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Performance feminista é interpretada como “ritual satânico”

No evento “Xereca Satânica”, realizado na UFF, uma mulher teve sua vagina costurada como forma de protesto

xerek-890x395Publicado por Revista Forum

Para questionar a liberdade ao próprio corpo e denunciar o alto índice de estupro, uma mulher teve sua vagina costurada no meio de uma festa na quarta-feira (29). A confraternização integrava a programação do evento “Xereca Satânica”, realizado no campus de Rio das Ostras da Universidade Federal Fluminense. A performance, no entanto, ultrapassou as paredes do prédio onde foi realizada.

Após uma “denúncia” feita à grande mídia, o evento promovido por alunos do curso de Produção Cultural como parte da disciplina “Corpo e resistência” tornou-se polêmico. Até a Polícia Federal anunciou que abriu inquérito para investigar a festa, devido ao suposto consumo de drogas, álcool, orgias e rituais satânicos.

Todavia, o chefe de departamento em que o evento foi promovido, Daniel Caetano, contestou as acusações. “Embora não tenham sido feitos ‘rituais satânicos’ e o título do evento fosse essencialmente provocativo (ao contrário do que o jornalismo marrom afirmou), precisamos dizer que não haverá de nossa parte qualquer censura a atos do gênero”, afirmou em uma publicação do Facebook.

Daniel apoia a performance, realizada por um coletivo de Minas Gerais que viajou para Rio das Ostras apenas para participar do evento. “É um coletivo que está habituado a fazer performances como a que aconteceu, feitas para chocar a sensibilidade das pessoas e fazê-las pensar sobre seus próprios limites”, explicou.

O principal objetivo da atividade era denunciar os altos índices de violência contra a mulher na cidade. Por isso, ele desafia: “Qualquer pessoa em cargo público que porventura se posicionar contra a performance será por nós inquirida acerca de suas atitudes prévias contra os estupros em Rio das Ostras”.

Autoras do Blogueiras Feministas divulgaram um texto em apoio ao evento. “Todos os dias violam nossos corpos, mutilam nossas expressões despadronizadas, todos os dias querem que nossas xerecas sejam santificadas”, ressaltaram. “Lamentamos informar a todos que continuaremos a produzir e construir formas antagônicas de valores e sociabilidade num mundo que caminha pela via da robotização das expressões do humano. Pedimos desculpas se incomodamos, mas somos humanos, demasiadamente humanos”.

dica do Gerson Caceres Martins

Feministas distribuem alfinete contra ‘encoxadores’ no metrô de SP

mulheres7Leandro Machado, na Folha de S.Paulo

Integrantes de um grupo feminista vão distribuir alfinetes para mulheres se defenderem dos “encoxadores” do metrô de São Paulo.

Os objetos, cerca de 500, serão distribuídos no horário de pico da manhã na porta da estação Capão Redondo, na zona sul da cidade.

Os alfinetes serão dados em um saquinho plástico, acompanhados de um papel com a frase “Não me encoxa que eu não te furo”.

A campanha foi organizada pelo Movimento Mulheres em Luta, criado em 2008 e ligado ao CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular).

Segundo integrantes do coletivo, a ideia do ato surgiu após uma propaganda do Metrô dizer que vagões lotados eram bons para “xavecar a mulherada”.

O anúncio foi veiculado na rádio Transamérica mês passado. O Metrô disse que a peça era inapropriada e culpou a rádio pelo conteúdo.

“Queremos suscitar esse debate do abuso no transporte. A mulher tem o direito de autodefesa, e pode, com o alfinete, constranger o abusador. Muitas já usam o recurso no dia a dia”, diz Camila Lisboa, 29, membro do coletivo.

Neste ano, a polícia registrou 34 casos de mulheres abusadas no metrô. Ontem, duas pessoas foram detidas na estação Sé sob acusação de abuso sexual.

O grupo feminista pretende, em breve, distribuir os alfinetes em estações mais movimentadas do Metrô e CPTM.

PROTESTO ONLINE

No última sexta-feira, um grupo de mulheres fez um protesto virtual contra o machismo no país. Elas publicaram no Facebook fotos sem roupa, da cintura para cima, com cartazes cobrindo os seios e frases como “Eu não mereço ser estuprada”.

O ato foi criado após uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) apontar que 65% dos brasileiros concordam que “mulher que mostra o corpo merece ser atacada”.

Guru diz que indiana que sofreu estupro coletivo foi ‘culpada’

Fernando Moreira, no Page not Found

Um guru espiritual provocou revolta na Índia por um causa de um comentário bizarro: segundo Asaram Bapu, a estudante de 23 anos que sofreu estupro coletivo em um ônibus e depois morreu em um hospital foi tão culpada pelo crime quanto os seus agressores.

“Apenas cinco ou seis pessoas não são réus. A vítima é tão culpada quanto os seus estupradores. Ela deveria ter chamado os agressores de irmãos e ter implorado para que eles parassem. Isto teria salvado a sua dignidade e a sua vida. Uma mão pode aplaudir? Acho que não”, disse Bapu, de acordo com a imprensa indiana.

Mais: o guru afirmou que a estudante, identificada como Jyoti Singh Pandey, deveria ter sido mais gentil com os seus algozes se quisesse prevervar a sua vida!

Políticos e internautas reagiram com fúria após as declarações de Bapu.

“Comentários como esses deveriam ser condenados o quanto antes”, disse Sandeep Dikshit, parlamentar do partido governista.

“Querido Asaram Bapu, uma mão não pode aplaudir, mas um dedo pode facilmente mostrar o que penso de você”, escreveu no Twitter um internauta furioso.

A estudante violentada por mais de 20 minutos chegou a ser levada para um hospital em Cingapura, mas não resistiu. O caso provocou uma comoção na Índia.