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Geração “só a cabecinha”

Se Caetano Veloso já achava que tinha muita notícia nos anos 1960, o que dizer de hoje?

(foto: Nik Neves/ Editora Globo)

(foto: Nik Neves/ Editora Globo)

Bia Granja, na Galileu

Outro dia vi um estudo que diz que 25% das músicas do Spotify são puladas após 5 segundos. E que metade dos usuários avança a música antes do seu final. Enquanto isso, no YouTube, a média de tempo assistindo a vídeos não passa dos 90 segundos. O mais chocante desses dois dados é que o uso do Spotify e do YouTube, em geral, está focado no lazer, no entretenimento. Ou seja, se a gente não tem paciência para ficar mais de 90 segundos focado em uma atividade que nos dá prazer, o que acontece com o resto das coisas?

Você ficou sabendo da entrada do ator Selton Mello no seriado Game Of Thrones? Saiu em vários grandes portais brasileiros e a galera na internet compartilhou loucamente a notícia. Tudo muito bacana, não fosse a notícia um hoax, um boato inventado por um empresário brasileiro apenas pra zoar e ver até onde a história poderia chegar. Bem, ela foi longe: mais de 500 tuítes com o link, mais de 3 mil compartilhamentos no Facebook, mais de 13 mil curtidas, matéria no UOL, Ego, Bandeirantes, O Dia e vários outros sites.

Quem não tem paciência de ouvir cinco segundos de uma música tem menos paciência ainda pra ler uma notícia inteira. Pesquisas já mostraram que a maioria das pessoas compartilha reportagens sem ler. Viramos a Geração “só a cabecinha”, um amontoado de pessoas que vivem com pressa, ansiosas demais pra se aprofundar nas coisas. Somos a geração que lê o título, comenta sobre ele, compartilha, mas não vai até o fim do texto. Não precisa, ninguém lê!

Nunca achei que a internet alienasse as pessoas ou nos deixasse mais burros, pois sei que a web é o que fazemos dela. Ela é sempre um reflexo do nosso eu, para o bem e para o mal. Mas é verdade que as redes sociais causaram, sim, um efeito esquisito nas pessoas. A timeline corre 24 horas por dia, 7 dias da semana e é veloz. Daí que muita gente acaba reagindo aos conteúdos com a mesma rapidez com que eles chegam. Nas redes sociais, um link dura em média 3 horas. Esse é o tempo entre ser divulgado, espalhar-se e morrer completamente. Se for uma notícia, o ciclo de vida é ainda menor: 5 minutos. CINCO MINUTOS! Não podemos nos dar ao luxo de ficar de fora do assunto do momento, certo? Então é melhor emitir logo qualquer opinião ou dar aquele compartilhar maroto só pra mostrar que estamos por dentro. Não precisa aprofundar, daqui a pouco vem outro assunto mesmo.

Por outro lado… quem lê tanta notícia? Se Caetano Veloso já achava que tinha muita notícia nos anos 1960, o que dizer de hoje? Ao mesmo tempo em que essa atitude é condenável, também é totalmente compreensível. Todo mundo é criador de conteúdo, queremos acompanhar tudo, mas não conseguimos. Resta-nos apenas respirar fundo, tentar manter a calma e absorver a maior quantidade de informação que pudermos sem clicar em nada. Será que conseguimos?

* Bia Granja é co-criadora e curadora do youPIX e da Campus Party Brasil. Seu trabalho busca entender como os jovens brasileiros usam a rede para se expressar e criar movimentos culturais

TJ-SP condena usuárias do Facebook por compartilhar e curtir status ofensivos

Mulheres compartilharam e curtiram uma informação, não comprovada, de negligência no tratamento de uma cadela

Publicado no Terra

O Tribunal de Justiça de São Paulo determinou que duas usuárias do Facebook paguem indenização de R$ 20 mil cada uma por terem compartilhado e curtido na rede social um status considerado ofensivo.

O processo que motivou a decisão da justiça envolveu um veterinário acusado de negligência no tratamento de uma cadela. O conteúdo foi compartilhado e curtido pelas duas mulheres. A informação de negligência não foi comprovada. José Roberto Neves Amorim, relator do processo, diz que a decisão será recomendada como jurisprudência, para que seja aplicada em casos semelhantes que cheguem ao tribunal.

As informações são da colunista da Folha de São Paulo Mônica Bergamo

dica do Jarbas Aragão

Arquivo F

hammer

 

Por Bruno Medina, no Instante Posterior

No ano de 2025, a vida real e a vida virtual encontram-se tão intimamente relacionadas que quase não há mais distinção entre as sociedades de fato e as redes sociais. Num contexto em que a inclusão digital alcançou 90% dos habitantes do planeta, e em que existem mais de 7 bilhões de perfis ativos no Facebook, o site de relacionamentos concebido 15 anos antes enfrenta um irônico e até então impensável desafio: sobreviver ao excesso de usuários. Com o intuito de assegurar que a rede não sucumba a um caos de convites e publicações indesejáveis, seus administradores resolvem pôr em prática um rígido código de conduta, medida que coincide com a instituição de um tribunal para julgar infrações e abusos cometidos pelos frequentadores:

– Caso 3742, Facebook contra Fernando Soares. Com a palavra, a acusação.

– Senhor Fernando, consta nos autos uma queixa apresentada pela senhorita Amanda Vasconcellos, de que o senhor a teria cutucado por diversas vezes num período de 2 semanas. A informação procede?

– Sim, procede.

– E qual foi o motivo que despertou um comportamento, digamos, tão compulsivo?

– Bom, a Amanda é minha colega de faculdade e, na aula de Psicologia dos  Avatares II, fiquei achando que ela também se interessava por mim. Por isso cutuquei, para facilitar a aproximação e ajudar a quebrar o gelo…

– Mas 7 vezes consecutivas??

– Como é que eu podia saber que ela não estava gostando? Ela me cutucava de volta!

– Não passou pela cabeça do senhor que a senhorita Amanda poderia apenas estar tentando ser educada?

– Como assim educada? Ela me “tagueou” numa foto…

– Onde estavam tagueadas outras 9 pessoas da turma!

– Ok, tudo bem, digamos que eu tenha abusado das cutucadas, mas no dia em que eu a chamei no chat ela foi enigmática, e foi isso que me levou a pensar que estava rolando um joguinho…

– O que exatamente configura a atitude da senhorita Amanda como enigmática?

– Ela disse: “Fernando, nós precisamos conversar”. Daí eu perguntei sobre o que, e a Amanda não respondeu mais. Fui levado a pensar que ela queria me convidar pra sair mas estava com vergonha…

– Em depoimento a senhorita Amanda alegou que na referida conversa pretendia pedir ao acusado que parasse de cutucá-la insistentemente, mas o sinal do 8G caiu, visto que ela digitava no interior de um avião que adentrava a estratosfera.

– Poxa, e ela nem postou uma foto disso? Eu ia curtir e compartilhar, com certeza!

– Numa outra queixa, o senhor foi denunciado por publicar em janeiro deste ano no Instagram a foto de uma sobremesa, o que, como sabemos, é terminantemente proibido desde 2015.

– Protesto, meritíssimo, meu cliente não comentará suas ações em outras redes sociais!

– Retiro, senhor Juiz. Prosseguindo: na semana passada o senhor foi acusado por diversas pessoas de praticar excesso de postagens sobre um mesmo tema…

– Ah, agora isso também?! Pô, a Apple compra a Grécia e eu não posso nem comentar o assunto com meus amigos? Aliás, que amigos esses, hein…

– O novo código vigente determina que o autor de 3 posts sobre um mesmo tópico seja advertido, e punido com suspensão sumária da conta caso insista com as publicações.

– Meritíssimo, posso me defender? O primeiro post foi o furo da notícia, o segundo, um vídeo do holograma do Steve Jobs comentando a aquisição; o terceiro e o quarto posts foram fotos da bandeira com a maçã mordida sendo hasteada em Atenas. Era relevante!

– Senhor Juiz, a lista de acusações é interminável, mas vamos nos ater a um último ponto: convites para eventos.

– Pronto, lá vem…

– Nos últimos 2 meses o senhor Fernando enviou a sua lista de amigos nada menos do que 19 convites para eventos, muitos destes estapafúrdios, tais como “Reunião dos Saudosos do Twitter” e “Festa de Aniversário da Suzy”, que vem a ser um avatar feminino criado por ele mesmo.

– Só quero deixar registrado que recebi várias confirmações pra festa da Suzy, ok?

– Precisamente 5, todas provenientes de perfis de avatares também criados pelo senhor. Já para o evento do Twitter…

– Bem, acho que cheguei a um veredito. Senhor Fernando, gostaria de dizer alguma coisa antes da sentença ser proferida?

– Sim, gostaria de perguntar ao Senhor Juiz se estou autorizado a fazer um vídeo deste momento…

Foto de ‘husky intrometido’ vira sensação na web

Husky apareceu como ‘papagaio de pirata’ na fotografia (Foto: Reprodução)

Publicado originalmente no G1

Um usuário da rede social “Reddit”, identificado apenas como “jfoster51″, postou uma imagem que mostra um husky “intrometido” com a língua para fora, aparecendo no que seria o registro de outro cachorro.

Esse tipo de “surpresa” nas fotos é conhecida na internet como “photobombing”. A imagem, postada em diversos sites, foi reproduzida mais de 23 mil vezes.