos chamam à responsabilidade.

Curiosamente, apesar de todos os cenários de dizimações, a palavra profética sempre termina com a esperança. Diz o profeta Isaias:” Deus tirará o véu de tristeza que cobre todas as nações. Ele enxugará as lágrimas de todas as faces… Naquele dia se dirá: este é o nosso Deus; nós esperamos nele e ele nos salvará”(25,7.9). E Jesus arremata  prometendo:”quando começarem a acontecer estas coisas, tomai ânimo  e levantai a cabeça porque se aproxima a libertação”(Lucas 21,28).

Depois destas palavras proféticas não cabe  comentário; apenas o silêncio pesaroso e meditativo.

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