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Expectativa versus realidade na internet

Publicado no Metamorfose Digital

Quem é que nunca topou, em uma galeria ou compilação de fotografias, com uma imagem simpática, meiga ou bacana e pensou imediatamente: – “Puxa, que legal. Preciso fazer uma igual”. E lá vai, câmera na mão, pose igual, um pouco para direita e… Ok, agora sim. O resultado é uma piada sem graça, uma… duas… dez vezes, até ver que não é bem assim e que as coisas na vida real costumam obedecer a Lady Murphy.

As expectativas mais buscadas são àquelas relacionadas com as crianças e animais, como nas fotos de publicidade para feriados de fim de ano. O problema é que o resultado quase sempre foge às suas expectativas, e as idéias simplesmente falham, conforme a compilação que ilustra este post.

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Conheça 50 filmes que você não pode perder em 2013

A volta de alguns super-heróis, incluindo a estreia de um novo Superman, remakes polêmicos, sequências de franquias já consagradas e muito mais. Entre comédias, policiais, ficções científicas e terrores, 2013 deve levar aos cinemas fãs de todos os gêneros.

publicado no virgula

Django Livre – Com direção de Quentin Tarantino, o filme conta a história de Django (Jamie Foxx), que faz tudo para resgatar sua mulher, Broomhilda (Kerry Washington), que foi parar nas mãos de um cruel proprietário de terras, Calvin Candle (Leonardo DiCaprio), depois de um jogo de cartas. Django conta a com a ajuda de um ex-dentista e atual caçador de recompensas alemão, King Schultz (Christoph Waltz), que o compra, liberta e ensina a ele alguns truques de sua nova profissão. Estreia no dia 18 de janeiro.

A Hora Mais Escura – Kathryn Bigelow, ganhadora do Oscar por Guerra ao Terror, apresenta sua visão da caçada a Osama Bin Laden. Jessica Chastain é a protagonista Maya, inspirada em uma agente da CIA que na vida real passou dez anos trabalhando no caso. Estreia no dia 18 de janeiro.

O Mestre – Polêmico por sua suposta inspiração na Cientologia, o filme é ambientado no pós-Segunda Guerra e mostra Lancaster Dodd’s (Philip Seymour Hoffman) como um militar que retorna aos Estados Unidos e decide formar um culto para acabar com as lembranças dos horrores vividos por soldados durante o conflito. O orador ganha fiéis rapidamente, e acaba se tornando uma espécie de mestre para Freddie Quell (Joaquin Phoenix), um soldado violento e alcoólatra. Estreia no dia 25 de janeiro.

Os Miseráveis – Tom Hooper, vencedor do Oscar de 2011 por O Discurso do Rei, colocou Hugh Jackman, Russell Crowe e Anne Hathaway, entre outros, para cantar em um grandioso musical baseado no romance homônimo de Victor Hugo, de 1862, que conta uma história que se passa na França do século 19 entre duas grandes batalhas: a Batalha de Waterloo (1815) e os motins de junho de 1832. Estreia no dia 1 de fevereiro.

Meu Namorado é Um Zumbi – Antes chamada Sangue Quente, a comédia é baseada no livro Warm Bodies, de Isaac Marion, e mostra o zumbi R (Nicholas Hoult) resgatando a jovem Julie (Teresa Palmer), a quem protege de outros zumbis e também dos Boneys, a encarnação seguinte dos mortos vivos. Se comunicando cada vez melhor e se recusando a comer carne humana, R recupera progressivamente sua humanidade. Estreia no dia 1 de fevereiro.

Caça aos Gângsteres – A história do filme acontece em 1949, quando Mickey Cohen (Sean Penn), o chefão da máfia no Brooklyn, controla todo o tráfico de armas e drogas e a prostituição no oeste de Chicago, com a ajuda de vários políticos e policiais corruptos. No entanto, uma equipe de agentes do Departamento de Polícia de Los Angeles, comandada pelo sargento John O’Mara (Josh Brolin) e por Jerry Wooters (Ryan Gosling), decide se unir para colocar um fim ao império do criminoso. Estreia no dia 1 de fevereiro. Continue lendo

Viver, uma comédia

Imagem: Google

Ricardo Gondim

No esplêndido Dom Quixote de la Mancha, o Cavaleiro Andante se encontra com uma trupe de atores. O grupo acabara de encenar. Na correria do próximo espetáculo, ninguém teve tempo de trocar de roupa. Sancho Pança e D. Quixote estranham a aparência da equipe:

“Quem guiava as mulas e servia de carreiro era um feio demônio. Vinha o carro a céu aberto, sem toldo nem coberta alguma. A primeira figura que se ofereceu aos olhos de D. Quixote foi o da própria Morte, com rosto humano; junto dela vinha um anjo com grandes asas pintadas; a um lado estava um imperador com uma coroa, parecendo ser de ouro, na cabeça; aos pés da Morte estava o deus que chamam Cupido, sem venda nos olhos, mas com seu arco, sua aljava e suas setas…”

Desta vez D Quixote não alucina; não troca os saltimbancos por seres do além”“-Pela fé de cavaleiro andante – respondeu D. Quixote – imaginei que alguma grande aventura se me oferecia, e agora digo que é mister tocar as aparências com as mãos para tomar pé do desengano”.

Com o grupo fantasiado, o herói de Cervantes não se engana: roupas e adereços não passam de cenário. As coroas não são de ouro e nem as espadas, de aço. Sancho Pança então relembra D. Quixote de que “nunca os cetros e as coroas dos imperadores farsantes foram de ouro puro”.

O Cavaleiro da Triste Figura reage à fala do escudeiro Sancho Pança:

“- Assim é verdade – replicou D. Quixote -, pois não seria acertado que os atavios da comédia fossem finos, senão fingidos e aparentes, como o é a própria comédia, a qual quero, Sancho, que prezes, tendo-a em tua boa graça, e pelo menos conseguinte àqueles que as representam e as compõem, porque todos são instrumentos de fazer um grande bem à república, pondo-nos um espelho defronte cada passo, onde se veem ao vivo as ações da vida humana, e nenhuma comparação há que mais ao vivo os represente o que somos e o que havemos de ser como a comédia e os comediantes. Se não diz-me: já não viste representar alguma comédia onde se veem reis, imperadores e pontífices, cavaleiros, damas e outros vários personagens? Um faz de rufião, outro de embusteiro, este de mercador, aquele de soldado, outro de simples discreto, outro de enamorado simples. E acabada a comédia e despindo-se dos vestidos dela, ficam todos os atores iguais”.

Sancho Pança concorda. E D. Quixote arremata:

“Pois o mesmo – disse – D. Quixote – ocorre na comédia e trato deste mundo, onde uns fazem de imperador, outros de pontífices e, enfim, todas quantas figuras se podem introduzir numa comédia; mas em chegando ao fim, que é quando se acaba a vida, a todos a morte lhes tira as roupas que os diferençavam e ficam iguais na sepultura”.

Fernando Pessoa também fala das fantasias – que naquela época chamavam Dominó – que de tanto usarmos, grudam na cara.

“Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara
Estava pregada à cara.
Quando a tirei e me vi no espelho.
Já tinha envelhecido.”


Se admitirmos que não passamos de personagens mal ensaiados, estamos em bom caminho. Façamos isso, entretanto, antes que tenhamos envelhecido.

Soli Deo Gloria

Fonte: Blog do Ricardo Gondim