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A natureza da culpa

padrao_fifaMarina Silva

Recebo notícias preocupantes do Acre, onde a enchente dos rios já obriga muitas famílias a buscar abrigos públicos. Mais grave está em Rondônia: o rio Madeira espalha-se nas cidades e áreas rurais, cobrindo até um trecho da estrada federal e impedindo o transporte de pessoas e mercadorias.

No Sudeste, em São Paulo, o problema é mais complexo: se chove, a enchente traz destruição e ameaça vidas; se não chove, pode faltar água e eletricidade, com os reservatórios das usinas muito baixos.

Mas o mais preocupante é o despreparo de nosso país em lidar com situações que se repetem todos os anos –ainda mais com o agravamento dos eventos climáticos extremos, anunciados há bastante tempo. Uma enchente súbita pode ser um fenômeno natural, mas os prejuízos repetidos denunciam o descaso e a falta de planejamento.

O que vem depois da “criminalização” da natureza? A judicialização é impossível, pois não há como processar a chuva nem a seca. E a acusação de ser contra o progresso, de pessimismo ou até de ecoterrorismo pesa sobre todos os que tentam alertar para o desastre antes que ele aconteça.

Circulam na internet fotos impressionantes de enchentes em conjuntos habitacionais construídos há pouco tempo e ainda não ocupados. É um absurdo o desperdício dos recursos públicos que escorrem, literalmente, por água abaixo. Mas ai de quem ouse comparar esse descaso com o luxo do “padrão Fifa” exigido para a Copa. O governo parece querer restringir o debate ao desempenho da seleção ou, talvez, à escalação do time.

E, nas eleições, vamos debater qual partido tem o escândalo mais condenável? Se descuidarmos, até o grave problema da corrupção poderá desviar-se para a disputa política superficial, a troca de acusações, sem a busca sincera e eficaz de superação e mudança.

Já passa da hora de acordar. A crise não está batendo à porta, já entrou em casa. A evidência da crise ambiental conseguirá mudar a avidez pelo lucro imediato ou pela popularidade fácil das obras apressadas? Veremos que a crise de valores, base da desconexão com a natureza, é a mesma que nos empurra para o abismo da corrupção? Resta a esperança de que a indignação de amplas parcelas do povo seja a energia necessária para mudar o rumo dos acontecimentos.

O sonho não morreu. Nesta semana vi, na favela do Vidigal, uma comunidade mobilizada para limpar e embelezar o lugar, criar espaços de cultura e lazer por sua própria iniciativa. Em toda parte, há projetos e debates sobre energia, água, transporte, segurança e outros temas estratégicos. Só falta juntar as duas pontas: a ação das pessoas e a prospecção de novos rumos.

Para o bem de todos, espero que esse encontro aconteça logo.

fonte: Folha de S.Paulo

Os parceiros dos exibidos

facebook

Por Ivan Martins, na Época

Tem gente que pira nas redes sociais. Você abre o Instagram e a pessoa está lá, se exibindo da forma mais escandalosa. Ah, como eu sou linda. Ah, como eu sou foda. Ah, meu deus, como eu sou feliz. No Facebook, ele publica fotos que deveriam ter sido deletadas, revela detalhes sobre a sua vida privada, se gaba de tantas coisas, e com tanta frequência, que faz a gente pensar que, na verdade, anda profundamente deprimido.

Não estou falando – vejam bem – de quem perde a mão de vez em quando e exagera na exposição de si mesmo. Isso acontece. A esta altura da sociedade do espetáculo, o mau gosto eventual tornou-se quase obrigatório. O problema com quem pira nas redes é que age sem pudor sistematicamente. É como o sujeito que bebeu demais toda vez que você o encontra. Ele é bêbado, né?

Com isso tudo estamos acostumados, porém. Os excessos nas redes sociais não são novidade. O que me fez escrever esta coluna foi a súbita percepção de que os superexibidos têm parceiros.

Cada vez que eles fazem um espetáculo de si mesmo sobra para quem está ao lado. O sujeito sobe uma foto da baladas às 3 da manhã e a namorada leva uma porrada quando abre o telefone, seis horas depois. Ou ela posta um comentário indiscreto logo cedo e ele passa o dia ouvindo ironias dos “amigos” comuns.

Parece inevitável que onde existe alguém obcecado em exibir-se haverá outro alguém juntando os caquinhos emocionais. Ninguém passa imune a esse tipo de streap tease.

Para quem não frequenta as redes sociais, esta conversa talvez pareça mi-mi-mi, mas juro que não é. O balanço entre público e privado tornou-se uma questão real para os casais. O que se mostra e o que não se mostra? Qual é o nosso combinado? Quando uma das partes tem compulsão de aparecer, fica mais difícil. Aí cabe a um conviver passivamente com a consequência dos excessos do outro – o que frequentemente é intolerável.

Uma pesquisa da Universidade do Missouri divulgada na internet sugere que quanto mais os casais usam o Facebook mais eles brigam. Em geral por causa de ciúme. Eu entendo perfeitamente.

Pouca gente lida bem com a documentação da vida dos parceiros. Antes, quando entravam num relacionamento sério, as pessoas tiravam da estante as fotos dos ex-namorados e colocavam a troca de email com eles numa pastinha escondida no computador. Agora existem as redes. Nelas estão as fotos dos três últimos namoros, assim como promessas de amor e os grunhidos sensuais trocados em cada um deles. Para todo mundo ver e compartilhar.

Se isso não fosse constrangimento suficiente, ainda vem uma torrente diária de novas imagens, novos amigos, renovados e ardorosos elogios – “que gato”, “que linda”, “cada vez melhor”… Haja desapego.

Relacionamentos, da forma como eu vejo, são construções para dois. Eles têm um forte componente social – dependem de amigos, família, colegas – mas, fundamentalmente, triunfam ou fracassam na intimidade. Quando uma das partes resolve viver em público, a relação fica enormemente vulnerável. Emoções que caberiam melhor na mesa da cozinha ou no banco da frente do carro acabam sendo exibidas diante de todos, como acontece com os artistas. Poucos aguentam esse tipo de exposição.

Ao final, quem procura atrair demais a aprovação de estranhos provoca insegurança no parceiro. Sugere que não bastam a atenção nem o aconchego que ele oferece. Se tudo tem de ser dividido com todos, o que há de especial e único nesta relação aqui? É algo a se pensar. E algo a se proteger. O ruído de aprovação das redes sociais, por mais intenso que seja, não preenche a nossa solidão. Ela se resolve apenas com relações reais. Amigos reais. Família real. Amor de verdade, com carne, ossos e defeitos, protegido por uma grossa camada de intimidade e de silêncio.

Apóstolo da Igreja Mundial está interessado na compra da MTV

foto: Mastrangelo Reino - 31.ago.2011/Folhapress

foto: Mastrangelo Reino – 31.ago.2011/Folhapress

Publicado por F5

O religioso Valdemiro Santiago está interessado na compra da MTV.

Líder da Igreja Mundial, ele por enquanto segue arrendando a Rede 21, da Band.

Já o bispo R.R. Soares, da Igreja Internacional, conseguiu permissão da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), para comprar três operadoras de serviço especial de TV por assinatura do grupo Abril.

A informação é da coluna Outro Canal, assinada por Keila Jimenez e publicada na Folha desta terça-feira (3).

Governo paga diárias de ministros, oficiais e servidores para assistirem aos jogos

Leandro Mazzini, no blog Coluna Esplanada

Sob o som do apito inicial da festa no Sábado, o Palácio do Planalto lançou discretamente um Bolsa-Copa para ministros da Esplanada, oficiais militares e servidores, tudo por conta do dinheiro público.

Na sexta-feira, dia 14, véspera da abertura da Copa das Confederações em Brasília, o governo publicou em edição extra no Diário Oficial da União o Decreto 8.028/13, autorizando pagamento de diárias para quem quiser assistir aos jogos das Confederações nas seis capitais-sedes. Há tabelas dos valores das diárias, por categorias. (Veja abaixo).

O governo vai pagar diárias de hotel de até R$ 581 para ministros do primeiro escalão que quiserem assistir nos estádios. Para os comandantes das três Forças Armadas, o teto da diária é de R$ 406,70. As comitivas ainda poderão viajar nos jatos da FAB, por prerrogativa dos cargos. Mas pelo artigo primeiro do decreto, o governo pode cobrir o dobro destes valores, alcançando então diárias de até R$ 1.162. Confira aqui  - o texto do decreto, e nos links dos Anexos, as tabelas para cada cargo.

Apesar de bases militares com alojamentos do Exército e Aeronáutica em todas as seis capitais-sedes –  Fortaleza, Recife, Salvador, Brasília, Rio e BH -, os benefícios se estendem aos comandantes, oficiais e servidores militares que forem escalados para se deslocar. O governo ainda incluiu Manaus no roteiro.

O decreto prevê que os custos serão cobertos pelos Orçamentos de cada pasta. A farra das viagens com a verba pública será autorizada por cada ministro, que escolherá os servidores de qualquer categoria para a ‘missão’.

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dica do Rogério Moreira

Após quatro anos, Gugu Liberato deixa a Record

Gugu confere mensagens no seu celular, no camarim da Rede Record, durante entrevista para o jornal "Folha de S.Paulo" (8/7/2009) foto: Eduardo Knapp/Folha Imagem

Gugu confere mensagens no seu celular, no camarim da Rede Record, durante entrevista para o jornal “Folha de S.Paulo” (8/7/2009) foto: Eduardo Knapp/Folha Imagem

Ricardo Feltrin, no UOL

Tirado do SBT a peso de ouro em junho de 2009 para ser o principal artista da Record, Gugu Liberato não suportou a pressão e o corte de verbas de seu programa, realizados nos últimos meses. Decidiu deixar a emissora do bispo Macedo mais de quatro anos antes do fim oficial de seu contrato.

A crise já havia sido antecipada seis meses atrás por esta coluna.

O “Programa do Gugu” do próximo domingo será o último do apresentador, na emissora. Segundo Ooops! apurou, Gugu não via mais condições de fazer o programa, uma vez que a emissora cortou praticamente toda sua verba de produção. Se continuasse, Gugu teria de fazer um programa exclusivamente de auditório. Procurada, sua assessoria não quis fazer comentários.

A emissora ainda não se pronunciou, mas deve informar que o rompimento entre as partes foi “amigável”. Há controvérsias sobre isso, porém.

Nos últimos meses, Gugu vinha sendo pressionado por bispos da Igreja Universal (ligados especialmente ao bispo-tesoureiro Romualdo Panceiro) a reduzir os gastos de sua atração e até aceitar uma redução no seu salário, estimado em R$ 3 milhões.

A pressão vinha sendo feita de forma objetiva e também reptícia: por exemplo, semanalmente eram ventilados rumores nos corredores da Barra Funda, dando conta do fim do programa ou que Gugu teria aceitado reduzir seu salário. O apresentador chegou ao limite da paciência e optou por aceitar “ser saído”.

Não está descartada uma disputa litigiosa no futuro, uma vez que seu contrato com a emissora estava muitíssimo bem “amarrado” –como se diz no jargão do business.

Gugu foi instado a deixar o SBT com uma série de promessas. Ele teria um programa dominical com uma superprodução, verbas incríveis para fazer externas e também poderia fazer um talk show na RecordNews. Esse talk show foi descartado menos de um ano após a chegada de Gugu à emissora, em junho de 2009.

Especula-se na Record que Gugu será substituído a partir do domingo, dia 16, por Rodrigo Faro. Ainda não está claro se faro simplesmente trocará o sábado pelo domingo ou se fará um novo programa.

Após o programa do próximo domingo, Gugu pretende tirar um período sabático para descansar e viajar com os filhos.

Antonio Augusto de Moraes Liberato, 54 aos, começou a carreira na TV aos 14 anos, como auxiliar de produção do “Domingo no Parque”, apresentado por Silvio Santos. Ele hoje também tem uma produtora e outros negócios. Nas últimas semanas, enquanto era bombardeado por bispos da Universal, foi sondado por pelo menos duas emissoras interessadas em seu passe.